segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Grande Marcha dos Canalizadores Para Norte (2)
- Sobre a rápida expansão do “Nacional-Pelintrismo” e da sua influência na subida do meu colesterol, bem como na diminuição da minha tolerância para com “empresários”. Ou uma análise lúcida, glícida e lípida sobre o modo como se convida alguém para algo que invariavelmente se transforma num frete, e de modo a servir apenas os interesses do primeiro interveniente. -

Existem tendências generalizadas, capazes de colocar qualquer país (mesmo que lhe auspiciem um prometedor e brilhante futuro) num cenário terceiro-mundista, por mais branca e caucasiana que seja a sua população. E hoje venho falar-vos do “Nacional-Pelintrismo”; uma antiga e muito difundida doutrina sócio-politica presumivelmente originária dos Balcãs.

Os Napis ou membros do Movimento Napista (que advoga o “Nacional-Pelintrismo” como via para criar um “Rancho de Mil Ânus), são a viva expressão de uma mentalidade desviacionista contrária ao progresso e ao desenvolvimento do espírito humano.

A maioria deles ocupa nichos mais ou menos confortáveis na economia dos diversos países, gabando-se ocasionalmente de terem atingido tal posição através de meios pouco éticos, ou aproveitando-se da distracção dos seus compatriotas mais descuidados na vigilância ao porta-moedas.

Porém nem tudo é tenebroso debaixo do regime Napi.

Esta sexta feira uma empresa controlada por alguns deles, convidou-me para a CONCRETA, que se realiza na Exponor. Ora se não sabem ficam a saber que a CONCRETA é onde os Napis realizam a maior parte dos seus negócios. Mas para que tal corra a contento, têm que apresentar aos representantes das multinacionais do sector um razoável séquito de seguidores ou clientes; que normalmente aliciam com base em falsas promessas para que estes os acompanhem.

Desta vez ainda foi pior que há dois anos. Após quase seis horas de viagem num autocarro conduzido por um motorista que decerto estava em fase terminal de Parkinson (além de quase ter esmagado um peugeot 106 num estreitamento de via, conseguiu acertar em todos os buracos e pequenas depressões existentes na auto-estrada do norte), chegámos à Exponor por volta das 14h.

Ainda nenhum de nós tivera sequer tempo de articular o vocábulo “almoço”, e já nos faziam passar pelo check-in aproveitando para ficar com os nossos dados pessoais de modo a poderem mais tarde invadir a nossa privacidade com correspondência indesejada.

Eu pessoalmente como trabalho há vários anos sob o regime Napi, dei o nome e morada do médico que mora ao meu lado (o tal tipo que tem aquele odioso caniche branco que não deixa dormir ninguém); o que decerto lhe proporcionará uma agradável variante à leitura das “papeletas” que vêm dentro das embalagens de medicamentos.

É natural que não tivéssemos conseguido pronunciar a palavra “almoço”, porque após nos darem um saco com o famoso “kit do visitante profissional”, informaram-nos que devido a razões que aparentemente não estavam para nos explicar, teríamos que subsistir até às nove da noite com uma dieta de cerveja, mini-rissois e amendoins salgados.

Estávamos pois prisioneiros numa espécie de campo de concentração Napi; cuja única vantagem era estar cheio de demonstradoras de todas as raças e credos. Algumas delas também prisioneiras a avaliar pelas expressões apresentadas, que iam do sorriso amarelo ao manifesto estado cataléptico.

Por momentos estive tentado a mandar a boa educação às urtigas e ostensivamente sair do pavilhão em busca de um restaurante decente. Mas estava acompanhado de meu amo que é um Napista convicto, que logo me apontou inúmeras vantagens (todas elas idiotas) da alimentação à base de fritos e lúpulos seleccionados.

Uma vez que estava cercado, dediquei-me a atestar metodicamente o depósito até um nível que não me subisse o colesterol além dos 250, nem me fizesse por desvairo pedir emprestadas as andas a um mimo que por ali circulava de fato macaco amarelo, e que tentava manter-se em cima delas enquanto fazia publicidade a uma coisa qualquer; que eventualmente estaria relacionada com essa embirrenta cor.

Penámos pelas quatro (?) naves de pavilhão industrial por mais algumas horas, recolhendo folhetos de materiais, sacos de plástico com publicidade e voltando ocasionalmente ao Stand do anfitrião para vingativamente lhe tentar esvaziar os barris de SuperBock.

Entretanto assistimos a alguns espectáculos de saltimbancos, como foi o caso da trupe dos ciganos da tribo Bosch. Que se calhar estavam ali para serem remetidos às câmaras de gás (ou se não estavam, pelo menos mereciam…); e que enquanto esperavam iam aliciando os passantes para acertarem num alvo com bolas adesivas e ganhar um prémio qualquer.

Meu amo logo quis alardear a sua pontaria. Isto porque quem segurava nas bolas era uma loura (da qual nem digo a nacionalidade para não me chamarem racista) com um ar muito “vivido” que envergava umas calças de cós tão baixo que se via praticamente toda a “Whale Tail”. É claro que antes teve que preencher a fichinha com todos os dados pessoais; mas de nada lhe serviu porque tinha a telemetria afectada por toda aquela cerveja que lhe gorgolejava no bandulho.

Mas foi bonito. Porque para tomar balanço deu um encontrão no mimo, que por pouco não saltou das andas para cima dos outros concorrentes que faziam fila por detrás dele.

Foi o sinal de que as coisas começavam a sair dos eixos. E o anfitrião não querendo ficar mal visto pelo fabricante dos equipamentos, lá se convenceu que seria melhor levar-nos a jantar do que deixar a sua reputação ser manchada em nome do “Nacional-Pelintrismo”; pelo que passámos a acrobata que descia do tecto por um cordão de cortinado e atingimos o ar fresco da liberdade.

Só lá pelas duas da manhã eu conseguiria regressar a penates, depois de um típico jantar Napi e mais umas quantas horas de autocarro; com uma incrível neura que apenas se dissipou na manhã seguinte à conta de 15km de bicicleta.

Porque essa sexta-feira ficará sempre na minha memória como um dos mais inúteis sacrifícios em prol do sector da construção, venho aqui deixar bem patente que esta hedionda filosofia alastra já por todo o mundo que a pouco e pouco vai sendo submerso pelas trevas do “Nacional-Pelintrismo”.

Se não acreditam, vejam aqui como os McCann já puseram a miúda a facturar

Música de Fundo
Why do I Keep Counting?” – The Killers

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Grande Marcha dos Canalizadores Para Norte (1)
- Onde à semelhança de Franz Leydig (o genial autor de “Zur Anatomie der männlichen Geschlechtsorgane und Analdrüsen der Säugetiere”) o autor se debruça um pouco sobre a natureza das migrações cíclicas de construtores civis, em direcção a eventos assaz desinteressantes. –

Não contente por tentar durante toda esta semana fazer-me uma lavagem ao cérebro com teorias de gestão completamente surreais (que culminaram numa quase desastrosa reunião com um cliente hoje ao fim da tarde), meu amo teima em levar-me amanhã à CONCRETA. A grandiosa feira para fetichistas de equipamentos de construção.

Já há dois anos passei mais tempo no trajecto que propriamente no certame; mas desta vez levo o leitor de MP3 e uma venda para os olhos, de modo a passar pelas brasas e conseguir pôr o sono em dia.

É realmente estranho como empresários com responsabilidades e afazeres inadiáveis (a maioria diz que mal dorme), nestes casos se prontificam a ficar a maior parte do dia na reclusão de um autocarro, apenas por causa de um almoço e meia dúzia de expositoras envergando trajos alegóricos de Lycra e capacetes com kit “abafador de ruídos”.

Mas é apenas mais um dia de trabalho. E assim levo a minha “gSmart Mini3” na esperança de captar algum daqueles momentos inesquecíveis produzidos por esse tipo de eventos.

Uma vez que os nossos “patos bravos” são paradoxalmente animais sedentários, será igualmente interessante anotar o seu comportamento em grupo e fora do habitat natural (embora alguns deles ainda digam “há bitaites). Deixemos pois que se inicie a épica jornada.

Desejem-me sorte. Que paciência não tenho nenhuma.

Até segunda e bom fim de semana.

Música de Fundo
Calling All The Heroes” – It Bites

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Um Autêntico Cu
- TvRabo, NetRabo e finalmente o RaboFone com o qual a sua opinião valerá nais… –

Sou um tipo habituado a respeitar contratos; mesmo que estes sejam escritos com letra miudinha (Times New Roman 8) e tenha que colocar os meus óculos à Salazar (que uso apenas em casos desesperados) para os ler. Mas o que não conseguem fazer é obrigar-me a engolir um serviço de merda acompanhado de um sorriso.

Nem mesmo com o aparecimento das três adolescentes que dão a cara (e o resto do corpinho) pela campanha a minha disposição melhorou.

Aliás, antes de ver a Teresinha (que aparentemente representa o produto TvRabo) pensei que aquilo estava cheio de incompetentes, alguns deles não falando sequer um português minimamente inteligível; que isto dos call-centers é o ideal para empregar as filhas da porteira, filhos ilegítimos tidos com ganesas e aquela senhora brasileira que é tão simpática que merece que a ajudem (LoL).

Não tenho nada contra os filhos dos outros (ilegítimos ou não), ganesas ou brasileiras. Poderia até dizer para me desculpar, que tenho imensas amigas brasileiras mas isso seria mentira; esse segmento é mais dedicado a tipos como aquele para quem trabalho. Agora à chulice, já estou habituado desde o momento em que constatei que por mais básica e linear que fosse a pergunta, me faziam esperar vários minutos numa linha paga, para regressarem e dizer que não faziam a mínima ideia do que se tratava.

Mas eu explico.

No canto direito do ecrã do meu PC na empresa existe um quadradinho que funciona como um televisor e no qual sintonizo canais de música para abafar toda a gritaria e conversas parvas que poluem a atmosfera de tão buliçoso local. Ora do pacote clássico (com o qual veio a Net de “pé chato”) só se aproveitam o Mezzo, a MTV e o VH1 (sim, que a MCM parece ser uma espécie de “bad trip” em que todo o Bairro Amarelo se tornasse francófono), e logo o canal que mais falha é o dos velhotes; o VH1.

Acontece de tudo. Desde desaparecer durante três ou quatro dias, até ser substituído pela MTV em húngaro (sim, também cá temos um húngaro. Isto é uma espécie de arca de Noé para canalizadores).

Eu bem me farto de telefonar. Mas quando a “Teresinha” me atende é sempre para ou duvidar do que eu digo, sugerir que o meu aparelho se “dessintonizou” sozinho ou pura e simplesmente responder com uma entoação suspeitosa que não tem qualquer indicação de avaria na área (mas como eu controlo duas contas independentes, uma de empresa e outra particular; não se safam com essa).

E poderia continuar “ad aeternum” a contar as minhas desventuras com essa espécie de linha erótica (porque nos fazem pagar enquanto nos dão conversa de merda) que é o 707266466; e as minhas conversas com todas aquelas “Teresinhas” e “Teresinhos” que aparentemente mal sabem atar os atacadores sem nos deixar pendurados e ir fazer perguntas a um supervisor. Supervisor este que quando solicitamos a sua presença nunca está.

Entretanto o “taxímetro” continua a sua contagem.

Quanto à Joana pode ser muito jovem e fresca, mas nada disso ajuda o modem a adquirir IP (coisa que se consegue facilmente em cerca de dois minutos com um/a técnico/a minimamente competente, mesmo que tenha acne até às virilhas ou patilhas tipo moço de forcados) e por aqui estamos conversados com o 707288488.

Após eu me ter conformado com este inevitável estado de coisas (sim, que a RaboVisão é igual ou ainda pior), adquiri o hábito de telefonar e reportar o problema sem lhes dar hipótese de me fazerem aguardar, recusando todas as sugestões idiotas que estão escritas naquela lista que todos eles mantêm perto do telefone. E assim fui feliz durante um tempo, talvez ao estilo de Winston Smith; mas pelo menos a conta do telefone não variava muito.

Até que insistiram em me apresentar a Rita…

Quando eu era um jovem estouvado e promíscuo e me faziam este tipo de ofertas, tratava a situação como se o Freddy Mercury me tivesse convidado para jantar. E não seria caso para menos; pois invariavelmente tentariam impingir-me uma prima catequista ou uma amiga coleccionadora de “Limoges” (e por tal, vítima de senilidade precoce).

Mas dizia eu… Telefonaram-me para casa por diversas vezes, embatendo no meu lacónico e bem treinado filho, até que um dia lá me conseguiram encontrar para dar a boa nova: Eu tinha sido premiado com a atribuição de um modem multimédia que permitiria aceder ao RaboFone com chamadas totalmente gratuitas para toda a rede fixa nacional.

Bem, já não era a primeira vez que me saía na rifa aquele tipo de “Rita”; mas tantas juras me fizeram de que “era mesmo gratuito” enquanto eu mantivesse o mesmo tarifário de Internet e outras loas, que acabei por transigir e desembolsei vinte e cinco euros alegadamente para custear o transporte e entrega do modem multimédia (que é tal e qual uma torrada em pão de forma como o outro, mas melhor aviada).

A Rita desiludiu-me logo de início, pois informaram-me (após longos minutos de “monólogos bilaterais”) que para a activação do novo aparelho seriam precisos até dez dias (ainda tenho o nome do tipo que me contou essa anedota). Chateei-me!

Fui dar volta a todo aquele lixo publicitário que acompanha habitualmente os produtos “Rabo”, e encontrei um número 808 para onde poderia dar a minha opinião (de preferência elogiosa) sobre a performance do técnico instalador. Ah, esqueci-me de dizer que afinal o modem foi entregue por um técnico (que aparentemente fica para eles mais barato do que um estafeta); o que já diz bastante sobre o tipo de “serviço personalizado” oferecido pelas “três amigas”.

Liguei então para o tal número gratuito (Aleluia!) que afinal hospedava um educado gravador de chamadas, e em vez do planeado chorrilho de ordinarices controlei-me o suficiente para após me identificar dizer apenas com uma voz embargada pela emoção: “Não tenho palavras para descrever o que sinto neste momento” – e desliguei.

No dia seguinte pela manhã (dez dias, não era?) o modem registava, e o telefone (que adquiri a gente mais fiável) funcionava perfeitamente. Mas como sabem todos os meus posts têm um “catch” final.

Pois é… Sabem qual foi a vingança da “Ritinha do RaboFone”? É que o único número para onde este telefone gratuito deixa de o ser, é o da assistência ao próprio RaboFone (707255455).

Há mesmo coisas do caralho! Não há?...

Música de Fundo
Somethin’ For That Ass” – Black Eyed Peas

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Igreja do Imaculado Blog - Edição Especial
(Almost a repost)

A Cartilha do Iluminado Penitente
(Ou a ascese para principiantes…)

Malta! Achei por bem revelar ao mundo o Primeiro Segredo de Blog; que é uma revelação sobre a verdadeira natureza do binómio penitência/indulgência, quase tão útil para as almas pias, como o é a “Holla” ou o “Financial Times” nos W.C.’s do Tamariz.

Para começar, aqui na nossa Igreja somos ortodoxos mas não somos parvos. E somos todos ortodoxos porque como a nossa fé até é bem fixe, ninguém tem a tentação de sair e fundar uma seita, alegando que tem um santinho melhor que o nosso; ao contrário da igreja católica que tem mais dissidentes que o PCP.

Atentai pois nas penitências servidas pela Igreja Romana, cornuda e apostilhónica; que mais parecem ter sido extraídas da ementa do “Salão de Prazer de Madame Lola”:

“…jejum de quarenta dias até o pôr-do-sol, trajando-se com sacos e usando o silício, auto-flagelação, retirada para um convento, vagar pelos campos vivendo de esmolas, etc…”

Neste obscuro pergaminho, os sacerdotes dessa pecaminosa seita incitam os fiéis a que se empanturrem à noite (sujeitos a morrer de congestão a meio de uma queca); aconselham as mulheres a gastar rios de dinheiro em vestidos da Ana Salazar e a colocarem implantes de silicone, bem como a procurarem intra-muros a promiscuidade com outras mulheres ou exercerem a prostituição no Monsanto.

Como vêem, embora alguns deles sejam bons conselhos, não cabe aos sacerdotes a missão de “ensinar o padre-nosso ao vigário”; por isso a abordagem da nossa igreja a este melindroso assunto é: “Peque agora e pague depois”, pelo que ainda se podem negociar algumas das condições contratuais.

Mas caso não estejam interessados, ainda oferecemos a modalidade da ascese, apesar de bastante mais chata.

É por isso que a Igreja do Imaculado Blog é conhecida pela flexibilidade e segurança (a tal “flexisegurança” de que tanto se fala) dos seus sacerdotes, que para isso praticam yoga nas horas vagas. Coisa a que se sacrificam com um sorriso nos lábios.

É claro que se mantiverdes a “humilde e dócil adesão à vontade de Blog, acompanhada por incessante oração”, não estareis sujeitos ás penitências d’ELE. Mas ficai sabendo, que o pecado é coisa que vale a pena experimentar pelo menos uma vez; quanto mais não seja para se ter assunto de conversa durante a catequese ou os almoços de bloggers.

A ascese é uma condição necessária de toda vida autêntica dedicada a Blog, pois sem o sacrifício da entrega a vida espiritual não progride, fica estagnada, e corre o risco de se tornar uma vida medíocre e sem sabor, como a daqueles bloggers que apesar de um brilhantismo extremo (como alguns que eu conheço), recusam partilhar-se com os outros e raramente saem à noite; alimentando-se apenas de refeições rápidas sem as descongelar.

Contudo, recuperar hoje o sentido da ascese e da mortificação, não deve consistir em ficar suspirando pelas práticas penitenciais do passado, nem em retomar "gratuitamente" práticas exteriores de penitências, mas sim, em descobrir a necessidade de reorganizar a própria casa (corpo/espírito) para nos oferecermos como dom aos outros. Se bem que nada de rebaldarias, pois Blog é uma divindade de respeito…

Ainda que falemos de uma "ascese interior", convém dizer, que deve-se continuar propondo as mortificações corporais e a renúncia, mas salientamos que, essa, deve ser praticada de um modo diferente daquele que foi praticado no passado. Pois agora qualquer loja da especialidade, tem à disposição dos mais pios uma panóplia de deliciosos objectos de culto e óleos santos para ungir os pontos mais sensíveis.

Outro aspecto que devemos salientar, é que mais do que mortificações extraordinárias e exteriores, a vivência da ascese deve levar-nos antes de tudo, a aceitar os sofrimentos que Blog nos envia no nosso dia-a-dia; como as “negas” ou a falta de Net.

A respeito das mortificações, Blog ensina-nos que devem ser praticadas de modo equilibrado, respeitando as condições corporais de cada pessoa, pois nem todos têm o mesmo poder de encaixe, o mesmo endurance ou resistência em apneia…

Em suma, depois de vos proporcionar estas breves notas acerca da ascese, gostaria de terminar com a seguinte exortação de São Paulo à comunidade de Tessalónica:

"Examinai tudo: abraçai o que é bom" (1Tes. 5,21)

E se nisto não acreditardes… Bem! Mais fica…

Música de Fundo
Wip It” – DEVO

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Post de Emergência
- O equivalente literário àquelas conservas que se costuma guardar para um dia em que rebente a quarta guerra mundial… -

Estão a ver aquelas cenas de filmes antigos em que uma fulaninha qualquer falava ao telefone enquanto abanava a perna deitada sobre a cama dizendo em voz lamentosa – Não vai dar para ir; imagina que não tenho que vestir para hoje à noite…

Pois foi exactamente o que me aconteceu. Bem, não foi assim tão exacto, que isso de abanar a perna só me dá em cima de uma toalha de praia; e o problema também não era o vestir… Mais uma vez chegava a segunda-feira sem nada escrito.

O grande problema de não se ter a alma atormentada, é que além de termos que fazer mais exercício para manter uma certa forma; também não nos saem dos dedos aquelas tiradas poéticas, que tal como trepadeiras se apoderam dos leitores cravando-lhes no coração suas profundas raízes.

Por volta de sexta-feira à noite a minha ideia era escrever algo sobre Doris Lessing ter ganho o Nobel da Literatura. Pois ao contrário de alguns dos laureados de outros anos, esta até sei quem é e dela li vários livros. Mas dá-me a impressão que este ano o prémio foi atribuído com um critério um pouco diferente. Não que Lessing não o mereça; mas acho que não só ela sai um pouco fora da habitual “grelha de atribuição”, como a melhor vertente da sua obra é no domínio da Ficção Científica (estão a ver um Nobel para a FC, não estão?).

É por isso que acho que este ano os suecos tiveram que despachar Lessing à pressa, para não terem que entregar o troféu e o “carcanhol” ao Bob Dylan, ao tipo dos “Versículos Satânicos”, ou a um gajo qualquer que inventa frases geniais para postais turísticos no Minnesota.

Mas a grande tragédia deste post é que enquanto o escrevo, estou simultaneamente a deixar passar por mim sem reparar, coisas importantíssimas que decerto estão a acontecer pelo país. Como a tão propalada recuperação da economia ou o restabelecimento dos direitos fundamentais de liberdade e reunião; que aparentemente foram suspensos durante algum tempo (pelo menos enquanto durar esta “longa noite” do PS).

Pois… Vão esperando…

Mas não me preparei o suficiente para escrever sobre a laureada, pois tive imenso que fazer durante o fim-de-semana; e só espero conseguir recuperar dele até à próxima sexta-feira.

Para começar foi o aniversário do meu herdeiro (o tal que um dia herdará o meu fabuloso sentido de humor e pouco mais). Há quem diga que os adolescentes não dão trabalho e só querem que não os chateiem. É verdade. Podem até acordar-me durante a noite e perguntar-me (durante o salazarismo era um método muito utilizado para fazer sondagens), que a minha resposta será sempre afirmativa.

O mais difícil é conseguir mantê-los livres de um tipo com cerca de quarenta anos (que não identifico aqui, pois ainda tem parentes vivos que poderiam sentir-se envergonhados e/ou constrangidos) que se considera tão jovem como qualquer um deles. Coisa que pobres mentes fossilizadas como a minha e as dos outros “anciãos”, não conseguem sequer conceber.

Infelizmente esse é um conceito filosófico tão avançado, que os próprios adolescentes não o conseguem entender. Sendo patente o seu desencanto, quando estão a tentar gozar uns bons momentos de conversa e saudável violência virtual frente a uma Playstation, e têm o seu sossego invadido pelo “Fantasma dos Natais Futuros” versão Hip-Hop.

Mas isso nem foi o que mais agitou o fim-de-semana. Finalmente Miss Entropia (a minha eterna assistente pessoal) entrou em fase final de desova, entregando ao destino uma Leonor de 3,400Kg (a Entropiazinha) que faz as delícias de meu amo (o seu baboso avô), que a transporta para todo o lado e exibe aos amigos como se fosse o último modelo da Nokia.

É claro que na ânsia de manifestar a Blog a sua gratidão pelo nascimento da neta, deve ter passado um pouco daquilo que normalmente se considera razoável. Pois estava eu ontem na esplanada do costume a comer a minha torrada sem manteiga, quando ao atender o chamado do telemóvel uma voz de entoação gutural me comunicou – Já nasceu, pá! Já nasceu!

Por alguns instantes pareceu-me algo extraído do último “remake” de “The Omen”, mas ele aclarou a voz e tentou condensar em dez segundos cerca de dezoito horas de libações e excessos em honra da nascitura. Terminando com esta pérola filosófica do “Nacional-Patronismo” – Agora aquilo pela empresa vai-se desorganizar um bocado; por isso se calhar vamos ter que fazer alguns serões…

Deixei-o decantar o resto da sua esfuziante felicidade, e sosseguei-o em relação à necessidade de trabalho extra.

Sem dúvida que o melhor do mundo são as crianças… convém é evitar que os adultos se metam demasiado no assunto.

Música de Fundo
The Salmon Dance” – The Chemical Brothers

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A Mediática Vulgaridade Blogosférica
- Um post mimético, eclético e também um pouco “a dar” para o diabético… -

Não tem piada nenhuma chegar a um blog e conseguir ver em cerca de dois minutos, o que é que o autor leu imediatamente antes de escrever aquele post. É o que se pode chamar de “mimetismo contextual”.

Pois este Blog declara o dia de hoje como o “Dia Mundial da Pessoa Afectada pelo Síndroma do Mimetismo Contextual” (o ignóbil “mimético”), pelo que todas as frases que se seguem foram inspiradas num ou outro blog que eu tenha lido (se calhar por engano), e a sua utilização neste post é meramente fortuita e dificilmente se voltará a repetir.

Todos nós temos “a nossa pequena receita para o sucesso” que herdámos de uma qualquer tia magricela, a qual possivelmente terá morrido virgem. Pois como devem calcular, essa receita não tem efeito algum sobre a vida real, pelo que não deveria ser usada para “vencer na vida”, “engatar gajas” ou mesmo gerir um blog.

Vou pois publicar aqui algumas dessas receitas (pelo menos as que se revelaram mais divertidas) que encontrei a serem utilizadas como princípio editorial de diversos espaços “aqui ao lado”.

Primeiro temos o “Estilo Clouseau”. De inicio um estilo idiota, criado talvez também por um idiota, e imensamente apreciado não só por idiotas de diversos quadrantes, mas também pelos outros. Pois se há coisa verdadeiramente universal, é a idiotice.

Para optar por este estilo, há que cultivar o tique. Pode ser desde o mero tique facial (como o piscar o olho a todas as caixeiras de supermercado) ao tique verbal (como é o caso dos tipos que dizem “evidente” a torto e a direito). O importante é que se adquira uma certa distinção que favoreça o reconhecimento; tipo: - “Não tas a ver? É o gajo que diz ‘evidente’ a torto e a direito”…

Este espécime deve ser acalentado e visitado diariamente, de modo a se construir uma ligação quase empática autor/leitor (É pá… o gajo hoje escreveu ‘evidente’ a propósito de seis coisas diferentes. Este rapaz é a minha alegria…).

Normalmente este tipo de “blogueiro” aposta em temas polémicos; sobre os quais nos serve imbecilidades seleccionadas, com o ar compenetrado de quem a meio de um filme explica a “Teoria do Campo Unificado” a um amigo míope que não consegue ler as legendas. Pelo que não conseguimos deixar de simpatizar com ele.

Deixá-lo chegar perto porém, já é outra conversa…

O segundo sistema (e último por hoje, que o tempo aqui é pouco e ainda mais relativo do que em qualquer outro sítio) é o do “Chá de Tias” ou “Tertúlia Romena”. Este sistema é também assim chamado porque se assemelha ao ambiente de uma mesa de café da “Brasileira da Transilvânia”, que fosse frequentada por vampiros muito cultos e de boas famílias.

Inicialmente esta é uma categoria que se encontra intimamente ligada ao meu fascínio por idosos simpáticos.

Como já alguns de vocês devem ter reparado (coisa que sem dúvida classificarão como um “tique” meu), interrogo-me periodicamente sobre aqueles que na sua juventude foram vigaristas, ladrões e assassinos (bem como outras honrosas actividades do ramo social) e qual o seu destino quando atingem provectas idades.

Quando eu era miúdo, imaginava no meu inocente intelecto que a passagem dos anos lhes lavaria toda a sujidade e amargura, passando uma finíssima demão de sabedoria sobre os seus espíritos, como uma espécie de divino “Bondex” para uso intelectual.

Nada mais errado…

Esta segunda categoria podia à vontade ser constituída por quatro velhinhas que jogassem canasta (três não daria tanto jeito), e que de vez em quando convidariam viandantes para tomar chá.

É claro que ainda o convidado antecipava a agradável sensação de ferrar o dente num amanteigado scone, e já a machadinha lhe descia sobre o crânio para o incorporar atempadamente no sortido de sandes e tapas a servir no sarau seguinte.

Existe um (existem mais, mas não vamos agora complicar a coisa) blog assim aqui perto. Local onde caem ás vezes incautos intelectuais (?), que se julgam no seio de seus iguais e com os quais se sentem em família.

Até que por baixa de audiências um belo dia todos são chamados “à boca de cena”, e um deles é subitamente empurrado pelos outros sobre a multidão, que “tal como cães raivosos” (é uma paráfrase, mas apeteceu-me pôr-lhe aspas na mesma) lhe dilaceram as poéticas carnes numa impúdica orgia de escárnio.

Aliás bem justificado, porque estes tipos até são muito bem escolhidos.

São tão bem escolhidos, que se os “cães” e as “vítimas” trocassem de posição não se notaria qualquer diferença… E continuaríamos, é claro, a ouvi-los proferir ‘evidente’ a torto e a direito.

Música de Fundo
No Pun Intended” – The Hives

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A Noite dos Mascarados
- Episódio patriótico passado no 5 de Outubro -

Tendo acabado de receber as nossas roupas das mãos do próprio Isaac Oliveira (da famosa Alfaiataria Oliveira & Genro) ficámos com cerca de uma hora livre antes do jantar, pelo que o Apóstolo teve a ideia de passarmos pelo Café do Santos em busca dos restantes conjurados.

Mas o estabelecimento estava praticamente vazio de clientes. Exceptuando o “Animador Cultural” que se encontrava a olhar para a televisão, fascinado com aquilo que parecia ser uma entrevista ao “risco ao meio” do Paulo Bento (e que não é “dos nossos”; o “Animador”, claro), e o Comandante Dudu que fez a guerra do ultramar atrás de uma secretária na Direcção de Abastecimentos, mas que quando está um pouco “entornado” tem por hábito relatar episódios de guerra, como se tivesse engolido toda a “Colecção Condor” juntamente com o moscatel.

Poisei a máscara na cadeira a meu lado e reparei que o Santos trouxera os gins e estava a gabar a fatiota do Apóstolo, que lhe garantia serem os losangos do fato de Arlequim que lhe tiravam dez quilos.

- Conspiradores!... Conjurados!... Clamou o “Comandante Dudu” apontando para a minha farpela de Scaramouche – De certeza que também são Carbonários aqui como o Santos…

– Se é por causa do prato do dia de quarta-feira – respondeu-lhe o Santos – Fique sabendo que o “coelho à caçadora” é sempre um prato de risco para qualquer casa; e muito mais comprando-lhe os coelhos a si, que só tem um papagaio e dois gatos. Antes o “Esparguete Carbonário”.

- Lembra-me de quando tivemos que nos infiltrar no estado-maior dos “Turras”, durante a Ofensiva do Chu-Lé, perto de Caluquembe – Disse o comandante entre dois soluços comovidos – Perdemos quase metade dos homens…

É preciso lata – Atalhou o “Animador Cultural” – Ao menos podia inventar um nome menos óbvio; como se em Angola houvesse algum sítio com esse nome. E para mais você era escriturário; não é como aqui o “Coronel Ortega” – Nesta altura apontou para mim com um gesto amplo, como um vendedor de automóveis a demonstrar as vantagens do novo Lexus – que ainda foi um ilustre submarinista.

Não gostei que ele se estivesse a referir a mim como se tivesse morrido no século XVII, mas deixei passar. Pois o “Comandante Dudu” estava já lançado numa narrativa fluida como um regato, que parecia passar entre pedras quando este se engasgava.

E continuou imperturbável a contar apenas para o electrocutor de insectos, como o seu fiel ordenança chegara com as granadas mesmo a tempo de o salvar de um disparo de canhangulo. Mas o Santos estava já a explicar que as natas não deviam ser mexidas a frio e que a pimenta devia ser moída um pouco grossa (eu expliquei-lhe entretanto aquele truque que costumo utilizar na preparação do refogado, e como conseguir fritar os alhos sem dar cabo da cebola).

E o meu pobre Simbovala – Lamuriava-se o “Comandante” para o expositor da Matutano – Ali, exangue no chão da tabanca…

- Ó homem… - atirou-lhe o Santos conciliador, enquanto à força de pulso o obrigava a sentar a meu lado – Você devia arejar essa veia dramática e juntar-se a nós no grupo de teatro amador. Sempre perdia essa expressão atormentada e dolorida.

Atentei melhor no nosso amigo copofónico, que o Santos mantinha sentado como se segurasse um Pastor Alemão pela coleira, e disse para o Apóstolo – Na volta vai-se a ver e a história até era verdadeira; o tipo está mesmo com uma expressão atormentada.

E tem boas razões para isso, o desgraçado – Condoeu-se o Apóstolo, numa voz onde perpassava uma extrema piedade – O Santos fê-lo sentar-se em cima da tua máscara.


Musica de Fundo
Make Me Wonder” – Maroon 5

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A Igreja do Imaculado Blog
- Um post virulento sobre violência, estupidez, maus governos e outras catástrofes naturais… -

Irmãos, eu sei que ultimamente não tenho sido um bom menino, e que por muitas vezes me tenho deixado cair na violência verbal.

Mas que querem? A agressividade é um dos atributos principais do ser humano, ou não nos encontraríamos agora no topo da pirâmide alimentar. Infelizmente o simples acto da excomunhão não proporciona aquela agradável sensação, que é ter os nós dos dedos esfolados por uma boa causa.

Outro atributo importante é uma certa tendência para a auto-indulgência, bem como uma total ausência de auto-consciência no que diz respeito a comportamento. Ou seja, em linguagem de gente - uma grande parte desta malta não se enxerga nem um bocadinho.

Mas Blog é um deus misericordioso, que estende sobre as cabeças daqueles que entre nós mais se deixam cair na bacoquice, um vaporoso véu de inconsciência e entorpecimento.

A ponto de se pensar “por aí” que o mau gosto é algo que existe apenas nas casas dos pobrezinhos (onde se penduram aqueles quadros de criancinhas com uns olhos enormes), encontrando-se vacinados contra ele todos os intelectuais, jornalistas, poetas, políticos, “and all of the above” (esta foi só para dar também “uma de bacoco”, e não os fazer sentir tão mal).

Pois esta enorme (e profunda, claro) introdução, nada tem a ver com epitáfios “estilo Ágata” ou com lágrimas de crocodilo vertidas sobre pasquins de vintém; e sim sobre aquela espécie de “enterro do bacalhau” que foram as eleições no PSD.

Pois se Mário Soares pode opinar sobre o assunto dando largas à sua proverbial “clareza de espírito”, eu também me acho no direito de botar palpite; com a diferença que não me interessa para nada como ou porquê aconteceu.

É tudo uma questão de equilíbrio viral.

Como alguns de vós já devem ter previsto, o actual governo vai ficar na história pelo seu impacto social semelhante ao da “gripe pneumónica”. Ora por muito que nos custe e apesar de não existir vacina contra ele (se bem que se venham a efectuar estudos desde os anos oitenta; quando a sua virulência se manifestou pela primeira vez), o que ainda nos ia protegendo era aquela espécie de canja de galinha que hoje em dia se chama PSD.

Sem dúvida que alguns sustentarão que a oposição a este flagelo também é feita pelo PCP, ou (LoL) pelo CDS e pelo BE. Mas isso são mezinhas ainda mais ineficazes que as dos professores Karamba, Bambo, ou mesmo do saudoso “Joãozinho de Alcochete”. O que quer dizer que a partir de agora qualquer português terá menos hipóteses que um babuíno de laboratório.

Uma vez que se trata indiscutivelmente de um vírus, este deve ser combatido pelos métodos adequados.

Proponho pois que acorramos em massa ao PS e façamos o que se faz nos outros partidos; tornamo-nos militantes e destruímo-lo a partir do interior.

Música de Fundo
I Wanna Rock” – Twisted Sister

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