segunda-feira, 30 de junho de 2003

Esclarecimento - É óbvio que sou um velho devasso. Isso já devem ter constatado os cento e tal incautos, que encalharam aqui a meio da sua navegação.

Devido á vergonhosa índole de algumas recordações aqui postadas, em conjunção com a possibilidade de perder o meu (quase) honesto ganha-pão, caso se divulgasse a minha identidade; nunca o farei!

O que quer dizer, que a minha identidade secreta será sempre um mistério.

Poderei ser aquele reformado a tentar trocar de roupa numa cabine de cinema porno... Ou a velhota da Nazaré, que levanta as suas sete saias para mijar na praia... Nunca o saberão!

Se virem ao pôr-do-sol um vulto em ceroulas a cruzar os céus, poderei ser eu que regresso de uma missão; ou o próximo Primeiro Ministro (isto está mesmo mau).

O preço da liberdade é a vigilância permanente.

Valha-me Santo Agostinho - A meio da sobremesa, saltaram-me do ecrâ os irmãos Rosado quais anjinhos rabetas, de fardamento completo incluído asinhas brancas com penas de galináceo.

O pobre Herman já foi suficientemente caluniado. Não havia necessidade...
Frase Fora de Contexto - Herman José pergunta afávelmente a um miúdo: - E tu, gostavas de marchar?

Foi uma noite confusa - Ontem tive visitas que quase me obrigaram a ficar frente ao televisor. A dada altura lembrei-me de "A Clockwork Orange" de Kubrick, em que o nosso amigo Alex é obrigado a presenciar cenas de morte e violência ao som do seu querido "Ludwig Van".

Por entre o murmúrio quase onomatopaico do caixote cinzento, captei esparsas as seguintes frases:

Frase Risada "Homérdica" - Ferro Rodrigues (que deus se compadeça da sua política alma), asseverou á SIC antes de jantar com o PR. - O PS foi "o" fundador do regime democrático em Portugal - Se isto foi antes de jantar, imagino as incoerências que terá proferido depois...

domingo, 29 de junho de 2003

Lembrei-me há pouco de Ernst Rohem - Era um tipo forte, a dar para o gordo; com tendências homosexuais. Fundou os "camisas castanhas" ou Storm Troopers nos longí­quos anos 30 do século passado, tendo ajudado a pôr Adolph Hitler no poder.

Cometeu um erro... Tornou-se incómodo e excedentário. Um dos protótipos do homem-de-mão descartável. Foi prosaicamente abatido, durante o que se convencionou chamar "A Noite dos Facas-Longas"

Mas eu não liguei o PC a esta hora para falar de homosexuais, nazis ou da reví­sta (Única) do Expresso em particular. Vim (confesso-o) principalmente, porque me fartei dos quarenta e tal canais que nada transmitiam que me interessasse. E lá fora está a chover.

Mas ir para uma revista portuguesa carpir um general da UNITA, é tão ridículo como ir para Auchwitz ou Dachau, em romagem por alguém que tenha caí­do da torre de vigia. Como diriam os tipos das Produções Fictí­cias - É no mí­nimo, estrambólico!

Quando Estaline distraí­damente mandava "apagar" um ou outro colaborador mais chegado, quase toda a gente sabia que não estava a eliminar um anti-comunista. Na maior parte dos casos, o tipo até conseguia ser mais comunista que Estaline (o que não seria tão difí­cil assim).

Ora vejamos... Numa organização de guerrilha, em que a maior parte das acções eram (e se calhar aínda são) tomadas sobre a população - E eu fartinho de ouvir atrocidades sobre eles, desde o truque do pneu a arder até á tão criativa introdução de ofídeos em orifí­cios naturais. - o que é um simples esquartejamento?

Estamos a tornar-nos moles? Ou com a proximidade do Verão, começa a faltar assunto para a imprensa?!

Será que um tipo para chegar a general na UNITA, basta fazer uns anos no colégio militar?
Não estamos a falar de um borra-botas qualquer. Era o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas de Libertação de Angola (uma designação tão extensa como pomposa). Qualquer coisa parecida com o braço direito de Savimbi (o Doutor, como esses idiotas aí­nda gostam de o chamar).

Acham que um tipo chega á posição de mão direita do Demo, a inaugurar CERCI's e a beijar velhotas em feiras (tirando talvez o caso do Ministro Paulinho...)?

Se o tio Adolfo se fartasse do Heinrich, ou do outro gordo (Hermman "das dick" Goering), irí­amos queixar-nos á Protectora?

Sabem do que é que a revista do Expresso precisa?

De duas páginas completas, com boa Banda Desenhada. Sei lá... Que tal The Fabulous Furry Freak Brothers?

sábado, 28 de junho de 2003

Voltei a casa derreado - Sob o peso do papel equivalente a um pequeno eucalipto. Os meus pobres ossos já não suportam o peso da informação massificada.

E tudo por causa do rapaz. Não me vou manifestar sobre a entrevista possí­vel; a multidão de analistas disponí­veis nesta comunidade, dará melhor conta do recado. Eu limitei-me a ler.

Como é natural, o Expresso tinha aumentado desde a última vez que o tinha comprado. Mais uma vez levei com o mundo pelas trombas adentro; só o caderno de emprego estava mais magrinho, lembrei-me logo do Ví­tima da Crise, as coisas não estão nada boas (já mo tinha dito o Graça da papelaria).

O escândalo sexual da ONU está em alta (deve vender á brava) e baixaram a quota de leite aos Açores, nada que não se cure com uma Electrolipolise (segundo anúncio da especialidade). Aparentemente Cavaco tem pneus novos, e vai fazer uma volta-teste antes de se lançar na corrida.

Na página 5, descobri que o lugar de Portugal na Europa... é exactamente onde está (a cheirar o cú ao último). Descobrí­ também que o articulista concluí­u (18 anos depois) ter sido um erro de Mário Soares, torpedear a i­ndústria naval nos anos 80.

Na altura e podia ter-lhe dito isso, e já que tinha perdido o emprego, podia ir-lhe ás trombas também (não ao articulista, como devem calcular). Aliás, presenciei com um inefável gozo, um episódio passado em Almada onde intervieram uma peixeira, o dito Má¡rio e um espécimen aquático não identificado. Tudo isto, uns bons 10 anos antes da tarte de Bill Gates.

A idade ás vezes é uma benção. As coisas que um tipo vai buscar...

Na página 7 Marques Mendes ostentava um semi-sorriso. Quanto á imunidade atrás da qual se escondem certos polí­ticos, estamos á vontade. Os pequeninos encontraram um defensor á sua altura. Não vou comentar o sorriso da Manuela Ferreira Leite; aí­nda não recebí­ a devolução do IRS, e não quero desafiar a sorte.

Páginas 8 e 9 "O meu futuro não depende de Pedroso", e é verdade. Sou obrigado a concordar com o digno sucessor de António Guterres; depende é do país, e aí­ é que a porca torce o rabo.

Na página 12 Durão diz que o pior já passou, escondendo a cara tí­midamente no canto superior direito da foto; não vá alguém olhá-lo nos olhos e perguntar: - Jura mêmo patrão?

Duarte Lima bate-se bem na sua coluna de opinião na 14 ; e na 16 topamos com uma foto que aparentemente representa dois cótas num concerto, um deles a curtir bué. Pelo tí­tulo (que eu não li o artigo) - Casa da Música Desafinada - devia ser no Pavilhão do Belenenses.

Na 20, mesmo encostadinho a D. José Policarpo (que Deus lho acrescente...), MMC faz profissão de fé ao declarar - A cultura é um sinistro emblema de direita - tendo-se esquecido de acrescentar - mas só agora neste governo...

Mas com isto tudo já estou a ficar cansado... os anos pesam, e o Expresso também.

Passei em branco Manuel Alegre, que não tem culpa de me fazer lembrar um dos personagens do Saló de Pasolini; e a minha alma sangrou pelos junkies sem subsí­dio para seringas. Como aconselhava William Burroughs - Usem um conta-gotas, engulam-na ou metam-na no cú... (isto, e aínda faltam 10 páginas...)

A DECO anuncia que "Lisboetas dançam em barris de pólvora". É verdade. Mas a Vera Lúcia é muito nova para ter conhecido o Jamaica ou o Tóquio no seu auge, isso sim eram tempos... de vez em quando havia uma explosão, e pimba... lá saltavam dois ou três directamente da pista para o passeio; isto para não falarmos do Texas.

Desporto, não obrigado. As minhas artérias não lidam muito bem com as desilusões. Mas na mesma página, havia um anúncio a um lar de idosos, com alvará e tudo. Não se sabe se faziam desconto para treinadores.

Em Bolsa & Mercados, os gráficos pareceram-me deveras optimistas, quiçá representando a retoma de 2005. E FINALMENTE na última página uma boa notí­cia "Está aberta a Época dos Gay Pride Parade".

Vou já buscar a escopeta. Antes que voltem a entrar todos no armário.

Viram o que me fizeram dizer?
Tão cedo não volto a comprar o Expresso.

sexta-feira, 27 de junho de 2003

Desculpa Póstuma (senão... quase) - Tenho uma amiga, que faz gala em não ver televisão. Eu como não posso passar o tempo todo a ler, a jogar Unreal2 ou a exercitar-me com a patroa, acabo por ver alguma; não muita (senão, conduz ao amolecimento cerebral).

E é aqui que chegamos ao ponto em que eu peço desculpa.

Salazar
Américo Thomaz
Samora Machel
Polícias
Guardas Republicanos
Alentejanos
... e outros dos quais não me recordo aqui... DESCULPEM-ME!!!

Desculpem-me por todas as anedotas que contei sobre vocês, a longo de todos estes anos...

Desculpem-me pelas minhas risadas de escárnio, e por suscitar nas senhoras aquela gota, que ía macular o pensinho diário...

Desculpem-me por todas aquelas hipotéticas situações em que vos coloquei, e das quais saíeis tão maltratados...

Desculpem-me, porque não era para vocês, mas sim para o atrasado mental do George Bush (2nd), inventor do termo anglo-saxónico "bettermment" (amelhoramento).

Agora vou beber uma bica, que me está a baixar o açucar.

Declaração - Eu o abaixo assinado, juro pela minha bola(s) que não sou avô desta menina, ao contrário do que é vilmente propagandeado por esta flausina, na qual tropecei há uns tempos.

Mais afirmo. Não frequento o Conde Redondo, desde o tempo em que ensaiávamos o conjunto de baile, naquela sala alugada a um velho baixinho (acho que era a Cenófila, ou um nome assim estranho). Nesse tempo aínda o JV era dono do "Trombinhas", e todas as putas o eram com seriedade. Sem que nos arriscássemos a ser surpreendidos por altos relevos, na maior parte dos casos muito pouco artísticos.

Quanto á gabardina o caso muda de figura, porque não sou digno de usar o distintivo de tão antiga actividade.

Tirando aquela altura em que andei a malhar uma miúda de 16 anos (e eu tinha 17, por isso já prescreveu.), nada me pode qualificar para o uso da gabardina cinzenta. Sou um tipo sossegado; se me vissem na rua, nem me reconheceriam.

Se um dia, a maior parte das pessoas que me conhecem soubessem que escrevia este blog, diriam decerto:

- Ora veja lá, vizinha... um senhor tão bem posto! Com uma vida tão boa, e foi logo meter-se nessas sem-vergonhices.

- Que é que quer, D. Odete? São os piores... tive uma vez um hóspede lá em casa...
(esta parte agora, não interessa para nada)

Mas tenho assuntos mais transcendentes a tratar. Segue em cima, com a desculpa póstuma.

quinta-feira, 26 de junho de 2003

A Alma Humana II - A minha alma está triste! O homem que alegrou alguns dos meus momentos nos últimos meses, foi preso. Estou a falar de Ali "o cómico", conhecido no meio como o Seinfeld da Mesopotâmia.

Segundo o Daily Mirror (que é tão falho de confiança como qualquer outro), a própria família farta de ouvir sempre as mesmas anedotas desde o fim da guerra, decidiu denunciá-lo para obter alguns momentos de paz.

Este ultimo contrato leva-lo-á a Guantanamo, nas caraíbas, onde já se começou a ensaiar a peça "Saddam e Eu".

Talvez o Herman o convide, para um dos próximos programas.

A alma humana é um livro que se re-escreve hora a hora - Estou muito contente comigo próprio, porque alinhavei sózinho esta frase toda cagona que serve de título ao presente post.

Mas tudo isto tem um objectivo. A profundidade da alma humana.

Já Pessoa (e fica sempre bem citar Pessoa.. ou mesmo Strindberg) dizia que não reparava na sua alma. É natural, atendendo a que a profundidade desta não ultrapassa a de uma mija de gato, pequenino...

Apercebi-me disso quando olhei há pouco para a rua - Trabalho numa vizinhança turbulenta; numa sala totalmente fechada excepto no que toca a uma enorme janela que dá para a rua, tapada por uma portada de aço perfurado, o que me permite ver sem ser visto. O ideal para micar as boazonas que passam; escassas, a meu ver.

Ví há pouco um cigano passar a correr, perseguido por um pretalhão com o dobro do tamanho e empunhando uma chave inglesa. Estranhei, porque aqui não são muito dados a actividades industriais (ele é mais comércio. If you know what I mean...). Fiquei indeciso entre aproveitar isso para criar uma história, ou cingir-me á realidade; para isso ficando á espera de ver passar em sentido contrário, o mesmo pretalhão perseguido por uma multidão de ciganos.

Vou esperar... e ver se a honestidade compensa.

Lázaro, finalmente acordou e esperguiçou-se - D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa; concluíu finalmente, que há uma enorme falta de qualidade nas decisões políticas.

Apetece-me perguntar ao venerável ancião, se passou os seus 25 anos de episcopado no Tibete; ou se está a concorrer contra o Alberto João, na Constatação de Factos Óbvios e Com Barbas.

Valha-lhe Deus!...

terça-feira, 24 de junho de 2003

É S. João e estou em casa - Estava muito descansadinho a ouvir Rammstein "Live aus Berlin" para ajudar a digestão, e a surfar pela Lusoblogueira quando encontrei esta gaja.

É uma gaja, pá! Não há dúvida... senão vejamos:

Primo - a dada altura esclarece "...admito que não me importava de ter uma, mas teria de ser uma pilaça que não gosto cá de 'inhas' nos entrefolhos e não era nem para nem a mijar." - Se fosse um gajo, diria que o tamanho não interessa, etc, etc... e todas aquelas paneleirices de mal-aviados com medo das comparações.

Secundo - "... trato de integração de empresas em meios muitas vezes adversos e ainda me sobra tempo para descascar as batatas para o puré!" - Nunca um gajo se lembraria de descarcar batatas para o puré. A imagem de marca do macho que cozinha (alguns poucos), é fazer o instantâneo com leite e por um pouco de noz moscada (como eu faço). - Até parece do verdadeiro, querido...

Tertio - "E ainda com o topete de me olhar para as cuecas, em virtude de eu estar com a perna alçada a tirar a merda do sapato e com saia a coisa estava pró arejado." - Só um tipo iria pensar que uma dama se iria preocupar com o vento nas cortinas. Na realidade, elas acham que aquilo é para arejar; com uma adicional mais-valia de poder criar um certo desconforto e consequente ascendente, sobre o pobre tanso apanhado a mirar-lhes as barbas.

É uma gaja com eles no sítio (quem não tem, pede emprestado). Já a encostei alí ao lado com os outros lembretes; pode ser que num futuro próximo, venha a ser útil para desmistificar as profundezas do pensamento feminino.

A tarde continua quente. Na sua inglória demanda pelas areias da Caparica, a dona Albertina do 1º Andar regressou escaldada e sem ter visto as ondas. A fila de trânsito continua no mesmo local (se calhar aínda são os tipos da semana passada).

Bem... acho que vou beber um Gin & Tonic á esplanada do Santos.

Absolvo e mando em paz - Esse sacana que tinha lá em casa vai para seis meses o meu Cabra Cega de Roger Vailland; e que eu queria ler há duas noites.

Após profunda análise ao carácter dos candidatos, eliminei todos os que deixaram crescer bigode (demasiado Quim Barreiros); excluí as mulheres (Marat-Lamballe é um herói para homens); apartei os pseudo-intelectuais (quanto mais abichanado, mais culto) e descobri logo o sacaninha.

O libertino redescoberto era o José Luis (do qual omito o apelido, por respeito á sua família). Adorador (sabe-se lá porquê) de Jim Morrison, leitor compulsivo, bebedor resistente e iconoclasta convicto.

Bati-lhe á porta ás onze da noite. Antes que tivesse tempo de dizer o que fosse, perguntei - Como pode um homem de razão, escapar á derrocada nos tempos de crise?

- Com um comportamento deliberado, sem se desviar dos seus planos e cumprindo sempre os seus objectivos.

- Ok! Para mim chega! Deixa-te de merdas e passa para cá o livro.

Após duas doses de Wild Turkey e metade da discografia dos Doors, eu encontrava-me mais calmo. Voltei para casa.

Li até adormecer.

domingo, 22 de junho de 2003

Agora é que a fizeste bonita... - Desavergonhadamente clipada de Blog Clipping vem a seguinte frase - Na opinião de Richard Smith, "alguns jornalistas irão procurar ideias nos blogs, e o estilo de escrita poderá influenciar o actual estilo jornalí­stico..." - O jornalismo está decididamente condenado.

Não falo já da possí­vel má influência por parte desta miserável folha de couve, mas... e o pipi? Sim O Meu Pipi (dele, claro). A influência que poderá ter na aí­nda tenra moleirinha de algum finalista de jornalismo. Para vos dar um vislumbre do tenebroso mas hipotético futuro, vou postar aquí­ um artigo da TV Tia (publicada num universo paralelo e alternativo ao nosso) no qual o autor evidencia a influência que marcou o seu estilo (?).

< - O GORDO BRONCO VOLTA A ATACAR - Após uma temporada a afiambrar-se ás gajas de Búzios, e posterior artigo no nosso pasquim; em que choramingava por uma cunha que evitasser ter que ir vender automóveis, heis que regressa. Ao que parece, como ninguém o cala e devido á barulheira que já se ouvia em Campolide (a pontos da vizinhança já ter recolhido assinaturas para correr dali com a BIC) fizeram-lhe finalmente a vontade. Mercê da sua avantajada figura, o programa terá que ser feito á sua medida; ou seja, não há mesmo nada que lhe sirva. Felicidades, ó bronco.
Se queres perder peso, pergunta-me como.
Teu querido cronista... Narciso>

Como vêm, as más influências que o jornalista (ou a jornalista, porque aquela conversa é de uma sexualidade suspeita) bebeu directamente do pipi, fazem um jornalismo verrinoso e cruel, que embora justo, não deveria ter aceitação em parte alguma; nem mesmo no semanário laxante que é a TV Tia.

Felizmente tudo isto se passa num universo paralelo. Embora ás vezes acorde sobressaltado durante noite; banhado em suores frios e agarrado ao meu pipi (desta vez é o meu).

Não tem realmente sentido - Ou então eu conseguiria encontrar o livro, que queria ler hoje até adormecer.

A vida até poderá ter sentido.

O que não tem sentido é eu continuar a emprestar livros.

The Meaning of Life - Gostava realmente de ter isso para oferecer (como sugere a minha vizinha do 100nada), mas o sentido que a vida imprime é descendente, numa escala sustenida.

Mesmo ao estilo Monty Pyton já seria sentido a mais. A vida é comparável talvez ao jogo The Sims, operado por um esquizofrénico viciado em anfetaminas; com altos e baixos, já se vê. Ou talvez, como há muito disse uma amiga minha - A vida é um camião-tanque cheio de gasolina, conduzido por um ejaculador precoce.

Há quem prefira a abordagem das Tias, em que a vida é um imenso chá dançante cheio de debutantes e sandes de pepino - uma autêntica pepineira na minha opinião - mas com conversas refrescantes sobre o problema dos "espartanos" nos yogurtes, e sobre a importância das "pirocas" no comércio fluvial do Amazonas.

A vida não é nada disso! - digo eu - É Charutos e bourbon, e jazz... e talvez uma pitada de canela no chá á noite (que a idade não perdoa). É Ketil Haugsand interpretando Carlos Seixas; é mulheres e luar e impostos...

E é por isso que não tem sentido.

Ou como diriam os Irmãos Marx:

- Há um tesouro na casa ao lado!
- Mas não há nenhuma casa aqui ao lado...
- Não faz mal! Construímos uma.


sábado, 21 de junho de 2003

Dêm um charuto a esse homem - Finalmente alguém conseguiu prender a minha atenção ao noticiário da ... não sei qual era a estação, juro.

Aí­nda tenho uma velha colecção do Cí­rculo dos Leitores, composta por volumes profusamente ilustrados, e em que a páginas tantas uma das fotos apresenta um monje budista imolando-se pelo fogo.

Não sei se é no Cambodja ou no Laos, mas decerto será num daqueles países onde se fazem as coisas com seriedade, e com a plena consciência do significado do acto. Os Budistas são uns tipos muito perfeccionistas, e não alinham em palhaçadas.

A primeira coisa que alguém deve saber; isto atendendo a que se vai regar com álcool e acender um fósforo, é que vai sufocar. Ao respirar vai inalar as chamas (o que não é muito confortável) e queimar os pulmões, a seguir cega e só depois se sente a dor. - Segundo Tang Lu Chao, há que manter uma certa dignidade e circunspecção nesta fase. - Depois entra-se em choque e... missão cumprida.

Mas não foi nada disto que aconteceu, corrobrando mais uma vez o meu ponto de vista, de que isto de ser mártir por razões mediáticas só traz problemas. Especialmente se nos arrependemos a meio.

O concorrente Afegão, demonstrando uma confragedora insuficiência técnica, ateou-se e correu em circulos utilizando a sobejamente conhecida manobra do "capão escaldado". Sem dúvida por falta de imaginação. Senão teria entrado numa estação de serviço e atestado o depósito, aproveitando para se impregnar com uns litros de 98 octanas, e seguidamente acendido um charro. Era assim que eu faria. (Se tivesse perdido 98% dos meus neurónios, claro.)

O efeito teria sido muito mais mediático.

O que realmente me intriga é - O que é que leva alguém a pensar, que a solidariedade de ocidentais sentados á mesa a jantar, se irá direccionar para a causa de alguém suficientemente estúpido (ou desiquilibrado) para deitar fogo a si próprio?

Cinco pontos, pela tentativa - "A práctica conduz á perfeição"

sexta-feira, 20 de junho de 2003

Sci-fi Memories - É espantoso como o tempo lima todas as arestas. Estava agora a consultar o meu baú de manuscritos recusados (logo por mim recusados á partida, claro), e cheguei á brilhante conclusão que o futuro já era.

Cerca de 1977 em plena corrente da Literatura Idiota (da qual fui um dos orgulhosos fundadores), foi criada a obra "Ando a Comer uma Gaja de Auriga 3".

- Obviamente um exercício de futurologia erótica - dirá o possível leitor, que caíu aqui por acaso - Mas não! A minha aguda visão do futuro, revelou-se romba e tão pouco subtil, como uma coisa que eu cá estou a pensar.

Nessa altura o futuro era um computador para toda a gente. Não no sentido actual do termo, mas um único e omnipresente zingarelho que satisfaria todos os nossos desejos e necessidades; tal como aquela fulana com quem gostaríamos de ter andado mais tempo.

Nada mais errado. É só ver o tempo que demora a sacar um miserável filme, ou mesmo a abrir o site do banco ás 21h 30m.

O futuro está aqui, mas é uma seca. No meu futuro pós-passado, as gajas andavam todas de lycra; com aquelas maravilhosas fatiotas moldando-lhes o mínimo refego ou prega. A ser passado a filme, seria uma espécie de Matrix mas filmado no "Café Champagne", com lap-dancing e tudo. É claro que ninguém me falou das gordas do futuro. Facto este que constatei ontem, quando ví uma simpática dona de casa despejando o lixo e envergando calças de lycra. A única coisa que posso garantir, é que a ser compradas a metro, teriam sido bastanteo caras.

Este futuro de tele-transporte e pejado de vizinhas alienígenas desavergonhadas, era visto de um tempo em que nos riamos dos efeitos especiais dos filmes de kung-fu, e íamos apanhar grandes secas á meia noite para o "Quarteto" (uma vez adormecí a meio do Providence). Agora os personagens dos filmes rodopiam no ar como se tivessem o sexo preso numa ventoinha; e o filme mais profundo que ví últimamente foi o ... agora não me lembro, fica para depois.

O futuro é tristonho, para os que se deslocam da Margem Sul para o emprego em Lisboa, todos os dias.

Onde estão as minhas cabines de tele-transporte? Será que foram vandalizadas pelos pretos do Bairro Amarelo?

A fila de trânsito para a Caparica, parece realmente uma cena de um futuro apocalíptico.

Mas eu respeito o Sol e não me meto com ele, fico em casa ou vou ao parque. Nunca verei o cogumelo nuclear erguer-se a meio da IC20.

Milhares de condutores de domingo, em traje de praia e bloqueados no trânsito, aproveitam para escarafunchar o nariz quando cai a bomba. Arqueólogos do futuro interrogam-se durante décadas, sobre a natureza da misteriosa substância caramelizada, descoberta no indicador descarnado das vítimas.

Oh admirável mundo novo... que o serias, se o ar-condicionado não tivesse avariado outra vez.

Heinlein tinha razão... não se pode confiar no futuro.

terça-feira, 17 de junho de 2003

Cena A-2

A lingua esquecida
vai lambendo, errática
crónicas salgadas do umbigo do mundo.


E depois deste breve momento de (duvidosa) poesia vamos ao que interessa. Ou seja, nada.

Este blog aproxima-se perigosamente do nada, tal como um asteróde de um buraco negro. Notei finalmente, quando dei por mim a escrever sobre semi-celebridades e as nádegas rijas das adolescentes. Para ambas as coisas existem páginas especializadas... E isto é um blog "ónesto"!

A vida está acabada. Pode-se dizer isto quando alguém atacado de tédio, descobre que o ponto alto do seu dia, foi comprar dois quilos de cerejas por dois euros e meio.

Pelo menos não tinham bicho.

E a vida... terá?

domingo, 15 de junho de 2003

Olha o Rui Zink! - Disse o meu miúdo, que é versado em reposições das Noites de Má Língua.

Como ele já em tempos passados tinha reconhecido a Ana Malhoa ao balcão de uma pizzeria e o Jorge Sampaio a vender castanhas assadas em Cacilhas, eu nem liguei muito.

Mas era ele na verdade. Vínhamos no comboio da linha de Cascais em direcção a Lisboa, aí pelo fim da tarde, não há muito tempo (duas horas, talvez). Irreconhecível atrás de uns óculos de fundo de garrafa e uma barba de dois dias, tentava entreter os filhos durante o trajecto. Deixei-o em paz. Aliás nunca fomos apresentados.

A miúda ciclista, com umas belas e musculosas nádegas, agarrava o velocípede encostada á porta de saída enquanto calçava as luvas.

Fora á linha, e só o meu filho tinha visto a tia. - Pensei que existiam mais... - desabafei desalentado.

Os adeptos do FCP primavam pela ausência. O único momento de bom humor, foi fornecido por um indivíduo de outra raça (não digo qual, para não parecer racista) que após se fechar a cancela de entrada do ferry-boat, tentou passar entre as grades; para tal forçando a cabeça for um intervalo com 10cm.

Há muito tempo que não me ria tanto! Principalmente porque ele fazia aquilo por convicção, e não para nos fazer rir. Um artista nato.

Vou ver uns DivX. Aínda não consegui arranjar o Matrix Reloaded. Este mundo é cruel...

sábado, 14 de junho de 2003

Afinal o Gajo Safou-se - O meu famoso amigo do xilique quase letal, finalmente teve alta. Já nos referíamos respeitosamente á sua pessoa no pretérito. Em certas conversas quando o assunto vinha á baila, quem nos ouvisse diria que nos referíamos a algum personagem do século XVI; ou no mínimo um venerável antepassado. Mas sobreviveu.

O ponto alto da intervenção cirúrgica, foi quando lhe disseram que para desobstruir a artéria, teriam que introduzir um cateter na virilha. Parecia a marcha de Alfama depois de termos perdido. Felizmente dois prestáveis auxiliares de enfermagem, colaboraram na sua imobilização. Enquanto o Doutor Fonseca lhe garantia, que aquela coisa comprida e esguia não se lhe iria espetar nos seus preciosos "centros de decisão".

Mas lá levou com ela na graça do Senhor, e em boa hora pois está com melhor aspecto. Visitei-o á pouco e consolei-o o melhor que poude...

- Deixa lá! Imagina se fosse na próstata, a posição em que estarias deitado agora. E não poderias olhar para a auxiliar, porque iría provocar-te imensas dores. Mas a propósito... Conheces aquela da enfermeira na banca de legumes?...

Esta não vos conto, pois são muito novos...

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Agora perdi o meu texto sobre a Fátima Felgueiras - Deve ser uma cabala do PS, talvez por causa daquela ocasião em 79, em que chamei "bochechas" ao Mário Soares. Foi á saída da exibição da Carmina Burana na Academia Almadense, interpretada pelo Ballet da Gulbenkian e eu confesso que estava um bocado pedrado.

Talvez eu seja um verdadeiro incompetente. De outro modo já tinha conseguido melhorar o aspecto desta coisa, tal como me aconselhou a minha vizinha. Felizmente esta já anda menos Florbela, e mais Espanca. Isto a avaliar pelas saudáveis inclinações sanguinárias, que demonstra relativamente aos Chicos Espertos nos semáforos.

Vou tentar novamente mudar o layout desta página. Se não lerem este texto, ou eu não voltar a postar até Domingo, considerem-me desaparecido em combate.

terça-feira, 10 de junho de 2003

Olá Vizinha! - Finalmente fui dar uma olhada á vizinhança, e fiquei envergonhado. A maioria é constituída por gente incrível, com uma escrita estimulante sobre temas interessantes; e eu aqui a olhar para o ar...

Começava aliás já há uns tempos, a interrogar-me sobre o paradeiro das pessoas interessantes (há um postulado que assegura haver algumas, mesmo que não demos por elas); e agora sei onde estão. Passaram quase todos ao Ciberespaço.

Vim para aqui "morar" por influência de uma amiga (vizinha também) que me recomendou este local. Não digo quem, mas ela sabe... Foi uma ideia muito boa.

Vou ficar aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2003

O embaraço da escolha - Está decidido. Não volto a escrever do emprego; além de perder um texto, aínda tive que vir rectificar a acentuação em casa.

Mas adiante.

Qual Tia provando mil fatiotas, continuo a tentar encontrar um look definitivo para este sítio. Não é que seja difícil, só que eu não aprendi HTML e Java suficientes para fazer seja o que for. E custa-me também roubar descaradamente o trabalho aos outros.

Mas valerá a pena? Terá a vida um sentido?
Estaremos sós no universo?
Ou somos tão maus vizinhos que os obrigámos a evacuar as galáxias em redor?

Há qualquer coisa lá fora...
Vou mas é preparar um Gin & Tonic.

Merda! - Tinha feito um post todo catita sobre o 10 de Junho, mas aparentemente a lei de Murphy mais uma vez actuou.

Há 20 anos quando eu usava uma Remington portátil para escrever poemas intimistas e textos existencialistas o problema não se punha. Era mais uma questão de papel e fita novos; nunca perdi nada que não voltasse a encontrar.

Atravessamos pois a era da perda irremediável. E como estamos no ano do leitão de polyester (logo seguido do ano do vibrador de bambu), vamos sofrer durante mais uns tempos estes atentados ás nossas virtuais memórias.

A minha fé de ex-informático na tecnologia dos bits, ficou abalada.

Não vou falar novamente das viúvas e dos órfãos de guerra. Não vou comentar novamente a Praça do Comércio a preto & branco da minha infância.

Parafraseando Eminem "Fuck the 10th of June"!

sábado, 7 de junho de 2003

Nas sábias palavras de um Persa antigo - Tu não te devias ter metido nisso (o blog, claro).

Mas o que é a privacidade? Hoje de manhã fui ligar a net ao miúdo (só tem uma vez por semana, porque está a dieta de download.), e tinha o circo armado.

Ele era "enlarge your penis", "get real teens on your desktop", etc. Não que ele se importe, porque quanto á primeira aínda não se preocupa (demasiado novo) e quanto á segunda, diz que lhe basta a Rita Inês (as crianças são muito fiéis).

O problema de quando se tem uma janela aberta para o mundo, e uma criança para olhar por ela, é que não há rede mosquiteira que baste. Alguns dos mails traziam aínda belos e artísticos anexos em HTML, demonstrando a eficiência dos respectivos serviços. Sem dúvida artísticos, porque alguns eram nítidamente montagens fotográficas.

Longe vai o tempo em que o único incómodo hebdomadário, eram as simpáticas e afáveis testemunhas de Jeová, que nos prometiam o paraiso com plantas tropicais e animais africanos (tipo clip da Janet Jackson), ou as penas do inferno caso não aceitássemos o livrinho.

O anti-spammer que o meu pai usava na altura (temos que ver... eram os anos 60.) era ir abrir a porta em cuecas e barba por fazer; normalmente dava tanto resultado como hoje o MailWasher.

Mas os tempos são outros, e trava-se uma cruel guerra a todos os níveis. Já me tentaram oferecer tudo menos aquilo que eu quero, talvez por não ter sido aínda lançado no mercado... o sossego.

Vai ser o meu produto de eleição, um dia em que cometa a parvoíce de me lançar no mundo dos negócios.

Imaginai ó gentes, como seria atractivo o seguinte package:

5ª Feira, no início do enorme tsunami de folhetos e propaganda, o casal Menezes olha para a caixa de correio inexplicávelmente vazia, em contraste com as dos vizinhos; atulhadas com flyers da Telepizza e do Professor Bambo.

- Que estranho, querida, - diz ele enquanto o elevador ascende ao piso - não há folhetos, ninguém telefona há imenso tempo; nem sequer para oferecer um telemóvel, ou uma assinatura da Revista Gina (eu disse Gina? Desculpem era Maria).

- Pois é... - diz ela intrigada - já ontem para saber das promoções do Pingo Doce, tive que pedir o folheto á vizinha do 1º Andar...

Ao entrarem em casa o telefone toca (não, não é o senhor Matos Maia). - Jovem voz masculina, com tons levemente efeminados - Boa tarde. Presumo que estou a falar com o senhor Rogério de Menezes.

- Não. É só Rogério Menezes, mas continue. - diz ele já um pouco amaciado pelo "de" - Não tenho muito tempo porque vamos jantar agora.

- Não lhe vou tomar muito tempo. É só para lhe dar conhecimento que o Grupo Quasar lançou um novo e revolucionário produto "O Sossego do Lar", do qual o senhor beneficiou durante uma semana a título promocional. Vinhamos pois inquirir se está interessado em prolongar por seis meses a utilização, mediante uma simbólica tarifa de 50 euros pagáveis por transferência bancária. Como sabe o sossego não tem preço...

- 50 euros? desculpe, mas mande lá a papelada toda outra vez; porque estamos a entrar no tempo quente e os folhetos aínda fazem jeito para atear o fogareiro das sardinhas. Boa tarde (click)

Mais um negócio por água abaixo.

Talvez na verdade o meu filho necessite de "real teens" no seu desktop. A Rita Inês é que não vai gostar nada.

quinta-feira, 5 de junho de 2003

Pois é! Agora lá vem ele com aquela conversa de como as coisas eram melhores noutro tempo.

E eram! Eu era mais novo e não tinha que controlar o colesterol. Quanto ao resto - tirando as novidades tecnológicas - era a mesma coisa. A vida é uma série de repetições cíclicas, e apenas nós mudamos drásticamente, com o cenário. O "script" é o mesmo com pequenas variações.

Tenho um amigo nos cuidados intensivos que não pensa assim, e se escapar desta vai tecer louvores á vida durante uns tempos; espero que se safe, senão lá se vai a tertúlia das Sextas-feiras.

Se te safares iremos beber café uma destas 6ªs Feiras, senão... terás sempre guardado um canto neste quarto redondo.

Foi mau dia para começar um blog, ou blogg, ou lá o que é...

Mais desajeitado que isto, só na minha tarde de estreia; e aí tinha aínda menos assistência. Este blog é a derrocada de mais um dos meus princípios de longa data- não dar demasiado nas vistas.

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