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Contribuições para um Verão mais
Quente
- Onde no seguimento de uma
política de desanuviamento, o autor tenta levantar o véu (e o resto da roupinha
também) que cobre aquilo a que algumas mulheres chamam o “Mistério Masculino”
(M&M) -
Génese – Adagietto
Estávamos eu e o Apóstolo há uns
dias em pleno planeamento das actividades balneares para este Verão, quando
levantando subitamente o olhar do suplemento de uma edição dominical que estava
a consultar, este me perguntou absolutamente de chofre – Já reparaste que todos
os anos por esta altura publicam um monte de tretas sobre como agradar às mulheres, e que ninguém se preocupa
com o que é importante ou não para os homens?
E não é que tinha razão?...
Acabei por ter que admitir que existia uma enorme lacuna no conhecimento que a
maioria das mulheres pensa ter sobre nós. Lacuna esta, disfarçada pelo aparente
sucesso da dualidade cacete/cenoura que desde a idade da pedra tem mantido os
homens (mais ou menos) na linha.
Esclarecimento Prévio – Andantino
Ora desde que no início da minha
adolescência li “A Nossa Vida Sexual” do pantomineiro do Dr. Fritz Kahn, tive
ao longo do resto da minha vida que desaprender um monte de teorias erradas ou
que não considero funcionais. Excepto talvez para indivíduos a quem tenham seccionado
as ligações entre os lobos frontais e o tálamo.
Embora não me considere uma
sumidade no que respeita ao “Eterno Feminino”, sou suficientemente homem para
saber do que gosto e o que é melhor para mim (embora nem sempre ambos os
factores se encontrem em conjunção).
Pelo que, do cimo da cátedra que
me é conferida pela minha provecta idade e pelas múltiplas cicatrizes recebidas
em indescritíveis batalhas (indescritíveis, porque ficaria muito mal da minha
parte descrevê-las aqui), atirarei como milho aos pombos algumas considerações
gerais, que penso poderem ajudar a desvendar o “Mistério Masculino” (M&M),
àquelas mulheres que se interessem por aquilo que sentimos. E que não nos
consideram apenas um palminho de cara mal barbeada, ou um pedaço de carne com o
qual podem dar largas aos seus mais básicos e selváticos instintos.
Prólogo – Allegro ma non troppo
Ora, para a mulher que está
habituada a confiar na informação veiculada por outras mulheres (mãe, colegas e
amigas) em relação aos homens, só tenho a dizer uma coisa. – Pfavor!... Confiar
noutras mulheres? E é a isso que você chama informação fidedigna? Senão, vamos
por partes.
Por mais dedicadas que as amigas
e as colegas lhe sejam, nunca estas iriam colocar em seu poder (mesmo que a tivessem) o equivalente à
“Arma do Juízo Final”. Seria o mesmo que os Americanos em Agosto de 1945, se
virarem para os Russos e dizerem. – Bem, isto da bomba atómica até correu
benzinho com os japoneses. Olhem! Como não somos egoístas, estão aqui os planos
para vocês poderem também construir a vossa.
E quanto à sua simpática e bem
intencionada mãe, não estou aqui para falar dela. Para já, porque isto de falar
de mães alheias é uma situação tão volátil como deixar o frasco da acetona ao
pé da fogueira, enquanto se pinta as unhas dos pés no parque de campismo. Mas
assim como quem não quer a coisa, consulte as suas recordações e tente
referenciar algum indício de que ela compreenda verdadeiramente o seu pai.
Pelo que tenho observado, os
dados que as mulheres possuem sobre a composição do imaginário e âmago do
pensamento masculino, são na maioria inexactos; raiando às vezes os limites da
mitologia. Embora na maior parte dos casos se trate apenas de desinformação e
propaganda.
De qualquer modo, nunca eu iria
encarnar o papel de traidor ao meu género e colocar a nu os segredos da
masculinidade. Principalmente porque isso poderia ser aproveitado pelos últimos
grupos de feministas radicais (que se escondem em caves e só saem nas noites de
Benfica/Sporting, em que podem realizar à vontade os seus rituais satânicos),
para causarem tanto dano como conseguiram com as “teorias do relacionamento”
que espalharam no final dos anos 70 e princípio de 80 do século passado.
Assim, em vez de começar aqui a
despachar receitas como se fosse um desses estranhos seres que na televisão
fingem ensinar as mulheres a cozinhar (quando na verdade o seu objectivo é
ganharem fama de homens “mais razoáveis”), e impingir a minha opinião sobre o
que agrada ou não aos homens; cobrir-me-ei antes com o capote da modéstia, para
enunciar algumas coisas que as mulheres (erradamente) acreditam saber sobre os homens.
A Coisa em Si (salvo seja) –
Vivace
Ele não me respeitará se
tivermos sexo no primeiro encontro. Tratar-me-á como a um objecto descartável e
nunca mais olhará para mim; a não ser que o faça ver que não sou das que
“cedem” facilmente – A verdade é que isso não interessa. Uma vez que o sexo
é algo que se processa (quando é um impulso autêntico e espontâneo) a um nível básico que
pouco tem a ver com a interacção social ou o conceito judaico-cristão de
“respeito”. E quanto ao “ceder”?... Não estamos no cerco de Siracusa!
Lembre-se porém, qualquer que
seja a sua decisão, que esta deve ser tomada com base naquilo que quer e/ou acredita,
e não no que outros possam pensar. Nomeadamente amigas invejosas, parentes
afastados que esperam que você morra de aborrecimento enquanto espera “pelo
tal”, ou aqueles senhores que usam saias e passam o tempo todo a falar de Deus,
do céu e dos meninos do coro dos Pequenos Cantores de Viena.
Os homens adoram o processo de
conquista sem o qual pouco valor dão ao que obtêm. Dá-lhes prazer o acto de
arranjar coragem para se aproximarem de uma estranha e arriscarem-se a ser
humilhantemente rejeitados – Náaaa! Minhas amigas, deixem de projectar os
vossos anseios. São as mulheres que adoram a conquista.
Principalmente porque são o único
tipo de “caça” que lucra em ser apanhada e pela qual todos os dias se digladiam
candidatos. Candidatos que muitas das vezes não caçam porque gostem, mas porque
lhes ensinaram ser esse o único modo de obterem o que querem ou precisam (a
muito conhecida “álgebra da necessidade”).
O curioso de tudo isto, é que o
caçador considerado mais capaz e perto da perfeição, após alcançar e
“conquistar” a sua presa é convertido em troféu e exibido às restantes até que
perca a sua “panache” (não confundir com panaché) e seja substituído por outro;
ou por algum animal doméstico de pequeno porte.
Homem nenhum consegue ser
amigo de uma mulher sem tentar levá-la para a cama (ou para a mesinha de café,
ou o sofá da sala, ou o parapeito do Miradouro de Almada, etc.) - Este é um
tema que ainda é objecto de aceso debate no meio masculino. Mas o consenso é,
que a premissa de que não se consegue manter uma relação entre um homem e uma
mulher sem tensão sexual, é absoluta treta.
Não vou fingir que numa amizade
homem/mulher, um deles ou ambos não pode ou não achará o outro atraente. Mas
isso não terá que inexoravelmente acabar em fricção de mucosas e troca de
fluidos. Sem dúvida que tenho amigas com as quais não me importaria nada de
tentar novas experiências exploratórias.
Mas por outro lado também tenho
daquelas (Não tenho assim tantas amigas. Apenas as suficientes para poder exemplificar
o meu ponto de vista) com as quais nunca sonharia encetar qualquer tipo de intimidade
física. Não porque sejam feias (não existem mulheres “feias” minhas senhoras),
mas apenas porque por inúmeras causas prováveis não se processa a necessária reacção química entre os dois
elementos.
É tão simples quanto isso.
Os homens preferem que se
deixe algo a cargo da imaginação – Quem foi o/a idiota que inventou isto?
Claro que quase todos os homens respondem ao estímulo de uma saia curta, uns
jeans apertadinhos, uma fantasia de “french maid” ou mesmo uma prosaica toalha
de banho por cima da pele molhada. Mesmo o acto de vocês se maquilharem
cuidadosamente ou vestirem uma “lingerie” arrojada apenas para uma ida ao
cinema, é assaz excitante.
Isso, qualquer mulher sabe.
Agora o que gostamos mesmo?
Despir-vos tudo isso do modo mais sôfrego e por vezes desajeitado (dou graças a
Blog, pela abolição dos colchetes que eram a minha “Némesis”).
É claro que qualquer homem gosta
de imaginar uma mulher despida. Mas ele gostará muito mais (mesmo muito, e
mesmo mais) de a ver despida, utilizando o sentido do tacto para confirmar se é
verdade o que os seus olhos vêem. Que isto nunca se sabe, pois as aparências ás
vezes enganam.
Os homens sentem-se
intimidados por mulheres independentes e enérgicas – Na verdade isso
acontece a muitos. Mas também existem muitos outros para os quais tal coisa é totalmente
indiferente (excepto talvez se uma delas me pegar ao colo e conseguir atirar
para cima da cama a três metros de distância). Porque na realidade, isso de ter
que ser o homem a prover todas as necessidades não passa de uma convenção
social, ditada por circunstâncias que se perdem nas névoas malcheirosas da
pré-história.
Tudo neste capítulo se resume ao
quanto cada um se importa com o que os outros pensam, e à particularidade de
cada situação, que depende apenas da soma dos seus dois componentes mais importantes
(got it?).
Por isso, minha amiga. Se quiser
convidar para jantar o objecto da sua afeição e pagar integralmente a conta,
assim como a do quarto de hotel sem parecer que o está a querer comprar. Diga-lhe apenas que essa é a sua noite de “predadora”. E já agora, seja
pro-activa também no resto. Porque qualquer um de nós pode calcular que, se a
seguir a isso se deitar na cama e tentar imitar uma estrela-do-mar morta na
vazante, o efeito geral poderá ficar um pouco estragado. E nós não queremos
isso, pois não?
Os homens têm tendência para
adormecer depois do sexo, porque são uns brutos insensíveis e egoístas. Incapazes
até, de olhar para uma mulher sem a verem como um mero objecto de prazer – Oh
minhas amigas… insensíveis? Isso é porque nunca viram um homem com lágrimas nos
olhos após dar uma formidável martelada num dedo, enquanto tentava pendurar-vos
na parede um quadro representando gatinhos num cesto.
Mas quanto à sonolência. Isso tem
uma explicação científica, que como quase tudo o que diz respeito a homens e
mulheres (Sim, meninas. Vocês também), remonta à alvorada da humanidade. Aquela
altura em que os tigres tinham dentes de sabre, o fogo era a novidade da moda e
ainda não se tinha inventado o termo “depilação brasileira”.
Como sabem, na pré-história a
moca era o instrumento multi-usos do homem, que tanto lhe podia servir para
caçar, como para “telefonar” num tronco oco, ou para encontrar a “alma gémea”
que o acompanharia pelo resto da sua (curtíssima) vida.
Ora a metodologia adoptada neste
primitivo jogo de sedução, era algo que dava imensas dores de cabeça às
mulheres. E se estão a pensar que me refiro a um ocasional “galo” provocado por
um macho mais desajeitado com a sua moca, estão enganadas minhas senhoras.
Já nesses tempos recuados, o
acasalamento era algo quase tão ritualizado quanto o teatro “Kabuki” (que
infelizmente ainda não tinha sido inventado); e a moca apenas aflorava a cabeça
da “eleita”, numa representação algo estilizada do difícil acto que era caçar
algo desejável e graciosamente esquivo (estou a sair-me bem, não estou?).
Ora a chatice, é que isso
estragava imenso aqueles penteados à “B-52’s” que se usavam na altura. Mas com
isto já me desviei do assunto, que era o da sonolência do macho após o coito.
Apesar de tudo o que se possa
dizer a favor das boas intenções dos meus antepassados da pré-história, estes ainda
eram uns tipos muito pouco civilizados e com pouca empatia pelas necessidades
físico/emocionais das suas parceiras. Coisa que muitas vezes resultava em
rejeição, ciúme e violência doméstica. O que convenhamos é uma situação difícil
resolver para qualquer agente da autoridade, especialmente se o agressor for
uma bisarma com cento e vinte quilos envergando peles mal cheirosas, e
empunhando uma moca do tamanho de uma “lambretta”.
Mas a natureza nunca se engana.
Ou pelo menos, quando isso acontece é sempre por (relativamente) pouco tempo.
Para evitar cenas desagradáveis e
redução do número das fêmeas (que a procura era muita) da espécie, o mecanismo
evolucionário do homem foi dotado de um novo processo. Que consiste na produção
(logo após o sexo) de serotonina, noradrenalina, óxido nítrico e prolactina,
prontamente libertadas no corpanzil do quase sempre apatetado macho.
A prolactina é uma hormona que
produz a sensação de relaxamento, necessária para a preparação de
(esperançosamente) uma nova erecção. Quanto maior for a quantidade de
prolactina libertada durante o orgasmo masculino, mais tempo será necessário
para recuperar do mesmo. É também pelo facto de os níveis de prolactina aumentarem
durante o sono, que este é induzido pelo organismo após o clímax (uma espécie
de ciclo vicioso).
E também, minhas queridas amigas.
Para (principalmente) permitir à desiludida mocinha pôr-se a andar a toda a
velocidade, evitando assim ficar novamente ao alcance daquela particular moca
tão mal manejada (há casos, eu sei).
Por isso, minha senhora. Quando o
seu querido após toda aquela “ópera italiana”, foguetório e tremores de terra,
começar a respirar compassadamente enquanto um sorriso beatífico lhe invade a
face como espuma do mar numa manhã de Verão. Tem duas opções à escolha.
Se não valeram a pena toda a
preparação e logística investidas para aquele momento, pegue nas chaves do
carro ou chame um táxi. Aproveitando previamente para eliminar quaisquer pistas que o
possam conduzir novamente a si.
Mas se valeu a pena, também não
precisa de fazer muito. Ovos mexidos e sumo de laranja devem bastar.
Agradecimentos e Genérico -
Prestissimo
No que concerne a bibliografia,
apenas foi consultado o “Manual de Utilização de Solimão I - O Magnífico”,
escrito pela sua esposa favorita Roxelana (cujo nome de solteira era Aleksandra
Lisowska), para uso das restantes residentes do serralho.
Cumpre-me porém agradecer a todos
os canalizadores, ajudantes de pedreiro, operadores de retro-escavadora,
rebitadores e marteleiros entrevistados para a elaboração desta modesta
monografia.
Um especial beijinho a todas as
leitoras que após lerem isto, não se sintam inclinadas a espetar agulhas benzidas
em fotos impressas a partir do meu avatar. E também (tal como já fez o Júlio Iglésias)
mas de um modo mais profundo, para as que desde a minha juventude me “ajudaram”
no estudo desta disciplina.
Música de Fundo
20th Century Boy – T-Rex





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