No Country For Old Men
- Ou como duas cabeças realizam mais que uma, e bem melhor que muitas… -
Todas as histórias são interpretáveis de modos absolutamente diversos, e isso apenas depende do padrão mental, dos desejos ou das limitações do espectador.
É por isso que a arte não é um discurso mas sim um estímulo; e se a nossa tal “expressão de uma força interior” não estimular os outros, mais vale arranjar emprego numa charcutaria e aperfeiçoar a técnica de cortar fiambre bem fininho.
A arte pode ser o que se quiser, mas tem que deixar sempre algo em nós.
Sem dúvida que o diálogo, o som, o cenário e mesmo a luz que se faz incidir sobre este, têm imensa influência no sucesso de um filme; e é por isso que se dão prémios separadamente a estas especialidades.
Mas é no aglutinar de todos estes factores que, neste caso particular, reside o maior mérito. Pois mesmo a impassibilidade esbugalhada de Javier Bardem se diluiria na paisagem, se os irmãos Cohen não o tivessem equipado com um dos piores cortes de cabelo que já vi desde os “quatro estarolas de Liverpool”, e que ele muito bem agradeceu.
Toda gente diz que este será um dos personagens que ficarão para a história, e até nem me custa acreditar. Uma vez que a história se situa nos anos 80 (o que é totalmente irrelevante para o que se quer narrar, pois poderia passar-se em qualquer altura), é bem possível que Anton Chigurh apareça a fazer das suas em cenários posteriores, como uma espécie de Jason; mas mais metódico, simpático e asseado.
E escusam de se escandalizar com o facto de eu o achar um pouco simpático. A maioria dos psicopatas são até pessoas bastante aceitáveis, se não estiverem interessados em nos “abreviar”.
No Country For Old Men é um filme que nos mostra quão perigoso é desistir e rendermo-nos ao destino. Todos os que nesta história se conformam com os acontecimentos acabam por morrer. E mesmo o xerife interpretado por Tommy Lee Jones, acaba por se exilar ele próprio numa situação em que cada dia se lhe anuncia como um número em contagem decrescente.
Não existem países para velhos. Do mesmo modo que não existe um mundo para velhos (no sentido em que se pode entender como desgaste emocional), acomodados ou medrosos. Quando (parece-me ser o irmão) diz ao xerife, e estou a citar de memória “you can’t stop what’s comming…”, está a sugerir-lhe que o futuro não pode ser evitado e se deve encarar seja qual o preço.
É tudo uma questão de apostar na atitude certa. E o único que o consegue fazer é Llewelyn Moss (Josh Brolin), que não desiste, não se rende e não volta atrás. O que quanto a mim, o faz merecer indubitavelmente aqueles dois milhões de dólares… e ficar vivo, claro.
Música de Fundo
“Make Me Smile (Come Up and See Me)”
- Steve Harley & Cockney Rebel
- Ou como duas cabeças realizam mais que uma, e bem melhor que muitas… -
Todas as histórias são interpretáveis de modos absolutamente diversos, e isso apenas depende do padrão mental, dos desejos ou das limitações do espectador.
É por isso que a arte não é um discurso mas sim um estímulo; e se a nossa tal “expressão de uma força interior” não estimular os outros, mais vale arranjar emprego numa charcutaria e aperfeiçoar a técnica de cortar fiambre bem fininho.
A arte pode ser o que se quiser, mas tem que deixar sempre algo em nós.
Sem dúvida que o diálogo, o som, o cenário e mesmo a luz que se faz incidir sobre este, têm imensa influência no sucesso de um filme; e é por isso que se dão prémios separadamente a estas especialidades.
Mas é no aglutinar de todos estes factores que, neste caso particular, reside o maior mérito. Pois mesmo a impassibilidade esbugalhada de Javier Bardem se diluiria na paisagem, se os irmãos Cohen não o tivessem equipado com um dos piores cortes de cabelo que já vi desde os “quatro estarolas de Liverpool”, e que ele muito bem agradeceu.
Toda gente diz que este será um dos personagens que ficarão para a história, e até nem me custa acreditar. Uma vez que a história se situa nos anos 80 (o que é totalmente irrelevante para o que se quer narrar, pois poderia passar-se em qualquer altura), é bem possível que Anton Chigurh apareça a fazer das suas em cenários posteriores, como uma espécie de Jason; mas mais metódico, simpático e asseado.
E escusam de se escandalizar com o facto de eu o achar um pouco simpático. A maioria dos psicopatas são até pessoas bastante aceitáveis, se não estiverem interessados em nos “abreviar”.
No Country For Old Men é um filme que nos mostra quão perigoso é desistir e rendermo-nos ao destino. Todos os que nesta história se conformam com os acontecimentos acabam por morrer. E mesmo o xerife interpretado por Tommy Lee Jones, acaba por se exilar ele próprio numa situação em que cada dia se lhe anuncia como um número em contagem decrescente.
Não existem países para velhos. Do mesmo modo que não existe um mundo para velhos (no sentido em que se pode entender como desgaste emocional), acomodados ou medrosos. Quando (parece-me ser o irmão) diz ao xerife, e estou a citar de memória “you can’t stop what’s comming…”, está a sugerir-lhe que o futuro não pode ser evitado e se deve encarar seja qual o preço.
É tudo uma questão de apostar na atitude certa. E o único que o consegue fazer é Llewelyn Moss (Josh Brolin), que não desiste, não se rende e não volta atrás. O que quanto a mim, o faz merecer indubitavelmente aqueles dois milhões de dólares… e ficar vivo, claro.
Música de Fundo
“Make Me Smile (Come Up and See Me)”
- Steve Harley & Cockney Rebel
