terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

Escritor agora anónimo

De costas para a literatura
- Dedicado à simpática esposa do Apóstolo, que me fez constatar a direcção para a qual estava apontada a minha "não-escrita". -

É manhã e quase que chove. Da mesma maneira que quase está sol, ou que quase me "espalhei" enquanto tomava duche. É um "quase-dia" ou se preferirmos um dia incompleto e de aspecto tediosamente pardo. Ou seja... Um dia perfeito para escrever.

Se por algum mirabolante acaso decidisse pedir conselho aos meus escritores favoritos, sei que dois deles diriam - Faz o que te apetecer e manda lixar o resto. - Talvez seja por isso que um deles morreu na miséria, e o outro só não teve o mesmo fim porque não era português.

Convém pois não esquecer que nas palavras aladas de Almada Negreiros, é esta "a pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões!". Já me esquecia que também adoro o velho Futurista. Mas como alguns sabem, eu gosto de imensa gente da qual nem sempre me lembro.

- Pelo menos desta vez não me estou a desviar do tema como acontece tantas vezes.

O facto é que o meu ego indolente e hedonista, só faz o que lhe apetece ou o que eventualmente consigam obrigá-lo a fazer.

É que a escrita é uma actividade de natureza facultativa. E não me venham com a conversa sobre a "necessidade da escrita". Porque quem precisa desse tipo de desabafos, ou arranja um psicólogo, ou uma amante que seja também boa ouvinte (o famoso "dois-em-um" que se tornou tão famoso nas grandes superfícies comerciais, mas que nesse domínio é bem mais barato e gratificante).

A literatura (se for realmente aquilo que inadvertidamente aqui estou a fazer) é pois, para mim, algo que fazemos se apenas quisermos, se não estivermos muito constipados e se tivermos um pouco de jeitinho. Tendo pois algumas vagas semelhanças com o sexo; que por sua vez as tem com quase tudo.

E a verdade é que não me tem apetecido, e ficamos por aqui.

Mas ontem finalmente houve algo que colocou novamente em marcha esta espécie de motor iónico (se não estão para ir ao Google, posso adiantar que é um "zingarelho" de aceleração gradual que começa devagarinho e vai potenciando) cujo tubo de escape dá para este blog "azul-cueca" que ultimamente tem sido tão negligenciado (nem sei como ainda não me abandonou).

Mas é melhor irem buscar umas bolachas que isto é capaz de ser demorado.

Ora enquanto este blog acumulava pó, e mantinha no topo durante quase um ano a foto da defunta "Bruxa Má do Oeste", no mundo analógico passavam-se imensas coisas que dariam volumes e volumes de material para ler na cama antes de adormecer. Ao contrário do "Fifty Shades of Grey" que foi para mim uma desilusão (mas felizmente existe o download ilegal; ou ainda estaria aqui a lamuriar-me pelo dinheiro desperdiçado).
Só a talhe de foice, acho que eu faria bem melhor. E não me refiro à parte técnica da escrita (que Blog me livre disso) pois essa é uma área reservada para gente que perceba do assunto; e como vocês sabem, eu até trabalho no ramo da Construção Civil. Bem, agora já não. Mas isso são outros graus; embora de cor e não acinzentados.

Refiro-me apenas ao argumento que algumas pessoas acharam "de uma imaginação prodigiosa". Pois acreditem que não é necessária muita imaginação para "aquilo".

E (permitam-me agora uma das minhas habituais analogias ordinárias) como espeleólogo que já percorreu alguns bons quilómetros de grutas das três principais variedades, posso afirmar que se trata apenas de um misto de recordações da juventude e anseios não satisfeitos na meia-idade da autora em questão.

Coisa que a referida senhora conseguiu espalhar por incontáveis páginas, como um pensionista a tentar fazer render a manteiga dias antes do cheque da Segurança Social.

Está bom, apesar de não merecer a maior parte de todo aquele aparato que fizeram à volta do assunto. Mas como já tive a oportunidade por várias vezes de testemunhar na blogosfera (se é que ainda lhe chamam isso), basta uma mulher falar de sexo ou escrever algumas vulgaridades avulsas e terá toda a atenção que quiser.

Mas onde é que eu estava? ...

Ah, pois. Enquanto a vida ia sendo impulsionada pelo tempo tal como lixo empurrado por uma vassoura, passaram-se imensas coisas. E para não vos tomar muito tempo, pois alguns estarão já a bocejar desalmadamente, Vou referir-me só ao que me chateou mais - Tive um problema de infestação.

Os poucos de vós que me conhecem pessoalmente, sabem que sou um rapaz asseado e que dificilmente cairia presa de piolhos, pulgas ou carraças.

Mas o caso foi um pouco mais drástico e muito mais oneroso do que se tratasse de uma comparativamente insignificante parasitose por "Ascaris lumbricoides", ou uma real camada de "Phthirus pubis"; que em comparação com o meu ex-empregador (o parasita realmente em causa) são uns bicharocos cordatos, simpáticos e talvez mesmo honestos.

Ora como devem calcular não fica barato um tipo livrar-se de parasitas. Não só se agarram teimosamente na ânsia de continuar a drenar os vossos fluidos (coitados, também pouco mais sabem fazer), como depois de nos livrarmos deles, ainda temos que nos desinfectar completamente, apanhar vacinas e curar infecções. O que no caso desta metáfora serão uns largos milhares de euros (que quase decerto nunca verei) entre ordenados e subsídios não pagos, bem como indemnização pelos largos anos em que me esteve teimosamente agarrado aos tomates (era mesmo um chato).

Mas eu estava era de costas para a literatura. Que ao contrário do referido "Phthirus", não aproveita a ocasião para nos roubar a carteira ou fugir com o telemóvel.

Mas perguntarão vocês (os que ainda não se piraram sub-reptíciamente) - Será que estar de costas para a literatura é ir já no fim da segunda folha A4, e continuar para aqui a arengar às massas?

Ora aqui é que entra a verdadeira razão do título deste enorme post, só comparável em extensão à descrição das genealogias no Velho Testamento.

Chegou mais um ano. E com ele todo o conjunto de previsões da treta, promessas falaciosas e habituais clichés; bem como aborrecidas reuniões de condomínio e consequente substituição da administração cessante por outra cujos membros não se tenham conseguido esquivar a tempo.

Desta vez e tal como andava já a prometer há algum tempo, o Apóstolo arregaçou o manto e chegou-se à frente. Só que não foi ao estilo das saudosas coristas do Parque Mayer - O que teria sido bonito, e até didáctico - Mas para nos apresentar a reinvenção do velho conceito de "liberdade possível" em direcção ao que me pareceu na altura (eu não ligo muito ao que se passa na escada) uma nova Ordem Mundial mas à escala dos "Livros Condensados das Selecções do Reader's Digest".

Íamos (e vamos, que ele quando arregaça o manto não é só para mostrar os seus joelhos gorduchos) então finalmente ter uma administração realmente organizada e direccionada para a eficiência e conforto de todos os condóminos contribuintes (também temos dos outros).

Com os olhos brilhantes de entusiasmo, calçou apressadamente as suas sandálias das grandes peregrinações, e dirigiu-se à sede da Caixa Geral e Depósitos em Lisboa. Disposto a abrir uma "Conta Condomínio", ou lá o que é.

Para sua surpresa a dita organização - que cá para mim ainda se devia chamar "Monte da Piedade Nacional" (SIC), pois tinha muito mais piada - estava pouco interessada nos nossos poucos Euros, e muito mais em informação sobre as nossas pessoas e na obtenção de infindáveis cópias de documentos obscuros; alguns deles de natureza hermética. Tal como registos de propriedade, averbamentos de matriz e outras tralhas que eu não consegui perceber bem pelo telemóvel, uma vez que por essa altura me encontrava a sair de um autocarro com dois sacos de compras e no meio de uma turba de anciãos; após uma movimentada manhã no Almada Fórum.

O que compreendi de imediato é que não só eu, como todos os meus vizinhos de mais cinco edifícios, nos encontrávamos vergonhosamente de costas para um escritor do princípio do século passado; o que considero imperdoável.

Ora eu tenho um especial carinho pelos escritores portugueses do princípio do século XX. Especialmente pelos que têm (pois para mim ainda estão vivos) sentido de humor.

Enquanto desempacotava as compras e mandava para a reciclagem massivas quantidades de celulose e polímeros sintéticos; a minha mente regressou ao tempo em que no velho sexto andar em Alfama, me sentava nas tábuas polidas do corredor com as costas encostadas à estante que continha os livros do meu avô, e me deliciava com os episódios picarescos de "A Malta das Trincheiras" de André Brun, à mistura com velhos números do Tit-Bits" e do "Punch".

Um pouco chateado, pois sempre considerei André Brun uma espécie de P. G. Wodehouse mais proletário e ao gosto português, fui averiguar.

Felizmente não se tratava dele mas de um seu amigo também escritor, embora um pouco mais trágico e emproado. Escritor este do qual não digo o nome, pois tarde ou cedo teria à minha porta uma alegre multidão empunhando archotes e forquilhas. Mas adiante.

Em suma. Na sua discutível sabedoria, o Município tinha relegado para um gaveto não pavimentado, salpicado de canas e tufos de urtigas, um escritor que no seu tempo tinha sido grande (embora num género do qual não sou especial apreciador); talvez numa cósmica e retorcida alusão àquilo para o que há cerca de um ano eu me encontrava de costas voltadas. A minha controversa e indestrinçável natureza.

Pois se tarde ou cedo teria que escrever, decidi que seria hoje. Quanto mais não seja para homenagear solitariamente um escritor agora anónimo, cujo quase desaparecimento me vem ensinar que na verdade não escrevo para o futuro ou para alguém, mas tão-somente porque me apetece.

Música de Fundo

Groucho Marx - Lydia the Tattooed Lady



quarta-feira, 10 de Abril de 2013





DING DONG! THE WITCH IS DEAD
(The Wizard of Oz)

Ding Dong! The Witch is dead. Which old Witch? The Wicked Witch! 
Ding Dong! The Wicked Witch is dead.
Wake up - sleepy head, rub your eyes, get out of bed.
Wake up, the Wicked Witch is dead. She's gone where the goblins go,
Below - below - below. Yo-ho, let's open up and sing and ring the bells out.
Ding Dong' the merry-oh, sing it high, sing it low.
Let them know 
The Wicked Witch is dead!
Mayor 
As Mayor of the Munchkin City, In the County of the Land of Oz, I welcome you most regally. 
Barrister
But we've got to verify it legally, to see
Mayor
To see?
Barrister
If she
Mayor 
If she?
Barrister
Is morally, ethic'lly
Father No.1
Spiritually, physically
Father No. 2
Positively, absolutely
Munchkins
Undeniably and reliably Dead
Coroner
As Coroner I must aver, I thoroughly examined her. 
And she's not only merely dead, she's really most sincerely dead.
Mayor
Then this is a day of Independence For all the Munchkins and their descendants
Barrister
If any.
Mayor
Yes, let the joyous news be spread The wicked Old Witch at last is dead!


(no more music needed)

quinta-feira, 13 de Setembro de 2012


Álbum de viagem





















*

quarta-feira, 8 de Agosto de 2012





Foto: Net

Diálogos Hipoglicémicos


... Ah, a felicidade, minha querida. São apenas momentos.

Como pequenas frutas cristalizadas, dispersas por essa imensa gelatina Royal que é a vida...


Musica de Fundo



Teenage Kicks - The Undertones


quarta-feira, 1 de Agosto de 2012



Outdoors de Honestidade Política III
(Cada tiro, cada melro...)





sexta-feira, 27 de Julho de 2012



O Rissol de Kim Jong Un
(Ou onde se “junta a fome com a vontade de comer”. Dito popular aparentemente originário da Coreia do Norte)





Foto: Net


Foi anunciado no dia 25 pela patriótica (e única) estação de TV norte-coreana, que o amado líder Kim Jong Un se uniu pelo sagrado matrimónio a uma das mais belas jovens daquele país (ou que pelo menos não se parece com uma preguiça anoréctica).

Além de que se trata de uma famosa cantora daquele país (uma espécie de Micaela mas com os olhos em bico) pouco mais sabemos sobre a formosa noiva Ri Sol-Ju (cujo nome significa "ogiva múltipla detonando ao amanhecer", e não "Júlia dos Rissóis" como a imprensa capitalista tem tentado fazer crer), excepto o facto de ela ter um fraquinho por ditadores gorduchos e carrancudos.

Apesar de a Coreia do Norte ser um país muito cioso da sua privacidade, o nosso enviado especial Alberto (do qual omitimos o apelido para evitar represálias por parte de ninjas vingativos), conseguiu coligir alguns factos sobre o casamento enquanto fingia sondar o mercado local para alegadamente investir numa cadeia de hospitais psiquiátricos.

Estas informações foram facultadas pelo tio do noivo, em troca de uma lata de atum Bom Petisco e dois pacotes de bolachas “água e sal”. Pelo que negamos vivamente ter instalado qualquer dispositivo de escuta no delicioso bolo gentilmente oferecido pela “Pastelaria Dragão Vermelho” de Almada (como maldosamente foi insinuado por esse miserável pasquim, L’Osservatore Romano.)

* - Depois da cerimónia, os noivos atiraram arroz sobre o público que os esperava, provocando um incidente em que pereceram cerca de dois mil norte-coreanos que se atropelaram mutuamente para alcançar a rara iguaria.

* - O "copo de água" consistiu numa costeleta de porco grelhada com a qual se banquetearam os cerca de 258 convidados.

* - Os noivos seguidamente iniciaram o baile com a romântica valsa coreana "Morte ao Insidioso Inimigo Exterior"

* - A imprensa norte-coreana noticiou milhares de suicídios por parte de jovens mulheres, a quem este casamento arruinou o sonho de virem a casar com o solteirão mais belo e rico ainda disponível.

* - Toda a multidão irrompeu num estrondoso aplauso, quando a noiva disse "sim", e os "snipers" baixaram finalmente as armas.

* - Curiosamente, o pequeno noivo no topo do bolo de casamento foi construído rigorosamente à escala natural.

* - Mais um mistério ficou solucionado quando a desaparecida mãe de Michael Jackson compareceu para figurar como dama de honor.

* - Um dos sinais da abertura preconizada por este feliz enlace, foi a substituição do chefe das Forças Armadas bem como de outros vinte oficiais “linha dura” por militares mais jovens e flexíveis. Embora segundo algumas fontes habitualmente bem informadas, isto se deva ao facto de todos eles terem dentes de ouro, e os vestidos de noiva serem um luxo mortalmente dispendioso.

De qualquer modo só o tempo poderá trazer conclusão a esta espécie de novela boliviana. Pelo que daqui endereçamos aos simpáticos esponsais, os nossos mais sinceros votos de uma vida longa e plena de minúsculos e macilentos descendentes (ou “gajang seongsilhan gin insaeng-e daehan huimang gwa jaggo yawigo jason gadeug”)


Música de Fundo



"Der Song von Mandelay" (Bertolt BrechtKurt Weill)
by The Flying Lizards
 


terça-feira, 10 de Julho de 2012

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