Fotos: Correio da Manhã
Montagem: TheOldMan
“Feios, Porcos e Maus”
- Quando a violência doméstica é direccionada sobre os vizinhos, deve-se participar à polícia, ou discretamente encomendar on-line uma Mannlicher-Carcano Mod. 91/38 de 6,5mm com mira telescópica? -
À laia de prólogo - Se o meu sonho de infância fosse ser espião em vez de astronauta, já há muito que o poderia ter realizado sem muito esforço.
Não sei se isto se deve à expressão de candura e cordialidade que habitualmente ostento. Ou se antes pelo contrário transmito uma sensação de intenso mistério e profundidade, característica de alguém que é guardião de terríveis segredos; o certo é que sou um “magneto de informação”.
Juro! Que Blog me fulmine já aqui como um (delicioso) torresmo bem passado se vos minto. Eu estou para a informação como o Américo Amorim está para o dinheiro (só é pena que não seja ao contrário). Ela (a informação) atira-se-me para o colo beijocando-me a face escanhoada e prometendo ser completa e incondicionalmente minha (tal como uma stripper; eu sei).
Como se isto não fosse já suficiente, todos os “observadores da natureza humana” maluquinhos e alcoviteiras lá da zona, concorrem pela minha atenção para os seus minuciosos relatos de “casos humanos”. Que é como no “milieu” da coscuvilhice têm por hábito chamar à vida privada dos outros; e sobre a qual me ensinaram desde pequenino, que não nos devíamos imiscuir.
Não que o local onde eu moro seja do género do cenário base do “Feios, Porcos e Maus”, ou mesmo do “Pátio das Cantigas” (e ainda por cima, nem sequer nos vemos assim tantas vezes), mas na vizinhança existem alguns bem intencionados especialistas em “pesquisa e contra-informação”, que amiúde insistem em me fornecer os seus préstimos. Embora me desse bastante mais jeito uma caixa de “Soalheiro – Primeiras Vinhas de 2009 (Alvarinho)”.
Entre algumas dezenas de amadores existem porém três que se destacam pelo seu empenho e eficácia no terreno. Para efeitos deste post vou apenas mencionar os referidos operativos pelos seus respectivos “noms de guerre”; omitindo pois os seus verdadeiros nomes, idades e sexo.
“O Periscópio (P)” – O seu aspecto físico é o de um submarino atómico do tempo da guerra-fria. Quando se encontra à mesa de um café, dá muitas vezes a impressão de ter a atenção totalmente concentrada no televisor. Apenas os quase imperceptíveis estremecimentos dos seus minúsculos porém sensíveis abanos, indicam que tem o equipamento em funcionamento.
“O Olho de Moscovo (OM)” – Apesar desta designação, não há prova alguma que tenha nascido nessa cidade ou que tenha sido amante de Lavrentiy Beria. Deve esta interessante designação ao facto de apesar de manter as cortinas sempre fechadas, conseguir saber constantemente o que se passa na casa dos outros; o que nos leva a crer que talvez utilize uma câmara CCTV disfarçada de vaso, com zoom digital e visão nocturna.
Por último a incrível “Chata-Hari (CH)”. Cuja incansável verborreia consegue anestesiar mesmo o mais acérrimo apreciador de “faits divers”, levando-o a baixar a guarda, e consequentemente responder a qualquer pergunta inesperada sobre coisas que normalmente não divulgaria. Tem ainda o peculiar hábito de tratar toda a gente por “vizinho” (ou vizinha). O que é mais um exasperante subterfúgio, quase tão eficiente para destruir a concentração e enfraquecer as defesas do inquirido, como uma corrente de 110 Volts (DC) aplicada nas “jóias da família”.
Existia ainda um posto avançado, num insuspeito estabelecimento comercial. Mas após um desentendimento entre a agente destacada (a “Toupeira Sorridente (TS)”) e a “Chata-Hari”, deixámos de receber relatórios e a posição foi dada como perdida. Informaram-nos mais tarde que a loja se encontra à venda; pois a referida zanga comprometeu a integridade do disfarce, devido à CH se ter “chibado” a toda a gente, das intrigas que lá teriam sido originadas (zangam-se as comadres…).
Estabelecido enfim o perfil e estrutura orgânica da “Agência”, passemos pois ao caso em questão que ficou conhecido como “Operação ETAR” (é por causa do cheiro e já saberão porquê).
Primeira Advertência – Todos os factos a seguir relatados, apesar de recolhidos, compilados e divulgados pelas supracitadas agentes, foram a determinada altura observados, ouvidos (e mesmo cheirados) por muitos e descontentes vizinhos, das duas aberrações que protagonizam esta história e se acusam mutuamente em artigos publicados no Correio da Manhã; pelo que se encontram validados por testemunho.
Segunda Advertência - A reprodução (link) dos referidos artigos, serve unicamente para que não me acusem de inventar este tipo de acontecimentos; não podendo de modo algum ser utilizada como exemplo de jornalismo de qualidade.
Chega pois de advertências e passemos à ordem cronológica dos factos.
Fernando Almeida é um “nabo”. Um completo inepto que foi deixado para trás pelos pais; que lhe ofereceram a casa e uma “station” Mercedes, na condição de não os ir envergonhar a Vendas Novas.
Diga-se em favor do sujeito, que sempre foi um tipo cordato e educado para com os vizinhos; passando muito bem por um tipo civilizado. Diz até quem o conhece mais intimamente, que apesar de ter “muito espaço vago entre as orelhas” não é mau tipo.
Adicionalmente podem também encontrá-lo no Badoo (rede social) declarando-se solteiro e Engenheiro do Ambiente; embora trabalhe como segurança e dê constantemente a sensação que está prestes a fazer uma imitação do Daffy Duck.
Antes de ele ter ido desencantar esta abominação algures ao norte do país (perdoem-me nobres gentes do norte), esteve a viver lá em casa uma rapariga que presumivelmente terá conhecido no emprego – uma vez que era também segurança, e trabalhava para a mesma empresa – só que essa não estava para “aparar golpes”, e quando ele se começou a exceder pura e simplesmente saiu de casa; resolvendo de vez o problema.
“A posteriori” outra locatária do mesmo piso (é curioso como só contam estas coisas depois de perderem a actualidade) informou que a dada altura a rapariga teria saído precipitadamente de casa e lhe bateu à porta pedindo socorro; não tendo tido porém ela coragem de lha abrir.
Foi então por intermédio de um amigo comum (não há melhor maneira de acabar com uma amizade) que Luísa Rodrigues entrou na vida de Fernando, nas de dez irados condóminos, de diversos agentes da PSP e de algumas assistentes sociais.
Inicialmente as coisas não corriam mal. Pois Luísa trouxera apenas a sua “cega paixão” (SIC), deixando para melhor oportunidade a “piece de resistance” que era o seu filho de 15 anos meio atrasado e resultante de procriação consanguínea com um primo direito (Um pouco “white trash” ao melhor estilo dos montanheses da Geórgia. Só é pena o puto não tocar banjo).
Infelizmente não trouxera com ela um pingo de boa educação. Pois segundo testemunhos avulsos não respondia ás saudações dos vizinhos (o chamado crime de “lesa-ubanidade”), fingindo até que eles não existiam quando os encontrava no elevador. Facto este que atesta não ser tão estúpida como parece, pois isso requer uma enorme capacidade de concentração.
Anyway…
Desse quase idílico interregno resultou uma criança do sexo feminino (uma inocente que espero não tenha herdado as deformações de personalidade manifestadas pelos pais) e quase imediatamente começou a confusão. Não se sabe – pois as nossas agentes não conseguiram apurar ao certo - se Fernando foi vítima da depressão pós-parto (que querem? Também há mulheres com “inveja do pénis”), se houve alguma alteração no comportamento conjugal de Luísa, ou se isso se deveu apenas à chegada do outro filho desta.
Lembram-se de Pugsley Adams, aquele simpático gorducho filho de Morticia e Gomez? Em comparação com o miúdo em questão, Pugsley é um compincha simpático e vivaz; pois o filho de Luísa só nos faz lembrar “Leatherface” ou Jason Voorhees quando eram jovens, antes de alcançarem a notoriedade.
Já agora, a alegação (no artigo em *.pdf) por parte de Luísa de que Fernando ameaçara fugir com o filho e “fazer-lhe mal” (?), é deveras inconsistente; pois o puto além de parecer uma "matrioshka" de pau-brasil com 1,50m de altura, cheira pior que um varrasco (o que corrobora a maioria das acusações de falta de limpeza). A ponto de alguns vizinhos se terem inscrito em aulas de natação, só para poderem aumentar a sua capacidade pulmonar, e assim sobreviverem sem respirar caso tivessem que partilhar o elevador com o referido flagelo olfactivo.
Apesar de não nos terem sido apresentadas provas materiais da alegada defecação deslocada. Foi porém provado, que o miúdo quando lhe mandavam despejar o lixo guardava os sacos debaixo da cama, onde ficavam às vezes mais que uma semana. A ponto de o cheiro que se escapava para o vão da escada, se assemelhar ao de uma morgue à qual tivessem cortado a electricidade.
Quanto às acusações mútuas de violência, existe nisso algo que cheira tão mal como o lar de Fernando e Luísa.
Desde o início da “temporada lírica” que se tornou evidente uma certa teatralidade em todas aquelas discussões. Em vez dos queixumes e gemidos característicos de alguém que está a ser espancado, assistia-se à execução de autênticos “librettos” interpretados com minúcia e apuro técnico.
Esta dedução tinha como base (conforme nos foi relatado) o facto de ambos virem alternadamente ao patamar para debitar os respectivos papéis; que infelizmente tinham sido escritos por alguém com uma imaginação muito limitada. Consistindo os diálogos em coisas como – (Luísa ao patamar) “Socorro! Não me apertes o pescoço! (Luísa entra) (Fernando ao patamar) “Se te estou a apertar o pescoço, como é que consegues dizer isso tudo? (Fernando entra) (Luísa ao patamar) e etc.
E assim foram mantendo esta “ópera bufa” em cartaz durante quase quatro anos em que a PSP de tanto ser chamada (pelos vizinhos) já lhes conhecia os nomes. Tendo inclusivamente por várias vezes tentado levá-la e aos filhos para uma “casa segura”; coisa que ela sempre recusou, alegando que se tratava apenas de discussões normais entre casais (talvez na terra dela. Não sei…).
O que entrava em franca contradição com as suas “rábulas de patamar” (que por sua vez entram em contradição com o actual “se eu contasse ele matava-me”), e já começava a despertar suspeitas no espírito de alguns vizinhos menos crédulos.
Luísa começou a perder a simpatia e o possível apoio por parte dos restantes condóminos, porque começou a notar-se que o seu comportamento obedecia a um qualquer objectivo que não a protecção imediata da integridade física e mental dos seus filhos.
Para acabar com o resto da aura de inocência e vitimização que ambos tentavam criar (fosse ou não verdadeiramente vítima qualquer um deles), decidiram um belo dia sustentar uma discussão no piso térreo, em altos berros e com a linguagem mais ordinária que conseguiram usar (e da qual ambos tinham um léxico bastante vasto, creiam-me). Isto já para não falar no “insignificante” pormenor de ela ter ao colo a filha de tenra idade, para a qual ambos se estavam manifestamente “borrifando”.
Ao fim de cerca de vinte minutos daquela espécie de “Death Metal” caseiro (e também porque já tinha o olho dorido do “óculo de porta”), o “vizinho” saiu e pediu-lhes que tivessem calma, quanto mais não fosse, pela criança que chorava baba e ranho sem fazer a mínima ideia do que lhe estava a acontecer.
Aproveitando a oportunidade em que finalmente um espectador lhes dava atenção, retomaram o confronto verbal com redobrado entusiasmo (e criatividade), até que o locatário do rés-do-chão farto já de os aturar e temendo que a criança se tornasse como o irmão mas na versão feminina (ou seja, como a mãe), chamou finalmente a PSP. Cujos agentes apareceram prontamente, pois já estavam fartos de saber onde era; e finalmente livraram as redondezas daquela fonte de poluição sonora.
Ao contrário das outras denúncias que tinham sido anónimas, desta vez o condómino que chamara as autoridades teve que se deslocar à esquadra a fim de prestar declarações. E então nessa altura teve uma interessante surpresa (ninguém te mandou ser otário).
Apresentaram-lhe um depoimento previamente redigido com base nas (falsas) declarações de Luísa, e no qual constava que ele tinha testemunhado Fernando espancar a consorte (ou com azar, não sabemos) enquanto esta tentava proteger a menina que tinha ao colo. Uma cena assaz dilacerante que até poderia ser aproveitada pela TVI para mais uma “sopeiral” telenovela. Isto se fosse verdade…
Só que como já se frisou antes, tal não acontecera. Mas mesmo assim o involuntário observador (do qual gabo a persistência) recusou-se a assinar sucessivamente três depoimentos “alternativos”; até que finalmente lhe apresentaram um com apenas os factos que relatara.
E então visto que mais ninguém lhes dava atenção, estes dois "monos" decidiram virar-se para o Correio da Manhã…
Conclusão - Este post não pretende de modo algum substituir ou sobrepor-se ao nosso sistema judicial, pois logo à partida não define nenhum dos litigantes como indubitável culpado. Apenas desejava – servindo de voz aos anónimos vizinhos daquele flagelo "sono-olfactivo" – lembrar ao juiz que apreciar o caso, que talvez fosse boa ideia aplicar-lhes uma pena que pudessem servir conjuntamente, e se possível longe. Porque depois de tudo isto, nenhum deles conseguirá levar uma existência pacífica naquela vizinhança.
Mas isto já é o meu mau feitio a falar…
Música de Fundo
És Cruel – Ena Pá 2000 (link)


6 comentários:
Eis um caso deveras assustador...
Talvez todos os vizinhos possam associar-se, apresentar uma queixa conjunta contra o casal e pedir a apensação de processos, com o da violência doméstica e o da difamação.
Por outro lado, não tendo ela ferimentos, nem testemunhas, pode ser que o juiz não fique convencido só com as suas declarações...
Nem eu próprio estou muito convencido, Gabi.
Neste momento ela já saiu e está a morar algures em Almada; e ele foi provisoriamente para Vendas Novas (os pais é que não devem ter gostado nada disso).
Só um amigo meu é que vai ter ainda que ir testemunhar no processo da "Ópera do rés-do-chão".
;-)
No que toca a cenas de faca e alguidar temos uma riqueza inigualável. Tou a pensar organizar umas excursões de inspiração para argumentistas de hollywood.
;)
Francisco, pensando bem no assunto...
Se quiseres posso enviar-tos por encomenda postal (talvez "desmontados" e divididos por várias embalagens, para melhor acondicionamento), e assim poderias exportá-los para os teus contactos em hollywood (e de preferência em mais uma vintena de sítios).
;-)
PS - Estes tipos fazem-me sentir uma enorme vontade de ressuscitar O Estripador da Blogosfera"
Perdeste-me assim que li Correio da Manhã. Comecei a pensar que a única vez que o comprei foi por causa de uma foto de alguém a correr atrás do Primeiro... E repara que não li mais que esse artigo.
Cada vez mais o voluntarismo parece ser muito mal recompensado.
Quanto à escolha da leitura matinal não tenho hipótese, SOD.
Ainda tentei que a Dona Odete comprasse o Financial Times ou a Forbes para eu ler durante o pequeno-almoço, mas ela diz que os outros clientes preferem o CM, cujas últimas páginas lhes fazem lembrar o Bairro Amarelo (acho que se sentem famosos "por simpatia").
;-)
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