terça-feira, 30 de novembro de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- Post Gerado Automaticamente -

(Como hoje tenho muito que fazer, vou deixar ligado o atendedor de chamadas cá da Igreja.)

Piiiiiiiiiii!

“Bom dia, alma piedosa. A Igreja do Imaculado Blog apresenta as mais sinceras desculpas pelo inconveniente, mas a sua mensagem devido a dificuldades que se prendem com a transmigração das almas, terá que ser processada pelo nosso sistema de atendimento automático….”

Se é uma alma atormentada que deseja confessar horrendos pecados ou secretos e pecaminosos anseios, carregue na tecla 1 repetidamente enquanto vai limpando a memória ao telefone (não vá alguém saber o que você anda a fazer).

Se não sabe bem o que deseja de nós e não se consegue decidir sobre isso, não perca mais tempo e vá chamar alguém que prima por si a tecla 2.

Para relatar aparições de santinhos ou acontecimentos milagrosos, carregue na tecla 3; automaticamente Blog materializar-se-á a seu lado e tomará nota da ocorrência. Normalmente ele faz-se acompanhar por dois elementos vestidos de branco (são os arcanjos). Colabore enquanto eles lhe vestem o colete milagroso de fivelas prateadas, pois precisará dele no local para onde vai.

Se deseja contribuir para a caixa das esmolas, prima as teclas 6 e 9. Quando ouvir - “Lolita hot-link, your pleasure is mine…” - carregue nas teclas 0 e #, digitando seguidamente o número do seu cartão de crédito. Não ligue aos gemidos de fundo, pois trata-se do coro das almas do purgatório.

Se tem algo de pessoal a dizer ao Bispo TheOldMan, pare de empatar e mexericar nas teclas e ligue para o telemóvel; se não tem o número de telemóvel, é porque não é assim tão pessoal.

Se é nosso fornecedor e deseja contactar o departamento de contabilidade para eventual pagamento, prima a tecla * e digite o seu número de fax. Dentro de uma semana ser-lhe-á enviado por telecópia um exemplar do seu diploma “Profissão de Fé – 1º Nível”. Está a caminho de ser um verdadeiro crente.

Se é uma serva de blog com o coração atormentado por dúvidas existenciais, se o mundo lhe parece cruel e frio, e se todos os outros lhe parecem indiferentes não conseguindo preencher o vazio na sua alma… Passe pela capela. Mudamos os lençóis ás Sextas…

Música de Fundo
Don’t Look Back In Anger” – Oasis

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Oh, Velhos Tempos…
- Reflexões desconexas e saudosistas de um pobre velho em tom de choradinho. –

Realmente agora que me lembro (quando consigo, claro), antigamente é que era bom. As pessoas eram mais educadas e amáveis, e a vida era mais barata (quem não se lembra do bacalhau a pataco); mesmo a política era mais honesta, divertida e ás vezes educativa.

Por exemplo, estou agora a recordar-me de um prodigioso comediante, que nos tempos da minha juventude arrancava lágrimas de riso a todo o país; e mesmo em alguns casos umas pequenas gotas de outro liquido (o que mais tarde conduziu à descoberta do pensinho diário).

Chamava-se Arnaldo Matos (parece que o estou a ver) “O Grande Dirigente e Educador da Classe Operária”; como gostava que o chamassem (à semelhança dos camaradas Mao e Enver Hoxa).

Não era mau tipo. Apesar de constar no meio político que roubara o bigode a Nietzsche, foi ele que introduziu no léxico português o termo “social-fascista”. Não só isso, como foi igualmente um dos poucos políticos portugueses com vergonha na cara; pois ao ver que fizera uma figura completamente idiota, desapareceu da vida pública.

Exemplo que a ser seguido pelos seus congéneres de todos os quadrantes, descongestionaria muito mais o intestino do País. Que a avaliar pelas ideias que têm, deve ser o seu habitat natural.

Mas eu até nem tinha vindo aqui malhar no “grande educador”, pois isto era um post de saudade e tal…

Mas que querem? Um tipo na minha idade tem tendência a mudar de assunto, com a mesma velocidade que o Acácio Barreiros se passou em tempos da UDP para o PS; que como todos sabem, são partidos com filosofias muito similares.

Com a única diferença, que a UDP nunca teve oportunidade de rebentar com a economia nacional por duas vezes; e mesmo que tivesse nunca saberia como o fazer. Mas eu sempre gostei muito da UDP (a seguir ás feministas, eram as miúdas mais dinâmicas que se podiam encontrar naquela altura) …

Mas eram bons velhos tempos. Estava então em curso o primeiro governo-catástrofe do PS (para os que não se lembram, passo a informar que o de Guterres foi o segundo), que mais tarde conduziu à longa noite cavaquista; em que se gastou metade do dinheiro recebido da CEE em auto-estradas e a outra metade em Maseratis e Ferraris para passear nelas.

A única vantagem de ser um pobre velho, é que quando os acontecimentos se começam a desenrolar temos uma base de comparação para avaliar a sua originalidade. E posso garantir-vos que a nossa situação actual nada tem de original. Do mesmo modo que não são nada originais as estratégias do PS e do PCP.

Do PSD não falo, porque aparentemente não têm estratégia alguma. Tendo aprendido com o último Primeiro-Ministro do PS, a deixar andar e ter esperança no Senhor.

O PC não tem hipótese de mostrar o que (não) vale, porque nunca será governo. Pelo menos não o será enquanto não deixar de tratar as massas como atrasados mentais; não que o PS ou o PSD sejam nisso muito diferentes, mas ao menos tentam dar-nos a impressão que influímos alguma coisa nas suas decisões.

A provar que devemos ser uns tipos deveras limitados, está a sua última estratégia (que demorou alguns anos a concretizar) que consiste em pôr como cabeça de cartaz um antigo operário; como se isso resolvesse todos os problemas de senilidade ideológica e manifesta falta de respeito pela opinião dos próprios militantes.

Mas com isto tudo já me esqueci do que tinha vindo aqui dizer… Ah, já sei! No meu tempo é que era bom!

Ainda não havia muito mal que se pudesse dizer de Mário Soares excepto o ter destruído a agricultura e as pescas, Álvaro Cunhal ainda debitava aquelas famosas tiradas que todos decorávamos; e o PSD… Bem, o PSD acho que nunca foi bom.

Mas de quem eu gostava mesmo era do Álvaro Cunhal e das suas famosas frases…

Ainda me lembro como se fosse hoje… - “Candeeiros bem bonitos, modernos, originais… Candeeiros bem bonitos, modernos, originais… Compre na Rádio Vitória, não se preocupe mais…”

Música de Fundo
Rock” – Primal Scream


sábado, 27 de novembro de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- Deixai vir a mim as criancinhas (mas de preferência as mais crescidinhas…) –

Apesar do subtítulo de índole licenciosa e passível de dupla interpretação, tal como os meus leitores gostam; hoje falaremos da conversão.

Ou seja, daquelas almas que se viraram para Blog, tal como ovelhas que encaram o pastor com aquele ar meiguinho que faz com que… bem isso é outro post, e agora não interessa para nada.

Mudar de fé é um pouco como trocar de carro ao fim de dez anos, ou talvez seja mais comparável a uma mudança do CDS para o PS ou da UDP para o PCP.

Esta última comparação talvez seja um pouco cruel, mas é resultante de o Congresso vermelho estar a decorrer seis prédios acima do meu, e de já ter visto para lá entrar tipos que há vinte anos usavam botas de camurça e casaco aos quadrados de flanela amarela (apesar do mau gosto nem eram más pessoas, eram apenas UDP’s).

Mas estava eu a falar das conversões e não convém que me desvie do tema, o que já se vem tornando um hábito; mas isto de apontar para um lado e entrar por outro não é muito bem aceite em certos círculos…

A conversão a Blog, é sempre um pouco tardia e ocorre geralmente na idade adulta (pelo menos nós pedimos o bilhete de identidade a todas as convertidas/os, apenas por uma questão de respeito pela lei).

Diz quem passou por ela, que é um pouco como perder a virgindade mas sem o ardor residual; é uma espécie de rito de passagem, em que o horizonte se alarga até alcançar as proporções do Cinemascope ®; o que como todos sabem é óptimo para quem quer ter uma visão global das coisas.

Mas voltando aos assuntos realmente importantes. Estava eu ontem à noite a divulgar a palavra de Blog no Café do Santos, quando o Apóstolo me pisou o dedo mais pequeno do pé direito – Já viste os gajos, pá?

Lentamente, virei a cabeça para trás e preparei-me para ver as tropas de Herodes a lançarem-se ao ataque; ou pelo menos uma patrulha da GNR chefiada por um sargento de bigode. Mas não…

Sentados calmamente a um canto frente a uma tábua de queijos e enchidos, alguns elementos de aspecto suspeito esgotavam lentamente uma garrafa de Monte Velho. Apenas um dele usava os distintivos da velha guarda (casaco de cabedal e boné à Lenine), mas reconheci-os como fiéis membros do partido.

O mais novo que não teria mais de dezanove anos, e com mais borbulhas que um “Gruyére” tem furos, usava um pin com a frase “Baleizão RuleZ!”. Via-se que eram mesmo linha dura, forjados nas chamas da luta contra o capitalismo; e no caso do elemento feminino contra a caspa também.

Fiquei um pouco constrangido, pois não me sinto muito à vontade quando membros da minha antiga seita invadem o meu terreno de caça. Ainda por cima, em vez de estarem com atenção à SporTV que estava a dar o jogo do Boavista, mostravam-se bastante interessados no meu sermão; que ontem consistia numa apologia da Música Clássica como meio de melhorar a qualidade de vida, da autoria do Beato Graça Moura.

Quando terminei, o mais velho (o que estava mascarado de Lenine) levantou-se e veio à nossa mesa. Pelo canto do olho vi que o Apóstolo abria o canivete que tinha no corta-unhas com o emblema do Sporting; mas fiz-lhe sinal que se contivesse pois aparentemente o outro vinha em paz.

- Camarada! – Disse ele sem ultrapassar a “distância regulamentar de negociação” – Não sei quem és, mas as tuas palavras fizeram-me lembrar as do saudoso Camarada Estaline; especialmente quando explicaste onde meterias as obras de arte ao maestro intrujão; mesmo sem enrolar as telas. – Fez um gesto largo, apontando por fim a mesa de onde viera – Gostaria que te juntasses a nós, e compartilhasses um tinto em memória dos camaradas caídos.

É claro que nem sequer tive coragem para perguntar se tinham tropeçado, ou se tinham bebido demais os tais camaradas. Mas o certo é que o congresso já tinha fechado as portas, e eles ainda cirandavam por ali a entupir o trânsito.

Chegados à mesa, apresentou-me os restantes. Pelo que fiquei a saber que o borbulhento JCP se chamava Bruno, e que a Miss das “Neves Eternas” (que não paravam de cair) era a Camarada Irina Comanescu, vinda de Bucareste a expensas do Partido lá da terra.

Após as apresentações da praxe, ainda perguntei à camarada Romena se era parente da célebre ginasta com o mesmo nome. Ao que ela respondeu ter na verdade uma prima de nome Nadia, mas que neste momento devia estar a trabalhar em Barcelona como “dançarina exótica”.

Só quando me passaram o frasquinho, é que reparei que a garrafa de Monte Velho era para disfarçar. Estavam a dar na Slivovich como checoslovacos; e talvez influenciados pelo ambiente sacro que desfrutamos no Café do Santos, começaram a perguntar-me sobre Blog e de outros pormenores da nossa fé.

Não me fiz rogado. Para já porque sou tagarela por natureza; e a Slivovich é conhecida por arrancar confidências a um Jesuíta ou transformar a directora de um rígido Colégio Militar em Cracóvia, numa ardente dançarina de Limbo.

Apreciaram imenso quando lhes falei de como somos uma fé aberta a todas as raças e estratos sociais, e prestaram especial atenção no que diz respeito ás conversões; que segundo o Camarada Bruno, se assemelhavam bastante aos métodos de recrutamento da UEC.

Entretanto a Camarada Irina perguntou se haveria alguma incompatibilidade entre ser membro do Partido e Serva de Blog. Aí tive que a esclarecer que eu próprio fora em tempos uma ave do mesmo bando, e que os membros do partido na sua intimidade podem ser servos de quem quiserem, desde que isso lhes dê prazer. Sendo o nosso credo um pouco como os eléctricos, pois “há sempre lugar para mais um”.

Entretanto através do nevoeiro checoslovaco provocado pela traiçoeira beberagem, vi que o apóstolo me fazia insistentes sinalefas; e desculpando-me aos simpáticos congressistas, regressei à minha mesa após me despedir com grandes bacalhauzadas e sonoras palmadas nas costas (embora no caso da “Maria das Neves”, fosse mais beijocas húmidas tipo esfregona).

- Estás doido, pá? – Perguntou-me ele enquanto me tentava fazer disfarçadamente sair do café – Sabes bem que aquilo é pior que uma religião. Não me digas que estavas a tentar convertê-la…

- Deves achar que estou bêbedo. – Respondi eu ofendido pela sua falta de fé – Já reparaste bem nela? Preferia ir para a cama com os cinco Irmãos Marx!

- Cinco?

- Claro!... Estavas a esquecer-te do Karl?

Música de Fundo
Walk This Way” – Run DMC

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- Venha de lá essa primeira pedra… -

Recomeçou finalmente o grande circo dos julgamentos; ou “entretenimento judicial” como é chamado em certos círculos.

Além do caso “Casa Pia” que irá fazer gastar imenso papel, e talvez mesmo destronar a Quinta das Celebridades a nível de audiências, temos também o caso do maestro-contabilista; a história de um homem de negócios com queda para a música, ou vice-versa.

A nossa igreja é um tanto ou quanto radical neste tipo de coisas. Para já porque tivemos o caso da nossa organista, a Dona Ermelinda, que também nos tratava da contabilidade.

Apesar de ser uma grande bem-aventurança poder ter a escrita em dia, fomos obrigados a dispensar os seus serviços; pois o seu virtuosismo musical só era ultrapassado pelo toque criativo que imprimia ás nossas contas.

Sem dúvida uma imaginação de artista, mas que se revelou um pouco cara apesar de se tratar de quem melhor tocava o velho órgão cheio de manias, conseguindo extrair dele inesperados comportamentos.

Não me lembro de ter alguma vez presenciado o desempenho do dito maestro, mas se ele tiver metade do jeitinho que a Dona Ermelinda tinha com o órgão, acho que deviam dar-lhe um desconto. Talvez dez por cento da pena…

Quanto ao caso “Casa Pia” já não somos tão tolerantes. Para já porque ficámos a saber há pouco tempo, que alguns dos arguidos andam a tentar-se safar à conta da Igreja Católica; que apesar de ser da concorrência merece todo o nosso respeito e consideração.

Começando por Carlos Cruz. Ao ver que a aura de homem mediático não o iria safar das acusações, juntou mais um delito ao seu currículo tentando fazer-se passar pelo piedoso Padre Cruz, tendo escrito até um livro sobre o seu encontro com Deus.

Esta tentativa de passar a homem santo foi logo desmascarada por Alexandra Solnado, que veio a público declarar que além de ter contrato de exclusividade com o Altíssimo, ESTE não falara com Carlos Cruz porque lhe andava a ditar as memórias, e a idade já não lhe permite estar em dois sítios como antigamente.

Carlos Silvino teve igualmente a sua defesa enfraquecida, porque a frase do Padre Américo “não há rapazes maus…” referia-se na verdade ao íntimo de cada um deles, e não à necessidade de andar a verificá-lo pessoalmente, tal como este alegava.

Felizmente os julgamentos da igreja são mais breves, e ainda me lembro quando o Xico sineiro engravidou a Perpétua da “Florista Papoila Saltitante”. A pobre rapariga veio queixar-se à diocese, já muito pouco saltitante devido aos sete meses de gravidez; e nós resolvemos o assunto à nossa boa maneira maniqueísta.

Esperámos mais dois meses e foi fácil. Como o Xico é o único negro da nossa diocese não houve como negar, só faltou o miúdo nascer a dançar Kizomba; pois a parteira até se assustou a princípio e lavou-o duas vezes por via das dúvidas.

Algum tempo depois casaram nas nossas instalações, e o Xico lá levou Perpétua; na verdade foi uma pena pesada, mas Blog é duro no castigo para o pecador. Tive é claro que o advertir, pois quando chegou à altura do “até que a morte vos separe” notei-lhe um brilhozinho nos olhos; e fiz-lhe então ver que perpétua pela justiça secular é muito pior que Perpétua pela igreja.

É claro que no caso do falso Padre Cruz, do falso seguidor do Padre Américo e do falso humorista (que é também um delito grave) seríamos muito mais severos do que é previsto pela lei dos homens.

Estava aqui agora a lembrar-me deliciado dos velhos tempos da inquisição, e de como todos os arguidos levavam que contar; conseguindo atingir em direcção ao Purgatório velocidades nunca alcançadas por veículos de propulsão a jacto.

Mas cá na igreja somos justos. Tão justos como as cuecas de uma striper; ou pelo menos quase. E como ainda não foi dado o veredicto, qualquer um deles pode ainda ser considerado inocente.

Carlos Cruz pode na verdade ser a reincarnação do Padre Cruz, apesar do que diga Alexandra Solnado ou mesmo a Florbela Queirós.

Carlos Silvino pode apenas devido ao seu analfabetismo, ter interpretado mal os ensinamentos do Padre Américo.

E Graça Moura pode ter-se enganado no Visa quando comprou aquele relógio de ouro, pois era para debitar na sua conta pessoal.

Ao fim e ao cabo só há um que eu considero culpado desde o início; e esse é Herman José. Pois está provado que é um falso humorista, e para esse crime a nossa igreja não fornece perdão.

Por isso venha de lá essa primeira pedra… pois parece-me que vai ser necessária uma nova ala para a Penitenciária de Lisboa.

Música de Fundo
Amerika” – Rammstein

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Mulheres de Papel

No princípio era Blanche Dubois; tinha eu talvez treze anos, e fora ao engano levado a ler Tennesse Williams talvez por o título ser “Um Eléctrico Chamado Desejo”, e isso me sugerir actividades deveras interessantes.

Não fora o facto de vir já habituado ás personagens femininas de José Vilhena e ter-me-ia apaixonado por ela. Aparecia ao início vestida de branco como símbolo da pureza e da inocência; mas eu já tinha visto no cinema e estava bastante protegido contra o seu fascínio.

E segui em frente; literariamente falando, é claro.

Joyce não tem grandes personagens femininos, e Miller também não ajudava muito. Até que um dia surgiu Jessica Rabbit. - "Im not bad. Im just drawn that way." – Era o que costumava dizer em certas alturas; e um cartoon tem hipóteses irrealizáveis em cinema.

Jessica Rabbit tinha na verdade umas belas curvas. Mas um desenho animado tem que ser mais que isso, e eu ainda não me sentia preenchido.

As poetisas também não tinham pontuação melhor; há coisas que no papel não soam tão bem como ao vivo. E demasiado complicadas também; pelo menos para a minha tenra idade.

Como é do conhecimento geral, quando já se olhou muito em frente acaba por se pesquisar um pouco para trás. E foi assim que um dia encontrei Betty Boop.

Pouco depois desistia das mulheres de papel….

Música de Fundo
Ladies Night” – Atomic Kitten

terça-feira, 23 de novembro de 2004

A Tasca dos Canalizadores
- Zangam-se as comadres… -

Em benefício dos que não tiveram o bom senso de nos comprar a placa descodificadora PAL-Plus e o cartão de acesso, trazemos aqui hoje mais uma resenha dos acontecimentos da tasca passados nos últimos dias.

Da última vez que a equipa de reportagem meteu o nariz na tasca, ficámos preocupados com a integridade dos úberes de “Branquinha” bem como da sua pura lã virgem. Para os mais esquecidos, relembramos que “Branquinha” é uma ovelha fofinha e meiguinha; assim uma espécie de Paula Coelho mas com um olhar mais inteligente.

Apesar de todos os contactos da “tasca” com o exterior estarem cortados, é óbvio que mais tarde ou mais cedo a notícia iria aparecer. Os nossos residentes ficaram finalmente a saber que a TVI colocou há tempo em grelha um reality show descaradamente plagiado do nosso, mas só que sem canalizadores.

Esse deplorável espectáculo de vulgaridade e decadência dos bons costumes, tem-nos copiado tão meticulosamente que até soubemos de um caso em que a Ana Afonso tentou imitar a “Branquinha”. Só que o Alexandre Frota não é tão meigo como o Pereirinha e a pobre rapariga ainda baliu para ali um bocado.

Agora quem está possesso é o Emílio. Fartou-se de invectivar o “Conde Beiçolas” e chamou-lhe “pindérica”, “badalhoca” e mais outros adjectivos não reproduzíveis nesta folha temente a Blog.

Acabámos por ficar a saber que o tal “Conde” teve que casar em Loures, porque a noiva (vítima de um mal-entendido) tinha algumas contas pendentes com o serviço de estrangeiros e fronteiras, que passavam o tempo todo a querer revistar-lhe as malas.

A Dona Odete também não poupou a Ex-miss da quinta, acusando-a de cornear o Carlos Mendes (um senhor tão bem posto) com um chavalo mais novo só porque este tinha uma moto, e a levava à noite para a praia do Guincho.

(Como alguns de vocês sabem sobejamente, a praia do Guincho ganhou esse nome, porque à noite dentro daqueles automóveis só se ouve guinchar…)

Quanto aos animais da tasca, não tem havido grande novidade excepto no que toca à colónia de baratas que habitam por debaixo do fogão da Dona Odete.

Algumas delas mais aventureiras tentaram assaltar a lata das bolachas, mas foram vítimas de um erro de avaliação por parte do “Chinoca” que nessa noite estava um bocado “pedrado”, e as confundiu com bombons de recheio. Quando lhe chamaram a atenção, já ele tinha chacinado cerca de uma centena dos simpáticos blatídeos.

Ás famílias enlutadas, enviamos as nossas condolências.

A reportagem de hoje será mais curta, porque a Dona Odete fez Bacalhau à Braz para o almoço, e como devem calcular duas intoxicações no mesmo mês podem revelar-se perigosas; por isso vamos almoçar fora e já não voltamos hoje à tasca.

Na próxima vez iremos revelar a verdadeira utilidade da vaselina e do fio dental que o Emílio pediu à Produção na semana passada. Por isso preparem-se para a próxima reportagem, e para as revelações que iremos fazer sobre algumas facetas dos residentes, ainda desconhecidas do grande público.

Inté…

Música de Fundo
Força” – Da Weasel

Espera
(Exercício ligeiramente psicadélico…)

Há dias que são feitos apenas disso
vítimas de um tempo
ainda não amadurecido

Dias em que o tempo gela
até tudo atingir uma tonalidade
azul-metileno

A espera tem reflexos metálicos
tirados da dureza necessária
para o saber fazer

A espera é tudo!

Mas apenas nestes dias.

Música de Fundo
Bargain” – The Who

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Pequenos Recortes de 2ª Feira

Há uma ânsia que me atravessa o peito
mas é apenas cafeína…

Tenho um vazio dentro de mim
mas eu sei que é fome…

Sinto um calor
como se o Sol me aquecesse docemente
mas isso eu sei que és tu.

Música de Fundo
Walking In The Sun” - Travis

domingo, 21 de novembro de 2004

Post Técnico
- E um bocado choramingas, também. -

Costuma-se dizer que a TV é prejudicial. E eu ultimamente tenho constatado que isso é absolutamente verdade. A prová-lo está a minha luta com o sintonizador de canais, que transformou o Windows XP num campo de batalha.

Agora que finalmente consegui instalar televisão no computador, tenho que reinstalar todo o sistema (e de preferência num disco diferente) porque o Service Pack 2 da Microsoft desliga-me o sistema de vez em quando.

Mas agora faço um breve intervalo, enquanto vejo a VH1 numa pequena janela pouco acima deste texto.

É difícil escrever posts quando a segunda coisa melhor que o dia teve, foi um passeio de bicicleta à Cidade de Blog. Tomar o pequeno-almoço na esplanada banhada pelo sol em calções e sweat shirt.

Não são dias muito filosóficos, quando problemas técnicos se acumulam.

Mas voltando ao sintonizador, porque será que um tipo como eu quase dá cabo de um sistema informático, só para instalar uma miserável TV-PC.

Porque ouvir canais de música dá menos trabalho que estar sempre a mudar CD’s. Isso aliado a uma forte falta de vontade para escrever, não produz nada de jeito a nível literário; só dá mesmo vontade de relatar problemas técnicos.

Até o Internet Explorer me tem deixado pendurado, e o Dr. Watson (que é o programa de relatos de erros do Windows) Quando este dá erro não consegue acompanhar e vai-se abaixo também. Como vêm, não há grande sossego para escrever.

É como estar em cima de uma de uma ponte de cordas e troncos, e ao mesmo tempo tentar tocar violino; embora menos divertido, é claro.

Neste momento a única coisa que parece funcionar bem é a placa de TV.

Foi neste ponto que há dez minutos que o computador se foi abaixo. Acho melhor ir dormir.

Música de Fundo
Butterflies And Hurricanes” – Muse

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

Soirée Literária na Livraria Casqueiro
- Nos meandros sórdidos da poesia contemporânea… -

Os últimos retardatários tinham acabado de se sentar no improvisado auditório perto das prateleiras da literatura erótica, quando o poeta fez a sua entrada discretamente vestido com um fato de treino branco e vermelho.

Via-se logo que se tratava de um poeta, porque era o que tinha o cabelo mais despenteado e oleoso de todos os presentes; não demonstrando qualquer constrangimento pela sua apresentação ou aparente falta de asseio. O que, como todos sabem, é uma prerrogativa dos poetas consagrados…

Encostou-se à mesa onde já se encontravam alguns elementos menos importantes; e avaliou a assistência numa mirada fria de agiota, iniciando a sua intervenção com uma voz intencionalmente modulada.

- Pediram-me que viesse aqui hoje falar sobre a coisa mais banal que existe, e se possível torná-la interessante aos vossos olhos. Pois tenho a dizer-vos o seguinte, a coisa mais banal sobre a qual poderemos escrever, é o nosso próprio coração.

Enquanto admirava disfarçadamente o físico de uma atenta ouvinte na fila da frente, coçou distraidamente o testículo esquerdo; exactamente na zona ligeiramente amarelada, talvez causada pelo repetido contacto.

- Existe lá coisa mais banal do que um músculo… Talvez se a sua função fosse mais mundana que a circulação, ou se sentíssemos prazer com o seu funcionamento… Quem sabe se assim se justificaria toda a rima e prosa que se tem escrito sobre ele.

- Eu sou um poeta – Afirmou categórico – e não amo com o coração, nem com este corpo que não é meu pois terei que o devolver um dia…

Nesta altura, não aguentei mais e saí. O meu cérebro fervilhava de ideias contraditórias. O mais certo era o tipo ser um agente infiltrado pelos leitores de BD (uma espécie de poeta vendido), para com esta miserável exibição conseguir acabar com a secção de poesia da Livraria Casqueiro.

Tentei imaginar o que faria Pessoa se não fosse tão franzino, ou Sá-Carneiro se não fosse um mole. Apesar de todos os seus defeitos, não me lembro de nenhum deles afirmar claramente alguma vez ser um poeta. Havia um certo decoro a manter.

Imaginei Santa-Rita a subir o Chiado enquanto arregaçava as mangas com expressão furiosa, pronto a dar um correctivo ao seboso poeta de tasca, que enxovalhava os seus amigos apenas por mais cinco minutos de fama.

Entretanto, a minha caminhada obsessiva transportara-me à volta do quarteirão, quase até ao ponto de partida junto à paragem onde o oleoso bardo aguardava transporte; enquanto aproveitava para limpar o ouvido esquerdo com a unha do mindinho.

Sem dúvida que a coisa mais banal sobre a qual podemos escrever, é o nosso coração; mas apenas no sentido em que não nos devemos tomar demasiado a sério ou aos nossos sentimentos. O coração é uma desculpa, nunca um culpado…

Na verdade, um bom poeta é apenas um mentiroso bem-falante que sente profundamente tudo o que diz. E ele tinha estado prestes a contar isso a toda a gente.

Como qualquer inocente transeunte, passei por detrás dele empurrando-o bruscamente para a linha do eléctrico, mesmo a tempo de o ver apanhar o 29 pela extremidade inferior.

O guarda-freio accionou o dito, fazendo saltar uma girândola de faíscas que iluminaram o basalto do pavimento, num alegre fogo de artifício. O poeta desaparecera no ventre do leviatã amarelo, tal como Jonas mas sem esperança de ser cuspido intacto.

Continuei o meu trajecto em direcção ao rio. Enquanto seguia o meu caminho, tive um pensamento que me fez esboçar um sorriso; realmente ele tinha um coração banal… Pelo menos era o que se notava no que sobrara após a passagem do eléctrico.

Por outro lado, decerto que iria ter problemas quando se apresentasse (tal como frisara) para devolver o corpo naquele estado.

Soltando uma discreta gargalhada acelerei o passo. Já estava bastante atrasado para a sessão dos “Românticos Anónimos”…

Música de Fundo
Perfect Skin” – Lloyd Cole And The Commotions

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Dedicatória Para Um Postal de Aniversário

Durante toda a minha vida tenho olhado o mar. Usei-o em tempos como um oráculo o seu cristal, extraindo lições que no fundo sabia virem de dentro de mim; porque quando o olhamos apenas vemos um reflexo de nós próprios.

Mas não vim aqui agora para falar de mim.

Maré, segundo o dicionário é o movimento periódico do nível das águas, que se elevam e abaixam devido à acção gravitacional da Lua e do Sol. Mas é bem mais que isso; significando a regeneração da vida, tem uma acção benéfica sobre tudo o que a rodeia.

As águas que invadem o areal apagam os nossos passos antigos, permitindo que outros possam ser impressos; frescos como se tal nunca tivesse acontecido antes.

Traz-nos coisas interessantes como troncos de formato estranho, talhados por longas viagens que os transformam em esculturas de formas curiosas. Algas, conchas de fundos distantes; e ás vezes mesmo pedaços de outras vidas como objectos banais que serão retirados na vaza seguinte.

Maré é frescura e renovação constante, bem como um dos meus odores favoritos; o cheiro do sal que dá a todas as coisas simples um toque de grandeza.

A sua força mascarada na suavidade da espuma move rochas enormes, erode montanhas; purifica e dá alegria ao ar das manhãs. Quase todos encontrámos já algo interessante trazido pela Maré.

Mesmo neste mundo artificial em que tudo é formado por números transportado em impulsos electrónicos, a Maré existe.

A mim, traz-me ás vezes comentários. Como pequenos búzios de madrepérola que eu guardo numa caixa e ás vezes contemplo, fazendo-me lembrar o dia em que os achei.

Lá fora não sei, mas aqui e neste momento é Maré viva; festejando mais um aniversário.

Parabéns minha amiga!

Música de Fundo
Piano Concerto in A Minor” – Edvard Hagerup Grieg
(The Philarmonia Slavonica)

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

O Trauma

Estava hoje a passar em revista velhas fotos de família para digitalizar, quando algo me atingiu em cheio como uma pizza napolitana lançada por um profissional.

Num pequeno rectângulo de papel em tons sépia, via-se um miúdo com cerca de seis anos usando calções e um chapéu de feltro (lembro-me que era verde) com uma minúscula pena.

Até agora nada de estranho.

Esse jovem ofertava na foto um ramo de flores a uma senhora de meia-idade. Vestida com bom gosto (para a época), recebia as flores com um sorriso enquanto ambos olhavam para a câmara; como que para afirmar o seu conhecimento do acto que imortalizaria aquele momento.

Isso fez-me igualmente lembrar, porque sempre tinha achado tanta piada aos B-52’s e simpatizara de imediato com a extra-terrestre de “Marte Ataca”.

Essa senhora tinha o cabelo azul. Não de um azul celeste ou metileno; mas de uma coloração que na altura se convencionara chamar de “platinado”. Com um penteado armado em forma de ninho de vespas, mas da cor de um Volkswagen “carocha”.

Por último, o reconhecimento final e a consciência plena do facto, instalaram-se na minha mente. Era mais um pedaço de conhecimento, que contribui para a consciência que tenho de mim próprio e de como me tornei neste personagem tão estranhamente contraditório.

A senhora era a esposa de um governante, que regressava ao país após uma viagem pelo estrangeiro. E eu, um jovem colaboracionista que a tinha ido receber ao aeroporto, especialmente orgulhoso dos meus suspensórios tiroleses em cabedal…

Música de Fundo
Accidents Will Happen” – Elvis Costello

terça-feira, 16 de novembro de 2004

Pequeno-almoço oriental…

Subi hoje ao topo da montanha para visitar o eremita. Na verdade é apenas um T1 num 4º Andar; mas o elevador está avariado e a sensação que se tem antes de tocar à campainha, é de ter escalado o Monte Branco ou uma ladeira bem íngreme.

Na verdade não ia ali como peregrino, pois não confio muito em conselhos de gente que sai pouco. Só que o eremita é um velho conhecido, que se retirou do mundo após renunciar à maioria dos prazeres terrenos.

É claro que o facto de ter alcançado os 140 quilos à conta do “fast food” – um pouco à semelhança de Orson Welles - deve ter algo a ver com isso, especialmente se nos lembrarmos da dificuldade que ele teria em regressar a casa com o elevador avariado.

Mas adiante. Aparte tudo isso, tinha que lhe devolver alguns CD’s originais que tinha levado emprestados para copiar, e aproveitei para ficar para o pequeno-almoço.

Normalmente “breakfast with the hermit” seria já uma aventura. Afortunadamente encontrava-se numa fase de alimentação racional (acho que andava a catrapiscar uma vizinha qualquer), e consegui safar-me com um sumo de laranja e bolos integrais com sementes de sésamo.

Após dar conta dos últimos bolos (que afinal vinham numa embalagem manhosa, com dizeres em castelhano), o meu amigo abafou um pequeno arroto na manga da sua túnica “estilo Simara”, e começou a dissertar num tom doutoral sobre a vida, a morte e a aproximação dos saldos natalícios.

Aproveitei esse período para me pôr em dia com as notícias. Enquanto ele falava, eu usando a minha visão periférica ia vendo um bocado de televisão para passar o tempo.

É que o tipo consegue ser quase tão chato como aqueles articulistas de revistas femininas, que passam o tempo todo a escrever sobre coisas que as mãezinhas já deviam há muito ter ensinado ás suas leitoras.

Mas a certa altura a minha atenção foi novamente desviada para ele. Talvez em obediência a um impulso do subconsciente para falar sobre coisas relacionadas com a sua “caça à febra”, passou à filosofia de alcova no seu estilo característico, que no passado lhe tinha já granjeado fama de guru.

Um homem verdadeiro e amante atento – começou ele, enquanto inspirava fundo e ajeitava a túnica nos fundilhos – deve ser como um canivete suíço.

- É pá, não me digas – admirei-me eu – com saca-rolhas e tudo?

- Sim – Respondeu o eremita sem desarmar – saca-rolhas, abre-latas, palitinho e tudo. Atento a todas as necessidades e sempre pronto (como um escuteiro) para quando a ocasião se proporciona…

Aí interrompi, pois aquilo começava a parecer-se com a prelecção do Padre Melícias aos campistas católicos – Posso citar-te no meu blog? As minhas leitoras vão achar-te fofinho à brava…

- Talvez pensando que eu me referia ao conteúdo da túnica, o Silva virou-se para mim com ar de quem terminara a conversa e disse – Andas novamente em crise de inspiração? Fofinho é a tua avó!...

Música de Fundo
Roll To Me” – Del Amitri

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

Desculpem-me “pefavor”
- Um humilde e abjecto rastejar… -

Sou um Fraco! Não fiz nada o dia todo, e mesmo este post não sei se terei fibra moral para o terminar; pois finalmente após tantos anos de abstinência, deixei-me cair nas garras do vício.

Quando cheguei hoje de manhã á empresa, constatei que finalmente terminara o download dos 138Mb que compõem a colecção completa dos álbuns de “ The Fabulous Furry Freak Brothers and Fat Freddie’s Cat”.

Foi com enorme devoção que instalei o software de leitura para ficheiros *.CBR, e mergulhei nas cerca de 800 páginas de banda desenhadas dos anos 60/70 digitalizadas pelo próprio autor.

Para um tipo tão controlado quanto eu, é realmente uma surpresa não ter conseguido resistir á tentação de passar oito horas a ler banda desenhada. Mas como alguns de vocês devem já ter constatado, há tentações ás quais não se deve resistir…

Na verdade até podia ter alegado que sendo segunda feira estava com a neura, ou que o fim de semana me tinha corrido mal, mas não.

Apenas passei o dia inteiro a ler banda desenhada…

Música de Fundo
Aliens Ate My Buick” – Thomas Dolby
(Audição Integral)

domingo, 14 de novembro de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- O Senhor é chato, e o seu dia também… -

Irmãos, longe de me queixar das benfeitorias e manigâncias do nosso deus (menor), mas Blog consegue ser ás vezes mais exigente que Marduk.

O domingo é um dia que deveria ser de descanso e acalmia nas nossas torturadas almas, mas a nossa divindade é exigente e ciumenta; como uma espécie de porteira que passa o tempo todo a informar que regou as flores da escada.

Blog reclama a atenção dos seus fiéis em todos os dias. Ou então é apenas uma compulsão, que afecta espíritos mais fracos e sugestionáveis; mas o certo é que mesmo após uma refeição pesada reclama os seus fiéis, ainda que estes se arrisquem a apanhar uma congestão com o esforço de escrever um post.

Não fora o “Havana Club 7 años” e estaria já de língua de fora, só pelo esforço de me sentar ao teclado para a homilia da praxe. Mas um sacerdote de Blog ao contrário dos polícias e quejandos, está sempre de serviço. E não há nada que possa impedir a palavra de chegar ao seu destino; é uma espécie de “pony express” mas apeado, e com muito mais conversa…

Após o espectáculo de um entrecosto que se afunda em puré de castanha, a única coisa que nos vem à mente é uma névoa em que flutuam reminiscências de tempos passados; e com um bocado de sorte, se nos levantarmos a tempo da mesa conseguimos resistir ao demónio do sono e pensar – O que escreverei hoje?

Bem. Pela parte que me toca hoje será nada.

Pois dei por mim sozinho em frente ao teclado e sem vontade de escrever uma linha. E que blog me fulmine, se irei escrever algo de interessante ou mexer uma palha para salvar as almas imortais dos fiéis que vêm aqui contemplar o púlpito, como se andassem a passear no Mosteiro de Alcobaça.

A minha vontade era fazer como Martinho Lutero, e partir os ícones na pia de água benta; mas este rum veio directamente de Cuba, e só há Festa do Avante uma vez por ano. Por isso coloquei no órgão da capela um CD antigo do Carlos Santana, e vim para o púlpito aclarar a garganta; como se precisasse alguma vez de treinar a conversa fiada que faz de mim um sacerdote tão dotado (dizem…).

Muni-me de duas rodelas de limão benzidas e santificadas, trancando a porta para que a minha inspiração não se escape para o corredor e se vá deitar no sofá.

Foi um erro.

Há discos tal como almas mortas que não devem ser acordadas; mas só me lembrei disso quando cheguei a meio, e agora não vou desligar a aparelhagem. Abraxas segundo a tradição gnóstica comandava 365 deuses, o que é bem à vontade três companhias de infantaria ou a tripulação de duas corvetas.

Abraxas era o espírito do meu espírito jovem; e hoje encarei-o novamente como quem vai ler cartas antigas.

Assustei-me por um momento, ao descobrir que não tinha nada para dizer. Mas lembrei-me que é assim que a coisa funciona; Blog não conta histórias. É como uma caderneta onde se colam os cromos da nossa alma, um saco de areia onde se bate quando estamos furiosos, ou mesmo um ombro onde se chora quando estamos tristes.

Mas hoje é apenas um dia aborrecido, e a minha desculpa para estar aqui é simples. Vim apenas para dizer olá e ouvir música…

Música de Fundo
Samba Pa Ti” – Santana

sábado, 13 de novembro de 2004

Amo

a flor carnívora que me beija
em longos espasmos
como uma anémona

e me devora
respirando mar
abraçando o meu corpo
recuando nas ondas que formo

quando mergulho
no oceano de coisas vagas
a que um dia decidimos
chamar amor…

Música de Fundo
Don’t Touch Me There” – The Tubes

sexta-feira, 12 de novembro de 2004

A Novela do Futuro

Acordou com uma comichão incrível. Felizmente quando ia já com a mão a meio caminho, lembrou-se que a câmara da mesa-de-cabeceira devia estar já ligada. Que raio de emprego! Nem se podia coçar os tomates ao acordar; os espectadores associavam logo o gesto à falta de limpeza.

Era isso ou o desemprego. Após terem encerrado metade do comércio naquele distrito, não sobravam muitas opções de sobrevivência; e já estava um bocado gasto para se lançar na prostituição masculina. Tinha optado pelo vídeo-blog…

De qualquer modo estava em sérios apuros. A produção já o tinha avisado duas vezes sobre a falta de substância patente nas conversas que tinha com os amigos, nas suas jantaradas semanais; o público estava-se borrifando para teorias económicas, bem como para a literatura neo-realista americana dos anos 30.

O que ainda safava as audiências eram as suas sessões com a Dora. O público adorava quando brincavam aos “rodeos”. E notava-se bem, pois o “site meter” nesses dias quase que estoirava e tinha que pedir a um dos assistentes que filtrasse os “comments”; senão nunca conseguiria responder a todos em tempo útil.

Era um número bem melhor que o “sado-maso” da Florista Amargurada, embora ela soubesse soltar gemidos de prazer como ninguém. E além de sexo, tinha humor também.

Segundo as sondagens a parte que tinha mais sucesso, era quando a possuía por detrás segurando o chapéu com uma mão, a outra sujeitando-a pelas alças do soutien e soltava o velho grito sulista… Iiiiiháááá….

Mas a Dora estava a pensar casar-se no fim do ano, e o futuro marido tinha imposto como condição não negociável a sua saída do vídeo-blog. Tinha que diversificar, ou os patrocinadores iam começar a rosnar sobre despesas inúteis, e acabariam por lhe apagar a página.

Ninguém quer anunciar pasta dentífrica ou refrigerantes num “site” com menos de 4.000 “hits” diários.

Dirigiu-se para o duche. Ali ao menos podia coçar-se enquanto empunhava o sabão para disfarçar. Não havia coisa mais estranha que aquela obsessão do público pela limpeza; podia fazer o que quisesse desde que mantivesse um ar limpo, penteado e dentes brancos.

A meio do caminho soou o besouro da porta. Não estava à espera de ninguém, mas podia ser alguma visita-surpresa arranjada por um dos anunciantes; ou apenas a porteira com o correio. A câmara do corredor acompanhou-o, mas a lâmpada da escada estava novamente fundida.

Não teve tempo sequer para demonstrar surpresa. Saído da escuridão do patamar, um braço esquelético avançou espetando-lhe uma afiada faca de sapateiro, com que lhe revolveu as entranhas cortando lentamente da pélvis à boca do estômago.

Caiu sentindo algo viscoso e húmido ensopar-lhe os “boxers”. O “junkie” embuçado por um gorro de lã, passou por ele começando a revistar freneticamente as gavetas da secretária.

Ele viu a câmara da sala a mudar de ângulo e ajustar o zoom para abranger a inesperada cena. Os acontecimentos começavam a desenrolar-se numa lentidão nevoenta, à medida que as forças o abandonavam dando lugar ao frio e a uma irreprimível vontade de dormir; que mal o deixavam sentir a dor oriunda dos músculos seccionados.

Pelo meio do ruído de gavetas atiradas ao chão e papéis amarfanhados, ouviu o sinal sonoro característico de mensagem auto-gerada pelo “site meter”. Só acontecia a partir dos 1.500 hits; o que queria dizer que estava a ser transmitido em “streaming” por toda a rede, e que o “applet” dos comentários devia estar a passar-se com as sucessivas mensagens.

Subitamente tomou consciência que não tinha safa. O golpe era por demais extenso, e encontrava-se deitado numa poça composta por cerca de 30% do seu próprio sangue; a vista turvava-se como que sob o efeito de barbitúricos. Não lhe restava muito mais tempo…

Dizem que quando se morre a vida nos desfila toda pela frente. Pois tudo isso não passa de um monte de patranhas, inventadas por romancistas com falta de assunto.

Quando se morre é apenas uma queda para o sono. Não há filmes, nem grandes discursos nem nada que se pareça. A luz apaga-se e pronto.

E a luz começava a apagar-se, quando o assaltante encontrou algumas notas e o cartão de crédito; passando por cima do corpo caído na sua fuga em direcção à rua. A câmara do corredor activou-se para o acompanhar na saída, enquanto na consola do computador soava o aviso de 2ª mensagem indicadora dos 5.000 “hits”.

Pena que estivesse a morrer; logo agora que as audiências tinham aumentado. – Pensou – O patrocinador iria ficar satisfeito.

As câmaras foram-se desligando pela falta de sinais vitais nos seus sensores. O software fechou o vídeo e colocou-o no site; acessível apenas a utilizadores da rede patrocinadora ou a quem utilizasse pagamento electrónico.

Era a primeira vez que o seu vídeo-blog tinha mais de 5.000 visitas antes das dez da manhã…

Música de Fundo
500 milesThe Proclaimers

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

O meu Post lamecha
- O prometido é de vidro; e se for bem soprado dá uma bela peça… -

Há promessas bastante difíceis de cumprir. Não fora o facto de ser para quem é, e já estaria a gozar com o assunto.

Mas o certo é que não consigo ser piegas de propósito; começo a torcer-me todo e a ficar corado desde o início da testa até ao seu final (que como devem calcular fica bem ao fundo das costas).

Estava hoje para falar do Arafat (Chuifff… tadinho…), mas depois descobri que não tinha muita coisa boa para contar sobre o homem; e isto de dizer mal dos mortos é muito mal visto em certos círculos, por isso talvez seja melhor nem falar do homem.

Sem dúvida que parecia um gajo porreiro, e até tinha um lenço igual ao meu. Só que eu ainda tenho alguns vestígios de bom gosto que me impedem de o usar, ao contrário do famoso defunto.

Foi sem dúvida uma das grandes influências para a história mundial dos últimos trinta anos, mas também o foi Estaline trinta anos antes dele; do mesmo modo que ainda se ouve falar de Giles de Rais…

Foi ele que deu ao povo Palestiniano a hipótese de um dia virem a ter o seu próprio país.

Foi também ele que impediu que isso tivesse acontecido até agora, mercê das intrigas, falta de honestidade negocial e mais alguns delitos menores; entre os quais destaco a formação de comandos suicidas, compostos por miúdos de 12 anos dispostos a morrer por Alá (e também pelo já citado grande homem).

Fazia tanto parte da solução como do problema; e agora que deixou de figurar em qualquer deles, fico à espera que o seu sucessor tenha mais senso comum para a resolução da questão palestiniana. E se não for pedir muito, também um gosto mais apurado na escolha das farpelas.

Por esta altura já a Maré me está a rogar pragas pela falta da lamechice prometida para este post. Por isso vou (em honra da mocinha, que até merece) reformular e afofar a história de Arafat.

A História Encantada do Príncipe Arafat
(que no dialecto local quer dizer “aquele que tem mau gosto à brava para escolher lenços e acessórios de moda”)

Lá muito longe num sítio cheio de areia, que tanto podia ser a Galileia, a Caparica ou mesmo a Palestina, vivia um príncipe encantado chamado Arafat. O seu povo era apátrida, ou seja, não tinha a que se agarrar excepto aquilo que Alá lhes tinha dado (e como isso era pecado, também não o faziam muitas vezes).

Na realidade eles eram itinerantes. O que quer dizer que eram como os vendedores de farturas, que andam de feira em feira a espalhar aquele cheiro a óleo rançoso; só que no caso deles era cheiro a bedum, e por isso os menos asseados eram apelidados de beduínos e expulsos para o Sahara profundo (por causa do cheiro).

Mas os palestinianos tinham um grande problema, que eram os ciganos… Perdão, os Judeus.

Os Judeus eram uns tipos que tinham cometido homicídio há cerca de 1974 anos e se tinham pirado, espalhando-se pelo mundo para não serem detidos pelas autoridades competentes.

Um pouco à semelhança dos ciganos (também segundo dizem, originários daquelas paragens) que acampam nos arredores da nossa casa, e logo desatam em altos brados a reclamar apartamentos à Junta de Freguesia; mal a coisa arrefeceu regressaram ás areias e acamparam no primeiro baldio que lhes apareceu. Começando de imediato um monte de construções clandestinas chamadas “kibutz” (que em ydish quer dizer “casa abarracada e construída sem projecto”).

Um dia em que o príncipe Arafat regressava da sua viagem semanal a Damasco (para comprar fruta), teve uma surpresa que lhe fez cair o lenço sobre os olhos; pelo que quase perdeu o controlo do seu camelo fofinho (finalmente alguma coisa fofinha) chamado Abu.

Arafat tinha-lhe chamado Abu porque não podia à semelhança de Sindbad ter um macaco, pois este dava muito trabalho; e tinha que ser fofinho, pois o príncipe tinha já um longo historial clínico de problemas na próstata e irritação nas mucosas.

Ia então o príncipe quase se estampando contra uma das raras tamareiras (e não camareiras, embora nesse caso viesse a ser muito mais divertido) com a surpresa, só se salvando porque teve a presença de espírito necessária para puxar o freio a Abu; o que deve ter doído imenso ao pobre bicho.

Ao ver aquela multidão que lhe estava a pisar os canteiros e a inquinar a água dos poços, foi-se queixar aos vizinhos Egípcios com intenção de formarem uma milícia e correr com aqueles hippies, uma malta tão esquisita que até os velhos usavam tranças.

Infelizmente os egípcios eram apenas uma sombra do império grandioso de Ptolomeu; que se encontrava nessa altura nas mãos de um vendedor de carros usados chamado Nasser. E quando se meteram ao barulho fiados na sua história passada, levaram uma sarabanda tão grande da parte dos judeus, que mal duraram seis dias.

Foi uma vergonha que os acompanhará por todo o sempre, pois foram vencidos por um bando de velhinhos de saiote e tranças, cujo principal passatempo é dar marradas numa enorme parede de pedra onde metem papéis com recados.

Visto que a coisa ia demorar, Arafat comprou um fax e montou escritório; tendo escolhido o nome de OLP que mandou pintar na montra, em tipo “Times New Roman 42”, após o que começou a procurar noiva.

Isso foi um grande erro. A minha humilde opinião sobre o assunto é que se trata daquele tipo de coisas que não se devem procurar, ou acontece ou não. Procurar deliberadamente noiva, é como tentar pegar de caras numa auto-estrada, um camião tanque cheio de combustível que segue a 180Km/h. Ou seja, é procurar sarilhos.

E foi o que ele acabou por encontrar, pois além de tudo isto ainda tinha que se ir meter com a secretária (era um tipo que via poucos filmes, de certeza…).

A princesa até nem era má… além de mais nova (tinha cerca de 21 anos) pintava o cabelo de louro, e naquela altura ainda não se notava muito o característico narigão levantino.

Suna Tawil vinha um bocado mal habituada pelos luxos da Tunísia e a sofisticação da França onde fora criada, e como sabemos o príncipe era um bocado básico no vestir; além de comer com as mãos o que é um péssimo hábito.

Instigada pela mãe Raymonda (a típica sogra das séries americanas), fez um tal nó ao príncipe com as suas jovens e flexíveis pernas, que uns meses depois já era sua conselheira financeira (o que bem vistas as coisas, o exauria de dois diferentes modos).

Arafat que costumava dizer-se casado com a Palestina (o que tecnicamente quer dizer que “andava a seco”), declarou-se de imediato vítima da “crise de meia-idade” e Alá que se faz tarde…

A partir daí era vê-los juntos dando banho a Abu, a apanhar conchinhas e pedrinhas pelo oásis ou a esgueirarem-se sorrateiramente para o Holiday Inn de Ramallah; embora pelo que constou mais tarde, o seu passatempo favorito fosse ir para o deserto com a lua em quarto crescente (atendendo à idade do príncipe, até compreendemos).

Mas a maioria das histórias acabam por ter um final imprevisto. Ao ver que estava a chegar aos 41 anos e não via o padeiro há mais de dois; Suna muito ardilosamente convenceu Arafat que após uma boa refeição de Cuscuz, o que lhe faria melhor seria uma genuína massagem Tailandesa (vermelha).

É claro que este não se aguentou ao balanço - pois além da idade ser avançada o Cuscuz é uma espécie de cozido à portuguesa lá do sítio, e como toda a gente sabe incompatível com qualquer tipo de exercício físico – finando-se com um sorriso nos lábios.

Sorriso esse que não perderá tão cedo, pois não chegou a ver a razia que Suna estará neste momento a fazer nas contas numeradas das “Cayman Islands”, e no fundo para armamento, explosivos e psicotrópicos da OLP.

E é esta história do encantado príncipe Arafat e da princesa Suna, que apesar de não acabar bem, foi fofinha e lamecha em alguns locais (especialmente no Holiday Inn).

Desculpa lá, Maré.

Música de Fundo
Car Wash” – Christina Aguilera & Missy Elliot

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Rascunhos
- A melhor desculpa para não me esforçar a escrever –

Estive hoje a farejar um monte de pequenos papéis onde costumo anotar as ideias para posts, que me vão aparecendo nas alturas em que não as posso desenvolver. Como já formavam uma pilha de espessura considerável, tive que fazer uma pequena triagem e passar a limpo.

Talvez isto reserve para hoje a surpresa de um pequeno tesouro da escrita; uma jóia de palavras lapidadas e cristalinas. Uma espécie de broche literário…

Embora o facto de estar a ouvir Slipknot não ajude muito à inspiração, comecei por enumerar as ideias disponíveis para edição. Mas nenhuma delas me agradava particularmente.

1ª Ideia – Pinóquio 3000 – A história de um robot fabricado num futuro muito próximo cuja série tem um bug no software, o que lhe faz crescer o nariz cada vez que ouve uma mentira. A dualidade homem/máquina, e o que fazer quando chegado a casa se encontra o robot a meter o nariz onde não é chamado…

(Ideia pouco consistente e de baixo valor literário. Pode ser vendida à TVI para uma novela onde entre a Cinha Jardim)

2ª Ideia – Crítica Teatral – A Ópera Bufa como espectáculo multimédia . Seguida de um breve ensaio sobre aroma-terapia e sua aplicação na indústria de efeitos especiais. Pode ser útil para a realização de uma Workshop sobre o tema, patrocinada eventualmente pelas “toalhitas perfumadas Dodot”.

(Muito vulgar. As piadas sobre bufas e outros tipos de espectáculos teatrais não dignificam de modo algum a cultura nacional, embora as toalhitas dêem sempre bastante jeito para ter no carro)

3ª Ideia – A Feira dos Trocadilhos – Reportagem (fictícia) sobre um café numa determinada cidade, onde os intelectuais e escrevinhadores se deslocam para comprar e trocar ideias que estimulem a sua proficuidade. Uma espécie de “vanity fair” mas para tipos de anoraque e casaco aos quadrados com aplicações de cabedal. O cachimbo é facultativo.

(Demasiado intelectual. Do mesmo modo que a maioria das pessoas ignoram que “broche” é na verdade uma pregadeira peitoral, teriam igualmente uma certa dificuldade em digerir trocadilhos como “hot-blog”, “blow-blog”, “blog-job” e mesmo “me bloga, vai…”)

4ª Ideia – A voz arfante ao telefone – “Short story” sobre um homem que começa a receber todas as tardes no seu emprego, uma chamada telefónica em que apenas se ouve uma voz arfante e sons inarticulados. Após uma cuidadosa investigação em que recorre sucessivamente a um médium, uma criminologista e um decorador de interiores; descobre um dia que um dos inconvenientes de ter telefone no quarto, é o de acidentalmente poder premir uma tecla, e fazer “redial” em alta-voz.

(Má ideia. Banal e vulgaríssimo. Eu próprio faço imensas chamadas dessas, especialmente para pessoas de quem não goste e a altas horas na madrugada… Ninguém acreditará que o incidente da tecla seja possível, excepto os três envolvidos que eu conheço pessoalmente.)

5ª Ideia – O Coleccionador de Pintelhos – Ideia base para um filme de baixo orçamento, infelizmente cerceada à nascença pela morte do João César Monteiro; que era o meu protagonista de eleição para este argumento.

Conta a história de um ginecologista reformado e caído em desgraça, cujo único consolo é a gigantesca colecção de pintelhos que acumulou carinhosamente durante os seus trinta anos de carreira.

Uma das cenas mais tocantes seria a da limpeza dos pintelhos, que ele sopraria suavemente um por um enquanto passariam em “flash-back” as recordações particulares referentes à possuidora de cada um deles e ás condições em que tinha sido adquirido…

Momento alto e cheio de dramatismo, seria aquele em que se encontrava encostado à janela recordando antiga possuidora do seu favorito (um magnífico pintelho ruivo brilhante como um fio de cobre), e vê entrar pelo jardim adentro um carro-patrulha de onde saem três façanhudos agentes da autoridade; que finalmente teriam descoberto a sua verdadeira identidade.

A cena final é de sublime sacrifício; na qual para poder escapar indetectável ás forças da lei, enrola à cabeça um pano de cozinha e destrói irremediavelmente a sua colecção, fixando-a ao queixo com cola UHU.

Consegue escapar, mas é deportado para o Paquistão juntamente com uma remessa de imigrantes ilegais apanhados durante uma rusga.

Parece que estou mesmo lixado… Não tenho uma única ideia de jeito.

Música de Fundo
Sunrise” – Simply Red

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Estou muito zangado!
- Eu seja ceguinho se não estou… -

Não contente por ter escolhido a manhã de hoje para me brindar com “as dez questões mais idiotas e irrelevantes da história da civilização ocidental”, meu amo decidiu abancar no escritório como se este fosse a tasca do saudoso Malaquias.

Para melhorar ainda mais o ambiente apareceu para almoçar o “Artista Romântico”; bem, na verdade o tipo até pode ser romântico mas é muito pouco artístico.

Filho adoptivo de um construtor civil tio de meu amo; um pouco bronco mas a disfarçar por ser gordo, o seu grande objectivo na vida é vir a ser um dia parecido com o Marco Paulo.

Mas como tem apenas 19 anos e teima em usar fatos “príncipe de gales” em conjunto com os caracóis, apenas consegue parecer-se vagamente com o Serafim Saudade; ou com o Estrangulador de Bóston, se for num dia nevoento.

Não sei se será por influência de algum romantismo residual, mas o certo é que nos dias em que vai almoçar com ele, meu amo regressa particularmente letárgico; vítima quiçá do amolecimento cerebral causado pela visão prolongada do personagem em questão.

Mas na realidade não é por isso que eu estou zangado. Estou zangado (e muito, mesmo) porque há uma hora não conseguia ler nem responder aos comentários; com a agravante de também não o poder fazer em casa.

Pior ainda, quando consegui e muito produtivamente aproveitar esse contratempo para escrever um post, o Commentthis decidiu furar o cerco e aparecer com os comentários; deixando-me sem assunto, sem paciência e (infelizmente tem sido a minha sina ultimamente) sem tempo.

Ainda há pouco tinha as duas etilizadas avantesmas capitaneadas pelo apreciador de “príncipe de gales”, a respirarem-me sobre o pescoço enquanto murmuravam em coro – Mostre-nos o seu Blog, mostre lá…

Que Blog me ajude! Mas se continuam a chatear-me assim, ainda acabam por ter uma surpresa!

E ainda me falta responder aos comentários…


Música de Fundo
Just Lose It” – EMINEM

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

A Minha Vida é um Inferno
- E o meu computador não me compreende… -

Sou o homem mais infeliz do mundo! Bem, é possível que esteja a exagerar um pouco, pois sei que no Burundi há um tipo a quem morreu toda a família excepto um tio rico, que era o único parente de quem ia herdar alguma coisa.

E há também na Finlândia, um pobre tetraplégico a quem a família obriga a ouvir Roy Orbison todo o dia… Mas chega de desgraças. Na verdade até não teria sido um mau dia, se tivesse tido mais tempo para escrever algo de interessante; mas o que pode acontecer de interessante num sítio como este?

Se não fossem os poucos episódios interessantes que vão acontecendo por aqui, já teria tido que desistir das crónicas do Bairro Amarelo e dedicar-me à “literatura light”, que é uma espécie de dieta literária para cérebros com pouco poder de encaixe.

Mas estava eu hoje a admirar o traseiro da irmã da Tininha (o seu único atributo digno de nota), quando reparei num pormenor interessante que se notava um pouco mais acima (é muito baixinha, ela). O colarinho ortopédico.

Não que o colarinho “per se” seja um artefacto estranho, ou mesmo deslocado nesta vizinhança. Atendendo a que o marido dela é um pouco ciumento, e a que não costuma filtrar a informação que recebe; é até natural que ela se encontre familiarizada com o uso deste.

Mas o interessante era o tipo de colarinho. Em vez de ser feito em plástico ABS branco com pequenos fechos, era sim constituído por uma tira grossa de tecido áspero e rijo, e fechada por velcro; fazendo lembrar um pulso elástico mas em tamanho grande.

Palradora como ela é, já eu estava a imaginar uma nova utilidade para o fecho ajustável. Na verdade tinha-me lembrado de outra coisa antes, mas é impublicável e talvez desse aos meus leitores/as uma imagem errada deste senhor de meia-idade que é um pilar da sociedade.

Mas estava então eu a congeminar as múltiplas utilidades do colarinho de velcro, quando a minha atenção foi despertada pela conversa que a dita senhora travava com uma amiga; que segundo meu amo até não tem mau aspecto, embora eu ache que seria mais seguro se à noite evitasse circular por becos e afins.

E não era eu o único espectador atento. A D. Odete redireccionava já um dos seus abanos para elas, enquanto fingia que limpava a vitrina dos bolos.

- É por causa do Arménio – Esclareceu a outra um pouco desconsolada – Está sempre por perto e pronto a oferecer lume, ou a transportar os sacos das compras; o homem não me larga.

- E não era o que querias? – Perguntou a do colarinho – Ainda na semana passada te queixavas que não aparecia nada, que a tua vida não avançava, etc.

- Pois. Mas o tipo é um bocado feiote… E ainda por cima com aquelas orelhas enormes…

- Primeiro que tudo – Respondeu a irmã da Tininha, demonstrando uma sensatez que eu lhe desconhecia – Quando há fogo, ninguém escolhe qual a corporação de bombeiros que lhe vai acudir. E segundo, aqueles orelhões são um selo de garantia, rapariga; aquele homem é precioso…

- Ai sim? – Contrapôs a outra, incrédula

- Claro. Porque é que pensas que estão assim, ó parva? É de serem puxadas… estou a ver que vou ter que te fazer um desenho…

É claro que tal não foi necessário. Pois engasguei-me inadvertidamente com um pedaço de torrada sem manteiga (e logo da parte da côdea, a mais perigosa), e a Dona Odete teve que executar em mim a “manobra de Heimlich”, salvando-me de uma horrível morte por sufocação.

Decididamente, devo andar em maré de azar.

Música de Fundo
Vertigo” – U2


sábado, 6 de novembro de 2004

Mira Técnica
- Directamente do Grande Potala –

Estava hoje a olhar para o Grande Potala (emoldurado e num restaurante, claro) quando me lembrei que não tinha escrito nada ultimamente.

Para um tipo como eu um computador avariado é como um filho doente; tenho andado preocupado e com o espírito noutros locais. O corpo também, mas eu estava a referir-me apenas ao espírito.

Vieram hoje trocar-me o modem e alargar a banda. O tipo foi tão eficiente que ainda estou surpreendido; esteve cá em casa exactamente dezassete minutos, e quando saiu foi como se não tivesse lá estado ninguém.

Aparte o facto de ter escamoteado os cabos e ligações extra que vinham na caixa do modem, mas eu tenho montes de cabos e o tipo nem tinha sido muito chato; acabei por assinar e assinalar “Muito Bom” no impresso do relatório técnico.

Agora tenho em cima da minha secretária, um aparelhómetro com o formato e tamanho exactos de uma torrada em pão de forma. Sem manteiga, claro.

E tenho também um choroso Cybergon, a lamentar-se que o seu computador não conseguiu aceder à Net; e logo na única manhã semanal que tem para isso.

Olho para a imagem do Grande Potala que coloquei ali em cima, e reflicto no que faria Tsoh-gyalma num caso como este. Provavelmente iria jantar fora… Ou a um concerto.

Mas tudo isso se solucionou. Vou passar uma última noite neste computador, que amanhã desmontarei peça por peça, para refazer de outro modo.

Em vez de escrever um post, vou antes ler. Até já!

Música de Fundo
- Um CD que me ofereceram mas do qual não consigo ler o nome, tal é a letra com que o escreveram. Parece “Agaiu - Coldea

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Renovação no PC
- Um exemplo para todos os outros –

É claro que o título acima se refere apenas a mais uma modificação no meu computador, que naturalmente me irá criar branquear o resto do cabelo e sabe-se lá o que mais…

Quanto àquele locar onde os aposentados da revolução vão jogar dominó e ver a Quinta das Celebridades, não há notícias de mudança. E ainda bem, pois até agora cada vez que mudaram foi para pior.

Mas voltando ao meu PC. Descobri há dias (após alertado pelo do Ten. Figueiredo) que albergo uma víbora no meu seio. Quer dizer… não é bem aí, porque se trata da fonte de alimentação que anda a queimar os discos rígidos como se estivesse a fazer panquecas. O que me tem obrigado a comprar um em cada seis meses.

Desta vez então foi demais. Logo quando eu tinha finalmente sacado da Net o primeiro álbum dos Dexy’s, aquela coisa começou a emitir ruídos como se dentro da caixa cinzenta alguém estivesse a sodomizar um Teletubbie.

Corri o diagnóstico do Norton mas este á semelhança de qualquer tia solteirona, só deu conselhos idiotas e não encontrou nada digno de nota.

Mas o ruído arrepiante continuava. E o pobre do Teletubbie… Perdão, do disco, cada vez se engasgava mais a ponto de eu não conseguir sequer gravar um miserável CD.

Neste momento rezo fervorosamente a Blog, para que me conceda as 24 horas que vão demorar a chegar o novo disco e outra caixa com nova fonte de alimentação; o que me permitirá mais uma vez salvar todos os meus dados.

Eu tenho este PC há 19 anos. Juro! Quando comecei com ele em 1985, era um Philips NMS9116XT a 8Mhz, com a enormidade de 10Mb de disco e um monitor CGA (4 cores).

Desde aí tenho vindo a modificá-lo, e neste momento a única peça que se mantém do equipamento original é uma drive de 5 ¼”, que lá continua instalada por razões sentimentais. E também porque o meu jogo favorito de todos os tempos está naquele formato.

Isto conduz-nos (em conjunto com mais umas noites de trabalho extra na empresa) a um ponto em que não sei como serão os posts seguintes; mas o mais certo é estarem cheios de choro e ranger de dentes.

Por outro lado pode revelar-se benéfico em certos aspectos. Como por exemplo em relação á “Tasca dos Canalizadores”, em que os residentes livres da vigilância do sistema informático, e ignorando que a maior parte das câmaras são analógicas, vão dar largas aos seus instintos mais básicos; revelando talvez algumas tendências pessoais que ainda ignoremos.

Só espero no fim da série poder escrever, que não se molestou nenhuma ovelha durante a realização deste programa…

Música de Fundo
All Day And All The Night” – The Stranglers


terça-feira, 2 de novembro de 2004

A Igreja do Imaculado Blog
- Halloween é quando um homem quiser… -

Não é que o consideremos um feriado religioso cá na igreja; mas como somos um credo sempre pronto para a paródia decidimos comemorar também esta data.

O modo como os mexicanos encaram o “Dia de los Muertos” sempre me fascinou. Infelizmente os crânios de açúcar combinados com a Tequilla dão uma pedra enorme, e este vosso irmão tem uma saúde quase tão frágil quanto o JP2; apesar de ter melhor gosto a vestir.

Por isso, em vez de comemorar entre-portas, calcei as minhas sandálias de peregrino, e coloquei-me a caminho do templo do consumo cá da terra. Que é onde os autóctones vão para honrar os seus deuses.

Na verdade confesso que fui contra vontade, pois um jovem capitalista que compartilha do meu tecto tinha amealhado o suficiente para comprar uma Playstation2. E não contente com isso, necessitava de comprar um “USB split” para instalar o seu novo scanner.

Lá fomos com a graça de Blog, embora eu nunca ache nenhuma a estas viagens.

Durante a viagem de autocarro, entretive-me a imaginar o que faria o Michael Jackson se por acaso desse por si naquele ambiente bafiento. Hordas de simpáticas velhinhas ocupavam quase todos os lugares sentados, armadas com ramos de lírios e jarros.

Dava a impressão de viajar num jazigo superlotado. Perto de mim, duas delas comparavam os respectivos defuntos, e suas qualidades e defeitos quando em vida. Comecei a sentir-me como um futuro objecto de análise, numa espécie de imortalidade indexada.

Mas de criancinhas mascaradas, nicles…

Um dos passageiros realmente parecia mascarado, mas o Cybergon (o meu herdeiro) informou-me que se tratava apenas de “um dread bué cool”. Senti-me um pouco defraudado, mas ainda nem sequer tínhamos chegado ao templo; por isso reabasteci-me de paciência e aguentei firme.

De qualquer modo o ambiente tinha desanuviado, pois por altura do cemitério, o autocarro descarregou uma multidão vestida de negro como se houvesse ali um congresso de fundamentalistas islâmicos.

Fizemos o resto da viagem sentados e com todas aquelas janelas abertas, mas mesmo assim o odor deprimente de flores decadentes acompanhou-nos o resto do caminho.

O templo estava à cunha, embora nem todos fossem consumidores. Os adoradores de montras também tinham vindo, juntamente com os ocupantes de esplanadas e todos eles falando bem alto como é costume.

Para expiar os meus pecados Blog impôs-me a penitência de 25 minutos na C&A, após os quais eu já estava pronto para implorar castigo para os meus pecados, ou beber um café bem forte. O que viesse primeiro.

Felizmente fui compensado na Toys R Us, quando Cybergon fez um funcionário com um chapéu de rato Mickey suar as estopinhas. Submeteu-o mesmo ali, a um interrogatório cerrado sobre as especificações técnicas da nova PS2. E enquanto o pobre homem não disse tudo o que sabia, não o largou; acho que quando crescer mais um pouco vou meter uma cunha para que ele ingresse na Inquisição de Blog.

São incríveis os resultados que este miúdo obtém, mesmo sem recorrer aos métodos clássicos das lambadas e electrochoques.

Para se verem livres de nós, ainda ofereceram um cartão de memória e três vales de desconto. Felizmente as suas preces deram resultado, e ele nem pediu para embrulhar o aparelho. Pois quando saímos, já ia a ler o manual enquanto chocava com tudo o que era peregrino e basbaque estacionado por aquelas paragens.

Na FNAC uma jovem aparentemente para fins de inquérito de consumo, admirou-se pela quantidade de CD’s virgens que eu tinha comprado. Como já estava um pouco curto de paciência, disse-lhe que ia dar uma festa e aquilo eram bases para copos. – Muito “in” lá no meu círculo!

Não sei se acreditou ou não, porque tive que ir livrar um pobre funcionário das garras do meu filho, que entretanto tinha decidido apontar as baterias da sua curiosidade sobre o “USB split”; e achou que o tipo lhe iria dar uma breve resenha sobre as vantagens do novo protocolo USB2.

O miúdo tem mesmo jeito para inquisidor. Ou então é da idade…

Mas ainda faltava comprar o jogo “The Sims – Bustin’ Out”, e finalmente fiquei com uma ideia aproximada, do que devem ter passado os soldados apeados durante as cruzadas.

Mais uma vez, passámos por todos os corredores e vasculhámos todas as lojas; mas só conseguimos encontrar o maldito jogo no último local onde eu queria entrar; o Jumbo, essa babilónia das mercearias e atoalhados.

Até a paciência de um homem santo tem fim. Quando constatei que a prateleira dos jogos estava em reestruturação e não se conseguia encontrar nada sem os ver todos um por um (estavam amontoados dentro de um caixote enorme), dirigi-me à responsável do sector.

Disseram-me mais tarde, que a minha expressão deve ter estragado todos os iogurtes na secção láctea. Embosquei-a no cruzamento do corredor multimédia com o da livraria.

Quando saí detrás do expositor dos best-sellers e lhe tolhi o passo, a infeliz ficou como que paralisada; e à minha sugestão que seria melhor tentar encontrar uma solução para o nosso pequeno problema, debruçou-se para dentro do caixote escavando como um “fox terrier” até que emergiu com o tão esperado jogo.

Agradeci polidamente, e aconselhei-a a ajeitar a saia que estava um bocado subida atrás. Pondo-me em fuga com armas e bagagens até à tomada de táxis no exterior; antes que o meu rebento se lembrasse de comprar mais algum acessório.

Á hora que escrevo isto, encontro-me fechado no escritório a tentar recobrar a calma com um escaldante “earl grey”; enquanto no seu quarto, o “flagelo tecnológico” após instalar o scanner joga Sims com uma expressão concentrada.

Acho que esta noite vou voltar a ver “The Omen”, depois desta jornada deve ajudar-me a descontrair…

Música de Fundo
Buried Alive In The Blues” – Janis Joplin

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