![]() |
| Pelo menos um dos que atestam o facto entrou na Guerra das Estrelas! |
Foto: Net
Mais uma “Conversa em Família” antes do Fim do Mundo
- … que presumivelmente é amanhã. -
Desde a minha rotura com a Dona Odete devido de um diferendo sobre a “Metodologia do Pequeno-almoço”, que não me vinha aqui debruçar (é uma questão de equilíbrio) sobre esse ponto alto do dia que é a primeira refeição. Momento esse considerado pelos antigos Romanos como tão importante, que o próprio Nero (dizia-se) nunca começava a assinar o rol diário de execuções, sem antes “mandar abaixo” uma boa tigela de “Pultes” com queijo fresco e mel (puls Júlia).
Ainda bem, pois já é pelo menos uma coisa que temos em comum. Embora eu dispense mixórdias demasiado complicadas.
Como não me apeteceu escrever durante um tempo, venho aqui hoje para me despedir de vós e do mundo, caso ele realmente acabe como é vaticinado neste site. É melhor irem lá vê-lo hoje (o site e não o mundo; que esse está “lá fora”), não vá amanhã ter já desaparecido. Ou pior ainda… Ter o mundo de facto acabado e dar por si à deriva no túnel das almas (assim uma espécie de “caneiro”, mas mais espiritual), como se fosse um qualquer preservativo usado.
Imensas coisas se têm passado aqui pelo Bairro Amarelo. Mas nem eu quero fazer concorrência ao Correio da Manhã, nem aqueles que me são mais íntimos conseguiriam suportar a vergonha resultante desse tipo de degradação moral (já nos bastam os sites em que se apoia o Primeiro Ministro como o novo salvador da Pátria).
Mas o certo é que o “Fresquinho” (é onde tomo agora o pequeno-almoço) foi ontem assaltado quando se encontrava a encerrar o estabelecimento. E ao telefonar para o posto da GNR da Trafaria (o Monte de Caparica, apesar das dezenas de milhar de habitantes, não tem sequer um miserável guarda nocturno), foi-lhe dito que um dos carros se encontrava de serviço na Costa de Caparica e que o outro (único) existente estava em Setúbal, presumivelmente em reparações.
Ora hoje num matinal debate conjunto entre os desempregados (os verdadeiros, que já tiveram emprego em tempos), os reformados e os gajos (como eu) que têm todo o tempo que quiserem para beber café, acabámos por chegar à (renovada) conclusão que por mais que se encolham, os culpados de toda esta choldra são os governantes PS/PSD que alternadamente têm nos últimos vinte e cinco anos transformado o país naquilo que é hoje.
Uma boa merda.
E se acham que isso é bom, por mim estão à vontade. Pois nada melhor para aferir o estado do pais do que alguns anos de leitura de blogues; em que da jactância e gabarolice de passou à fase “choramingas” sem qualquer transição assinalável.
Não é pois necessário ir desenterrar os relatórios financeiros de organismos internacionais independentes; bastando apenas estar com atenção ao que o povo (sim, meninos. Por mais que isso vos envergonhe, vós também sois povo. Principalmente os que o negam com uma veemência algo suspeita…) tem escrito nos seus blogues durante os últimos oito anos desde que se deu o grande boom. Em Maio de 2003.
Mas estava eu a falar do assalto ao café do “Fresquinho”. Um assalto totalmente gratuito e desnecessário, posto que o mundo acabará amanhã segundo ESTE site (só não sei bem a que horas. O que anda a transtornar um pouco a minha agenda).
Desnecessária também (mas por outras razões) será a construção, por parte do município, das novas biblioteca e piscina na freguesia de Caparica. Uma vez que devido à falta de policiamento (e de alguém que se lembrasse de construir uma esquadra) será muito mais fácil aos miúdos ficarem em casa a ver os Morangos com Açúcar e As Tardes da Júlia; do que terem que se armar e vestir o equipamento completo só para irem levantar “O Fim da Utopia” ou as “Memórias” de Casanova.
O café do “Fresquinho” nada tem de importante, excepto talvez o facto de tal como qualquer outro mecanismo dinâmico observado através de um razoável espaço de tempo, poder servir de barómetro para a situação do país.
O país está assim (e não se iludam, pois a quem o faz isso só dá aura de idiota) devido aos últimos vinte e cinco anos de governos irresponsáveis, patrocinados por todas essas “Forças Demagógicas” que habitualmente tentam “tirar-nos o apetite” à hora de jantar. E a solução, penso eu, não passa por os tirar de lá e optar por uma (impraticável) conjunção de forças alternativas; pois na verdade “Forças Alternativas” são coisa que não existe.
Agora que as directivas financeiras estão definidas (embora não as políticas. Pois essas nunca passam da fase de campanha), seria uma boa altura para os obrigar a trabalhar em comum, naquilo que antigamente se chamava de “Governo de Salvação Nacional”; e responsabilizá-los prontamente caso falhassem.
Estão a ver? Como se o Governo fosse uma espécie de emprego e eles precisassem mesmo daquilo para prover à sua própria sobrevivência bem como das suas famílias.
Parece-me que já quase consigo ouvir um coro de vozes indignadas, clamando que tal não é o mesmo que ser cidadão ou como declarava há tempos essa luminária senil e fascizóide do Almeida Santos; que “O Povo deve sentir as dificuldades tal como o Governo as sente”… e mais um rol de desculpas esfarrapadas para, como é hábito, nunca cumprir o que se promete.
Outra coisa muito importante (que se lixe o assalto ao “Fresquinho”, que ninguém aqui liga a essas insignificâncias) todas as promessas não cumpridas foram feitas em nome de partidos. E embora todos eles tenham tendência para arranjar uma cara nova cada vez que se querem livrar de responsabilidades embaraçosas, há que ter em conta que isto não é uma questão de Cavaco, Sócrates, Passos ou Portas. Um dia em que todos eles estejam mortos, as suas organizações continuarão a fazer o que sempre têm feito até agora (o que acham que é?).
Isto é claro, a não ser que o mundo acabe mesmo amanhã.
Música de Fundo
It’s The End Of The World As We Know It – R.E.M. (link)


2 comentários:
Estou ectoplásmico, tal como tudo o que me rodeia, o que é uma grande merda porque pensei que, morrendo, ficava assim como que uma imagem transparente de mim, esvoaçando por aqui e por aí, espreitando à vontade as gajas despindo-se, sem que elas dessem por isso.
Mas não, afinal como o mundo acabou todo, por atacado, tipo liquidação total, ficou tudo no mesmo nível em que não se distingue ectoplasma de ectoplasma. Uma chatice, é o que é, isto de estar morto. Quer dizer, é a mesma treta de estar vivo.
Isto não tem piada nenhuma, até porque agora um gajo nem pode estrangular um desses f.d.p. como o chulo mafioso que refere as grandes dificuldades que os políticos sentem... e que o povo também deve sentir, solidariamente.
Naa... vou à procura do guichet para reclamar.
;)
Também eu me sinto "ectocoiso" à brava, Francisco.
E defraudado então... Tu nem me digas nada. Estou quase como sendo o José Castelo Branco e ao ter conhecido Deus, ter descoberto que ELE não passa de um enfadonho heterossexual sem qualquer "sentido estético".
Ao menos o Mundo podia ter acabado nem que fosse um bocadinho...
;-)
Enviar um comentário