Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Subitamente famosa devido ao seu "efeito", Babá tornou-se uma estrela internacional do cinema e da canção...


Foto: Net


O Efeito Streisand

- “The Streisand Effect”, para os apreciadores de coisas sonantes como frases lapidares, chocalhos e campainhas de porta… -

Surpreendido pelos acontecimentos a meio do meu “sprint” em direcção a 2011, não me vou pôr agora aqui a explicar o que significa o título (vão à Wikipédia que além de decerto o mencionar, também precisa muito da nossa ajuda), mas posso adiantar que tem muito a ver com o que se passou com a Jonasnuts.

A ENSITEL não é melhor nem pior que as outras empresas do género; mas nem por isso deixo de concordar com o “apertão virtual” que neste momento estão a levar nos seus virtuais e metafóricos testículos. Que coitados, já devem (a avaliar por este link) estar habituados a tão rude tratamento.

Sem dúvida que erraram e vão ter que o pagar de qualquer modo. Quer seja directa e em numerário, ou indirectamente devido a uma campanha de indignação motivada pela metodologia utilizada naquilo que pomposamente apelidam de “apoio ao cliente”.

Não se trata aqui de um caso isolado, ou de algo que não se passe quase diariamente não só ali como em outras empresas (ubíquas, como eu lhes chamo), cujos tentáculos são tantos e tão espalhados, que acaba por ser necessário cortar-lhes um ou dois para que o cérebro seja finalmente avisado de que algo não está bem.

Pelo que sei também se passa o mesmo com alguns bancos (serviços listados em contrato que não são disponibilizados e alterações contratuais arbitrárias e unilaterais), com a VOBIS (três expositores cheios com caixas vazias de um jogo que ainda não têm à venda, apenas para fazer os clientes entrar na loja), com a FNAC (um leitor de MP3 de marca manhosa que nasceu logo torto, e que só após três meses e diversas “árias de Wagner” cantadas na loja do Fórum Almada, foi amavelmente substituído por um ZEN da Creative). Sendo estas apenas as últimas três ocasiões de que me recordo neste momento.

Habituadas a tratar displicentemente as reclamações de qualquer anónimo consumidor, as cadeias de distribuição (neste momento não se trata já de “comércio”, mas apenas de uma política direccionada para a obtenção desenfreada de lucro; uma vez que nestes casos as regras básicas da relação comercial se encontram subvertidas) têm às vezes este tipo de surpresas; como foi o caso de tentarem afiar o dente na “responsável pelo sistema de blogs do Sapo”. Que, e muito bem, aproveitou os meios de que dispunha para rebater as tentativas de pressão e silenciamento que foi alvo.

É claro que uma marca/empresa que se aventura a criar página no Facebook (que nunca foi destinado a esse tipo de actividade), tem que ser mais casta e limpinha que a mulher de César (Calpurnia Pisonis). Embora eu possa concordar com alguns dos comentadores que li por essa Net afora, e alegam poder todo este imbróglio ser culpa de algum funcionário armado em “pequena autoridade”; mas isso não desculpa a empresa de tentar apagar o fogo com um balde cheio de advogados.

Este tipo de actuação dá sempre mau resultado. E apesar de o resultado ter o nome “Streisand Effect”, já antes do nascimento da nariguda e barulhenta actriz se tinha estudado a mecânica da situação (quando da tentativa de introdução da batata na Europa, recorreu-se ao método “deixa-me cá esconder isto, que não quero mesmo nada que alguém veja”; com os brilhantes resultados que tão bem conhecemos). Tendo esta (a já citada actriz) a duvidosa honra, de ser a primeira celebridade a fazer figura idiota (desse modo) na Internet.

2011 chegará inexoravelmente. E com ele iniciar-se-ão (se é que não começaram já) promoções e saldos nessas mesmas lojas que tão mal tratam os seus clientes. E a solução para este tipo de problemas não passa pelo abandono do consumo, como já ouvi proposto por alguns espíritos mais “peculiares”, mas sim por uma atitude pro-activa em relação a reclamações.

Por exemplo, o meu problema com o MP3 foi resolvido com recurso a um tom de voz “mais alto" – embora sem gritar – que granjeou as atenções de muitos e desprevenidos consumidores, que eventualmente estariam ali para gastar algum dinheiro. Podem crer que um dos maiores pesadelos de um gerente de loja, é uma reclamação que se consegue fazer ouvir por um grande número de possíveis clientes.

É que embora a maioria deles ainda desconheça o “Efeito Streisand”, decerto estão familiarizados com o “Consumer’s Rage” (para os apreciadores de coisas sonantes como frases lapidares, chocalhos e campainhas de porta…) que habita cada um de nós, pronto para tomar o controlo mal se proporcione a oportunidade.

Usem-no criteriosamente… E, Bom 2011!


Música de Fundo
Boooom Blast And RuinBiffy Clyro


8 comentários:

redonda disse...

Há pouco e através de um link fiquei a saber da situação.


Obrigada :)
Um Bom 2011 também


Gábi

TheOldMan disse...

Bom ano, Gábi

;-)

Eira-Velha disse...

Só discordo numa coisa, é que nem todas as empresas de venda a retalho têm comportamentos destes. Posso citar, com conhecimento de causa, dois exemplos, que nisso ninguém lhes leva a palma: a Worten e o Lidl. Quem tiver dúvidas pode testar...
Um Bom Ano, para ti e para os teus.
Abraço

TheOldMan disse...

Nem todas, nem em todos os locais, Boaventura.

Aliás, uma boa parte deles funciona em regime de franchise; e na maior parte das vezes, nem temos noção que uma determinada loja nada tem a ver com outra exactamente igual, excepto talvez o nome.

;-)

elmano disse...

Este assunto já é recorrente no meu caso. Eu explico. No Natal de 1978 comprei na Valentim de Carvalho o vinil da ópera Tommy. O disco derrapava qual visionário dos DJs actuais e na minha digna grafonola tal era impensável. Voltei à loja para trocar a coisa. Depois de ouvido na grafonola rafeira da casa, os Who estavam alinhados. Perante a afirmação de a culpa poder ser da minha geringonça ou da sua agulha, indaguei se já conheciam a minha nova obra musical que gostaria de apresentar em público, a Ópera "Nuno Elmano e as quinhentas trovoadas". Acabei por não a cantar e o novo Tommy foi vendido de boa saúde na feira da ladra dez anos mais tarde. Resulta sempre como é bom de ver.

TheOldMan disse...

Olá Elmano (e desculpa a demora).

"Nuno Elmano e as quinhentas trovoadas" parece assim um "libretto" escrito pelo Marilyn Manson. E na verdade a ópera é o meio ideal para veicular esse tipo de "pensamentos complicados".

Dá sempre.

;-)

eduardo disse...

Entendo muito bem a situação, OldMan. E no meu caso, ou se por exemplo se me deparasse com semelhanças paralelas, utilizaria mais a vuvuzela, uma sirene dos bombeiros e a minha grossa voz transmitida por megafone.

Provavelmente, evitaria ter que dar dois pares de murros ao prevericador.

Mesmo gostando imenso de chocalhos e campainhas de porta.

Bom ano, velho amigo!

TheOldMan disse...

Olá, Eduardo. Pensava que tinhas acabado o "Bloguices", mas vi hà pouco que felizmente não.

Isso da vuvuzela é como a bomba atómica, ninguém ganha. Aliás, devia ser proibida pela Convenção de Genebra.

Um grande abraço e bom ano.

;-)

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