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| Foto: TheOldMan |
A Igreja do Imaculado Blog
- A Confissão de TheOldMan – “Sou o Prof. Marcelo do Bairro Amarelo” –
Irmãos! Mal seria se este sermão não começasse com uma “mentira parcial” (ou “meia-verdade”, como gostam de lhe chamar os adeptos do “copo meio-cheio”), pois é do conhecimento geral que em todas as religiões que se utilize a confissão (inclusive a famosa “auto-crítica” na extinta UDP), quem a ela normalmente recorre aproveita para confessar pecadilhos insignificantes ou informações que lhe dá jeito divulgar; deixando no silêncio os verdadeiros pecados “hardcore”, e aquelas coisas que o poderiam envergonhar frente ás catequistas (e escuteiras) da vizinhança.
Como já decerto concluíram, eu vou fazer exactamente o mesmo. Pois a nossa religião quer manter-se a par com as outras. E se tanto os católicos como os judeus ou os muçulmanos têm direito à hipocrisia, nós não somos menos que ninguém e reclamamos igualmente o direito de usufruir dessa benesse inerente a todas as religiões.
Mas isto é um sermão em novo formato, por isso não me posso deixar arrastar para as habituais divagações; embora aparentemente haja clientela para tudo.
Pois. Nos últimos tempos após ter abandonado os pequenos-almoços na cafetaria da D. Odete (Madame Salmonela para os amigos), e ter atravessado a rua em direcção à concorrência, deram-se acontecimentos prodigiosos.
Além de me terem oferecido uma assinatura gratuita (com validade de seis meses) do Jornal de Notícias; a clientela que no outro tugúrio era constituída por decrépitas pensionistas e um ou outro bêbado matinal. É no local onde agora desjejuo (valha-me Blog! Nunca pensei aqui escrever “desjejuo”) maioritariamente composta por pessoas que se dirigem aos empregos (os que os conseguem ainda conservar), matinais apreciadores de moscatel e um ou outro desempregado adepto do “Sistema D”.
A presença deste cadinho de almas amalgamadas a “trouxe-mouxe”, em conjunção com a já citada oferta do JN, fundiu-se numa congregação de fiéis a BLOG (embora a maior parte deles só utilize a Net para ver pornografia ou para uma rápida “saltada” ao Facebook) que bebe os ensinamentos DELE, como se fossem o também já anteriormente citado moscatel.
Mas como todo o bom pregador, a determinada altura deixei-me tentar pelo lado negro (é claro que os que me conhecem, já estão neste momento a desfiar piadas sobre isto como se fossem as contas de um rosário) e sucumbi à tentação de utilizar aquelas almas sedentas da Palavra, para difundir ideias que contrariam a urbanidade, o bom-tom e a concórdia (que confesso, já agora que estamos em maré, não serem assim tão importantes para mim).
Ainda há poucos dias, encontrava-me eu a meio de uma divertida e inspirada homilia, sobre os motivos que levam alguém a interessar-se pela vida íntima de José Castelo Branco; quando na TV apareceu a característica carantonha do “Mussolini dos Carnavais”. E se começou a fazer ouvir o habitual chorrilho de imbecilidades, característico de uma mente perturbada não só pelo exercício continuado do poder despótico, como pelo consumo desregrado do álcool de cana.
Não pensem que isso despertou em mim ira ou maledicência. Até porque na nossa FÉ, fomos abençoados com uma tolerância desmedida para com os pobres espírito (que como sabeis, ganharão qualquer coisa não se sabe o quê, mas só lá mais para o fim…), os boçais, os incultos e aqueles que por infelicidade tenham contraído sífilis. E assim vejam destruídas as suas faculdades cognitivas; a ponto de por piedade os seus semelhantes (termo que como já repararam, neste caso pode ser insultuoso) terem imenso pejo em os desancar como na verdade ás vezes merecem.
Pedi ao Irmão David que mudasse o canal da TV para a SIC Mulher. Pois acho a Oprah muito mais divertida do que o referido emplastro, e a sua voz não me provoca a mesma sensação de um garfo de aço inox a raspar uma placa de vidro temperado. Mas o demo está em todo o lado para nos tentar. E que local seria melhor para isso do que o Bairro Amarelo?
A um canto o “calhordas” que já ia no sétimo “Favaíto”, levantou do Record os olhos míopes que brilhavam atrás de duas verdadeiras vigias de batíscafo, e inquiriu num tom insidioso que nunca alguém lhe ouvira (nessa altura eu deveria ter suspeitado que o demo se apoderara da sua mente calcinada por uma rigorosa dieta de moscatel e jornais desportivos) – E a Madeira? Afinal o que é que você fazia para resolver o problema da Madeira?
Logo no café se instalou um desconfortável silêncio, apenas interrompido pelos esporádicos estalidos provocados pelos mosquitos e melgas presentes, que desesperadamente corriam a suicidar-se no electrocutor suspenso no meio da sala.
Bem… – arenguei eu à congregação, adoptando o dialecto local imbuído de pitoresco coloquialismo – Vocês sabem o que o Daniel de Oliveira disse há uns dias sobre o possível resultado das Eleições Regionais… Aquela cena de os madeirenses ao porem novamente o tipo no poleiro, estarem a afirmar que aprovam todas aquelas trafulhices e que são cúmplices do gajo… – Um unânime e afirmativo aceno percorreu a massa de rostos sérios e expectantes – Pois eu acho que se o tipo ganhar as eleições, devemos alugar a Madeira aos Chineses!
Após esta bombástica declaração dediquei toda a minha atenção à bica dupla, enquanto se instalava um aceso debate cujo gradual vozear ultrapassava já as portas do estabelecimento; fazendo com que algumas curiosas (“coscuvilheiras” não soaria tão bem, embora se aproximasse mais da verdade) vizinhas viessem alternadamente à janela. O que por momentos me fez lembrar aquele divertido jogo, em que se bate com um martelo em roedores que alternadamente saem do tampo de uma mesa.
- Hrrãmmm! – Pigarreei eu tentando captar a atenção dos fiéis, que mercê de uma prodigiosa imaginação viam já o “ajardinado” Funchal pejado de restaurantes chineses e lojas de “inutilidades”. – Escutem! Desde que ocupámos Macau em meados do séc. XVI que temos uma dívida de honra para com o “Celeste Império”. Dívida esta que agora temos possibilidade de saldar, regressando aos áureos dias do "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português" que como todos vocês sabem (esta foi descaradamente para “ganhar” a audiência) só foi assinado 1887; após uma já longa e abusiva ocupação, por parte dos nossos mais manhosos mercadores.
Por esta altura quase todos eles escutavam de olhos luminosos (quem sabe, se do Favaíto…), e “abanos” oscilando como girassóis sob a brisa primaveril das minhas palavras (esta é para ti, Inês Pedrosa).
Continuei – O que proponho, é a cedência temporária do arquipélago da Madeira (com todo o recheio e electrodomésticos) aí por cerca de 400 anos apenas. Passando pois a chamar-se transitoriamente "Região Administrativa Especial da Madeira, da República Popular da China" (RAEM). Tudo isto pela módica quantia de €370,36 mil milhões; que a acreditar nos últimos relatórios é mais ou menos a soma da nossa dívida externa.
- Os Madeirenses que quisessem continuar em Território Nacional (embora muitos deles achem que o local onde actualmente vivem não é Território Nacional, mas sim uma espécie de propriedade privada cercada de água por todos os lados), seriam bem recebidos no Continente onde após “boa cobrança” do cheque chinês, talvez conseguissem arranjar emprego e habitação decentes; integrados no inevitável “boom económico” resultante do aluguer de uma pequena parcela do nosso território, que parece apenas produzir chatices e despesas mal justificadas.
- Os nossos amigos chineses, ficariam por seu lado na posse de um precioso “estaleiro de obra”, onde poderiam guardar os contentores destinados às inúmeras obras que têm na República Popular de Angola. Podendo até aos fins-de-semana convidar o simpático Presidente José Eduardo dos Santos a beber uma “poncha” com eles, e tentar “esfolá-lo” no Casino cuja exploração teríamos cedido ao nosso grande amigo Stanley Ho.
- Tudo isto serviria para acabar com os nossos problemas financeiros mais imediatos; e quem sabe até sair do Euro… O que devido à nossa posição (esquerda baixa) em relação ao resto da Europa, nos permitiria fechar facilmente as fronteiras e começar a cobrar entrada a todos os turistas que quisessem variar da arruinada Grécia, da caótica Espanha e da impotente (é mais o presidente) Itália. Elevando este “jardim (este e não o outro) à beira mar plantado” à glória de outras eras, realizando finalmente o destino do Império, do qual tanto falava Pessoa. E agora desculpem-me, porque tenho que ir trabalhar um bocado…
Com estrelas cintilando no olhar, a irmã da Tininha contemplou-me como se eu fosse um “double Big Mac” com queijo extra (infelizmente a antiga “Miss Traseiro Dourado” sucumbiu aos prazeres terrenos da “junk food”, matando cruelmente uma das minhas mais acarinhadas fantasias) e proferiu em voz maviosa. – Que bonito! Até parece o “Professor Marcelo do Bairro Amarelo”…
Foi nesse momento que o Demo me tentou; e em vez de negar com veemência, fiquei calado…
Sinto que a Fé de Blog se encontra ameaçada, pois a partir de agora dificilmente me levarão a sério por aquelas paragens...
Música de Fundo
Weapon of Choice – Fatboy Slim (link)


16 comentários:
Amen!!!
E com dedicatória especial para a Inêsita e tudo!!!
Blog tem um caminho áspero a percorrer, manhosas tentações a cada passo, e inquietantes perguntas para as quais os fiéis ardentemente procuram resposta..mas mesmo assim é magnânimo.
O professor Marcelo que se cuide :DDD
Boa semana :))
Acho que esta imagem caracteriza na perfeição o espírito lusitano.
Há que impor regras e limites, ainda que elas não nos levem a lado nenhum.
Vejo que nessa Confraria o TOM é o principal orador, e olhe que gostei muito da sua prédica.
Todos os que foram "zurzidos" compreendo bem os motivos e até ainda acho que levaram poucas.
Imagine que até eu ( será que estou com alucinações?) aí no final do 4º parágrafo a contar do fim, me senti atingida.
Ainda não entendi bem foi essa sua fixação e animosidade em relação à Inês Pedrosa.
Apetite voraz deve ter a irmã da Tininha. Um duplo Big Mac é dose para leão.
Não sei que jogo tão divertido é esse em que se martela em ratos, quer sejam alternados ou contínuos.
Onde ficará esse Bairro Amarelo?
Qualquer dia a Fé de Blog fecha-me a porta desta mesquita.
Beijos
Janita
Blog é um bacano, Monalisa. Quem sabe se ainda vai dar à Inês a felicidade de cheirar o Nobel?...
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Se seguires o link, verás a que Nobel me refiro. ;-)
O "Pessor" até é um tipo simpático; e desde que nunca chegue a presidente... por mim está tudo bem.
Boa semana.
;-)
Janita, quando utilizei o termo "esquerda baixa", foi no contexto teatral (é um dos sectores em que os actores dividem o palco para decorar as respectivas posições em cena) e não político.
Se é pelo "caótica Espanha"... alego em minha defesa todas as coisas espanholas de que gosto; que são muitas e variadas.
Agora se é pela Grécia ou a Itália, "chapeau"! Que com esses sou irredutível.
Quanto à querida Inês, até nem é animosidade. Mas desde um certo dia em que cometi a imprudência de ler um dos seus livros, nunca mais consegui ouvir certos vocábulos sem me rir a bandeiras despregadas (é assim uma espécie de ataque de tétano, mas com gargalhadas).
;-))
Por último; o Bairro Amarelo (onde se localiza a empresa em que trabalho) é uma designação genérica para o que até há alguns anos se chamava Plano Integrado de Almada (PIA). Um aglomerado de blocos habitacionais destinados a habitação social e pintados de diversas cores (o amarelo foi a primeira côr).
Existem também alguns infelizes que compraram apartamentos a cooperativas de habitação, e que não sonhavam sequer que iriam fazer de tampão entre esse cenário e o resto da cidade.
Não é propriamente Beirute, mas tem algumas parecenças.
;-)
Espero que a sua mesquita se aguente. Allah até nem é mau tipo.
Beijos
Valha-me Deus, TOM!
Essa de pensar que eu poderia ter-me sentido atingida com o termo "esquerda baixa", deixou-me completamente de rastos...
Afinal, que mal é que eu lhe fiz?
Não sei. Mas olhe que há quem leve a política muito a sério, Janita.
De qualquer modo, as minhas desculpas. É ao que se arrisca quem se põe a adivinhar (como eu).
;-)
Com esta minha tendência masoquista, já para não dizer suicída, acabei por me esquecer de lhe agradecer as informações que tão pronta e diligentemente me forneceu.
Reli a sua "homilia" e, como sempre, tarde demais me apercebo que as metáforas são mais que muitas. Daí a minha observação parva sobre o jogo do martelo e dos ratos.
Se isso não fosse demasiada pretensão da minha parte atrever-me-ia a dizer que, a continuar assim, qualquer dia me arrisco a substituir a Inês Pedrosa, na provocação dos seus gargalhantes ataques de tétano.
Desejo-lhe um bom feriado.
:)))
Finalmente uma luz para sairmos da crise!
(ultimamente só me tenho lembrado que seria bom se descobrissem de uma vez por todas que haveria por cá petróleo)
E poderíamos ainda acrescentar uma cláusula de indemnização ao contrato de arrendamento, para a eventualidade de tentarem restituir o território locado antes do final do prazo...Ou tentar encontrar mais interessados para um leilão pelo dobro e ficávamos com um extra para taparmos mais buracos ou gastarmos em mais obras para depois obtermos mais empréstimos...
Bem, Prof Marcelo, aqui deixo algumas singelas reflexões produzidas às 4:40 da manhã, a conselho da insónia que me instou a vir ao computador escrever um livro, convencido que era agora que produziria uma obra-prima; mas entrei na Igreja de Blog e, perante esta magnifica homilia que me fez recordar aquela do Vieira aos peixes na Lota de Sesimbra, esqueci o tema e o enredo da tão almejada obra que, estou convicto, me renderia o Nobel. Olha, paciência!
- É mais fácil encontrar Blog nos sites pornográficos do que no Facebook
- Esse Castelo-Branco não foi hóspede do Miguel Bombarda quando por lá andava um Lobo escritor?
- Aposto que os Chineses vão ficar com a Madeira mas não vão pagar. Coisas de prestamistas. Portanto não vejo maneira de sair do Euro, que desconfio ser coisa para a eternidade. Já os ricos da Europa é que poderão fazê-lo. Passam para o Super-Euro ou para o Euro-Mark, e nós ficamos com esta juntamente com os restantes latrinos, e então podemos desvalorizá-la à vontade.
- O Demo? Não sabia que também era arqui-inimigo de Blog e seus seguidores. Quer-me parecer que o mafarrico tem mais crédito junto do Banco da Entropia Universal dos que os demiurgos dos inúmeros panteões existentes e por inventar. Será que é ele o Senhor da Termodinâmica?
Vai com Blog (mas não deixes que ele te pise pois parece que usa umas botifarras medonhas)
;)
Não se preocupe, Janita.
Destronar a Inês do seu gargalhável pódio, deve ser daquelas missões dignas de um filme do Spielberg. Não é fácil de conseguir.
;-)
Essa cláusula parece ser uma boa ideia, Gabi.
Já imagino o dinheirão que iremos ganhar por cada vez que um otá... perdão, um país amigo tentar devolver a Madeira.
Então se os obrigarmos a ficar com o Alberto João como pertencente ao "recheio"... Vai ser ouro sobre azul.
;-))
Isso está sempre a acontecer-me, Francisco de Blog. Costumo até dizer (quando consigo imobilizar alguém tempo suficiente para lhe impingir estas teorias) que os melhores livros são aqueles que escrevemos a correr na nossa mente, como uma enxurrada; e tal como ela se varrem dali para fora sem ter tempo de chegar ao teclado.
Blog, tirando a típica característica de estar em todo o lago, encontra-se especialmente em sítios quentes e aconchegados. Daí teres razão nisso do Pr0n (é esta a grafia usada por estes lados).
Francamente não sei se o Lobo Antunes discutiu as linhas gerais da sua obra com o "conde". E por mais que busque na sua obra, não encontro personagem algum que se chame "Tatiana Romanova".
Agora é que tiveste uma bela ideia. Isso de implantar o "apartheid" do EURO. Assim uma espécie de euro para os pelintras, enquanto o verdadeiro Euro ficaria reservado para os países BCBG; que têm pergaminhos e tal. Com essa, a gorda da Nazilândia havia de dar pulinhos (mas não muito alto) de contentamento.
O verdadeiro Arqui-inimigo de Blog é como o Professor Moriarty. É conhecido por muitos nomes, mas o seu aspecto mantém-se um mistério. Dizem que quando entrega pizzas as traz sempre frias (o que quer dizer que não deve ser o Senhor da Termodinâmica) e nunca tem troco.
Vai tu ;-) também irmão!
(Havias de o ver com os seus sapatos de tango (a duas cores) e aqueles protectores medonhos (parecem aparelhos de correcção dentária).
;-)
Olá TOM
Espero que ainda esteja inteiro e bem.
Um beijo bom fim de semana.
Janita
Está tudo bem, Janita.
Apenas um pouco assoberbado.
Beijo e boa semana
;-)
TOM,
estou muito triste!
Então, anda a escrever por outras paragens e a negligenciar este seu blog, de "vão de escada?"
(eu não concordo que o seja)
Quando vai ficar desassoberbado?
Um beijo
Janita
É já a seguir, Janita.
É já a seguir...
;-)
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