sábado, 31 de março de 2007

O Segundo Maior Português de Sempre
- No seguimento da tendência popular para a glorificação de homens de “vontade férrea”, este blog tenta dar ao povo aquilo que ele mais gosta… -

Não tenho o prazer de conhecer José Pinto Coelho (ou Pinto-Coelho, como se assina no site do PNR; talvez para nos garantir que é pela miscigenação das raças) do mesmo modo que ao contrário do que se espalhou “por aí”, nunca conheci Salazar pessoalmente.

Mas tenho a firme impressão que não lhe seria difícil abichar a medalha de prata, empurrando Álvaro Cunhal para o terceiro degrau do pódio.

Para começar, apesar de eu não ser nada segregacionista, racista, e de ser vastamente conhecido pelo meu feitio bondoso e cordato; se há coisa com que embirro é gente que use o mesmo tipo de penteado que o meu contabilista. Dão-me sempre a impressão que roubaram algo precioso e o escondem entre o capachinho e a calva.

Que querem? Paranóias…

Mas o homem que dá a cara pela causa “anti-emigração”, ao ser objecto de um exame mais apurado revela-nos também que além de parecer o primo direito do famoso Borat, esteve já ele próprio na situação de imigrante no Brasil durante três anos. O que eu calculo que lhe dê cátedra suficiente para poder ajuizar sobre tão melindroso tema.

A minha abordagem ao assunto é um pouco mais cosmopolita que a do visado deste post (e um pouco mais economicista também) pois tal como Fernando Pessoa explica na “Mensagem”, acho que o homem será no futuro reduzido à sua diversidade como Kant também afirmou. Embora não tão desenraizado como este último pensava, mas sendo sim um somatório de tudo o que a humanidade tem dentro de si.

O que “trocado por miúdos” quer apenas dizer que se acabarmos com este “regionalismo” ou “nacionalismo provinciano” (que apareceu no século XIX e já se deveria ter extinto) e passarmos a uma verdadeira Economia Mundial, acabamos com a maior parte dos conflitos bem como com as suas causas mais frequentes.

Mas isso são outros “500 paus”, porque eu vim aqui no intervalo do meu upgrade de hardware, apenas para não vos deixar “a seco” durante o fim-de-semana. Pelo que ofereço à vossa reflexão esta frase, que embora não tenha sido proferida por Joseph Goebbels, decerto ele não se importaria de apadrinhar (pois representa a chama interior que bruxuleava no coração de todo o NSDAP) mas que na verdade é assinada pelo nosso conterrâneo:

Ou avançamos todos em conjunto ou, quem não o fizer, será co-responsável pela vitória dos inimigos da Nação

Bom fim-de-semana.

Música de Fundo
Teenage Kicks” – The Undertones

quarta-feira, 28 de março de 2007

Um País Chamado Saudade
- Ou onde se conta como António da Matta salvou o país das garras de um cruel fascista; o famigerado Presidente Cunha -

- Era uma vez, um país muito distante…

- Ó vô, porque é que as histórias começam todas da mesma maneira?

- Cala-te, pirralho! E deixa-me continuar a história ou levas uma caldaça.

- Mas eu queria antes aquela sobre o Presidente Marcelo…

- Essa não, que não tem piada nenhuma. Ainda por cima foi partida do Portas para se vingar da “vichyssoise”, e o gajo nem chegou aos 10%. Mas cala-te, que hoje vou contar a história de um país chamado saudade.

- Mas ó vô. Isso não é nome de país; parece mais um fado ou nome para traineira… Aiiii!...

- Vê lá se queres mais. Ora bem! Era uma vez um país muito longínquo e tristonho que se chamava saudade. A sua música transpirava saudade; e até o povo vivia a olhar permanentemente para trás e com saudade de coisas que nunca tinham acontecido.

- Isso devia ser incómodo à brava. E não esbarravam nas coisas? Quer dizer… assim a olhar sempre para trás…

- Era um bocado chato, sim. Mas após os primeiros galos e nódoas negras, optaram por chamar à retaguarda “frente” e à vanguarda “tardoz”. Assim caminhavam para trás, mas podiam afirmar que tinham os olhos postos no futuro.

- Essa parte já eu sei. Conta-me antes as aventuras do António da Matta, e de como roubava aos ricos para dar aos pobres…

- Ok. Nessa altura reinava um presidente… É claro que uso o termo “reinava”, porque o tipo andava mesmo a “reinar” com aquilo. A ponto de um dia lhe tirarem o título de engenheiro, e o mandarem para o “Campo de Trabalho do Tamariz”; onde segundo se dizia, morriam como moscas todos os tipos que falsificavam diplomas e currículos.

- Mas ó vô. E onde é que aparece o António da Matta?

- Bem. O António da Matta surgiu numa manhã de nevoeiro, saído das águas do Mondego e parecendo uma espécie de “morphing” entre Vénus e Dom Sebastião; mas com uma roupa de péssimo gosto.

A princípio as pessoas diziam que a culpa era da central nuclear espanhola; mas ele lá os conseguiu convencer que seria escusado chegar-lhe gasolina e um fósforo (Foi pena… Mais uma oportunidade perdida). E agora não me interrompas, para eu poder contar a história toda de uma vez.

Apesar de dizerem que era ele a reincarnação de D. Sebastião (O Comilão das Dúzias), António da Matta era um homem simples que caíra ao rio quando se estava a lavar, após ter estado a brincar ao “Serviço de Urgência” com Matilde, a sua poedeira favorita.

Desaguando em Coimbra aproveitou o facto de ali estar, e ficou para estudar. Alguns dizem que chegou mesmo a Arquitecto (Ou engenheiro. Não temos a certeza, mas o primeiro eram mais dez euros), só não exercendo porque por mais que procurassem, nunca ninguém lhe conseguiu encontrar o diploma.

Sem qualquer qualificação especial excepto a viril amizade que o unia ao Padre Ginja; lá arranjou um lugar de amanuense no Ministério das Finanças. E à força de gamar blocos e lápis Viarco Nº 2, logrou arranjar o dinheiro à conta para pagar a jóia de inscrição e as primeiras cotas da ANP (Acção Nacional Popular), que como o nome indica era àquela altura uma das mais conceituadas associações revolucionárias que se dedicavam a combater a opressão.

- Mas ó vô, as pessoas nessa altura tinham que pagar para combater a opressão?

- Nem queiras saber… Ser anti-fascista ficava muito caro e não era para todos; especialmente se quisesses pertencer à aristocracia do proletariado, o BI (Bloco Indigente). Mas adiante.

Mal foi admitido na ANP a sua carreira foi atacada de meteorismo (uma vergonha quando havia visitas), e cedo se viu à frente da famosa “Brigada Silva Pais” que recebera esse nome em homenagem ao herói, que bravamente sacrificou a sua vida para salvar milhares de operários dos malefícios do aburguesamento.

Foi quando desceu sobre si o olhar tresloucado do sanguinário presidente Cunha. Um tipo que apesar de ter sido eleito, logo se fez rodear por uma falange de tachistas e bufos; e que lhe atiçou a sua polícia política. A famigerada UEC (Uns Emplastros do Caraças).

Perseguido e sem apoio dos seus pares (que quando a coisa aquecia, se encontravam invariavelmente de férias algures) António da Matta fugiu para o Pinhal do Rei. Por onde deambulou durante duas semanas, alimentando-se apenas de pinhões e “voyeurs” distraídos. Sendo então capturado e encerrado no sinistro Forte Consolação; onde o obrigaram a encerar as pranchas de todos os concorrentes ao Mundial de Bodyboard.

Finalmente surgiu a tão esperada oportunidade. Quando um dos guardas do presídio a quem chamavam Chico da CUF (porque morara na Baixa da Banheira), precisou de cunha para uma sobrinha que queria ser deputada da oposição, mas que como predicados apenas possuía um palminho de cara e umas pernas aveludadas.

António e mais alguns companheiros apropriaram-se do FIAT 600 pertencente ao ditador Cunha, que entrara apenas para mudar o óleo, e rebentando com a porta blindada do urinol dos guardas que dava para a horta das traseiras (que neste caso ficaria na fachada principal); acabando por andar a monte durante cinco dias e cinco noites, sempre com as mesmas peúgas.

O Presidente Cunha sabendo do amor que o povo nutria por ele (estava em segundo nos “tops”, logo abaixo do Paco Bandeira), mandou os seus soldados pelo país, para que matassem todos os inocentes que usassem botas com elástico e tivessem o nariz adunco (foi mais ou menos por essa altura que se consideraram extintos todos os prestamistas judeus).

Escapando para o estrangeiro manteve-se em exílio, jurando regressar apenas quando o “Estrelas da Avenida” passasse à primeira divisão. Promessa que não conseguiu manter, devido à grande saudade do seu país natal e ao facto de o “Estrelas” ser igualmente uma causa perdida.

Por coincidência encontrava-se em Badajoz, e preparado para entrar no país disfarçado de contrabandista, quando recebeu a notícia que tinha começado a revolução; pois o Presidente Cunha tinha morrido electrocutado ao deixar cair o leitor de cassettes dentro da banheira, onde se estava a efectuar mais uma reunião do Comité Central (salvando-se quase por milagre a assessora uzbeque, que tinha saído para “empoar o nariz).

António regressou a Lisboa em triunfo. Após o que passou trinta calmos anos a fazer o mesmo anúncio de Restaurador Olex para a TV. Finando-se um belo dia em que no barbeiro, se levantou da cadeira de lavagem e ainda com a toalha enrolada à cabeça, tropeçou nos atacadores mal apertados e foi de cornos ao expositor do Pitralon.

- Mas ó vô. Afinal ele roubava ou não aos ricos para dar aos pobres.

- Olha pá… Isso nunca vi, mas o tipo era simpático e nunca me fez mal nenhum; a ponto de até lhe fazerem um museu com parque de diversões à volta e tudo…

- Mas a minha professora diz que ele era fascista…

- Isso é tudo mentira. Ela está é a fazer confusão com o Durão Barroso por causa do nariz. Esse sim é que era fascista. Se não fosse por causa dele não tínhamos perdido as colónias de África…

Música de Fundo
Brianstorm” – Arctic Monkeys

segunda-feira, 26 de março de 2007

Hoje vou falar sobre aquilo que escreveria se não se tivesse metido uma coisa pelo meio
- Isto atrás era o título… -

Passei todo o fim-de-semana a acarinhar esta ideia em que escreveria na segunda-feira um post, que seria uma ode surrealista àquilo que cantam os poetas surrealistas quando para tal têm voz ou alguém os deixa cantar… mas em estilo de tango…

Tinha começado ontem à tarde com uma das melhores imagens literárias que criei ultimamente, que era a de palavras “esmaltadas como banheiras”, o que lhes dava a consistência de uma bala de canhão e a fluidez de um after-shave de mentol. Estava destinado ao sucesso.

Cerca da hora do lanche já eu alinhavara:

Era eu
Era eu que te incutia …
"

Mas tirando o estilo nasalado do canto, e um “cheirinho” de acordeão entre as frases a coisa não parecia avançar.

Pensei em ir colocar-me na fila para bater no Toni Carreira, aproveitando algumas das suas falhas em português.

Mas isso pareceu-me mesquinho e indigno de alguém que habitualmente não lhe liga nenhuma. Para mais isso é um exercício bem mais indicado para aqueles que o acompanham fielmente na TV, e que trauteiam as suas românticas letras durante os genéricos das novelas. Não deu, claro.

Comecei a ter ideias estranhas.

É que eu tenho vindo a adiar o inevitável, mas tarde ou cedo vou ter que desmanchar todo o sistema para fazer o “upgrade” do costume. O que é bem mais difícil do que fazê-lo numa máquina nova; pois tenho que a desmanchar e voltar a montar, após limpar todos os componentes com “líquido limpa-contactos, anti-estático”.

Vendo bem, isto são coisas que não se podem adiar por muito tempo. Os componentes informáticos têm uma vida útil ainda mais baixa que as juras de amor eterno; e por isso como devem calcular, são coisas que se devem aproveitar enquanto “estão frescas”.

Não vou aqui chatear-vos com um rol de referências e “part numbers” ou alardear o acréscimo de Mhz’s, pois não é isso que está em causa.

Este é um blog que se escreve sobre carne nua (grande treta; mas adorei a frase, que querem?), sobre os dias que se acumulam como infindáveis folhas de gelatina (esses dias, que são o sedimentado sabor do tempo), sobre a experiência que é estar vivo e de olhos abertos (mas apenas o suficiente).

Por isso também não vos vou impingir mais uma experiência de transição electrónica; pois já bastam as suas repercussões sobre os posts durante uns oito dias ou mais.

A minha ideia mesmo era cantar-vos um tango surrealista, que beijasse a realidade com lábios boçais e ignorantes, que a fodesse mesmo. Como todos os surrealistas o deveriam sempre fazer, se conseguissem sair das suas próprias cabeças…

Música de Fundo
Lullaby For Liquid Pig" – Lisa Germano

sexta-feira, 23 de março de 2007

Olhó Teste Fresquinho
(O meu ADN Visual)




Já agora, bom fim-de-semana!
Música de Fundo
"North American Scum" - LCD Sound System

quarta-feira, 21 de março de 2007

Categorias, Minorias e Tias
- Onde se vê que ser desgraçadinho e anatemizado é bem chique… -

Há uma coisa pela qual ainda não perdi a esperança… conseguir ver Emir Kusturica realizar um filme que se baseie na vida de Maria José Nogueira Pinto.

Já a estou a imaginar, numa espécie de épico marítimo rodado no lago do Campo Grande (para gáudio das empregadas dos vizinhos da artista) e Mizé (desculpe rica, mas acho que é um nome artístico que vai muito bem consigo) depois de ajeitar o lenço Hermés e verificar o brilho dos sapatos de fivela, partiria à conquista de novos mundos ainda não descobertos por mulher alguma, enquanto se controlava para não abanar demasiado a mala pelo caminho.

E porquê esta insistência nesses tais (improváveis) mundos intocados por fêmeas? Bem, o facto é que uma das tendências que mais se têm desenvolvido nos últimos tempos, é aquela que atribui ao estatuto de mulher um crédito especial, exactamente por ser uma espécie de estado “inferior", apenas comparável ao de qualquer minoria étnica.

E Maria José além desses atributos por si só bastante negativos carrega igualmente o fardo de pertencer ao CDS; que como já vos devo ter dito anteriormente é para mim uma espécie de Bloco de Esquerda mas com muito menos piada e gosto no vestir (além daquele insignificante pormenor que é o serem de direita, claro).

Possuidora desses trunfos Mizé ia-se mantendo intocada. Pois quando o anúncio da sua filiação partidária não dava resultado como medida dissuasora, logo acrescentava – “Mas eu sou mulher…” – O que normalmente resolvia logo ali o problema.

E foi nesse estado de espírito que há uns dias com a finalidade de resolver um diferendo interno, alegou (como mulher em pleno gozo dos seus direitos especiais) ter sido agredida por um homem. Estão a ver o problema, não estão? Um homem!

Infelizmente quando se virou teve uma desagradável surpresa; o tipo era preto. Não que isso a incomodasse (aliás a mão-de-obra está tão por baixo que não se pode ser muito esquisito), mas é que se fosse um cigano ainda poderia alegar que este roubava no peso ou batia nos filhos.

Só que o tipo era preto e estava perfeitamente consciente disso. Tanto que logo o afirmou, dizendo alto e bom som que não apalparia a ofendida nem que lhe pagassem (nesta altura fez uma pequena pausa e olhou em volta); e acrescentou logo ali que não só era preto como tinha ainda aquele problema de pertencer ao CDS, o que o colocava numa situação especial de duplamente deserdado (ou seja, perfeitamente a par de Maria José Nogueira Pinto).

Ao momento em que termino este post ainda não se conhece qualquer desenvolvimento neste caso; mas fontes próximas do Largo do Caldas, confidenciaram-me que para equilibrar as forças no próximo congresso, Mizé NP se fará acompanhar de uma assessora negra e muçulmana (excisada, naturalmente) mas igualmente membro do CDS. Porque assim… Duvido que venha alguém meter-se com ela.

Música de Fundo
African Reggae” – Nina Hagen

segunda-feira, 19 de março de 2007

O Post Não Escrito
- Uma vez que o post de hoje não será escrito por falta de tempo (e acreditem-me que a coisa está a piorar), deixo-vos com o resumo. Que embora não sendo a mesma coisa, por outro lado é também mais fácil de ler. -

Após cruzar a blogosfera em diversos sentidos e direcções, encontrava-me indeciso entre dois tipos de texto a apresentar para o dia de hoje.

O primeiro iria provar que após um (enorme) determinado número de tentativas, até Shakira conseguiria ter uma canção com letra que se percebesse (um pouco como aquela tentativa para conseguir pôr chimpanzés a escrever Shakespeare, mas mais difícil ainda).

A segunda opção seria mais um episódio da “Igreja do Imaculado Blog”, onde se dissertaria sobre a origem e utilidade dos provérbios. Descrevendo aquele episódio em que estando um dia o Profeta Piçarra muito mal disposto, acabou por responder a uma qualquer pergunta idiota com – “Se para terdes romantismo na vossa vida vos basta meter o dedo no cu. Então para que gozeis a vossa Primavera, não mais será preciso que tirá-lo e cheirá-lo…”. – estando criado assim o primeiro provérbio de Blog.

Destacar-se-ia o facto de o Profeta Piçarra ter inventado os provérbios completamente por engano; embora isso tenha acabado por lhe dar imenso jeito. Pois como passava o tempo a dizer larachas sobre o futuro e a ajuizar sobre este, foi obrigado a construir algumas frases herméticas com que distraía os interlocutores quando a conversa começava derivar para “terreno movediço”.

O texto frisará a componente criativa da composição de um provérbio (se soa bem, se rima e se quer mesmo dizer alguma coisa); salientando o facto de Piçarra por ter uma reputação a manter e não poder andar por aí a debitar frases idiotas como se fosse uma “Lili Caneças” qualquer; tenha recorrido a uma “task force” de velhas tias cuja única faceta comum era o fabrico de compotas caseiras.

Conseguiu assim reunir um mosaico de frases-chave, que embora não dizendo nada de especial sempre davam um “toque de classe” a qualquer situação.

Após a genealogia do provérbio e de como a nossa religião o aplicou a todas as tarefas do dia a dia (desde a agricultura e pescas às acrobacias de alcova), falar-se-á sobre a parte menos conhecida da vida do Profeta. Que após se ter reformado de “amolador praticante de 2º ano”, decidiu entrar “numa de Diógenes” e percorrer o mundo à semelhança deste; empunhando não uma lanterna mas um simpático maço de madeira; que segundo afirmou a um basbaque o iria ajudar a encontrar o “som ideal”.

Tenho a certeza que a sua busca não teria sido tão longa nem tão penosa, se tal como eu calhasse ter tropeçado na canção "Ready for the Good Times", onde Shakira afirma - "Oh Oh Oh Oh, Oh Oh Oh Oh, Oh Oh Oh Oh, You know it, Oh Oh Oh Oh, Oh Oh Oh Oh".

Não tenho mesmo dúvida alguma, que se usasse o maço de madeira para percutir o crânio da cantora, o Profeta seria presenteado com um surpreendentemente límpido fá sustenido. Acabando aí a sua demanda. O que aqui para nós, talvez evitasse que mais tarde tivesse vindo a ser injustamente conhecido como “O Serial Killer do Maço de Carpinteiro”.


Música de Fundo
Dialectos da Ternura” – Da Weasel

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Maldição de Alicante
- Ás vezes existe uma terra longínqua que por razões desconhecidas exerce sobre nós uma magia especial; outras vezes é uma chatice… -

A minha relação com Alicante é puramente a nível de imaginário. Já quando era miúdo e ouvia pronunciar esse nome, vinha-me à memória a imagem de uma mulher de carrapito e trajes floridos a manusear os deliciosos “torrones” numa banca de feira, e sem as elementares precauções a nível da higiene.

Na verdade (lembro-me agora) nem gostava do referido “torrão”; pois para mim não passava de “nougat” embrulhado em imensa conversa fiada.

E os anos passaram. Por diversas vezes durante esse tempo ouvi “a palavra” e logo pensava – Ah, pois… - continuando o que estava a fazer. Sem que tal me despertasse a curiosidade sobre onde se localizava, como seriam as suas gentes, e se eventualmente gostariam de torrão.

Eu não.

Mas como sabem isto das referências a nível de memória, têm tendência a tornarem-se um pouco anárquicas com a idade. E um belo dia alguém das minhas relações; um tipo que sabia tudo sobre os melhores produtos espanhóis, onde os encontrar, e que na verdade só não nascera espanhol por embirração da mãe, que não se tinha querido arrastar até à fronteira para o parir…

Bem, o tipo decidiu brindar-me com um daqueles valiosos segredos que guardava no bolso do relógio – Pá, não sei se sabes, mas o melhor “torrão de Alicante” que existe em Portugal, tem a marca “Dia”.

Nem me dei a trabalho de lhe responder, pois encontrava-me a tentar saber porque é que o “server” de uma unidade hoteleira tinha cortado relações com os seus próprios terminais; e na altura não me pareceu que essa informação viesse trazer algo de novo para a resolução do problema.

Mas como já disse, a memória é algo incrivelmente traiçoeiro.

Foi por isso que ontem esquecendo o facto de não ser particular apreciador dessa doçaria, e também que o citado informador já me tinha dado dicas péssimas (Algo que envolveu um cachucho de escabeche, com ovo a cavalo. E juro que não estou a mentir), entrei distraidamente no Mini-Preço para comprar papéis (a quem possa interessar, o Mini-Preço é onde o papel higiénico, guardanapos e rolos de cozinha de melhor qualidade estão aos melhores preços.), e parei por uns momentos perto do expositor dos doces com a sensação de me ter esquecido de algo.

É claro que se tratava apenas do meu subconsciente (esse sacaninha) a tentar pregar-me uma partida.

Ao levantar os olhos dei imediatamente de caras com várias embalagens de “torrón”; e antes que pudesse racionalizar a situação e virar costas para me ir embora, tinha já na mão uma das embalagens e encaminhava-me para a caixa.

Não estranhei muito esta peculiar compulsão, porque já não é a primeira vez que me acontece algo parecido; e costumo até dar a desculpa que é devido a ter sido em tempos raptado por extraterrestres (faz imenso jeito quando as situações dão para o torto).

Aceitei a situação como um homem; e preparei-me para chegar a casa e resolver de uma vez por todas o meu velho contencioso com a cidade de Alicante, a província de Alicante e mesmo com toda a Comunidade Valenciana.

Arrumei as compras após o que peguei numa tesoura de cozinha, recortei o topo do pacote e de um só golpe decepei a costura da embalagem em papel prateado. E ali estava ele a contemplar-me com aquelas amêndoas enormes como olhos, coberto por ambos os lados por uma camada de algo que se parecia de modo inquietante com placas de hóstia católica, apostólica e talvez mesmo romana.

Mas não me parecia torrão de Alicante.

Após conferir a embalagem constatei que seria de uma hipotética localidade chamada Guirlache (Talvez fosse uma povoação perto, ou mesmo uma cidade geminada situada na Lituânia).

Para acabar com as dúvidas parti um pedaço. Correcção… tentei infrutiferamente partir um pedaço sem esfarelar amêndoas por toda a cozinha. Depois tentei cortar com uma faca de sobremesa. E finalmente perdi a paciência e fui buscar aquilo que considero a arma do “juízo-final” para tudo o que é lata de conserva atacada de teimosia… A minha faca “à Rambo”.

O perfeito dispositivo de utilização para o “gentleman farmer”, é composto por um cabo oco cheio de fósforos (valiosos pois têm 25 anos) e linha de pesca, no qual se atarraxa uma bússola prismática; que vai terminar numa lâmina imponente daquelas de fazer inveja a um alabardeiro da “Guarda Suiça”.

Não digam nada, por favor; pois foi uma oferta e por isso tem valor sentimental.

Para evitar fazer um furo na mesa da cozinha optei por dar pequenas pancadas com o bico da faca na placa de “torrón” esperando que este desenvolvesse alguma forma de “fadiga dos materiais” e optasse por se fragmentar.

Acabei por ser premiado por um pequeno sólido irregular do tamanho da unha do meu polegar; o que me deu coragem para continuar a apunhalar o confeito de um modo um pouco mais animado. Até que fui informado da verdade.

O meu filho a quem eu mandara investigar no Google sobre a provável localização da vila ou cidade de Guirlache, meteu a cabeça pelo intervalo da porta e despejou rapidamente antes de voltar para o “GunZ” – Não é uma terra; e quer dizer “doce com amêndoas”…

A surpresa submergiu-me como uma enxurrada de bolas de ping-pong; e eu comecei a sentir uma sensação morna na palma da mão esquerda onde acabara de espetar a faca “à Rambo”; tendo porém conseguido partir um pedaço de “torrão” do tamanho de uma moeda de dois euros.

Com meio rolo de papel de cozinha envolvendo a mão esquerda, e a comer um pedaço com cerca de 200gr de “Torrón” (acabei por desistir de o cortar, pois quero vir a conhecer um dia os meus netos) que segurava na direita, dirigi-me à clínica; de onde saí meia hora mais tarde com mais alguns pontos na epiderme, e a garantia de que ficaria com “uma linda cicatriz”.

Podia ser pior. Pelo menos é sexta-feira; e um dia em que me perguntem do que é aquela cicatriz. Sempre posso responder com ar de quem andou na guerra civil - “Estoutra apanhei-a por Alicante”.

Música de Fundo
13 mulheres” – Expensive Soul

quarta-feira, 14 de março de 2007

A Arte da Guerra Para Bloggers – 3
- Para aqueles que pensaram vir aprender neste capítulo as técnicas de alteração do passado, lembramos que isto é um workshop sobre a arte da guerra e não um seminário sobre doçaria. Quero apenas com isto dizer que, quem vai para a guerra deve primeiro que tudo esperar ser enganado… –


***** III *****

(Guerra Psicológica / Manipulação)
Se eu me transformar em ti, nada fica que possas destruir sem que morras também

Esta versão delicodoce e meio soft da “Arte da Guerra”, nunca estaria completa (Já recebi reclamações de organismos pacifistas) sem um post dedicado a essa espécie de xadrez tridimensional que é a guerra psicológica.

Alguns de vós ao ouvir este termo logo se lembrarão dos livros do Asterix, e de como o seu gordo amigo achatava romanos com um menir. Pois garanto-vos que estão completamente enganados; porque nenhum destes ingredientes é essencial para esta actividade. Nem sequer o menir.

Embora a guerra psicológica funcione com uma grande percentagem do item que tratámos no post anterior (a informação/desinformação), a sua principal característica (especialmente no meio virtual) é operar de modo a fazer transparecer resultados, que ao serem interpretados levarão o/s oponente/s a tirar conclusões erradas ou inexactas sobre a natureza do que o ameaça. O que se poderá revelar desastroso para este.

Alguns peritos afirmam que a guerra psicológica deve criar o terror na mente do adversário (daí a introdução das sirenes nos “Stukas” da 2ª Guerra Mundial ou mesmo as caretas feiosas que os Maoris ainda fazem a quem os chateia), mas isso é apenas uma faceta que nem sempre resulta; pois o terror estimula. E francamente, estar a estimular alguém que se quer derrotar é apenas um grande desperdício de recursos.

Outra corrente de pensamento defende que esta se destina a produzir a inércia que cala as armas e o desânimo que desmobiliza as hostes. Ou seja, levar o oponente (esse termo de sonoridade tão apelativa) a considerar todo o combate ou resistência inúteis; seja por se considerar táctica e logísticamente em desvantagem, ou simplesmente porque defende uma causa sem fundamento.

Mesmo nos casos em que tal seja verdade, o primeiro passo será sempre o de criar essa convicção; pois (como afirma R. Mucchielli) “o importante não é a realidade da vida, mas aquilo em que as pessoas acreditam”.

Embora esta última também não seja má (apesar de pomposa), existem mais tendências no domínio da guerra psicológica que eu poderia estar para aqui a enumerar. Mas como não estou a copiar frases de um livro e esta coisa dá trabalho à brava; em vez de estar para aqui a ensinar traquinices, vou contar-vos uma velha fábula inserida no tema de hoje. O que se calhar ainda vem provar que afinal sou tão velho e sábio quanto pareço.

***** O Rei das Rãs *****

Estava uma minúscula rã muito entretida a fazer seja lá o que for que as rãs fazem, quando uma voz tonitruante vinda do alto o interpelou – Eu sou o senhor destas paragens, o tigre! E tu, animalzinho verde, quem és?

O anfíbio ainda um pouco surpreendido olhou para o alto, e no tom mais seguro e belicoso que conseguiu encontrar, respondeu – Eu sou o Rei das rãs… E como tigres ao pequeno-almoço!

- Ah – disse o outro, zombeteiro mas um pouco desconfiado – Não quererás experimentar este tigre para o almoço?

- Não, obrigado. Comi dois há pouco e ainda os tenho às voltas no estômago. Mas visto que não pareces convencido, vou propor-te uma prova de força. Vamos ver qual de nós consegue saltar mais longe sobre este regato.

O tigre olhou para o reduzido tamanho do outro, e certo da vitória rosnou uma risada – Certamente. Coloca-te a meu lado e vamos ver do que és capaz. – E retesando os músculos, cravou as unhas no terreno da margem e formou o salto.

A rã sem grande cerimónia abocanhou-lhe a ponta da cauda; e quando o tigre aterrou orgulhoso na outra margem, esta com a embalagem passou-lhe por cima da cabeça caindo de pé um pouco mais à frente.

O tigre olhou para os lados e para trás sem nada ver, até que um ligeiro tossicar um metro à sua frente lhe chamou a atenção. - Desculpa! – disse a rã – mas este exercício não me está a fazer bem nenhum à digestão. – após o que , arrotando cuspiu alguns pêlos do tigre. – E os outros dois que comi há pouco, não querem “ir para baixo” por nada deste mundo. Acho que vou fazer uma sesta…

O tigre olhou perplexo os pêlos alaranjados que não sabia pertencerem à sua cauda, e perguntou, desta vez genuinamente assustado – Mas tu comeste mesmo um tigre?

- Não – disse a rã – eram dois. Mas aparentemente deviam estar em más condições, pois estou com uma enorme crise de gases. Mas mal isto passe, já devo ter um espacinho para ti. – terminou com um sorriso, enquanto soltava uma sonora e nauseabunda flatulência.

O tigre entrou em pânico e fugiu.

Já tinha percorrido uma distância apreciável, quando encontrou a sua amiga raposa que o interpelou descontraidamente – Mais devagar, calmeirão! Onde vais tu a correr com esse ar tão assustado?

- O tigre respondeu com um miado lamentoso, mas sem abrandar o passo – Vem atrás de mim um animal terrível, que já comeu outros dois tigres de manhã. E tenho a impressão que se ficar por aqui, ainda vai sobrar para mim e não se aproveita sequer com que fazer um gorro de pele.

Correndo a par dele, a raposa constatou – Deve ser um tipo terrível para te assustar assim… Qual é o nome desse animal?

Ao que o outro respondeu quase sem fôlego – Disse-me que é… O Rei das Rãs…

- Rã? Espera aí pázinho – disse a raposa franzindo o cenho – Tu disseste, rã?...

- É verdade! – Garantiu o assustado tigre. – Vi-o cuspir os pêlos de outros dois infelizes que tinha comido. E dá uns peidos medonhos. O tipo é mesmo feroz…

Mas a raposa que é tida como ardilosa, logo suspeitou de um truque (um pouco aquela cena de avaliar os outros por ela própria) – Talvez seja... Mas se esse “Rei” é parecido com as outras rãs, deve tratar-se de um “pequenitates” franzino e esverdeado; e com umas pernas deliciosas. É melhor darmos uma olhada a esse “Rei”…

E assim o tigre e a raposa dirigiram-se ao encontro da rã. Mas o primeiro ainda estava um pouco assustado; e como a raposa tinha fama de se esquivar das situações complicadas, propôs – Vamos atar as nossas caudas uma à outra para lhe mostrar que estamos juntos; e assim se ele atacar, vai ter que se haver com os dois.

E assim fizeram. Ataram as duas caudas com lianas (nem me perguntem como, porque isto é uma fábula), e lançaram-se numa corrida em busca da rã.

O minorca esverdeado estava sentado em cima de uma “vitória-régia” quando os viu chegar, e ao notar as caudas atadas, logo calculou que iria haver sarilhos a dobrar.

Com um sorriso sardónico interpelou a raposa nos seguintes termos – Foi uma ideia muito inteligente, amiga raposa. Esse “petisco” aproveitou eu estar com uma crise de gases, e pôs-se a andar. Estava a ver que não tinha nada para o almoço. Mas agora que o tens bem seguro… arrasta-o para aqui, que esta sesta abriu-me o apetite.

O tigre sendo um animal impiedoso e cruel, convicto que todos os outros eram como ele, pensou que a raposa o tinha traído e fugiu arrastando-a consigo.

A rã, vendo-os afastarem-se aos tombos por entre rosnidos e dentadas traiçoeiras, deu mais um peido e disse para si própria – Se não abandono depressa esta dieta de larvas de mosca, ainda vou ter alguns problemas quando chegar a época do acasalamento…

Música de Fundo
Don’t Give Up” – Peter Gabriel & Kate Bush (LoL)


segunda-feira, 12 de março de 2007

A Arte da Guerra Para Bloggers – 2
- Capítulo segundo onde se trata a importância da informação como factor dinâmico, sendo esta na blogosfera comparável ao sangue que nos seres vivos transporta oxigénio e nutrientes a todas as partes do organismo. –


***** II *****

(Teoria da Informação/Desinformação) – “Vales o que Sabes

Informação é poder. Mas para manter a energia que lhe proporciona essa força, tem que fluir.

A utilização de informação pura permite chegar a deduções perfeitamente enquadráveis na realidade; como por exemplo, conseguir prever o facto de o blog da namorada do Primeiro-Ministro ter uma drástica quebra de acessos (audiências), logo que se noticiou o fim da relação.

Mas a maioria da informação é material para utilização diferida; e tem por tal que ser conservada o mais viável possível, enquanto circula pelas vias normais de comunicação. O que neste mundo é representado por cada blogger.

O possuidor para a manter viva, tem que compartilhar parte dela com os outros; de modo que se proporcione através da sua difusão na comunidade, uma espécie de indexação. Ora isso vai criar uma imagem residual da própria informação, que servirá para anunciar a sua existência, qual o seu teor, e o quadrante aproximado (blog tal & tal) onde se encontra armazenada.

Basicamente, neste nível de informação; o seu armazenamento e posterior processo de difusão assemelham-se nitidamente ao utilizado em computadores. Uma vez que cada célula (blog) armazena e difunde ou não (processo essencialmente binário) conforme o programa que esteja a seguir.

A informação em todo o processo de tráfico é a propriedade que existe com mais parecenças às drogas duras.

Quem utiliza grandes quantidades de informação, começa por organizá-la em lotes. Depois, conforme as necessidades de cada sector e os seus projectos para este, ser-lhe-á atribuído determinado lote. É aí que o produto é processado antes que lhe seja permitida a entrada no circuito de “indexação”; onde é introduzido numa forma alterada e dedicada a determinado fim.

É neste ponto do circuito que o traficante vai “cortar”, “aditivar” ou “envenenar” a informação conforme o consumidor a que se destina. Não é em vão que a um traficante de heroína se chama “pusher”.

Tomemos então como exemplo a informação pura ou “branquinha”, como se costuma chamar-lhe. Ora este produto no seu estado de pureza máxima é facultado apenas aos utilizadores (aliados) de maior confiança; embora na maior parte dos casos deva ser aditivada.

A adição de substâncias não adulterantes à informação pura que se dá a “clientes” de confiança, serve para através do bom consumo desta primeira, veicular uma outra opinião ou induzir a necessidade de outro qualquer bem/item virtual. Mensagem esta cuja plausibilidade é basicamente apoiada no indiscutível grau de pureza/veracidade da informação/veículo.

Logo abaixo na escala segue-se a “primeira lavagem” ou “primeira mistura”, que é a informação suficientemente adulterada para poder ser passada adiante (pois como sabem, quem destrói ou altera algo é porque controla essa coisa), e ainda suficientemente pura para ser utilizada como unidade de troca. Este escalão do produto destina-se a outros traficantes de informação e aliados de moderada confiança.

Neste ponto a informação sofreu já alterações ao seu conteúdo original, embora a estrutura conceptual se tenha mantido intacta (a Mariazinha tem um amante, mas afinal não era o farmacêutico…).

O escalão seguinte é preenchido pelo “produto de linha”, o que no seu equivalente toxicológico seria “o panfleto” ou “a quarta” de material absolutamente normalizado para distribuição de rua. Ou seja, a informação que se passa gratuitamente a qualquer um, e que em casos normais resulta num feedback de dados igualmente pouco fiáveis; que embora não podendo servir como moeda normal de troca, são úteis para a validação (CRC check) da informação armazenada.

O “material” de má qualidade (onde se insere igualmente a informação desactualizada) tem uma utilidade muito reduzida, pois além de ser facilmente detectável a sua adulteração; é igualmente denunciador de baixo status (confiança) em relação a quem o possui. Pois só se dá a aliados de pouca confiança, ou a utilizadores pouco exigentes (“otários”).

Para finalizar vamos discorrer sobre o conceito de “informação envenenada”.

Tal como os traficantes mais impiedosos tinham por hábito adicionar estricnina à droga, com o objectivo de executar um denunciante ou um traidor; no “mundo virtual” esse sistema é também usado no que concerne à informação.

Não é raro alguém a quem foi passada informação alegadamente “de confiança” e em elevado estado de pureza, ser confrontado com o facto de ter sido vítima de um logro (muitas das vezes por parte de alguém em quem depositava confiança); acabando por se ver numa situação difícil ou mesmo perigosa. Ora esse tipo de acontecimento tem grandes parecenças com uma “execução” no submundo da droga.

Este género de procedimento, mesmo na blogosfera, é utilizado para com os elementos que perderam a confiança da “fonte” e que por tal urge “eliminar” ou afastar de determinado círculo. Mesmo assim, não se trata de uma acção tão drástica como o seu equivalente na “vida real”. Pois aí iria dar por si sentado/a no tampo da sanita com uma agulha espetada no braço azulado, e o corpo a ser percorrido por espasmos incontroláveis…

Próxima lição – “Quem controla o passado condiciona o futuro. Ou o Síndroma de 1984”.


Música de Fundo
Twisted Transistor” – Korn

sexta-feira, 9 de março de 2007

A Arte da Guerra Para Bloggers – 1
- Generalizações e conceitos básicos de como gerir conflitos, avaliar posições e actuar com um mínimo de margem de erro –

Prólogo
Uma vez que desde os executivos de topo às demonstradoras de Bimbys, já quase todos tiveram aulas de estratégia e luta corpo-a-corpo com armas improvisadas (canetas, clipes, x-actos e descascadores de legumes), chegou a vez de dar à comunidade blogosférica algumas noções sobre situações conflituosas.

Poderíamos ter feito como a Dun & Bradstreet ou a Anderson Consulting, e utilizar integralmente a obra de Sun Tzu mudando apenas as designações; mas isso iria contra a nossa filosofia de respeito pelo “copyright”. E a avaliar pela eficiência da maioria dos executivos e demonstradoras, não seria também o método mais adequado.

Introdução

A guerra é uma coisa muito má; especialmente para quem perde. Mas paradoxalmente as guerras não têm sequer que produzir um vencedor; acabando muitas vezes por prejudicar todos os contendores (na guerra não se utiliza pódio, porque o vencedor pode manter-se comodamente em pé por cima dos vencidos).

A todos os instantes estará eventualmente a acontecer uma guerra. Pode até estar a desenrolar-se uma nas nossas costas sem que demos por tal; e é também por isso que é de grande utilidade a identificação dos sinais que antecedem qualquer conflito.

Neste pequeno workshop (Patrocinado pela Igreja do Imaculado Blog – Departamento de Guerra Santa) o participante aprenderá as técnicas e tácticas tanto dos Antigos Mestres como as utilizadas pelas facções mais radicais do Terrorismo Blogosférico.

A guerra não pode ser objecto de etiqueta ou regras de cavalaria, porque consiste num “acto de violência com que um oponente tenta obrigar o(s) outro(s) a obedecer à sua vontade” (Carl Von Clausevitz).


***** I *****

(Amigos/Aliados Vs. Inimigos/Oponentes) – Uma das primeiras dúvidas que convém esclarecer, é o facto de na blogosfera não ser aplicável o conceito de amigo. Amigo é alguém que transita do mundo “verdadeiro” para o ciberespaço, ou que encontramos neste, e transportamos para a nossa vida “verdadeira”.

Para os que possam estar intrigados pela utilização repetida do termo verdadeiro(a), esclarecemos que a blogosfera se trata de uma espécie de “imitação de vida”, tal como qualquer “role-playing game”; pelo que abstraindo-nos do conceito alienígena (porque estamos em outro mundo) de amizade, nos dedicaremos ao termo “Aliado”.

Por definição, aliado é aquele que aceita favorecer ou participar em determinada causa ou acção, porque estas se enquadrem ou veiculem os seus objectivos. O que nos diz logo à partida que cada um ao escolher ou aceitar aliados, deverá verificar minuciosamente a existência de motivações que possam levar esse indivíduo/facção a fidelizar-se (embora temporariamente) à causa que defende. Ou seja, não se escolhe um aliado apenas porque dá jeito; este deverá ter algo em comum ou a ganhar com a sua intervenção.

Para finalizar esta primeira definição, acrescentaremos que só se deve procurar aliados quando não se consegue atingir um objectivo pelo próprio (e singular) esforço. Pois como é sabido, todas as contas têm que ser saldadas; e um aliado insatisfeito hoje será amanhã um Inimigo/Oponente.

Agora os inimigos. Que tal como os amigos, não existem igualmente no mundo blogosférico.

O inimigo terá igualmente que ser importado, ou “estagiar” no mundo “verdadeiro”; pois tal como o seu antónimo necessita da componente “real” para ter razão de existir. A inimizade, tal como a amizade não pode ser considerada uma abstracção.

Falemos então de Oponentes.

Oponente, como é sugerido pela raiz etimológica do termo, é alguém que está em oposição aos esforços, objectivos, e às vezes à mera existência de alguém. E como é natural, terá que tarde ou cedo ser relegado para o exterior do “perímetro territorial”, ou simplesmente eliminado da equação.

A partir do momento em que está definido o oponente, toda a guerra passa a ter sentido. A tal ponto que regimes políticos a quem a guerra favoreceria, chegaram a criar oponentes “cosméticos”; que eram exibidos com o fim de fomentar o frenesi guerreiro nas multidões. Esta situação é facilmente reprodutível nos meios virtuais, devido à frequente baixa necessidade de validação das informações veiculadas.

A intensidade utilizada na anulação/subjugação do Oponente, poderá ser total se o objectivo for a sua efectiva e completa destruição; ou moderadamente calculada. Neste último caso os objectivos são maioritariamente “disciplinares” e/ou diplomáticos, não sendo requerida a sua aniquilação; pois poderá futuramente transformar-se num eventual aliado.

Neste último caso chamamos a atenção para a frase lapidar de Sun Tzu, que aconselha “… é de deixar sempre pronta uma ponte de tijolos doirados, que possa ser utilizada por um inimigo em fuga.

Para terminar, vamos tecer algumas considerações sobre o que é tido como “não-beligerante”; e que tal como o termo sugere, significa apenas alguém que não participa do combate.

Isto não implica que determinada “facção” inserida nessa categoria, seja isenta de interesses ou objectivos em determinado campo; pelo que deve ser abordada cuidadosamente, para que não mude repentinamente de “estado”.

As duas principais razões para conduzir à inclusão de um “não-beligerante” em determinado conflito, são: a sua destruição ou a tentativa de “compartilhar” meios e armas ao seu dispor.

Não se deve tentar incluir alguém nessas condições, sem se ter preparado uma contingência de contrapartida. Pois tal será tão prejudicial, como contratar um exército de mercenários e não lhes pagar.

Por último e visto que este conceito é usado de um modo bastante abrangente; fazemos notar que muitas vezes um “não-beligerante”, é apenas alguém que espera o fim do conflito para eliminar um vencedor enfraquecido pelo esforço dispendido.

E finda aqui a primeira sessão deste workshop. Como trabalho para casa, aconselho-vos a reflexão sobre o conceito de impunidade; e de como ele pode ser a fraqueza dos oponentes mais fortes.

Até Segunda, e boas "guerras".

Música de Fundo
Blood Shot Adult Commitment” – Madrugada

quarta-feira, 7 de março de 2007

O Aquecimento Global para Dondocas
- A mensagem é boa, mas o mensageiro é um parvalhão… -

Vi mesmo antes do seu lançamento “An Inconvenient Truth”, e na altura abstive-me de comentar; mas agora já imensa gente terá visto o filme e por isso a maioria saberá do que estou a falar.

Al Gore é um traste. Um traste educado e sem dúvida, simpático. Mas continua a ser aquele tipo que afirmou em Março de 1999, numa entrevista que deu a Wolf Blitzer – “During my service in the United States Congress, I took the initiative in creating the Internet."

Para mim esta simples declaração já chegaria perfeitamente como definição base para o personagem em questão, embora exista uma colecção enorme de “pérolas” que só não o colocam a par de Bush, porque esse aparentemente se encontra há anos em estado de “morte cerebral”.

Mas Al Gore tem sem dúvida algum mérito. Senão vejamos…

Durante anos, ambientalistas e mesmo cientistas consagrados, têm vindo aqui e a outros países perder o seu tempo com explicações detalhadas (talvez a maioria das pessoas não gostem de detalhes) sobre o que poderá acontecer devido ao aquecimento global e suas causas.

Espantosamente foi necessário que aparecesse o bom do Al com o seu ar de construtor civil endomingado, para que não haja um único frequentador do Tamariz ou da Minhota do Feijó, que não saiba o significado do termo “energia alternativa” (embora alguns deles, pensassem antes que tal seria um eufemismo para “Viagra).

É claro que o homem é um palhaço pomposo que não tendo conseguido chegar a presidente, está agora a fazer pontaria para o prémio Nobel da paz.

Pior ainda. Quanto ao já citado filme, cinquenta por cento dele são gastos a enaltecer o homem, a afirmar como ele era um tipo responsável na sua juventude; chegando a focar a carreira política e a sua vida familiar (que sem dúvida será fascinante para filatelistas algarvios que se chamem Honório).

Alguns espectadores mais sensatos chegarão mesmo a interrogar-se, se o documentário é sobre o aquecimento global, ou sobre Al Gore e o seu enorme traseiro que não deixa de encalhar na panorâmica do realizador.

É por isso, que venho aqui avisar todos os interessados neste fascinante tema, que hoje dia 7, Al Gore estará novamente no Casino do Estoril; e que se querem salvar o mundo do aquecimento global basta desembolsarem 1500,00€ para o ver.

A sala tem ar condicionado.

Música de Fundo
The Man Who Sold the World” – David Bowie

segunda-feira, 5 de março de 2007

A Igreja do Imaculado Blog – Velho Testamento
- Outro episódio sobre um dos percursores da nossa fé. Num tempo em que Blog ainda não estava no éter (embora com uns copitos ficasse às vezes bem perto…) e que aqui deixo; porque gosto muito de favas –

Há muito tempo, numa recôndita aldeia do Portugal profundo escondida nas faldas de uma qualquer serra, existia um homem temente a Blog e que o honrava sempre que podia, apesar das sua medonha caligrafia e péssima sintaxe; isto já para não falar da ortografia. Pois como utilizava a escrita fonética, era usual referir-se ao seu rafeiro “Benfica”, como “o quão”.

Francisco Bailão sendo um feliz embora pouco lavado camponês, tinha porém duas coisas que ensombravam a sua existência.

A primeira era a sua mulher Florinda. Uma daquelas cabras amargas e de língua viperina, que apenas vieram ao mundo para dar significado ao termo “legítima defesa”. E a outra era uma apetência pela bebida. Que embora não fosse tão perigosa, o colocava em situações assaz peculiares; e consequentemente no raio de acção da primeira ameaça.

Á noite, após lavar os pés e tirar a terra das unhas com a faca do pão, Chico Bailão pegava num coto de lápis, e depois de o passar pela língua, registava os acontecimentos e impressões do seu dia-a-dia num monte de cartuchos em papel pardo, que ia guardando das compras que fazia na “venda” lá da sua terra.

Felizmente para ele, tudo aquilo era praticamente ilegível. Pelo que a frustração de Florinda crescia exponencialmente, à medida que compreendia cada vez melhor que nunca desvendaria os segredos do seu misterioso consorte (para dizer a verdade, os nossos peritos há anos que tentam decifrar os escritos do Beato Bailão. Embora até agora só tenham conseguido saber que este tinha uma fixação na roliça figura da mulher do merceeiro. O que até já não é nada mau…).

Uma sexta-feira em que se tinha deslocado à “venda” do Quitério “manhoso”, com o fim de comprar a crédito fava para semear, deixou-se ficar mais um pouco, pois o proprietário acabara de abrir um barril novo, e cortara algumas fatias de “bucho” que generosamente oferecera à laia de “mata-borrão”.

Alguns litros depois, tinha já perdido à “bisca” o pouco dinheiro que levava e as sacas das sementes que não pagara. O que além de lhe estragar as perspectivas financeiras em relação à colheita, lhe iria também proporcionar uma dor de cabeça monstruosa à conta dos reparos e remoques proporcionados pela outra metade do casal durante uma boa temporada.

Em desespero e para tentar recuperar o que tinha perdido, decidiu arriscar ao jogo a escritura da vinha que herdara do pai, e que um almocreve lhe trouxera do notário nessa mesma manhã. Acabando também por a perder a favor do tasqueiro (que segundo diziam, tinha uns dedos muito “ágeis).

Desolado e titubeante lá calcorreou o caminho de regresso. Tentando no meio do nevoeiro que lhe confundia as ideias, encontrar remédio para a enorme alhada em que se metera. Apesar do que possam dizer sobre a vivacidade e agudeza das gentes do campo, o certo é que acabou por escolher a solução mais cómoda.

Fazer de conta que nada se tinha passado.

Entretanto os dias foram passando. E quem habitualmente passava pela leira do Chico Bailão, viu-o plantar diligentemente as suas favas imaginárias, regá-las; e mais tarde fabricar um pequeno espantalho, para que os pássaros não as viessem comer.

Mas as favas não cresciam. Enquanto as hortas dos vizinhos apresentavam viçosas folhas verde-garrafa, e mais tarde carnudas vagens; o seu campo mantinha-se liso como a tonsura de um franciscano.

Até que a mulher farta de ir ao campo olhar para os regos desabitados, decidiu finalmente consultar a bruxa da região, que vivia muito apropriadamente numa minúscula casa de xisto negro situada perto do cume da montanha, numa pequena clareira onde o sol mal penetrava.

Bem podia ter poupado a viagem, porque o diagnóstico era óbvio – “Mau-olhado”.

Munida de todas as indicações necessárias para o esconjuro, Florinda desceu até à aldeia onde mandou convocar todos os “Bailões”, fosse qual fosse o parentesco, para se pôr fim à maldição que matara à nascença toda a colheita de favas.

Seguindo fielmente as indicações da benzedeira, mandou à feira da vila próxima a filha Gracinda de 15 anos (porque tinha que ser uma mãe solteira e ainda grávida), com a incumbência de roubar (tinha que ser roubada, senão não prestava) uma panela de ferro.

O tendeiro que estava a par da situação (bem como quase toda a gente da região), fechou os olhos ao rapinanço e limitou-se a aumentar o preço da restante mercadoria; demonstrando um apurado sentido empresarial.

Após isso e chegado o sábado (que como toda a gente sabe é uma altura especial para este tipo de acontecimentos) encheu-se a panela com água, pondo-lhe a ferver dentro os pelos púbicos de todas as velhas das redondezas que não se lavassem há mais de quatro dias. O que se atendermos aos hábitos de higiene daquela malta deveriam ser imensas.

Segundo a curandeira estes infiltrar-se-iam ectoplásticamente (não foi assim que ela explicou; mas eu não estava lá para ouvir os termos exactos) pelas narinas, boca, olhos e ouvidos de quem lançara o feitiço às favas; fazendo com que “a fonte do mal” se dirigisse para a origem da cozedura com o fim de suplicar misericórdia.

Como todos sabemos, faz parte da natureza humana a tendência para querer dar uma ajudinha ao destino; pelo que as comadres da aldeia procuraram a pessoa mais invejosa, interesseira e gananciosa da zona. Que como que por acaso, era o proprietário da “venda”.

Entretanto, em casa de Chico Bailão ultimavam-se os preparativos para a recepção ao “maligno”. Tendo todos os “Bailões” do sexo masculino, de mistura com alguns vizinhos entusiastas, tomado esconderijo entre as vides que delimitavam o caminho para casa, empunhando varapaus, cabos de enxada e outros adereços recreativos.

Uma “bem-intencionada” vizinha, comentou perto do Quitério que um advogado nessa manhã visitara o Chico, e o tinha informado que além dos terrenos, afinal herdara ainda uma considerável quantia em metal sonante. Pelo que este já se encontrava a fazer planos de como o gastar, no meio de grande festa e rodeado de todos os familiares.

O tasqueiro sem querer ouvir mais correu com toda a gente do estabelecimento, e pondo a boina na cabeça, fechou a porta e encaminhou-se apressadamente para o seu doloroso destino. E já não era sem tempo, porque se estava quase na hora do almoço.

Ofegante e segurando na mão direita a escritura da vinha, quiçá na esperança de a revender ao seu antigo proprietário, Quitério “manhoso” entrou a alta velocidade na propriedade, sendo recebido por uma “tempestade de madeira” que o acompanhou até sair pela outra extrema. Salvou-se à justa por via da boina e da espessura da samarra, que lhe protegeram o bestunto de uma boa parte das pauladas.

Chegando ao outro lado sem afrouxar a corrida, desapareceu sabiamente em direcção à estrada nacional, tendo aparecido apenas dois dias depois. Explicando mais tarde, que tinha tido que tratar de uns assuntos urgentes na sede do Concelho (malandreco não estrilha).

Entretanto as mulheres do clã tinham confeccionado um almoço festivo, durante o qual se fizeram imensos brindes e saúdes, chegando alguns até a botar discurso. Como foi o caso de Florinda, que para se desculpar por ter recorrido às “artes negras”, acabou por rematar a sua arenga com um suspirado “Graças a Deus”.

Ao que o Chico Bailão sempre crente, emendou afagando o bolso da camisa, onde guardava a escritura que discretamente apanhara do chão no meio da barafunda – Graças a Blog!

O primo Alberto que tinha vindo da zona de Lisboa expressamente para a “benzedura”, não pôde deixar de comentar em surdina – A Blog? Este rapaz ainda um dia vai arranjar chatices com aquela mania de escrever nos cartuchos da mercearia…

Música de Fundo
Black Jesus” – Everlast

sexta-feira, 2 de março de 2007

Declaração de Voto

Se algumas pessoas soubessem o que as suas opiniões sobre os outros dizem deles próprios, manter-se-iam sempre calados...

Música de Fundo
"Killing in the Name" - Rage Against the Machine
Parabéns! Sniper de Blog...
- Onde se recorda a efeméride de um acontecimento ímpar. Ou não fosse o número, 29… -

Lembro-me bem, estávamos no Bar Desporto por esta hora a jogar snooker quando apareceu o Arcanjo Faustino. Bem, nessa altura ainda não ganhara as asas, mas vestia um impressionante blusão de napa cravejado de tachas cromadas, e já usava as suas características botas de biqueira de aço.

- Já nasceu!... – Comunicou com expressão entusiasmada enquanto tentava sub-repticiamente deitar-me a mão ao maço de SG Filtro.

- Quem, a Cristina Aguilera? – Perguntei eu, afincando-lhe com a parte fina do taco desmontável em cheio nos nós dos dedos; após o que acrescentei – E larga lá o macinho de tabaco, que ainda me deves aqueles dois “pintores” que te abonei na semana passada.

- Tás parvo ou quê? – Reagiu o futuro arcanjo. Não se sabe se devido à excruciante dor, ou à disparidade de datas – Estamos em 78; ou já te esqueceste. Este ano é a Ivana Bolanca, a Elsa Kikoïne e a Heather McComb; a Aguilera é só daqui a três anos. Quem acabou de nascer foi o Sniper de Blog.

Suspirando, atirei-lhe um cigarro que tinha extraído do maço; e acendendo outro para mim, fiz sinal ao Mendonça (em 78 todos os empregados de mesa se chamavam “Mendonça”) para me trazer uma imperial.

– Ouve lá ó Faustino. Tu andas a cheirar a cola com que o teu tio instala as alcatifas? Estou eu aqui onde me vês a tentar meter “a preta”, enquanto dou tratos à bola (a outra) para ver como hei-de chegar a Sumo Pontífice sem abdicar da minha vida sexual; e tu vens-me falar de um gajo que nasceu sei lá onde?

- Acho que foi para os lados de Coimbra… - Respondeu ele, não parecendo muito seguro do que dizia – Pelo menos a estrela arrancou de Belém a toda a velocidade; até parecia um “Caravelle” da TAP. E foi para aqueles lados. Para mais, eu sei que lhe vais dar os parabéns em 2007; por isso pensei que valia a pena avisar-te…

- Eu bem te disse que não devias ter metido aquele ácido caseiro – Avisei, enquanto sacava a esferográfica por via das dúvidas – De qualquer modo vou tomar nota, pois nunca se sabe… Ouve lá. Por acaso não sabes em que chave é que o Totobola vai sair esta semana?

Música de Fundo
When You Were Young” – The Killers

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