sexta-feira, 18 de julho de 2014




Tenho milhões de palavras dentro de mim

e todas me gritam que não as escreva.

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sexta-feira, 27 de junho de 2014




O poeta é um conquistador de perna marota e olho manhoso. Um pedaço de alguém que espreita por baixo da falsa franja a coberto do capuz.

O poeta é algo subversivo, pois auto negativo e auto depreciatório. Dêem-me um poeta gabarola e devolvê-lo-hei à procedência com todos os selos necessários. Mas esta última declaração denota uma imensa falta de progresso. Uma vez que os selos são apenas ícones de uma era quase morta.

Como se o tempo alguma vez morresse.

O tempo alimenta-se dos que o ocupam. Como um táxi conduzido por um paquistanês ganancioso. Uma armadilha homeostática. O tempo... Esse sacaninha.

O poeta é um tipo com a mania das arrumações, que pinta interminavelmente a cor das palavras... e as afeiçoa. Como qualquer carpinteiro afeiçoa um pedaço de madeira. Sem qualquer afecto. Apenas colocado de feição. Com tempo.

Outro efeito secundário de alguém afectado de poesia, é sofrer de relatividade pontual. Algo que nos faz encarar um lote de dados e declarar "É isto que sempre quis e não sei como encontrei". É por isso que ser um poeta é algo estúpido e talvez um pouco embaraçoso.

Em Filologia diz-se sempre aos alunos: Façam o que fizerem afastem-se da poesia, pois a vossa carreira facilmente chegará ao fim. Será como pilotar o "Holandês Voador" por sobre os tectos das maiores bibliotecas da Europa; passar por túneis rente às caixas fortes dos bancos ou falhar os maiores amores pelo tempo de um sorriso que não é desenhado.

Por tudo isto e mais ainda, afastai-vos da poesia, miúdos. Mesmo os de coração forte sentir-se-ão diariamente retalhados, como se as vossas próprias mãos rasgassem a carne. Numa louca e robótica impaciência, que nunca vos conduzirá àquilo que tantos continuam a teimar chamar de poesia.

Musica de Fundo




Queen - Innuendo


sábado, 17 de maio de 2014




Maldito Sois Vós Ente As Mulheres
- O meu agradecimento ao Madeira da casa D'Oliveiras "Malvasia Reserva Vintage de 1983", sem o qual este primeiro post sobre a aprendizagem da Gerontopsicologia nunca seria possível  (pela falta de coragem e tal...)

Se Deus alguma vez tivesse a ousadia de existir seria como Blog, esse falso e farsante semi-deus que se acoita nas franjas do meu cérebro reptiliano e me dá desculpas para sempre fazer aquilo que me apetece (embora nem sempre isso seja o que é melhor para mim).

Mais uma vez decidi queimar as minhas pontes.

O melhor de queimar pontes, além do facto de não se poder voltar atrás, é que podemos sobre elas amontoar os nossos inimigos e vê-los ascender aos céus sob a forma de vapor e belas nuvens em formato de ovelha ou dose individual de "algodão doce".

Mas os meus inimigos não me preocupam. Uma vez que são tão escassos como os meus verdadeiros amigos (vantagem de não andar pela vida a tentar cultivar uns ou outros).

Após um período em andei tanto de bicicleta que a pele dos meus testículos atingiu a consistência da encadernação da edição dos Lusíadas em exposição na Torre do Tombo, decidi fazer agulha (e mais uma vez tal como sempre exijo a mim próprio) em direcção ao futuro. Que é a única direcção em que um viajante minimamente decente deve viajar, sob pena de parecer ligeiramente efeminado ou mesmo com tendências declaradamente rabiosques...

Poderei agora (que me é dado o benefício da provecta idade, e a evidência de ser visto perseguindo rapariguinhas de quarenta anos) admitir que a minha pobre avó, no princípio dos anos setenta foi assolada por horrendas dúvidas sobre a minha masculinidade; a pontos de me pagar bilhetes para o Odeon. Onde passava o "Decameron", "Os pecados Inconfessáveis de Uma Senhora Bem" e "Empresta-me o teu Motorista".

Tudo grandes touradas dos anos setenta, em que se viam mais pelos do peito e mamilos arrepiados, do que propriamente algum sexo que se aproveitasse. Em suma... Cenas tristes.

Mas essa perene preocupação da velha senhora (que para tal teve que infringir uma dezena de regras e regulamentos internos sobre a sua pessoa) que era apenas motivada pela minha teimosia em usar lenço ao pescoço; acabou por marcar fundo em mim a necessidade de passar aos outros uma mensagem concisa e directa. Quanto mais não seja para evitar o assédio de personagens disfarçados de encenador teatral ou especialista em recolha etnográfica.

Mas chega da minha avó que foi a mulher que mais amei. Embora de um modo assexuado e infantil.

Cavalgo agora (após providências tomadas nos locais certos) o "Dragão das Trezentas e Vinte Seis Alvoradas", que são tantas quantas aquelas que vou ter que presenciar na minha quotidiana viagem até Setúbal; num comboio que convenhamos, até não é tão desconfortável assim.

É incrível que alguém que tão bem sabe quem é, consiga anular-se durante tanto tempo em relação à paisagem. E se querem que vos diga, não faço a mínima ideia pela qual a puta da paisagem é tão importante. O facto é que anula tudo o resto.

Quer seja a miúda do politécnico que vai a meu lado com aquela saia curtíssima, o tipo que se senta à minha frente e cheira como se já estivesse morto há uma semana ou a senhora que me deita olhares periódicos; mas que por alguma razão só contribui para o desconforto que impera neste meu desenquadramento ambulatório.

E tudo isto é apenas um miserável comboio cheio de gente avulsa.

Talvez eu me esteja a transformar num obsessivo-compulsivo. Mas o mais certo é necessitar apenas de variar de lote nas "soluções salinas" (eu sei que isto pode parecer incompreensível; mas para mim não é, e faz todo o sentido. Pois já aconteceu várias vezes no passado).

Estou pois montado no tal dragão. E após meia hora de leitura do "The Hacker Crackdown" de Bruce Sterling no meu "tablet" comprado em saldo, ponho os auscultadores e mergulho na música escondido atrás dos "Mirror Shades of Deceit " que ainda conservo (nunca me livro das más recordações, pois ensinam-me a não cair noutra).

A paisagem é uma fita verde por demais descrita por melhores escrevinhadores que eu. Mas isso não a impede de ser magnífica nas suas quintas, vinhas e pastos onde cavalos de aspecto famélico trotam sem sentido. Numa analogia sobre tudo o que a isso se quiser aplicar. Uma natural polivalência daquilo que não tem outro remédio senão existir e estar disponível para uso em imagens literárias.

É uma viagem com gente que vai em direcção às coisas que os devoram. Com a única e triste consolação de não ser um deles. O que não consola minimamente alguém que se gaba de estar acordado e vivo.

E podem crer que existem alturas em que não há nada mais irritante que estar acordado e vivo. É o mesmo que assistir a um massacre sem nada poder ou mesmo querer fazer. E dói. "Dói comó caralho". É das poucas verdades que alguma vez me permitirei dizer-vos.

O destino a que esta vez me votei voluntariamente, delineia-se mesmo antes da gare. Algo como uma fábrica de processamento de carnes vivas à semelhança do "Soylent Green", mas muito menos agradável. Pois ali ninguém tem sequer coragem de prometer um futuro com rações alimentares e ar respirável.

É apenas uma central de processamento, em que alguns resistentes (que eu sei que os há, pois conheci alguns) tentam livrar aqueles que dormem dos espigões da tremonha que os transformará no alimento dos outros.

Eu não quero saber se sou apenas mais um bife, ou a pedra que destruirá o mecanismo. Pois na verdade não quero mesmo saber. Nunca quis (e é isso o que sempre me safou).

Sou apenas um tijolo dourado que flutua no vazio, mas cuja posição é inalterável. Algo que não se tenta deslocar sem que tal altere o equilíbrio de tudo o que o rodeia (dizer universo seria um pouco exagerado). E só não quer que o chateiem demasiado.

Na sala 223 acontecem coisas divertidas.

A primeira é que tencionava acampar num canto e ficar a vigiar pacientemente a saída até que o tempo se esgotasse. Mas o acaso é um gajo do caraças. Constatei pois, que eu era o único macho entre 29 espécimes.

Como seria de esperar num "case study" deste tipo, fui arrebanhado e colocado sob a "protecção" das fêmeas alfa que logo aproveitaram para manifestar a sua condição dominante. Não que eu me importe de fazer um jeito ocasional em fetiches de domínio; mas isto vai dificultar-me um pouco a vida na medida em que sou exibido como troféu, sem qualquer das vantagens daí inerentes.

Antes que me visse transformado numa espécie de "Teddy Bear", e desse por elas a fazerem-me trancinhas; expliquei-lhes a filosofia básica do "tu mordes-me e eu, mordo-te". E confesso que num dos casos acabei por ter que aplicar algumas (mais sonoras que eficientes) palmadas. O que pareceu ser menos dissuasivo que agradável para a perpretadora, que acabou por exigir "beijinhos reparatórios" no local afectado. O que digamos em abono da verdade me coloca um pouco "à nora" em relação a este método dissuasor.

 Há na realidade um grande problema no meio disto tudo.

Que é, como passar de membro do "buffet" a comensal sem grande alarido. O que julgo ser assaz difícil senão impossível. Visto que devido ao meu conhecimento relativamente enciclopédico, sou encarado como uma espécie de precioso electrodoméstico (uma Bimby ou um Vaporetto de qualidades inigualáveis); condição atingida talvez através de uma praga bem urdida ou uma boneca Voudu de boa qualidade.

O mais certo é que vou ter que me preparar para ano e meio de solidão. E infelizmente, não há Garcia Marquez que me valha...

Música de fundo

Muse - Uprising



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Escritor agora anónimo

De costas para a literatura
- Dedicado à simpática esposa do Apóstolo, que me fez constatar a direcção para a qual estava apontada a minha "não-escrita". -

É manhã e quase que chove. Da mesma maneira que quase está sol, ou que quase me "espalhei" enquanto tomava duche. É um "quase-dia" ou se preferirmos um dia incompleto e de aspecto tediosamente pardo. Ou seja... Um dia perfeito para escrever.

Se por algum mirabolante acaso decidisse pedir conselho aos meus escritores favoritos, sei que dois deles diriam - Faz o que te apetecer e manda lixar o resto. - Talvez seja por isso que um deles morreu na miséria, e o outro só não teve o mesmo fim porque não era português.

Convém pois não esquecer que nas palavras aladas de Almada Negreiros, é esta "a pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões!". Já me esquecia que também adoro o velho Futurista. Mas como alguns sabem, eu gosto de imensa gente da qual nem sempre me lembro.

- Pelo menos desta vez não me estou a desviar do tema como acontece tantas vezes.

O facto é que o meu ego indolente e hedonista, só faz o que lhe apetece ou o que eventualmente consigam obrigá-lo a fazer.

É que a escrita é uma actividade de natureza facultativa. E não me venham com a conversa sobre a "necessidade da escrita". Porque quem precisa desse tipo de desabafos, ou arranja um psicólogo, ou uma amante que seja também boa ouvinte (o famoso "dois-em-um" que se tornou tão famoso nas grandes superfícies comerciais, mas que nesse domínio é bem mais barato e gratificante).

A literatura (se for realmente aquilo que inadvertidamente aqui estou a fazer) é pois, para mim, algo que fazemos se apenas quisermos, se não estivermos muito constipados e se tivermos um pouco de jeitinho. Tendo pois algumas vagas semelhanças com o sexo; que por sua vez as tem com quase tudo.

E a verdade é que não me tem apetecido, e ficamos por aqui.

Mas ontem finalmente houve algo que colocou novamente em marcha esta espécie de motor iónico (se não estão para ir ao Google, posso adiantar que é um "zingarelho" de aceleração gradual que começa devagarinho e vai potenciando) cujo tubo de escape dá para este blog "azul-cueca" que ultimamente tem sido tão negligenciado (nem sei como ainda não me abandonou).

Mas é melhor irem buscar umas bolachas que isto é capaz de ser demorado.

Ora enquanto este blog acumulava pó, e mantinha no topo durante quase um ano a foto da defunta "Bruxa Má do Oeste", no mundo analógico passavam-se imensas coisas que dariam volumes e volumes de material para ler na cama antes de adormecer. Ao contrário do "Fifty Shades of Grey" que foi para mim uma desilusão (mas felizmente existe o download ilegal; ou ainda estaria aqui a lamuriar-me pelo dinheiro desperdiçado).
Só a talhe de foice, acho que eu faria bem melhor. E não me refiro à parte técnica da escrita (que Blog me livre disso) pois essa é uma área reservada para gente que perceba do assunto; e como vocês sabem, eu até trabalho no ramo da Construção Civil. Bem, agora já não. Mas isso são outros graus; embora de cor e não acinzentados.

Refiro-me apenas ao argumento que algumas pessoas acharam "de uma imaginação prodigiosa". Pois acreditem que não é necessária muita imaginação para "aquilo".

E (permitam-me agora uma das minhas habituais analogias ordinárias) como espeleólogo que já percorreu alguns bons quilómetros de grutas das três principais variedades, posso afirmar que se trata apenas de um misto de recordações da juventude e anseios não satisfeitos na meia-idade da autora em questão.

Coisa que a referida senhora conseguiu espalhar por incontáveis páginas, como um pensionista a tentar fazer render a manteiga dias antes do cheque da Segurança Social.

Está bom, apesar de não merecer a maior parte de todo aquele aparato que fizeram à volta do assunto. Mas como já tive a oportunidade por várias vezes de testemunhar na blogosfera (se é que ainda lhe chamam isso), basta uma mulher falar de sexo ou escrever algumas vulgaridades avulsas e terá toda a atenção que quiser.

Mas onde é que eu estava? ...

Ah, pois. Enquanto a vida ia sendo impulsionada pelo tempo tal como lixo empurrado por uma vassoura, passaram-se imensas coisas. E para não vos tomar muito tempo, pois alguns estarão já a bocejar desalmadamente, Vou referir-me só ao que me chateou mais - Tive um problema de infestação.

Os poucos de vós que me conhecem pessoalmente, sabem que sou um rapaz asseado e que dificilmente cairia presa de piolhos, pulgas ou carraças.

Mas o caso foi um pouco mais drástico e muito mais oneroso do que se tratasse de uma comparativamente insignificante parasitose por "Ascaris lumbricoides", ou uma real camada de "Phthirus pubis"; que em comparação com o meu ex-empregador (o parasita realmente em causa) são uns bicharocos cordatos, simpáticos e talvez mesmo honestos.

Ora como devem calcular não fica barato um tipo livrar-se de parasitas. Não só se agarram teimosamente na ânsia de continuar a drenar os vossos fluidos (coitados, também pouco mais sabem fazer), como depois de nos livrarmos deles, ainda temos que nos desinfectar completamente, apanhar vacinas e curar infecções. O que no caso desta metáfora serão uns largos milhares de euros (que quase decerto nunca verei) entre ordenados e subsídios não pagos, bem como indemnização pelos largos anos em que me esteve teimosamente agarrado aos tomates (era mesmo um chato).

Mas eu estava era de costas para a literatura. Que ao contrário do referido "Phthirus", não aproveita a ocasião para nos roubar a carteira ou fugir com o telemóvel.

Mas perguntarão vocês (os que ainda não se piraram sub-reptíciamente) - Será que estar de costas para a literatura é ir já no fim da segunda folha A4, e continuar para aqui a arengar às massas?

Ora aqui é que entra a verdadeira razão do título deste enorme post, só comparável em extensão à descrição das genealogias no Velho Testamento.

Chegou mais um ano. E com ele todo o conjunto de previsões da treta, promessas falaciosas e habituais clichés; bem como aborrecidas reuniões de condomínio e consequente substituição da administração cessante por outra cujos membros não se tenham conseguido esquivar a tempo.

Desta vez e tal como andava já a prometer há algum tempo, o Apóstolo arregaçou o manto e chegou-se à frente. Só que não foi ao estilo das saudosas coristas do Parque Mayer - O que teria sido bonito, e até didáctico - Mas para nos apresentar a reinvenção do velho conceito de "liberdade possível" em direcção ao que me pareceu na altura (eu não ligo muito ao que se passa na escada) uma nova Ordem Mundial mas à escala dos "Livros Condensados das Selecções do Reader's Digest".

Íamos (e vamos, que ele quando arregaça o manto não é só para mostrar os seus joelhos gorduchos) então finalmente ter uma administração realmente organizada e direccionada para a eficiência e conforto de todos os condóminos contribuintes (também temos dos outros).

Com os olhos brilhantes de entusiasmo, calçou apressadamente as suas sandálias das grandes peregrinações, e dirigiu-se à sede da Caixa Geral e Depósitos em Lisboa. Disposto a abrir uma "Conta Condomínio", ou lá o que é.

Para sua surpresa a dita organização - que cá para mim ainda se devia chamar "Monte da Piedade Nacional" (SIC), pois tinha muito mais piada - estava pouco interessada nos nossos poucos Euros, e muito mais em informação sobre as nossas pessoas e na obtenção de infindáveis cópias de documentos obscuros; alguns deles de natureza hermética. Tal como registos de propriedade, averbamentos de matriz e outras tralhas que eu não consegui perceber bem pelo telemóvel, uma vez que por essa altura me encontrava a sair de um autocarro com dois sacos de compras e no meio de uma turba de anciãos; após uma movimentada manhã no Almada Fórum.

O que compreendi de imediato é que não só eu, como todos os meus vizinhos de mais cinco edifícios, nos encontrávamos vergonhosamente de costas para um escritor do princípio do século passado; o que considero imperdoável.

Ora eu tenho um especial carinho pelos escritores portugueses do princípio do século XX. Especialmente pelos que têm (pois para mim ainda estão vivos) sentido de humor.

Enquanto desempacotava as compras e mandava para a reciclagem massivas quantidades de celulose e polímeros sintéticos; a minha mente regressou ao tempo em que no velho sexto andar em Alfama, me sentava nas tábuas polidas do corredor com as costas encostadas à estante que continha os livros do meu avô, e me deliciava com os episódios picarescos de "A Malta das Trincheiras" de André Brun, à mistura com velhos números do Tit-Bits" e do "Punch".

Um pouco chateado, pois sempre considerei André Brun uma espécie de P. G. Wodehouse mais proletário e ao gosto português, fui averiguar.

Felizmente não se tratava dele mas de um seu amigo também escritor, embora um pouco mais trágico e emproado. Escritor este do qual não digo o nome, pois tarde ou cedo teria à minha porta uma alegre multidão empunhando archotes e forquilhas. Mas adiante.

Em suma. Na sua discutível sabedoria, o Município tinha relegado para um gaveto não pavimentado, salpicado de canas e tufos de urtigas, um escritor que no seu tempo tinha sido grande (embora num género do qual não sou especial apreciador); talvez numa cósmica e retorcida alusão àquilo para o que há cerca de um ano eu me encontrava de costas voltadas. A minha controversa e indestrinçável natureza.

Pois se tarde ou cedo teria que escrever, decidi que seria hoje. Quanto mais não seja para homenagear solitariamente um escritor agora anónimo, cujo quase desaparecimento me vem ensinar que na verdade não escrevo para o futuro ou para alguém, mas tão-somente porque me apetece.

Música de Fundo

Groucho Marx - Lydia the Tattooed Lady



quarta-feira, 10 de abril de 2013





DING DONG! THE WITCH IS DEAD
(The Wizard of Oz)

Ding Dong! The Witch is dead. Which old Witch? The Wicked Witch! 
Ding Dong! The Wicked Witch is dead.
Wake up - sleepy head, rub your eyes, get out of bed.
Wake up, the Wicked Witch is dead. She's gone where the goblins go,
Below - below - below. Yo-ho, let's open up and sing and ring the bells out.
Ding Dong' the merry-oh, sing it high, sing it low.
Let them know 
The Wicked Witch is dead!
Mayor 
As Mayor of the Munchkin City, In the County of the Land of Oz, I welcome you most regally. 
Barrister
But we've got to verify it legally, to see
Mayor
To see?
Barrister
If she
Mayor 
If she?
Barrister
Is morally, ethic'lly
Father No.1
Spiritually, physically
Father No. 2
Positively, absolutely
Munchkins
Undeniably and reliably Dead
Coroner
As Coroner I must aver, I thoroughly examined her. 
And she's not only merely dead, she's really most sincerely dead.
Mayor
Then this is a day of Independence For all the Munchkins and their descendants
Barrister
If any.
Mayor
Yes, let the joyous news be spread The wicked Old Witch at last is dead!


(no more music needed)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Álbum de viagem





















*

quarta-feira, 8 de agosto de 2012





Foto: Net

Diálogos Hipoglicémicos


... Ah, a felicidade, minha querida. São apenas momentos.

Como pequenas frutas cristalizadas, dispersas por essa imensa gelatina Royal que é a vida...


Musica de Fundo



Teenage Kicks - The Undertones


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