sexta-feira, 30 de julho de 2004

Soube agora que por motivo de meu amo não estar, serei obrigado a ausentar-me em serviço durante todo o fim de semana, partindo daqui a umas horas.
 
Que dizer?
 
Olhem, bom fim de semana. Até segunda e divirtam-se; pois eu calculo que não o vou fazer...
 
Foda-se!!!!!!!

Música de Fundo
"És Cruel" - Enapá 2000

 

quinta-feira, 29 de julho de 2004

Coração de Fogo
- Uma história sem tempo -

Maria do Arco é uma mulher forte. As suas roupas negras de viúva impõem respeito, e um metro e cinquenta acima dela apoia-se o cântaro de plástico azul onde sempre transporta a água que vai buscar à fonte.

Maria do Arco tem água em casa há muito tempo, mas continua a ir à fonte. Não porque a água desta seja melhor, mas pelas lágrimas que sente caírem-lhe pela cara cada vez que passa pelo Barroco Grande. E todos os dias desde há vinte e cinco anos cumpre o mesmo trajecto.

Não chora o marido (um bom homem) porque já o fez quando foi altura, recorda-o ás vezes como quem vê fotografias.

Os seus olhos continuam fiéis e por isso choram. Principalmente no Outono quando as folhas amarelecem, e a encosta em frente tomada de uma vertigem doirada se desnuda ao Sol avermelhado; fazendo lembrar as primeiras chamas de um incêndio.

Os seus ouvidos guardam a voz, e a boca sente o sabor do sangue que lhe sussurra coisas estranhas; que datam do tempo em que ouvia o rapaz da cidade explicar junto à fonte, que o gravador lhe servia para registar as canções de trabalho e as histórias dos velhos.

Durante a vindima, ele desajeitado com a tesoura de podar golpeara um dedo. E ela tratou-o, mergulhando-lhe a mão num alguidar com vinho branco e açúcar para estancar o sangue.

Perdeu-se no fundo dos olhos claros que a contemplavam curiosos. E nos dias seguintes, onde quer que fosse ele estava; a gravar, a fotografar ou apenas encostado a uma árvore ao fim da tarde, escutando silencioso com o olhar perdido na encosta da serra.

A sua alma guarda ainda os gritos de alarme, e o pânico dos homens que se precipitavam para o fogo que lambia as vinhas da encosta naquela noite.

Vira-o de relance no milheiral para além da eira. O blusão azul a destacar-se no meio da massa escura dos caules ainda verdes, correndo com os outros em direcção ás chamas, sem nada mais pensar como se fosse seu o que estava em perigo.

Maria do Arco esperou junto à capela a noite inteira. E à medida que iam chegando, reconhecia-lhes a todos as caras traçadas da fuligem e das rugas de cansaço com que o demónio os marcara.

Mas nenhum deles era ele…

Pela manhã quando chegaram os bombeiros, o chão da floresta enegrecida onde o procuraram, estava cinzento sulcado por traços vermelhos como se a própria terra tivesse sangrado. E de além da curva no fundo do Barroco grande, trouxeram um saco.

Um saco com ossos calcinados a que os botões do blusão tinham aderido, derretidos como lágrimas de ouro numa relíquia da capela.

A guarda levou os restos do rapaz da cidade, sob o olhar dorido dos homens que tiravam as boinas à sua passagem. Mas Maria do Arco não chorou porque estava prometida.

E durante anos guardou todas as lágrimas no seu peito, onde cresceu um mar capaz de apagar todos os fogos. Até que um dia ficou livre, e recomeçou a ir à fonte todos os dias.

O cântaro de vinte litros é pesado, mas Maria do Arco segue orgulhosa no seu metro e meio sem vacilar. Ao passar a curva do Barroco Grande, pára como se fosse descansar e olha em volta; depois despeja a água para o vazio em baixo.

Um dia, quando todo o fogo se apagar dentro de si, a sua alma ficará liberta; e acredita que então poderá dobrar o tempo, correndo para ajudar o rapaz da cidade e conduzi-lo para fora das chamas.

Um dia, quando as folhas das árvores brilharem doiradas pelo sol; deixando que outro fogo aqueça o seu coração…

Música de Fundo
“Safe & Sound”Azure Ray

With every word I live again
Through the eyes of another

We'll meet at night wet from the rain
And surprise each other
With how we take away the pain

Could you be the one to find me safe and sound
Love is how it's lost not how it's found

I don't know those eyes
But I see beauty there always
I know it's wrong to love you from afar
But it's a craze

You recognize my pain
Could you be the one to find me safe and sound
Love is how it's lost not how it's found

I'll take away your pain
Could you be the one to find me safe and sound
Love is how it's lost not how it's found



A Igreja do Imaculado Blog
- A espinhosa via-sacra do Beato Flopes –

Nota Previa do Episcopado do Laranjeiro
A base litúrgica desta homilia não é de minha autoria. Pelo que não chateiem muito, pois já basta a dificuldade que vou ter em pagar os “royalties”

Irmãos, irmãs e seus derivados… Venho falar-vos hoje de um santo do nosso calendário, à venda (o calendário, claro) em todos os bares e discotecas minimamente aceitáveis; o Beato Flopes.

Comparável na sua envergadura e santidade ao próprio Frei Fialho (do qual já vos contei num post antigo), um dos atributos terrenos que este personagem tem é ser um pouco honesto.

Dizem até as más-línguas, que foi um dos poucos dirigentes desportivos (quando na sua fase profana de desportista de bancada) que não enriqueceu com o futebol. Mas isso eu não posso garantir, porque se calhar são só intrigas.

No que toca à vida social também não é visto com bons olhos pelos seus contemporâneos (e talvez a Santa Sé um dia o puna por isso), porque anda com mulheres publicamente. Sim, meus queridos fiéis… com mulheres!

E quando a coisa acaba com uma, põe-a com dono e passa para a seguinte. Enquanto os seus correligionários e detractores apenas vão acumulando, beneficiando assim a indústria de construção civil que está em alta com a venda de apartamentos, onde estes montam casa para as pobres raparigas não ficarem desamparadas neste vale de lágrimas.

Devido a esta inversão de valores que se está a dar na nossa sociedade, o beato é assediado pelos escribas de todos os quadrantes, que lhe fotografam as namoradas e lhe vasculham o contentor do lixo à procura de beatas de charros.

Pelo que se sabe, até agora só têm encontrado garrafas de Moskowskaya e balões vazios (ou não tanto), possivelmente restos da permanente bem-aventurança que rodeia o santo homem.

Agora que decidiu entrar nos domínios reservados a Césares e Brutus, talvez ainda se arrisque devido ás inimizades criadas ao longo dos anos, a que lhe aconteça o mesmo que ao Júlio.

Quem sabe se uma noite na escadaria que se situa à porta do Kremelin, e atraído pelo seu homem de confiança, não terá o Beato Flopes que encaixar umas tantas naifadas; e lá terei eu que ir fazer o seu elogio fúnebre (vou mandar já os meus paramentos para a lavandaria).

Chegado a esta altura ficar-me-ia bem citar Petrónio, mas atendendo a que as expectativas que temos para o beato são superiores ás descritas no “Satyricon”, preferimos aguardar pelo pergaminho da vida real.

Quanto à sua qualidade de político não há nada a dizer. É um mau político. Mas, por Blog! Este país está cheio de maus políticos.

Alguns foram até presidentes da república após darem provas de serem execráveis primeiros-ministros, e ninguém os persegue.

Por isso irmãos, deixem o Santana voar, ou melhor… deixem-no poisar.

(Patrocinado pelo iogurte Durex. O único com embalagem ergonómica)
 
Música de Fundo
“Lady Marmalade”Labelle
 
 

quarta-feira, 28 de julho de 2004

Actualidade

Pata
Peta
Pita
Pota
Pulitika
 
Ainda ontem à noite a Catarina do http://100nada.weblog.com.pt/ se insurgia, e com muita razão, contra o peso que tem a incompetência do sistema governativo sobre as nossas vidas.

Mas eu não venho para aqui falar do governo. O governo não tem discussão porque é escolhido por nós, e bem escolhido. Ou seja, conseguimos sempre escolher o que de menos mau há no mercado; sim, porque as alternativas são ainda piores.

E no fundo não passam de incompetentes escolhidos por outros pouco melhores ou iguais, porque francamente qual de vocês (nós) está disposto a sacrificar-se pelo país e o bem comum?

Não me gozem…

E não me venham cá com mails a defender as virtudes deste ou daquele agrupamento de pindéricos, porque a minha memória política chega até ao dia em que Sá Carneiro & Companhia abandonaram a Assembleia Nacional em plena sessão, criando um escândalo enorme nos meios corporativistas; mas ao qual uma semana depois já ninguém ligava.
 
E eu nem sequer gostava do homem (fazia-me lembrar um morcego sul-americano).

É a indiferença que governa este país!
 
Nota: advirto também que o meu respeito pelos mortos é igual ao que lhes tenho (ou não) em vida.

Mas estava eu a falar de memória política… Este país teve até agora todos os ingredientes para dar certo. Mas tal como um bolo ao qual se acrescenta sal em vez de açúcar, existe uma falha básica, nós.

Não vou é claro fazer a detestável apologia queirosiana de que somos provincianos, estúpidos, etc., e depois “fugir com o cu à seringa” e dizer que eu não o sou. Bem… Eu não o sou muito (posso prová-lo se exigido pelas entidades competentes), e isso sei-o de boa fonte pois sou o meu melhor fã e detractor também.

Sacrifícios? Qual de nós vai anular as férias no Algarve, ou outro local, para ir ajudar a combater os incêndios? Talvez os únicos voluntários sejam os bombeiros mesmo.

Eu confesso que vou colocar a minha desprezível pessoa ao sol em Albufeira, pelo menos durante uma semana a partir de oito de Agosto. E tal como no ano passado verei os incêndios pela TV; e terei igualmente imensa pena.

Chegados a este ponto, já a maioria dos leitores se fartou e foi ler e optou por algo mais interessante desandando daqui. Por isso a parte seguinte é para os que não desistem facilmente.

Há realmente uma esperança no meio de tudo isto

Há pouco estive ao telefone com uma amiga que por enorme coincidência (acumulada com outras), me disse exactamente o que eu ia contar-lhe sobre isto.

É simples. A geração do meu pai (desculpa lá…), é composta na sua maioria por oportunistas, egoístas e golpistas (rima e tudo), que apesar de raras excepções, na sua maioria aproveitaram o 25 de Abril (em que tinham 35/40 anos) para se divertirem, se orientarem, e finalmente agora na velhice se queixarem (deles próprios, claro) que ninguém fez nada em trinta anos.

Não vale a pena dizerem-me que foram eles os obreiros do “não sei quantos”, porque se tratou de uma operação de insurreição militar, e a quase totalidade do país passou pelas brasas até ser acordada pelos roncos dos chaimites. Os partidos nunca estiveram metidos em nada e apenas apanharam boleia, tanto que tiveram que se mobilizar à pressa.

Passamos à minha geração (esta agora é que tem piada). Talvez uma das mais hedonistas, irresponsáveis e loucamente fascinantes que este país teve. Tendo produzido tantos bons artistas como maus políticos, tantos idealistas arrependidos como vigaristas bem sucedidos.

Connosco o país não recuou nem avançou, estagnou apenas; enquanto a Europa nos levava com ela, não fossemos nós arrastá-la para o fundo quando naufragássemos.

Vinte anos depois a coisa melhorou um pouco. Consigo encontrar putos de vinte, menos egoístas que os outros que conheci, mais responsáveis, e acima de tudo que se empenham em fazer alguma coisa. Em contraponto à conversa fiada e imobilidade da malta dos anos 80.

Mas também não serão eles a virar de pantanas este viveiro de caracóis.

Em quem eu tenho realmente fé, (e sei que isto vai parecer aquelas mariquices que os pais escrevem sobre os seus rebentos) é nos que têm agora entre cinco e quinze anos; que obrigam os pais a reciclar, que poupam água, e que não se importam de levar um tabefe (como eu já vi acontecer), por não se calarem quando vêm os mais velhos fazer algo de errado.

Se calhar a única coisa positiva que deixaremos para o futuro, é a educação que dermos aos nossos filhos.

Com um bocado de sorte, o meu filho não terá que daqui a trinta anos escrever algo parecido com isto; nem ter que insultar publicamente um monte de gente e com razão.

Talvez nessa altura já se possa mandar prender um político ou um funcionário público que prejudique o país que nele confiou e a quem pagou. E se não puder ser feito desse modo… trinta e cinco chicotadas aplicadas em frente aos Jerónimos e transmitidas pela televisão também devem de resultar.

Eu não sou analista político, mas isto é o meu blog. Por isso faço com ele o que quiser.
 
Música de Fundo
“Mass Destruction”Faithless
 

terça-feira, 27 de julho de 2004

Apetece-me sair 

Apetece-me sair e caminhar a pé estando sol ou não; não iria sequer pensar na distância ou no cansaço.

Caminharia apenas até ao primeiro braço de mar. E quando lá chegasse… bem, quando lá chegasse não sei igualmente o que faria; mas é isto o que desejo neste momento.

Talvez perder-me de mim na distância dos meus passos, e ficar parado no pontão a sentir o vento marítimo entrar-me entre a camisa e o peito; como numa carícia há muito esquecida.

Sem ter que olhar para o lado para saber se estou sozinho ou não; sem ter que falar… apenas ali.

Música de Fundo
“The Sea”Sophia
 

Astronomia

Ás vezes anos-luz
medem-se em sorrisos.

E encurta-se o espaço
apenas com palavras.

Mas como tocar uma estrela
sem lhe ofuscar o brilho?

Ou sem ardermos nós em altas chamas…

Música de Fundo
“Inner Smile”Texas


segunda-feira, 26 de julho de 2004

A Auto-Piedade
- Sobre o fascinante quotidiano  –

Acordei esta manhã com (entre outras coisas) uma enorme constipação. Quando me virei para desligar o despertador espirrei com tal intensidade, que o candeeiro da mesa-de-cabeceira saltou desta, ficando pendurado pelo fio.

Quando me ergui e apoiei sobre as pernas, descobri que Joselito o meu neurónio favorito, se encontrava a meio dos treinos para o seu número do poço da morte no interior da minha caixa craniana; fazendo ecoar o motor da sua Zundapp de cinco velocidades.

Ainda mal o dia tinha começado…

A meio da manhã, descubro que o Tenente Figueiredo (sim, eu sei que vais ler isto, meu sacana…) durante o meu anterior período de férias, rebentou com o ficheiro base de uma das nossas obras mais importantes. Obrigando-me hoje a passar pela humilhação (comum a qualquer Miss Entropia) de telefonar ao cliente a solicitar o envio por e-mail, do orçamento que eu próprio tinha proposto uns meses atrás… Shit happens!

Para cumular tudo isto, lembrei-me agora (sim, porque me tinha esquecido) que devia ter ido há cerca de uma hora á Cova da Piedade, levar a bicicleta para verificação de travões antes que um belo domingo me espete contra um autocarro da Rodoviária.

Só que a esta hora já não há hipótese, porque os tipos fecham cedo. Até os mecânicos saem mais cedo que eu na maldita Auto-Piedade!

Música de Fundo
“Bicycle Race”Queen



domingo, 25 de julho de 2004

Vaga de calor na Cidade de Blog

Após quatro horas de sono interrompido por espirros, levantei-me. Eram oito e um quarto.

O Cristo-Rei estava sentado num banco de neblina de aspecto tóxico; e a refracção da luz na névoa, provocava-me a impressão que ele se abanava com a mão direita. Mas era só impressão. Aliás como quase tudo o que se vê a esta hora durante uma onda de calor.

No deserto chamam-lhe “Fata Morgana” (mas não tem a ver com o homónimo blog, claro). Para condizer com a condição sub-sahariana, a minha disposição também tinha um nome característico. Os Argelinos chamavam-lhe “Le Cafard”.

Preparei o velocípede e toda a sua parafernalia, acabando por levar o rádio digital; introduz um elemento de risco, mas sempre ajuda à banda sonora. Infelizmente ao passar frente ao quartel dos Bombeiros o “auto-scan” sofreu uma interferência, e fiquei a saber mais da vida da operadora de rádio do que na realidade seria necessário. Depois emudeceu.

Acho que foi insolação, ou da transmissão. Sei lá….

Em Cacilhas, meia dúzia de veraneantes mais corajosos que aguardavam autocarro, entrincheiravam-se debaixo de um telheiro escudados por geleiras e sacos de praia, como um corpo expedicionário cercado por belicosos Tuaregues. Mas era apenas o calor.

A rua do Ginjal parecia-se um pouco com o Festival da Cerveja. Só um dos pescadores bebia por uma lata de coca-cola; mas o ritmo que imprimia aos dedos que agarravam na cana, fez-me inclinar um pouco mais para a hipótese da “cuba libre”. E a distracção fez-me inclinar também um pouco mais do que devia, evitando porém à justa a repetição do incidente de 1972.

No “Ponto Final” a presença de um piquete de saneamento, augurava que os almoços se iriam atrasar um pouco. Decididamente era uma manhã de acontecimentos. Pena que fossem totalmente desinteressantes.

Do outro lado da enorme massa de água, Lisboa parecia muito mais atraente e límpida; só que eu sei por experiência própria que quase tudo é assim até nos aproximarmos o suficiente. Mas eu tinha começado a falar de paisagens…

Subi mais uma vez a rampa íngreme com a bicicleta à mão. É bom para o stress. E quem continue com nervoso miudinho após chegar ao topo, sempre pode descer e tentar novamente. Mas não aconselho, pois pode ainda vir a ser internado por comportamento obsessivo/compulsivo.

A meia-encosta, uma senhora idosa de aspecto agradável que descia lentamente, olhou-me pesarosa como se eu fosse um caso perdido. Acho que não lhe devia ter sorrido, porque ela estugou o passo; como se eu fosse sacar de um machado e arranjar notícias para os tablóides de amanhã.

Tomei o pequeno-almoço na esplanada do costume, escutando a conversa dos putos na mesa ao lado que esperavam a abertura do cyber-café para irem metralhar on-line um clã rival. Ainda aprendi uns truques; mas há muito que deixei de jogar on-line. Não estimula propriamente o que de melhor há em mim. E eu também já não tenho muito…

Quando acabei de comer (e de transpirar também), passei pelo Largo S. João Batista onde tomo o meu semanal “Duche Público”, passando com a bicicleta por debaixo do arco produzido pelos repuxos, que da beira do lago mergulham para dentro deste.

Deu apenas para refrescar um pouco e salpicar os óculos escuros. Sim, porque eu não faço o género Mr. T-shirt molhada (a não ser que peçam com muito jeitinho…).

Por uns momentos parei no cimo da enorme ladeira, por onde costumo descer a parte final do trajecto. Olhei em redor; toda a parte baixa da cidade se envolvia numa névoa morna e atordoante.

Algo no fundo de mim me disse que talvez a névoa não passe de uma invenção, de um estado de espírito, ou mesmo seja uma limitação que inventamos para nós próprios.

Aumentei o volume do rádio, e embalei pela descida sem tocar nos travões…

Música de Fundo
“Lose This Skin”Clash


sábado, 24 de julho de 2004

Quarenta Graus à Sombra

Sidi Bel Abdes, meio-dia e uma total ausência de nuvens, estão a reduzir o meu cérebro ao mesmo volume que o do sub-secretário da Cultura.

Sei que estou em Sidi Bel Abdes porque a licença para venda de bebidas diz isso, e que também me encontro no bistro “Mon Ami Pédé”. Embora eu ache que seria “Pierrot”. Mas com estes árabes nunca se sabe; e eu não confio em tipos que usem roupas de mulher, excepto talvez os escoceses.

Este calor realmente apaga a memória a um tipo. Se não fosse o guarda-nuca do meu képi, já o encéfalo teria cozido, transformando-me numa espécie de membro do Bloco de Esquerda ou outra coisa igualmente arrepiante.

Tenho à minha frente uma garrafa de Canebière e um jarro de água gelada. Vagarosamente limpo o suor da testa à manga do dolman e preparo-me para fazer a mistura; é um verdadeiro 45º. Também para aguentar este calor, só mesmo isso ou então aquilo que fumam os rifenhos.

Mas eles boicotam a Legião. E cada vez que me aproximo no intuito de comprar kiff, a única coisa que me dizem é – Qué frô?

Estou para aqui encravado naquilo a que chamamos “os ovários da república”, bem secos por sinal… e não me lembro já há quanto tempo me alistei. Sei apenas que fui sendo promovido à medida que me foram cortando pedaços em inúmeras batalhas.

Devo ser para aí metade do homem que era quando ingressei na Legião.

Mais uma vez o correio não chegou. Acho que tem que fazer um desvio pelos Dardanelos, e ao fim de semana há sempre emboscadas. Ou então ninguém escreveu mesmo.

Olho as dunas de um amarelo cegante enquanto mexo calmamente o pastis; faz-me lembrar a Exopotâmia, e aquelas sessões de copos no hotel do Pipa. Mas nessa altura não era ainda o Capitão Levieux. Era apenas Lejeune, frequentador dos bailes do 14 de Julho e dos passeios até ao Café de La Paix nos fins de tarde.

Ao longe vejo aproximar-se o ordenança, que corre enterrando profundamente na areia as sandálias de praia. Aquele rapaz idolatra-me. Está comigo há quase doze anos e já passámos imenso juntos; talvez traga alguma mensagem importante.

Talvez seja hoje o dia de carregar as mulas e os dromedários; e quem sabe, partirei à noite com a minha companhia de Meharistas em direcção a Aischa, e aos secretos poços de água fresca.

Chega finalmente perfilando-se numa saudação impecável, deixando ver no antebraço direito a tatuagem do Yu-Gi-Oh!, com a madeixa castanha a pender-lhe sobre os olhos.

– Pai! Os pimentos estão a deitar muito fumo. Acho que se vão queimar…

Precipitadamente levanto-me e bebo metade do pastis de uma assentada. Que sabor horrível! Não admira que esteja na garrafeira há tanto tempo…

Música de Fundo
“Say It Isn’t So”Bon Jovi


sexta-feira, 23 de julho de 2004

O homem que tocava guitarra de fado

Na despensa da casa onde nasci, havia uma guitarra em forma de coração que nunca vi ninguém tocar.

Quando a minha avó casou e se mudou para lá, a sogra não lhe conseguiu dizer a quem pertencera. Não tem metade das cordas e a madeira acabou por estalar um pouco; tal como qualquer pessoa, aquela guitarra morreu há muito tempo. E seguindo a tradição familiar, transladei-a para minha casa onde se mantém.

Durante três gerações ninguém a ouviu cantar.

Á semelhança dos outros miúdos de Alfama, para mim a guitarra era algo que se acompanhava á viola e com uma voz minimamente decente.

Os homens ouviam bebendo vinho tinto. E dependendo do estado de espírito despertado pela música, ou ficavam a olhar em frente com ar sonhador ou andavam ao murro e pontapé até tudo se diluir, de mistura com o tinto “especial”.

Não oiço um disco de fado. Em contraponto com o cantado ao vivo, comparo-o aos gemidos comerciais de uma prostituta, tentando convencer o cliente de que se passa alguma coisa… Fado… Só o nome me dava sono.

Porém alguns anos depois reconsiderei. E a culpa foi dos Espanhóis (para mim aquela malta tem imensas culpas).

Acidentalmente descobri Joaquin Rodrigo um dia em que vi um velho de dedos gorduchos dedilhando uma guitarra. Era André Segóvia, mas o nome não me dizia nada na altura, apenas a música. Se fechar os olhos, ainda me lembro do que senti dessa primeira vez (assim como da primeira vez de todas as outras coisas).

Gastei o que nessa época era para mim uma fortuna, em quatro discos da Deutsche Grammophon que ouvi até se transformarem em meros pratos de vinyl, inúteis e quase sem espiras.

Um dia em que me encontrava a meio de uma daquelas discussões idiotas sobre as virtudes de “nuestros hermanos”, que defendia pela música (era o que conhecia na altura); o meu oponente que usava umas patilhas tipo rabo-de-bacalhau, olhou para mim como se eu fosse neto do Miguel de Vasconcelos e disse – Ouve o Carlos Paredes! – E virando-me costas, saiu.

Apesar de só o tom de voz que usou ser suficiente para que eu desprezasse o conselho, uns dias mais tarde acabei por o fazer.

Comecei por compreender porque gosto tanto de Joaquim Rodrigo. A alma da música espanhola tem parecenças com a nossa; e essa tinha acabado de a encontrar. Não através dos dedos gorduchos de um velho, mas de um tipo de óculos e cabelo encaracolado com dedos compridos, que se eu visse na rua não me despertaria a atenção. Mas que nunca mais esqueci, nem deixei ou deixarei de ouvir.

E foi logo hoje, num dia em que tudo começara mal, que me deram a notícia da morte do homem que tocava guitarra de fado.

Música de Fundo
“Fantasia Para Un Gentil Hombre”Joaquin Rodrigo/André Segóvia
(Pode-vos parecer estranho, mas não é.)
 



Manhãs Raivosas

Olhei-o bem no centro daquela carinha de parvo. – Have you ever danced with the Devil by the pale moonlight? – Mas depois achei que seria perder tempo, pois o tipo mesmo que lho traduzissem não iria perceber nada.

- Tá bem, pá! Encurtamos o prazo de execução e anulamos a última factura. – Disse-lhe em substituição. – Mas se o pagamento se atrasar novamente, meto ao banco aquele vosso cheque careca que ainda lá tenho.

Para selar a nossa eterna amizade ainda tentou pagar-me uma mini; mas eram apenas oito e meia da manhã… vou começar com uma bica dupla.

Música de Fundo
"The Piano Has Been Drinking”Tom Waits


quinta-feira, 22 de julho de 2004

O Pirata nas Caraíbas
- Ou as férias de meu amo -
 
Que se acautelem os espectros de Drake, Morgan, Hook e outros industriais! Meu amo vai de férias para a América Central; mais propriamente para a terra onde fazem os charutos que eu gosto.
 
Como não poderia deixar de ser, coube a este vosso infeliz narrador a espinhosa tarefa de evitar que ele para lá vá dar mau nome ao nosso país; ou mesmo ao ramo da Construção Civil, cuja reputação já por si pouco tem de lisonjeira.
 
Trata-se por exemplo, de o ajudar a escolher camisas com padrões que não atraiam o sistema de rastreio dos mísseis terra-ar.
 
Explicar-lhe que o facto de os naturais falarem castelhano, não implica que o compreendam, só porque ele muda a pronuncia ao mau português que fala.
 
E definitivamente, condicioná-lo para que não entre por Cuba adentro como se fosse depor Fidel de Castro, tomar o poder e decretar feriado no dia do seu aniversário.
 
É claro que ele já sonha com uma praia em que se encontra rodeado por simpáticas e curvilíneas morenas que lhe trazem “Mojitos”.
 
Eu na realidade também sonho com as férias dele, mas num registo um pouco mais hollywoodesco.
 
Nos últimos dias dou por mim imaginando-o a ser estimulado com a ponta de um sabre, para caminhar ao longo da prancha em direcção a um cardume de tubarões-gourmet.
 
O Capitão Morgan ri deliciado, aspirando uma pitada de rapé, quando entro eu em cena envergando a tradicional pala no olho e ordeno em voz portentosa – Parem imediatamente com isso!
 
Todos os piratas se viram para mim com aspecto ameaçador. Morgan sentindo-se desafiado encara-me com os olhos chispantes, enquanto lentamente aproxima a mão da pistola de pederneira.
 
Esticando o braço teatralmente em direcção ao manietado turista, encaro os flibusteiros que se vão aproximando e digo-lhes – Cambada de bestas! Ao menos tirem-lhe primeiro o relógio de ouro…
 
Música de Fundo
“Pirate Love”New York Dolls 
  

Suposição
 
Era suposto procurar-te
incansavelmente
Gastando os meus melhores anos
revirando estrelas e montes de folhas castanhas
 
Supunha que tudo
bom ou mau, teria sempre recompensa
e procurei
 
Juro
 
Não fiz outra coisa
a ponto de o tempo se atrasar para mim
só para me permitir procurar ainda mais
 
nos locais errados
ou muito cedo
ou demasiado tarde
 
Supus um dia ter-te encontrado
Mas é claro que não
não teria lógica
 
Que pode saber um homem
a viver de suposições?
 
Música de Fundo
“Pain” - Everlast
 

A Igreja do Imaculado Blog
- Direito de Antena –
 
Em reacção à recente onda de erotismo que varreu este blog, foram-me enviados vários mails de protesto (alguns deles ficarão carinhosamente guardados na minha colecção). O que a seguir transcrevo ao abrigo do protocolo inter-seitas, foi-me enviado pelo Abade Leocádio do Seminário de São Domingos de Silos.
 
*****
 
“Epistola à Igreja do Imaculado blog – Sobre os escritos do Demo e outras leituras educativas”
 
Caríssimo Oldman, espanta-me que um homem santo cuja fama chegou a Antioquia e arredores, se tenha deixado tentar pelo espírito das trevas a ponto de propagar a prática de tal pecado, como o é o erotismo. Essa maldição que o Criador suspendeu sobre as nossas cabeças.
 

Nunca tinha considerado essa posição (Nota do Editor)
 
A sua descrição detalhada das abominações praticadas com os órgãos destinados à alimentação e à procriação, não deixa de arrepiar a minha alma de homem de Deus.
 
Até hoje, o seu blog era uma leitura referência para todos os noviços do meu mosteiro. Entretínhamo-nos amiúde a tentar adivinhar qual o aspecto do seu amo ou do Apóstolo. Este último (o nosso favorito), sempre o idealizámos como um sábio homem de longas roupagens brancas e dedicado aos mistérios da vida.
 
Tivemos inclusive entre nós, um dos pombos de Blog que venerámos piamente, até repararmos que era uma rola; mas o arroz também ficou uma delícia e agradecemo-lo ao Senhor.
 
Mas desde que esse insidioso folhetim viu a luz do dia, que nunca mais ouve descanso nesta casa. Começaram a ser apanhados baralhos de cartas com mulheres nuas na revista das sextas-feiras, alguns deles até com notas de rodapé e anotações técnicas e escatológicas.
 
Um dos seminaristas chegou até a contrabandear um telescópio para dentro das instalações, que alugava aos colegas para espiarem as operárias da Fábrica de Confecções Triple Marfel a tomar banho nos balneários antes de saírem; uma vergonha.
 
Temo que a nossa santa firewall, tenha sido já programada para barrar o acesso ao seu acintoso blog. O que irá manifestar-se num decréscimo de 75% dos hits que tem diariamente.
 
É uma pena que a relação aberta que se mantinha entre as nossas igrejas, fique assim ameaçada, e eu já não terei mais o prazer de ler as suas descrições dos passeios de domingo em bicicleta pela cidade de Blog.
 
Para terminar, só lhe peço que me envie uma cópia dos referidos textos, para que o Santo Ofício os possa estudar; e após esclarecida censura os carimbe com o “nihil obstat”, permitindo-nos a leitura das partes menos escabrosas.
 
Despeço-me com um abraço fraterno, aguardando que veja a Luz (não é essa mocinha que escreve para aí) e regresse ao redil para fazer as delícias destes seus fiéis leitores que tanto o admiravam.
 
Seu irmão na Fé
 
Leocádio o “Longo”
 
*****
 
Música de Fundo
“She Sells Sanctuary”The Cult 
  

quarta-feira, 21 de julho de 2004

O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa (4)
- Capítulo Quarto –
 
O sol nascia já na pequena janela do quarto, quando Beatriz regressando da casa de banho foi ao mini-bar buscar um iogurte de morango. Sentou-se ao fundo da cama, e ficou a observá-lo dormindo enquanto saboreava todas as sensações guardadas da noite anterior.
 
Ele adormecera exausto, com a toalha do banho ainda enrolada à cintura, e a sua face em repouso dava-lhe um ar agarotado que não transparecia quando acordado e alerta para tudo.
 
O peito largo movido pela respiração calma do sono, assemelhava-se a uma jangada sobre suave ondulação. Era impossível não gostar de um menino grande, tão meigo quanto capaz das coisas mais terríveis… Assustava-a sempre um pouco estar com alguém que não colocava limites a nada.
 
Mas não mantinha expectativas. Gostava apenas, e não estava para se auto-analisar em busca de razões para a sensação de confortável calor que isso lhe fazia sentir no estômago.
 
Não andava à procura de sentimentos intensos e profundos. Queria apenas sentir, fosse o que fosse, e principalmente não pensar muito nisso. Desde que ajudasse a preencher os anos de vazio que acumulara dentro de si, e dos quais estava em fase de libertação.
 
Distraidamente apercebeu-se que no centro da toalha de algodão turco, se começava a destacar um relevo que crescia lentamente.
 
Era uma das coisas engraçadas que os homens tinham, como se aquela parte do corpo fosse a primeira a acordar e tivesse uma vida e um sistema nervoso independentes... Tão constante pela manhã como a aspereza da barba, mas muito mais agradável; embora não fosse esse o termo que normalmente usava para a classificar.
 
Pousou no chão ao lado da cama o iogurte meio comido, e lentamente para não o acordar desentalou-lhe da cintura a ponta da toalha que afastou. Expondo-lhe o membro, que sob o efeito do ar fresco estremecia elevando-se semi-erecto na perpendicular; nascendo como um caule de uma floresta de pêlos encaracolados.
 
Com a ponta do indicador, percorreu-lhe o comprimento desde a base peluda até à ponta rosada e carnuda, sentindo pelo caminho o alto-relevo das veias enrijecidas. Aproximando um pouco mais a cabeça, usou a ponta da língua para lhe sentir a linha divisória que circundava o topo, entre a pele e a carne.
 
Lambeu o nervo esticado que terminava no pequeno orifício de lábios minúsculos, em tudo semelhante a uma boca. Estranhamente, quase tudo no sexo terminava em algo parecido com uma boca, pensou.
 
Humedeceu os lábios, e com eles abraçou a extremidade aveludada semelhante a um morango, que deixou encostar à língua sentindo-lhe o pulsar do sangue em pequenos estremecimentos; e o sabor levemente picante que lhe fazia lembrar tremoços.
 
Ele resmungou algo a meio do sono, mexendo-se apenas um pouco sem chegar a despertar.
 
Apoiada nas mãos ao lado das ancas dele e colocando-se ligeiramente de lado, baixou a cabeça fazendo descer o prepúcio com os lábios, sentindo a boca preencher-se-lhe até à base da língua.
 
Ele deu mostras de querer despertar, movendo uma das mãos erraticamente até lhe tocar a face.
 
Segurando-lhe o pulso ela retirou a sua boca do membro, sussurrando-lhe meigamente – Não te mexas…
 
Ele abriu os olhos um pouco estonteado, vendo uma cascata de cabelo castanho que caía sobre a sua barriga, e para lá dela dois seios brancos apoiados numa das suas pernas. 
 
Respirando fundo, colocou os braços ao longo do corpo e deixou-se envolver pela doce sensação que ela lhe causava.
 
Desviando o cabelo da cara com uma das mãos, Beatriz pegou no iogurte que se encontrava pousado no chão, e mexeu o conteúdo com um dedo para o tornar mais fluído; colocando um pedaço sobre o topo do pénis, por onde espalhou a matéria cor-de-rosa como se fosse a cobertura de um bolo.
 
Retirou o excesso em volta com a ponta da língua, e foi chupando pedaços em pequenos beijos, enquanto observava no rosto dele o efeito causado.
 
Eduardo esticou o pescoço para trás, sentindo a barba de um dia roçar pela almofada e a maçã-de-adão oscilar a compasso da respiração irregular; enquanto mais para baixo a pele dos testículos se enrugava ligeiramente comprimindo-os sob o efeito das carícias que ela fazia com a palma da mão.
 
Ela desceu novamente a cabeça, acolhendo-lhe o membro no seu húmido e macio abrigo até o sentir quase chegar à garganta.
 
Ele gemeu um pouco mas não a tentou agarrar. Sentia um agradável calor que se lhe começada a espalhar pelas pernas, e para evitar segurar-lhe a cabeça agarrou as pontas da toalha de banho.
 
Beatriz iniciou um curto movimento de “vai-e-vem “, e endireitando o pescoço, forçou a boca um pouco mais para baixo até quase se engasgar. Sentiu-o estremecer encostado à sua garganta, e cerrou completamente os lábios à volta do pénis sugando-o como se o quisesse engolir.
 
Lentamente deixou-o sair, e deslocou-se sobre o corpo do companheiro sentindo o membro molhado deslizar numa arrepiante delícia, entre os seus seios, o estômago e o umbigo, até se deter com a cara ao nível da dele, beijando-o longamente, dardejando com a língua…
 
Com a mão direita segurou-lhe o membro, e descendo um pouco as ancas guiou-o até o fazer entrar em si, saboreando a doce fricção deste ao roçar pelo seu interior.
 
Elevou o tronco sentando-se sobre ele como uma amazona, e espalmando-lhe as mãos sobre o estômago apoiou-lhe todo o peso sobre as pernas, cavalgando-o enquanto o cingia com os joelhos.
 
Ele efectuou com as ancas movimentos circulares, rodando um pouco dentro dela, com um sorriso de prazer estampado na face.
 
Ela sentiu-lhe a presença quente dentro da barriga, e flectindo as pernas começou a subir e descer alternadamente ao longo do pénis; saboreando os embates do monte-de-vénus contra o abdómen rijo sobre o qual saltitava.
 
Teve pena que o espelho não estivesse suficientemente baixo para se ver nele; pois gostava de admirar os pormenores dos corpos durante o acto. Levantou-se, um pouco e observou o membro molhado que deslizava para dentro e fora da sua vulva, como uma peça bem oleada produzindo um pequeno ruído de sucção.
 
Inclinou-se de novo para a frente deitando-se sobre ele, esmagando os seus seios contra o peito rijo. Colocou-lhe os antebraços sobre os ombros e cobriu-lhe a cara de beijos, enquanto mais a baixo o sujeitava com os joelhos.
 
Ele apanhou-lhe a boca com os dentes, mordiscando-lhe a língua enquanto com as mãos lhe segurava as nádegas, ajudando e tornando um pouco mais forte o movimento que a empalava em si.
 
Beatriz deixou-se ficar deitada sobre o peito dele, apertando-o num abraço e contraindo os músculos vaginais à volta do membro, que entrava e saía cada vez mais rápido; forçando o clítoris a bater mais em baixo, cada vez mais depressa.
 
Firmou-se nas mãos impulsionando-se para baixo com toda a força, sentindo-o entrar violentamente até ao fundo de si, a abrir mais caminho como se isso fosse ainda possível.
 
Sentiu algo rebentar dentro de si, como uma pequena explosão que se fez sentir por todos os terminais nervosos do seu corpo; enquanto a vulva se lhe contraía espasmodicamente como que por efeito de descargas eléctricas. Mordeu-lhe os lábios percorrida por uma avassaladora vaga de prazer, que a fez saltitar sobre ele revirando um pouco os olhos castanhos cor de mel.
 
Ele estremeceu descontroladamente sob o seu corpo, cravando-lhe os dedos na carne e puxando-a contra si; enquanto a invadia com uma onda quente que se espraiava dentro dela. Ficando lá no fundo como um pedaço de espuma esquecido sobre a areia.
 
Ela soltou um grito agudo do fundo da garganta, deixando-se ficar deitada com a cara sobre o peito dele enquanto um último estremecimento a percorria; e suspirou, sentindo-se como uma praia assolada pela rebentação das vagas. Aspirando o cheiro levemente salino que pairava entre os seus dois corpos.
 
Respirando em uníssono, adormeceram novamente enlaçados…
 
Música de Fundo
“La Folie”Stranglers 
  


Pequeno Intervalo Informativo
 
Dentro de poucas horas, sairá o quarto capítulo do conto erótico que aparentemente tem feito as delícias de uma pequena percentagem da blogosfera. Agora que já me gabei, informo igualmente que os capítulos deste começarão a ser mais espaçados entre si.  Pelo que se postarão outros textos entre os do conto; o que eu penso que agradará à percentagem de leitores que não se interessa por sexo. 
  
Música de Fundo
"Truly, Madly, Deeply" - Savage Garden

 

terça-feira, 20 de julho de 2004

Vão lá dar os parabéns á Ruivinha que bem merece.

 
O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa (3)
- Capítulo Terceiro -
 
Após levantar a vista da folha de fax, ele reflectiu um pouco e premiu um botão do telefone pedindo à assistente – Sandra, faça uma nota para que na sexta-feira todos os técnicos cá estejam da parte da tarde, mesmo que tenha que anular as intervenções agendadas. Vai haver uma reunião sobre as reclamações na assistência, e a perda dos dois contratos de manutenção este mês. Obrigado!
 
Aproximou-se da janela, e através do vidro grosso contemplou enfadado a leve neblina carbónica que cobria o Monsanto; como um bafo venenoso exalado por milhares de salamandras.
 
Tinha já despachado o trabalho do dia, e no PC a placa de TV captava as notícias da tarde. Passou o dedo entre o colarinho da camisa e o pescoço. O maldito ar condicionado andava novamente com problemas de atitude, e a temperatura não era das mais confortáveis.
 
O telemóvel manifestou-se através de um trinado musical, iluminando o ecrã. Era o número dela.
 
- Olá! – Saudou ele num tom afectuoso enquanto fechava a porta do gabinete – Senti imenso a tua falta; já passou mais que uma semana desde que nos vimos…
 
Do outro lado ela soltou uma risada breve. Era uma das coisas que ele gostava nela; ser como uma ave, sempre alegre e com um sorriso para cada momento.
 
- Arranjei uma desculpa para ir aí abaixo. – Disse-lhe ela – Mas vai ter que ser de outro modo, porque senão tenho a minha irmã à perna e não nos podemos encontrar. Ainda por cima morando vocês na mesma zona.
 
- Podíamos ir para Sintra ou Cascais, - Propôs ele – além de ser diferente, não corríamos o risco de ela nos apanhar.
 
- Não dá mesmo! – Contrapôs ela – Depois explico. Vem ter comigo à Área de Serviço de Aveiras-Sul aí por volta das sete, Tá? Um beijinho…
 
Ele vestiu o casaco e dirigiu-se para o ascensor, pegando de caminho as chaves do carro de serviço que se encontravam na gaveta a criar ferrugem. Detestava conduzir. Era daquelas coisas com que embirrava, tal como com a música idiota que tinham a mania de transmitir nos elevadores.
 
Chegado ao estacionamento entrou no automóvel, certificou-se da presença dos documentos no porta-luvas e ligando leitor de CD’s saiu; embrenhando-se no trânsito denso do final de tarde.
 
Alguns quilómetros e vinte e cinco músicas depois, desacelerou e fez a curva para o acesso à área de serviço, estacionando nas traseiras junto ao compressor do ar. Comprou uma revista na tabacaria e voltou para a viatura, onde passou alguns minutos a ler até que ela lhe bateu no vidro.
 
- Olá, mor! Chegaste há muito tempo? – Perguntou-lhe ela. Vestia um conjunto discreto de saia e casaco, e tinha mudado ligeiramente a tonalidade dos cabelos castanhos.
 
- Estou aqui quase há uma hora – mentiu ele para a arreliar enquanto saía do carro – pensei até que já não vinhas e preparava-me para voltar para Lisboa. – Mas ao ver que ela aparentemente acreditava, riu-se e beijou-a carinhosamente. – Não! Devo ter chegado talvez há dez minutos no máximo.
 
Ela por vingança tentou fazer-lhe cócegas e abraçou-o, propondo em seguida – Estou cheia de sede. Queres ir àquele restaurante ali o lado tomar uma bebida. Podíamos até comer qualquer coisa ligeira antes de irmos, para não gastarmos muito tempo a jantar.
 
Ele reparou num letreiro indicativo de restaurante, que se encontrava no edifício mais à frente e concordou, embora não tivesse muita fome.
 
Entraram sentando-se perto da janela e pediram dois gin & tonic, enquanto por debaixo da mesa os seus joelhos se encontravam, matando saudades longe de olhares curiosos.
 
Ela explicou que trazia uns livros esquecidos pela irmã em casa da mãe, e que se tinham tornado necessários para um trabalho de curso – Eu telefono-lhe e digo que vai um amigo entregá-los. Assim temos uma noite inteira só para nós.
 
- Mas a miúda nem me conhece. Ainda por cima qualquer dia acaba por me ver pois mora a dois quarteirões da minha casa. Acho que vamos arranjar complicações com isso…
 
- Deixa – Sossegou-o ela – eu digo que és um cliente do Jorge, que passou por Coimbra e a quem pedi para lhe entregar os livros. Como ela o detesta, e ainda por cima agora que nos estamos a divorciar, dificilmente lhe vai falar disso.
 
Ele apreciou aquela sua faceta organizada – Não há muitas mulheres assim, sabes? – Disse enquanto roçava a sua perna pela dela. – Um dia que queiras trabalhar comigo, tens o lugar garantido.
 
Dando um pequeno gole na bebida ela sorriu – Para quê? Para ser tratada como aqueles desgraçados com quem te vejo discutir ás vezes ao telefone? Íamos ter gritaria todos os dias…
 
- Sim. – Concordou ele – Mas depois poderíamos fazer as pazes à mesa de reuniões. De preferência em cima – Disse com uma risada, enquanto olhava em redor com ar inocente.
 
- Deixa-te de parvoíces – Disse falsamente zangada – Estás sempre a provocar-me…
 
Aproveitando a proximidade de um empregado, pediram uma omeleta e salada que comeram calmamente, enquanto as banalidades que trocavam seriam facilmente desmentidas pelos olhares que lançavam um ao outro.
 
Findo o jantar, escurecia já quando saíram para o estacionamento. – Levamos o meu carro! – Disse ela – Eu sei que não gostas de conduzir. Assim no regresso, deixo-te aqui e recolhes o teu.
 
- Ora aí está uma bela ideia. – Aprovou ele, puxando-a para si e aflorando-lhe a orelha com os lábios – Acho que há um pequeno hotel perto do acesso à auto-estrada a poucos minutos daqui. Eu indico-te o caminho.
 
Ela encostou-se ao automóvel, enquanto ele lhe acariciava um seio por cima da blusa – É melhor irmos andando. – Disse-lhe, afastando-o meigamente – Se não houver vaga temos que procurar outro hotel e depois torna-se tarde.
 
Ele concordou e embarcaram, dirigindo-se para a saída da auto-estrada.
 
O hotel era uma unidade pequena de três estrelas, discreto e já com uns anos de uso mas parecia acolhedor.
 
Fizeram o check-in registando-se como casal. Apesar de ambos usarem aliança, quem os observasse atentamente, notaria que além de não levarem bagagem, não aparentavam aquele à-vontade casual característico dos casais.
 
Entrando, ele pousou a chave sobre um pequeno balcão de granito que servia de aparador por debaixo de um espelho, enquanto ela olhava em redor. O quarto era pequeno mas confortável. Uma cama larga, mini-bar e a televisão da praxe; nada demais.
 
Encostando-se um pouco a ela, ele aplicou-lhe um pouco de pressão com a pélvis e beijou-a, começando a despi-la. – Espera um pouco – pediu ela, enquanto tirava cuidadosamente o casaco, que colocou dobrado sobre a cadeira ao lado. – Não quero sair daqui toda amarrotada…
 
- Bem, - riu-se ele, abraçando-a novamente – isso já não posso garantir. Ás vezes deixo-me empolgar um pouco, mas não é por mal. – beijou-lhe a pequena depressão na base do pescoço, e com um gesto rápido livrou-se por sua vez do casaco, que atirou para cima da mesa.
 
Mordiscando-lhe os lábios, começou por desapertar os botões enquanto lhe descia com a boca pelo meio do peito. Deixou-lhe a blusa ainda um pouco entalada na saia e começou a levantar esta lentamente, enquanto lhe passava as mãos pelo acetinado das meias, provocando pequenas descargas de electricidade estática.
 
Ela retirou-lhe a gravata que pousou ao lado no balcão, começando a despir-lhe a camisa que lhe ocultava os ombros fortes. Pela primeira vez reparou na pequena cicatriz que ele tinha no peito esquerdo debaixo dos pêlos. Beijou-lha sentindo um pouco de comichão no nariz, enquanto aspirava o odor levemente parecido com madeiras e especiarias.
 
Ele abriu-lhe o fecho da saia que caiu no chão. Reparou que desta vez ela trazia um conjunto interior de renda preta, que lhe realçava a alvura da pele. Acariciou-lhe as ancas, deslizando para a parte interior das coxas com as suas mãos fortes mas suaves, que a ela sempre provocavam pequenos arrepios de prazer.
 
Acabou por tirar-lhe a blusa, beijou-lhe a pele dos seios e num gesto breve desapertou o fecho do soutien, que ficou pendente apenas à espera que o fizessem cair.
 
Ela desapertara-lhe o cinto e um botão das calças, agarrando no interior destas o relevo duro que se formara por debaixo do tecido esticado.
 
Pelo espelho ele viu-lhe as costas lisas e brancas, com um pequeno sinal na base do pescoço, e esticando o pescoço por cima dela tentou beijá-lo, enquanto sentia que ela lhe agarrava o sexo com a mão macia.
 
Passou-lhe a língua pela curva do pescoço junto ao ombro, e foi descendo até aos seios já descobertos. Os mamilos dela começavam a enrijecer-se como pequenas cerejas, à medida que ele os circundava com a língua.
 
Entretanto as suas mãos tinham subido até à base das nádegas, que acariciou esticando os dedos um pouco mais para dentro sobre as cuecas de renda negra.
 
Puxando-a para si, levantou-a e fê-la sentar sobre o pequeno balcão, inclinando-a para trás até lhe apoiar as costas no espelho. E baixando-se começou a beijá-la da curva da cintura até ao umbigo onde parou um pouco; acabando por descer até à parte interior das coxas.
 
Levantou-lhe um pouco a perna esquerda e beijou-a na virilha, o que a fez soltar um pequeno suspiro.
 
Ela segurou-lhe levemente a cabeça, enfiando os dedos pelo cabelo curto, enquanto semi-cerrava os olhos e respirava audívelmente.
 
Acabando ao mesmo tempo de tirar as calças, ele continuou a percorrer-lhe a pele branca com a língua, e afastou-lhe o tecido das cuecas até estas descobrirem o monte carnudo coroado com um macio tufo de pêlos, sob os quais se iniciava um pequeno sulco que acariciou demoradamente.
 
Com dois dedos abriu-o um pouco, permitindo-lhe a visão de um abrigo rosado que se assemelhava a uma boca de lábios húmidos. A pressão das mãos dela sobre a sua nuca tinha aumentado, tentando conduzi-lo com a urgência do desejo.
 
Sem se apressar, ele lambeu-lhe o rebordo da vulva arrancando-lhe pequenos gemidos; e segurando-lhe firmemente as pernas, introduziu-lhe finalmente a língua esticando-a o mais que podia enquanto lhe imprimia movimentos coleantes.
 
Ela estremeceu, sentindo a língua dele retirar-se um pouco e começando a rodear-lhe o clítoris tenso de prazer. Colocou-lhe as pernas sobre os ombros, atraindo-o mais a si com os calcanhares bem apoiados nas costas.
 
Ele elevou a cabeça roçando a face pelo monte-de-vénus, enquanto se livrava dos slips antiquados que usava. Fez-lhe deslizar as pernas dos ombros até aos braços e segurou-a pela parte interior dos joelhos, encostando-lhe à barriga o pénis erecto que ela acariciou com ambas as mãos e dirigiu para baixo humedecendo-o em si.
 
Beijando-a sofregamente ele introduziu-lhe o membro lentamente ao mesmo tempo que se erguia um pouco enganchando-a finalmente com um golpe mais duro que lhe arrancou um gemido.
 
Nessa posição acomodou-a um pouco melhor sobre o balcão, começando a mover-se lentamente dentro dela em investidas profundas, ás quais ela respondia com sons curtos de mistura com palavras ininteligíveis que ela lhe murmurava ao ouvido.
 
Um pouco depois, colocou-lhe os braços à volta do seu pescoço e fazendo-a abraçar-lhe as ancas com as pernas, segurou-a por baixo encostando-lhe os dedos à base da vulva que massajou demoradamente.
 
Ela firmou os braços e as pernas sentindo que ele a levantava em peso, e a fazia subir e descer ao longo do membro enquanto a observava pelo espelho em frente.
 
Ela mordeu-lhe um ombro enquanto sentia um calor agradável espalhando-se do estômago em direcção ao peito e à barriga; e cerrou os olhos como que para melhor reter o momento na sua mente.
 
Ele transportou-a assim suspensa até à cama, onde a pousou atravessada e livrando-se do tapete fincou os pés no chão, impulsionando-se contra ela em arremetidas secas. Ela agarrou-se à colcha com as duas mãos e deixou-se ir, indicando-lhe o ritmo com as pernas que o aprendiam num abraço bem apertado.
 
Retirando um pouco o pénis para arrefecer, ele passou-lho pelos molhados lábios da vulva e encostou-o um pouco mais abaixo entre os dois hemisférios carnudos.
 
Com o polegar bem humedecido em saliva, acariciou-lhe levemente o clítoris enquanto avançava um pouco.
 
Ela sentiu a glande a abri-la lentamente. Relaxou um pouco os músculos fazendo-a entrar um pouco, e guiando-o com a mão fê-lo parar um pouco para que não lhe doesse.
 
Com a mão livre ele acariciou-lhe um seio e inclinou-se um pouco para a frente, deixando ver através das pálpebras entreabertas os olhos verdes incendiados de paixão. Levou o polegar aos lábios molhando-o bem, e abriu-a com os dedos introduzindo-lho na fenda como se fosse um pequeno pénis.
 
Ela soltou um gemido abafado, e sentiu que ele aproveitava para penetrar mais fundo dentro de si; provocando um pequeno prurido que contribuiu para a onda que se começava a formar, e se expandia em direcção ás ancas que começavam a estremecer involuntáriamente.
 
Passou a língua pelos lábios soltando um som rouco do fundo do peito, dando início a uma série de pequenas contracções.
 
Ele sentiu o membro enterrar-se mais fundo nela, e através dele todos os pequenos estremecimentos que a percorriam; ouvindo-lhe os gritos que se formavam no fundo da garganta e que teimavam em saír através dos dentes cerrados.
 
Retirou um pouco o polegar e pressionou-lhe o clítoris num movimento ritmado, que a conduziu por fim a um orgasmo violento acompanhado de pequenos gritos.
 
Agarrou-a com firmeza e penetrou-a até ao fim, sentindo um arrepio que começava na base da coluna e lhe atravessou os testículos como um raio através de uma tempestade.
 
Soltou um pequeno rugido abafado ao ser percorrido por um espasmo, que o fez deitar-se sobre  o peito dela ainda sobressaltado pela respiração irregular.
 
Beijou-a meigamente. E soltando um suspiro, descansou a cabeça entre os seus seios.
 
Música de Fundo
“Talk To Me, Dance With Me”Hot Hot Heat 
  

Sorry!
 
As minhas mais sinceras desculpas a todos ops que ontem possam ter esperado pelo 2º Episódio do conto erótico, mas o disco do meu PC decidiu-se finalmente a dar o berro.
 
Pelo que talvez só lá para a hora de almoço sairá.
 
 

segunda-feira, 19 de julho de 2004

O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa (2)
- Capítulo Segundo -
 
- “Amor é uma palavra que se dá como um beijo…”, onde é que arranjaste este postal? – Perguntou ele rindo, enquanto revirava entre os dedos o rectângulo de cartolina – Deram-to pelo dia dos namorados?
 
- Não sejas abelhudo! – Advertiu-o ela, atirando as chaves para cima do aparador após se ter desfeito do casaco. – São as coisas da minha irmã, e ela não gosta que lhe mexam em nada. Além de ter mau feitio, sabe sempre os lugares onde deixa tudo.
 
Ele, pousou cautelosamente o postal no móvel ao lado de uma colecção de frascos antigos em vidro colorido, e levantou os braços como se tivesse sido feito prisioneiro. – Pronto! Já nem me mexo mais. Espero não ter que calçar luvas para estar aqui… ou pantufas.
 
Ela deitou-lhe os braços ao pescoço. – Não foi das tuas melhores piadas. Basta que não mexas em nada e mantém-te perto de mim, assim pelo menos não vais arranjar confusão. – Beijou-o levemente, conduzindo-o de seguida seguro pela t-shirt até ao único aposento que servia de sala e quarto.
 
Era uma casa típica de mulher só, se é que isso existe. Cortinas, almofadas, uma boneca de louça sobre a cama… Talvez não visse aspirador há algum tempo, mas encontrava-se razoavelmente arrumada; demonstrando um certo cuidado e organização.
 
- A minha irmã estuda no ISLA. – Explicou ela – e saiu hoje de manhã para um passeio com os colegas do curso; só volta daqui a quatro dias. É pena, que podíamos aproveitar esse tempo, mas tenho que voltar amanhã para casa…
 
- Não moras cá? – Surpreendeu-se ele – Não chegámos a falar disso, mas pensei que eras aqui da zona. Supus apenas... E vais voltar amanhã? Para onde?
 
- Coimbra. – Respondeu ela deixando cair a palavra lentamente, como se tivesse medo que algo se partisse. – Mas venho muito cá abaixo, principalmente por causa dela que mora aqui sozinha. A nossa mãe não a quer por aí à solta com dezanove anos. E embora – disse rindo – não sirva de nada, venho até cá abaixo só para que ela fique descansada.
 
Ele pensou em dizer alguma coisa sobre isso, mas a única coisa que lhe ocorreu foi – Coimbra é muito longe, realmente… - Só então reparou nos sapatos – Porra! Tenho os pés cheios de areia. Pensando bem, se fossem só os pés não era mau; isto mete-se em tudo.
 
Queres tomar um duche? – Ofereceu ela – Eu também estou a precisar. E de lavar o cabelo, mas isso fica para depois.
 
Ele passou-lhe o braço pela cintura atraindo-a para si, e roçando a face pela dela disse para dentro dos cabelos que ainda cheiravam a mar. - Só se me deixares ensaboar-te. Sou um bom assistente; sabes? Se um dia ficar desempregado sempre posso ir trabalhar para um lar, a dar banho a velhotas ricas.
 
Ela riu, soltando-se dele e atirando-lhe com uma almofada. – Mas nada de ideias, que eu tenho imenso medo de cair na banheira. É das antigas em esmalte e escorrega como tudo.
 
A banheira era realmente uma “fábrica de fracturas”, pelo que apenas tomaram duche. Era a primeira vez que ele lhe via o corpo em toda a sua nudez. Passou-lhe gel de banho pelo pescoço e os seios, desenhando círculos lentamente com a esponja e as mãos. Beijou-a carinhosa e repetidamente quando ela lhe fez o mesmo, o que lhe despertou novamente o desejo.
 
Depois ensaboou-lhe os ombros, as costas e as nádegas; passando com a mão por debaixo destas e puxando-a para cima. Mas ela tinha razão. E após escorregarem inúmeras vezes no meio de risadas e gritos de alarme, secaram-se um ao outro saindo da casa de banho envolvidos apenas numa pequena nuvem de vapor.
 
- Podes vestir o meu roupão. – Disse-lhe ela – Eu uso o da minha irmã, e assim ela não vai notar um cheiro diferente. Senão lá se vão todas as lições de moral que lhe dou.
 
O roupão era um pouco acanhado para ele e mal fechava à frente, pelo que se sentou na cama ligeiramente de lado, enquanto ela regressara à casa de banho para pôr um pouco de “Island Kiss”.
 
- Queres beber alguma coisa? – Perguntou ela espreitando pela porta – Acho que há Baileys no frigorífico. Se fores buscar traz também gelo, que não consigo beber isso puro. – Retirando-se para dentro quando o viu levantar-se para ir à cozinha.
 
Quando ele regressou, a televisão debitava baixinho um qualquer programa musical, que ela observava distraidamente enquanto deitada na cama compunha as roupas da boneca.
 
Pousando a garrafa na mesinha aos pés da cama, passou-lhe um copo e sentou-se ao lado dela observando-a a humedecer os lábios com o licor, de onde sugou uma pedra de gelo que manteve na boca. Beijou-a e roubou-lhe o gelo que passou para a sua boca, após o que lhe encostou os lábios à orelha.
 
Estás a fazer-me impressão. – Disse ela com um trejeito de menina – Tens a boca fria.
 
Ele riu-se entre dentes, e sem dizer nada tirou-lhe o copo da mão e empurrou-a suavemente sobre a cama. Desapertou-lhe o cinto do roupão de algodão turco, afastou para o lado as duas abas de tecido fazendo-a parecer um anjo de asas abertas; e inclinou-se passando-lhe os lábios pela base do pescoço.
 
Ela estremeceu de antecipação, e um pouco também ao contacto frio da boca que a começava a percorrer.
 
Empurrando o gelo com a língua para a ponta dos lábios, ele desceu-lhe suavemente pelo meio do peito até ao início do estômago onde parou, derivando em seguida para a esquerda. Passou a pequena esfera gelada pela base do seio, contornando-o e iniciando uma espiral que acabava no mamilo.
 
Aí aplicou só a língua, cuja temperatura fez com que o pequeno bico se enrijecesse empinando-se na sua base rosada.
 
Com a respiração um pouco acelerada ela tentou agarrar-lhe na cabeça, mas ele esquivou-se e foi à taça retirar outro pedaço de gelo, que lhe começou a passar pelo centro do estômago descendo sempre e beijando-lhe o rasto molhado que assim ia criando.
 
Contornou a suave curva do umbigo e meteu-lhe dentro a língua, enquanto fazia a pedra de gelo descer mais um pouco, traçando-lhe arabescos pela barriga até a fazer passar para a virilha, de onde o tirou voltando a metê-lo na boca.
 
Deitou-se sobre ela, apreciando a frescura que se desprendia da pele molhada por debaixo de si; fez-lhe sentir o seu peso sobre os seios que húmidos se lhe colaram aos pêlos do peito, e procurou-lhe a boca que beijou devolvendo-lhe o gelo.
 
Livrou-se do roupão e percorreu-lhe o corpo com a mão direita, acariciou-lhe a barriga e introduziu-lhe a mão entre as coxas que estremeceram um pouco e se entreabriram, deixando-o instalar-se entre elas e encostar-se contra a fenda molhada, onde o pénis se acomodou fazendo apenas um pouco de pressão.
 
Enquanto ele oscilava ligeiramente sobre si, ela enterrava-lhe os dedos nos músculos das costas e mordia-lhe carinhosamente o ombro; sentindo o movimento que a pouco e pouco começava a transformar-se em penetração, produzindo um ligeiro som líquido de beijo.
 
Sem aviso ele introduziu-se quase até metade, e levantando-se do peito dela agarrou-lhe firmemente as ancas puxando-a para si, enquanto as pernas dela se erguiam flectidas e os calcanhares lhe pousavam nos ombros. Beijou-lhe um tornozelo e penetrou-a até ao fundo inclinando-se para a frente.
 
Ela gemeu sob o embate do corpo dele que se movimentava irresistivelmente, fazendo-a levantar as nádegas e ficar apenas apoiada nas costas.
 
Com uma mão ele agarrou-lhe ambos os tornozelos, e uniu-lhe as pernas que encostou ao ombro esquerdo, colocando-a ligeiramente de lado. Agarrou-lhe um seio que apertou devagar tomando-lhe a dureza; meigamente e enquanto continuava a movimentar-se, foi-a virando até que esta ficou quase de bruços.
 
Retirou-se de dentro dela e ergueu-a pela cintura.
 
Ela sentiu-se levantada até ficar de gatas na cama. Puxou uma almofada para encostar a cara e deixou-o atrair-lhe os quadris para trás e penetrá-la, até sentir a barriga quente encostada ás suas nádegas que aguentaram o impacto.
 
Pegou-lhe numa mão que ele apoiava na sua anca, e guiou-a até à frente dando-lhe a entender o que pretendia.
 
Ele compreendendo, esticou os dedos até conseguir sentir o seu próprio membro que se movimentava dentro dela; acompanhou o rebordo dos lábios da vulva e começou a massajar-lhe o pequeno pedaço de carne que sobressaía no meio dos pêlos.
 
Ela sentiu-se invadir por uma onda de prazer, e levantou ligeiramente a cabeça para o olhar, enquanto mordia o lábio inferior e os dedos se cravavam na almofada, impulsionando-se para trás.
 
Ele segurou-lhe o ombro com a outra mão puxando-a para trás, cravando-se dentro dela o mais fundo que podia até quase sentir uma leve resistência na ponta do membro. Sentiu que ela lhe chupava um dedo e que começava a estremecer levemente, como que percorrida por uma corrente eléctrica, enquanto pequenas contracções vaginais o continham dentro dela apertando gradualmente.
 
Com a face congestionada e de olhos semi-cerrados, ela sentiu-se invadir por um rio quente que desaguou dentro de si; mas deixou de reparar porque foi percorrida por uma onda de choque que a fez enterrar a cabeça na almofada, onde abafou os gritos que não quis conter.
 
Caíram os dois estremecendo ainda sobre a cama, ficando colados um ao outro como duas colheres numa gaveta. Sentindo a respiração irregular dele sobre o seu pescoço, ela puxou-lhe o braço que a enlaçava, colocando-lhe a mão sobre a sua barriga.
 
No leve torpor que antecedia o sono, pegou no pequeno relógio sobre a mesa de cabeceira que marcava quase duas horas da manhã, e sem saber se ele ainda a ouvia murmurou. – Amanhã vai custar-me imenso despedir de ti…
 
Música de Fundo
“Because The Night”Patti Smith
 
(Á Suivre) 
  

domingo, 18 de julho de 2004

Desculpem lá o mau jeito, mas este "publish" foi só para tirar o "mor" do primeiro capítulo...
Post Intermédio
 
Escrever um conto erótico não é o mesmo que copiar uma receita de “barrigas de freira” do Livro de Pantagruel. O mais difícil, é resistir à tentação de escarrapachar na folha (ou no monitor) uma descrição sucinta de factos acontecidos anteriormente e chamar-lhe história.
 
Isso seria fácil, apesar de o velho H. Miller se ter safo bem com esse sistema. Mas o Henry, além de ser um tipo um pouco ordinário e a quem eu nunca daria a minha carteira a guardar; escrevia assim para chatear um pouco aquela malta de Paris, que nos anos trinta ia para lá tentar encontrar amor e romance, regressando à pátria com grandes doses de penicilina para tomar.
 
Como calcularão o segundo capítulo dificilmente sairá hoje; tentem peneirar areia e usar só as pedrinhas que ficam na rede. Dá trabalho, e hoje é domingo.
 
Não que o “dia do senhor” me diga alguma coisa, mas para mim significa um pouco menos de pressão.
 
Mas já que estamos na fase erótica deste blog (apenas do blog), posso dizer-vos que ao princípio me senti tentado a seguir o exemplo do meu escritor favorito, mandar ás urtigas o razoável e pôr os personagens a copular como dois arminhos.
 
Acho que isso não é propriamente difícil, tanto que sempre gostei de ler o tipo não pelas descrições escaldantes (pelo menos depois dos dezassete anos), mas pelo modo como ele conseguia ver o mundo e pelo seu formidável desprendimento de tudo.
 
Pessoalmente, acho que nunca o convidaria para jantar lá em casa; ou teria que contar as pratas quando ele saísse.
 
O segundo capítulo sairá amanhã ou depois. Sei apenas que se irão separar por um tempo, porque em todos os “casos” existem chatices deste género; ela não sofrerá de cancro nem rapará o cabelo, nem ele se interrogará sobre o significado dessa coisa intangível que sente dentro de si. Principalmente porque existem grandes probabilidades de se tratar de indigestão.
 
Pelos comentários que foram postados entretanto, percebi que aqueles pormenores que existem na vida real, eram o que mais confusão fazia a todos os leitores. É muito bem feito!
 
Numa história que quer parecer real (mesmo que o não seja), existem sempre fluidos corporais, morte, preservativos, roupa interior com bonecos e ás vezes um pouco de maldade quando as coisas dão para o torto. Senão esta história estaria já vendida à Endemol.
 
Uma nota final, para os mais cépticos que tanto insistiram com o pormenor da areia. É realmente possível conseguir rodear o problema, apesar de se estar apenas munido de um blusão ou casaco (não fazemos atendimento personalizado!).
 
Em todo o caso, em vez de um preservativo sempre será melhor levarem dois…
 
Música de Fundo
“Lines In The Sand”Dream Theater 
 
 


O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa (1)
- Primeiro Capítulo -
 
Ele tirou os olhos do relatório trimestral. Não estava a dar grande resultado; os números não encaixavam de modo algum nas previsões ou então tratava-se de uma falha de concentração. O mais certo era mesmo isso, pois não conseguia deixar de pensar no que lhe estava a acontecer.
 
Já tirara do bolso várias vezes o papel com o número do telemóvel dela, mas não se decidia a fazer a ligação. Sentia que quando o fizesse, estaria a iniciar algo que mesmo quando acabasse poderia ter transformado toda a sua vida.
 
Acabou por digitar os números. Afinal, mudança era algo que há muito lhe fazia falta, embora conscientemente não gostasse de o admitir.
 
– Olá! Ainda te lembras de mim? – Sem dúvida que este tipo de introdução é no mínimo desajeitada, mas tinha decidido que iria agir naturalmente. Não tanto por honestidade; apenas por achar que não valeria a pena construir imagens à volta de si próprio. Não tinha idade para tentar viver ficções.
 
- Ia sair agora mesmo. Estás onde?… - Perguntou ela, enquanto se conseguia ouvir um remexer como se ainda se estivesse a vestir.
 
- Estou em casa, mas se quiseres podes apanhar-me no local onde me deixaste ontem. Daqui a meia hora, pode ser? – Perguntou ele tirando o tabaco da gaveta da secretária. – Acho que perdi o meu isqueiro… não sei onde o deixei…
 
- Tenho-o aqui. – Disse ela a rir – guardei-o ontem sem querer quando me agarraste a mão. Dou-to assim que chegar. Até já. Beijinho… - Deu um último olhar ás meias, ajeitou uma madeixa mais rebelde, e pegando nas chaves saltitou em direcção à porta.
 
Sentia-se um pouco estranha como se tudo estivesse a acontecer a outra pessoa, e ela apenas assistisse sem qualquer poder de decisão sobre o que se passava.
 
Por momentos algo no fundo da sua mente lhe disse que era uma loucura, e que coisas dessas nunca resultam. Mas abanou a cabeça e dirigiu-se para o automóvel. Não se vive intensamente muitas vezes…
 
Ele estava sentado numa pequena espanada, a tentar ler uma revista quando o carro parou a dez metros.
 
Passado um ano ainda viraria a cabeça cada vez que visse passar um igual; mas nesse momento a sua atenção foi toda para a condutora que o recebeu com um beijo, sorrindo por detrás dos óculos escuros. – Vamos já, que ainda temos tempo de apanhar o pôr-do-sol no mar. – Disse enquanto lhe fazia uma breve carícia na perna envolvida numa meia de sedosas ramagens.
 
 Percorreram o caminho em silêncio, um pouco nervosos como se não estivessem muito seguros de si próprios. De vez em quando, olhavam-se acabando por rir da expressão um do outro.
 
Estacionaram junto ao pontão e saíram. Ele passou-lhe o braço pela cintura sentindo à frente o osso da anca e a barriga lisa e dura através do tecido da saia.
 
Caminharam pela areia beijando-se de vez em quando, numa espécie de sedutora provocação. – Cócegas não vale!... – Disse ela contorcendo-se a dada altura em que ele a agarrara por baixo das costelas. Mas pousou-lhe a cabeça no ombro, e ficou ali a ver o sol sumir-se no mar, enquanto a claridade avermelhada se perdia e o azul do céu ia escurecendo.
 
Jantaram num restaurante junto à praia. – Já me tinham dito que as mulheres comem sempre pouco em encontros. - Disse-lhe ele, vendo que o peixe no prato dela sofria poucas modificações. – Não precisas de ficar nervosa comigo; ou estás a ter segundos pensamentos?
 
Ela fazia-lhe festas na mão e no pulso com um ar calmo e descontraído que desmentia tudo o resto. – Apenas não tenho muita fome. E sabes? Praticamente não nos conhecemos. Por isso acho estranho que me sinta tão calma, sem me preocupar com o lugar onde estou ou com as outras pessoas em volta.
 
Continuou a olhá-lo enquanto este comia pausadamente. – Há tanta coisa que não sabes sobre mim… - Disse-lhe com uma ponta de tristeza. – Achas que alguma vez nos conheceremos a sério? Que possamos partilhar coisas e memórias…
 
Ele aceitou estas palavras com um sorriso. Não era coisa a que se pudesse responder levianamente. – Não precisas de me contar seja o que for, apenas se quiseres mesmo. Por enquanto contento-me com o estares aqui; que é muito mais do que há alguns dias eu poderia esperar.
 
Ela sorriu apertando-lhe fortemente a mão, transmitindo um calor agradável de desejo misturado com uma ligeira tremura que a percorria.
 
Após tomarem o café na esplanada caminharam mais um pouco, abraçados pela beira do oceano. – Fiquei um pouco tonta com aquele vinho branco. – Disse-lhe ela soltando a sua pequena risada característica.
 
Andaram mais uns minutos, e pararam numa duna ao lado de uma pequena casa em madeira.
 
Ele pousou o blusão na areia para que se sentassem, e ficaram um pouco a admirar o círculo prateado da lua que parecia querer invadir as águas, tais eram os reflexos que espalhava pelas ondas.
 
Quando a beijou foi diferente das vezes anteriores. Sentiu da parte dela uma certa urgência, pelo modo como lhe sugava a língua e mordiscava os lábios; enquanto o corpo se lhe distendia num delicioso abandono.
 
Suavemente inclinou-a para trás, beijando-lhe a base do pescoço e amparando-a com o braço. Desabotoou-lhe um pouco a camisa de bordados brancos, que deixou ver um soutien de algodão com pequenas flores, quase tão macio sob a sua mão como a pele que começava a descobrir a pouco e pouco.
 
Afastou o tecido e pousou os lábios no bico do seio, passou-lhe lentamente a língua em volta e beijou a parte carnuda mais ao lado como se saboreasse um fruto.
 
Ela gemeu um pouco, metendo-lhe as mãos pelas costas acima e puxando-o para si. Agarrava-o pelos ombros, guiando-o com pequenos movimentos que indicavam onde o desejava. No intervalo dos seios, no estômago…
 
Ele circulou-lhe o umbigo com a língua, introduzindo-a um pouco e tirando de seguida; produzindo um estremecimento que se propagava pelo corpo dela como uma suave ondulação.
 
Ela atraiu-lhe a cabeça para cima, fazendo-o deitar-se sobre si e comprimir-lhe os seios com o peito largo. As suas pernas entrelaçadas roçavam-se ritmicamente num desejo evidente. Sentia-lhe o sexo duro através das roupas fazendo força em baixo contra a protecção do monte-de-vénus; abriu-se um pouco deixando-o encaixar-se um pouco mais no seu corpo.
 
Apertou-lhe o flanco com os joelhos e atraiu-o contra si.
 
Ele percorreu-lhe o corpo com as mãos como que tomando-lhe a forma. Acariciando um seio, o pescoço, a curva da anca, e a parte interior das coxas de uma tepidez húmida. Lentamente, fez-lhe subir a saia passando os dedos levemente pela pele até tocar o tecido das cuecas.
 
Enquanto lhe mordia de mansinho o lóbulo da orelha, foi avançando com a mão por debaixo do tecido; alisando o pequeno tufo de pêlos encaracolados até descer os dedos por ele abaixo, tocando muito ao de leve na discreta fenda entre dois lábios carnudos, onde os sentiu humedecer.
 
Ela desapertara-lhe o cinto, introduzindo a mão entre as calças e a carne. Ele desabotoou o botão superior deitando-se de lado para lhe dar espaço e deixou-a explorar calmamente sem a apressar; sentindo que o seu desejo subia ao encontro daquela mão, ultrapassando os limites que o continham.
 
Cuidadosamente tacteou o caminho com a ponta do dedo médio, fazendo pequenos rodeios até encontrar um pequeno apêndice intumescido, sobre o qual o fez escorregar vagarosamente até se introduzir um pouco mais abaixo; iniciando um lento vai-e-vem a que ela correspondeu segurando-lhe fortemente o membro.
 
Usando o polegar ele fez pressão no elástico das cuecas, sentindo que ela levantava um pouco as ancas para ajudar a retirá-las.
 
Guardando-as no bolso, ele encostou a boca à pele acima das meias beijando-a repetidamente e arrastando os lábios até tocar com a ponta da língua no início da fenda onde a introduziu devagar.
 
Sentiu os músculos dela retesarem-se enquanto o corpo formava um pequeno arco, ao mesmo tempo que emitia pequenos gemidos quase inaudíveis.
 
Movimentou a língua, primeiro lentamente pelo interior dos lábios da vulva, alcançando depois o pequeno clítoris que lambeu demoradamente, enquanto lhe sentia o corpo estremecer de prazer.
 
Soltando um gemido um pouco mais audível ela fê-lo parar, e puxando-o para cima beijou-lhe os olhos e a boca; enquanto com a mão lhe descobria o membro pulsante sob a brisa da praia e o acariciava em movimentos ritmados.
 
Encostou-lhe a cara aos pelos do peito e aspirou o cheiro, de onde sobressaía uma componente salina que a excitava. Percorreu-lhe com a face o estômago e a barriga, banhando-o com os seus cabelos, descendo sempre.
 
Ele sentiu um toque húmido e fresco na ponta da glande, transformando-se gradualmente em algo mais quente que lhe afastou para baixo a pele do pénis, e o envolveu num suave abrigo que o comprimia.
 
Carinhosamente afastou-lhe o cabelo que cobria a cara, e ficou a observá-la imerso numa onda de prazer; enquanto esta o olhava ao mesmo tempo que fazia ligeiros movimentos com a boca. Acomodando-se um pouco melhor sobre as pernas dele, passou a ponta da língua pela orla da glande até ao freio que mordiscou ligeiramente.
 
Sentindo os acontecimentos precipitarem-se ele fê-la parar, atraindo-a a si com beijos enquanto tentava com uma só mão rasgar a prata de um preservativo; o que não conseguiu sem ter que recorrer também à outra.
 
Ela deitou-se-lhe sobre o peito deixando que ele lhe acariciasse os seios, e sentindo-o beijar-lhe o pescoço deixou-se escorregar para baixo até se deixar penetrar apenas um pouco. Com um pequeno suspiro deslizou um pouco mais sentindo-o entrar lentamente, sentindo igualmente todos os locais em que este tocava à medida que se alojava dentro de si.
 
Ele beijava-lhe os seios, agarrando-lhe as ancas e imprimindo um movimento, que a fazia subir e descer suavemente fazendo com que o clítoris se massajasse contra si. A respiração tornou-se-lhe um pouco rouca, e percorreu-o uma urgência que o fez abraçá-la com força soerguendo-se um pouco, e puxando-a para que ficasse sentada de frente entre as suas coxas e com ambas as pernas enlaçando-lhe os rins.
 
Ela gemia de mansinho, com a lua a iluminar-lhe os cabelos castanhos, movimentando-se ao ritmo das mãos dele que lhe seguravam as nádegas, enquanto os dedos se insinuavam quase até dentro de si, provocando um arrepio que lhe começava a subir pelo estômago e o peito até à boca; onde se transformou num pequeno grito de prazer.
 
Escondeu a cara no pescoço dele, mordendo-lhe um pouco o ombro para que não se ouvissem os sons que teimavam em sair, enquanto a percorria um estremecimento incontrolável que a fez abraçá-lo com toda a força que tinha.
 
Ele ao sentir as contracções que lhe continham o membro deixou-se ir, sentindo endurecer os músculos das nádegas, como se fosse entrar por ela a dentro sem parar mais, e percorreu-o uma convulsão como uma tempestade ao mesmo tempo que uma agradável lassidão o começava a envolver.
 
Deixaram-se cair para trás sempre abraçados, e sem se desligarem ficaram ali de faces encostadas; enquanto o vento lhe lançava os cabelos dela sobre a cara.
 
Ficaram assim muito tempo, trocando beijos sob uma lua enorme e cintilante como um espelho. Mais abaixo ouviam-se as vagas a rumorejar na areia, enquanto os ruídos da noite serviam de música de fundo.
 
Ela olhou-o timidamente como uma menina apanhada em falta, sem dizer nada mas com um discreto sorriso de felicidade, apenas a olhar. Mas ao fim de um tempo, perguntou-lhe um pouco envergonhada. – Também sentiste o mesmo?
 
- Sim. – Respondeu-lhe ele enquanto a beijava carinhosamente no queixo. – O céu!... Azul e veludo cor-de-rosa…
 
Música de Fundo
“Girl”Vue
 
(Á Suivre) 
  


sábado, 17 de julho de 2004

O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa
- Prólogo -
 
É difícil falar de duas pessoas que se encontram, sem ser tentado a falar dos respectivos passados e destinos anteriores em que se poderiam ter cruzado.
 
Mas eles nada tinham tido em comum até ao dia em que se conheceram; de um modo tão banal que quase poderia ter passado despercebido, excepto talvez e apenas a eles.
 
Talvez o facto de lhe cair aos pés uma embalagem de CD’s virgens e o “Estranho Numa Terra estranha” de Heinlein, tivesse sido decisivo para que ela tivesse reparado. – É um clássico! - Disse-lhe enquanto lhe passava o livro para a mão.
 
Reparou que as mãos dele eram lisas e de dedos compridos, com pequenos tendões elevando a pele em rectas harmoniosas. Quase não o ouviu dizer que já tinha lido e era para oferecer.
 
Quando ele acabou de guardar as coisas e a encarou, é que reparou nos olhos e na pequena boca de lábios húmidos que lhe sorria.
 
É claro que já tinha reparado nos restantes pormenores, mas tinha sido casualmente e antes desta lhe despertar a atenção.
 
Sentiu uma onda de calor escapar-se do pescoço em direcção aos ombros, mas quando lhe dirigiu a palavra foi para dizer algo que até àquela altura nunca lhe passara pela cabeça dizer a uma estranha. – Aceita um café aqui no bar ao lado? – Não era o seu estilo, nem nunca seria.
 
Mas há sempre uma primeira vez para tudo. E talvez por isso ficaram duas horas sentados a falar de banalidades; algo se tinha formado entre os dois, como uma pequena tempestade eléctrica que apenas se via pelas suas manifestações.
 
Na verdade ela admirava-lhe a cor dos olhos. Já quando ele fora buscar os cafés admirara o resto, dando por si a recriminar-se após isso. Era daquelas situações que poderiam dar problemas, e ainda nem sequer sabia bem o que queria; e tratava-se de uma situação completamente nova, sem termos de comparação por outras em que já tivesse estado.
 
A certa altura em busca do isqueiro sobre a mesa, as suas mãos colidiram casualmente, tendo ele aproveitado para a agarrar. O que foi fácil, visto não deixarem de se olhar enquanto falavam.
 
Ele continuou a escutá-la sem lhe largar a mão, que um pouco depois se descontraiu esboçando até uma carícia com a ponta dos dedos. Por altura de sair, já as suas pernas se baralhavam um pouco por debaixo da mesa de mistura com os sacos. Mas rapidamente se levantaram saindo juntos em direcção ao estacionamento subterrâneo.
 
Quando chegaram perto do carro dela (após duas voltas ao local premindo com o dedo a chave electrónica) esta abriu o porta-bagagens e perguntou – Para onde vais?
 
Quando se virou encontrou-se quase colada a ele; dava para sentir um odor discreto de perfume, tabaco e café, que se saboreava quase…
 
- Diz-me tu. – Respondeu ele apenas, respirando-lhe levemente sobre a face e descendo em direcção à boca, que aflorou levemente.
 
Ao sentir que os lábios dela se entreabriam, encostou os seus primeiro levemente, depois um pouco mais forte procurando-lhe a língua com a sua; enquanto lhe acariciava o pescoço com uma das mãos.
 
Soltando-se ela deu uma pequena risada abafada – É melhor entrarmos. Pode aparecer alguém.
 
Quando fechou a porta e se virou para o lado, ele encontrou-a com os olhos iluminados num sorriso silencioso, e achou por bem não dizer mais nada. Acariciou-lhe a face até à orelha afastando o cabelo com a mão e voltou a beijá-la.
 
Sentiu que ela se deixava ir, entreabrindo os lábios e mordiscando-lhe a língua. Inclinou-se um pouco sobre ela, sentindo-lhe os mamilos através do tecido da blusa, e percorreu-lhe as costas com a mão passando o polegar pela parte lateral das costelas até à base do seio.
 
 Ela emitiu um pequeno gemido, puxando-o para si pela base da nuca enquanto com a outra mão lhe acariciava o ombro, sentindo-lhe a carne a flectir-se de cada vez que ele se movimentava ligeiramente.
 
Ele desceu-lhe os lábios pelo pescoço, enquanto com a mão direita a acariciava partindo da cintura por dentro da blusa, até lhe tocar o seio direito em gentis movimentos circulares que se tornavam um pouco mais fortes.
 
Ela gemeu um pouco, enfiando-lhe as mãos por debaixo da t-shirt para lhe acariciar o estômago e o peito.
 
Procurando-lhe novamente a boca, ele desceu-lhe a mão até à cintura das calças roçando a suave depressão do umbigo, enquanto enfiava os dedos até um pouco mais abaixo. O botão superior das calças dela cedeu abrindo um pouco do fecho; e ele sentiu na ponta dos dedos um pequeno tufo de pêlos, suave ao toque.
 
- Aqui não! – Disse-lhe ela sorrindo com os olhos – Tenho a minha irmã à espera e temos que ir.
 
Ele encarou bem o caso, embora com algum desapontamento e beijou-a mais uma vez, sentando-se de seguida e apertando o cinto de segurança.
 
Após ajeitar os botões ela pôs o carro em andamento, e pegando-lhe numa daquelas mãos pô-la entre as suas pernas onde a apertou, transmitindo-lhe o calor que sentia a percorrê-la.
 
O carro saiu por entre os canteiros que ladeavam a entrada do estacionamento. Respirando fundo, ele encostou a cabeça para trás no assento olhando-a novamente. O ar fresco trazia de fora o aroma de flores que se misturava com o outro cheiro que ele levava consigo. O cheiro dela, que tão cedo não se soltaria da sua memória.
 
Música de Fundo
“Your Love Is King”Sade
 
(Á Suivre) 
  
  
 

sexta-feira, 16 de julho de 2004

I Have a Dream
- Maybe wet… -
 
Sempre quis escrever um conto erótico. É claro que já o poderia ter feito há imenso tempo, mas é um tipo de escrita com uma componente quase exibicionista; e que (pelo menos no meu caso) só se inicia se existir o objectivo de dar a ler a alguém.
 
É um tipo de literatura, que não serve para ser guardado numa gaveta até que alguém decida “limpar-lhe a poeira”. Um pouco à semelhança do sexo é “ali e naquele instante”, porque de outro modo perde um pouco da sua magia e intensidade.
 
A finalidade deste post é colocar então à vossa consideração (apenas porque se trata de um tipo de escrita que pode eventualmente desagradar aos leitores habituais), a criação e publicação daquele que será segundo as palavras do imortal Ron Jeremmy – “Algo tão explícito, que o camera-man terá que filmar olhando para o lado o tempo todo…”
 
Por isso caros/as amigos/as e leitores/as, o vosso voto irá decidir se me irei ou não dar ao trabalho de imaginar pormenores que assombrarão as minhas insónias, e que porventura me farão acordar a meio da noite encharcado em transpiração.
 
Fica já explicado que é um processo que ao ser iniciado, dificilmente conseguirá ser detido antes do seu término natural; e que os pormenores podem (quase de certeza) raiar a fronteira do hardcore. Por isso o vosso voto é importante e determinante para a criação (ou não), de uma tórrida aventura cheia de verão, mar, amor, traição, muito sexo e talvez até desportos radicais…
 
Juntamente com a votação, aceitam-se também ideias para cenários, personagens ou quaisquer outras coisas que possam servir de matéria para uma obra deste fôlego.
 
Fico à espera do vosso veredicto, bem como de ideias.
 
Música de Fundo
“Right Here’s The Spot”Basement Jaxx 
  
 
Atenção!
 
Daqui a cerca de uma hora, será publicada uma importante comunicação a todos os leitores, a quem será pedida toda a colaboração e boa vontade através de uma votação simples.
 
Um grande bem-hajam...
 
Música de Fundo
"Primavera" - Vivaldi
 
 
Fundo da Noite
 
Desço
 
Um suave e largo rio
negro de alcatrão acetinado
 
Polido por lágrimas gastas
como a face de uma estátua erodida no tempo
 
Caminho
 
Pela alameda acolhedora ladeada de candeeiros
que a ninguém iluminam
 
Um campo de luz perdida e fria
uma paisagem lunar em carne esquecida
 
Paro
 
Ao fundo da noite onde está a porta
para o vazio e o esquecimento
 
Hoje, abri-la-ei e irei dormir…
 
Música de Fundo
“Maybe”N.E.R.D.
 
 

quinta-feira, 15 de julho de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- Dos suicidas e outros poluidores do ambiente… -

Irmãos, posso afirmar-vos por experiência própria que a maior tentação de quem se sente “em baixo” é desistir; senão a maior pelo menos a primeira que assalta qualquer um de nós.

Confesso que já me ocorreu várias vezes em relação a este Blog, até ter chegado à conclusão que seria um óptimo teste à minha teimosia e capacidade de escrever por piores que fossem os tempos.

Isso, e não poder também passar sem que vocês (esta é indecente) me leiam; o que é a melhor terapia para o meu desprezível ego.

Só se deve desistir quando existe a certeza de não querer voltar atrás, porque em se tratando de uma espécie de morte esta não é reversível. Nada mais ridículo que um suicida arrependido e em queda livre entre o 5º e o 4º andar….

Isto tem a ver com a recente (que já houve outras) onda de desistências entre bloggers portugueses.

Aparte razões perfeitamente aceitáveis para isso, tais como coração destroçado, falência comercial ou terem-se acabado os cigarros a meio da noite (esta é para ti minha amiga); na maior parte dos casos trata-se única e simplesmente de uma insuficiência na produção de betacaroteno.

Ou seja, falta de vitamina A. Que pode ser facilmente suprida através de uma dieta equilibrada contendo cenouras (fazem os olhos bonitos), ou mais praticamente pegando na toalha e arrancando para a praia a toda a velocidade.

Como sabeis Bolg está em todo o lado. Se não tiverdes coragem ou pachorra para O louvar numa sala abafada frente a um teclado, escrevei os vossos posts na areia (como alguém que “conheço”) e esperai que as ondas façam “publish” passando sobre eles.

Pelo menos evitareis inconfidências, pois o mar nunca devolve as palavras que lhe dão.

Por isso a todos os desiludidos, derrotistas e potenciais suicidas, apenas aconselho que sigam o meu exemplo; pois vi a Luz de Blog e não mais serei tentado.

Alguém quer uma cenoura?

TheOldMan
“Walk Idiot Walk”The Hives

quarta-feira, 14 de julho de 2004

A Entrevista

Bem, méne vamos ter que saber mais algumas coisas sobre ti… Temos que estar certos sobre o gajo que vai tocar este instrumento – disse o entrevistador coçando a mosca que lhe crescia no queixo – Gostas de arte?

O entrevistado contorceu-se um pouco na cadeira fazendo chiar o cabedal das DocMartens nº 44 impecavelmente engraxadas. – Quer dizer, eu curto bué aquela cena da pintura hiper-realista. Os tipos desenham tão bem que até parece a sério, e faz-me lembrar os anúncios da TV. Ah, e gramo uma beca de música de vez em quando…

Música? – Observou curioso o entrevistador – Que tipo de música?

- Sei lá… DJ Vibe, Kizombas, um bocado de Jungle, Industrial, de tudo um pouco. Mas é mais a que ouço à noite quando saio.

Ah, sim? E à noite… – quis saber o entrevistador, enquanto coçava o pictograma japonês tatuado no ombro – onde é que costumas ir?

Antigamente ia ao Plateau, mas aquilo descaiu e agora paro na Kapital porque conheço um tipo no bar e dá sempre entrada. – Respondeu o candidato um pouco mais à-vontade – e quando ás vezes há merda à porta do Kremelin, saímos pela porta do beco e vamos lá malhar nos gajos.

- Quer dizer que ás vezes te metes em sarilhos… - Sugeriu o outro cautelosamente.

- Não, nada disso. – Esclareceu o entrevistado – só um ou outro preto, ou um maricas que começa a levantar a voz. É ir lá aviá-los, e ninguém viu nada. Coisas sem importância.

- Tou a ver que pareces estar preparado para isto. Por mim estás à vontade; é só confirmar com o gajo e depois contactamos-te. Bate aqui! – Disse o entrevistador aparentemente satisfeito.

O entrevistado sorriu de prazer, fazendo uma covinha na suástica tatuada na bochecha direita, e bateu na mão que lhe estendiam saindo de seguida.

Encaminhando-se para o armário estilo Regência a um canto, o entrevistador tirou de lá uma camisa que vestiu sobre a camisola de cavas, apertou a gravata com um nó Oxford e envergou um blazer Ted Lapidus sobre todo o conjunto.

Quando se preparava para sair o telefone tocou, pelo que voltou atrás não fosse tratar-se de algum assunto importante. – Sim? – Perguntou – Ah, és tu… Acabei de entrevistar o teu futuro Secretário de Estado da Cultura. Acho que já temos o Governo completo…

Música de Fundo
“Anarchy in the UK”The Sex Pistols

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