Foto: Net
Uma curta pausa para redefinir prioridades
- Às vezes ouço música, outras vezes, vozes… Mas ao desligar o telefone, o problema invariavelmente desaparece. –
Durante os primeiros tempos (talvez por uns dois anos) da criação deste blog, sofri da conhecida “Febre do Sitemeter”. Tal como a quase totalidade dos outros bloggers, tinha um instalado e venerava-o diariamente como se este fosse uma espécie de santo padroeiro dos “Escrevinhadores de Armário”.
Da extensa lista de origem dos “hits” (agora chamam-lhes “visitas”, talvez para personalizar um pouco mais a experiência) espantavam-me aqueles que vinham de longe e falavam desvairadas línguas de sonoridade alienígena.
Espantava-me sobretudo que visitantes vindos da Coreia, da Finlândia ou do Bornéu se dessem ao trabalho de aparecer por cá. É claro que sem dúvida eram trazidos por um qualquer motor de busca, através de pesquisa por vocábulos como “wild teens”, “lolita” ou “anal”.
Mas deveriam partir daqui desiludidos. Pois além de serem palavras facilmente utilizáveis fora da sua conotação sexual, este blog era (e é) também escrito na língua de Camões; que como é sabido na comunidade internacional, se trata de uma língua tão chata de aprender como o latim (mas quase tão boa para insultar como o Árabe).
Lentamente fui redefinindo as minhas prioridades em relação às outras entidades virtuais, e desinteressei-me pura e simplesmente do aspecto mundano em favor da minha própria individualidade. A prova que era disso que se tratava, consiste no facto de ter vindo para aqui escrever. Se escrevo, estou a manifestar a minha própria individualidade. E como todos sabemos, a individualidade não se cultiva seguindo os outros.
Foi o fim do Sitemeter. E ter-se-ia dado mais cedo, se eu tivesse logo de início seguido o mesmo princípio que rege as minhas relações no mundo real. A Afinidade.
Não faz o meu género aproximar-me de alguém, apenas para incrementar uma contagem qualquer que sirva de testemunho a algo que nada tem a ver comigo; para beneficiar de notoriedade “por osmose”; ou mesmo - à semelhança de muitas aves “sem ninho” – para ir exibir a minha plumagem no terreiro dos outros.
Além de ser um bom aglutinador social, a afinidade é uma qualidade que mesmo na química ou na física, é utilizada para designar a força que mantém os átomos juntos nos compostos químicos. Pois para mim, nada funciona sem isso.
É esta força que contribui para que após todos estes anos, a meia dúzia de pessoas que continua a passar por cá pouco se tenha alterado. Este blog nada tem para quem não compreenda e sinta o que acabei de escrever.
Já agora… Era só para avisar que voltamos ao formato de 2010, terminando a curta era do “seguidismo” e das “medalhinhas”.
Nota final – Sinto-me tocado (só não sei bem onde) pelo comentário de um anónimo no post anterior; mas o que eu gostaria mesmo era perceber o que quer dizer – “Opinião palpitante aqui, post deste modo dignificam a quem visitar neste espaço :) Faz muito mais deste web site, aos teus utilizadores.” – Obviamente um leitor do Baluchistão, que decidiu utilizar o Google para traduzir o seu comentário, originalmente em Urdu.
Música de Fundo
Life On Mars – David Bowie (link)


6 comentários:
Ora nem mais...é essa afinidade,que se sente e às vezes não se compreende, que me faz aqui vir quase há 7 anos...mas não só...fazes-me pensar, fazes-me rir, algumas vezes chorar, fazes-me (confesso a minha ignorância)por vezes andar a viajar pelo google para perceber sobre que raio é que estás a falar..posso até dizer, plagiando o titulo de um livro da tua autora favorita,:DDDD quando estás muito tempo sem escrever, "fazes-me falta" :)))
E a casa assim está muito mais arrumadinha, aquilo ali ao lado estava mesmo a mais.
Um beijo e boa semana.
Obrigado Monalisa.
Mas agora já não posso alegar que sou um incompreendido. ;-))
Confesso que isso de fazer viajar pelo Google é um pouco propositado, pois são esse tipo de pormenores que ajudam a dar consistência a uma história.
Mais importante (para mim) aínda.
Foi esse tipo de curiosidade que me fez - quando miúdo - procurar informação sobre coisas que lia e nem sempre compreendia.
Ah, a fácilmente contornável Inês Pedrosa. Essa mulher é assim uma espécie de "Madame Min" da literatura portuguesa (só um pouco menos "cheínha").
Se vivesse no século XIX teria sido executada por matar de aborrecimento o próprio romantismo.
Mas adiante... Gosto muito de te "fazer falta" (soa péssimamente, não é?).
Um beijo e boa semana também.
;-))
Mais palavras para quê?
Mais palavras para quem?
Música de Fundo
Antisocial – Trust
É como dizes, SOD.
Este post não necessita de mais palavras para que se perceba o que quero dizer.
;-)
:) pela nota final
;-)
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