A Igreja do Imaculado Blog
- Pecado é ser mau jornalista; ou… Quem sobe a um púlpito (seja ele qual for) deve lembrar-se que ao descer dele, encontrará muita gente que lhe poderá dizer coisas desagradáveis… -
Irmãos, irmãs (etc, etc, etc…)! Há já muito tempo que não dou aqui um sermão; mas a retórica é como o sexo oral. Uns gargarejos com Tantum Verde… e a vida continua.
Tenho evitado vir para aqui falar de política internacional, uma vez que a blogosfera está cheia de “analistas desempregados” que não se importam de gratuitamente dar o seu contributo, para aquilo que eu (tal como Jules Verne no Séc. XIX) considero as eleições mais animadas sobre a crosta terrestre.
É um confronto entre duas organizações bastante semelhantes, que competem pela simpatia do público americano numa espécie de “reality show”, que se assemelha substancialmente ao tão conhecido “Programa do Ratinho”.
Mas com o mal dos americanos posso eu bem. Que muitos deles são uns labregos (o país que não os tem, que atire o primeiro míssil) incapazes de apontar num mapa a maioria dos outros países, ou que quando se deslocam para o exterior se comportam bastas vezes como as claques do FCP.
O que me preocupa um pouco são algumas mirradas almas lusitanas, que em vez de tentarem sair da sua ignorância e escavar até à superfície do monte de merda em que o mundo se tem transformado ultimamente, optaram por se acomodar à sua pequenez e começaram a apreciar o aroma.
A última que vi foi novamente no CM, que à laia de celestial revelação nos dizia lá para as páginas do meio - “Irmão de Obama tem duas Mulheres”.
Por momentos assustei-me. Mas logo a seguir lembrei-me que o Marco Paulo não é preto e continuei a ler; “O meio-irmão do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, vive num bairro pobre de Kogelo, Quénia, é polígamo e muçulmano e só fala aos jornalistas por dinheiro”.
Sem dúvida que não se referiam ao Correio da Manhã, senão seria “…não fala aos jornalistas nem por dinheiro”. Uma vez que são tipos que nem copiar sabem, e quando fazem textos apoiados nos já escritos por agências noticiosas, aproveitam para os apimentar com uns quantos adjectivos seleccionados e distorcer um pouco os factos.
Para começar (e que Blog me fulmine se minto) Nyangoma-Kogelo não tem bairros pobres, pela simples razão de ser uma aldeia com (muito) poucas centenas de habitantes. E que sim, é pobre como o são habitualmente as aldeias quenianas, e as de toda a África em geral.
Malik Obama nasceu em Nairobi, mas preferiu estabelecer-se no interior onde possui uma pequena loja de artigos eléctricos, trabalhando como consultor em Washington durante alguns meses por ano (o que é mais do que alguma vez se poderá dizer do tipo que escreveu o artigo). Tendo conhecido o seu meio-irmão Barack apenas em 1985, durante um desses períodos.
Tem (é verdade) duas esposas. Porque tal como Onyango Hussein Obama, o primeiro convertido de Nyangoma-Kogelo e antepassado daquela “Obamaria” toda; é muçulmano. E aqui quero abrir um parêntesis, para manifestar a minha simpatia por todos os irmãos do Islão que têm mais que uma mulher.
Se para uma já é muitas vezes difícil ter paciência, agora imaginem isso multiplicado por dois (e não me venham com a história do sexo, pois estamos a falar de casamento). É quase um bom motivo para conduzir um tipo ao ascetismo.
Se fosse Mórmon ainda podia despachá-las para a Europa com a desculpa de uma bolsa de estudo (ou angariar fiéis), e ir curtir para Kisumu com algumas “acompanhantes” de carnes mais firmes. Mas o tipo, ao contrário de todos os seus cinco irmãos e irmã (incluindo o tal Barack) que vivem nos Estados e na Inglaterra, decidiu estabelecer-se no seu país e ajudar a desenvolvê-lo. Pelo que, mesmo o dinheiro que saca aos ávidos repórteres ocidentais que lá aparecem em busca de pormenores “sumarentos” sobre a família do candidato democrata é aplicado em projectos da comunidade.
(Tudo isto saberia o dito jornalista, se tivesse feito o sacrifício de ler com atenção a reportagem de Tom Maliti da Associated Press; elaborada no já longínquo “anno domini 2004”)
É claro que a religião islâmica tem a sua quota-parte de lunáticos, com uma estabilidade emocional semelhante à do Daffy Duck. Mas não nos esqueçamos dos exemplos de histeria e intolerância tantas vezes demonstrados pela cristandade; isto já para não contar com as inúmeras seitas chefiadas por “bispos”, que eram engenheiros civis ou vendedores da Toyota.
Algo está profundamente errado quando se começa a utilizar a fé de cada um como um insulto. Mas Blog é grande! E quem sabe… Talvez eu viva o suficiente para ver o dia em que para ofender alguém, bastará chamar-lhe… jornalista.
Posto isto, acho bem que o homem queira ser pago para aturar gente assim.
Música de Fundo
“Serah Gathoni” – J. P. Muiruri
- Pecado é ser mau jornalista; ou… Quem sobe a um púlpito (seja ele qual for) deve lembrar-se que ao descer dele, encontrará muita gente que lhe poderá dizer coisas desagradáveis… -
Irmãos, irmãs (etc, etc, etc…)! Há já muito tempo que não dou aqui um sermão; mas a retórica é como o sexo oral. Uns gargarejos com Tantum Verde… e a vida continua.
Tenho evitado vir para aqui falar de política internacional, uma vez que a blogosfera está cheia de “analistas desempregados” que não se importam de gratuitamente dar o seu contributo, para aquilo que eu (tal como Jules Verne no Séc. XIX) considero as eleições mais animadas sobre a crosta terrestre.
É um confronto entre duas organizações bastante semelhantes, que competem pela simpatia do público americano numa espécie de “reality show”, que se assemelha substancialmente ao tão conhecido “Programa do Ratinho”.
Mas com o mal dos americanos posso eu bem. Que muitos deles são uns labregos (o país que não os tem, que atire o primeiro míssil) incapazes de apontar num mapa a maioria dos outros países, ou que quando se deslocam para o exterior se comportam bastas vezes como as claques do FCP.
O que me preocupa um pouco são algumas mirradas almas lusitanas, que em vez de tentarem sair da sua ignorância e escavar até à superfície do monte de merda em que o mundo se tem transformado ultimamente, optaram por se acomodar à sua pequenez e começaram a apreciar o aroma.
A última que vi foi novamente no CM, que à laia de celestial revelação nos dizia lá para as páginas do meio - “Irmão de Obama tem duas Mulheres”.
Por momentos assustei-me. Mas logo a seguir lembrei-me que o Marco Paulo não é preto e continuei a ler; “O meio-irmão do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, vive num bairro pobre de Kogelo, Quénia, é polígamo e muçulmano e só fala aos jornalistas por dinheiro”.
Sem dúvida que não se referiam ao Correio da Manhã, senão seria “…não fala aos jornalistas nem por dinheiro”. Uma vez que são tipos que nem copiar sabem, e quando fazem textos apoiados nos já escritos por agências noticiosas, aproveitam para os apimentar com uns quantos adjectivos seleccionados e distorcer um pouco os factos.
Para começar (e que Blog me fulmine se minto) Nyangoma-Kogelo não tem bairros pobres, pela simples razão de ser uma aldeia com (muito) poucas centenas de habitantes. E que sim, é pobre como o são habitualmente as aldeias quenianas, e as de toda a África em geral.
Malik Obama nasceu em Nairobi, mas preferiu estabelecer-se no interior onde possui uma pequena loja de artigos eléctricos, trabalhando como consultor em Washington durante alguns meses por ano (o que é mais do que alguma vez se poderá dizer do tipo que escreveu o artigo). Tendo conhecido o seu meio-irmão Barack apenas em 1985, durante um desses períodos.
Tem (é verdade) duas esposas. Porque tal como Onyango Hussein Obama, o primeiro convertido de Nyangoma-Kogelo e antepassado daquela “Obamaria” toda; é muçulmano. E aqui quero abrir um parêntesis, para manifestar a minha simpatia por todos os irmãos do Islão que têm mais que uma mulher.
Se para uma já é muitas vezes difícil ter paciência, agora imaginem isso multiplicado por dois (e não me venham com a história do sexo, pois estamos a falar de casamento). É quase um bom motivo para conduzir um tipo ao ascetismo.
Se fosse Mórmon ainda podia despachá-las para a Europa com a desculpa de uma bolsa de estudo (ou angariar fiéis), e ir curtir para Kisumu com algumas “acompanhantes” de carnes mais firmes. Mas o tipo, ao contrário de todos os seus cinco irmãos e irmã (incluindo o tal Barack) que vivem nos Estados e na Inglaterra, decidiu estabelecer-se no seu país e ajudar a desenvolvê-lo. Pelo que, mesmo o dinheiro que saca aos ávidos repórteres ocidentais que lá aparecem em busca de pormenores “sumarentos” sobre a família do candidato democrata é aplicado em projectos da comunidade.
(Tudo isto saberia o dito jornalista, se tivesse feito o sacrifício de ler com atenção a reportagem de Tom Maliti da Associated Press; elaborada no já longínquo “anno domini 2004”)
É claro que a religião islâmica tem a sua quota-parte de lunáticos, com uma estabilidade emocional semelhante à do Daffy Duck. Mas não nos esqueçamos dos exemplos de histeria e intolerância tantas vezes demonstrados pela cristandade; isto já para não contar com as inúmeras seitas chefiadas por “bispos”, que eram engenheiros civis ou vendedores da Toyota.
Algo está profundamente errado quando se começa a utilizar a fé de cada um como um insulto. Mas Blog é grande! E quem sabe… Talvez eu viva o suficiente para ver o dia em que para ofender alguém, bastará chamar-lhe… jornalista.
Posto isto, acho bem que o homem queira ser pago para aturar gente assim.
Música de Fundo
“Serah Gathoni” – J. P. Muiruri
