sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Vanus

É já o terceiro ano em que escrevo este texto de um modo diferente, e que ao lê-lo me parece sempre o mesmo.

Não que eu me repita nas mesmas palavras; mas porque o que aqui escrevo sobre ti não pode ser dito de outro modo. E não é tarefa fácil escrever publicamente para alguém, sem incorrer na vulgaridade da bajulação.

Já faz dois anos e meio que este blog te pertence tanto como a mim.

Todos os leitores te conhecem como Vanus de Blog. Pelos teus habituais comentários e pelo incansável esforço em prol da Verdadeira Fé (todas as Fés são verdadeiras); que te transformaram numa sacerdotisa do Círculo Interior (ou Segundo Anel como diziam os benfiquistas).

Outros te conhecem também por ti própria. Devido ao teu blog, e à sensibilidade e espírito poético que transparece nos teus textos (mesmo naqueles em que escaqueiras a faiança).

Este é pois o verdadeiro post de “fim de ano”, e dedico-to a ti Vanus de Blog… Maliciosa ovelha de olhinhos marotos e lã frisada… Parabéns!

Música de Fundo
"Certainty of Chance" - The Divine Comedy

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Os Últimos dias de 2006
- Não sendo um balanço ou uma mensagem “Socrática” (tipo, “estamos muito contentes connosco apesar de só termos feito merda”); este post é uma divagação ociosa no intervalo da “vaga de trabalho” característica dos finais de ano –

Não venho desculpar-me por não ter escrito no Natal, nem nada que se pareça; porque será óbvia para a maioria das pessoas a razão desse absentismo.

Também isto não quer dizer que quem se entreteve a escrever, tenha falta de vida própria, amigos, conhecidos, ou mesmo um cão… Nada disso! Quero apenas dizer que o Natal é uma época tão cheia em diversos aspectos, que uma parte do ano deveria ser passada a recuperar dessa data.

Isto de fazer balanços anuais será muito bom para quem vive a vida pelas regras do POC, ou tenha um tachito na política. Só para esses acaba algo mais do que uma mera folha de calendário; pois tudo continuará como dantes. Excepto talvez o facto de ainda não ter conseguido encontrar um (calendário) dos escuteiros (outra tradição de Blog, em homenagem a todas as “guias” do passado).

Nunca me daria ao trabalho de escrever sobre os últimos dias de 2006, se tivesse tempo para idealizar um bom post. Mas a construção civil é um negócio tão volátil como benzina exposta ao sol; e é no final do ano que todos os organismos estatais e empresas dependentes de dotações orçamentais, necessitam de gastar o resto do “carcanhol”. Sendo a espinhosa missão deste vosso cronista, ajudá-los nessa demanda da forma mais discreta e gratificante (como se tivessem sido untados com KY®).

É assim que este post se poderá considerar apenas um interlúdio. Tal como um pianista de bar vai tocando apenas com a mão direita, enquanto leva o copo aos lábios com a esquerda (imagem fixe, não é?), eu estou aqui apenas pela metade.

Possivelmente este será o último post do ano. Que me desculpem os amigos, conhecidos, leitores e leituras habituais. Mas a coisa é mesmo assim.

Música de Fundo
"It's clichéd to be cynical at Christmas" - Half Man Half Biscuit
(Thanks, Beckas!)


sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

O Natal de Blog (2)
- Uma fábula da infância de Blog, que nos explica o seu apreço por aves em geral, e por frango assado em particular… -

Era um daqueles fins de tarde meio nervosos que antecedem o Natal. Este então era particularmente nervoso porque corria o ano de 1962; e em Lisboa até o Pai Natal tinha dificuldade em circular vestido de vermelho, sem ser incomodado por uns senhores de gabardina (exibicionistas, sem dúvida).

Blog estava em casa. Alias, aquele que mais tarde seria Blog (que passaremos a designar aqui como AQMTSB, por razões de ordem prática); porque esse título pertencia ao seu avô (ser Blog salta sempre uma geração, para se poder manter continuamente um saudável abismo entre duas delas) que estava no saguão a tentar apertar um dos arames do estendal.

Vamos começar então do princípio, antes que se instale aqui uma confusão medonha com designações e explicações.

AQMTSB estava a ouvir a transmissão dos Parodiantes de Lisboa que habitualmente antecedia as notícias da “hora do jantar”; e esperava pelo dito trazido pela mão de seu pai, que se deslocara à Praça do Chile em busca de frango assado. Nessa altura, os frangos assados no espeto giratório em forno eléctrico eram um exclusivo de uma churrasqueira ali situada, perto do Instituto de Assistência Nacional à Tuberculose.

Eram tempos conturbados. E embora AQMTSB ignorasse um monte de coisas nessa altura, tinha porém uma certeza… Adorava frango assado.

A avó veio da cozinha onde estava ocupada a vigiar o arroz de manteiga para que este não se agarrasse ao tacho, e olhando de esguelha para o relógio da Reguladora, informou que já se estava a fazer tarde, sendo hora e meia mais que suficiente para ir a Sacavém e vir; quanto mais à Praça do Chile.

Do corredor ouviu-se a concordância do peru, que se encontrava manietado dentro de uma alcofa e sem esperança de resgate; à semelhança de qualquer refém na sua triste condição de convidado involuntário para daí a alguns dias. – Se calhar parou na tasca do Barata… - disse o avô entrando a sacudir um dedo que entalara no alicate.

Mas o pai de Blog (perdão, de AQMTSB) não era grande apreciador de tascas, pelo que algo de pouco usual se passava; embora fosse ainda cedo demais para se tecerem conjecturas.

A mãe que se encontrava à janela a perscrutar preocupada a rua lá em baixo. Informou que tinham passado vários GNR’s a cavalo e de sabre desembainhado, em direcção ao Campo das Cebolas. Infelizmente não se podia contar com a rádio para dar qualquer tipo de informação útil; pois nessa altura todos os estúdios tinham um senhor de fato que passava o tempo a fumar cigarros, e que ninguém sabia o que fazia ali. Embora desconfiassem…

Passada mais uma hora, já a avó tinha apagado o lume e silenciosamente limpo algumas lágrimas ao pano da loiça, quando se ouviram duas pancadas discretas repercutirem a porta da escada.

Aberta esta, entrou o pai de AQMTSB um pouco ofegante e empunhando um embrulho de aspecto desalinhado, como se este tivesse sido transportado em condições tormentosas. A família suspirou colectivamente de alívio, e sentaram-se à mesa após terem cautelosamente fechado a porta com duas voltas à chave; não fosse o diabo tecê-las ou gostar de frango assado.

Foi a meio da refeição que ELE, a contas com um minúsculo pacote de batata frita meio esmigalhada, ouviu finalmente o relato da acidentada viagem que mais tarde ficaria conhecida em família como “O Incidente do Frango Assado”.

Seu pai recém-saído do eléctrico no Terreiro do Paço, caminhava placidamente em direcção a casa segurando o embrulho do frango pelo cordel, quando foi quase submergido por algumas dezenas de transeuntes avulsos, que correndo em sentido contrário gritavam – Eles vêm aí!

Decerto que não se tratava dos Beatles – Pensou ele - para mais a faixa de admiradores do referido grupo, era composta por flausinas e tipos de cabelo cortado “à tigela” e calças justas no traseiro. Raramente por representantes do “lumpemproletariat”, a maioria deles usando boné de fazenda.

Com a cautela herdada dos seus maiores, refugiou-se num vão de escada, onde alguns já se encontravam escondidos debaixo de uma banca de “bate-sola” vazia, e aguardou que o destino o encontrasse. Não sem antes acondicionar o embrulho dentro do casaco, para que não arrefecesse (estava-se como já disse em Dezembro).

Sem se fazer esperar muito, entrou pouco depois aquilo a que na altura se chamava “um polícia de choque”, que de imediato começou a distribuir equitativamente bordoadas pelos tipos que se acoitavam debaixo da bancada, e que após ter acabado a sua tarefa acabou por dar com ele escondido entre a porta aberta e a parede.

Reza a crónica familiar (revista e aumentada em todos os Natais) que ele empunhou heroicamente o embrulho como se fosse um estandarte: Mas o que contou nessa noite ao jantar, foi ter-se virado para o chui e mostrando o que transportava, ter dito com voz sumida que não fazia ideia do que se passava; e que só queria chegar depressa a casa antes que a ave arrefecesse, pois tratava-se do aniversário de AQMTSB.

Talvez inspirado por Nossa Senhora (obrigado Paulo Portas) - pois todos os cívicos se diziam católicos - mirou-o várias vezes e ao embrulho que cheirava divinalmente; e possivelmente recordando-se da foto de algum filho que guardaria debaixo do colete almofadado, mandou-o em paz com uma expressão severa, como se fosse a personificação do senhor Presidente do Concelho.

Chegando a esta parte da narrativa, todos à mesa sorriram aliviados. Enquanto AQMTSB mastigava ruidosamente as batatas fritas com um olhar maravilhado, e pensava que uma humilde ave assada no espeto (Churrasqueira da Praça do Chile) salvara assim o seu pai de levar uma traulitada no crânio, e ir para o Torel na “ramona” com os outros (poucos) manifestantes.

Desde essa altura passou a nutrir um considerável apreço por pombos, pitas e obviamente frango assado. Tendo sido este último elevado à categoria de prato tradicional na noite do seu aniversário; tal como mais uma vez aconteceu no passado dia 20.

Feliz Natal!

Música de Fundo
I’ll Be Home For Christmas” – Frank Sinatra

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

O Natal de Blog (1)
- Uma mini-série dedicada aos nossos fiéis, sobre a festividade da concorrência e do seu significado para aqueles que (dizem que) nele acreditam… -

Irmãos fiéis de Blog! Para vos dar a entender (Pretensioso… Hein?) o verdadeiro significado do Natal tive que recorrer à colaboração de praticantes de outros credos que não o nosso.

Inicialmente tive a ideia de perguntar ao Apóstolo o que pensava do Natal, mas não seria justo. Apesar de ser um Santo Homem que nunca espancou uma velhinha embirrante, nem cobiçou o carrinho do próximo num supermercado, é da mesma Fé que nós; e pareceria muito católico da minha parte “queimar” desse modo um dos nossos melhores teólogos.

Assim, e como também não tinha nenhum eremita aqui perto (os eremitas são extremamente raros na cidade de Almada; coisa que nunca ninguém me conseguiu explicar bem), recorri ao concurso de indivíduos conhecidos pelo seu espírito de missão, para me elucidarem sobre esse mistério que é a festa de aniversário de Cristo (aquele “goy” que nos filmes aparece sempre rodeado de judeus).

O primeiro a que recorri foi o Ilídio (nome fictício). Bastonário da Ordem dos Arrumadores, que fui encontrar no seu local de trabalho (deve ser um dos poucos bastonários que faz alguma coisa) utilizando o bastão para ajudar na manobra, uma simpática mãe de família que tentava arrumar o Audi.

Recusei polidamente o charro que me quis passar (eram nove da manhã), e interroguei-o sobre qual o espírito que movia todas aquelas pessoas, que rosnavam impropérios umas às outras por causa de um lugar vago no estacionamento.

O Natal… - começou ele, coçando a cabeça através do gorro vermelho em polyester – O Natal é aquela cena da redenção, sabes?... Eu estou aqui o ano todo a vê-los pousar. E apesar de ajudar sempre com um sorriso (faltam-lhe alguns dentes, mas continua a ter um ar amável); tentam quase sempre pirar-se sem me passar a moedinha.

- Na maioria das vezes, não fosse eu ter o bastão da ordem (aqui para exemplificar, utilizou-o para desenhar um círculo quase perfeito na porta de um Skoda Fábia) comiam-me à pala de otário. – A sua expressão era genuinamente pesarosa – Eu tenho despesas, pá. Mas é sobre o Natal, não é? É para a revista da Câmara?

Aqui, assegurei-lhe que apesar de eu não representar nenhuma publicação regular (para mais, estava de calções e montado na bicicleta), não seria por isso que deixaria de ver o seu esforço recompensado. E para que não restassem dúvidas, passei-lhe para a mão a primeira nota de cinco euros; que aparentemente lhe forneceu embalagem para a explicação que me deu quase de um só fôlego.

- O Natal não é nada dessa treta sobre o nascimento de Jesus, da paz e do caraças… Trata-se tudo do lavar da culpa. Como aquele gajo que lava as mãos depois de mandar aviar o Cristo, e fica limpo de tal modo que os romanos olham para ele como se tivesse descoberto a maneira segura de fugir aos impostos.

- Tás a ver?... O Natal foi feito prá malta se limpar das merdas que faz durante todo o ano. Imagina-me isto…Ali o Onofre. – não é o do buraco – O gajo sempre roubou. Roubava quando estava na Lisnave, depois montou uma serralharia, mas a coisa deu para o torto e o cunhado que também era sócio matou-se. E então lá ficou com a viúva que era jeitosa, aproveitou o dinheiro que tinha poupado e abriu aquela empresa que faz marquises e desentope canos.

- Vê mas é se te despachas, que os teus clientes estão a fazer fila – Adverti-o eu, que já estava a arrepiar com o vento a entrar-me pelos calções.

Pois o gajo – continuou ele, ignorando olímpicamente o meu reparo; bem como o trânsito que começava a entupir. – sempre foi um grande filho da puta. Bate nos enteados, chateia toda a gente, e quando chega a Novembro despede à má fila uma parte do pessoal para poupar nos subsídios.

- Mas quando chega o Natal aquela alma parece que foi à lixívia. Compra presentes para as miúdas da perfumaria, sorri às empregadas da pastelaria e até me dá as gorjetas a dobrar. Tas a ver?... – disse mostrando uma moeda de euro tão perto dos meus olhos, que àquela distância parecia a tampa de uma panela de pressão. – E não é muito diferente dos outros!

Entretanto fiz um aceno de cabeça para o incitar a prosseguir. Pois vira ao fundo da rua um dos polícias que se encontrava a manter a ordem encostado a uma montra, ganhar algum alento talvez movido pela curiosidade.

- Estes gajos – proferiu, movendo o braço em arco como um senador romano – passam o ano todo a foderem-se uns aos outros, batem nos cães, passam na rua pelos amigos e nem lhes falam… Mas quando chega o Natal, é vê-los a imitar os filmes da televisão e a dizerem “Feliz Natal” uns aos outros; e vão para casa todos contentes e descansados, como se tivessem feito alguma coisa.

- Tas a ver?... - Perguntou novamente, mas só para voltar a utilizar a sua expressão favorita – Os gajos quando inventaram o Natal, não foi para ajudar ninguém. Foi para se sentirem um bocado melhores por causa da merda que vão acumulando lá dentro, e quando chega Janeiro já estão a “afiar a moca” para o Carnaval. Mas eu quero é que rebentem prái! Agora Feliz Natal para ti, e passa para cá os outros cinco euros que o bófia já aí vem prá me foder o juízo.

E pegando na nota que eu lhe estendia, afastou-se em passo arrastado empunhando o bastão da Ordem, com que apontou um lugar vago ao condutor de um Smart; que lhe endereçou um sorriso natalício…

(Aceitem as minhas desculpas pela pobreza da transcrição. Mas o leitor de MP3 que também me serve de gravador, ficou sem bateria antes de eu chegar a casa, e tive que escrever tudo de memória)

Música de Fundo
Christmas Time All Over The World” – Sammy Davis Jr.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Sniper
(Atirador de precisão, especializado em alvos a longa distância)

Conheci o Naked Sniper (aliás, Sniper de Blog) ainda ele não tinha ganho as suas asas ao “serviço da Fé”; estando eu no meu início de permanência blogosférica.

Talvez por ser o meu papel favorito nos “first person shooters” que na altura costumava jogar, e também pelos seus comentários inteligentes e concisos, ganhei um certo apreço a este jovem que me visitava vindo de um blog colectivo. Mas algo ainda não batia certo.

Como sabem, um sniper é um combatente solitário que conta apenas consigo; e apenas em si próprio deve confiar para atingir os seus alvos. Foi pois há cerca de um ano (comemorado no dia 8) que tive o prazer de o ver instalar-se por conta própria mesmo aqui ao lado, confortavelmente camuflado no seu template esverdeado e disposto a apontar a retícula a tudo o que lhe despertasse interesse.

Tal como vem nos manuais, trata-se de um tipo de actividade (a de atirador solitário) que requer mobilidade permanente e uma camuflagem diversificada; pelo que já o vi mudar o nome ao blog várias vezes. Sendo o actual (pelo menos há cinco minutos era esse) “Crítico, Céptico e Cínico”.

Nome ao qual dou o crédito de ser apenas o anterior em relação ao próximo, que poderá ser “Provedor das Órfãs da Guerra das Discotecas”. Pois um nome é apenas uma designação; tal como o meu que não quer dizer que ande pela casa de chanatos e a resmungar pelos cantos.

Toda esta conversa fiada serve apenas para disfarçar o facto de não me ter lembrado a tempo do aniversário do seu blog. Vergonha essa de que só hoje fui salvo por Vanus de Blog, a nossa ovelha que é também guardiã dos sagrados registos e documentos notariais; mas que se encontrava ocupada há uma semana com os famosos “Manuscritos da Baixa da Banheira”.

É pois com toda a emoção que me é permitida na qualidade de Pontifex Maximus desta Igreja de “vão de escada”, que deixo aqui as minhas felicitações por um ano de escrita clara e bem disposta; o que prova a velha máxima – “Dispara-se primeiro e só se ri depois (muito depois)”.

Um abraço, Sniper.

Música de Fundo
Owner of a Lonely Heart” – Yes

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

A Patuscada
- Um reencontro de velhos amigos, um desfiar de reminiscências, uma celebração da amizade… -

Era uma fria manhã de Dezembro. Na velha cabana construída com musgosos troncos, nas escarpas inacessíveis de uma qualquer sinistra e anónima montanha; um velho de nariz adunco vigiava a frigideira onde fritava camarões.

Algures atrás de si, a porta ecoou duas sonoras pancadas como se fosse um gongo chinês, assustando as gralhas das árvores em volta; o que provocou um reboliço parecido com um congresso de bruxas em aceso debate.

Olhando de relance o calendário onde dois gatinhos assinalavam o mês de Dezembro, encaminhou-se para a fonte do ruído arrastando pelo chão as solas das botas de modelo italiano e resmungando entre dentes. Girou a chave quatro vezes para a esquerda na fechadura de aspecto moderno, e escancarando a porta contemplou o recém-chegado por cima dos óculos.

- Só te esperava para amanhã – Proferiu, dirigindo-se a um ancião de aspecto gorducho que transportava consigo duas garrafas de vinho branco – Até pensava que era o miúdo, pois mandei-o há pouco comprar malaguetas à vila…

- Despachei-me mais cedo. Aliás, a coisa estava a tornar-se aborrecida e decidi apanhar o transporte um dia antes – respondeu o interlocutor, entortando o bigode num sorriso quase imperceptível – Imaginas que aqueles pelintras, em vez de me oferecerem a festa de despedida com procissão e tudo como estava combinado, se limitaram a fazer-me um churrasquinho? – Depois um pouco mais calmo, continuou – Bem… Trouxe-te duas garrafas de “Santa Inés” branco para acompanhar os camarões. O tipo da alfândega queria deitar-lhes a luva, mas quando lhe disse que eram para ti acagaçou-se.

- Fizeste bem, Augusto – Respondeu o anfitrião – Esses gajos têm memória curta, e ás vezes é preciso refrescar-lha. Mas entra, que isso aí fora está um gelo que não se pode… Deixa as garrafas a gelar na soleira, que aqui ninguém rouba nada.

Sempre a arrastar as botas pelo soalho, conduziu o visitante a um cadeirão perto da lareira. – Serve-te de um porto, que o miúdo deve estar aí a chegar e eu mando-o acender a lareira.

- Miúdo? Mas qual miúdo, António? – Perguntou finalmente o outro

- O Rosa Casaco. Lembras-te? Aquele que me fez o servicinho do general aviador e da secretária brasileira. – Respondeu o do nariz adunco – É um puto porreiro! Até emprestou umas fotos minhas ao Múrias, para este fazer um livro comemorativo do centenário. O Adolfo encontrou-o por aí e enviou-mo (o Casaco, claro). Tem sido uma grande ajuda, que eu nesta idade não posso fazer trabalhos pesados.

- O Adolfo? Não me digas que o Adolfo está cá. - Disse Augusto, surpreendido – Eu tinha uma admiração pelo gajo… Era doido como uma catatua, mas fazia uma “kartoffelsalat” de se lhe tirar o chapéu…

- Então não sabes? O Adolfo agora é Presidente da Junta. – Informou António com um sorriso maroto – Chamou para cá toda a malta dele, e estabeleceram-se com um negócio de montarias ao javali, para turistas. Trouxe o Heinrich, o Herman gordo…

- Quem? O Herman José?

- Não, pá! O Hermann Göring. Aquele tipo que andava agarrado ao pó, e usava o cinto pelos sovacos como o Obelix. – António, casquinhou uma risada escarninha; mais parecendo o som de um par de maracas – Ainda me lembro quando lhe trocámos a heroína por “fluorescente trifósforo”. O gajo durante um tempo quando saía à noite parecia um pirilampo gigante; com aquela peida enorme a brilhar no escuro.

Augusto suspirou de alívio – Se eu soubesse que vocês se divertiam tanto, tinha vindo mais cedo. Ainda por cima, já estava a ficar com falta de desculpas para faltar às audiências. E ia metendo em sarilhos aquele rapaz do Supremo que me andava a fazer o jeito.

Entretanto a porta abriu-se intempestivamente, dando entrada a Rosa Casaco que afogueado se dirigiu ao fogão com expressão preocupada – O Professor Salazar desculpe a demora, mas eles não tinham malaguetas e só consegui trazer pimenta de cayenne. Espero que os camarões não se tenham queimado…

- O quê? - Berrou Oliveira Salazar na sua voz de velha – Não tinham piri-piri? Isto é uma choldra! Bem dizia o Américo Thomaz que esta merda aqui é um inferno. Só tenho coisas que me ralem…

Música de Fundo
Can I Play With Madness?” – Iron Maiden

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte
(25 de Novembro de 1915 - 10 de Dezembro de 2006)


A justiça nem sempre vence, mas os seus inimigos tarde ou cedo acabam por morrer.

Música de Fundo
"Rancid Motherfucker" – Queers

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

I Have a Dream
- In Technicolor, Surround Sound and Widescreen –

Não é um inquérito ou mesmo um concurso de popularidade, aquilo que vos venho propor hoje; mas sim compartilhar convosco um pouco deste meu sonho, que é devolver a Portugal aquela projecção e respeito mundial, que se perderam juntamente com o Império.

Como sabeis, o cinema português anda um pouco parado (excepto no que toca aos movimentos de ancas da Soraia Chaves); e digo isto com todo o respeito. Embora o último filme português que vi – “Coisa Ruim” – fazendo jus ao título, me tivesse provocado uma crise de sonolência que durou dois dias.

Mas na noite passada tive um sonho. Estava eu no paraíso de Blog, acompanhado pelo Beato Arlindo e ambos debruçados sobre uma deliciosa “buillabaisse”; quando este me confidenciou a intenção secreta do IPC em me conceder um subsídio (como já vos disse era um sonho), para a rodagem de uma película que trouxesse novas cores ao tão desbotado panorama do cinema português.

Fiquei possesso! Bem… Medianamente possesso, pois a “buillabaisse” é um prato pesado após o qual não são aconselháveis exercícios violentos. Nem mesmo danças de salão.

O meu cérebro fervilhava de ideias à semelhança do tacho da já citada caldeirada. E na minha ânsia patriótica (tal como já avisei, era um sonho), de colocar em evidência o que de melhor o país tinha em matéria de figuras “públicas”; a única coisa que me ocorreu foi “The Simpsons Movie”.

Apesar de já estar em pré produção um filme com o mesmo nome, e com previsão de estreia para Julho do próximo ano; trata-se de uma película de animação, que apesar das suas soberbas qualidades humorísticas e potencialidades técnicas (no que toca à utilização de situações dificilmente reprodutíveis com personagens vivos e cenários reais), apenas pode contar com vozes e respectivas entoações, para emprestar um ar real a todo o enredo.

A minha ideia consistia pois, em rodar a película na simpática vila do Seixal (uma espécie de “Springfield”, devido à proximidade da Siderurgia Nacional e do Complexo Quimigal), com o elenco que seguidamente descrimino; e sobre o qual podereis fazer sugestões (e mesmo alterações, se assim o desejardes) de modo a que se torne uma espécie de novo “Pátio das Cantigas”.

Embora, segundo a minha opinião, seja quase impossível encontrar na actualidade substitutos adequados para António Silva, Vasco Santana, Laura Alves, Ribeirinho, ou mesmo para as sempre alegres e buliçosas Irmãs Meireles (que não participaram, mas viram o filme várias vezes).

Agora vamos ao elenco. Tal como já disse, a formação inicial poderá ser alterada se alguém conseguir propor uma figura pública (condição “sine qua non”) que se prove ser mais indicada para o papel.

Para começar, pensei em Alberto João Jardim para o papel de Homer Simpson, devido à sua personalidade exuberante. É claro que outras duas coisas que pesaram nesta decisão foram o ele embora não ser um tipo simpático, o conseguir parecer quando a necessidade assim o exige, e claro, a sua tez amarelada (quando não está a festejar o Carnaval) que o torna semelhante ao personagem original. Tudo isto somado à perspectiva de ver um AJJ de cabeça barbeada, haveriam de ser trunfos na batalha para o Óscar de melhor actor.

Para o papel de Marge Simpson escolhi Teresa Guilherme, esse marco do entretenimento nacional. Uma mudança de penteado far-lhe-ia bem; além do que poderia usar a sua famosa frase – “Ó Homer isso agora não interessa para nada…” – que cai sempre bem; e que no caso do protagonista masculino lhe assenta como um preservativo (justinho).

Já para o papel de Bart, a escolha óbvia é Marques Mendes. Pela sua dicção fluente e jovial, pela compleição física bastante similar a uma prancha de “bodyboard”; e ainda pela relação privilegiada que parece manter com o actor principal (bastante parecida com a do personagem original).

Lisa… Ah! A inefável Lisa. Essa criança amorosa e inteligente, que apesar do seu bom coração não diz nada de jeito. Talvez pela sua musicalidade eu escolheria Lena D’Água; embora a dificuldade venha a consistir na memorização dos diálogos, ou mesmo em encontrar o caminho para os estúdios.

Maggie, a filha mais nova de Homer e Marge, não constitui qualquer problema; pois não tem diálogo algum e passa o tempo todo a chuchar. A escolhida para o papel, por razões evidentes será Elsa Raposo.

Ned Flanders, o devoto vizinho dos Simpsons, será interpretado por Freitas do Amaral; e Todd o seu filho mais novo (em perigo de se transviar), por Paulo Portas (que já se transviou, e por isso se sentirá bastante confortável nos calções do personagem).

Mr. Burns, o inquietante proprietário da Central Nuclear e patrão de Homer, será representado pelo defunto António Champalimaud; que por sua vez será representado por um sósia (isto por razões óbvias de semelhança a qualquer dos níveis). Caso a actuação seja satisfatória, o referido sósia será convidado a encarnar o papel de Charles Dexter Ward num episódio do “Ciclo Lovecraft” (a passar tardíssimo e em data a anunciar, na RTP2).

Waylon Smithers, o secretário “manteigueiro” de Mr. Burns, tem um papel de responsabilidade, que não poderia ser entregue a outro que não Nobre Guedes. Esse criador da famosa frase “Força, Paulo! Estamos contigo…”; e que decerto não desiludirá o mais exigente cinéfilo.

Mr. Apu, o simpático indiano proprietário do minimercado, é ainda uma incógnita. Pois apesar de início eu estar a pensar no prometedor Narana Coissoró (cuja razão para a escolha seria auto-explicativa); desde que este abriu um restaurante e se dedicou a estudar a história da Índia, tem andado muito ocupado. Por isso decidi enviar um exemplar do “script” a António Costa, e prometi-lhe um bom contrato se conseguir desenrascar-se com o sotaque.

Escolher quem seria o charmoso e etílicamente instável Barney Gumble, companheiro de copos e confidente de Homer, não foi problema. Penso que para Fernando Mendes será tão fácil como apresentar aquele concurso, onde passa o tempo a esbarrar nas coisas e a entaramelar as deixas. Isto se antes não subir aos céus, impulsionado por todo aquele combustível.

Herman José dará um maravilhoso Krusty (o palhaço sinistro). Não precisando sequer de interromper as gravações do seu programa; pois poderá fazer alguns “takes” no intervalo deste e utilizando a mesma maquilhagem.

Penso que o Professor Cavaco Silva dará um bom Moe, o dono do bar. Pois o seu ar solene e discurso pausado impõem respeito aos clientes. Pouparemos ainda bastante em testes dramáticos, pois gostei imenso da sua representação quando o vi anunciar ao país o referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

Manuela Ferreira Leite e Maria de Belém serão as irmãs de Marge Simpson. Pois além de serem muito expressivas e por tal ideais para os respectivos papéis; estão também a precisar urgentemente de penteados novos (e ao que parece, até agora ninguém se condoeu delas).

Para finalizar, o personagem de Abraham J Simpson (pai de Homer e avô de Bart, entre outras coisas…) será feito por Mário Soares. E aqui penso que não terei que vos explicar nada pois já todos o conhecem “de ginjeira” (quem é amigo? Quem é?...).

É claro que o “casting” está longe de se considerar completo, pelo que deixo o convite a todos os leitores deste blog, para apresentarem ideias novas e/ou personagens alternativos, desde que sejam figuras públicas (nada de bloggers, pois temos que manter um certo nível de relacionamento entre os actores).

Quanto à banda sonora, poderá ser entregue a “Sam The Kid” que também me faz rir à brava.

Bom fim-de-semana.

Música de Fundo
Bones” – The Killers

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Analogia II

- Cada vez que te ouço ou leio, fazes-me sempre lembrar as águas de um pequeno lago…

- Porquê? Devido à clareza das minhas palavras?

- Não! Por causa da tua falta de profundidade.

Música de Fundo
Runaway” – Jamiroquai


segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

A Igreja do Imaculado Blog
- Primeira epístola natalícia de Blog às fiéis Ovelhas, e a todos os outros que não necessitem de se vestir de “Pai Natal” –

Piedosa Vanus de Blog. É a meio do meu digestivo dominical (e por tal, sagrado “comó camandro) que te endereço esta epístola, bem como a todos aqueles a quem a hipocrisia ainda não penetrou até esgaçar o frágil tecido das suas almas.

Tal como já terás lido no teu missal, o mundo não foi criado a preto e branco mas sim em escala Pantone®, pois Blog adorava brincar com o Corel Draw®.

Devido a isso o ser humano (assim como os bloggers, pois alguns também são gente) teve que ser dotado de uma funcionalidade a que se chamou consciência. Predicado este, que seria obtido a partir de uma boa auto-gestão do conteúdo das experiências de cada um. E que na maior parte dos casos, serviria igualmente para facilitar o trabalho ao criador na qualificação das almas para estarem presentes na “grande final” a disputar no céu. Aquele famoso estádio construído com subsídios estatais, e que por isso apenas tem 144.000 lugares sentados.

Abro aqui um parêntesis, para informar que a consciência nada tem a ver com grilos de cartola. Ou mesmo com aqueles anjinhos minúsculos e de ar apaneleirado, tão gratos ao imaginário fradesco dos angariadores de fundos (e em alguns casos também, de fundilhos).

Foi, dizia eu, criada a consciência com 1.114 cores sólidas de origem, e com possibilidade de upgrade para infinitas gradações, conforme a capacidade de cada um para interagir com o seu semelhante e o respectivo meio. Blog viu então que era uma coisa boa, e aproveitou para criar um franchising que vendeu às outras religiões; que como sabes, usam também o nosso sistema embora um pouco alterado.

Mas o Homem (e a mulher, claro) da idade moderna, sempre foi adepto da famosa “Lei do Menor Esforço”. E achando que isto de ser bom dava imenso trabalho, decidiu que seria muito mais rápido e económico gerir o “problema” a preto & branco; ou em alguns casos menos radicais, com 256 graus de cinzento.

É assim que assistimos diariamente a esse tipo de comportamento binário, em que quem faz coisas boas é considerado bom, e quem faz coisas aparentemente más é classificado como mau. O que até nem seria muito grave, se uma boa parte da humanidade não aproveitasse para fazer bem a alguns maus (desde que lhes dê jeito); acabando por ignorar todos os outros, já que as regras proíbem que os prejudique ás claras.

Entretanto a coisa complicava-se. Pois apesar de comodistas, muitos deles até nem eram parvos de todo; e começavam a ver que o sistema que tinham adoptado viria a trazer-lhes problemas, quando quisessem abichar o bilhetinho para o tal “derby” tão almejado.

Com o jogo de cintura que é apanágio do género humano, criaram algumas iniciativas para colmatar essa sua insuficiência; e por via das quais julgavam poder “atirar areia para os olhos” de Blog. Levando-o a crer que através delas se redimiam da sua preguiça e desrespeito pelos outros.

Uma delas foi o Natal.

De início o Natal era como aquelas festas que os funcionários organizam para comemorar os aniversários dos patrões ou dos filhos destes. Uma espécie de “engraxadela” colectiva, que embora pusesse Blog com “a pulga atrás da orelha” (pois desconfiava imenso de engraxadores, manteigueiros e bufos), lhe agradava de certo modo por consistir numa demonstração de lealdade.

Mas também como na maioria das festas “de escritório” acabou por descambar. E embora não se embebedassem por aí além, nem lhes desse para fotocopiar o traseiro da Ermelinda do economato e enviá-lo por fax para todos os clientes; começaram porém a ter ideias demasiado “comerciais” para o gosto d’ELE.

A primeira facção que se destacou era composta pelos “Onanistas do Ego”. Uma confraria muito fechada e pouco virada para o seu semelhante; constituída por tipos (e tipas) capazes de estacionar o automóvel em cima de um sem-abrigo ou ignorar o olhar dorido de uma criança. Mas que chegada a altura da “festazita”, eram atacados por uma necessidade urgente de “fazer o bem sem olhar a quem” (tal era o cagaço que tinham de morrer em “saldo negativo); após o que se gabavam imenso a quem os quisesse ouvir.

Principalmente àqueles que não sendo tão abastados (ou não sendo tão bons a mentir, ou que talvez não tivessem incluída a gabarolice no seu ADN), se mantinham calados fazendo o que iam achando ser mais certo ou indicado.

Como é sabido a procura estimula a oferta. E logo uma multidão de “tendeiros espirituais” aproveitou para montar as suas bancas pelo mundo de Blog, e começar a vender (não há nada grátis, não é?) a panaceia para as más consciências. Mas isso são outros “quinhentos paus”.

Sabendo que estavam a adoptar um regime facilitista e injusto. Alguns deles ainda interrogavam Blog nas suas raras orações (apenas o essencial, claro), tentando obter algum “feed-back” que lhes permitisse ir “dançando conforme a música”. Mas Blog tem mais que fazer; e após ter concedido o dom da consciência e do livre arbítrio, deixou de dar respostas concisas. Excepto uma ou outra manifestação do “Sistema de Equilíbrio Cósmico” (tal como aquela a que hoje assististe).

Fazer o bem não transforma automaticamente alguém numa pessoa boa. Especialmente se isso for feito para se poder enaltecer aos olhos dos outros, tentar equilibrar contabilisticamente o “saldo espiritual” (ah, não há como o cagaço da morte para pôr os “contabilistas” na linha), ou para engraxar seja quem for com vistas a ganhos futuros (mas isso até os católicos sabem).

Fazer o bem a pessoas más é também um erro. Não só porque lhes estamos a passar a ideia que afinal não são tão maus assim, e que podem continuar a ser como são; como estamos a dizer aos bons que não há diferença alguma entre o bem e o mal. Porque independentemente do que façam, ser-lhes-á proporcionado invariavelmente o mesmo tratamento.

E aqui para nós. Grave mesmo, é conseguir (e consegue-se facilmente, aplicando o sistema acima descrito) levar para o caminho do mal alguém que inicialmente era bom (embora isso também possa demonstrar que o sujeito não seria muito inteligente; mas também não é sobre isso o teor desta epístola).

Sem dúvida que fizeste o que estava certo. Pois essa tia de alguém, terá durante a vida que lhe resta até ter que “saldar as contas”, uma boa hipótese de se tornar num melhor ser humano. Ou senão, pelo menos terá tempo para pensar nisso confortavelmente deitada na cama de um hospital privado (que é bastante mais do que a maioria poderá obter nestes casos).

Ás vezes ser bom, pode passar por dar um pontapé bem assente nas “miudezas” de alguém; mesmo podendo incorrer na reprovação de outrem (normalmente, daqueles que se sentem merecedores de igual tratamento).

Blog é retribuição! Welcome to the dark side, my dear…

Música de Fundo
Rudolph, the Red-Nosed Reindeer” – Dean Martin

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