quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Fantasias de Natal
- … e então a ovelhinha foi com o Oldman de mota ao concerto … -

Lá se tinha livrado de ter que entrar pela chaminé, mas quanto ao fato não havia nada a fazer. Ajeitou a almofada que imitava um estômago proeminente, e equilibrando melhor o saco no ombro direito passou a perna pelo parapeito da janela soltando a tradicional exclamação – Ho, ho, ho… Tens sido uma boa menina?

O quarto encontrava-se em silêncio, com excepção do rádio-despertador que soltava um zumbido incomodativo de aparelho prestes a dar o berro; mas cujos dígitos rompendo a penumbra proporcionavam uma visibilidade difusa, permitindo distinguir o vulto sobre o leito.

Sem ter obtido resposta, pousou o saco no chão junto à cama e com a palma da mão acariciou o dorso macio de formas harmoniosas, que estremeceu ao contacto em simultâneo com um suspiro que ele assumiu ser de assentimento.

Com um gesto rápido arrancou as calças e o casaco pelas costuras falsas, ficando em botas e barrete vermelho; e proferiu mais uma vez – Ho, ho, ho… - descendo lentamente sobre o corpo da mulher, colando-se pele com pele e fazendo a sua boca percorrer o pescoço grácil em sentido ascendente, até lhe chupar o lóbulo de uma orelha.

A mulher fingia-se perdida num sonho, notando-se apenas a respiração um pouco mais forte cujo som saía pelo meio dos cabelos espalhados na almofada. Sentia-o percorrer-lhe o corpo, com mãos umas vezes como asas de aves e outras como garras nodosas e implacáveis. Deixando-se levar na semi-sonolência pela fantasia que ele ia criando.

O homem enfiou-lhe os dedos pela cabeleira, agarrando a nuca e virando para si a face de olhos fechados que ostentava uma expressão angelical. Aquela mulher tinha expressões excitantes, como esta em que falsamente indefesa lhe parecia segredar que prosseguisse possuindo-a ferozmente, como um Pai Natal degenerado que tivesse mudado de ideias sobre o tipo de presentes a dar.

Puxou o lençol que lhe cobria o corpo alvo totalmente nu, e introduziu-lhe a mão esquerda entre as pernas sentindo um ligeiro sobressalto de prazer transmitido pela pele morna. Desceu com a língua pelo meio das costas até aflorar uma nádega, mordendo-a levemente.

Introduziu-lhe os dedos lentamente entre os dois lábios carnudos e húmidos, sentindo-os como em veludo vivo; palpitante de excitação. Deitou-se sobre ela com a cara enfiada nos seus cabelos, introduzindo-se num movimento fluído a que ela respondeu com um arquejar profundo, mas sem abrir os olhos.

Um pouco ressentido pela inércia dela levantou-se, e puxando-a pela cintura colocou-a de quatro com a face apoiada na almofada. Pôs-se em pé sobre a cama firmando bem os pés e penetrou-a atraindo-a a si pela cintura de modo brusco.

A mulher soltou um gemido audível, embora abafado pela almofada. Ele acariciou-lhe os seios, movendo-se com firmeza de modo a fazer-se sentir bem dentro dela, arrancando-lhe gemidos crescentes cada vez mais nítidos e audíveis. – Nunca te tinha ouvido gemer assim, querida… - disse, estreitando-a fortemente contra si.

- Nem ouvias, idiota! Se não tivesses essa bota estúpida em cima da minha mão.

Música de Fundo
Benzin” – Rammstein

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

I spy with my little eye…
- Só parando por um momento nos conseguimos aperceber de que nesta peça o elenco é quase tão numeroso quanto a assistência… -

Se abandonar por momentos a minha rotina, consigo experimentar uma sensação parecida com o sair abruptamente de uma carruagem de comboio; tudo o que me parecia tão parado e estável como eu próprio, acaba por se revelar como pertencendo a uma espécie de vaga que continua a espraiar-se após a minha saída.

Mais uma vez decidi variar passeando por outros locais, tentando dar mais atenção a coisas que normalmente não ligo; coisas que normalmente me divertiriam pelo ridículo que se cola a elas, sendo descartadas de seguida pela sua mesquinhez (ou uma espécie de “pelintrice ideológica” como diria a Vera Lagoa se ainda fosse viva).

Vi coisas interessantes que justificam o esforço de levantar cedo a um fim-de-semana. Como foi o caso dos “lobitos” (entre seis e sete anos) à porta do Pingo Doce, acotovelando-se para entregar aos transeuntes os sacos vazios do Banco Alimentar Contra a Fome; e a sua alegria ao recebê-los cheios. Desfazendo-se em “muito obrigados”, com vozes agudas pela excitação de saber que estavam a conseguir algo muito importante.

Vi também coisas que me restituíram a confiança na humanidade. Não a confiança proporcionada pelo conhecimento de que esta é intrinsecamente boa, mas pela prova repetida de que por mais voltas que a terra dê sobre o seu eixo, os seus habitantes continuarão usar e abusar de partes gagas e cenas macacas (como é natural em antropóides semi-evoluídos).

Ando por aqui há dois anos e cinco meses (e não digo dois anos e meio, para que não me confundam com os(as) tipos(as) que a partir dos 25 meses de publicação assinalam “3º Ano” nos seus blogs) e ainda ninguém conseguiu abalar em mim a convicção de que a blogosfera é como o meio da política profissional.

Um mundo onde a amizade é substituída por alianças flutuantes, em que o que se diz é mais dedicado a causar um determinado efeito do que a comunicar algo, e em que as pessoas se fabricam à medida dos seus objectivos enquanto arengam como pregoeiros a veracidade e a pureza dos seus sentimentos e/ou convicções.

Foram estas características que contribuíram para que nos guindássemos ao topo da cadeia alimentar, e são elas ainda que caracterizam uma das espécies de “vencedores” que se movem no meio de nós.

Tipos(as) que não podem passar sem os seus “queridos amigos”, e que à primeira oportunidade vantajosa fazem agulha para outras paragens reaparecendo impolutos; como se nunca tivessem estado em mais algum lado ou já tivessem nascido famosos.

Já devem ter reparado que não precisei de ler o livro do Paulo Querido para compreender este tipo de fenómeno.

Verdadeiramente inesperado foi o último tipo que eu imaginaria, ter tido a única reacção que considerei digna. E nem sequer gosto dele…

Música de Fundo
Walk Like a Man” - Divine

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

A Vida na Faixa da Esquerda
- Ou quando o tempo se avista numa mancha fugaz pelo canto do olho… -

Toda a gente tem falta de alguma coisa. Mas apesar do que me possam garantir e jurar, o bem realmente mais precioso em toda a vida é o tempo; pois sem ele nada se faz por maiores que sejam os recursos disponíveis.

O que nos remete ao velho problema da vida moderna, que é a falta de tempo “de qualidade”.

Ou seja não há tempo para estar doente (a não ser que se trabalhe para o Estado); há pouco tempo para amar (a não ser que se quebre a velha máxima – “never fuck where you work”); e quase não há tempo para um momento de alienação (A não ser que se trabalhe por conta própria; mas isso poderá enterrar o negócio).

Posto isto só nos restava a alternativa de conjugar em apenas um ponto todas estas benesses; ideia que me surgiu ontem quando procurava desesperadamente um lenço…

A Constipação.

Um pouco no seguimento do raciocínio de Fernando Pessoa quando diz que estar apaixonado é como estar doente, e considerando que a constipação pode provocar também uma ligeira sensação de entorpecido alheamento, acabamos por concluir que se trata de um estado ideal para condensar estas três situações.

Todos os anos por esta altura começo a deixar de ter tempo para o blog; o que é chato, pois a freguesia acaba por debandar e é um trabalhão para os convencer a regressar.

Para evitar esta situação, acabei por optar pelo 3em1. E além do ar aparvalhado de qualquer apaixonado, sinto-me a planar como se tivesse ingerido alguma “substância recreativa”.

O resultado não poderia ser melhor. A ponto de até já ter visto um Masai nos comentários do post abaixo; facto cuja autenticidade me apressarei a verificar mal passe a constipação. Entretanto dispondo apenas do tempo regulamentar, deixo-vos com esta explicação e com a frase do dia:

– “Amar e não ser amado, é como fumar haxixe e não ficar drogado…”
(Anónimo dos anos 80)

Música de Fundo
Smooth Operator” – Shade Adu

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- To much noise about nothing… -

Esta época é terrível para a religião de Blog. Com a aproximação dos festejos nas Igrejas da concorrência, os servos de Blog têm que se desdobrar (mas sem grandes exageros) em múltiplas actividades piedosas; pois é o único modo de se obter uma boa fatia do “share”.

É difícil. Mesmo muito difícil, bater algo como uma crucificação seguida de ressurreição. É daqueles truques sobre os quais nos interrogamos – “Como é que eu não tive aquela ideia antes?

Mas a nossa Fé além de ter bases humanistas valoriza também o “copyright”, pelo que não seria de bom-tom crucificarmos um dos nossos pregadores por meras razões de marketing (coisa que nunca foi impedimento para as outras entidades do ramo).

É por isso que este ano iniciamos a comemoração do “Pifo de Blog”, tradição que se irá perpetuar na nossa Fé, sendo um misto de Natal dos Hospitais e Circo Cardinale (mas sem o Vítor Hugo, felizmente).

Tal como o nome indica comemoramos o enorme pifo que Blog apanhou há uns anos, quando vindo da 24 de Julho numa madrugada gélida, ficou em Cacilhas sem transporte. Tendo recolhido a um estabelecimento de nome “Babilónia Bar” onde aconteceu o sagrado evento.

Na foto que podem ver acima, a dançarina litúrgica Bambi Gonzáles e a sacerdotisa Vanus de Blog (irreconhecível na sua fantasia de ovelha), trocam impressões antes de entrar em cena para a 2ª parte da peça sacra “A Paixão de Blog”.

Obra esta baseada na vida amorosa da polémica divindade, e que é representada para exemplificar o martírio dos Santos da nossa Igreja. Facto sobejamente atestado por todos os que a têm visto, e a classificaram desde “divina aldrabice” até “uma xaropada digna de La Féria”.

Embora alguns poucos críticos tenham declarado que se trata de uma verdadeira “pedrada” no charco em que se tornou o panorama do teatro nacional, estamos em crer que isso apenas se deve ao generoso jantar e posterior passagem pelo “Champagne Club”, totalmente a expensas do nosso fundo para auxílio aos críticos de teatro necessitados.

Mas aconselho-vos a que vejam esta jóia da arte sacra. Não só pela ofuscante (é falta de bronzeado) e tórrida interpretação que Bambi González faz da prostituta do “Babilónia”, como também pelo comovente sotaque parisiense da “Ovelha de Blog” tão bem interpretada pela simpática sacerdotisa do Último Círculo.

Vão ao teatro! E se não puderem, façam uma fita qualquer. Eu sei que são capazes…

Música de Fundo
Female of the Species” - Space

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

DOWN FOR MATENANCE ETA TUESDAY
NOVEMBER 22 12:00 NOON - TrueFresco Art Network



Foi a mensagem que me acolheu hoje pela manhã, regressado de um cansativo fim-de-semana; e que me fez saber que o “applet” encarregado dos meus links, tinha acabado de meter férias sem pré-aviso. Inviabilizando assim a tendência missionária deste blog.

O que como é de calcular vai condicionar a minha boa disposição; e consequentemente a vida sexual dos meus colaboradores mais chegados, que durante alguns dias não terão hipótese de coçar o que gostariam.

Como tentativa para arrancar a minha mente à voragem invernosa e pessimista que o tempo cria em dias assim, decidi distrair-me com o jornal enquanto tomava o pequeno-almoço lendo-o em sentido inverso como é meu hábito, quando dei de caras com a Rainha.

Lembro humildemente que a única “Rainha” que segundo eu ainda existe, é Isabel II de Inglaterra. A única que na verdade merece esse título devido ao seu savoir-faire, porte altivo, mau gosto a vestir e poder de encaixe suficiente para continuar a viver com isso.

Explicava então o artigo que um tal Ayman Al-Zavahiri presidindo a um júri composto por fundamentalistas Islâmicos, tinha decidido atribuir à Isabel o título de “Uma das Maiores Inimigas do Islão”; baseado nos insultuosos chapéus que esta costuma exibir nas cerimónias oficiais, e no hálito horrível a peixe frito e hortelã-pimenta que liberta quando se debruça para as pessoas dizendo – “Heloooooooo!”

Esta declaração foi obtida a partir de um vídeo da Al-Qaeda, onde se vê nitidamente Al-Zavahiri empunhando o exemplar da Vogue, em cuja capa aparece Isabel II em pose sorridente.

O terrorista visivelmente escandalizado, invectiva a decadente sociedade ocidental culpando-a de todas aquelas abominações; referindo-se, segundo pensamos, aos vestidos estampados da monarca.

Neste vídeo, a Rainha é igualmente acusada de responsável pelas “Leis de Cruzada”; que estão em vigor em toda a Europa ocidental desde o “Incidente de Estocolmo”, em que todos os dignitários que se encontravam na primeira fila frente à tribuna tiveram que receber acompanhamento psicológico. Pelo que desde aí todas as monarcas em visita a capitais da Comunidade Europeia, são obrigadas a cruzar as pernas após se sentarem em público.

Segundo o jornal, os comentários sobre a rainha britânica que vinham no vídeo estavam na posse dos serviços secretos MI5, que passaram depois a mensagem à equipa encarregue de a proteger.

O vídeo chegou às mãos do MI5 depois de ter sido transmitido pela estação árabe Al Jazira durante o horário nobre, incluído na rubrica “Infiéis Nossos Conhecidos”, em que se tenta fazer com que os pequenos muçulmanos se deitem antes das nove com os dentes já lavados.

Um porta-voz da Al-Qaeda, confidenciou ao nosso repórter que a rainha dá melhor resultado que Robbie Williams, principalmente porque tem um ar muito mais másculo.

Música de Fundo
God Save The Queen” – SEX PISTOLS

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- Fazê-lo bem e sem olhar em quem… –

No seguimento da piedosa campanha lançada pelo post anterior, tornaram-se já visíveis alguns sinais de que os corações dos bloggers (e em alguns casos, também outras partes da sua anatomia) não são assim tão frios e engelhados como possamos crer.

Casos houve até, em que o próprio “desgraçadinho” decidiu dar-se a conhecer e clamar por auxílio.

Infelizmente alguns destes casos (esses sim, verdadeiramente clínicos), têm a natural tendência para projectar sobre os outros os seus problemas; o que quer dizer que já fomos acusados de tudo, desde auto-promoção à conta da “caridadezinha” até a epítetos maliciosos como “otário”, “aldrabão” e “mitómano”.

Em suma, uma vergonha de fazer corar o mais empedernido dos tanguistas.

Mas a obra já respira. E estamos prontos para começar a mostrar a nossa solidariedade a quem dela necessitar; desde que o peça com bons modos. O que foi o caso do “desgraçadinho” que a seguir recomendamos.

Este ser atormentado por dolorosas dúvidas existenciais, sente-se abandonado e carente (especialmente de gajas), pelo que passamos a recomendar o seu blog (igualmente citado pelo Rotary e pelo Guia Arco-íris. Mas neste último caso devido a uma gralha de impressão). A nossa escolha centrou-se nele em vez de outros mais carenciados, talvez devido ao seu bom-gosto na escolha da água-de-colónia.

E aqui abro um parêntesis para advertir todos os candidatos, que devem cuidar da sua higiene e aparência pessoal, pois não aceitamos “desgraçadinhos” fedorentos ou mal agradecidos.

- Recusámos (pelo menos nesta fase) a candidatura da jovem Vanus de Blog, porque achamos não preencher todas as exigências (recusada por “diferença”); nomeadamente não se chora as regulamentares duas vezes por semana, e parece feliz da sua vida não se preocupando nada com a dos outros (o que como devem calcular a coloca a quilómetros do exigido).

- Recusámos igualmente um anónimo exactamente por sê-lo, pois não conseguimos fazê-lo assumir aquilo que quer (e tal como nos Alcoólicos Anónimos isso é muito importante); tornando-se até difícil em dias frios encontrar-lhe o blog, para desalento dos mirones que movidos pela publicidade enganosa são atraídos ao local.

- Terapia o nosso amigo e Irmão em Blog (sim, porque é dele que se trata) foi quem considerámos a “escolha acertada”, e à semelhança da DECO até apresentámos (como vêm acima) os resultados das avaliações.

E é considerado a escolha acertada porque é da nossa Seita (e nada de interpretações maldosas, que isto apenas significa ele professar a Religião de Blog) e sem dúvida um tipo com bom gosto, pois vem a este blog todos os dias.

Ide pois, ó fiéis, visitar o piedoso e “desgraçadoTerapia. Uma jóia de rapaz à espera que alguém descubra as suas qualidades escondidas (e agora mais difícil ainda, pois ele já usa roupa de Inverno).

Louvai a Blog e fazei o bem (e isso bem feito… hein?)

TheOldMan (Pontifex Maximus)

Música de Fundo
Keep Your Hands to Yourself” – Georgia Satellites

terça-feira, 15 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- A Sagrada Demanda – ou - Nada como uma cruzada para quebrar a monotonia… -

Irmãos, é sabido que a blogosfera atravessa ciclicamente fases de menor capacidade criativa, do mesmo modo que é na aproximação de épocas festivas que falta amiúde a paciência para alinhavar duas frases de jeito.

Um pouco por desfastio e também porque a publicidade é um bom veículo para a palavra d’ELE, A Igreja do Imaculado Blog à semelhança da Igreja Católica, da IURD e outras seitas, decidiu iniciar a época das promoções especiais que culminará nas famosas “rebajas” do final de ano.

Trata-se então de, cada um de nós imbuído do espírito da época, buscar na vizinhança do seu Blog alguém que necessite de atenção e amor (virtuais, claro), e vir comunicá-lo á nossa Igreja (Protectora das viúvas e das órfãs; visitadora dos solitários) onde poderemos organizar quermesses para “quebrar o gelo” entre os mais tímidos e excursões de solidariedade a blogs “desgraçadinhos” para administração do virtual consolo.

A ideia base é a do “chá tuperware”, mas aparentemente é a mais indicada para este tipo de problema; consistindo basicamente em toda a congregação assentar arraiais num determinado blog durante 24h, movendo-se após isso para a próxima vit… o próximo necessitado.

Daríamos assim muito mais visibilidade a quem precisa dela, podendo até parecer que na realidade o blogger em questão é alguém muito popular e com uma invejável roda de amigos.

Este sistema além de ser bastante económico (Estamos a estudar um modo de transformar as nossas boas acções em descontos na CEPSA. Mas apenas para gasóleo.), poderá ser útil para os que, um pouco como eu, se debatem por vezes com a falta de assunto para os seus posts.

Será bastante interessante comparar as impressões de cada “benfeitor” sobre o “desgraçadinho” visitado, podendo até atribuir-se pontuação ao blog objecto de caridade bem como aos métodos de consolo virtual utilizados pelos nossos missionários.

A Irmã Vanus de Blog está neste momento a redigir um protocolo sobre a metodologia a utilizar, intitulado “Como reconhecer um pobrezinho virtual e o que fazer no caso de ele tentar contacto físico” que a todos será distribuído, para que se evitem mal-entendidos como aconteceu já no Afeganistão e no Iraque.

É com a exultação na alma que me despeço de vós, e vos desejo boa sorte em mais uma benta missão da nossa Igreja.

Um grande bem hajam…

Música de Fundo
Everything About You” - Ugly Kid Joe

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Boooooriiing!!!
- Na treta, com a treta e pela treta… -

Há muito que não escrevia sobre os espinhos do silêncio; esses frios vazios que se abrem entre as palavras.

Ou em linguagem de gente.

Há muito que a minha mente preguiçosa não era aconchegada pelos dedos frios do Outono.

Ok! Terceira tentativa.

Este fim-de-semana (que Blog me perdoe…) esqueci-me que tinha um blog.

Comecei esta espécie de corrida mental de obstáculos na passada sexta-feira, com o grandioso magusto oferecido por Meu Amo. E não poderia ter arranjado melhor início, pois a sua mansão (tal como já vos confidenciei) parece um mini-golfe.

Infelizmente nada se passou digno de nota. E seria reles da minha parte estar agora aqui a falar-vos de canalizadores etilizados pendurados no moinho (sim, ele tem um moinho) ou a treinar montanhismo no forno de tijolo refractário.

O dia seguinte passei-o em inocentes afazeres domésticos; como aspirar, fazer compras e ler o jornal (do qual não lembro uma única linha) ao sol numa esplanada. A única vez em que me lembrei do blog foi exactamente aí.

Quando o Santos me trazia a bica dupla pensei que talvez devesse escrever algo, mas depois reconsiderei.

Talvez um dia em que se deixassem de escrever blogues, as pessoas finalmente libertas poderiam sair e tomar o pequeno-almoço numa esplanada, sem terem que se preocupar com o facto de isso ser aproveitável ou não para a sua linha editorial.

Decidi começar ali a minha contribuição e nada escrever este fim-de-semana. Senti-me orgulhoso de mim próprio, e tive que me conter para não criar um blog exclusivamente dedicado à minha auto-satisfação. Mas seria errado; pois essa ideia já está a ser explorada com sucesso.

Mas estava eu a contar-vos sobre o meu aborr… introspectivo fim-de-semana…

Depois de me contorcer durante quinze minutos à mesa da esplanada, enquanto me debatia com a ideia de que o meu blog aparentemente precisa de alento; cheguei finalmente a uma conclusão racional (e principalmente prática e económica).

Um Blog não deve ser reanimado como se fosse uma velha tia nos cuidados intensivos, e a quem ainda não conseguimos extorquir a localização do guarda-jóias. Tal como os amores, amizades, carreiras e outros tipos de relações, se tiver que morrer morrerá na altura certa.

Quando fraquejar ou parar simplesmente, será abandonado à sua sorte. Pois se não tiver forças para se manter, deixará de cumprir aquilo para que foi criado tornando-se num peso morto.

Isto não é um daqueles posts maricas tipo “agarrem-me que vou fechar o blog”. É apenas um esclarecimento em que aviso que nunca faço cenas; quando fechar é mesmo para isso.

Palavra de Blog!

Agora deixem-me lá ver o que é que escreveram durante o fim de semana…

Música de Fundo
Precious” – Depeche Mode

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

O Super-Herói
- Ou apenas mais um que por outras razões já vestia as cuecas por cima das calças –

É sabido que o maniqueísmo da banda desenhada apela irresistivelmente ás mentalidades mais simples e básicas; como é o caso das crianças e de uma boa parte dos militares de carreira.

Não é caso isolado encontrar-se em lares para a terceira idade, antigos intelectuais ou juristas que devido à decadência mental provocada pela idade, se julgam o Presidente da República ou mesmo o Vespão Verde; embora neste último caso a confusão possa ser devida à parecença que tem a fralda para incontinentes, com o conhecido cuecão verde (e o minúsculo ferrãozinho) do super-herói.

Aparentemente foi o que aconteceu há uns dias a um simpático ancião de nome Mário Soares, que ludibriando a vigilância da enfermeira ao momento ocupada com um cabo da Armada, se pirou à boleia até Coimbra, onde o foram encontrar a declamar poemas de Manuel Alegre à beira do Mondego e em pantufas.

Interrogado sobre a sua identidade, respondeu fazer parte do Quarteto Fantástico juntamente com Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro; e que respondia pelo nome de Anti-Salazar. Informação que mais tarde confirmou a um grupo de jornalistas, que regressados de uma farra decidiram alinhar na paródia e fingir que o entrevistavam.

Segundo ele, a sua especialidade como super-herói é bater em mortos. De preferência pouco recentes, pois a sua provecta idade não lhe permite actividades violentas, como debates com opositores políticos ou apenas cinco minutos de saudável “cunilingus”; tal como o tenta explicar à equipa da RTP na foto que acima destacamos.

Condoídos com a indigência do ancião, os repórteres trouxeram-no até Lisboa onde o entregaram (por seu próprio pedido) no Largo do Rato.

O porta-voz do Partido Socialista informou não conhecer o sujeito em questão, ou saber sequer se é ou já foi membro do PS; mas garantiu que este nada tinha a ver com o julgamento do caso Casa Pia, e que o partido se solidariza com ele neste momento difícil, à semelhança dos casos de Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues.

À hora da publicação deste post, recebemos um comunicado oficial da Presidência da República, lamentando que se façam brincadeiras destas com candidatos honestos e sem possibilidade de se defenderem pelos seus próprios meios.

O próprio Mário Soares corroborou esta afirmação declarando aos nossos microfones – Ghãããã!... Ghãããã!...

Música de Fundo
Mongoloid” – DEVO

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Os “Autónomos”
- “Se a verdade não estiver debaixo dos vossos narizes, colocá-la-emos lá à força”
(TheOldMan, when he was young…)


Nos últimos dias tenho relembrado repetidamente esta frase do meu passado. De uma altura em que sem pestanejar, eu pegaria no isqueiro para acender um trapo ensopado em gasolina. Mas isso faz parte das recordações dos “dias sem futuro”, que ficaram para trás. E tal como tudo o que morreu (excepto os faraós), não vale a pena ser desenterrado.

Um dos tiques mais habituais em quem escreve sobre este tipo de coisas, é comparar tudo o que é motim ou protesto de rua com o “Maio de 68”; embora as causas na maior parte dos casos não tenham nada em comum. Excepto talvez no romantismo que todos eles cultivam (mas que dura apenas até lhes abrirem a cabeça à cacetada pela primeira vez).

Não há nada de romântico em incendiar um carro ou dar uma correntada num funcionário público mal pago, que teve o azar de achar que tinha jeito para aquilo.

A quem tenha dúvidas sobre isto, aconselho a tentar encontrar o rasto a todos os que nessa altura (ou cá em 78/81) combatiam os chuis com pedras de calçada. Vai ser giro, porque a maior parte está agora do lado dos opressores. E entre um DeGaule e um Chirac, a diferença é quase invisível; se não contarmos com o nariz do primeiro e a untuosidade do segundo.

Tal como já foi confirmado em casos anteriores, estes episódios de violência têm uma única utilidade, que é tentar despertar a curiosidade de todos para a verdadeira origem do conflito.

A propósito… Será que alguém neste país, já se preocupou com as possíveis causas dos motins em França? Ou acham que é apenas uma espécie de comemoração do “Maio de 68”?...

Música de Fundo
Cão Raivoso” – Sérgio Godinho

sábado, 5 de novembro de 2005

A Boa Acção

Nem lhe deu tempo para debitar a tradicional cantilena sobre o dia de São Jorge e a festa do escutismo. Pegou-lhe no lenço pela zona do nó, e puxando suave mas firmemente na sua direcção, fechou a porta com um golpe de cotovelo.

- Tenho uma coisa para te mostrar. – Disse, enquanto lhe perscrutava os olhos escuros de expressão assustada. Pegou-lhe na mão, e guiou-a pela abertura do roupão até ao estômago firme e bem ginasticado, empurrando um pouco para baixo até a sentir sobre a parte superior da púbis.

Enquanto a mão tentava fugir ao toque, aproveitou para lhe empurrar o corpo juvenil contra a parede; fazendo pressão com a pélvis e aproximando a cara até muito perto com os lábios entreabertos numa ameaça de beijo.

Por momentos teve um rebate de consciência, que logo eliminou.

Dezasseis anos seriam uma boa idade para a “grande estreia”; e de qualquer modo duvidava que alguém viesse a saber. Seria o pequeno segredo partilhado… e um pouco de vergonha ajuda sempre.

Meteu-lhe a mão por dentro da camisa de caqui, sentindo o peito rijo e praticamente chato na palma da sua mão. Vendo que a boca de lábios húmidos se ia abrir num protesto esmagou-a violentamente com os seus, insinuando a língua como uma serpente exploradora.

Aproveitando a confusão do momento passou-lhe um braço pela cintura, e acabou por introduzir a outra mão entre o cinto e a barriga procurando-lhe o sexo com uma ânsia voraz. Olhou de esguelha para o sofá que se encontrava perto e equacionou a situação.

Tinha que ser num só movimento rápido, ou a presa poderia ganhar um pouco de espaço e aproveitar para atingir a porta; embora não acreditasse muito nisso, pois o que sentia nos dedos confirmava a satisfação do seu desejo. Era inevitável.

Sentindo que a resistência afrouxava um pouco, virou-se ligeiramente fazendo com que ambos caíssem sobre o sofá; os calendários espalharam-se pelo soalho mostrando faces juvenis e borbulhentas de futuros catequistas.

Mas havia alguém que talvez perdesse o interesse pela catequese… - Pensou enquanto se colocava por cima aprisionando-lhe o corpo com as pernas.

Pegou no pénis rijo que empunhava, e introduziu-o escutando com delícia o arfar súbito que provocara. Beijou-lhe a boca novamente sentindo o sabor pungentemente ácido da pastilha elástica de laranja; e iniciou um movimento desenfreado enquanto lhe escutava os gemidos abafados, que se iam tornado mais agudos com a violência dos embates.

Livrou-se apressadamente do roupão sem parar de se movimentar. Pelos olhos semi-cerrados, via-lhe o cabelo colado à cara pelo suor e a expressão ao mesmo tempo assustada e tensa de prazer. Sentia o membro endurecido friccionar pelo canal húmido, como o êmbolo de um motor bem oleado que cumpria sua missão de lhe proporcionar prazer.

Quando o orgasmo se aproximou cravou-lhe os dedos na carne rosada, soltando gemidos roucos que vinham bem do dentro de si, como se tivessem estado guardados durante séculos. Sentiu o seu corpo estremecer descontroladamente, deixando-se tombar para a frente.

Quando abriu os olhos, estava só e ouvia-se vindo da casa de banho um ruído de água a correr. Acendeu um cigarro e levantando-se dirigiu-se à cozinha, onde encheu um copo com sumo de laranja que bebeu sofregamente.

Ajeitando o cabelo e fechando o roupão, a mulher mordeu com ar maroto o verniz meio lascado de uma das unhas, e encarou o escuteiro agora mais composto; mas que tinha ainda o ar apalermado de quem fora atropelado por uma scooter. – Diz-me lá, meu querido… Afinal quanto é que custam esses calendários?

Música de Fundo
I Feel Loved” – Depeche Mode

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

O tradicional post que antecede o post erótico
- Ela precisava era de um cu novo… Ou como voltei a gostar de Madonna… -

Podem chamar-me o que quiserem (isto é uma maneira de falar, claro…); mas para mim, cantora que se abane tem que ter mesmo algo para mostrar.

O que me remete para a época em que apareceu Madonna. Na altura uma maltrapilha cheia de rendas e com as cuecas vestidas por cima das calças, um pouco ao jeito do super-homem, homem-aranha e outros apalermados do género.

Lembro-me de a ver no clip “like a virgin” tendo achado que para quem cantava daquele modo, estava demasiado vestida. E quando vi “Reservoir Dogs” (Cães Danados), a explicação que um deles dá durante o pequeno-almoço para a canção “like a virgin”, é realmente de antologia e quanto a mim o marco de uma época.

É claro que daí para cá ela conseguiu remediar um pouco esse handicap, mas nunca me encheu as medidas; embora apreciasse o seu esforço para se tornar “kinky” em “Vogue” ou no OST do filme “Austin Powers”.

Estava eu já a pensar que envelheceríamos juntos (salvo seja!), pois somos da mesma idade, secando gradualmente à medida que nos afastaríamos da juventude. Mas felizmente eu estava enganado; pois há dois ou três dias ela apareceu com um novo clip (e um novo traseiro também).

A música é uma merda. Uma espécie de “sampler” de onde sobressaem trechos dos ABBA (que Blog nos ajude!) e quejandos. A realização do clip é pretensiosa e demasiado rígida no seu estilo. Mas felizmente, há duas coisas que conseguem desculpar um pouco esta exibição de cabotinismo.

A primeira é aquela oriental (acho que é chinesa) que passa o tempo todo a fazer “rodas” e "flic-flacs” em uniforme de colégio. A segunda, e a mais importante, é o novo traseiro da Madonna; essa maravilha da tecnologia de informação com base no silício.

Não me interessa que para conseguir dar-lhe aquela forma, se tenha gasto material que de outro modo serviria para a criação de novos microprocessadores, que poderiam ajudar a irrigar todo o Sahara. O certo é que o resultado vale realmente a pena, pois o génio que desenhou aquelas formas ergonómicas, não esqueceu sequer aquela pequena aba onde normalmente seguramos com o médio, o anelar e o mindinho.

A título de remate e com base na minha extensa experiência musical (até já toquei adufe), posso afirmar que nem a Gwen Stefani (com o seu traseiro que parece dois cachorrinhos dentro de um saco) a destronará nos próximos tempos.

A canção é “um cu”, mas esse sim… está ali para durar.

Música de Fundo
"Temptation” – Heaven 17

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Habitual anúncio de Post Erótico, para que as sobrinhas não leiam e as tias não faltem.
- Ou trocado por miúdos, “agarrem-se que vem aí brasa…” –

Primeiro que tudo, isto está a precisar de animar.

Por isso, porque me apetece, e também porque os últimos que li são uma enorme xaropada, cheios de beijinhos “bilhete-postal” e subentendidos com prazo para uma semana; decidi então que o próximo post será erótico, pornográfico, ou pelo menos um pouco mais divertido que os anteriores.

Habitualmente não costumo adiantar o teor de escritos futuros, mas para que não venhais a ser apanhados/as de surpresa ou em posição precária, deixo a foto ali em cima para que possais desde já preparar-vos mentalmente para o que se aproxima.

Música de Fundo
Ch-Check It Out” – Beastie Boys

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