Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Uma inquietante semelhança, que desperta todo o tipo de interrogações...


Fotos: Net
Composição: TheOldMan



O Insulto como uma das Belas-Artes
- Vamos chamar nomes, e coiso… -

As pessoas quase nunca se contentam com os nomes das coisas, das outras pessoas ou mesmo de si próprias. E embora eu tenha sonhado ou lido algures (ou então inventei mesmo) dever-se isso ao facto de todas as coisas terem um nome secreto que desesperadamente e em vão procuramos; o mais certo é tratar-se daquilo que muitas vezes nos divide entre “pacientes” e “médicos” (o meu “role-playing” favorito).

Normalmente não me lembraria de escrever sobre isto. Mas ontem à noite ao mostrar a alguém no “Microsoft WorldWide Telescope” a minha constelação favorita, disse – Está ali. Vês? “Os Três Ratos Cegos”! Mesmo entre “A Galdéria” e o “Vendedor de Hortaliças”.

Aquela pobre alma que não tem assim tanto sentido de humor, encarou-me como se eu tivesse começado a cantar “yodel” nos Jerónimos durante o Magnificat. – A quê?...

(É quase sempre essa expressão de incredulidade que acompanha a ocasional revelação dos nomes secretos das coisas que me rodeiam)

É claro que nada disto bate aqueles tipos que dão nomes ao seu próprio órgão sexual (juro que só o fiz uma vez). Desde o apelidarem de “tiranossauro” (possivelmente extinto) até lhe atribuírem o seu próprio nome seguido de um diminutivo (assaz esclarecedor).

Já com as mulheres não sei bem se acontece o mesmo. Mas não tenho dúvidas de que algo que é tão perfumado, barbeado e acarinhado, quase que deve ter personalidade própria e independente (e algumas têm até muita), quanto mais um nome. Mas não nos alarguemos (salvo seja) em considerações sobre coisas que devem manter o seu mistério (e um pouco de cabelo também, se possível).

Mas como devem já suspeitar (graças à foto acima e ao título), este post é na realidade sobre o insulto.

A Nobre Arte do Insulto (o tão difundido hábito de “chamar nomes) tem sido incompreendida e vilipendiada através dos tempos. Sendo não só uma forma de comunicação quase tão instantânea como os SMS (eu próprio ás vezes uso este sistema, quando o interlocutor se recusa a perceber um miserável subentendido, ou mesmo uma afirmação directa), mas também uma válvula de escape para quando o stress atinge a massa critica.

A grande vantagem, é que todos os sentimentos negativos adquiridos num qualquer confronto, podem ser concentrados canalizados e finalmente devolvidos ao seu inicial causador, sob a forma de um mais ou menos elaborado insulto (conforme o mau feitio, a cultura, ou mesmo o estrato social do insultante). Conhecendo-se até alguns, dignos de prémios literários pela minúcia e criatividade aplicadas na sua elaboração.

Tal como quando conduzimos um veículo automóvel, o acto de insultar não deve ser realizado sob influência do álcool ou de outras substâncias que alterem a nossa percepção. Porque, acreditem, o termo “marrar contra um poste” não foi inventado para os bois, mas sim para os estúpidos. Estão a ver? É assim que se inicia um insulto (mas apenas como hipótese académica).

Deve igualmente conhecer-se minimamente quem se insulta. Isto por uma questão de eficiência, pois quanto mais soubermos do indivíduo a insultar, melhor o ofenderemos. Às vezes (mas isto não é para todos) a ponto de causar descargas de bílis ou mesmo acidentes cardiovasculares.

O Insulto deve ser inesperado e acutilante, como o golpe de uma “bengala de estoque”; de modo a ferir profunda e mortalmente. Pois caso contrário, arrisca-se a despertar apenas o riso do interlocutor; o que como sabemos é uma das mais eficientes formas de insulto

Por outro lado – e isto já não pertence à nossa disciplina, mas sim ao domínio do senso comum – se não tem realmente muito jeito para insultar, utilize antes qualquer outro tipo de meio ofensivo (desaconselhamos porém o uso de armas químicas, bacteriológicas, aerofágicas ou flátulas); sendo mais indicado o “desprezo ostensivo”. Que tem a grande vantagem de não necessitar que você abra a boca e se enterre ainda mais.

Pois foi o que aconteceu ao famoso estilista John Galliano, a quem a casa Dior despediu alegando “justa causa“ por afirmações racistas e xenófobas.

Este diletante na Nobre Arte do Insulto (e que constitui “per se” um insulto à Arte), em vez de ter aproveitado a sua proximidade com as costureiras (que a seguir às cabeleireiras, são quem eu considero que tem a língua mais afiada) para apurar a sua técnica, descurou todos os preceitos e técnicas básicas; envergonhando não só os que exprimem o seu refinamento através do insulto, como também aqueles que apenas por terem o esfíncter dilatado, se consideram de bom-gosto e peritos em trapos caros.

Uma vez que estava podre de bêbado, nem reparou que uma das pessoas a quem insultava (de um modo bastante patético, convenhamos) se entretinha a filmar aquela triste figura com o telemóvel. Curta-metragem esta que foi prontamente enviada para o “The Sun”; um respeitável jornal de escândalos e intrigas, que tem servido de modelo ao nosso modesto Correio da Manhã.

Tive pois a oportunidade de testemunhar o presumível estilista numa atabalhoada e entaramelada diatribe contra os judeus (apesar de aquele ser um bairro de predominância judaica, nenhum dos seus interlocutores o era), dizendo que amava Hitler – coisa que deve ter dado a volta às tripas de todos os “skins” da Europa e arredores – e que se fosse no tempo deste, todos eles seriam “gaseados”; principalmente uma das mulheres presentes, por ser feia.

Está-se mesmo a ver que ele nunca conheceu a esposa de Adolf Eichman. Senão saberia que o que estava a dizer não é verdade.

Para terminar a exemplificação deste paradigma da incongruência e da incompetência na Nobre Arte do Insulto, está o seu próprio aspecto. Que além de não ser original (o que não me incomoda, pois estou habituado a presenciar uma grande falta dela nesse ramo) pois foi copiado do “look” de Boy George, se assemelha de um modo bastante evidente ao de um Rabino Judeu.

O que me deixa com uma interrogação final, sobre se realmente ele será um criptojudeu que anda a disfarçar ou um “rabicho” que quer ser Rabino.

Mas em qualquer dos casos, não lhe reconheço valor suficiente para se intitular membro da nossa Ordem.

Almada, 2 de Março de 2011

TheOldMan
(Gão-Mestre)

Música de Fundo
PaneleiroEna Pá 2000 (link)

4 comentários:

redonda disse...

:)))
Uma arte que não domino e ao ler lembrei-me quando tinha sete ou oito anos e uma das minhas irmãs chegou da escola com um termo novo, em vez de o "parva" ou estúpida" habituais, começou a usar "histérica". Senti-me tão zangada com a utilização errada do termo e com ela não aceitar o que eu pensava sobre isso, e antes continuar a repeti-lo, que quase fiquei histérica mesmo!

TheOldMan disse...

Vês, Gabi?

Resulta sempre!...

Uma mulher que consiga manter a serenidade durante um confronto verbal, constitui um dos mais perigosos oponentes que possamos defrontar (alguns dos meus mais considerados correligionários são mulheres).

;-))

francisco disse...

O Gayliano nunca teria tempo de ameaçar um judeu na alemanha nazi. Quando abrisse a boca para o fazer já estaria a praticar alargamentos rectais numa das saunas gazeantes da marca SS.
É isso e os palermas eurogays que atacam os palermas sionistas israelitas pela sua agressividade contra os "coitadinhos" palestinianos, iranianos e outros manos. No Irão, os eurogays seriam pendurados na ponta de uma corda, suspensa de uma grua, para contentamento do profeta e gozo da multidão.

Tá-se bem...
;)

TheOldMan disse...

É aquela coisa do: "A minha minoria é maior que a tua!".

O mais engraçado é que no que toca a certas minorias, ninguém se daria ao trabalho de as desancar, se elas próprias não tivessem tanta apetência pelo protagonismo - "ainda me lembro do Elton John, e do seu vestido de noiva de um branco virginal" (LoL).

Tem dias quem que me sinto modesto e circunspecto só pelo facto de ser heterossexual e não andar a enfiar isso pelos olhos dos outros adentro (salvo seja).

;-)

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