sábado, 29 de setembro de 2007

Já não era sem tempo!...
- O fim de um jornal é sempre uma coisa triste. Desde que se trate mesmo de um jornal, claro… -

Em Julho de 1998, a “jornalista” Palmira Correia teve o seu pequeno momento de fama, quando colocaram na primeira página o seu artigo brilhantemente intitulado “ESTE MINISTRO PAGA SEXO NA INTERNET”.

A fotografia de José Maria Carrilho (com a sua habitual expressão de ornitorrinco perplexo) encontrava-se lado a lado com uma sequência de “strip” levada a cabo por um magricela fardado, que pelo que era dado a ver até poderia ser de guarda-freio da Carris. Enquanto o texto afirmava - "Sexo de toda a maneira e feitio, mensagens gays e lésbicas, anúncios de casas de meninos e meninas. É na Internet, numa página promovida e paga pelo nosso Ministério da Cultura"

Era assim que o "Jornal" Tal & Qual, pela pena da referida funcionária assinava a sentença de morte do Terràvista. Uma das melhores (e até à data pouquíssimas) iniciativas na área da Internet, patrocinada por um governo deste país.

Na verdade o alegado “site porno” (um entre quase 80.000 páginas pessoais) apenas tinha alguns desenhos de personagens de “anime” com umas mamas à vista, e links para sites de soft-porn de duvidosa qualidade (as fotos nem sequer estavam lá alojadas, apenas os links).

Um pouco infantilmente, e também porque não estava para se chatear com coisas que não percebia (a Internet; e não a pornografia), o tipo mandou encerrar de imediato todo o sistema.

E embora a equipa responsável pelo sistema tenha conseguido um pequeno adiamento (encerrando por dois dias, mas voltando a abrir os acessos), a auto-estima do ministro não aguentou pérolas como - "Um projecto do Ministério da Cultura destinado a estimular os jovens a utilizarem a rede de Internet transformou-se num verdadeiro supermercado de sexo, pornografia e prostituição. Um escândalo que o ministério de Manuel Maria Carrilho desculpa com o respeito pelos princípios da "liberdade de expressão". – acabando este por ordenar o encerramento definitivo do Terràvista.

Por isso a única coisa que me ocorre neste momento é – VÃO-SE FODER E NÃO VOLTEM!...

Música de Fundo
The Hell of It” – Paul Williams
(Phantom of Paradise OST)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Dêem lá uma abébia ao filho do Sting, pá!...
- Um chorrilho de generalidades e “faits divers” bem ao estilo dos discursos de Marques Mendes… -

O mundo é um lugar cheio de desilusões. Ainda até ontem eu pensava que os monges budistas eram uns tipos calmos e silenciosos mas danados para a porrada, assim ao estilo do Eduardino do Cais do Sodré.

Nada mais falso. Não só os monges da antiga Birmânia estão a levar “para o tabaco”, como venho a descobrir que o Dalai Lama não sabe Kung-Fu; e ainda que Sting não é muito melhor que o Toni Carreira. Pois exigiu como condição “sine qua non” a actuação da banda do seu filho Joe na primeira parte do concerto dos Police, em troca do beneplácito para a sua presença.

Quanto a este último aspecto (que foi fielmente relatado pelo produtor do espectáculo em entrevista dada à TV) não o devemos encarar com muita severidade, pois o tipo não é menos do que o “nosso Toni” e também tem direito à sua fatia dos nossos “brandos costumes”; com a grande vantagem do puto não ter a aparência sebosa do “nosso Michael”.

Agora (diga-se em abono da verdade) Joe Sumner não é nem pouco mais ou menos parecido com o paizinho Sting, dando mais aspecto de ser filho do Stewart Copeland (mas isso poderá ser apenas um efeito secundário do “sexo tântrico). Gostei especialmente da parte em que ao lhe perguntarem a opinião sobre a música do pai, respondeu – Hummm… It’s okay!...

Esta semana tem sido assaz fértil em acontecimentos. Mahmoud Ahmadinejad (esse Vítor Espadinha do Mundo Islâmico) confidenciou a uma audiência de intelectuais e escolásticos, que finalmente conseguiu erradicar do Irão o flagelo da homossexualidade. Nem a aparência persa e levemente amaricada de quase metade da audiência, lhe deu sequer uma ideia de onde eles se possam ter refugiado; nem porque os intelectuais americanos tanto detestam o Irão.

Mais grave ainda é o facto de Miss Entropia (que se encontra no nono mês de gravidez) não haver meio de se “despachar”, pois aparentemente a pequena Leonor recusa-se a sair devido à gritaria que o avô costuma fazer cá fora durante as horas de expediente.

Acho que para a fazer saír vamos ter que recorrer a ameaças de despedimento…

Agora a minha maior desilusão foi mesmo o Dalai Lama. E eu a pensar que o gajo era danado para a porrada…

Música de Fundo
Breaking The Law” – Judas Priest

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Les Bêtises
- Um texto circular, onde quase tudo dá a volta. Ou não fosse a linguagem para a maioria das pessoas, apenas um modo de “dar a volta” a algo… -

Houve um ponto a meio desta minha acidentada viagem para a morte, em que eu aparentemente teria que decidir o que vir a ser num futuro provável. Face a uma grave escassez de modelos viáveis, optei por uma solução de compromisso; na qual em vez de me tentar tornar designadamente algo, apenas me limitaria a evitar a queda em opções que de modo algum me satisfariam. Ou seja, decidi “o que não seria”.

Na minha infância, sempre fui considerado pelos adultos como um puto embirrento. Nada disto é excepcional se tivermos em linha de conta que a maior parte dos miúdos são socialmente isso mesmo, embirrentos, inoportunos e demasiado observadores.

Alguns tabefes judiciosamente aplicados, foi quanto bastou para que esta minha tendência perscrutadora se refinasse, passando à clandestinidade e transformando-se numa segunda natureza. Nessa altura compreendi o que é que a bíblia tem contra o julgamento (“Não julgueis para que não sejais julgados”. Mateus 7:11).

É o julgamento que nos fornece conhecimento sobre os outros; e é da qualidade desse julgamento que depende a percepção dos desejos, dos objectivos e das motivações que impulsionam todas as pessoas à nossa volta.

A fase seguinte para o “entendimento do próximo” é fácil. Ou se opta por ouvir o que dizem (a “abordagem naïve”), ou por analisar o modo como é dito (um sistema mais fiável, uma vez que a maioria das pessoas não diz “o que quer” mas sim “como o quer”).

E é aqui que isto começa a tornar-se interessante. Semelhante a um actor que à força de vestir um fato de gorila se convence ser capaz de proezas físicas excepcionais; quem utiliza vocábulos para disfarçar o que não quer deixar transparecer, tem tendência a repeti-los a despropósito uma vez que não lhes reconhece um valor real e fixo. Caindo no que se pode facilmente considerar como comportamento (neste caso loquacidade) deslocado.

(esta enorme seca, serve apenas para ilustrar a minha opinião sobre certos tipos de linguagem; e não deve ser usada como referência técnica em teses de doutoramento, ou artigos para o Correio da Manhã)

É pois aquele que não reconhece o valor das palavras (ou que as desvaloriza, usando-as apenas), quem mais facilmente se vê descoberto ao se tentar esconder por detrás delas. O que me conduz circularmente ao início deste post.

Quando eu era puto decidi o que nunca viria a ser. E uma dessas coisas era o tipo de idiota que se esconde atrás de algo que não compreende ou aprecia.

Para amar as palavras é preciso primeiro conhecê-las intimamente. E nada melhor que o amor pelas palavras para nos fazer diferençar entre as verdadeiras e as falsas.

Talvez seja por isto que as palavras e as pessoas têm tanto em comum.

Música de Fundo
The Pretender” – Foo Fighters

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Dia Mundial da Embirração
- O Spleen!... Ah, o Spleen; meu caro Dâmaso!... -

Estou aborrecido!

Ok! Eu sei que não é coisa que se venha para aqui confessar, e que até maleitas de “amor” são um item com muito mais “saída”. Mas o certo é que quando tudo decorre dentro de uma aparente normalidade, é bem difícil encontrar algo para relatar e que não me dê sono enquanto o escrevo. Embora no fundo, “blogar” seja mais uma questão de forma do que propriamente de conteúdo.

Mas este é um estado de perigo latente. Pois quando me aborreço tenho tendência para “variar” de registo, e tanto me posso tornar num poeta lamecha cujos pores-do-sol são compostos por corpos suados envolvidos em algodão doce; como no Howard Stern da blogosfera, e desatar p’raí a chatear qualquer pacífico blogger que cruze o meu caminho.

Um pouco na “onda” dos meus “Escritos Embirrentos” e cumprindo a ancestral tradição de “bater no ceguinho” (sim, que “espancar o invisual” soa muito a prazer sexuado e solitário), poderia trazer-vos hoje um léxico de termos comummente usados na “blogolândia”, sem dúvida um precioso instrumento de apoio a novos e recém-chegados bloggers; e cujos significados seriam um pouco diferentes daqueles que lhes são habitualmente atribuídos na “vida real”.

… Mas por esta altura já eu tinha concluído que ir novamente embirrar com o uso dado a termos como “cumplicidade”, “delícia”, “partilha”, “sintonia” e “utopia”; não iria resolver aquele pequeno problema da “insuficiência postativa”. E que nem mesmo um neo-pleonasmo como “inerente” (sig. inner-entre), conseguiria fornecer combustível suficiente para manter um post a “velocidade de cruzeiro”.

Entretanto a manhã ia já avançada e de assunto para post, nada. Por breves momentos estive tentado a telefonar para a GNR e denunciar os dois ciganos que costumam fumar “chinesas” na carrinha estacionada aqui em frente. Mas seria mau investimento pois esse divertimento só daria para uma vez, e eu já estou habituado a admirar com as suas caretas; especialmente quando queimam os dedos no papel de alumínio.

Fui ler blogs. E então aí tive o supremo gozo de ler um dos posts mais idiotas e ressabiados dos últimos meses; é claro que era sobre José Mourinho. Eu até punha o link para lá. Mas aquele blog é uma merda tão grande, que não lhe vou dar a mínima hipótese de contabilizar publicidade à minha conta.

O mais engraçado disto tudo, é o que a única coisa que no referido post apontam ao homem, é o facto de ele não partilhar o que tem com seu semelhante. E esta parte então é hilariante; porque tal como eu costumo dizer, “se fosse realmente semelhante, não precisaria que eu partilhasse fosse o que fosse”.

Não que eu sinta afinidade com o Mourinho, pois o tipo tem lá a vida dele e eu não sou muito de me ligar a gajos; nem de me pôr com invejinhas, só porque um tipo se safa melhor do que eu.

E quando quero embirrar não preciso de arranjar desculpas. Basta apanhar um idiota ao acaso (que os há “aos molhos) e tenho o dia ganho.

Música de Fundo
Jonathan Livingston Seagull” – Neil Diamond
(LoL – Era a brincar)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A Lista dos Dez
- A Maria Árvore passou-me esta corrente dos 10 livros que ‘mudaram a minha vida’; mas eu tenho que explicar. E nisto das explicações dou tantas voltas como um gato antes de se deitar. -

Um livro (bom ou mau) muda-nos tanto como qualquer outra coisa que se passe na nossa vida. A diferença está no facto de em determinada altura darmos aos livros, uma conotação dramática de marcos colocados através da existência, como se fossem postos da BP.

Os livros que se seguem foram e são ainda bons amigos, que releio às vezes. Alguns têm um cheiro característico, outros destacam-se pela sua textura ao tacto; ainda outros reconheço-os de longe pelas lombadas esfarrapadas e cores meio esbatidas. Todos eles me deram algo, tal como devem dar os bons livros.

1 – ‘Les Onze Mille Verges ou les Amours d'un Hospodar’ de Guillaume Apollinaire. - Para aqueles que tenham sequer a veleidade de pensar que estou a ‘dar uma’ de intelectual, desenganem-se. Li-o muito cedo e foi para mim o ‘manual do pequeno libertino’, com o qual aprendi sobre o mundo coisas tão estranhas, como o facto de uma grande parte dos apelidos romenos terminarem em ‘cu’ (e talvez devido a isso alguns deles terem um ‘andar parisiense’).

2 – ‘Um Estranho numa Terra Estranha’ de Robert A. Heinlein. Uma antecipação do que mais tarde seria “A Igreja do Imaculado Blog”, mas em versão ‘anos sessenta’. Daí que todos sejamos pedaços de Deus, e por tal incompatíveis com a doutrina da Igreja de Roma.

3 – ‘Desporto Rei’ de Romeu Correia. Um romance que o próprio autor me descreveu um dia, como sendo um dos menos importantes. Mas que à sua maneira provinciana coloca em verdadeira perspectiva o mundo do futebol. (Estão a ver… Para eu referir aqui um livro sobre futebol, é porque se trata de algo especial).

4 – “A Odisseia” de Homero. Embora um poema épico e outras coisas que tais, é também um dos melhores estudos sobre como lidar com a adversidade. Acho que Odisseu foi o meu primeiro super-herói favorito.

5 – “À Pesca do Cachalote”, Mario Ruspoli. Retratando o percurso de um jovem pescador norueguês no circuito da pesca aos cetáceos durante os anos 50. Descreve desde o ambiente industrial dos gigantescos navios-fábrica, ao modo ritualizado de como matar um cachalote, testemunhado nos arpoadores açorianos que se faziam transportar em precárias embarcações a remos.

6 – ‘Trópico de Câncer” de Henry Miller. Foi o que me fez interrogar sobre a que ponto um determinado indivíduo terá que cair, para que a sua escrita se comece finalmente a tornar autêntica. Um escritor verdadeiramente livre passa uma vida desgraçada, que o diga Pacheco; mas alguém tem que falar das coisas tal como são.

7 – “Poesia Toda (1&2)” de Herberto Hélder. Alguém de quem admiro o modo como dispõe as palavras; especialmente nestes dois volumes.

8 – “Metrofago” de Richard Kadrey. Um livro da segunda vaga da corrente Cyberpunk. Na linha de Phil K. Dick e William Gibson, uma digressão pela Los Angeles alucinada de uma era qualquer, em que se pode efectivamente disparar sobre JFK por apenas uns cêntimos; basta que tenha uma tomada craniana.

9 – “Cândido” de Voltaire. Uma obra plena de intemporal actualidade, posto que todos os países têm o seu Dr. Pangloss e são povoados por Cândidos. Sempre considerei Cunegundes como a Barbarella do Século XVIII.

10 – “Contos do Gin-Tonic (e Novos Contos do Gin)” de Mário-Henrique Leiria. Para representar à lareira em noites de Inverno, com gato, almofadas, chá e um esturjão.

Não passo a corrente, mas isso já sabias

Música de Fundo
Open Book” – CAKE

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O Pinguim à Janela do Outono
(Memórias da linguística pátria)

Ele conhecia desde sempre aquela janela.

Já na Primavera quando por lá passava, via a Dona Alice a ajeitar os cortinados, a arejar a casa ou a sacudir o tapete da entrada. Rotina que se estendia através do Verão, e que do Outono continuava pelo Inverno adentro. Cíclica e regulada, como a vida num relógio de Sol.

As primeiras chuvas tinham já aparecido timidamente, e o miúdo transportava a sacola com os livros e a régua de plástico; admirando os bonecos da Mocidade Portuguesa que desfilavam na capa, garbosos como camponeses endomingados (o que era reforçado pelas alegres faces coradas).

Nesse dia reparou que a Dona Alice estava a “dar ar ao pinguim”. Salutar hábito este, que naquela altura era muito difundido como antisséptico e de propriedades descongestionantes; podendo arejar-se desde colchas e coxins até fardas de gala, e mesmo avozinhas ressequidas pelas quais o míldio se tivesse propagado de forma mais ou menos inquietante.

Esfregando judiciosamente nos calções o dedo que acabara de tirar do nariz, observou o cuidado com que a mulher passava um pano húmido pelas dobras do bicho, tirando-lhe os restos de poeira que se acumulavam na aba da cartola, e como destramente passava “Solarine” na pequena bengala em latão esverdinhado.

Pinguins como aquele não se viam todos os dias! Tinha cerca de sessenta centímetros de altura, e com esse tamanho devia coroar um frigorífico enorme; talvez um “General Electric” ou um “Westinghouse”.

Nessa altura, a maioria dos poucos frigoríficos existentes em Portugal tinha sobre si uma estátua cerâmica representando um pinguim, muitas vezes de cartola e bengala; tal como por cima do banco traseiro de cada automóvel, descansavam proverbialmente um tigre ou um leão, daqueles que abanavam a cabeça ao menor movimento do veículo.

Naquele ano, as tardes de Outono estendiam-se sobre a terra como uma roçagante colcha de retalhos matizados a ouro velho; fazendo as ruas parecerem um gigantesco “Mar dos Sargaços” onde vogassem automóveis.

Regressando da escola, o miúdo parara no café do costume para comprar uma pequena bengala de alcaçuz, que se entretinha a mordiscar no caminho para casa quando o bafo quente o alcançou.

Ao levantar os olhos da guloseima, viu claramente escancarada a janela da Dona Alice por onde saíam labaredas numa maré crepitante e contínua, que os bombeiros recém-chegados tentavam atravessar para poderem resgatar os moradores.

Assistiu curioso ao acidentado desfile de velhos aparadores, uma telefonia Normende, o Chefe Rudolfo com um gato debaixo de cada braço e finalmente a Dona Alice abraçada ao seu precioso “Spheniscidae”. Ficou ainda um pouco à espera mas não saiu mais nada; pelo que decidiu “meter o bedelho” para lá das ombreiras chamuscadas.

Conheceu finalmente o segredo… a velha nunca tinha tido frigorífico.

Sendo de posses por demais modestas para esse tipo de comodidade, mas decidida a não o demonstrar, a Dona Alice comprara o maior pinguim de louça que conseguira encontrar, e tratara dele pública e desveladamente; levando “à certa” as vizinhas e todos os transeuntes, que durante anos a admiraram na sua tarefa de alisar com carinho as imaginárias penas da gigantesca ave de porcelana.

Ainda hoje o miúdo (agora mais crescidinho) quando lhe testam a paciência tem por hábito dizer – Não venhas para aqui “afagar o pinguim”… o que conta é o frigorífico.


Música de Fundo
Running With The Devil” – Van Halen

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Igreja do Imaculado Blog
- A VERDADE é como o vinho do Porto… Quando vamos ler o rótulo verificamos que (em certos casos) foi produzido na Califórnia… -

Irmãos! Não fosse eu andar ocupadíssimo, e viria aqui para dar umas arrochadas no toutiço de um tal John Cotta que nas caves Baywood , faz Porto de 10 anos a partir de cepas compradas em Portugal. Melhor ainda; esse “Porto” ganhou uma medalha de ouro em 1996.

O que nos traz mais propriamente ao verdadeiro tema deste sermão. A autenticidade; o produto mais piratado do mundo… mais ainda que o software da Microsoft.

Como já devem ter reparado, ainda não dediquei uma única linha a alguns dos assuntos que têm preenchido o quotidiano deste universo “blasé” em que a blogosfera se transformou. Por exemplo, o falecimento de Eduardo Prado Coelho; que tenho eu a dizer sobre isso?

- Bem… Para começar, Eduardo Prado Coelho era sem qualquer dúvida um homem bom. E afirmo-o com segurança, porque se não o fosse não teria ainda tanta gente a querer pedacinhos da sua literária carcaça, para poderem mais tarde fazer constar que de algum modo estavam ligados a ele.

Eu fiquei-me pelo “Reino Flutuante” e nunca mais o li. Não que desgostasse, mas nunca gostei de complicar as coisas; e o tipo era acima de tudo aquilo a que eu chamo “um complicador”. Alguém que pega na simplicidade da vida e a transforma em símbolos matemáticos de modo a que todos precisem de um intérprete. Agora que foi uma pena, foi.

Presunçoso ou não, era do melhor que cá tínhamos no género.

Quanto ao último “Portugal-Inglaterra” cujo prolongamento ainda está a decorrer na Judiciária de Portimão, será aconselhável cada um rever as suas opiniões e palpites sobre o caso. Não que eu não goste de boa ficção, mas torna-se um pouco constrangedor verificar que a maioria dos opinantes diz mais sobre si próprio a falar destas coisas, que numa sessão de autocrítica na saudosa UDP.

Isso se não contarmos com o facto de neste momento todo o governo de Sócrates se encontrar escondido atrás da pequena Maddie. O que se levarmos em conta o facto de não conseguirem sequer encontrá-la, se transforma numa singularidade metafísica, semelhante à do tal gato que está não sei onde apenas até precisarem dele (tal como os táxis, quando preciso de um).

E poderia continuar aqui indefinidamente a dar tabefes a torto e a direito, mas confesso que vim apenas “picar o ponto”; pois sentimentais como são na minha empresa, guardaram-me fielmente todo o trabalho que apareceu durante as férias.

Só tenho coisas que me ralem!...

Música de Fundo
Hunting For Witches” – Bloc Party

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Oásis de Jamila
(exercício de estilo)

Seus olhos são duas jóias assírias

rios gémeos
nascidos da pena de um calígrafo


Os lábios como frutas vermelhas

são gomos carnudos
de um sabor estrangeiro


A voz
com uma suavidade de al-Ud

é veludo perfumado que acaricia os sentidos
como rosas de Alexandria


Tâmaras de paixão escarlate
coroam os seus seios

alperces feitos de desejo


No corpo ágil como vime
as coxas revelam o mármore róseo da nascente

El ladid
fonte salgada
que nunca mata a sede…


Música de Fundo
The Joker” – Steve Miller Band

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Metódica Paixão

poderia sem esforço escrever-te
em palavras e suspiros decalcados
da vida de poetas
mortos há muito

poderia desenhar-te
como um jardim de seixos
plantados em areia
e perder-me na imagem do teu corpo
em explosões circulares
caleidoscópicas

poderia até cantar-te
para ecoar apenas som

um ruído longínquo de vagas esmagando-se nas rochas
e regressando ao mar

tudo isso já fiz

por isso hoje
espero em ti
o palpitar carnívoro
da flor secreta que guardas para mim.

Música de Fundo
Last Good Day of the Year” – Cousteau

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