Da Lama às Estrelas
- Se uma religião for descaradamente inventada como a nossa divertida Fé em Blog (e não o serão todas elas?), quase tudo é permitido e ninguém nos poderá acusar de hereges; pois seguimos as nossas próprias Sagradas Escrituras (o Livro de Blog). Agora se um tipo que controla a devoção de 2.810.000 fedorentos fiéis começa a variar da cabeça, a coisa pode tornar-se grave e deve ser trazida a público antes que se espalhe, e ainda acabemos por ver o sucessor de S. Pedro a comprar chinelinhas de renda na Prada ou na Chanel (Pensando bem, acho que já venho atrasado para esta…) -
Sempre me fascinou nas religiões, aquela faceta humorística que muitas vezes as põe ao nível do melhor teatro de revista português. Tive até em tempos uma ideia que consistia em reaproveitar o velho Parque Mayer para concentrar todas as comunidades religiosas do nosso país, de modo a que os fiéis pudessem escolher a que mais os seduzisse.
É claro que houve logo um desmancha-prazeres que me disse ser impossível. Pois tal como nos restaurantes da antiga Feira Popular (o extinto Luna Parque), iríamos testemunhar episódios com rabis a aliciar o cliente no meio da rua, enquanto um mulah lhe puxaria por um braço, e um pouco mais atrás um padre o ameaçaria com as chamas do inferno se não escolhesse o seu estabelecimento.
Mas chega de teoria “teológico-hoteleira”.
Esta quarta feira li no Correio da Manhã um pequeno artigo do tamanho de um selo de correio (ou do bigode de Hitler, como preferirem), em que se relatava ter o Dalai Lama (esse playboy internacional) afirmado que caso morresse fora do Tibete, não poderiam ali procurar o seu sucessor pois não lhe seria possível reencarnar lá.
Poucos instantes após eu terminar a leitura do “artigo”, a Dona Odete foi obrigada a ministrar-me a “Heimlich Maneuver”; pois um inoportuno pedaço de torrada impulsionado pela minha hilaridade alojou-se em local indevido, quase disparando a minha aura para o cosmos em busca de outra “casca” que a acolhesse.
Nos breves momentos em que durou a interrupção de oxigénio ao meu cérebro vi desfilar à minha frente, não a existência passada neste pequeno jardim atlântico, mas as agruras sofridas pelo “Buda Vivo” na sua ânsia de ir morrer a Potala; ou pelo menos ao snack onde costuma tomar o pequeno-almoço.
Não há dúvida que a sociedade ocidental deve ter algo de terrivelmente virulento que ataca todas essas almas puras mal se chegam um bocadinho para cá. E parafraseando Jorge Coelho (o simpático “Coelhone”), há muita falta de memória da parte dos líderes religiosos. Mal este, que já atingiu igualmente o Lamaísmo (Budismo Vajrayana) e o seu depilado expoente máximo.
Embora não seja algo que se publique regularmente na Caras ou no Notícias da Buraca, já existe (embora o Dalai Lama porventura desconheça) por esse mundo fora um monte de gente que não se limita a ler o tanguista do Lobsang Rampa, ou a absorver aquelas tretas semi-panteístas de como devem preparar o terceiro olho para absorver o cosmos.
Como sou um tipo basicamente preguiçoso e de mau feitio, não me vou dar ao trabalho de colocar aqui “links” para literatura da especialidade ou fazer “scan” aos meus livros. Mas só para começar, quem quiser faça uma busca no Google e há-de encontrar (o Google começa também já a parecer-se muito com o Lamaísmo) muita matéria sobre este assunto.
Os “Procedimentos para Confirmação da Reincarnação do Dalai Lama” que são seguidos há um ror de anos por aquela malta, indicam claramente como tal deve ser feito; e não existe neles nenhuma alínea onde se fale de limitações respeitantes a fronteiras geográficas, políticas ou “consumo mínimo” para este tipo de situação.
Aliás são categóricos em afirmar que é determinante o azimute para o qual fique virada a face do santo homem na hora da sua morte (uma espécie de “Roleta Tibetana”), e que a partir daí devem partir pelo mundo nessa direcção até que encontrem alguma criança (do sexo masculino, claro, que eles nisso não são diferentes das outras religiões), que acumule um número considerável de indícios a ponto de o tornar suspeito de albergar em si o espírito do excelso monge (soa um pouco pedófilo mas nunca ninguém se queixou disso).
O que quer dizer que poderiam andar durante meses ou anos em determinada direcção sem encontrar alguém que se enquadrasse nos requisitos, e acabar por o descobrir a apanhar sol na Fonte da Telha ou a amolar tesouras em Almoçageme. O certo é que por mais cagaço que o simpático “caixa de óculos” tenha em relação à possibilidade de os chineses lhe roubarem o negócio, isso não o desculpa de tentar mudar as regras do jogo a meio deste.
Sim. Que nós sabemos perfeitamente como é que a coisa funciona, ou não tivesse já BLOG passado pelo mesmo …
Música de Fundo
“Budapeste (Sempre a Rock & Rolar)” – Mão Morta
- Se uma religião for descaradamente inventada como a nossa divertida Fé em Blog (e não o serão todas elas?), quase tudo é permitido e ninguém nos poderá acusar de hereges; pois seguimos as nossas próprias Sagradas Escrituras (o Livro de Blog). Agora se um tipo que controla a devoção de 2.810.000 fedorentos fiéis começa a variar da cabeça, a coisa pode tornar-se grave e deve ser trazida a público antes que se espalhe, e ainda acabemos por ver o sucessor de S. Pedro a comprar chinelinhas de renda na Prada ou na Chanel (Pensando bem, acho que já venho atrasado para esta…) -
Sempre me fascinou nas religiões, aquela faceta humorística que muitas vezes as põe ao nível do melhor teatro de revista português. Tive até em tempos uma ideia que consistia em reaproveitar o velho Parque Mayer para concentrar todas as comunidades religiosas do nosso país, de modo a que os fiéis pudessem escolher a que mais os seduzisse.
É claro que houve logo um desmancha-prazeres que me disse ser impossível. Pois tal como nos restaurantes da antiga Feira Popular (o extinto Luna Parque), iríamos testemunhar episódios com rabis a aliciar o cliente no meio da rua, enquanto um mulah lhe puxaria por um braço, e um pouco mais atrás um padre o ameaçaria com as chamas do inferno se não escolhesse o seu estabelecimento.
Mas chega de teoria “teológico-hoteleira”.
Esta quarta feira li no Correio da Manhã um pequeno artigo do tamanho de um selo de correio (ou do bigode de Hitler, como preferirem), em que se relatava ter o Dalai Lama (esse playboy internacional) afirmado que caso morresse fora do Tibete, não poderiam ali procurar o seu sucessor pois não lhe seria possível reencarnar lá.
Poucos instantes após eu terminar a leitura do “artigo”, a Dona Odete foi obrigada a ministrar-me a “Heimlich Maneuver”; pois um inoportuno pedaço de torrada impulsionado pela minha hilaridade alojou-se em local indevido, quase disparando a minha aura para o cosmos em busca de outra “casca” que a acolhesse.
Nos breves momentos em que durou a interrupção de oxigénio ao meu cérebro vi desfilar à minha frente, não a existência passada neste pequeno jardim atlântico, mas as agruras sofridas pelo “Buda Vivo” na sua ânsia de ir morrer a Potala; ou pelo menos ao snack onde costuma tomar o pequeno-almoço.
Não há dúvida que a sociedade ocidental deve ter algo de terrivelmente virulento que ataca todas essas almas puras mal se chegam um bocadinho para cá. E parafraseando Jorge Coelho (o simpático “Coelhone”), há muita falta de memória da parte dos líderes religiosos. Mal este, que já atingiu igualmente o Lamaísmo (Budismo Vajrayana) e o seu depilado expoente máximo.
Embora não seja algo que se publique regularmente na Caras ou no Notícias da Buraca, já existe (embora o Dalai Lama porventura desconheça) por esse mundo fora um monte de gente que não se limita a ler o tanguista do Lobsang Rampa, ou a absorver aquelas tretas semi-panteístas de como devem preparar o terceiro olho para absorver o cosmos.
Como sou um tipo basicamente preguiçoso e de mau feitio, não me vou dar ao trabalho de colocar aqui “links” para literatura da especialidade ou fazer “scan” aos meus livros. Mas só para começar, quem quiser faça uma busca no Google e há-de encontrar (o Google começa também já a parecer-se muito com o Lamaísmo) muita matéria sobre este assunto.
Os “Procedimentos para Confirmação da Reincarnação do Dalai Lama” que são seguidos há um ror de anos por aquela malta, indicam claramente como tal deve ser feito; e não existe neles nenhuma alínea onde se fale de limitações respeitantes a fronteiras geográficas, políticas ou “consumo mínimo” para este tipo de situação.
Aliás são categóricos em afirmar que é determinante o azimute para o qual fique virada a face do santo homem na hora da sua morte (uma espécie de “Roleta Tibetana”), e que a partir daí devem partir pelo mundo nessa direcção até que encontrem alguma criança (do sexo masculino, claro, que eles nisso não são diferentes das outras religiões), que acumule um número considerável de indícios a ponto de o tornar suspeito de albergar em si o espírito do excelso monge (soa um pouco pedófilo mas nunca ninguém se queixou disso).
O que quer dizer que poderiam andar durante meses ou anos em determinada direcção sem encontrar alguém que se enquadrasse nos requisitos, e acabar por o descobrir a apanhar sol na Fonte da Telha ou a amolar tesouras em Almoçageme. O certo é que por mais cagaço que o simpático “caixa de óculos” tenha em relação à possibilidade de os chineses lhe roubarem o negócio, isso não o desculpa de tentar mudar as regras do jogo a meio deste.
Sim. Que nós sabemos perfeitamente como é que a coisa funciona, ou não tivesse já BLOG passado pelo mesmo …
Música de Fundo
“Budapeste (Sempre a Rock & Rolar)” – Mão Morta
