quarta-feira, 30 de maio de 2007

As Babysitters também sonham?...
- Crónica plena de dúvidas e interrogações, onde o autor se questiona sobre se estaremos sós no universo, ou mesmo se existirá vida inteligente na blogosfera. –

Costuma dizer-se que para se obter algo de um homem inteligente é preciso comprá-lo, mas sendo este estúpido, basta apelar para a sua vaidade. - É sem dúvida aquilo a que se chama uma “verdade básica”, pois os elogios não têm peso, não ocupam espaço e perdem todo o efeito quando concedidos displicentemente (exemplo: “Jolly lindo… Vai buscar!...”).

O que nos traz ao tema central deste post; a atribuição de prémios e galardões na blogosfera. Bem. Para os que ainda não repararam, passo a informar que a blogosfera é um mundo virtual; e por isso todas as coisas que nela existem são igualmente virtuais. Ou seja, inexistentes.

Tal como nos outros mundos virtuais, nada é o que parece. Nem as coisas, nem as pessoas, nem muitas vezes as suas intenções. Tratando-se de um mundo onde nada pode ser considerado real, a não ser que se consiga transportar esse algo dali para fora e utilizá-lo.

Mas a realidade é como uma verruga. Por mais que se tente esconder ela está ali sempre a tentar despontar, e na maior parte dos casos em ocasiões mesmo muito embaraçosas. E tal como a verruga, podemos fingir que não reparamos (por “delicadeza” ou (des) interesse) mas ficamos invariavelmente a saber que ela está ali.

Nos primeiros tempos da blogosfera lusa, realizaram-se algumas distribuições de títulos e prémios virtuais; hábito que acabou por se extinguir. Pois além de se tratarem de concursos de popularidade (fiquei uma vez em 3º, LoL) pressupunham a necessidade de alguma organização, contagem de votos e outras coisas que ainda davam bastante trabalho. Ora o trabalho, mesmo num mundo virtual, tem que ser verdadeiro para produzir resultados. E isso sim era uma chatice.

Foi então que alguém se lembrou do esquema aparentemente perfeito para criar com um mínimo de esforço um blog que atingisse uma quantidade suficiente de visitas para se poder considerar “de sucesso” (isto em teoria, claro) – “A Corrente-Prémio da Excelência Blogueira”.

A Corrente-Prémio da Excelência Blogueira” é um sistema que proporciona resultados apreciáveis a partir de um investimento muito reduzido, e que requer a partir de certa altura pouca ou nenhuma manutenção. E para a iniciar pouco mais é preciso do que seguir o que está escrito no primeiro parágrafo deste texto. A partir daí, é só esperar que os milhares de otários coloquem o seu link nos respectivos blogs, e ficar confortavelmente sentado/a a olhar para o Sitemeter.

Em suma; prémios imaginários distribuídos a gente imaginária por gente imaginária, premiando imaginariamente talento muitas vezes imaginário.

Bem-vindos ao Mundo Imaginário!

Música de Fundo
Virtual Insanity” – Jamiroquai

segunda-feira, 28 de maio de 2007

As Férias, os tomates e mais um milhão de coisas importantes…

Faltam exactamente quinze dias para o meu primeiro período de férias neste ano; o que abre oficialmente a temporada SAF2007 (ou seja para os não-iniciados, o Síndroma de Aproximação de Férias), com todo o stress, chiliques e ranger de dentes que esta minha disposição costuma originar em quem se encontra mais próximo.

Já para evitar desagradáveis surpresas de última hora, fui até à Caparica em missão de reconhecimento; não fosse o Engenheiro Mário Lino ter razão, e aquela tralha toda se ter esfumado de um dia para o outro inviabilizando as minhas férias.

Mas afinal foi falso alarme; acabando eu por concluir que o importante para se ser um bom governante, não é ser engenheiro falso ou verdadeiro e certificado, mas sim “não ser atrasado mental” (o que também parece assaz difícil de se conseguir).

Mas adiante que a espécie de governo que temos não merece mais que um ou dois parágrafos.

É por esta altura que costumo andar mais nervoso e irritável. Quem me conhece costuma dizer que é uma espécie de TPM (mas que só me dá duas vezes por ano) facilmente curável com algumas doses de sol, desde que tenha alguém com mãos suaves para me espalhar o bronzeador.

E estava eu hoje a fazer a passagem pelas minhas leituras habituais, quando dei de caras com este post onde a Maria Árvore me “manda para os tomates” (mas a ela eu perdoo…) justificando-se do seguinte modo: "Considero um Blog com Tomates aquele que luta pelos direitos fundamentais do ser humano" (Aqui não coloco link, porque apesar de respeitar muito os direitos humanos e todas essas merdas; sou porém contra quem põe outros a publicitá-lo/a gratuitamente através de "esquemas". Se querem "tomates" agarrem-se a isto) .

A mim dá-me a impressão que se trata de um engano. “Direitos fundamentais do ser humano"? Onde? Passei revista a todos os meus arquivos, não tivesse eu escrito sem querer algo assim tão bom sem dar por isso. Devia ser engano, mesmo.

É óbvio que não vou passar isto a ninguém (aliás, o pessoal quando quer acabar com “correntes” manda-as para mim).

Primeiro porque não me considero um tipo que lute por causas assim tão altruístas (nem eu nem nenhum dos blogs que li), segundo porque isto de “prémios & menções” não passa de auto-promoção por parte do tipo/a que teve a (pouco original) ideia; e terceiro, porque quando se atinge o “fundo do balde” e começa a faltar a quem atribuir a coisa já qualquer um serve; seja Salazar, Gengis Khan ou um parvalhão qualquer que calhou estar por ali.

Não que desconsidere a oferta (a sério que gostei, Maria Árvore), mas o prémio não tem qualquer significado.

E isto que acabei de escrever, para mim nem sequer é “ter tomates”. Trata-se apenas do Síndroma de Aproximação de Férias. Ter tomates não é ter um blog… ter tomates é ser verdadeiramente revolucionário! Especialmente agora…

Música de Fundo
"Cão Raivoso" - Sérgio Godinho

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Lino o Construtor!...
- Lembram-se?... Aquele bonequinho careca que nunca sabe onde pôr as casas… -

Parece que anda toda a gente por aí a lamentar-se, apenas porque um ministro decidiu dar uma de “João Jardim”.

É uma pena, pois enquanto barafustam por pormenores de somenos - Como por exemplo se a margem sul é só do Rio Frio à Trafaria, ou se vai daqui até à serra de Albarracin, aproveitando para insultar igualmente alguns espanhóis – o tempo vai passando e não tarda estão a abrir as inscrições para a “Nova PIDE”.

É óbvio pela conversa do homem, que só conhece a margem sul de a ver passar pelas janelas do automóvel a caminho do Algarve. Mas a culpa também não é dele. Lembrem-se que se vamos ter PIDE como antigamente (já andam a treinar e tudo), também fará muito jeito um “Américo Thomaz”; papel para o qual eu acho que esse tipo está fadado desde o berço.

Agora vamos à parte prática.

De certeza que alguém já se lembrou do seguinte, senão di-lo-ei eu - Esse local desértico que nada tem (nem gente, nem escolas, nem hospitais) é o ideal para a construção dessa monstruosidade que sem dúvida iria incomodar num local que fosse habitado; pior ainda, coitadinhos dos doentes se tivessem sistematicamente os Boeings a sobrevoar o hospital.

Assim a coisa encaixa perfeitamente. Além de não chatearem ninguém sempre poderão à semelhança dos colonos israelitas “fazer florescer o deserto”, criando assim uma “ilha de civilização” no meio da barbárie e dos comunistas (embora poucos, pois o local está deserto) que sem dúvida estarão emboscados atrás dos silvados ou mergulhados nas salinas.

Se pensarmos bem, um território “virgem” e com tanta potencialidade daria a este executivo o mesmo crédito que mereceu Pedro Álvares Cabral pela descoberta do Brasil. Com a grande vantagem de já podermos contar com uma apreciável quantidade de brasileiros (especialmente brasileiras).

Por isso, caro ministro (ou com um pouco de sorte, seu sucessor) venha para a margem sul e traga lá o tal aeroporto, que os moradores (os da parte habitada, claro) não se vão chatear, desde que não pespeguem essa aberração no centro de Almada (para isso já basta esse elefante branco que é o Metro de Superfície).

E lembre-se, só se pode construir onde ainda não há nada. Mas isso qualquer pato-bravo já sabe.

Música de Fundo
Can We Fix It?” – Bob The Builder

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Este Ano Decidi Fazer-te uma Surpresa

Como sou daqueles tipos que raramente abrem as agendas e passam a vida imersos em post-it’s, o mais certo seria deixar passar a data; mas calhou… (na verdade encontro-me em dívida para com Miss Entropia)

Não me perguntes como é que ela sabe a data do teu aniversário, mas acho que é por seres minimalista (como é loura, custa-lhe menos ler os textos se forem curtos).

Parabéns, CAP!

Musica de Fundo

Bicycle Race” – Queen

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Vozes do Além
- Um episódio sobre vozes que às vezes ouço. Normalmente em alturas em que não dá mesmo jeito nenhum… -

Confesso que às vezes ouço vozes. Por um lado seria extremamente fácil solucionar o problema, mas ainda não o fiz talvez por razões que a razão desconhece (ou seja, por comodismo). E este sábado foi mais uma dessas ocasiões em que seria capaz de matar só para me livrar do incómodo.

Era dia de cataplana.

Blog sabe que sou um tipo tolerante e cordato. Existem até pessoas capazes de declarar sob juramento que eu sou daqueles que conseguem manter o sangue frio no meio da maior confusão; desde que não me encontre a cozinhar e que o prato não seja (por feliz coincidência) cataplana.

Para os europeus do norte que nutrem um certo desprezo por tudo o que é meridional ou de origem Árabe, a cataplana pode parecer uma espécie de panela de pressão para os deserdados da sorte. Mas infelizmente para os seu egos (deles, do norte), os Mouros já a tinham inventado ainda os seus (deles, ainda do norte) antepassados andavam a limpar o ranho aos saiotes enquanto comiam carne mal passada; cozinhada à sombra daqueles dolmens cheios de correntes de ar.

Mas já me estou a desviar do assunto…

A primeira coisa que constatei ao pegar no telefone que não parava de tocar (é daí que ouço as tais vozes; ou pensavam o quê?) e proferir o meu habitual – “Sim!?..." - com voz maviosa, foi que a pessoa do outro lado (fosse isso onde fosse) além de ser possuidora de uma notável desenvoltura, tinha um timbre de voz particularmente irritante – Tou? Estou-lhe a falar da “@&@&@&@” e queria perguntar-lhe se não recebeu uma carta nossa há cerca de três meses.

- Não! – Respondi sumariamente – Não recebi carta alguma. – Entretanto peguei no telefone que não tem fio, e comecei a cortar a cebola em rodelas finas.

- Parece impossível que não tenha recebido… - Continuou escandalizada, como se eu tivesse algo a ver com o serviço postal da minha zona – É que estamos a lançar perto de sua casa uma iniciativa para controlo do colesterol e tensão artérial, e queríamos convidá-lo…

- Minha senhora… - atalhei – já subscrevo os serviços de uma clínica a cerca de cem metros da minha casa, que me proporciona sem qualquer acréscimo esse tipo de comodidades. – Entretanto dispus o cherne previamente salgado, que cobri com tomate e pimento picados em pedaços finos e sob o qual deitei um pouco de açafrão.

- Mas porque é que não quer colaborar connosco? Trata-se de uma iniciativa para o bem-estar dos habitantes dessa zona. O senhor não é muito simpático… - Teimou ela julgando-se talvez uma espécie de Avril Lavigne do telemarketing; e começando a deslizar para terreno movediço.

Coloquei meia dúzia de camarões selvagens no topo da composição e reguei tudo com vinho branco, polvilhando por último com pimenta de Cayenne. – Importa-se de aguardar um pouco, por favor? – solicitei à operadora, passando o telefone ao meu filho que teve o azar de passar pela cozinha na altura errada. – Vê se a distrais ou aborreces enquanto ponho isto ao lume!

Fechei cuidadosamente o recipiente em forma de bivalve, trancando-o com as molas laterais; e deixei-o a cumprir a sua missão em lume brando. Abri uma garrafa de Quinta dos Grilos (branco) e fiquei por ali um pouco a prová-lo, enquanto acrescentava alguns pontos ao colesterol com umas deliciosas anchovas recheadas.

Quando achei que já fizera jus ao epíteto de “não muito simpático”, fui à procura do miúdo que encontrei no quarto a jogar “Counterstrike” com uma expressão seráfica. – Então o telefone, onde está? – perguntei-lhe casualmente, como quem apenas aflora o assunto.

- Guardei-o no escritório. – respondeu – Estivemos a falar um bocado de coisas e isso… Mas depois ela perguntou-me a idade, e quando eu disse que tinha catorze, desligou. Posso comer salsichas de lata ao almoço?...

Música de Fundo
Karn Evil 9” - Emerson, Lake & Palmer

quarta-feira, 16 de maio de 2007

O Rei dos Balneários
- Um porta-voz da Scotland Yard afirmou ao jornal “The Sun” que “um homem com 44 anos foi detido por obstrução à justiça”, acrescentando que “posteriormente lhe foi aplicado o pagamento de uma caução”. -

Obviamente que José Mourinho apesar de ter discutido com a polícia e não os ter deixado levar o cão, mesmo assim não participará no campeonato deste ano de “jogos aquáticos”, que se irá realizar na HM Prison Wormwood Scrubs.

Estando por demais habituados à pose “cagona” do normal cidadão britânico, os “Bobbies” (a que alguns teimam em chamar boobies) não se intimidaram com a arrogância Lusa do nosso “Joaquim de Almeida do futebol” e tiveram o especial prazer de o arrecadar. Apesar de lhe terem facultado um cobertor cinzento, uma caneca de chá e duas “madalenas” da Dan Cake para lhe aligeirar a noite.

Talvez assim nesse país em que o único português que toda a gente conhece é Tony Ferrino, os naturais cheguem finalmente à conclusão que apesar de toda a subserviência da nossa polícia, da nossa comunicação social e mesmo de parte do nosso povo; nós não ficamos atrás de qualquer súbdito britânico.

Pelo menos enquanto o José Mourinho for português…

Música de Fundo
“My Perfect Cousin” – The Undertones

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O Futuro é já ali em frente
- Reflexões sobre a elasticidade do tempo, e da vantagem que é saber o que está em ambas as pontas do cordel… -

Há cerca de trinta e tal… quarenta anos, eu tinha uma verdadeira fascinação pelo futuro. Maravilhava-me nessa altura ao ler nos Almanaques Bertrand dos anos quarenta, que ainda tenho por aí num canto qualquer, reportagens sobre as cápsulas do tempo que eram enterradas a dezenas de metros de profundidade debaixo de centros comerciais, e outros edifícios dos quais se tinha a certeza irem resistir por largos anos.

Conforme as minhas recordações sobre o assunto; o futuro era à época algo de sabor tipicamente americano. Uma espécie de feira popular que acabaríamos por visitar se conseguíssemos viver o suficiente; e cujo conceito base era tal e qual o de hoje – O futuro seria o presente, acrescido de todos os electrodomésticos possíveis.

Sob certo prisma posso ser considerado um viajante do tempo, pois faço a união entre dois pontos diferentes e equidistantes no “continuum”. E se nessa altura tinha imensa curiosidade sobre o futuro; hoje mantenho uma fiel memória do passado, o que me dá uma boa ideia sobre a diferença entre as duas coisas.

Pelo que sei (e aconteceu logo nos anos setenta) a maioria dos centros comerciais que se encontravam edificados sobre as “cápsulas de tempo”, foram demolidos para construção de outros edifícios. Levando no entulho dos múltiplos níveis de estacionamento os testemunhos de um passado, que não tinha resistido mais de vinte anos.

É apenas por isso que o facto de ter sido indicado pela Hipátia e pelo Naked Sniper para deixar o meu “meme” para a posteridade me dá uma certa preocupação; pois as únicas coisas que me passam pela cabeça como conselhos para o futuro são, “eduquem bem os vossos filhos” ou “deitem as pilhas no pilhão”. Frases estas que daqui a seis mil anos e após sucessivas traduções de Swahili para Cantonês e retroversões de Hindi para Catalão, sem dúvida que serão difíceis de entender.

Sem enviar recados para o futuro, o que poderei deixar é aquele conselho que hoje envio ao Terapia pelo seu aniversário natalício – Não há tempo como o presente! E tudo o que possa manchar essa ideia deixa-o bem arquivado lá para trás. Foi por isso que a esse local deram o nome de passado.

Parabéns Terapia !

Música de Fundo
Zeit” – Tangerine Dream

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Reminiscências (A Cona que Ri)
- Um post a puxar ao ordinário, mas a cagar para tudo o resto… Sim. Pois basta que para tal se cite Victor Hugo… -

Algures perto da base do encéfalo, ainda tenho aquela ténue sensação que talvez de um modo muito particular, descompensado e psicopático ela gostasse de mim. “À sua maneira…” como diria qualquer industrial da construção, extrapolando todos aqueles alardeados sentimentos a partir dos seus.

E era realmente “à sua maneira”, no bom estilo lusitano em que uma cona suficientemente sumarenta, nada necessita fazer além de se disponibilizar a quem queira iniciar a “terraformação” de um novo planeta habitável.

Na verdade, como dizem lá pela invicta, aquela cona “era um mundo”. Mais propriamente um mundo aquático onde todas as sensações se esgueiravam pelo meio de montes de algas ou juncos; um erotismo lacustre onde quem caía acabaria inexoravelmente por estagnar… porque as águas que moviam os juncos estavam mortas.

O espírito que deveria caminhar sobre as águas há muito que tinha morrido, dando lugar a um cicerone falacioso e com tendência para o exagero. Sim! Porque no fundo era apenas uma cona húmida à espera que a “compreendessem”.

Talvez na altura a solução tivesse sido avançar como em terreno conquistado e escravizar todos os sobreviventes; mas eu não “estava pronto”. E normalmente a maioria dos “conquistadores conscientes” são “amantes efémeros” pois nada daquilo tem que ser pensado, mas sim processado a contento e “não se fala mais nisso”.

Cona é cona” – já dizia Miller parafraseando Gertrude Stein (que por sua vez parafraseava a maioria das lésbicas dos anos trinta); e quem quisesse realmente compreender algo no meio de tudo aquilo, tinha apenas que escavar em busca da sua “preciosidade” predilecta (como a farinha, “para a avó e para a neta).

Todas as pistas sugeriam que aquela “exuberância lacustre” se devia a um excesso de expectativas cultivado solitariamente por longos anos de isolamento. Mas vão lá convencer disso alguém que após estar congelado imenso tempo, acredita que finalmente acordou e que o mundo o espera para proporcionar tudo o que faltava até aí…

Claro que acabou por ser um fiasco. Todo aquele oceano de promessas acabou por apodrecer num comodismo húmido; como uma espécie de apartamento degradado onde se passa o tempo a limpar os fungos da cortina do chuveiro. Um esforço inglório de esfregonas gastas por uma casa inundada que ninguém quer habitar.

A partir daí estagnou de verdade; criou limos até às comissuras dos lábios e escreveu em musgo nos azulejos do fundo, máximas radicais como qualquer frustrado suicida fundamentalista.

À semelhança das outras flores carnívoras, conseguiu aliciar e deglutir mais uma ou duas presas; mas o seu metabolismo acelerado não lhe perdoou. Era-lhe impossível renovar-se; pois como qualquer outro carnívoro, apenas da morte conseguia extrair alegria.

Mas os outros aprendiam… gradualmente…

Só para que não fiquem dúvidas. Garanto-vos que era apenas uma cona!

Música de Fundo
Devil Inside” – INXS


terça-feira, 8 de maio de 2007

Hoje não há post
- Apenas para que conste… -

A única coisa que me fez vir aqui hoje dizer algo, foi a consideração devida aos poucos visitantes regulares a quem não gosto de deixar “pendurados”.

Enquanto a Primavera lá fora sorri a toda a gente e vai fazendo desabrochar tudo e mais alguma coisa, eu estou a bater-me na empresa com um inimigo de nove anos. Não. Não enveredámos pelo trabalho infantil; mas trata-se sim do Windows 98 (essa maravilha do milénio passado).

Por razões que demorariam (e para as quais não tenho assim tanto tempo) imenso a explicar, temos uma máquina a que não podemos trocar o sistema operativo; e cada vez que é necessária uma alteração, tudo isto se repete. Mas trata-se apenas de um desabafo meu, pois nada disto é sequer assunto para post.

E ainda bem, porque hoje não há nada para ninguém; e isto é um “não-post”. Por outro lado, também não é uma atitude original pois foi adoptada pelos primeiros surrealistas. Que foram uns tipos muito interessantes, e que sem dúvida num caso como o meu, em vez de dissertarem sobre a matéria, já tinham enchido a merda do computador com certeiros pontapés.

Sem dúvida que assim ficaria com um aspecto surrealista.

Mas o que eu queria hoje, era falar sobre a Primavera. E a prova disso é que já escrevi esta frase quatro vezes, apagando-a de seguida. Sabem?... A Primavera também dá trabalho à brava.

E como isto é - surrealísticamente falando - um “não-post”, basta-lhe a forma, porque o conteúdo é exactamente igual ao que neste momento me vem à ideia. Ou seja… nada.

Agora se me permitem, vou tentar pôr aquilo a funcionar.

Música de Fundo
You Know I’m No Good” – Amy Whitehouse

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A Igreja do Imaculado Blog
- Sobre os fariseus, publicanos, vendilhões e outros merdongueiros… -

Irmãos, há já muito tempo que não subia ao púlpito para vos dar cabo da paciência; mas a minha também está por um fio, e caridade cristã é defeito que não possuo. Por isso ou arrancam já daqui ou perdem o direito a reclamar do sermão.

Ora o tema de hoje são as pessoas.

Tenho antes de tudo que confessar que as pessoas não são algo de que eu goste por aí além; e mesmo as do sexo feminino, têm que fazer algo mais do que abanar o leque para conquistar o meu apreço. Mas o que me chateia de sobremaneira são os “canibais”.

Os canibais (embora neste caso específico, possam ser apelidados conforme as designações em epígrafe) são tipos/as que se alimentam do seu semelhante, comendo-lhe a vida e chupando-lhe o tutano da carteira. Tudo isto com o mesmo sorriso com que vão levar os filhos à catequese.

Antes que esta diatribe comece a provocar urticária nos mais sensíveis de vós, passo a explicar.

Neste momento em que a economia nacional necessita de reduzir drasticamente o desemprego, o presidente da APED Luís Vieira e Silva aproveita para vir chantagear o país com a ameaça de mais seis mil despedimentos, em troca da autorização para abertura aos domingos (manhã e tarde) e feriados das grandes superfícies; o que alegadamente iria favorecer a criação de quatro mil postos de trabalho.

Este malabarismo aritmético só é possível numa terra em que os habitantes se habituaram a olhar para o outro lado cada vez que dão de caras com a desgraça alheia; e em que a palavra exploração lhes vem aos lábios apenas quando “o fogo lhes chega ao cu”. Em suma, o tipo de atitude típica de alguém que se julga acima da desgraça; e por tal, sujeito a muitas e desagradáveis surpresas.

Luís Vieira e Silva crê piamente que os consumidores partilham o desejo da associação de ter as grandes superfícies abertas todos os dias, e como tal vai aliciá-los para subscreverem um abaixo-assinado que será apresentado ao Governo para modificar a lei.

Esta fé inquebrantável é sem dúvida apoiada no seu conhecimento da natureza humana, e na habitual atitude egoísta da maioria das pessoas. Pois ninguém quererá saber quem vai ter que se sacrificar para que possam andar às compras com toda a família atrás a um domingo. A não ser que lhes calhe na rifa terem que aprender da pior maneira, o significado das palavras “polivalência” e “flexibilização”.

A alegação (considerada pela APED) mais importante entre doze, para que o Governo permita o funcionamento das grandes superfícies nos domingos e feriados é - “serem cada vez mais as mulheres que trabalham fora de casa e os homens que partilham a tarefa das compra”…“Ora quando há mais tempo para as compras é precisamente ao fim-de-semana”.

Este brilhante esforço dedutivo tem um atraso de mais de vinte cinco anos, pois tanto na minha família como na maioria das que conheço, as mulheres sempre trabalharam fora de casa (pelo menos desde a geração da minha avó, que nasceu em 1916); já não contando com o facto óbvio de o fim-de-semana ser quando há mais tempo para tudo.

Excepto se estivermos a falar dos milhares de pessoas que trabalham no comércio e suas famílias, que deixarão de ter direito a todas essas coisas para que as empresas de distribuição possam fazer mais uns trocos; com o bónus de arrasarem mais um pouco com os seus concorrentes do comércio tradicional.

Nada disto me afecta pessoalmente.

O único motivo que me faz estar num domingo a escrever isto, é porque me lembra seriamente aquele poema de Bertolt Brecht que tanta gente copia e parafraseia, mas do qual muitos se esquecem nestas ocasiões.

Um dia em que vos toque a vós, lembrem-se apenas dos funcionários das empresas de distribuição.

Música de Fundo
Deiamonos as Mons” – Trabalhadores do Comércio

sexta-feira, 4 de maio de 2007


Hoje só vos digo isto...

Qualquer rinoceronte quando vem para a blogosfera grita alto e bom som que é um unicórnio.

Bom fim-de-semana!

Música de Fundo
Yul Brynner Was A Skinhead” – Toy Dolls

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O Meu Feriado
- A explicação final para o facto de eu não tirar os óculos escuros desde o 1º de Maio… -

Há já vários anos que não comemoro esta data; porque além de não ser tipo dado a grandes comemorações, acho também (e principalmente) que já não temos nada para comemorar.

Os trabalhadores (não só os que trabalham, mas também aqueles que apenas têm emprego) cada vez estão em piores condições; apesar de tudo o que se possa alegar como melhoria no seu nível de vida. E os sindicatos de há muito tempo para cá, transformaram-se numa espécie de associação de trabalhadores, que vivem à custa dos outros trabalhadores (não sei porquê, mas isto faz-me lembrar algo).

Mas não é para choramingar sobre a situação da massa laboral que aqui estou hoje; vendo bem, ninguém me paga para isso como a esses “trabalhadores” que indiquei anteriormente. E sem dúvida que tiveram (talvez imerecidamente) um 1º de Maio muito mais feliz do que o meu.

Espantosamente, e apesar de estarem anunciadas multidões para a comemoração do evento; o certo é que em vez de irem para a manifestação em Lisboa, toda aquela malta decidiu ir visitar o Feijó, quiçá para aproveitar a inauguração do raquítico “metropolitano de superfície” que nos impingiram.

Estava eu pois a cruzar a zona do depósito de água, quando achei por bem ultrapassar a fila de trânsito, que decidira parar e apreciar a paisagem do Mercado de Levante e os seus montes de detritos deixados pelos feirantes.

Obviamente foi um erro. Quando pedalava mantendo cuidadosamente as rodas sobre o traço descontínuo, um automobilista mais curioso tentou espreitar para a frente da fila sem sair do automóvel; no exacto momento em que eu passava por ele. Aí, desviei-me para a faixa contrária.

Infelizmente, em sentido contrário o trânsito não estava parado, nem pouco mais ou menos; pelo que tive em urgência de causa (há anos que ando para utilizar este termo) que reverter à minha posição original na fila que me correspondia.

Ora como todos sabem à semelhança da astrologia, o ciclismo não é uma ciência exacta.

Ao passar rasando uma carrinha Mercedes CDI, o manípulo direito do guiador embateu no retrovisor esquerdo do referido veículo, o que fez a roda da frente colocar-se em posição transversal. Constituindo um grande problema de física, pois a massa deslocada não podia parar instantaneamente.

Mas foi o que aconteceu.

Para abreviar este relato (que me está provocar dores excruciantes) basta dizer que aterrei todo junto em frente a um veículo na faixa contrária, isto sem largar a bicicleta. Não porque seja do género atlético, mas sim porque o instinto de sobrevivência é das coisas mais fortes que temos; levantei-me instantaneamente e arrastei a bicla para a berma.

Após 15 minutos de desempanagem a pontapé e anti-sépticas cuspidelas sobre as feridas, regressei a casa mais rico do que tinha saído. Além do veículo (que estranhamente pouco sofreu) levei ainda comigo uma rotura de ligamentos no polegar esquerdo, um cotovelo e dois joelhos esfolados, e para rematar, um impressionante olho arroxeado (no sobrolho do costume, o esquerdo).

É por isso que hoje mesmo chovendo torrencialmente, continuo sem tirar os óculos escuros. E a quem me pergunta com expressão pesarosa o que aconteceu, respondo prontamente que caí da bicicleta. Coisa que ninguém acredita, como se eu fosse apenas mais uma vítima de violência doméstica.

Música de Fundo
Just Like Fred Astaire” – James

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