quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

A Eterna Desculpa
- Apesar de verdadeira, não passa igualmente de uma desculpa e por isso aqui se apresenta como tal… -

Por problemas logísticos relativos a aprovisionamentos, dificuldades técnicas do telefone satélite, webcam e outras coisas que não têm a ver directamente com este blog, a coisa complicou-se e o post que estava para sair ficou encravado algures entre a minha mente e o template azul.

Os tempos avizinham-se complicados.

Enquanto não sou mandado em missão de negociar a libertação de canalizadores sequestrados por indígenas ofendidos, ou apenas para ver como as condutas assentam na areia, estou a meio de uma luta com equipamento de comunicações; pois cada impulso (ou lá o que é…) de telemóvel para a Argélia são oito euros, e temos que diversificar.

Por isso só me resta mais uma vez vir desculpar-me e perder assim a possibilidade de ser eleito um dos “maiores portugueses de sempre”. Coisa que até parecia não ser difícil pelo que eu tenho visto pela argumentação dos defensores de cada personalidade.

Agora só lá para sexta-feira. Sorry…

Música de Fundo
Love Me Or Hate Me” – Lady Sovereign

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Há truques que não se deve tentar repetir
- Por favor alguém mate aquele homem para que possa voltar a ser bom -

A imagem da decadência é sempre triste, seja no ar esborratado de puta velha e abandonada do vocalista dos Cure, ou num Herman que parece usar um capachinho por cima de outro.

Os mais acérrimos defensores do artista (família, amigos ou membros das Produções Fictícias) podem dizer por aí que é uma exigência do “boneco”; mas todas as personagens que ele tem encarnado no “Hora H”, parecem ter por baixo o tal Herman com dois capachinhos, fato de bombazina e tudo.

Francamente se querem que vos diga, ainda prefiro o Steven Segal no seu papel de Anita, que pelo menos não tem aquele ar confrangedoramente apaneleirado. Para aqueles que não sabem do que estou a falar, o dito “duro” agora deu em imitar a heroína dos livros infantis.

Ele é” Steven Segal Salva o Comboio, Steven Segal Salva o Submarino, Steven Segal Salva o F-117 Stealth, e por aí adiante “ad nauseam”. Mas ao menos não tão “nauseam” quanto o outro, que por arrasto decerto já está a estragar o inicio de carreira a alguns jovens actores a quem convenceu a contracenar com ele. Más companhias…

Ora toda esta conversa não é porque eu esteja mal disposto. Aliás, hoje está um dia primaveril daqueles em que apetece estar bem com toda a gente (em especial com o sexo oposto); e em que até damos um enorme desconto àquilo que normalmente classificamos de inclassificável.

Tudo isto é por causa da fruta… das framboesas.

Mas voltemos à vaca fria. Vocês lembram-se daquela senhora loira, que ficou conhecida pelo truque de abrir as pernas e voltar a fechá-las rapidamente? Para aqueles que possam estar a pensar em qualquer episódio pessoal, informo já que estou a falar da Sharon Stone e daquele filme que é tão bom que em menos de um ano apenas passou da estreia ao circuito de televisão.

Vi-o quando saiu, mas confesso que a maior parte do tempo passei-a a carregar com o cursor do rato na tecla Fast Foward. Coitada da mulher, estava quase tão patética quanto o já citado vocalista dos Cure (apesar de menos esborratada).

Mas quem sou eu para criticar uma gaja da minha idade por querer parecer mais nova? Só que não tentem fazer-me pagar bilhete para isso, senão começo também a cobrar.

E poderia continuar neste registo a tarde toda (isso se não tivesse trabalho para fazer), que não me faltariam “mortos” em quem bater. Mas como tenho que ganhar para as cigarrilhas, ficamos por aqui e vou distribuir a fruta.

Para a Sharon Stone pode ser a tal framboesa, que seguramente mereceu só por pensar que isto de cruzar as pernas resulta sempre.

Para a Anita. Perdão, o Steven Segal, pode ir um cacho de bananas, que lhe dará jeito à brava para treinar aquelas caretas todas enquanto o come.

Agora para o nosso saudoso Herman, apenas um melão. Acho que ele sabe o que há-de fazer com ele.

Música de Fundo
The Prayer” – Bloc Party

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O Maior Português de Sempre (2)
- Onde se prova que apesar de o tamanho do “português” não ser importante, sempre pode ganhar alguns concursos… -

Farto de ver o pessoal de um lado para o outro com a fita métrica na mão, venho mais uma vez dar o meu contributo para a brilhante iniciativa que é eleger o maior português de sempre.

Embora me pareça de uma certa presunção essa coisa do “de sempre” (pois nesse caso seria necessário examinar alguns espécimes fossilizados e autenticados pelo teste do “carbono 14”), vou hoje contar-vos a história do maior português vivo; assim apelidado, porque uma jovem súbdita britânica um dia ao encarar com ele exclamou surpreendida – It’s alive!...

Nascido na aldeia de Paio Pires, José Maria Ramalho (Maria da parte da mãe e Ramalho do Pai) cedo revelou os seus predicados; quiçá obtidos por mutação causada pela inalação dos fumos da vizinha Siderurgia Nacional.

Isto fez com que fosse brindado com especial atenção desde o jardim de infância até alcançar plena notoriedade, situação que atingiu (ou mais propriamente fez atingir) aos dezassete anos; quando foi raptado pela professora de geometria, que só o libertou depois de lhe terem fornecido um molde (com que mais tarde esta fez fortuna no ramo das velas aromáticas).

Alguns anos mais tarde foi dispensado do serviço militar, pois na inspecção médica logo um maravilhado sargento enfermeiro teve visão suficiente (o que não deveria ser fácil), para deduzir que só o vislumbre da sua masculinidade iria desmoralizar o resto das tropas.

E foi assim que aos vinte anos, Zé Ramalho livre da tropa arranjou emprego como Fiel de Armazém numa fábrica de confecções. É claro que esta etapa da sua vida não poderia durar muito.

Cedo a dona Adozinda que chefiava as costureiras, começou a notar que o ambiente se tinha modificado; pois apesar de ganharem miseravelmente todas elas pegavam ao serviço com um sorriso nos lábios. Daí a tentar pôr-se igualmente “de cavalinho”, foi um ápice.

Mas o bom do Zé já se tinha habituado a uma saudável dieta de operárias fabris, e aos seus corpos juvenis ligeiramente suados por debaixo das batas. Por isso não esteve pelos ajustes e deu nega; demonstrando uma falta de diplomacia característica da sua idade e acabando por ser demitido por incompetência (acusação absolutamente injusta, como facilmente poderiam verificar).

Desempregado e sem recursos financeiros, foi então tentado pela vida do crime. Dedicando-se a assaltar capelistas e salões de cabeleireiro, pois nestes locais não precisava de entrar armado para que lhe dessem tudo o que queria.

Capturado “com a boca na botija” (para grande desgosto da “vítima”, uma quarentona com madeixas), foi levado à barra do tribunal onde acabou por ser condenado mas com pena suspensa; pois uma delegação de reclusos fez uma exposição ao Procurador Geral, ameaçando com greve de fome colectiva em todo o sistema prisional. Alegando que não queriam estar sujeitos a ter que compartilhar a cela com José Ramalho, ou mesmo tomar duche com ele (talvez porque este gastasse muito gel).

Desiludido com a falta de oportunidades no seu país natal, acabou por emigrar para os Estados Unidos e abraçar a fé Mórmon.

Segundo as últimas informações que o Alberto conseguiu obter (o Alberto é especialista em “tecnologias da informação” e sabe os mexericos todos), foi expulso do Tabernáculo encontrando-se em parte incerta; embora alguns boatos afirmem que tem uma página na Internet, onde protagoniza fotografias “artísticas” usando apenas uma máscara do “Rey Mistério”.

Para fins de escrutínio e visto que será difícil contactá-lo, poderão encomendar pelo correio as velas aromáticas fabricadas pela sua antiga professora de geometria (especialista em sólidos); que por razões sentimentais lhes deu o seu nome.

Tal como consta na página da Internet onde podem fazer a vossa encomenda (só tenho que encontrar o link que depois colocarei aqui) – “Os seus trinta e três centímetros dão para aromatizar em profundidade, até nos lugares mais escondidos. Velas Ramalho… duram como tudo!...”

Música de Fundo
Bang Bang You’re Dead” – Dirty Pretty Things


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Aqui não se vendem poemas de amor
(A Inveja)
- Mais um pequeno texto obtido com o “kit magnético de poesia para frigoríficos Zanussi”… -


O pálido sorriso que emanava
disfarçando a dor,
rangendo os dentes.

De dentro a devorava,
lentamente…
como sórdido animal que a habitava.

Música de Fundo
Drive” – The Cars

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

O Maior Português de Sempre – Elvis
- Na memória de alguns portugueses ainda vive a recordação da sua música, no corpo de outros… a do percussionista. -

Todas as culturas têm os seus mitos e lendas, mas poucas se podem orgulhar de alguém que nasceu, cresceu até atingir os pináculos da fama e mesmo após a morte continua a habitar os corações de alguns dos seus compatriotas; sendo até avistado amiúde por diversos admiradores, que juram tê-lo descoberto em sítios tão dispares como uma mercearia em Venda do Porco ou no último congresso do CDS.

Sim meus caros. Hoje venho falar-vos de Elvis. A lenda que teima em não morrer! (Que querem? É teimoso…)

Famoso pelas suas magistrais interpretações de “Para Angola e em Força” e “Portugueses, roubaram-nos o Santa Maria” entre outros êxitos, Elvis foi endeusado pela juventude da época; que corria a inscrever-se na PIDE/DGS. À altura um dos clubes de fãs mais influentes da época, suplantando os próprios “Hell’s Angels”; pois todos tinham direito logo no acto da inscrição, a licença de uso e porte de arma.

Devido à fama que o “ungido” granjeava, detractores tentaram pôr em dúvida a integridade da sua vida íntima, chegando mesmo a lançar boatos sobre uma relação dúbia com “Sherry Boy”; um clérigo de modos doces, apreciador de capas e de outros acessórios de moda.

Mas tratava-se apenas de boas relações entre o Estado e a Igreja, que nessa altura andavam de mãos dadas. Muitas vezes em jardins públicos. Na verdade as suas preferências iam para o “ménage à quatre”, onde emparelhou com outras estrelas do rock; como Estaline, Roosevelt, Churchill e Hitler. Não sendo niquento quanto ao instrumento que cada um tocava.

Além da música, distinguiu-se igualmente como filantropo. Tendo militado na angariação de fundos “One Dollar for Porn”, e custeado a suas expensas a pia obra cinematográfica “Naked Nuns in the Attic”. Apadrinhou ainda algumas jovens sem recursos, que sem ele nunca teriam ido mais longe que a Rua Cidade de Manchester.

Segundo diziam os seus admiradores, ele era um enorme coração envolvido num fato de tweed confeccionado por Américo Antunes Martins. Dizem até que no seu testamento deixou ordem para que pagassem uma conta atrasada no alfaiate; tal era a honestidade deste verdadeiro “Rei da Música”.

Elvis de Oliveira Salazar era um homem simples que ascendeu à fama. No seu Vimieiro natal, ainda guardam como relíquias o primeiro par de palmilhas anti-transpiração que usou, bem como uma escalfeta que usava durante as suas intermináveis arengas aos admiradores.

Alguns assessores aconselharam-no a dada altura, que substituísse este artefacto por duas adolescentes; coisa que ele recusou, alegando falta de espaço debaixo da manta aos quadrados (alguns biógrafos dizem ser a partir deste incidente que passou a ser conhecido como “a velha).

Mas apesar das torpes calúnias sobre a justiça dos seus feitos, ainda existem portugueses dispostos a dar a cara (e sabe-se lá mais o quê…), por esta figura cuja alma ainda anima alguns quadrantes musicais (e políticos. Porque não?).

O bravo Presidente da Câmara de Santa Comba Dão, garantiu à agência Lusa que moverá céu e terra para levar avante os planos para uma casa-museu em memória de Elvis; afirmando - “ Trata-se de repor a história no seu devido lugar, e ao mesmo tempo criar condições para que a economia do concelho se possa mexer.” (Embora possa parecer estranho que quem paralisou o país durante tantos anos, venha agora “pôr a mexer” Santa Comba; e logo depois de morto).

Faz ainda parte dos projectos de João Lourenço, a criação “de um parque temático dedicado às artes do Estado Novo.” Que cremos vir a ter verdadeiro sucesso se seguirem o projecto inicial, em que consta o Comboio Fantasma onde não faltarão Silva Pais, Henrique Tenreiro e o próprio Elvis; bem como a fabulosa Montanha Russa, onde os utilizadores poderão ver de passagem imagens alegóricas aos perigos do comunismo, enquanto mergulham em direcção ao retrato do artista (criado com flores de diversas colorações por um artista da região) sobre o qual se lê apenas, “Portugal”.

A todos quantos lutam para deixar para as gerações futuras, o perene testemunho sobre esta personagem imorredoura, um grande “bem hajam”! (Sim! Há muito tempo que não me ria tanto)

Música de Fundo
Shoot the Runner” – Kasabian

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Sem diferença não há normalidade
- É por isso que há tão pouca “normalidade”. São quase todos iguais… -

É no dia dos namorados que vos escrevo isto (E por isso, no passado. Ou seja este post é uma espécie de cápsula do tempo; ou apenas correspondência entregue atrasada pelos CTT como já é hábito), e com uma disposição tão amorosa que era capaz de fritar em azeite com cominhos, todos os funcionários dos “TST” (Transportes Sul do Tejo) e respectivos “órgãos representativos”.

Ditas estas palavras por alguém que no passado foi sindicalista e comunista (isto sem contar com a fase “Eltonjohn”, no vestir) parecerão um sacrilégio, ou no mínimo de um vergonhoso desrespeito pelos trabalhadores e seus direitos.

No tempo em que ainda me assistia o direito à greve (a partir de um certo ponto, alguns de nós abdicam desse direito em prol da coerência), era normal avisar-se a população de que em determinado dia, se iria realizar mais uma jornada de luta em defesa disto ou daquilo.

E a população gostava de ser informada, especialmente se a referida greve dizia respeito a algum serviço de utilidade pública que a pudesse afectar directamente, como foi o caso da de hoje (Lembrai-vos que este post vem de um tempo diferente; ou seja, anteontem…) que segundo fonte sindical atingiu os 80%.

Eduardo Travassos, da Federação dos Sindicatos de Transportes Rodoviários e Urbanos – FESTRU – que (segundo o “Público) convocou a paralisação, esqueceu-se de descrever na sua declaração à agência Lusa, as novas formas de luta adoptadas pela sua organização; que consistem na manipulação da população em seu favor, de um modo que considero reprovável (Também, entre um sindicalista e um político a diferença está na qualidade da roupa. A não ser que estejamos a falar do Torres Couto).

Não vou aqui adiantar-me na justeza da luta ou na legitimidade das exigências, porque tudo isso foi já regulamentado, explicado e aprovado pela maioria dos interessados. O problema mesmo é o modo como o fazem!

Como diz Jorge Coelho, há muita falta de memória neste país. O que é pena, pois até nem é precisa muita inteligência para ser sindicalista; bastando para tal relembrar os exemplos do passado e agir em conformidade.

Ninguém gosta de ser aldrabado. Por isso é natural que uma boa parte da população, ao reparar que praticamente já não se fazem avisos de greve aos utentes dos transportes públicos, comece a pensar que tal é devido à intenção de os manipular para fins políticos.

Até agora tudo bem. A missão de qualquer sindicalista consiste em dirigir multidões em determinado sentido, e os seus métodos apenas deixam transparecer a filosofia subjacente. Mas este tipo de procedimento tem os seus custos.

A opinião pública é algo tão inconstante como o preço da gasolina, e os heróis de hoje serão amanhã horrendos monstros; bastando para tal uma atitude mais desequilibrada ou uma palavra inoportuna. Princípio básico este, que deveria ser ensinado a todos os delegados sindicais mal lhes vendem o primeiro “pin”.

Deviam também ensinar-lhes (visto que aparentemente não o fazem) que a população tem um humor muito volátil pelas primeiras horas da manhã. Especialmente se a quase totalidade não foi anteriormente avisada de que iria ter que fazer o trajecto habitual de modo mais moroso, incómodo e caro.

Tudo isto apenas porque alguém pensou que se não os avisassem seria a TST a sofrer o “embate”, e não o primeiro motorista/cobrador que “apanhassem a jeito”.

Em resposta à pergunta em tom escandalizado que ouvi um dos grevistas fazer, posso adiantar que:

- Não! Meu caro… O povo não se tornou mais egoísta, fascista ou seja lá o que for do que seria antes. Mas ninguém gosta de ser “comido por parvo”…

Música de Fundo
The Shah Sleeps in Lee Harvey’s Grave” – Butthole Surfers


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Com um pouco de jeitinho, a montanha parirá mais um rato
- Com a ninhada que entretanto o PS deixou nascer e proliferar, é em boa hora que se vai despenalizar a IVG… -

As ressacas eleitorais (sejam elas legislativas, presidenciais ou meros referendos) são sempre a melhor parte do processo, pois é na altura em que a maioria pensa ter acabado tudo, que se começa a vislumbrar a verdadeira natureza daquilo que se passou debaixo dos nossos olhos durante toda a campanha.

Não! Não é para bater naquele tipo do CDS que parece um clone mal amanhado do Freitas do Amaral (até no cabelinho ondulado e no ar de serafim abandonado); isso seria o mesmo que vir para aqui relatar as mesmas notícias que toda a gente já viu na TV.

Confrangedoramente idiota!

Quem nos estude com um certo apuro, dirá que Portugal é um país de oportunistas. Não porque os tenhamos em maior quantidade que os outros países, mas porque mercê da sua preguiça ou falta de tino dão muito mais nas vistas que os seus congéneres espalhados por essa União Europeia e restante mundo afora.

Infelizmente a comunidade política portuguesa perdeu já o único homem que conseguia transformar derrotas em verdadeiras vitórias (o Dr. Álvaro Cunhal); pelo que se assistiu a um gaguejar generalizado da parte dos partidários do “não”, que não conseguiram disfarçar uma certa frustração transformada em argumentos ainda mais delirantes que os utilizados na campanha (estou a começar a considerar a hipótese de não ser o BE o único partido onde se dá nos “ácidos” como gente grande).

Mas os mais divertidos foram os vitoriosos de última hora!

Lembro-me que após o 25 de Abril de 1974, apareceram subitamente milhares de revolucionários e “combatentes da liberdade”; alguns deles até cuja clandestinidade se encontrava tão interiorizada, que tinham levado toda a gente anteriormente a pensar tratar-se de fascistas.

Incrivelmente, essa tendência ainda prevalece; assim como a de ir repetidamente pontapear os “mortos” um pouco ao estilo dos primatas inferiores. Mas a esta última até eu me rendi, pois os tipos teimam em não se quererem manter devidamente mortos.

Segunda-feira de manhã, achava que seria de muito mau gosto ir chatear os partidários do não apenas por terem perdido, até que comecei a ver os posts que uma boa parte deles deram à luz por insuspeitos orifícios. Verdadeiras obras-primas da dor de corno, que trouxeram à superfície muito do que tem estado escondido debaixo de textos intelectualóides, em blogs pretensamente defensores da razão e do bom senso…

Gente que não consegue conceber que alguém perto de si possa alguma vez, ter outra opinião que não a sua. Verdadeiros “justos” estes tipos. Qualquer polícia secreta de uma ditadura sul-americana, se orgulharia de os ter ao seu serviço (uma vez que extinguiram o Santo Ofício), e receber deles as patrióticas denúncias sobre familiares e amigos chegados.

Mas regressemos ao oportunismo.
Correndo o risco de cair na atitude miserabilista que afecta os nossos intelectuais desde os tempos do velho Eça (ah que saudade do tempo em que se resolvia esta merda toda à bengalada), terei que admitir a inferioridade dos nossos oportunistas em comparação com os de Espanha; que ao contrário destes, já se encontram no nosso país a construir clínicas com a mesma alegria com que abririam mais um “El Corte Inglés”.

Mas sem dúvida que isto até terá a sua utilidade. Pois lá para o Verão quando as coisas acalmarem e estivermos com falta de assunto, já a maioria do pessoal se poderá queixar do facto das clínicas “do aborto” estarem todas nas mãos dos espanhóis.


Música de Fundo
"True Nature" – Jane’s Addiction

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Um Domingo Diferente
- Não que acontecesse algo de transcendente, mas apenas porque tomei dois pequenos-almoços… -

Até sou tipo para me levantar cedo, desde que não seja para realizar tarefas enfadonhas.

E por essa razão, neste domingo por volta das nove e meia da manhã, já me encontrava dentro dos calções e a tomar o meu segundo pequeno-almoço numa esplanada em Almada; só que, bastante preocupado.

A minha inquietação começou a manifestar-se bem antes disso.

Pela altura em que me dirigi à assembleia de voto, comecei a reparar que a maioria dos outros eleitores ali presentes se encontravam na faixa etária dos admiradores da Sylvie Vartan.

Quando constatei então que uma boa parte deles vinha dos lados da igreja do Laranjeiro, senti no estômago uma estranha sensação; bem parecida com aquela que senti no dia em que (tinha cerca de onze anos) fui castigado por esvaziar a caneta de tinta permanente na pia de água benta.

Voltei a casa para montar a bicicleta e pedalar pelas minhas dúvidas afora.

Almada é um sítio péssimo para reflectir enquanto se faz ciclismo, acreditem-me. Após um percurso acidentado, em que por duas vezes estive quase a ser incorporado no asfalto da via, lá consegui chegar ao meu poiso habitual; onde reparti a minha torrada com os pombos de plantão, pois tinha ficado com o apetite estragado.

Estava a beber a minha bica dupla fazendo distraidamente “boquinhas” (péssimo hábito que tenho, quando bebo o café a pensar noutra coisa), quando me veio à memória um episódio passado nos longínquos anos setenta; na altura em que me encontrava em Vila Franca no G1EA(EAM) e seduzido por uma beleza de cabelos negros e olhos enormes, me deixei convencer a assistir a uma cerimónia da Igreja Adventista do Sétimo Dia (de onde pensam vocês que vem toda esta tendência teológica?).

O certo é que após uns breves minutos de distracção com a austera decoração do local, que pouco tinha para ver; lá tive que tomar atenção ao que o Pastor dizia. E apesar de me estar borrifando para a vida que levavam os judeus no tempo em que usavam sandálias, houve algo que fixei daquela palestra e que acabou por hoje vir à superfície.

Dizia ele que os crentes tinham almas quentes (até parecia um anúncio manhoso), e que os ateus tinham almas frias; mas o que mais preocupava Deus eram os de alma morna que não eram contra nem a favor.

O que me espantou mais foi ter-me lembrado disso primeiro, e só depois da miúda que até era tipo Kodak (para mais tarde recordar).

Embora o palavreado dos “homens de Deus” me provoque habitualmente os mesmos sintomas que a ingestão de conservas fora de prazo, sou às vezes obrigado a dar razão a alguns (poucos) deles. Por exemplo, gostaria de encontrar hoje o homem que proferiu essas palavras para o cumprimentar.

E já agora, havia de lhe perguntar o que acha ele do Professor Marcelo.

Música de Fundo
"Walt Whitman´s Niece" - Woody Guthrie

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Reflexões para uma Sexta-Feira
- Desabafos de um tipo muito constipado, prestes a meter-se em problemas internacionais com tipos de turbante, e sem pachorra alguma para aturar gente que vive de “poses”. -

Estava eu agora mesmo a acabar de gravar um CD com o “I Luv Dat Asian Azz #6.avi”, quando fui atingido pelo seguinte conceito (também conhecido como, “O Míssil de Blog”) – “Por piores que sejam os nossos compatriotas e todos aqueles que nos rodeiam, nós não estamos muito longe deles; ou nunca seríamos capazes de sobreviver no mesmo ambiente”.

E esta máxima, meus caros, aplica-se tanto a mim como àqueles que nada tendo demonstrado na prática, clamam alto e bom som pela diferença que os separa da “gentinha”. Ora tenho uma surpresa para todos vocês, meus queridos/as. É exactamente este tipo de atitude que define alguém como “gentinha”, com a agravante de ainda as pessoas em questão, sofrerem a vergonha de não terem fibra para mudar.

É muito fácil vir para um sítio como a blogosfera, fazer alegações auto-lisonjeiras e profissão de fé em relação às ideias em voga, mas infelizmente nada do que se afirma neste meio é digno de confiança; ou merece apenas o crédito que se dá a algo ouvido na fila para a bilheteira do cinema.

Tenho passado estas duas últimas semanas a escrever mal e a ler melhor. Eu explico.

O tempo que habitualmente utilizo para tentar alinhavar algo que preencha esta página, usei-o (além daquele que o trabalho me rouba) a ler outros blogs, no que fui recompensado com pérolas de incoerência, falseamento de dados e apropriação de conteúdo intelectual.

Isto se já não contarmos com a hilariante campanha para o referendo, que começa a parecer-se perigosamente com um filme qualquer dos tempos do cinema mudo. Em que os tipos do “Sim” aparecem de bata branca e sangue até aos cotovelos, enquanto os partidários do “Não” (interpretados por Paulette Godard) pedem misericórdia com voz trémula e em trajes menores.

Basicamente o próprio referendo é uma palhaçada, pois só um governo composto por débeis mentais e gente de fraco carácter, em vez de governar “de facto” tenta atribuir as responsabilidades directas da governação ao povo que os elegeu.

Ora isto é o mesmo que pagar o I.V.A. duas vezes. Pois se eles já foram (e o engraçado é que da primeira vez foi igualmente com o PS) indigitados para a função de governar, legislar e explorar (corrijam-me, se eles não o fazem), porque é que vêm agora encostar-se novamente a nós se não for na esperança de descartar todas as responsabilidades que lhes foram atribuídas?...

Posso informar de um modo meramente casual que votarei pelo “Sim”.
Grande coisa… Qualquer um pode aprovar o que quiser, pois se há coisa que foi banida da legislação portuguesa, foi exactamente o chamado “delito de opinião”, e já ninguém vai preso por isso.

Por outro lado o facto de alguém se dizer apoiante da justiça e das boas causas, não o transforma automaticamente num “bondoso justo”; apenas é sintoma de que “esse alguém”, gosta que pensem isso da sua pessoa.

É claro que se o “Sim” perder, vou ficar um pouco desiludido. Mas não vou morrer disso (ao contrário de, possivelmente, algumas mulheres que "se fiquem" numa maca do Amadora/Sintra), porque conheço os meus compatriotas tanto como cidadãos como na qualidade de “bloggers”. E o que muitos dizem hoje, será apagado dos seus blogues amanhã, tal como eu já tenho assistido em outros casos.

Referendo interessante será aquele que vos proporei mal este esteja “despachado”:

Os portugueses deverão escolher quem preferem ver numa televisão paga por eles.
Ou o palavroso Professor Marcelo (que já demonstrou a sua aptidão para a “comunicação” mergulhando num Tejo poluído apenas para ganhar votos), ou os tipos do Gato Fedorento que têm mais piada que o Herman, não pintam o cabelo de louro, nem estão há um monte de anos a fazer pontaria para o cargo de Presidente da República.

Música de Fundo
Rehab” – Amy Whitehouse

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Não fecho!... Não fecho!... E não fecho!!!...
- Um post teimoso que se recusa a ser o último, apesar das forças de bloqueio que tentam empurrar este blog para uma qualquer esplanada à beira-mar… -

Existem alturas em que tudo se conjura contra nós.

Meu amo que é um invejoso como poucos, mal viu que o nosso “Primeiro” tinha ido passear à Argélia, não descansou enquanto não nos encaixou na construção de um complexo em Fornaka (Mostaganem); o que atendendo ao modelo de gestão que (não) seguimos, me sugere que vamos sair deste negócio bastante “fornakados”.

E mais uma vez quem se ressente é o blog. Essa espécie de filho descurado a quem cada vez vejo menos, e que cada vez se separa mais de mim.

É claro que com isto tudo, também não me sobra muito tempo para gastar com pantomimas e “partes gagas”, tipo “estou numa fase má e talvez feche o blog…” ou “O cabrão do Blogger está novamente a dar-me problemas” (o que seria claramente falso, pois como podem constatar, transitei de formato sem qualquer transtorno).

Apesar de alguma sofisticação que possa ter acumulado através dos tempos, no fundo continuo a ser um tipo simples que trabalha na construção civil, e que gosta que as coisas funcionem sem ter que lhes dar pontapés.

E até hoje isso tem funcionado; quer se trate de maquinaria pesada, electrónica digital ou mesmo blogues.

Foi assim que escolhi inicialmente este espaço, gentil e gratuitamente cedido por uma enorme corporação, em vez de me perder em escolhas de duvidosa qualidade ou iniciativas de empresários de fôlego curto (o paradigma da iniciativa privada lusitana).

É pois devido a isso que passados três anos e meio sobre a abertura deste blog, ele se encontra alojado no mesmo sítio, de onde sairá apenas quando as condições de funcionalidade deixarem de ser cumpridas.

Pior ainda… Passados esses tais três anos e meio, continuo a ter grandes dificuldades em encontrar desculpas para não escrever.

Excepto talvez, dizer que não tenho mesmo tempo e desejar-vos uma boa tarde.

Música de Fundo
Bittersweet Sypmhony” - The Verve

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

O “Pendura”
- Um post dedicado a todos os que crêem em algo. Mesmo que esse algo esteja perigosamente próximo do nada… -

- Bom dia. – Saudou o tipo amaricado e de caracóis louros, agarrando as costas de uma cadeira com a ponta dos dedos manicurados – Este lugar está livre?

O presumível ciclista (pois encontrava-se ao lado de um velocípede) interrompeu a melindrosa tarefa de extrair uma megalítica migalha de torrada do interior dos seus calções, e encarando o recém-chegado com uma expressão suspeitosa, esclareceu – Todas as outras mesas da esplanada estão igualmente livres. E que tal se escolhesse aquela ali?.. – Indicou, apontando uma mesa situada no outro extremo do recinto e comodamente isolada das demais, pelo enorme tronco de uma árvore.

O dos caracóis olhou-o nervosamente, esfregando uma na outra as pernas vestidas com “collants” de fina malha – Não me está a ajudar mesmo nada, sabia? – Perguntou com expressão mimada – Normalmente sou muito melhor recebido. Você imagina o trabalho que dá conjurar este nevoeiro todo? Ou pensa que me basta montar uma qualquer frente de ar frio e desembarcar na esplanada do Café Central?

O alegado ciclista conseguiu finalmente isolar e neutralizar a megalítica migalha, levantando-se e acabando por sacudi-la com recurso a alguns passos de dança havaiana. O tipo amaricado dos caracóis louros apreciou as evoluções do interlocutor durante alguns instantes, enquanto coçava o pescoço por dentro da gola engomada, que fazia lembrar um naperon para mesinha de chá. – Tem a certeza que não pertence ao nosso grupo de canasta? Olhe que tem estilo…

O ciclista sentou-se um pouco precipitadamente olhando em redor de modo furtivo. – Pensa que eu não sei quem você é? – Perguntou – Está considerado como sendo a “Lili Caneças” da História de Portugal. Não tem utilidade alguma, ninguém sabe para o que é que serve, mas acaba por milagrosamente aparecer em tudo o que é evento rodeado de uma aura de mistério.

- Sabe… - Confidenciou o efebo – Neste momento já me contentava com um bom pequeno-almoço. É que a noite correu-me mal e estou teso. Ainda por cima o próximo banco de nevoeiro só se forma lá para as onze da noite. Não tem aí uns trocos?...

- Para começar, aviso-o já que sou Republicano e não tenho qualquer ternura por gajos que usem Lycra… - Informou o ciclista num tom que não admitia discussão – Como vê, até para andar de bicicleta uso calções de árbitro.

- E não lhe faz impressão toda essa ventania quando pedala? – Perguntou o jovem monarca - A mim faz-me lembrar as noites geladas do Paço de Sintra e as mãos frias do alabardeiro do portão oeste…

- Deixe-se dessas paneleirices palacianas, e mantenha lá as mãozinhas afastadas dos meus calções. – Advertiu o incomodado – E já agora, porque carga de água é que lhe deu para nos vir assombrar agora? E logo a um domingo…

- Atão, mas o menino não sabe? – Insinuou “coquette” o “Desejado” (cognome que a maioria dos leitores deve já imaginar como lhe foi atribuído) – Faltam exactamente oito dias para a votação do “Melhor Português de Sempre”, e você acha que eu ia permitir que me deixassem de fora?...

Desculpe lá desiludi-lo – Começou o velocista – A votação não é para imortalizar um aborto qualquer para a posteridade, mas sim para decidir sobre a penalização da interrupção voluntária da gravidez. Digamos que é sobre o aborto, mas não tem a ver com nenhum que você conheça.

- Quer dizer que não é por causa do Mário Soares ou mesmo do Alberto João, que a votação tem esse nome? – Perguntou o jovem dos “collants” um pouco aflito.

- Não! – Respondeu laconicamente o ciclista que se sentara, e bebia placidamente o café agora frio.

- Mas eu tenho despesas!... – Respondeu quase em falsete o jovem interlocutor – Você acha que é barato ter aqui este nevoeiro todo, às dez da manhã e com um sol radioso que ainda por cima não ajuda nada? Até o José Castelo Branco tem mais comparticipação nas despesas de representação…

Tente ver as coisas pelo lado bom… - Aconselhou o ciclista que se encontrava a calçar as luvas para retornar à estrada – Os portugueses estão constantemente a contar que você apareça numa manhã nevoenta com esta e os safe de embrulhadas, não é? Isso só demonstra que você é um tipo popular; e que talvez até venha a ganhar a votação… Coma lá descansado o resto dessa torrada, que está com cara de fome…

Mais confortado, Sebastião sentou-se na esplanada comendo pensativamente meia torrada sem manteiga, quando se aproximou o empregado de mesa com a conta. Ainda tentou localizar o ciclista, mas este atravessara já a bruma encontrando-se fora do alcance visual.

Com um sorriso amarelo ainda tentou esgueirar-se em direcção ao nevoeiro, mas este tornara-se mais ralo, deixando ver ao fundo a rotunda onde o ciclista acabava de passar em direcção a Cacilhas – Merda! Deixam-me sempre com as contas para pagar… – gritou, insurgindo-se contra a sorte madrasta – Já em Alcácer Quibir fizeram-me a mesma coisa!... Será que tenho cara de otário?...

Música de Fundo
Strange Condition” – Pete Yorn

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

O cérebro, esse desconhecido
- Artigo de ficção, não porque os factos narrados nele não sejam verdadeiros, mas sim porque ainda está por provar que todos tenhamos realmente um cérebro -

Estava eu ainda há pouco distraído enquanto ouvia “Crazy for You” de David Hasselhoff, quando constatei o isso mesmo deveras horrorizado. Vocês já se interrogaram sobre a que é que o nosso cérebro se dedica quando estamos entretidos com outra coisa qualquer e não reparamos nele? Sim. O que é que o malandro faz?

Após o recurso a métodos considerados um pouco invasivos, vários peritos declararam tratar-se de um mecanismo que impede que o utente (salvo seja) tome inadvertidamente conhecimento do seu “verdadeiro eu”; e fique assim na posse de informação totalmente inútil e quiçá até um pouco incómoda. Especialmente nos casos em que já toda a gente conhece o sujeito excepto ele próprio.

É claro que no meu caso particular em relação a uma das piores músicas do século vinte (mas apenas se não admitirmos a concurso Céline Dion e Abba), se trata obviamente daquilo a que a “Escola Americana” convencionou chamar de “Perm Envy” (ou “inveja da permanente). Condição causada pela possibilidade de eu nunca ter conseguido lidar com o facto de me ter transformado num “deficiente capilar” (mas pelo menos canto melhor).

Conta-se até um caso de proporções extremas, em que um indivíduo passou cerca de três meses em contencioso com o seu banco, por causa do saldo do cartão de crédito que se recusava a assumir; até que uma comissão composta por vizinhos e amigos íntimos o conseguiu convencer de que era ele próprio já há bastantes anos. Tendo após isso o paciente retomado uma existência perfeitamente normal, apesar de ainda hoje estar a descontar 33% do salário para amortização da dívida.

Segundo os Caldeus (os inventores da caldeira, da caldaça e do caldinho) o deus Marraki, farto da companhia dos seus pares que só queriam sacrifícios de virgens e outros desperdícios de recursos; decidiu caminhar a terra mas de modo a não gastar a sola das suas celestiais sandálias.

Para isso, desceu do Olimpo (ou lá como se chama o condomínio privado dos deuses) durante a noite, e enquanto o primeiro homem (que ainda não tinha nome, pois não existia mais ninguém para chamar por ele) roncava como uma “scooter”, transformou-se numa ténue névoa e entrou-lhe pelo nariz. Ocupando uma cavidade que até aí se encontrava vaga entre as orelhas, e que estava inicialmente prevista para armazenamento de resíduos.

É por isso que ainda hoje alguns dos espécimes deitam tanta merda da boca para fora; pois é sabido que nem todos os descendentes são fiéis herdeiros de todas as características genéticas dos respectivos antepassados.

Mas o certo é que Marraki tendo gostado tanto da sua estadia na terra, decidiu abdicar da sua condição divina, dedicando-se a infernizar a existência do homem (e de algumas poucas mulheres) com os flagelos do “pensamento esclarecido”, “livre arbítrio” e “fantasias sexuais”. Atributos que guindaram o ser humano aos píncaros do desenvolvimento da espécie, apesar de algumas distracções ocasionais.

É por isso que quando alguém para vós se virar dizendo “marra aqui!”, é bem possível que em vez do habitual e merecido vil insulto, esteja apenas a reconhecer a centelha divina que um dia foi depositada em nós… Ou então deixem-se de metafísica e partam os cornos ao gajo.

Música de Fundo
Grace Kelly” – Mika

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