![]() |
| Foto: NET |
11 do 11 do 11
- Post feito de encomenda para este passatempo e que pressupostamente estaria já “Redigido & Publicado”, aí pelas 11 horas e onze minutos do dia 11 de Novembro de 2011 (Mas não… Azarucho!) –
Carta de amor a disfarçar à brava, mas na verdade a dar com os pés…
Meu amor, é tal a angústia que me aflige em relação ao que tenho para dizer que a única e aflitiva imagem que me vem à mente, é a do Duarte Lima a tocar órgão em ceroulas e utilizando uma máscara com o rosto do Marinho Pinto ao mais puro estilo do Fantasma da Ópera.
E é assim neste fatídico dia tão esperado pelos amantes da numerologia (pois é mais uma fonte de receita), que o grosso cabo que segurava o meu coração rompeu os últimos fios que o ligavam a algo tão belo que nunca o expressámos por palavras. Não fosse tal coisa quebrar o encantamento que envolvia o nosso mundo.
A confirmar as palavras de Ellie Crystal, uma blogueira que se apresenta como exploradora da metafísica do mundo ("Existe uma sincronia interessante no fato de que muitos eventos estão associados com o número 11"), venho anunciar-te que o nosso amor acabou.
Não acabou no convulsivo estertor de uma acutilante punhalada, mas definhou sim, como se uma insidiosa anemia o consumisse; fazendo-nos contemplar diariamente a sua pálida face. Num repetido prenúncio de morte.
É tão fácil desculparmo-nos com qualquer coisa insignificante (basta olhar para a frase da parva da Ellie), que não resisto ao fascínio da data (da hora não, pois já passa das 11h 11m) e às potencialidades que se apresentam às inúmeras actividades que poderão ser dinamizadas em determinados dias expressamente dedicados a isso.
Diz o jornal SOL (esse famoso blog pago e em papel) que hoje é o “dia dos solteiros, uma altura em que quem está sem par sai em busca do romance”. E como vês, daqui a pouco já é meio-dia e ainda não consegui terminar esta carta; de modo a poder iniciar a minha nova actividade de sair em busca de romance.
Infelizmente é um pouco como ir à caça. Pois quem sai em busca de romance, trá-lo para casa já morto como se fosse uma perdiz ou um pato-marreco (o que em alguns casos, pode ser assustadoramente similar).
Combinámos em tempos que se isto acontecesse, não usaríamos aqueles subterfúgios do tipo - “a culpa é toda minha”, “não é por causa de ti”, etc – Mas a verdade é que me estou nas tintas pois a nossa relação atingiu uma tal apatia, que a minha expressão apaixonada pode ser copiada por qualquer jogador de poker e usada por ele durante os campeonatos da modalidade.
O 11 do 11 do 11 é realmente um dia fatídico, mas apenas se não compartilhares comigo o infinito tédio que me provoca a nossa relação. Penso aliás que o tédio é o único sentimento que compartilhamos actualmente, e que devíamos apreciá-lo devidamente; pois é algo de belo que se for acarinhado, nos transformará (espero) em absolutos estranhos que não se reconhecerão ao se cruzarem um dia na rua.
Desejo-te então um feliz 11 do 11 do 11… Eu sei que vou ter.
Música de Fundo
Everybody’s Changing – Keane (link)


