Desviacionismos de um Ciclista Urbano
- Ou como um gato de telhado se perde facilmente no campo (e no assunto também) -
Não fosse a componente “acrobática” que se encontra sempre subjacente neste tipo de actividade, e eu diria que a altura ideal para pôr em ordem os meus pensamentos é quando pedalo pela cidade de Blog.
Muita gente se espanta com a minha predilecção pelas ruas e becos, enquanto a maioria dos ciclistas suspira por um pedaço de campo verde ou mesmo uma poeirenta vereda bordejada por pés de aveia pejados de carraças.
Eu gosto do campo como só um citadino pode gostar. Canto o verde carnudo dos hortos de espinafre vistos ao longe, o louro eslavo dos intermináveis trigais e o turfoso odor da terra lavrada após a chuva.
Mas sou também um tipo prático, e sei diferençar o romantismo de uma moita de urtigas. O que faz com que me dedique aos oníricos delírios silvestres em sensatas e diminutas doses, como quem lê Alberto Caeiro em suaves prestações até que venha o sono.
Encontro tanta poesia e bucolismo no cais do Ginjal ou no miradouro da Boca do Vento, como o que sentiria ao contemplar o Orinoco precipitando-se da sua nascente abaixo; pois são locais que de algum modo se encontram ligados a mim por acontecimentos que ficaram selados algures no tempo.
Fotografaria sem dúvida todo o percurso do meu pensamento através desta cidade, mas distraio-me a olhar e a sentir as coisas na sua constante mutabilidade.
Como os locais que de cada vez que os percorro nunca são os mesmos; e as pessoas que neles seguem em frente com as suas vidas, transformando-se num resultado de si próprias a cada minuto.
É assim que funciona o tempo. Esse combustível da metamorfose...
E tudo isto porquê?
Porque hoje tinha começado a escrever um post sobre a mutabilidade de todas as coisas. Que, acreditem ou não, era na realidade sobre o traseiro da irmã da Tininha.
Música de Fundo
“Girls of Summer” – Aerosmith
- Ou como um gato de telhado se perde facilmente no campo (e no assunto também) -
Não fosse a componente “acrobática” que se encontra sempre subjacente neste tipo de actividade, e eu diria que a altura ideal para pôr em ordem os meus pensamentos é quando pedalo pela cidade de Blog.
Muita gente se espanta com a minha predilecção pelas ruas e becos, enquanto a maioria dos ciclistas suspira por um pedaço de campo verde ou mesmo uma poeirenta vereda bordejada por pés de aveia pejados de carraças.
Eu gosto do campo como só um citadino pode gostar. Canto o verde carnudo dos hortos de espinafre vistos ao longe, o louro eslavo dos intermináveis trigais e o turfoso odor da terra lavrada após a chuva.
Mas sou também um tipo prático, e sei diferençar o romantismo de uma moita de urtigas. O que faz com que me dedique aos oníricos delírios silvestres em sensatas e diminutas doses, como quem lê Alberto Caeiro em suaves prestações até que venha o sono.
Encontro tanta poesia e bucolismo no cais do Ginjal ou no miradouro da Boca do Vento, como o que sentiria ao contemplar o Orinoco precipitando-se da sua nascente abaixo; pois são locais que de algum modo se encontram ligados a mim por acontecimentos que ficaram selados algures no tempo.
Fotografaria sem dúvida todo o percurso do meu pensamento através desta cidade, mas distraio-me a olhar e a sentir as coisas na sua constante mutabilidade.
Como os locais que de cada vez que os percorro nunca são os mesmos; e as pessoas que neles seguem em frente com as suas vidas, transformando-se num resultado de si próprias a cada minuto.
É assim que funciona o tempo. Esse combustível da metamorfose...
E tudo isto porquê?
Porque hoje tinha começado a escrever um post sobre a mutabilidade de todas as coisas. Que, acreditem ou não, era na realidade sobre o traseiro da irmã da Tininha.
Música de Fundo
“Girls of Summer” – Aerosmith
