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| Galatea Of The Spheres - Salvador Dali |
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Só após um ano de separação ele concluiu que não mais teria sossego enquanto não a apagasse de todos os seus sonhos. Não fora suficiente o afastamento das léguas e dos dias que colocara entre ambos, na esperança que isso diluísse a ânsia que os consumia quando juntos.
Planeou tudo ao ínfimo pormenor, com a minúcia de um diligente insecto vazio de emoção.
Notou que finalmente resultara quando inesperadamente lhe foi arrancada a primeira memória que dela tinha, seguindo-se uma fluida sequência de muitas outras, que se sumiam exangues numa debilitante hemorragia.
Sentiu as mãos esvaziarem-se; como se delas extraíssem tudo o que anteriormente teriam acariciado e agarrado. Sentiu-se mais leve mas nem por isso mais feliz.
Enquanto reflectia nessa estranha e indiferente disposição que o invadia, reparou casualmente que a leveza que sentia nas mãos se transformava num fresco formigar. Enquanto que, a partir delas todo o seu corpo perdia lentamente a consistência. Transformando-se numa ténue neblina, que se perdia através de um sonho… Agora vazio.
Música de Fundo


2 comentários:
Contudo, entre o peso esmagador das memórias vivas e a leveza etérea daquele oblívio aparentemente libertador, ele anseia por esse peso opressor e asfixiante que o afirma como ser vivo, e não um bocado de ectoplasma insensível pairando sobre o casario e as árvores raras da cidade.
É, Francisco.
Não há como a vida para vir sempre estragar uma boa imagem de estilo.
Mas compensa.
;-)
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