Imagem: Net / TheOldMan
O Balanço e Outras Actividades de Risco
- Em memória do meu saudoso e falecido Pentium 4 -
Mal soaram as doze badaladas de dia 31 de Dezembro, tive uma premonição de que este iria ser um ano diferente. E não me tinha enganado.
No meio da efusão do momento (Möet, passas, e etc.) o teclado do meu desktop juntou-se ás comemorações e bebeu cerca de meia garrafa; o que o fez entrar em curto-circuito e transformar o computador numa prometedora gaiola para criar hamsters.
Mas isso resolveu-se sem complicação de maior (excepto a despesa, é claro); embora dê imenso trabalho a instalar toda aquela tralha que eu considero minimamente necessária.
Respirei fundo, olhei em frente para o futuro (como se fosse um daqueles idiotas dos murais do MRPP), e disse a mim próprio que a avaliar pelo começo este iria ser um ano complicado.
E vai ser, não tenham a menor dúvida. Pois nem vamos ver de onde elas vêm.
É claro que essa estranha e selectiva cegueira é-nos imposta nem tanto pelo poder político, mas sim por aquilo que por aqui passa como sendo “meios de informação”. Esse circo de aberrações em que diariamente nos tentam fazer crer, que é mais importante a morte de uma velha bicha com pretensões a Svengali, do que a grande alhada em que nos encontramos metidos por culpa do PSD, do PS, dos americanos e de nós próprios; pois devíamos ter feito uma melhor “limpeza” aquando do 25 de Abril de 1974.
Correndo o risco de passar pelo irmão mais velho de Statler e Waldorf dos Marretas, deixo aqui a minha previsão para este ano. Vai sem dúvida ser um ano difícil e cheio de problemas; quer políticos, quer económicos. Um tempo de crise para o qual as únicas ajudas que teremos, serão a anestesia fornecida pela “informação espectáculo” e a proporcionada pela TVI que pagará as nossas dívidas, a troco de “apenas um pouco” da nossa dignidade.
Sempre será melhor que a alternativa oferecida ao tal Renato.
Como já devem ter reparado, no meio de tudo isto acabei por não fazer o balanço do ano anterior. A verdade é que foi propositado; pois creio firmemente que fazer balanços é mesmo uma actividade de risco.
E nessa só cai quem quer.
Música de Fundo
Brand New Day – Joshua Radin (link)


8 comentários:
Mesmo sem balança, gostei muito do primeiro post de 2011.
Obrigado, Gabi.
Embora eu tenha mais passado do que futuro, prefiro este último. É o fascínio pelo desconhecido.
Bom 2011.
;-)
Deixar os balanços para os comentadores é sensato.
É evidente que o próximo (este) ano será mais difícil que o anterior. Mais que não seja porque o último já passou e ainda cá estamos. Durante o primeiro saberemos o quão difícil será. E o 11 é um número de mau augúrio. Em particular para a testa...
Prevejo muitas desilusões e amarguras e algumas traições.
Música de Fundo
Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelity – Type O Negative (atalho)
Olá SOD. Nada como um bom pedaço de "gothic metal" para começar o ano.
É claro que as desgraças são a coisa mais fácil de prever; mas quanto a números, é melhor acreditar apenas naqueles que vierem escritos em papel-moeda.
Bom Ano.
;-)
Obrigada :)
Bom 2011 também!
(e lá em cima não era balança, mas balanço - não comecei lá muito bem a comentar neste novo ano :)
Não é nada de grave, isso da balança.
Aliás, faz-me um certo jeito; pois ganho sempre um quilo ou dois nestas épocas festivas.
;-))
Também acho que seja uma actividade de risco.
Um risco de acertarmos.
O risco que se corre se nos enganarmo-nos.
No único balanço que fiz não saltei mais que seis metros e noventa. E já faz tempo.
Agora dedico-me mais na ajuda dos balancetes da colectividade a que presido. Nesses, corre-se apenas o risco de pisar-mos o dito senão tivermos juízo e eficácia económica.
Em jeito de homenagem, as minhas condolências pelo Pentium 4. Mas mantendo aquilo que sempre disse de ti (um tipo que escreve bestialmente bem) qualquer modelo servirá os teus intentos.
Mesmo correndo o risco de ser à mão.
Um abraço.
Olha que seis metros e noventa não é nada mau, Eduardo. Eu só consigo igualar isso se for a mergulhar para o mar ou uma piscina bem funda (a descer todos os santos ajudam).
Obrigado pelo elogio (não sei se é assim tão merecido, mas tentarei que o seja); quanto ao velho P4, já estava na pré-reforma mas aínda tinha lá para dentro sete anos de blog e uma interminável colecção de tralha (felizmente-safou-se tudo).
Abraço
;-)
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