UNDERWORLD
- Desculpem… Também posso bater no Miguel Sousa Tavares? - Um post tão revigorante e matinal quanto o famoso “Quarto de Vigor” e tão genuinamente português quanto a inveja e a má língua… -
Adoro estes dias em que me posso dar ao luxo de ser imparcial. Mas eu explico. É que se por um lado não sou admirador da obra de Miguel Sousa Tavares; por outro também não me incomodam o seu ar afectado, ou as habituais tiradas emocionais que o caracterizam.
Na realidade estou bastante acostumado a isso, pois já estou na blogosfera há mais de três anos, e uma das componentes mais importantes deste meio (assim como da “personalidade” da maioria das figuras públicas) é exactamente a “pose”.
Mas o homem tem uma certa razão quando diz que - “este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desavergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja” – pois embora não se tenha ainda apercebido do facto, Miguel Sousa Tavares é português e vive em Portugal. O que o desculpa de um erro tipicamente português, que é o de equacionar o óbvio como se fosse uma espécie de terceira lei da termodinâmica.
Aqui somos todos cidadãos comuns e anónimos, tal como deve ser composta qualquer multidão sem peso mediático. A blogosfera não é (por muito que custe a meia dúzia de “wannabes”) mais um refúgio da intelectualidade lusitana. Sendo antes comparável ao estendal, onde pomos a secar as peúgas esburacadas e as cuecas puídas.
Os que aparecem aqui com outros intuitos são “anjos caídos”. Uma espécie de intelectuais de último nível, que pensam ter acedido a um mundo subterrâneo onde apesar das suas limitadas capacidades, lhes será permitido “ser alguém” e reinar sobre os “seres das profundezas”; até serem repescados para o mundo real e o seu valor finalmente reconhecido.
Pois, meus caros. A maioria dos intelectuais, escritores, jornalistas e quejandos (podem considerar que coloquei entre aspas todos essas designações) que passeiam entre nós a sua exuberante plumagem, não passam de gente que no seu meio dificilmente preenchem os standards para as posições que pretendem ocupar; vindo para aqui fazer tirocínio e aproveitando também para elevar um pouco a auto-estima.
Uma das razões pelas quais não é comum ler-se este tipo de coisa, é porque uma boa parte dos bloggers (ou “blogueiros”, que ainda é mais giro) sofrem daquela mania que os faz pensar serem filhos de gente nobre que os abandonou à nascença, tendo sido recolhidos e adoptados por uma família de labregos; e ficando assim permanentemente à espera de “serem descobertos”.
Outra falha manifestada por MST é a de apreciar erradamente o papel da blogosfera na vida nacional. A blogosfera não é uma fonte (pois dificilmente dela nascerá algo de inovador) mas sim uma lagoa onde desaguam os eflúvios, que escorrem pelas frestas das paredes bolorentas com que os “media” tentam cercar o cidadão comum.
E a ser assim, é natural que o resultado não seja o elogio da obra (boa ou má, “whatever”…) do queixoso, mas um desinteresse quase olímpico pela mesma; excepto no que toca a assunto para escrever mais um post.
Esperemos que MST não se deixe cair na mesma abjecção que outros congéneres seus, que após dizerem tanto mal do nosso “gheto”, ainda tiveram a lata de cá se vir instalar como se não tivessem (e não têm, mas isso já eu sabia) vergonha na cara.
Entretanto a blogosfera continuará a ser o que é. Uma espécie de local para gente anónima que quer falar, blogueiros que querem blogar (LoL), intelectuais que querem “armar”; mas acima de tudo um local privilegiado para a prática desse desporto nacional que é a choraminguice de todos aqueles que nasceram em berço de ouro, e inexplicavelmente se vêm assim reduzidos a penar entre nós aqui no “Mundo Subterrâneo”.
Infelizmente não há princesas que cheguem para beijar esses sapos todos; nem valeria a pena, pois a maioria deles só dá mesmo verrugas…
Música de Fundo
“The Nutcracker - Clara and Prince Charming”
Pyotr Illych Tchaikovsky
- Desculpem… Também posso bater no Miguel Sousa Tavares? - Um post tão revigorante e matinal quanto o famoso “Quarto de Vigor” e tão genuinamente português quanto a inveja e a má língua… -
Adoro estes dias em que me posso dar ao luxo de ser imparcial. Mas eu explico. É que se por um lado não sou admirador da obra de Miguel Sousa Tavares; por outro também não me incomodam o seu ar afectado, ou as habituais tiradas emocionais que o caracterizam.
Na realidade estou bastante acostumado a isso, pois já estou na blogosfera há mais de três anos, e uma das componentes mais importantes deste meio (assim como da “personalidade” da maioria das figuras públicas) é exactamente a “pose”.
Mas o homem tem uma certa razão quando diz que - “este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desavergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja” – pois embora não se tenha ainda apercebido do facto, Miguel Sousa Tavares é português e vive em Portugal. O que o desculpa de um erro tipicamente português, que é o de equacionar o óbvio como se fosse uma espécie de terceira lei da termodinâmica.
Aqui somos todos cidadãos comuns e anónimos, tal como deve ser composta qualquer multidão sem peso mediático. A blogosfera não é (por muito que custe a meia dúzia de “wannabes”) mais um refúgio da intelectualidade lusitana. Sendo antes comparável ao estendal, onde pomos a secar as peúgas esburacadas e as cuecas puídas.
Os que aparecem aqui com outros intuitos são “anjos caídos”. Uma espécie de intelectuais de último nível, que pensam ter acedido a um mundo subterrâneo onde apesar das suas limitadas capacidades, lhes será permitido “ser alguém” e reinar sobre os “seres das profundezas”; até serem repescados para o mundo real e o seu valor finalmente reconhecido.
Pois, meus caros. A maioria dos intelectuais, escritores, jornalistas e quejandos (podem considerar que coloquei entre aspas todos essas designações) que passeiam entre nós a sua exuberante plumagem, não passam de gente que no seu meio dificilmente preenchem os standards para as posições que pretendem ocupar; vindo para aqui fazer tirocínio e aproveitando também para elevar um pouco a auto-estima.
Uma das razões pelas quais não é comum ler-se este tipo de coisa, é porque uma boa parte dos bloggers (ou “blogueiros”, que ainda é mais giro) sofrem daquela mania que os faz pensar serem filhos de gente nobre que os abandonou à nascença, tendo sido recolhidos e adoptados por uma família de labregos; e ficando assim permanentemente à espera de “serem descobertos”.
Outra falha manifestada por MST é a de apreciar erradamente o papel da blogosfera na vida nacional. A blogosfera não é uma fonte (pois dificilmente dela nascerá algo de inovador) mas sim uma lagoa onde desaguam os eflúvios, que escorrem pelas frestas das paredes bolorentas com que os “media” tentam cercar o cidadão comum.
E a ser assim, é natural que o resultado não seja o elogio da obra (boa ou má, “whatever”…) do queixoso, mas um desinteresse quase olímpico pela mesma; excepto no que toca a assunto para escrever mais um post.
Esperemos que MST não se deixe cair na mesma abjecção que outros congéneres seus, que após dizerem tanto mal do nosso “gheto”, ainda tiveram a lata de cá se vir instalar como se não tivessem (e não têm, mas isso já eu sabia) vergonha na cara.
Entretanto a blogosfera continuará a ser o que é. Uma espécie de local para gente anónima que quer falar, blogueiros que querem blogar (LoL), intelectuais que querem “armar”; mas acima de tudo um local privilegiado para a prática desse desporto nacional que é a choraminguice de todos aqueles que nasceram em berço de ouro, e inexplicavelmente se vêm assim reduzidos a penar entre nós aqui no “Mundo Subterrâneo”.
Infelizmente não há princesas que cheguem para beijar esses sapos todos; nem valeria a pena, pois a maioria deles só dá mesmo verrugas…
Música de Fundo
“The Nutcracker - Clara and Prince Charming”
Pyotr Illych Tchaikovsky
