segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Procura-me

Procura-me bem
no fundo do teu ser
onde escondes receios, mágoas, remorsos
sonhos adiados ou perdidos

Procura-me na sombra mais negra
em que escondes
o teu verdadeiro coração
as lágrimas que ninguém saboreou
o prazer
que nunca ninguém teve

Ou então não procures
que eu mostro-me

Olha em frente
e atenta bem na imagem que vês
reflectida neste espelho.

Musica de Fundo
Closest Thing To Heaven” – Tears For Fears

domingo, 27 de fevereiro de 2005

O Teste
Tal como os horóscopos, os seus resultados são por vezes pouco exactos...

You are Don Juan From "Don Juan De Marco."

Woobaby! You are Don Juan - dark and handsome, and the world's greatest lover. Some people find you to be a bit insane (or is that insanely sexy?). While you may not be playing with all 52 cards, don't let that get you down - you're a true romantic at heart.
Take The Johnny Depp Quiz!
Música de Fundo
"Have You Ever Really Loved a Woman" - Bryan Adams
Nota - Roubado da Hipatia
O Início do Verão

Através das pestanas semi-cerradas observava uma gota de suor que descia pelo peito dela. Uma leve penugem quase invisível travava-lhe a descida, tendo ficado suspensa à beira do umbigo bem desenhado como uma pequena boca sedenta e preparada para a beber.

Humedecendo um pouco os lábios e pestanejando sob o brilho do sol, ele virou-se de lado na toalha. Com o indicador impulsionou a pequena gota para dentro do umbigo, enquanto com a língua acompanhava em sentido ascendente o pequeno sulco húmido.

Estremecendo ligeiramente, ela pousou-lhe uma mão no ombro e sussurrou – Espera… Estão ali uns miúdos. Vamos antes até casa.

- Os calções ainda não secaram – respondeu ele, apontando um monte de tecido com palmeiras, que lhe envolvia a cintura como uma tenda de bom tamanho – Só se os despir e for de toalha à cintura. – Propôs a sorrir com um ar maroto.

- Se usares a toalha ninguém vai ver nada do que eu quero – Disse ela sorrindo enquanto calçava as sandálias, e se começava a dirigir para o parque de estacionamento quase vazio, onde se encostou ao carro para sacudir a areia dos pés.

Colocando a toalha à cintura, o homem despiu os calções com um gesto fluido. Entretanto sem se saber como, já ela conseguira envergar a roupa por cima da pele nua, notando-se através do top acetinado a rigidez dos mamilos ligeiramente húmidos que se colavam a este.

Ela recostou-se no assento, apreciando o calor que o sol lhe espalhava pela pele numa carícia suave e lentamente deixou-se cair numa relaxante semi-sonolência, com a cabeça tombada para o lado deixando o cabelo solto escorrer sobre a face.

Ele conduzia atentamente a uma velocidade moderada, segurando o volante com a mão esquerda enquanto mantinha a direita apoiada na perna dela; sentindo crescer a tepidez excitante que lhe chegava aos dedos vinda das coxas ligeiramente entreabertas.

Fez subir a mão devagar arrastando um pouco a saia mais para cima, enquanto a contemplava pelo canto do olho.

Imersa num leve torpor, ela sentiu-lhe os dedos em exploração. Vendo-lhe a expressão excitada através das pálpebras semi-cerradas, mas sem querer demonstrar que se encontrava desperta. Um dedo aflorou o monte-de-vénus, descendo lentamente pelo sulco que a dividia e introduzindo-se dentro de si, como que procurando abrigo.

De olhos fechados e controlando o impulso para não se mexer, sentiu todos os pormenores do dedo, desde a unha aparada até aos pequenos pelos da parte de cima, passando pela nodosa articulação que lhe provocava uma sensação estranha ao roçar pelos lábios humedecidos.

Espreitou disfarçadamente quando ele vagarosamente retirou o dedo e o levou à boca; lambendo-o com a ponta afiada da sua língua carnuda, como que testando deliciado o sabor de um molho.

Sentiu um arrepio de prazer partir dos seios e atravessar-lhe a barriga em direcção ás coxas que contraiu, sentindo-as agora molhadas e pegajosas. Sem que parecesse acordar, fez-se descer no banco avançando o cóccix, de modo a abrir-se um pouco mais.

Sorrindo ao movimento como um convite e imaginando-a convenientemente adormecida, ele repetiu os mesmos gestos. Separando-lhe com dois dedos os lábios molhados, e aproveitando ela estar em posição mais favorável, para com estes bem húmidos lhe acariciar o clítoris rosado que despontava hirto como um pequeno pénis.

Ela admirava disfarçadamente a expressão compenetrada que ele fazia, ao tentar concentrar-se em duas coisas simultaneamente.

Sentiu dois dedos a deslizarem para dentro de si, engolidos numa espécie de beijo sôfrego. Deixou-se ir na sensação de sucção que lhe provocava, apreciando o calor que a invadia e lhe tornava a respiração um pouco mais pesada.

Estacionando no beco paralelo à casa, ele virou-se para o lado e acariciando-lhe os cabelos com a mão esquerda, atraiu-a um pouco para si e beijou-lhe meigamente os olhos; dando-lhe pretexto para fingir que acordava. Pegou-lhe na mão direita e conduziu-a para debaixo da toalha que tinha à cintura.

Com a ponta dos dedos ela sentiu a haste quente. Percorrendo-a pelo alto-relevo do canal até à base onde os pelos começavam a crescer; e envolvendo finalmente o membro com os dedos puxou-lhe a pele para baixo fixando-a firmemente com a mão, deixando exposto o seu desejo, ao que foi recompensada com um pequeno gemido abafado que ele soltou enfiando-lhe os dedos pelo cabelo.

Apenas porque ele o desejava, deixou-o conduzir-lhe a cabeça em direcção ao colo. Com a ponta da língua saboreou uma gota, que despontava do pequeno orifício na ponta em forma de morango, e abraçou-a com os dentes, prendendo-a delicadamente enquanto movimentava a língua em pequenos círculos ritmados, que a deixavam com excesso de saliva que lhe escorria pelo canto dos os lábios.

Meigo mas firme, ele empurrou-lhe a nuca até ela sentir algo aflorar-lhe a garganta. As mãos entrelaçadas no seu cabelo, faziam-na sentir-se como um barco a ondular em mar alto, que a guiava em movimentos verticais imprecisos, apertando-lhe habilmente o membro entre o céu da boca e a língua.

Mas além da posição lhe fazer doer o pescoço o volante magoava-lhe a orelha. Para desapontamento dele, levantou a cabeça e sorrindo disse – Não estamos bem aqui, que o carro é muito acanhado. Seria melhor subirmos; e eu já podia dar-te mais atenção.

Ele acedeu, e puxando a toalha para baixo encaminhou-se para casa. Ela seguiu-o com as pernas um pouco trémulas em antecipação, e sentindo as coxas roçarem uma pela outra no seu movimento viscoso à medida que caminhava.

Entraram na sala imersa na penumbra provocada pelas persianas. Atirando as chaves para o aparador ele beijou-a na boca, deixando que a língua lhe descesse até ao pescoço salgado. Simultaneamente subiu-lhe o top, expondo-lhe os seios redondos como toranjas.

Acariciou-os com as palmas das mãos em movimentos circulares, acabando por os apertar e lhes beijar os bicos, roçando por eles a ponta dos dentes. Ela levantou-se ligeiramente, apoiando-se nos dedos dos pés e levantando os calcanhares; ao sentir a diferença de temperatura nos mamilos, e inclinou-se ligeiramente para trás de forma a que ele se demorasse um pouco mais.

Arrancando a toalha com um único gesto encostou-se a ela, fazendo-lhe perceber contra o estômago a dureza do membro, que sentindo-se solto estremecia ligeiramente. Empurrou-a para o sofá que se encontrava por detrás dela, e segurando-lhe a saia pelo elástico da cintura despiu-a ao longo das pernas, até a retirar totalmente e lançar ao acaso pelos ares.

Ela sentiu-se segura pela parte interior dos joelhos e puxada para a frente. Sempre firmemente agarrada, viu os joelhos aproximarem-se-lhe da cabeça enquanto ele se introduzia, fazendo-a arquejar sob o impulso inicial.

Segurando-lhe as ancas e com os tornozelos dela cruzados atrás do seu pescoço, ele arremeteu; mas sentiu que ela o apertava com as pernas e usava o seu impulso para o tombar de lado sobre o sofá, aproveitando para com um movimento rápido se colocar por cima.

Apertando-o com os joelhos como a uma montada nervosa, empalou-se lentamente nele até sentir a base peluda do pénis em contacto com as suas nádegas. Começou a mover as ancas em lentos movimentos circulares, sentindo-o varejar dentro de si; e inclinou-se para a frente introduzindo-lhe a língua na orelha.

Deixando que os seus seios roçassem pelo peito dele ao seu ritmo, dando-lhe uma impressão de ser percorrida por umas grandes mãos que acariciavam por toda a pele disponível.

Ele ao sentir-se como que engolido por uma anémona carnuda que o sugava insistentemente, segurou-a pelas nádegas e com os dedos em redor do seu pénis, acariciou os lábios encharcados que o circundavam.

Sentindo-se abrir aos poucos por fora ela arqueou o corpo para trás, afastando-lhe as pernas, e enquanto se equilibrava na barriga das pernas dele ia subindo e descendo em movimentos cada vez mais rápidos, deixando que o seu corpo comandasse inconscientemente o desejo de se cravar ainda mais.

Sentindo uma sensação familiar que a derretia em fogo perto do clítoris, e se espalhava rapidamente pelo resto do corpo, como magma que se solidifica num só sopro; ramificando-se pelas virilhas em direcção ás pernas descoordenadas, e subindo por ela em flechas certeiras atravessando o peito que agora saía de dentro de si.

Ela gemeu um pouco mais alto e inclinou-se para a frente agarrando-lhe firmemente os ombros, empalando-se nele em arrancos bruscos que se foram reduzindo a um saltitar percorrido por estremecimentos pontuados por pequenos gritos agudos.

Sentindo as contracções do orgasmo dela apertarem-lhe o membro ele tentou resistir, mas já um arrepio lhe percorria a espinha em direcção ao escroto; e com um grito rouco sujeitou-lhe as ancas cravando-se nela até não restar espaço algum entre as suas peles, que se colavam pelo efeito do suor e saliva, estremecendo nos últimos espasmos.

Cansados, ela deixou-se ficar sobre ele, apertando ainda as pernas de forma a não o deixar sair de si, sentindo o seu coração bater num ritmo acelerado que a fazia esboçar um sorriso. Afundando a cara no peito dele, elevou um pouco as ancas e desencaixou-se lentamente, percorrendo com a face o corpo suado com sabor a sal, sentido na cara o calor que emanava da pele.

Num gesto demorado, alongando os braços ao longo do corpo dele, passou-lhe suavemente a língua pelos mamilos mordendo-os em seguida, pela barriga traçando uma cruz de saliva e sopro até chegar ao pénis, onde lambeu um resto de sémen que permanecia colado ao membro, fazendo-o estremecer uma vez mais.

Em seguida, esticou-se novamente para cima, e como uma gata em posição de ataque beijou-o passando-lhe a língua pela boca inteira, passou a perna esquerda para fora, levantou-se e dirigiu-se à casa de banho.

Suspirando profundamente, ele deixou-se ficar deitado a olhar o tecto e sem pensar em nada; em paz.

Música de Fundo
Freelove” – Depeche Mode

sábado, 26 de fevereiro de 2005

O Post Antes do Post Erótico
- Uma breve advertência aos mais distraídos, aos moralistas, aos menores… e já agora também aos dissimulados –

Se vos viesse impingir uma qualquer definição de erotismo estaria a perder o meu tempo.

Haverão imensas páginas por essa Net afora, que decerto melhor que eu darão belas e sonantes opiniões que não firam a susceptibilidade de ninguém, quer pela sua linguagem suave e morna, ou pelo seu conteúdo xaroposo cheio de princesas e meigos aventureiros debatendo-se à “media luz”.

O texto que irá ser colocado amanhã é apenas um post erótico (um de muitos), sem pretensões a explicar ou condensar todos os preceitos do erotismo. É apenas como é. Pois para mim o erotismo não é o que dá pica, mas sim o que provoca orgasmos em que nos parecemos com Cocas o Sapo, ficando aínda longo tempo a dizer incoerências.

Posto isto, é natural que não seja um texto para todos os leitores; pelo que se advertem as almas mais sensíveis, crianças, pessoas de avançada idade e sacerdotes a que amanhã não leiam este blog.

Agora que já vos avisei, trata-se apenas de uma questão de tempo. Mas não esperem nada de invulgar, pois é apenas um Post Erótico.

Música de Fundo
Angel of Arlem” – U2

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- A dádiva do perdão –

Irmãos, é de voz embargada que venho pedir o vosso perdão pela vileza cometida ontem; se bem que devido à precipitação pela publicação do post. Quando atentei bem na imagem escolhida para ilustrar o post da limpeza do template, a primeira coisa que me veio à memória foi o “Plan Nine From Outer Space” do Ed Wood.

Realmente toda a cena parece passar-se num patamar de escada de um qualquer bairro social; pois a parede está cheia de grafitti, e os degraus deveras encardidos.

Começando pelo marmanjo que personifica o Anjo de Blog, a coisa não está nada boa porque o tipo é parvo. Tão estúpido que tem o indicador direito acima do “guarda-mão” e sobre a lâmina da espada; basta mexer-se mais um bocadinho, e ficará a ser conhecido por Gabriel “Nove Dedos”. Mas é daquelas alcunhas que até ficam bem a um anjo castigador.

Já as sabrinas que calça não parecem muito másculas; mas qual de nós vítima da pressa não calçou já a primeira coisa que encontrou. Quem nunca deu por si na rua em chinelos, que atire a primeira pedra…

Então o penteado do tipo, é de ir ás lágrimas. Mas se ele dorme com aquelas asas, é natural que acorde com a túnica toda amarrotada e o cabelo transformado num prato de oleoso esparguete “à la napolitana”.

Já Adão (sim, que aquilo originalmente representava, não sei como, a expulsão do paraíso) além da habitual hipertrofia peniana, parece ter igualmente vestígios de uma tromboflebite no músculo da perna esquerda (em baixo); razão esta que justificará eventualmente a enorme choradeira com que vai entretido (ou então tapa o rosto apenas por causa dos jornalistas).

Ao lado do tipo que representa Adão, temos então o tipo que faz de Eva. E digo isto, porque além de ter um traseiro caracteristicamente masculino, é a cara chapada de Limahl, o vocalista dos Kajagoogoo; um grupo pop-piroso dos anos 80.

Felizmente tinha saído minutos antes do cabeleireiro, o que talvez o vá consolar do percalço de ser expulso do paraíso. Para não passar pela mesma vergonha que o companheiro, usa a mão direita para tapar algo que pressupostamente não deveria estar ali.

Por azar acaba por se esquecer de esconder a pior parte da sua anatomia. Que são aqueles seios de € 1.200,00 e cuja operação deu para o torto, pois o único que conseguimos ver tem o aspecto de um preservativo cheio de água.

Melhor que isso, só a pelagem que lhe desce dali (sobre a barriga) até ao umbigo, que como toda a gente sabe e se poderá notar nesta obra de arte, durante essa época se situava quase sobre o diafragma.

Deduziremos pois, que o autor desta gravura nunca viu um anjo (nada de grave, pois eu também não) mas tinha um razoável conhecimento da anatomia masculina (talvez devido a fazer regularmente poses completamente nu frente a um espelho).

Mau mesmo, é que aparentemente nunca viu uma mulher despida. Ou pior ainda, quem ele viu despido e pensou ser uma mulher, não o era… Que Blog me ajude, mas só a menção do facto me dá arrepios, pobre pintor…

Mas não. O mais certo é tratar-se apenas de um herege, que com esta aberração quis denegrir a nossa igreja e os pais de toda a humanidade.

Por isso ó artistas… muito cuidado, que com o pai da humanidade não se brinca. Já com a mãe, sempre é outra conversa …

Música de Fundo
Let’s Stick Together” – Bryan Ferry

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

Comunicado do Comité Central da Igreja do Imaculado Blog e Empresas Associadas desta Electrónica Folha de Couve

Nos últimos tempos, quase que seria mais fácil o país vencer a inflação do que qualquer leitor aceder a este blog em menos de cinco minutos.

Após um monte de experiências acabei por compreender que o problema se encontrava no contador de visitas; que sendo gratuito, tinha desculpa para se pendurar no blog e evitar que este carregasse. O que fez imensa gente desistir de o ler, uma ou outra vez.

Na verdade eu prefiro que me leiam, a saber quantos são ou de onde vêm. Quem se quiser dar a conhecer, tem sempre os comentários e o mail.

Já há muito que passei a fase de considerar um êxito o maior número de visitas, ou estar linkado por um tipo que quer ser Presidente da República um dia. Se escrevo, o meu objectivo é ser lido; e não exibir mais ou menos freguesia.

Por isso o bom do sitemeter acabou por ser despejado.

(This is a true story! Tan taran tan taaaannnnnn)

Música de Fundo
Sunday Morning” – Maroon 5

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Sobre a Integração Social e o Papel da Educação Técnica no respectivo Processo
- Cadernos Sociológicos –

Na altura em que eu era funcionário do Município, o bairro onde agora trabalho chamava-se P.I.A. (Plano Integrado de Almada), embora o nome mais indicado fosse talvez… Fossa, ou outro no género.

Os bairros de plano integrado são de imensa utilidade para a inserção social de famílias carenciadas, elementos desajustados ou segmentos raciais mais segregados; tais como ciganos ou negros com maior aversão por hábitos ocidentais como o banho e quejandos.

Na verdade os pontos em que este tipo de bairros obteve maior sucesso, foram na expansão da economia paralela e na divulgação do sexo inter-racial (uma das melhores actividades que lá se pratica).

Mas o tema que hoje aqui me traz é sério, e nada tem a ver com a dilagem ou a rebaixolice (mas é uma pena). Trata-se antes de atentar no alheamento com que esta sociedade agride todos os desvalidos e segregados, que tenta ostracizar nesses verdadeiros guetos onde se come cachupa e ouve Da Weasel (bem fixe).

A maioria não chega a terminar a escolaridade obrigatória. E mesmo dos que o conseguem, raros são os que eu convidaria para jantar lá em casa; pelo menos na sala.

Preocupado com o estado do tempo (não fossem as rezas daqueles simpáticos otários de Fátima terem resultado, e eu acabar por me molhar), abri a porta que dá para a rua e perscrutei a escuridão em busca de indícios de humidade.

Não os havia. Mas no passeio em frente dois jovem de raça negra (apenas co-incidentalmente) tentavam infrutiferamente abrir o porta-bagagem de um Ford Orion; possivelmente teriam perdido as chaves…

Como não chovia voltei a entrar, e tendo arrumado todas as minhas tralhas, desliguei o PC e dei de comer aos peixes antes de sair. Com a chave fiz descer a porta de correr blindada e subi a rua em direcção à drogaria (igualmente pertença da empresa).

No passeio em frente, os dois jovens tentavam pacientemente usar a haste de um dos limpa pára-brisas para deslocar a lingueta da fechadura.

Na altura não me pareceu que fosse o método mais eficiente.

E estava perfeitamente certo. Porque mal eu tinha entrado, um deles apareceu para tentar comprar um pé de cabra. Mas como não havia, teve que se contentar com uma chave de fenda de tamanho médio; o que lhe deve ter dificultado imenso o trabalho. Pois cerca de cinco minutos depois, quando me encaminhei para a viatura que me levaria a casa, discutiam ambos animadamente.

Antes de arrancarmos, ainda tive tempo de ver um deles mais agitado apontando para a fechadura que continuava invicta, e esbofetear repetidamente o companheiro, que fez menção de retaliar.

Pelo que me contaram hoje de manhã, a coisa complicou-se. A ponto de o proprietário do veículo, farto do barulho ter vindo à janela, e ao constatar o ocorrido ter empunhado a sua caçadeira e danificado quatro viaturas em redor da sua.

Felizmente os dois azarados aspirantes a serralheiro conseguiram retirar-se dali apenas com os seus orifícios de origem, e sem mais contratempos. Mas por pouco que se evitava um acidente grave. Pois por volta do sexto disparo, já o tipo começava a afinar a pontaria.

Na verdade, a solução para estes percalços passaria pela via profissionalizante do ensino, virada para as necessidades do gueto. Cursos de serralheiro, estágios de montanhismo (para os amantes da escalada de varandas) e mesmo treino de tiro ao alvo para os possuidores de armas de fogo. De modo a evitar danos na propriedade alheia.

Espero pois que este meu texto sensibilize quem de direito. Para que se faça algo por esta carenciada camada da população, tão esquecida pelo governo, pelos media… e mesmo pelas forças policiais.

Um grande bem-haja…

Música de Fundo
Get Down On It” – Kool & The Gang

domingo, 20 de fevereiro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- Um voto pela fé –

Pois é, malta. Para os de vós que vêm induzidos em erro por este título, posso já afirmar que fé… não tenho nenhuma.

Para já, nem sequer vou votar.

A partir do momento que descobri que em vez de o meu voto servir para afirmar a minha vontade, servia antes para escolher entre meia dúzia de inúteis qual deles iria no mandato seguinte viver à conta do fruto do meu trabalho, desisti.

Não vou fazer ganhar o PSD porque não prestam, e não vou dar a maioria absoluta ao PS porque também não valem nada. Por isso e dando continuidade ao habitual regime de alternância, ganhará o PS, mas apenas porque é a sua vez.

Outra razão pela qual não fui votar este ano (além do desencanto, preguiça, teimosia e espírito de contradição) foi por causa do Saramago. Que Alfred Nobel me perdoe, mas a descoberta da nitroglicerina foi muito menos destrutiva, e até a invenção da lobotomia (por um nosso conterrâneo) tem muito mais mérito que aquele clister literário chamado “Ensaio Sobre a Lucidez”.

E não me venham com a velha teoria dos artistas sobre os críticos. Eu posso não saber desenhar uma rosa, mas já vi algumas (aliás muitas) e nenhuma delas é assim. Do mesmo modo que já participei algumas vezes em assembleias de voto, e a exaustiva descrição que o escritor faz, aproxima-se do efeito de 50cm³ de gás hilariante.

Quanto ás interrogações e conflitos íntimos dos membros da assembleia de voto, nada tenho a dizer; pode-se sempre culpar o excesso de radioactividade em determinada área. A única coisa que parece corresponder à dimensão em que se encontra o nosso universo, será talvez a designação de PDE, PDC e PDD que me parece de bom gosto e tão politicamente correcta, que me interrogo se o autor não terá familiares nos diversos quadrantes.

Quanto ao enredo… não se passa em Portugal, é certo. Também, quem acreditaria?...

Mas eu não deveria estar aqui a dizer mal de Saramago (do qual aprecio duas obras), pois confesso que não li o seu livro até ao fim. Na verdade não consegui, pois ao fim de cinco minutos desatava em bocejos e as pálpebras tornavam-se-me pesadas; e por mais café que bebesse, o meu cérebro acabava por ser invadido por rebanhos de ovelhas que ali acampavam, desfilando uma a uma ao ritmo das frases.

Tentei ler salteado, mas à semelhança das velhas maldições relatadas na literatura fantástica do século IXX, parecia-me estar sempre no mesmo ponto do livro não interessando para tal a página em que o abrisse.

Á semelhança do herói da máquina do tempo de Wells, parei em todas as estações e apeadeiros mas a aldeia era sempre a mesma. E notem que eu gosto de Saramago; só não tinha ainda era lido este último livro.

Mas já me estou a desviar do assunto, que apenas por acaso era o voto.

Para começar a Igreja do Imaculado Blog não é mais nem menos do que as outras. Por isso também nos tentamos imiscuir na vida política, e levar os nossos fiéis a votar onde nos dá mais jeito – Lembrai-vos da Irmã Ivone e do seu sublime sacrifício – Assim também aconselhamos, para que as vossas almas não caiam no inferno de Blog, onde há péssimos templates e ranger de dentes.

Ide! Ide à vossa assembleia de voto. E quando vos derem o respectivo boletim, perguntai – Mas só tem estes partidos? – E perante a natural resposta afirmativa do delegado, só tereis que responder – É uma pena… Olhe, fica para a próxima!

E virando costas àquele lugar de impiedade, voltai para o seio das vossas famílias para ver as sondagens, pois uma visão me mostrou que o PS vai ganhar na mesma.

Música de Fundo
Rebel Waltz” – The Clash

sábado, 19 de fevereiro de 2005

O Fascínio das Vendas
- Actividades de Sucesso –

É domingo e o ar fresco percorre o cais como um fino lenço de tule. Na esplanada um homem de aspecto descontraído aspira a brisa matinal, com um leve sorriso que lhe desce dos olhos semi-franzidos para a boca.

Outro que se aproxima, passando por detrás dele senta-se com à-vontade na cadeira em frente – Há quanto tempo, pá… que é feito de ti?

- Olha, nada de especial. Estava agora mesmo a pensar em pedir um café. Queres? – Chamando o empregado com um gesto discreto, finalmente olhou o outro directamente – Estás com bom aspecto. Que tens feito ultimamente?

- O costume. Trabalho, família e tal… Nada demais. Agora tu estás mesmo com bom ar; perdeste peso, e tudo… Que andas a fazer agora?

- Vendo! Pelo menos é o que faço mais… Sabes que sempre tive uma certa queda para a improvisação, e como gosto de surpreender; pois com as vendas acho que estou finalmente a completar algo que me faltava… - Com ar sonhador, acompanhou o voo de uma gaivota enquanto o sorriso se lhe espalhava pela face.

- Isso é óptimo. – Retorquiu o outro - Mas eu continuo há anos na mesma rotina. Sabes como é… Um tipo acomoda-se e acaba por criar raízes; e depois é difícil vencer a inércia.

- Pois acho que devias soltar-te um pouco. Se deres largas a ti próprio, vais acabar por descobrir que enquanto estiveste parado apenas perdeste tempo de vida, sem que isso tivesse servido para nada.

Entretanto calaram-se enquanto o empregado pousava as chávenas sobre a mesa. O recém-chegado remexendo o café com a colher, acabou por mostrar a sua admiração. - Porra! Isso das vendas abanou-te mesmo bem. Pareces um daqueles gurus do marketing, que costumam cá vir ganhar um balúrdio para contar como andam a enriquecer…

- Não é bem o mesmo. Eu quando vendo, sinto que estou a soltar algo há muito tempo guardado. Como se descobrisse um continente escondido, que sempre tivesse estado sob o meu olhar…

- Estou a ver… Um autêntico convertido. Quer dizer que compensa; não?

- Claro que compensa! – Afirmou o outro com ênfase – A grande vantagem das vendas é que libertam. A partir do momento em que desaparece o que se encontra em redor, elas tornam-se mais sensíveis a qualquer estímulo. E todos os sentidos ganham uma acuidade nunca vista…

- Espera aí! – Cortou o outro um pouco surpreendido – Estás a falar de quê? Que história é essa dos sentidos?

- Das vendas, claro. – Respondeu o amigo muito naturalmente – Coloca-la em pé no meio da sala, e tapas-lhe os olhos….

- Desculpa lá rapaz – Interrompeu-o novamente o outro um pouco engasgado – Mas há aqui algo que não está a bater certo. O que é que colocas em pé? E porquê?

- Uma mulher, claro. És parvo? – Atirou-lhe o outro um pouco agastado – Ainda não virei!... Mas como dizia eu. Ela fica em pé no meio da sala com os olhos vendados; e então fá-la girar várias vezes em todas as direcções, para lhe confundir o sentido de orientação.

- Espera aí. Estás a dizer-me que tapas os olhos a uma tipa, e é isso a tua profissão?

- Irra! Continuas o mesmo cepo. – Respondeu o tipo das vendas – Estava apenas a falar-te da coisa mais interessante que tenho feito ultimamente. Quero que se lixe o trabalho…

- Pronto, pá. – Cedeu o outro já rendido à curiosidade – Mas conta lá; vale mesmo a pena?

- Não interrompas, que já vais ver. – Disse piscando o olho, o campeão de vendas – Enquanto a despes e lhe beijas repetidamente todo o corpo, à medida que a vais despindo, repararás que a reacção dela é muito mais acentuada do que em condições normais. O melhor de tudo, é que tem tendência a verbalizar; e então vai começar a dizer-te coisas que habitualmente não ouves, ou a pedir que a toques num sítio ou outro. Quando as carícias se começam a aprofundar, o seu corpo parece um arco pronto a disparar…

E assim continuou, iluminando o espírito do amigo com as aladas imagens do seu devaneio; enquanto as gaivotas copulavam em pleno voo e os cacilheiros se escarrapachavam em almofadas de espuma como matronas sôfregas.

Parafraseando Henry Miller – “As pessoas movem o mundo, mas o que as move é o sexo…”

Música de Fundo
Master And Servant” – Depeche Mode

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Hóstias ao Vento
- Uma pia rubrica, patrocinada pela Igreja do Imaculado Blog –

Irmãos, todos nós sabemos que devido à confusão que antecede as eleições, as fronteiras da realidade começam a esbater-se e daqui a pouco não há santinho que nos valha (santinha talvez se arranje…).

Ele é “menino-guerreiro que quer colo” (faz lembrar publicidade a um filme pedófilo), ou o “Jeitoso” a quem os “Rosacruzes” empurram por detrás, ou mesmo o pirralho beato que se esconde atrás de Nossa Senhora como se esta fosse tia dele.

Ok! Pronto!... E também o velhote bonacheirão que ainda está ali para as curvas, e que vai animando as excursões com as velhas canções de outros tempos (e que devido ás letras desactualizadas, não nos servem de nada no momento actual).

Face à maré de idiotice eleitoral que nos invade, já eu fraquejava considerando a hipótese de tirar Direito e ingressar no MRPP, quando Blog mais uma vez passou a sua misericordiosa mão sobre as nossas cabeças (dei por isso, porque me cheirou a cebola…), enviando-me um sinal personificado pela Irmã Ivone.

Ivone dos Prazeres de Esaú (como mais tarde foi crismada por Frei Fialho) nasceu em berço profano, filha de uma costureira e um caixeiro-viajante de Nelas; e cedo sentiu na pele (isto só para começar) as agruras da vida.

Um dia em que o pai regressava de mais uma das suas cansativas viagens, apanhou a esposa a costurar para fora e sem qualquer aviso abateu a pobrezinha a tiro, mesmo a meio do acto de dar ao pedal (ainda não tinham inventado aqueles aparelhos eléctricos, que tanto esforço poupam).

Tinha nessa altura Ivone quinze anos, tal como maravilhado constatou o sargento Geraldes do posto da GNR, que ao levar preso o seu progenitor lhe perguntou a ela se gostaria de ir servir lá para casa.

Dois anos depois, e farta de apanhar nódoas negras devido ao estreito corredor lá de casa (o sargento Geraldes, passava o tempo todo a esbarrar nela), guardou as suas tralhas num saco Adidas comprado na feira de Seia e pôs-se à boleia.

Decorriam então os idos anos 80, e as estradas eram percorridas por seres sem coração que conduziam Celicas e Alfas. E quis o destino que Ivone, à boleia na Estrada Nacional fosse notada pelo Alberto que ás escondidas da amantíssima esposa tinha ido assistir ao Festival de Vilar de Mouros.

Ainda meio ressacado, tentava construir uma ficção que justificasse o facto de a visita à delegação do Porto se ter transformado numa ausência de dois dias, quando deparou com uma visão inesperada.

Na berma via-se um vestido de ramagens verdes salpicado de pequenas margaridas, de onde transbordava uma jovem que mantinha o polegar esticado, ostentando uma expressão de desamparo.

Com um guincho de protesto os travões imobilizaram bruscamente a viatura, enquanto ele fazia passar a cabeça pela janela e lhe perguntava com um sorriso lupino se queria boleia para Lisboa. Resta-nos acrescentar, que durante uma certa época o termo “boleia para Lisboa”, pelo menos na província, tinha conotações eróticas.

Mas a pobre rapariga era inocente e pura, tal como poderia atestar o Sr. Prior, que todos os Sábados a ouvia em confissão; ficando sempre um pouco ofegante após testemunhar tanta castidade junta.

E por isso entrou no Ford Taunnus, sem suspeitar que começariam ali as provações que a empurrariam insistentemente para o caminho de Blog.

Perto do Carregado, Alberto decidiu que estava na hora de aplicar o velho truque do desvio, e conduziu o automóvel para um caminho de terra batida onde parou. Não existe desta conversa um registo verdadeiramente fiável; mas pelo que consta nos Anais da nossa igreja, foi exigido a Ivone o sacrifício da sua castidade como pagamento pelo transporte.

Horrorizada pela perspectiva de ficar com o seu hímen irremediavelmente danificado (pois estava a guardar-se para o casamento), ela debateu-se alegando que era muito religiosa, e que só depois de casada permitiria que tal acontecesse; preferindo morrer se forçada a tal.

O tipo olhou-a judiciosamente, e fingindo que acreditava propôs-lhe mais uma alternativa que ela recusou repugnada (embora mais tarde viesse a aceitar sem problema, a “comunhão de Blog”). – Bem, como não dás mesmo muita escolha… – disse-lhe ele agarrando-a firmemente para que não tentasse fugir – Vou ter que optar pela via alternativa…

Confiante na velha máxima “olhos que não vêem, coração que não sente”, Ivone embora contra-vontade acedeu aos caprichos do pervertido agente de seguros. Tendo segundo conta Frei Fialho (o seu biógrafo) comovido blog com as suas súplicas e gemidos; fazendo com que este decidisse tomá-la a si quando viesse a hora.

Chegou pois a jovem a Lisboa, um pouco combalida mas com os seus horizontes substancialmente abertos; pelo que começava já a ver a vida com outros olhos.

Mercê desta experiência, a sua determinação e fé tinham saído fortalecidas pela provação. Tendo então decidindo que apenas a Blog entregaria o santuário da sua virtude, colocou um lenço pela cabeça e atravessou o Largo do Campo das Cebolas em direcção a uma pensão, onde foi pedir emprego.

Como sabemos, a vida dos pobres e dos oprimidos não tem história. E se alguém foi oprimido no sentido real do termo, essa pessoa foi Ivone. Principalmente se contarmos com as investidas do Sr. Constantino, claro.

A partir daí e durante alguns anos, o seu percurso foi juncado de escolhos. Acumulando a sua profissão de empregada de mesa na “Minhota dos Anjos” durante o dia, com a de camareira de serviço à noite na Pensão Constantino; onde se consumia numa azáfama constante entre toalhinhas turcas e frascos de Asseptal. Pois tratava-se de uma casa muito afreguesada, cuja sua fama chegava até à Baixa da Banheira.

Foi criando reputação de moça muito dada, porém casta; o que lhe valeu a amizade incondicional do Profeta Arnaldo. Um antropólogo autodidacta, que já na altura estudava as tradições orais bem como os Anais da Igreja de Blog, em busca de iluminação sobre os mistérios da tentação e redenção da carne (sim, que isso do espírito já era…).

Após alguns anos de harmoniosa relação, o santo homem foi levado por uma infecção urinária agravada por anemia, que o fez chegar ao seio de Blog leve como uma pena e com a alma imaculada, como se tivesse sido lavada com Persil.

Descoberta mais tarde pelo empresário Reinaldo Piçarra, enquanto cantarolava no bidé durante uma folga, Ivone encabeçou o elenco da revista “Cuidado com o Taveira”; que se manteve cinco anos em cartaz no Parque Mayer.

Espectáculo este que só não alcançou o recorde de “Jesus Christ Superstar” e “Cats”, porque o protagonista masculino (um antigo futebolista muito dotado) após cinco anos a duas sessões diárias, decidiu que estava na altura de diversificar a sua carreira e comprou uma peruca ruiva, desaparecendo de seguida (diz-se que durante algum tempo, foi visto a fazer dueto com António Calvário no Circo Atlas).

Um pouco amachucada pelas agruras da vida (mas sempre ciosa da sua virgindade), Ivone acabou por trabalhar no bengaleiro do “Hipopótamo”, onde ficou a vender maços de Peter Stuyvesant e preservativos com sabores; até ver a sua existência abreviada por um táxi em “tarifa 2”, que a espalmou contra um vidrão.

Logo o seu hímen subiu ao céu, arrastando com ele à boleia a sua alma imortal e impoluta.

Entrevistada pelo Altíssimo, contou-lhe as suas desditas. Não que ele as desconhecesse… Mas Blog “pela-se” por uma história picante, e decidiu ouvi-la da boca dela; recompensando-a com uma nuvem com vista sobre o IST, e uma almofada ortopédica. Pelo que ela irá passar o resto da eternidade em bem-aventurança louvando a Blog e remexendo-se no seu assento.

E agora perguntam-me vocês – Então e o raio do sinal?

Bem. Não sei como explicar isto. Mas por alguma razão que desconheço, tive ontem a sensação que seria uma boa ideia canonizá-la. Sempre é virgem… Não é?

Música de Fundo
Feeling This” – Blink 182

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Este Salazar é bem milhór có outro
- Reflexões de um ex-Revisionista (ou Social-Fascista… não sei bem…) –

Estava preparado para redigir o post de hoje, como uma ode à moral e aos bons costumes; só que mais uma vez o meu punho foi desviado pela mão de Blog (que como todos sabem é uma metafísica manápula peluda e de unhas roídas).

Apesar de já estar farto de procurar em vão obras ou feitos de monta realizados pelo PP (serve igualmente o nome para a albarda e para o burro), excepto talvez a propagação da gripe em feiras e mercados através das políticas beijocas, deparou-se-me finalmente uma oportunidade na pessoa do octogenário.

O octogenário (cujo nome omito para protecção do seu arranjinho) é um primo afastado.

Bem. Dizer que é um primo afastado talvez seja um pouco exagerado, pois está quase tão afastado na minha árvore genealógica como o lémure de Madagáscar. Mas considera-me como sua família desde que gabei as mulheres transmontanas (como devem calcular, o tipo é de lá).

Só a talhe de foice, posso explicar que a meio de uma conversa sobre mulheres (com um octogenário, transforma-se numa questão académica), lhe disse que as transmontanas eram boas no Inverno. E quando ele lisonjeado me perguntou se as achava ardentes, respondi que pelo menos as da aldeia dele pareciam lãzudas; o que seria óptimo para as noites geladas.

A partir daí, ficámos amigos e manda-me sempre uma garrafa de aguardente no Natal. Talvez para compensar a falta de lã mais a sul…

Mas isto serve apenas de introdução para o facto de ele hoje me ter telefonado, a avisar que vinha “por aí abaixo” com a velhota para o comício do PP que se vai realizar no domingo.

Fiquei siderado, pois o octogenário é do PS. E apesar de ninguém lá na aldeia (distrito de Vila Real) saber disso, não me parecia do género vira-casacas. Há anos que se senta nos primeiros bancos da igreja durante a missa, e comunga para manter o nível de hidratos de carbono à conta da Santa Madre Igreja e das suas hóstias. Pelo menos assim ninguém o chateia.

Foi-me explicado que tendo a certeza que o PP não ganharia, decidiu aceitar o convite para a viagem gratuita com as refeições incluídas. Já era uma vantagem em relação a Salazar, que apenas fornecia o transporte; deixando a cargo dos figurantes a responsabilidade dos respectivos farnéis.

Ainda tentei saber se à semelhança das “Viagens Mister Charly”, dariam igualmente um garrafão de tinto e um quilo de linguiças a cada participante adulto, mas a bateria do telemóvel encontrava-se no fim da carga e não deu para perceber mais nada.

Começara automaticamente a maldizer o Ministro Paulinho e toda a sua salazarenta comitiva quando parei a meio, tal como quando a dona Alice me acertava na mona com o apagador por eu estar a dizer piadas na aula. A luz de Blog iluminou-me, e tive uma epifania ou uma Eugénia (ás vezes custa-me a distinguir).

Na verdade tratava-se de caridade cristã, e não de frio e revoltante oportunismo. O PP sobrepondo-se à missão das misericórdias durante 24 horas, iria alimentar, passear e proporcionar um espectáculo humorístico (uma espécie de “Revista das Beatas”), a diversos idosos necessitados; alguns deles até confinados em fraldas para incontinência.

Imaginei extasiado a onda de solidariedade estendendo-se a outros partidos. Por exemplo, o PSD a encher autocarros com os emigrantes ilegais e os sem-abrigo (que ultimamente têm acumulado ambas as funções), levando-os em itinerantes jantaradas pelo interior do país; e aproveitando para lhes dar a conhecer o Portugal desconhecido que espera por todos nós.

Ou o PS pegando nos montes de intelectuais de esquerda que andam aos caídos pelas cidades, levando-os (com direito a refeições, dormida e whisky) para compartilharem com as gentes do campo a sua sabedoria de periódico.

Acarinhei principalmente a ideia em que o Bloco de Esquerda, em colaboração com o Chapitô fazia uma workshop subordinada ao tema “Como fazer os slogans mais divertidos, e entreter os seus eleitores com teorias delirantes”.

Infelizmente o PC não poderia entrar neste leque de actividades, pois já no meu tempo obrigavam quase toda a gente a pagar as viagens de autocarro e os almoços; acabando muitas vezes nós por pagar ainda a parte daqueles senhores que ficavam na “mesa isolada”. Pelo que calculo que o avô Jerónimo, não tenha ainda quebrado a “Corrente da Pelintrice Leninista”.

Tentei ainda contactar o POUS, mas acho que ela tinha ido ás compras e não atendeu o telefone. Por esta altura da redacção do post, já as minhas gargalhadas se tinham reduzido a um sorriso bem-humorado quando me passaram o folheto do PNR.

Esta malta quer mesmo matar-me de riso, e continuar a dar matéria para dezenas de posts. Como era de esperar, mal o li desatei à gargalhada.

Música de Fundo
És Cruel” – ENAPÁ 2000

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Fantasias de Carnaval
- Não é fetichismo. Tenho apenas uma imaginação um pouco fértil… -

Como devem calcular, quase tudo o que me acontece é pouco convencional; isto talvez devido ao facto de me encontrar nos sítios errados ás horas erradas, e ainda assim teimar em achar isso normal.

Obviamente isto será a introdução ideal para vos explicar, que não me constipei por ter caído à piscina no domingo passado.

Em vez disso e mercê da minha tendência para contrariar, fui vítima de uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo, que me impede de manter algumas das minhas actividades favoritas, ou pelo menos em certas posições; pelo que agora caminho de um modo pouco menos que cómico… “With a limp”.

Finalmente um vasto leque de testemunhas imparciais entre os quais se destacavam o Apóstolo e uma motorista de autocarro, asseguraram-me que talvez devido ao meu casaco de cabedal, desenvolvera uma inquietante semelhança com Herr Flick da Gestapo.

Foi a melhor notícia que me poderiam ter dado; pois se há homem que eu admire a seguir a João Paulo II, esse é Herr Flick.

E é uma admiração bastante natural. Atendendo ao facto de eu ter usado suspensórios tiroleses e chapéu com uma peninha na minha inocente e despreocupada infância, em que brincava aos clínicos gerais com a minha enfermeira assistente do andar de baixo (talvez tenha desperdiçado uma promissora carreira na medicina, ou na indústria dos filmes “kinky”).

Não que eu tenha grande fixação por enfermeiras. Têm uma certa tendência para o autoritarismo, e ainda por cima os uniformes brancos sujam-se imenso; mas na verdade o que me corta a onda é o branco e a touca.

Estas duas características fazem lembrar vagamente o fetiche mais perigoso e dispendioso que existe… A noiva! Mas não vou agora estragar a conversa com perversões.

Em segundo lugar no meu ranking das fatiotas, vem a autoridade. Dêem-me uma boa mulher-polícia ou mesmo uma funcionária da Securitas, que eu mostro-vos o que é imaginação a sério.

Já no caso das funcionárias que fiscalizam os parquímetros, a coisa complica-se. Pois devido à sua má índole, e à ingrata missão que cumprem diariamente, considero-as mais apropriadas para devaneios sadomasoquistas que envolvam sinalizadores fosforescentes, um bloqueador de rodas e imensos trocos.

Mas como sabem eu não conduzo; por isso estão-me vedados estes prazeres rodoviários. Embora há dias me tivesse sentido tentado, quando ao passar pelo veículo de um desgraçado qualquer, encontrei uma dessas divas debruçada sobre o mesmo, com o fato-macaco verde torneando-lhe as generosas formas.

Mas o uniforme que mais evidencia as formas da sua ocupante é sem dúvida o de “guia”. E notem que eu escrevi GUIA, e não escuteira.

É que apesar de o Animador Cultural, defender a tese em que a única diferença entre uma guia e uma escuteira, são cinco anos em Pinheiro da Cruz; eu prezo muito as diferenças, e escrevi tal como podem atestar: “Guia”.

É inegável que Baden Powell prestou um contributo inestimável à formação de todos os jovens com a fundação do escutismo. Mas terá sempre um lugar no meu coração, por igualmente ter tido a ideia das “guias”. Especialmente daquelas em que a saia do uniforme fica a um palmo bem medido acima do joelho.

Existe lá coisa mais revigorante, que caminhar no meio da selvagem natureza pela frescura da manhã, e encontrar uma Guia de gatas lavando a cara numa poça de água cristalina?

Infelizmente são muito assustadiças, e tanto o joelho esquerdo como a gabardina de cabedal, não me ajudam nada a correr velozmente. Mas não faz mal… Existe sempre quem esteja disposto a fazer uma boa acção.

Há aí alguma Helga na assistência?

Música de Fundo
Mister Brightside” – The Killers

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

O Perigo nas Trevas

Espantosamente tinha sido um dia sem peripécias. Apenas momentos calmos, salpicados de risadas soltas pelas crianças que brincavam à nossa roda enquanto engarrafávamos o vinho.

Tivemos que nos apressar pois a trovoada ameaçava uma bátega enorme, que afinal não chegou; e acabámos por nos reunir à noite na enorme cozinha frente à lareira, petiscando diversas iguarias, daquelas que um dia me entupirão uma artéria qualquer.

Das trevas chegavam-nos os latidos dos cães, fechados no canil que se encontrava no outro extremo da propriedade.

O ruído insistente imprimia-se na noite, perturbando o sossego do repasto. Mas era um pouco longe, e ninguém parecia interessado em abandonar o seu canto aquecido para os ir libertar.

Não gosto de desse tipo de ruído. Apesar de não ser um apreciador de cães, respeito-os como a qualquer outro ser vivo; e começava a custar-me gozar em paz o jantar com aquela lúgubre música de fundo.

Levantei-me da mesa, e avisando a anfitriã de que iria soltá-los abri a porta e saí.

A lua encontrava-se oculta num muro negro de nuvens negras como cotão velho, e em volta apenas se distinguiam os ruídos habituais da noite no campo; muito poucos. Mesmo as aves se mantinham caladas nas árvores, como que receosas das trevas que tudo invadiam.

Fui atravessando a escuridão, guiado pelo ladrar constante que se ia tornando mais audível. A certa altura pareceu-me ouvir um ruído estranho, mas não tive tempo para o identificar. Caí no vazio.

Tudo se modificou à minha volta e um frio sufocante envolveu-me, penetrando através da minha roupa, e começando a congelar todos os meus músculos um por um…

Tentei libertar-me do abraço gélido, e sacudindo a cabeça para forçar uma reacção rápida saltei em frente. Isso ajudou a dar impulso para me levantar, e sem pensar em mais nada encaminhei-me rapidamente de volta à casa.

Todo o meu corpo se tornara mais pesado, fazendo cada passo parecer interminável e penoso.

Ofegante, abri a porta. Mas não conseguia ver bem, pois os meus olhos pareciam como que cobertos por uma fina membrana. Tentei falar.

A princípio apenas consegui soltar um som inarticulado e rouco, que fez com que todos se virassem na minha direcção. Pelas suas expressões surpreendidas, compreendi que era bastante visível a modificação que se operara em mim.

Pigarreei um pouco, e finalmente consegui articular. – Vocês acreditam nisto? Acabei de cair na piscina!...

Música de Fundo
Drifter” – Iron Maiden

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Arsénio Sexual
- O prodigioso quotidiano de um homem-objecto… -

Arsénio Crespo tinha morrido e chegara ao céu. Pelo menos é o que contava a todos os amigos a quem descrevia o seu novo emprego na “Justiconta, Lda. - de Justino Seabra (T.O.C.). Era como trabalhar num talho, nunca estivera tão perto de uma tal quantidade de bife de 1ª; e havia para todos os gostos.

Sem dúvida que o velho Justino com aquele ar de pervertido devia “orientar-se à brava”, pois não havia outra justificação para uma tal quantidade de gajas boas; principalmente porque algumas delas mal sabiam contar pelos dedos. O que como devem calcular, numa empresa de contabilidade até daria bastante jeito…

Foi aí que começou a tortura de Arsénio, pois encontrava-se perante um dilema. Ou ficava ali a vê-las passar sem nada fazer e a acumular frustração e fluidos desnecessários, ou tentava alguns “avanços”, arriscando-se a ser notado pela entidade patronal e despedido sumariamente com a desculpa esfarrapada do assédio.

Após algumas noites de forçada vigília, em que tentava lobrigar uma solução concentrando-se nas tábuas do tecto do seu quarto, acabou por concluir que talvez não fosse má ideia começar a demonstrar ás colegas que era um tipo sensível apesar de 100% homem.

Em suma, o princípio da armadilha homeostática.

Segundo os utilizadores deste método, os resultados não são propriamente imediatos; havendo necessidade de se demonstrar primeiro ser um bom ouvinte (mas não demasiado bom, pois é sabido que raramente as mulheres se metem no saco com os confidentes), sensível ao infortúnio dos outros sem ser lamecha, e principalmente ser um tipo que nunca fala de aventuras passadas (pressupostamente sinónimo de que não o fará em relação ás presentes num futuro próximo).

Como vêem dá um bocado de trabalho no início, mas dizem que compensa; e teoricamente os resultados começariam a manifestar-se ao fim de algum tempo.

Arsénio abandonou as poses “à matador”, optando por uma postura mais modesta e discreta. Nas discussões tentava ser razoável e ver sempre ambos os lados da questão, contemporizando um pouco quando achava necessário; e dava inclusive conselhos ás suas colegas, que começavam a procurá-lo cada vez que tinham algum problema.

Parecia na verdade estar no bom caminho. Embora uma delas, uma galdéria de ar simpático conhecida por abichar tudo o que era macho, o começasse a olhar de um modo estranho; tendo até sugerido que se continuasse assim, ele poderia ainda vir a sofrer a mesma sorte que o seu antecessor.

É claro que ele atribuiu isso ao facto de ela ter os olhos “mais rasgados” que as outras, pelo que considerou difícil virem a desmascarar a sua encenação.

Era sexta-feira e ele encontrava-se a consolar a pobre da Alice, que coitada tinha sido despachada pelo namorado ao fim de oito anos, e chorava desconsoladamente ao pé da máquina do café.

Enquanto ela lhe encharcava a camisa com alguns decilitros de mágoa, ele fazia-lhe festas na cabeça imaginando que noutra posição aquilo saberia muito melhor, enquanto em voz carinhosa e suave se desculpava pela má índole dos seus semelhantes masculinos.

O Sr. Justino passou entretanto, deitando-lhes um olhar de soslaio e continuando em direcção ao seu gabinete.

Ao fim da tarde quando Arsénio finalizava o expediente, o intercomunicador zumbiu e o chefe pediu-lhe para passar pelo seu gabinete antes de sair. Quando o viu entrar, mandou-o sentar no sofá e pondo os pés em cima da secretária constatou sorrindo. – Parece que você se adaptou bastante bem ao ambiente da nossa empresa. As raparigas gostam imenso de si, e tecem-lhe imensos elogios; tendo até chegado a dizer-me que é um tipo muito prestável…

O interlocutor olhou-o receosamente e preparava-se para responder, mas ele continuou enquanto se levantava e tirava um livro da estante - … um bom confidente e sensível para com os problemas delas.

Ao ouvir tudo isto, Arsénio sorriu com modéstia. Aparentemente o patrão não o considerava uma ameaça, o que lhe dava mais algum espaço de manobra; pelo que respondeu. – São boas colegas e tento ajudá-las no que posso. Ao fim e ao cabo trabalhamos juntos, não é?

- Não há muitos homens assim, sabe? – Perguntou o Sr. Justino sentando-se ao lado dele no sofá, com o livro no colo enquanto o encarava. – É difícil encontrar um homem para trabalhar entre mulheres, que não venha perturbar o equilíbrio nas relações de trabalho.

- Tenho o maior respeito pelas minhas colegas, Sr. Justino – Disse o contabilista – Nunca as desrespeitaria; aliás considero-as como minhas iguais…

- Eu sei, Arsénio… Eu sei. – Disse o patrão sorrindo – Olhe, gosta de poesia? – Perguntou dando-lhe uma palmada no joelho – Vou ler-lhe uma coisa de Eugénio de Andrade…

Subitamente, Arsénio Crespo começou a transpirar copiosamente.

Música de Fundo
You’re History” – Shakespeare’s Sister

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Os Suplicantes
- Ésquilo nada teve a ver com isto –

Todos sabem que a religião de Blog além de bastante liberal, tem como principal característica a originalidade (como devem ter reparado nós não crucificamos os nossos Profetas e Salvadores; dando em vez disso bónus, quando o negócio corre melhor).

Mas desta vez e a pedido de alguns dos nossos melhores clientes, decidimos ignorar essa regra de ouro; e faremos então a procissão.

É claro que não vamos pedir chuva. Para já porque além de andar por aí muita gente a pedi-la, a concorrência já registou a ideia na SPA, e nós não queremos que Sua Santidade nos mande partir as rótulas e deitar fogo à loja.

De qualquer modo, já que vamos contribuir para a expansão do obscurantismo tal como todos os que organizam eventos do género, decidimos fazê-lo por uma causa que valha mesmo a pena. Neste caso decidiu-se (à semelhança de alguns pouco imaginativos professores de Língua Portuguesa) que seria tema livre, ou seja, cada um vai pedir o que lhe apetecer.

Por isso teremos vários andores, cada um deles dedicado ao tipo de fiéis incorporados no cortejo.

No primeiro irá a imagem de S. Chico Lopes, padroeiro das putas e dos políticos. Não porque em vida tenha feito algo por qualquer destas digníssimas profissões, pois era funcionário público e passou trinta anos a ler “O Record” até ser canonizado.

Mas porque a dada altura da sua vida se saiu com uma frase (apenas uma, devido ás limitações da sua profissão), que mais tarde foi integrada no Grande Livro de Blog (embora também exista em edição de bolso) pois contém em si a essência da igualdade relativa de todos os seres. – “Os políticos e as putas são iguais, mas estas prestam um melhor serviço à comunidade” – De onde se conclui que todos somos iguais, embora uns se mexam melhor que outros…

Teremos igualmente na nossa procissão, a presença de vários retóricos especializados na arte da pedinchice; que rogarão a blog pelos interesses dos fiéis que estejam dispostos a pagar a modesta tarifa pelos seus serviços.

O ponto alto deste pio cortejo será a concentração final junto à sede da Segurança Social, onde se rogará a Blog pela conversão do Alentejo (que pelas últimas notícias está quase, pois também organizam procissões a pedir chuva) e por melhores condições nos exames clínicos comparticipados.

Seguindo-se a homilia final por Dom Diogo de Alicante, sobre os perigos da política para a intimidade dos homossexuais não assumidos; que como toda a gente sabe, estão a migrar do mundo da moda e da decoração de interiores para a vida pública.

Nessa altura já quase todos os fiéis terão debandado, pois Dom Diogo é conhecido por espremer as conversas até conseguir dividir o átomo. Aproveitaremos então para dar a bênção final, e distribuir gratuitamente santinhos pelos últimos resistentes como prémio pela sua paciência.

Àqueles que vejam os seus anseios e desejos satisfeitos, sugerimos que nos seus próprios blogs agradeçam as graças recebidas. Mas eu pessoalmente não acredito muito no poder das procissões…

Música de Fundo
Sabotage” – Beastie Boys

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