sexta-feira, 30 de junho de 2006

O Cômputo Semanal
- Ou a melhor prova da inutilidade de ter um blog… -

Confesso que não tenho sido completamente franco convosco (o que já vem sendo hábito), pois toda esta confusão e falta de regularidade na publicação dos posts, não se devem apenas ao “Regresso de Nosferatu” mas igualmente a outro acontecimento de muito maior impacto, que se irá realizar este fim-de-semana.

É claro que o facto de o tipo cheirar como se estivesse morto há uma semana, não o ajuda nada as relações com o resto do pessoal. Mas a falar verdade, já cá está há tempo suficiente para eu lhe ter elaborado uma projecção de data para despedimento.

É que além desse “pequeno” defeito tem outro ainda maior, que é o não fazer nada do que lhe mandam. E isso segundo a minha estimativa vai colocá-lo em “velocidade de cruzeiro” aí por volta de Outubro; para alívio das nossas mucosas nasais e dos nossos embrulhados estômagos.

Mas estava eu a dizer… que se vão passar coisas muito mais interessantes do que piadas sobre fedores e patos-bravos.

É preciso de tudo para fazer um mundo. E posto que o mundo da Construção Civil não é diferente dos outros, é natural uma certa diversidade de elementos que nos proporciona experiências inesquecíveis no domínio das relações humanas.

Se já cá tivemos praticamente de tudo, desde um biólogo marinho russo até uma cabeleireira moldava (as cabeleireiras portuguesas são seres etéreos e angelicais, comparadas com as suas colegas moldavas), vocês não têm nada que estranhar se vos confidenciar que também temos um cigano.

Pronto. Não é bem um cigano verdadeiro mas apenas um “tendeiro”; que é uma espécie de cigano a 45% mas muito mais fiável e cordato, no que diz respeito ao sistema de triagem da GNR.

Na verdade já nos conhecemos há largos anos, mas não é dele que este post trata; e sim da sua irmã que irá casar no próximo fim-de-semana. Apesar da diferença étnica tendeiro/cigano os rituais esponsais são muito parecidos, consistindo ambos numa enorme bebedeira de dois ou três dias e na exibição de um lençol ensanguentado para gáudio de todos os convidados.

Pensando bem, até é um assunto que liga bem com o “Regresso de Nosferatu”. Mas adiante.

Prevejo que o meu post de segunda-feira será um misto de Ulisses de Joyce e “Flesh Gordon Meets The Cosmic Cheerleaders”, pois os festejos começam sexta à noite e só acabam na madrugada de segunda-feira; pelo que eu só virei a casa tomar banho, por Betadine num arranhão ou responder a um ou outro comentário no blog.

Infelizmente não haverá despedida de solteiro, pois o noivo encontra-se em regime de residência fixa.

Não que tenha cometido (pelo menos que se soubesse) alguma ilegalidade. Mas só ao fim de seis meses de namoro é que decidiu trocar os “fundos de garrafa” que usava por umas lentes de contacto decentes, e o que viu deve tê-lo assustado pois só parou em Alicante; onde o foram encontrar escondido no sótão da casa de um primo, que se viu obrigado a denunciá-lo porque os gritos horríficos que o infeliz mancebo soltava durante a noite não o deixavam dormir, nem à família, ou mesmo aos cães.

Também há a hipótese de o post de segunda nunca vir a ser escrito. Pois posso inadvertidamente fazer algo que atente contra a sua cultura e os bons costumes, acabando anaifado à beira da IC20, ou atado e amordaçado debaixo de uma banca de t-shirts no Mercado do Relógio.

Posso apenas prometer-vos que se sobreviver a mais esta provação (a minha vida é um calvário, sabem?), farei um relato fiel de todos os acontecimentos e tentarei levantar o véu (e um ou outro saiote) que cobre de mistério este tipo de eventos.

Bom fim-de-semana, e que Blog vos proteja (e já agora, a mim também).

Música de Fundo
A Dios Le Pido” - Juanes

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Um Verão Estranho
- … ou afinal devia ter tirado as férias todas de uma vez… –

Há uma coisa que eu tenho e que já me foi por diversas vezes cobiçada. Trata-se da janela do meu gabinete na empresa que dá directamente para a rua, e que mercê da sua blindagem em chapa de aço perfurada me permite ver sem ser visto.

Até aqui tudo bem. A maioria de vós sem dúvida que considerará isso uma benesse inestimável; mas garanto-vos que é o suficiente para abalar toda a fé que possam ter na condição humana.

Sem dúvida que é gratificante ver como num dia de calor, uma mulata que se senta à sombra da varanda e com a maior das descontracções se dedica a apreciar a sua recente depilação ás virilhas. Garanto que é de fazer ganhar o dia a um tipo. Mas aquele mecanismo que preside ao equilíbrio de todas as forças do universo, já me tem enviado imagens de estarrecer (algumas delas ainda me fazem acordar de madrugada banhado em suor).

Estava eu hoje muito descansado a apreciar a diferença entre o bronzeado e o tom natural de pele de uma vizinha nossa, quando reparei que meu amo se encaminhava para a porta do escritório acompanhado por uma figura de aspecto tétrico, pálida e de olhar esgazeado. Ele trazia o Nosferatu até nós…

Para que não haja confusões passo a informar que não se trata do verdadeiro (o do Murnau), mas sim de um nosso ex-empregador que ganhou essa alcunha mercê do seu feitio bisonho e odor levemente putrefacto.

Fiquei depois a saber que meu amo quiçá movido por motivos altruístas, tinha decidido admitir ao serviço esse refinado filho da puta cuja missão passará a ser a de lhe servir como ilustração para a frase – “Vejam bem. Quem diria que uns anos depois sou eu a dar-lhe emprego a ele. As voltas que o mundo dá…

Mas voltemos à janela.

Nos dias de sol, há velhotas que ao regressarem do mercado aproveitam para poisar os sacos e descansar um pouco. Infelizmente (após olharem em volta) lembram-se também de escarafunchar o nariz ou procurar algo no decote; o que ultrapassa largamente a resistência deste vosso torturado narrador.

Hoje era um desses dias. Mas juro que apesar da Ti Floripes se ter sentado no canteiro em frente à janela a ajeitar as “meias de descanso”, ninguém me conseguiu convencer a sair do gabinete por pretexto algum.

As coisas começaram a desenrolar-se cerca de cinco minutos após meu amo e o Nosferatu terem entrado na sala de reuniões. O VH apareceu no patamar do 1º andar, e perguntou para baixo se alguém tinha encomendado pizza, pois havia no ar um cheiro a refogado; tendo-se retirado incomodado.

Instado mais tarde, meu amo confidenciou que ao lhe ter perguntado ele lhe disse usar uma “eau de toilette” chamada “Violetas de Parma”; embora eu estivesse capaz de jurar que se trava de extracto de queijo parmesão bem curado.

Desde longa data que o tipo cada vez que entra numa sala provoca sempre um estranho efeito em todos os presentes. Os cães uivam, a maior parte das pessoas começam a ficar muito pálidas e com dificuldade em respirar; e suspeito mesmo que ele não será alheio à “condição” que começou a afectar um dos meus peixes; que agora só nada de lado e com ar de quem está a fazer um grande frete.

À medida que decorria a entrevista, reparei (apesar de ter a porta fechada e os ver apenas através do vidro) que o ambiente da sala de reuniões se alterava ligeiramente.

Meu amo apesar da sua prática na instalação de sistemas de bombagem de esgotos e fossas sépticas, parecia encontrar-se prestes a ter um dos seus famosos ataques de asma; o que sem dúvida o iria matar, pois não duvido que uma inspiração profunda naquela maléfica atmosfera seria equivalente a uma boa dose de gás cianídrico.

Cerca de seis minutos depois disto, Miss Entropia declarou que tinha que ir dar sangue urgentemente e desapareceu sem ter ainda regressado. Só a mãe dela parecia não estar minimamente incomodada com os mortais eflúvios, tendo declarado quando lhe perguntaram – “Cheira assim um bocadinho a queijo, mas não me pareceu nada de especial”.

Aparentemente só eu consegui escapar incólume a este ataque de guerra bacteriológica, pois quando meu amo bateu à porta para me informar da admissão do velho cromo, coloquei-me ostensivamente de costas para a janela interior e fingi que os auscultadores do leitor de MP3 não me deixavam ouvir nada.

Já de saída o tipo parou em frente à janela blindada e introduziu a mão na camisa para coçar um sovaco, cheirando-a de seguida.

E eu iria jurar que o vi sorrir.

Acho que vou ter um Verão muito atribulado…

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(No meio disto tudo, quase me esquecia que o Leonel Vicente comemora hoje o terceiro aniversário do seu “Memória Virtual” nascido como Aaanumberone mas sempre dedicado à informação. Parabéns pá!)

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Música de Fundo
Crazy” – Gnarls Barkley

domingo, 25 de junho de 2006

O Princípio da Excepção
- Onde se prova que algumas excepções são boas. Facto que por si só não exclui o princípio -

Não sou um apreciador de futebol. Apesar de a minha infância estar tão cheia dele como da Marcha de Alfama ou fado, aquela coisa sempre me deu sono e nunca consegui o “gestalt” para me identificar com uma equipa onde não jogasse.

Basicamente sou um individualista e a minha euforia pelas vitórias é breve. Talvez do conhecimento que tenho de como são efémeras e transitórias.

Um dia em que confidenciei a Romeu Correia (aí por 1986) que de todos os seus livros preferia “Desporto Rei” este surpreendeu-se, pois tratava-se de um imaginário que nada tinha em comum comigo. Ao que eu esclareci não ser pelo ambiente da história mas pelos seus personagens e vidas.

Hoje quando me deitei no sofá acompanhado de um gin&tonic, estava preparado para ver o início do jogo e entrar em “modo zapping” logo de seguida. De modo algum estava à espera de passar quase cem minutos de sobressalto, concentrado nos movimentos da Selecção Nacional.

É contra a minha natureza realizar-me através dos feitos de outros. Mas quando a três quartos do tempo, vi um grupo de jogadores em inferioridade numérica a trabalhar (finalmente) em conjunto como uma verdadeira equipa, senti um pouco de orgulho por estarem a representar o meu país.

Mesmo que este momento não se repita, continuarei a lembrar-me do único jogo de futebol que na minha idade adulta vi do princípio ao fim; a provar que há sempre uma excepção para toda a regra.

Parabéns SELECÇÃO!

Música de Fundo
My Perfect Cousin” – The Undertones

quinta-feira, 22 de junho de 2006

O Dia Mais Longo
- O Mito do Eterno Retorno Administrativo -

- Ena, chefe! Até parece um panadinho… - Disse Miss Entropia a ver-me entrar no gabinete, ajoujado de volumes diversos como se estivesse a preparar alguma expedição ao Orinoco; e ostentando um bronzeado de fazer inveja a um tuareg. – E bem podia ter “postado” mais alguma coisa durante as férias…

- Escrevo muito melhor quando estou engaiolado – Respondi – Pensa que é fácil gozar férias e escrever regularmente ao mesmo tempo?

Olhando em volta verifiquei com agrado que o aquário tinha sido limpo, deixando de ter aquele aspecto misterioso que fazia lembrar o Mar dos Sargaços; e que (melhor ainda) tal tinha sido feito sem que os peixes tivessem sofrido algum “lamentável acidente”.

Sentei-me à secretária com uma certa satisfação dividida entre umas férias perfeitas e um perfeito regresso. Liguei o computador e preparei-me para assinalar a minha chegada – Chefe… - Perguntou Miss Entropia que se encontrava atarefada com a máquina de café – Já tem título para o post de hoje?

- Não. – Retorqui um pouco preocupado – Nem sequer sei o que vou escrever. Sinto-me assim um pouco a dar para o esvaziado… Parece que me sugaram toda a imaginação.

- Lá o que fez nas férias não me diz respeito. – Apressou-se ela a atalhar – Mas o seu post de hoje bem pode chamar-se “O Dia Mais Longo”.

- Ora. Até nem custa assim tanto a passar…

- Claro que não. Mas já reparou que está atrasado vinte e quatro horas? É que as suas férias acabaram anteontem…

Música de Fundo
Thunder Without Rain” – Brainstorm

domingo, 18 de junho de 2006

O Código Da Treta
- Do mistério da existência, e de como solucioná-lo ainda a tempo de ir à praia… -

Adiei este post durante algum tempo. Não porque necessitasse de muito tempo para o preparar, mas porque queria saber até que ponto vai a ignorância e a crendice de pessoas que se dizem cientistas e intelectuais esclarecidos.

Neste momento há um monte de gente que já se fartou de tecer elogios a uma teoria que não passa de um romance bem esgalhado dando-lhe honras de oráculo. Com a agravante de se tratarem de ideias que além de não serem originais (Brown limitou-se a compilar dúvidas e teorias já existentes, com as quais criou uma história policial bastante interessante), têm tanta credibilidade como a própria bíblia; que como toda a gente sabe (ou devia) se trata de um conjunto de textos avulsos sucessivamente editados e alterados, que foram seleccionados entre muitos outros não aceites e aglutinados num único volume (uma espécie de “Livro Condensado do Mês”, das Selecções do Reader’s Digest).

É totalmente deslocado falar de plágio em livros como os de Dan Brown, pois são criados com base em escritos muito anteriores e especulações ociosas que há muito perderam o direito a “royalties”. Por isso façam de conta que tudo o que vou dizer foi copiado (apesar de os factos assinalados serem exactos); e se o não foi (à semelhança do nosso amigo Dan), então é porque o li em outros locais e agora não me lembro onde.

É fácil interpretar a bíblia. Tão fácil que para criar uma nova seita ou religião, basta ser ordenado sacerdote e após isso criar uma cisma que conduza a mais uma cisão no seio da igreja (agora já nem se dão ao trabalho de fazer isso, pois qualquer moleque passa de bicheiro a bispo apenas por obra e graça de um espírito qualquer).

A verdade é que a bíblia é tão dúbia e passível de interpretações antagónicas que parece ter sido escrita pelo gabinete jurídico de um qualquer conselho de administração. E foi nesse poço de dúvidas e indefinições que Dan Brown decidiu dedicar-se à pesca. Quanto a mim, pela facilidade com que na bíblia se provam os contrários, dando assim razão à teoria da proximidade dos extremos.

Quem tal como eu leia desde muito novo, decerto já acumulou na bagagem um certo número de escritos fantasiosos, que por sua vez se baseiam em teorias que não lembrariam a ninguém; excepto se essa pessoa andar a seguir a famosa “dieta do Peyolt”.

Acham estranho que Maria Madalena fosse a preferida de Jesus? É porque nunca viram as trombas de Pedro ou Marcos. E que tal se Cristo fosse na verdade uma mulher (Santa mulher, claro) que rodeada de apóstolos, maravilhasse as gentes com as suas exibições na zona de Belém (assim uma espécie de Mae West das docas mas em versão litúrgica)?

O que eu venho hoje fazer é dar-vos conta de mais algumas teorias bem estapafúrdias que já fazem escola há imenso tempo (algumas delas desde o século XIX).

1 – Buzz Lightyear é o meu pastor!
(ou “Seriam os Deuses Astronautas?...”)

Dedicada áqueles que se imaginam filhos abandonados por uma qualquer realeza e posteriormente adoptados por pelintras representantes do povo (os actuais “cotas”, claro), esta teoria baseia-se nos registos Incas que afirmam ser Viracocha Pachacaiachi o criador de todas as coisas e um famoso condutor de rally que cruzava os céus no seu carro movido pelo poder das estrelas (Fama? Dinheiro? Coca? Não sabemos…).

Esta teoria foi muito famosa durante os anos sessenta, altura em que o homem moderno finalmente decifrou o método usado para desenhar as famosas “Linhas de Nazca” e o aplicou à falsificação de “crop circles”.

Nunca teve muita credibilidade devido à estranha preferência que aquela malta (os Incas e seus descendentes) tinha por bebidas alucinogénicas; bem como pelo salutar hábito de disputarem campeonatos de futebol usando como bola a cabeça do anterior seleccionador caso ele tivesse perdido (se utilizassemos o mesmo método por cá, vocês iriam ver a diferença neste mundial…).

Antes de passar à seguinte, tenho a informar que uma das coisas mais importantes para a implantação de uma teoria é a sua componente lúdica. Se não for uma teoria divertida não apelará ao nosso imaginário, e por tal pouca credibilidade lhe será dada.

Tal como quando Maxwell começou com as suas experiências no campo da electricidade, levando Ambrose Bierce a escrever mais tarde no seu “Dicionário do Diabo” – “Não se sabe o que é a electricidade, mas em todo o caso ela ilumina melhor que um cavalo-vapor e é mais veloz do que um bico de gás”.

2 – Big Brother is watching me
(O governo dos superiores desconhecidos)

A faceta mais útil da invenção de deus, tem sido a de livrar a humanidade do fardo da reflexão sobre o sentido (ou falta dele) das coisas, bem como garantir-nos que apesar de não nos preocuparmos com isso, existem poderes secretos e superiores que tomaram como sua missão essa espinhosa tarefa.

Trata-se de uma teoria muito cómoda e muito querida de todos quantos “morrem para não fazer nada”. Quer se desculpem com Deus, Vishnu, os Rosa-Cruzes, os “Iluminati” ou mesmo a “Grande Loja dos Trezentos”; a maioria destas teorias foram muito bem aglutinadas por René Guénon (fundador da Escola Perenialista) e explicadas no seu livro “Le Roi du Monde (1927)”; no qual afirmava sermos guiados por um governo tipo sociedade secreta que se estenderia a nível mundial, como ele próprio explica:

- "Le "Roi du Monde" doit avoir une fonction essentiellement ordonnatrice et régulatrice, (...) fonction pouvant se résumer dans un mot comme celui d'"équilibre" ou d'"harmonie", ce que rend précisément en sanscrit le terme Dharma : ce que nous entendons par là, c'est le reflet, dans le monde manifesté, de l'immutabilité du Principe suprême." -

Esta era uma das minhas teorias preferidas, até que um dia numa edição brasileira de “O Rei do Mundo” atentei bem numa das fotos meio desfocadas que acompanhavam o texto e constatei que o referido “Rei do Mundo” era as trombas chapadas do Steve McQueen (nascido apenas três anos após o lançamento da 1ª edição).

E lá se foi a minha (e não só) teoria do governo mundial secreto.

Existem na era moderna algumas assumpções bastante presunçosas. Como por exemplo a de sermos tão inteligentes, que finalmente todos os segredos nos serão revelados.

Bem, esta própria frase é uma mercadoria de elevado valor, pois permite que a coberto da “ciência” oficial (seja lá o que isso quer dizer) nos sejam injectadas grandes doses de “fait divers” como se em vez disso se tratasse de uma espécie de cultura geral destinada a enriquecer o nosso património intelectual.

Para justificar este último parágrafo posso informar-vos a título gratuito que quando na idade média (acho que foi por aí…) se afirmou ser a terra plana, tratou-se apenas de um ataque de estupidez aguda, pois já há séculos toda a gente sabia que esta era redonda e facilmente rebolaria para longe caso se distraíssem por alguns minutos.

A melhor ilustração para mais este tipo de mistério é a teoria da “Terra Oca”.

3 – A Terra Oca
(Ou porque todas as sanitas fazem eco)

Em 1906 William Reed, formulou a teoria da “Terra Oca” que em 1920 foi reformulada por Marshall B. Gardner que acrescentou ao conjunto a existência de um sol central que iluminaria o conjunto.

Segundo estes émulos de Dan Brown - "A terra é oca. Os pólos há tanto buscados são fantasmas. Há aberturas nas extremidades norte e sul. No interior estão grandes continentes, oceanos, montanhas e rios. É evidente a vida vegetal e animal neste novo mundo, que é provavelmente povoado por raças desconhecidas dos moradores da superfície da terra. "

Esta teoria teve um sucesso enorme durante algum tempo, sendo um dos seus mais fervorosos seguidores Adolfo Hitler que se tornou membro de “A Loja Luminosa” (ou Sociedade do Vril) e do Grupo Tule (ele próprio era um associativista convicto) e em Abril de 1942 enviou uma expedição chefiada pelo Dr. Heinz Fisher à ilha báltica de Rügenb, onde munidos de aparelhos de radar de modelo experimental apontaram estes para cima num ângulo de 45º.

A explicação é simples. Sendo a terra oca e vivendo a humanidade no interior dela (como moscas caminhando no interior de uma lâmpada), o objectivo da expedição seria exactamente o de provar essa teoria, e também o de obter informações sobre a armada Britânica ancorada em Scapa Flow; ou seja, apenas a algumas centenas de quilómetros na vertical.

Ironicamente é o mesmo Heinz Fisher que em 1957 chefia um laboratório em Dayton, no Ohio onde se estudam as aplicações práticas da energia atómica. E poderia continuar exaustivamente (tenho muita livralhada em casa) a massacrar-vos com exemplos daquilo a que conduz a má interpretação de dados incompletos ou apenas falsos; bem como discorrer sobre o significado oculto dos símbolos que decoram a maioria das catedrais, ou de como Fulcaneli estará ainda vivo e provavelmente muito chateado por eu ter escrito isto.

Aos apreciadores de “enigmas não explicados” aconselho uma busca na Net por “Charles Hoy Fort”, o que dará para horas e horas de amena cavaqueira e mesmo alguns posts; provando que não há como um bom mistério para justificar a frase – “Opinions are like asses. Everybody has his own” (even me…)

Música de Fundo
Take Me Out” – Franz Ferdinand

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Trrriiimmm!
- Um post rapidinho com sabor de férias -

- Tou?...

- Boa tarde! O meu nome é Cátia Simões e estou a ligar-lhe por causa…

- Ai não é o Sr. Arquitecto?... Desculpe mas só cá estamos nós a pintar e tão cedo isto não vai estar habitável.

- Mas estou a ligar-lhe da parte de Marta Flores da Consummer Goods, ACE.

- A sério! O estuque que esta merda tinha estava todo estalado e mamou-nos 25 litros de “branco casca de ovo” que secaram em menos de duas horas. Só o trabalhão que vai ser betumar isto tudo vai dar para mais de cinco dias com dois homens; ainda é uma nota... e quem é que vai pagar as horas-extra?

- Desculpe. Mas não é o senhor…

- Olhe, menina. Disseram-me até que o telefone estava desligado; mas se é do IDICT por causa dos dois moldavos, pode estar descansada porque eles já têm os vistos em ordem.

- Bem. Parece-me realmente que o melhor será ligar um pouco mais tarde; daqui a uns dias.

- É melhor ser um bocado mais tarde, porque o esmalte sintético até ficar totalmente assente ainda vai precisar de duas semanas. Mas olhe, obrigado e boa tarde.

- Bo… KLICK!!!

- Ufff!.. Ai! Que é isso?

- Adoro quando fazes esse número de homem das obras.

- É o dois-em-um. Além disso ainda afasta os tipos do telemarketing até ao fim do Verão. Ai! Desculpa, mas não me mordas aí…

Música de Fundo
Breathe” – Prodigy

sexta-feira, 9 de junho de 2006

O Badalado Concílio do Bivalve
- Um diário de férias onde nunca acontece nada; pelo menos que aqui possa ser publicado -

Foi hoje tomada a decisão de rumarmos à Praia da Riviera.

O local pode ser exactamente igual à Praia do Castelo, Mas além de o nome sugerir um tipo de serviço mais refinado, há igualmente o facto de o parque não ser pago; o que nos dá a opção de deixarmos ou não “a moedinha” a um senhor que é deficiente e cujo serviço consiste em não nos atrapalhar a manobra por uns módicos cinquenta cêntimos.

Mas hoje os peregrinos tinham sido reforçados com a presença do Zé Pedro, primo do Apóstolo que por sua vez se chama Zé António.

A meio da manhã e por sugestão minha, convencionou-se que o melhor tratamento para todos os Santos de Blog seria o de usar o prefixo “” em vez de “Santo”; o que atendendo aos presentes foi logo aprovado por unanimidade. Principalmente se atendermos a que é muito menos constrangedor um tipo ser chamado na rua de “Zé António” em vez de “Santo António”; o que poderia até despertar a ira de um eventual ímpio que por ali cruzasse.

Foi então ladeado de dois Santos Homens (Zé António e Zé Pedro, respectivamente) que entrei na praia, e tal como é costume fiquei logo com as sandálias cheias de areia.

Não vos vou falar dos exaustivos debates de praia, nem das teimas em redor de pormenores. O importante é que seleccionámos hoje a candidata que irá à eliminatória de “Monitora Centerfolf de Junho”, apesar de um diferendo entre mim e o Zé Pedro sobre a novel prevalência do modelo “pêra arrebitada” sobre o tradicional “abacate ensonado”, que tem sido durante anos o standard da indústria.

Deambulámos mais um pouco pelas areias como se fôssemos uma espécie de tríptico móvel (comigo no meio), até que o Apóstolo se lembrou que estaria na altura de eu escrever o famoso “Post Erótico do Verão”; coisa que explicou ao primo como sendo uma piedosa tradição da nossa Igreja, e que anualmente faz as delícias de fiéis e infiéis (talvez e especialmente destes últimos).

Zé Pedro acabou por se sair com algumas ideias muito boas, apesar de não se poderem considerar totalmente novas (é uma pena, mas isto do erotismo tem tão poucas variáveis como o xadrez), e que provocaram o meu comentário – “É uma grande vantagem sair com homens mais velhos. Vejam bem o que eu aprendia se fosse mulher”…

E por último deliciámo-nos com aquilo a que passámos a chamar o efeito azul.

Descobri nos últimos dias que tenho uma toalha mágica. Bem, não tem efectivamente propriedades milagrosas mas há algo nela que sem dúvida será apelativo; pois ao taparmos as tralhas com ela num local mais ou menos isolado, e após nos afastarmos alguns momentos acabamos por invariavelmente a encontrar rodeada por um ou mais grupos de jovens raparigas.

Já tentei encontrar na Net um manual ou algo parecido que me fizesse passar facilmente à fase seguinte, mas parece que o equipamento se encontra limitado à funcionalidade da atracção. Pelo que temos que nos contentar em ver o que é que a toalha “apanhou” na nossa ausência, o que até já nem é nada mau.

Hoje (juro por Blog que é verdade) quando regressámos do passeio habitual, tinhamos dois grupos de duas jovens cada, que mutuamente espalhavam bronzeador (posso garantir que em stereo tem um efeito quase caleidoscópico) e um grupo de outras três acompanhadas por uma criancinha que decerto lhes serviu de pretexto para irem à praia.

A caminho de casa o primo do Apóstolo (Zé Pedro) tentou por duas vezes comprar-me a toalha, até que o primo (Zé António) lhe disse para me deixar em paz pois a toalha nas mãos dele o mais certo seria atrair apenas pulgões da areia ou algo pior que a maré trouxesse.

Têm sido umas férias divertidas. É pena realmente não me ter dado para escrever mas isto é por fases e talvez me ocorra mais tarde algo que valha a pena ser publicado. Embora aqui para nós eu ache que não deve resultar, pois lembro-me na praia de coisas mirabolantes que esqueço mal fecho a porta do automóvel.

Talvez levando o portátil para a praia… quem sabe…

PSAproveito para agradecer a todos os que aqui vieram comemorar o terceiro aniversário do blog. Talvez isso me incentive a escrever mais e melhor (Pois, esperem…)

Música de Fundo
Rockaway Beach” – Ramones

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Das Coisa Boas que chegam ao Verão…
- Se não ficam pelo caminho é porque valem a pena… -

Um dos meus primeiros vícios foi o tabaco. Passei dos “Kentucky” do ciclo preparatório (nunca fui apreciador de beatas. Ainda hoje as evito o mais possível), para os SG Filtro do secundário, brevemente interrompido por um interregno dedicado ao “2002 Control”, cujo filtro fazia barulho ao agitar.

Por um período curto experimentei “Monserrate”, mas tratou-se de uma fase predominantemente intelectual e fátua, que quase me fez começar a fumar cachimbo.

Mas aquela merda apagava-se e deixava um sabor amargo nos lábios. Agora já sei porque todos os fumadores de cachimbo fazem um ar tão concentrado; é mesmo estoicismo.

Mantive-me fiel ao SG Filtro durante toda uma era, desde o Rock Sinfónico ao fim da Era do Punk (se não contarmos as “Substâncias Recreativas Controladas”).

No princípio dos anos noventa, a espiral do vício tinha-me conduzido a uma situação de intolerável dependência. Fumava o primeiro cigarro ás oito da manhã, e daí até me deitar acendia cerca de outros cinquenta uns nos outros, deixando atrás de mim um denunciador rasto de beatas meio consumidas que se perdia no nevoeiro através do qual se desenrolava o meu dia.

Aparentemente os cigarros tinham deixado de me dar satisfação, transformando-se numa espécie de segunda natureza, que além de ficar cara não conduzia a lado nenhum.

Comecei a documentar-me sobre alternativas mais substanciais que meros cigarros (deixar de fumar nunca me pareceu uma alternativa a considerar); tendo chegado à conclusão que a gestão racional de uma pequena quantidade de cigarrilhas em alternância com um ou outro charuto ocasional, seria a solução mais indicada para os meus objectivos.

Nunca mais pensei nisto até hoje quando me encontrava em profunda reflexão sobre se deveria fumar o “Cohiba”, o “Montecristo Nº 2”, ou mesmo um dos “Quinteros”. Todos os meus vícios e prazeres passam pelo mesmo processo de triagem.

Ao princípio foi apenas uma compulsão leve que conduziu ao hábito. Estavam lançadas as sementes de um vício, quando escrevi o meu primeiro e desajeitado post em 5 de Junho de 2003.

Este blog já passou por todas as fases possíveis e imagináveis durante estes três anos (como um vício que fui cultivando de modo a poder transformar-se em prazer), a ponto de eu não ter qualquer ideia do que o futuro reservará para ele.

Apenas posso dizer que todas as coisas que chegam ao Verão são boas; e este blog comemora mais um Verão.

Música de Fundo
The Certainty of Chance” – The Divine Comedy

domingo, 4 de junho de 2006

What a Wonderful Day
- No seguimento do seu muy merecido 1ºperiodo de férias TheOldMan veio fazer uma leitura rápida, apenas para constatar que nada de importante mudou, e que por isso também o universo poderá esperar mais umas horas pelo “post da Madrugada

É indecente da minha parte não ter aparecido mais cedo, mas espero que compreendam uma das minhas idiossincrasias no que diz respeito aos tempos livres. Acho que devem ser desfrutados em toda a sua plenitude.

Tencionava (e tenciono ainda) aparecer mais logo pela madrugada para dizer mais uma ou duas enormidades, mas estava a sentir um certo remorso por estar tão e não me manifestar. Como se após longos anos passasse à porta de um velho conhecido sem lhe ir apresentar cumprimentos.

Assim vim aqui apenas para mudar a fotografia, mas volto mais logo.

Vou aproveitar um pouco mais das férias e já venho.

Música de Fundo
Smack My Bitch Up” – The Prodigy

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