segunda-feira, 28 de abril de 2008

Desviacionismos de um Ciclista Urbano
- Ou como um gato de telhado se perde facilmente no campo (e no assunto também) -

Não fosse a componente “acrobática” que se encontra sempre subjacente neste tipo de actividade, e eu diria que a altura ideal para pôr em ordem os meus pensamentos é quando pedalo pela cidade de Blog.

Muita gente se espanta com a minha predilecção pelas ruas e becos, enquanto a maioria dos ciclistas suspira por um pedaço de campo verde ou mesmo uma poeirenta vereda bordejada por pés de aveia pejados de carraças.

Eu gosto do campo como só um citadino pode gostar. Canto o verde carnudo dos hortos de espinafre vistos ao longe, o louro eslavo dos intermináveis trigais e o turfoso odor da terra lavrada após a chuva.

Mas sou também um tipo prático, e sei diferençar o romantismo de uma moita de urtigas. O que faz com que me dedique aos oníricos delírios silvestres em sensatas e diminutas doses, como quem lê Alberto Caeiro em suaves prestações até que venha o sono.

Encontro tanta poesia e bucolismo no cais do Ginjal ou no miradouro da Boca do Vento, como o que sentiria ao contemplar o Orinoco precipitando-se da sua nascente abaixo; pois são locais que de algum modo se encontram ligados a mim por acontecimentos que ficaram selados algures no tempo.

Fotografaria sem dúvida todo o percurso do meu pensamento através desta cidade, mas distraio-me a olhar e a sentir as coisas na sua constante mutabilidade.

Como os locais que de cada vez que os percorro nunca são os mesmos; e as pessoas que neles seguem em frente com as suas vidas, transformando-se num resultado de si próprias a cada minuto.

É assim que funciona o tempo. Esse combustível da metamorfose...

E tudo isto porquê?

Porque hoje tinha começado a escrever um post sobre a mutabilidade de todas as coisas. Que, acreditem ou não, era na realidade sobre o traseiro da irmã da Tininha.

Música de Fundo
Girls of Summer” – Aerosmith


sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dias…

… há que,
recordados ou esquecidos,
elogiados ou malditos,
cantados ou escondidos nas húmidas criptas do ostracismo…

Malgrado tudo o que se diga ou escreva sobre eles;
são apenas o que são…

…dias que merecem ser vividos em pleno.

Como o de hoje…

E é isso que faço.

Música de Fundo
Strange Times” – The Black Keys

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Esta é a flor da minha revolução
- Há acontecimentos que por muito importantes que se venham a tornar, nunca igualarão as expectativas dos seus criadores. Outros ultrapassam-nas mesmo, embora não consigam acompanhar as de mais ninguém… –

Para muita gente o passado é aquela massa com que se fazem os croissants para o pequeno-almoço; algo amassado e cozido por outros, que se devora sem saborear ou pensar como foi feito.

Para outros é uma espécie de ave em origami, cujas dobras devem ser observadas atentamente; de modo a desvendar o mistério da sua origem. Por mais obscura ou prosaica que esta possa ter sido.

Posso afirmar que vi o “boneco” ser dobrado e vincado até se ter tornado naquilo que é hoje. Um emaranhado de papel crepe vermelho que uns queriam transformar num cravo, e que outros conseguiram levar à forma de um repolho; tornado agora inútil não só pela cor que não serve a uns, como pela forma que desagrada a outros.

Mas a minha revolução é pessoal e intransmissível.

Não que houvesse algo errado com a revolução de 74; mas nisto de coisas que se revolvem, a única garantia que existe é a do próprio movimento sem qualquer certeza sobre quem “dá à manivela”. E nisto eu estava absolutamente certo; pois cada um gira a manivela para o lado que lhe dá mais jeito.

Mas voltemos ao que interessa, pois independentemente de o resultado prático ter sido uma bosta monumental, a “revolução dos cravos” foi das melhores coisas que aconteceram em Portugal desde 1927… ou por aí. E um feriado é sempre um feriado.

Embora me orgulhe de ter participado (a maior parte porém indirectamente) em coisas que fizeram história, não me considero mais revolucionário ou defensor da liberdade que outro tipo qualquer que o afirme também; especialmente quando passados tantos anos, ainda há gente que tem que se enrolar numa bandeira qualquer para parecer maior ou melhor.

Eu limito-me a ser aquilo que sempre no fundo fui. Alguém que segue pela vida olhando as coisas de frente e que se recusa a “dar à manivela” pelos outros. Alguém que quando chegar o dia dos cravos rirá com gosto, imaginando como seria engraçado se também ele ostentasse ao peito a flor da sua revolução.

Música de Fundo
"Uhn Tiss Uhn Tiss Uhn Tiss" – Bloodhound Gang

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Post About Sheep
- Do mesmo modo que atrás de cada grande mulher existe quase sempre um pequenino (mas buliçoso) homem, atrás de cada ovelha esconde-se muitas vezes um anónimo pastor (ou pelo menos, o seu igualmente anónimo cajado) –

O mundo como o conhecemos nunca existiria se não tivessem sido criadas as ovelhas.

Talvez a maior parte de vocês não saiba, mas muito antes de Eva ter sido criada por Blog, já Raquel percorria o paraíso no seu trote saltitante. Uma lanosa e hebraica ovelha de quadris firmes e peito generoso, como convém a qualquer ovino que queira figurar no Velho Testamento (ou acompanhar Adão nas suas rebaldarias nocturnas).

Só mais tarde com a criação da primeira “mulher oficial”, começaria o registo dos tristes acontecimentos que dariam origem ao “Incidente da Maçã”, e consequentemente a todos os problemas com dietas-relâmpago daí advindos.

Também a história não regista que enquanto Roma ardia Nero afagava a lã do seu borrego favorito (tinha gostos estranhos, eu sei), enquanto um músico contratado tocava harpa.

Ao contrário de todas as versões conhecidas deste episódio, Nero não tocava harpa; tendo até um péssimo ouvido musical. Segundo Suetónio (na sua obra “As Vidas dos Doze Césares”, 3º Volume) a única coisa que Nero sabia tocar, era ocarina; mas tão mal que deu a origem a - Ó Nero, vai mas é tocar “ócaralho – Famosa alocução latina muito utilizada pelos que privavam com o “artístico” imperador.

Já Colombo - e não se deixem enganar por esse paspalho do Walter D. Mignolo - enquanto demandava a Índia na direcção errada acariciava a sua meiga “Frasquita”; uma elegante "Coopworth" (conhecida raça de dupla-finalidade) que o acompanhava em todas as viagens. E não uma ridícula “pedrês” poedeira, como a maioria dos historiadores tenta há anos convencer a comunidade científica; só por causa de uma história qualquer sobre um ovo.

Por exemplo, Maquiavel na sua obra “O Príncipe” destaca particularmente a grande vantagem que é ter uma “loba com pele de ovelha” para as negociações políticas; embora mais tarde (o que nos leva a crer ter sido ditado pela experiência obtida com a idade) tenha dito que melhor ainda é ter “uma ovelha com feitio de loba”. Mas aí já tinha caído em desgraça, e mesmo Lourenço de Médici o renegara com o simples gesto de adoptar um Koala (que na altura era uma novidade vinda dos Antípodas, embora persistisse durante anos a grande dúvida sobre qual a abertura em que se deveriam introduzir as pilhas).

Mas é sexta-feira, e sem dúvida que a maioria de vós ainda tem que ir à lavandaria buscar os trapitos para logo ir ao Lux; por isso vamo-nos despachar depressa.

Florbela D’Alma da Conceição Ovelha Espanca, era uma suspirosa e romântica "xurra" das altas planícies alentejanas (Évora). Não sabemos se era pela sua lã ou pelo modo como balia a determinadas alturas, mas ainda hoje é uma referência para todas aquelas que gostam de dar uso à pena e aos “quartos traseiros” (separadamente, é claro).

Famosa como poucas, esta balidora incorrigível lançava ao vento os seus poemas de amor, que ecoavam de Nisa a Messejana; enchendo de afrontamentos e misteriosos humores todos os corações que tocava (não sei se estão a ver mas isto é uma metáfora).

Tendo sido a primeira ovelha a cursar direito, aparentemente descurou outros predicados, pois continuou a sua choradeira através de três casamentos; acabando tristemente em Matosinhos no meio do descalabro total. Após ter perdido na viagem toda a bagagem de mão, onde se incluía a malinha dos “pequenos electrodomésticos”.

E poderia continuar exaustivamente a enunciar acontecimentos-chave da história universal, onde as ovelhas tiveram um papel preponderante .

Mas um dos principais atributos de uma boa ovelha é a sua modéstia, pelo que sem me adiantar mais sobre o assunto, encerro aqui esta pequena homenagem a esse ser tão complexo e simultaneamente tão simples. Mas acima de tudo tão amado.

Sim… Blog criou a mulher, mas o homem clonou a ovelha (o homem inteligente não persiste no erro).

Música de Fundo
Blade Runner Blues” – Vangelis

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Este Post que vos devo
- Um texto despachado um pouco a fugir, como quem arruma os últimos tarecos antes da chegada do Fisco… -

Se eu fosse um tipo esforçado e abnegadamente dedicado a isto, estaria agora a braços com uma enorme angústia por não ter tido tempo de escrever um post para vos apresentar nesta segunda feira.

Mas como devem calcular, eu também tenho alturas em que o tempo não chega nem para metade do que quero fazer; e pior ainda, sofro às vezes de bloqueios que me impedem de escrever algo mais que uma simples lista de compras.

Ora isto pode ser motivado pelas mais dispares razões. Desde o súbito aumento do volume de trabalho (sim, eu até trabalho), à especial incidência de manchas solares sobre Almada e arredores. Mas não é pelo motivo que estou aqui, e sim pela compensação.

A todos os que se sintam lesados pela ausência de criatividade deste texto, compensarei em altura a combinar, com um post personalizado. Sendo para tal apenas necessário que recorte do seu ecrã (não aceitamos impressões ou fotocópias) o vale que acima disponibilizamos.

Poderá recorrer a um diamante de cortar vidro, ou nos casos em que possua um LCD a uma dessas tesouras super-fortes que se encontram à venda nas lojas dos 300.

Depois é só tentar encontrar o autor e apresentar-lhe o vale.

Boa sorte!

Música de Fundo
D.V.N.O.” – Justice

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Longa Vida à Junta Militar (5)
- O reencontro do triunvirato –

Foi hoje a primeira audiência relacionada com a guerra revolucionária (contra os merdongueiros) iniciada no post de 17/12/2003.

Desloquei-me pois ao Palácio da Justiça (LoL) com a pueril ilusão que o processo finalmente se iria resolver. Mas a Lei é uma máquina burocrática de cu pesado, e o passeio serviu apenas para constatar que as instalações do novo Tribunal de Almada, foram construídas por alguém com tanto brio profissional como os tipos que iniciaram toda esta chatice.

Mais valia que tivessem feito como no estádio do Sporting, e tivessem forrado aquela coisa toda com azulejo de casa de banho. Mas isso agora não interessa para nada.

Quando saltei do semi-lagarta Kettenrad-Clio conduzido pelo Apóstolo, já o Brigadeiro Garcia e o Generalíssimo Pepe (desta vez ainda sóbrio porque eram dez da manhã) lá se encontravam na companhia dos outros conjurados, aguardando que os chamassem a depor.

- Bem-vindo, Coronel Ortega! – Proferiu exultante o Pedro González, que é o comandante das tropas de choque, fazendo uma impecável continência e quase vazando um olho com a precipitação. – Chamaram os vossos nomes mas eu disse que já cá estavam, pois vi-os a tentar arrumar o blindado.

****

Para benefício dos que não me liam nessa época tão remota em que se iniciou esta cadeia de acontecimentos, informo que o administrador de condomínio do prédio onde moro, tendo caído na asneira de mandar pintar o edifício, acabou por nos envolver em contencioso com uma empresa manhosa daquelas que nem sede social têm. E que quando nos recusámos a pagar pelo que não havia sido feito, estes decidiram atiçar-nos os imigrantes ilegais que utilizavam para segurar nos pincéis.

Foi mesmo muito má ideia. Pois o Manuel polícia (o Brigadeiro Garcia) ao saber que o administrador tinha sido ameaçado caso não passasse o cheque, organizou para a data limite marcada por eles uma pequena recepção na qual participaram dois carros-patrulha e vários agentes uniformizados.

Espectáculo este que nos tornou famosos naquela pacata zona, e fez as delícias de todos os frequentadores do Café do Santos, assim como das donas de casa que atraídas pelo chinfrim vieram para as janelas como se fosse dia de procissão.

Mas tudo isso se encontra relatado nos diários de campanha perdidos algures nos arquivos deste blog.

E já que a maior parte do meu dia e respectivo tempo útil (no que diz respeito a posts) foram engolidos pela enorme boca que é o nosso sistema judicial, vou ter que deixar para depois a descrição da audiência; mas posso ainda adiantar algo sobre os novos personagens que participarão nos esporádicos posts dedicados à segunda série desta famosa “soap opera”.

São eles uma advogada que faz beicinho, um outro advogado com calvície precoce mal disfarçada (que eu não descobriria se não nos obrigassem a testemunhar de pé), uma juíza com sentido de humor, e uma escrivã que enverga a sua capa negra como se fizesse parte de um grupo de teatro amador.

E ainda as conhecidas Madame Wong, Miss Li e Dona Pureza que se encarregaram do “catering”.

Não percam pois um dia destes a nova série de episódios de “Longa Vida à Junta Militar”. Que relata a odisseia de um grupo de consumidores injustiçados, contra a feroz “Ditadura Merdongueira” numa simpática República de Bananas.

Música de Fundo
Cielito Lindo” – Gregório Barrios

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Post Atrasado no Tempo
- É difícil alguém conseguir ser um “homem do seu tempo”, quando o seu modo de vida consiste em alugar a quase totalidade desse mesmo tempo ao serviço de outros… -

No local onde estão a ler este texto era previsto encontrar-se outro de cariz nitidamente diferente. Mas pelo Domingo adentro quando após minuciosa construção me preparava para o escrever; constatei que já outros tinham tido a mesma ideia e não me pareceu adequado (que querem? Manias minhas…) fazer algo que normalmente critico.

Assim. Não houve Post.

E é uma pena, porque esse texto resultava de um conjunto de observações aos Predadores Religiosos; aos seus métodos de caça e ao modo como interagem uns com os outros. Mórmons, Testemunhas de Jeová, angariadores da Cabovisão, etc.

Tinha mesmo um pungente episódio em que um par de cruéis sexagenários (embora o termo possa induzir em erro, garantimos que nada tem a ver com sexo ou práticas similares), emboscava uma inocente dona de casa que fazia o seu hebdomadário jogging, sem calcular que caminhava a passos saltitantes (sim, era um bocado a dar para o inocente e saltitante) para uma espiral de culpa e dependência que faria a delícia dos seus algozes (estava a ver que não conseguia encaixar neste texto a palavra “algozes).

Pois. Mas não escrevi o post…

E já que o meu Post de Domingo estava arrumado, deixei-me ficar ali à espera que o universo utilizando o seu sistema de auto-compensação, me proporcionasse uma ideia que pudesse transformar em algo que não se parecesse muito com a coluna da Leonor Pinhão.

Nem de propósito. Palavras não eram ditas… (por Blog! O que eu adoro dizer… “palavras não eram ditas”…) Quando fiquei a saber pela TV que o guia espiritual da maioria eleitoral madeirense, o Beato João, teria confidenciado ao seu discípulo Menezes acreditar na existência de espíritos que se masturbam; e que ainda não contentes com isso teriam o mau hábito de o fazer quando sobrevoam o seu arquipélago.

O que vem finalmente justificar não só a luxuriante vegetação como um monte de gravidezes indesejadas ao longo dos anos.

Mas é um desperdício gastar um post inteirinho só para falar do AJ (a não ser que envolva igualmente o Joe Berardo. E isso sim. Havia de ser algo que valeria a pena).

Chegamos então a Max Rufus Mosley a servir presentemente o seu quarto mandato como presidente da “Fédération Internationale de l'Automobile” (FIA), e apanhado num vídeo sadomasoquista com quatro “Oberstammführer” da Juventude Hitleriana Feminina.

Nada Mais natural.

Talvez alguns de vocês não saibam, mas ele é o quarto filho de Sir Oswald Mosley, fundador da “British Union of Fascists” (BUF); que nos anos trinta se passeava em Londres de suástica ao peito, e com uns indescritíveis calções de montar que rivalizavam com os do próprio Göring.

Só a título de curiosidade histórica, dizia-se “à boca cheia” pelos corredores do bunker de Obersalzberg; que o próprio Führer tinha dado ordem para quando se invadisse a Inglaterra, um dos objectivos prioritários seria a captura dos calções de montar de Sir Oswald Mosley. Independentemente do seu estado e conteúdo.

Mas adiante. Pois então o homem gosta de fardas (além de gostar de levar umas chibatadas também) especialmente as nazis. Mas isso, como podem depreender pela pequena informação que vos dei; é algo perfeitamente natural. Pois o tipo, como se costuma dizer “bebeu o Mein Kampf” com o leite materno (pelo menos); e só estava a tentar recuperar essa boa recordação da sua infância.

Mas há realmente algo de doentio nessas fantasias com fardas e símbolos nazis.

Coisa aliás desnecessária, pois com a chegada ao e-bay da maioria da parafrenalia soviética; basta um pouco de imaginação e alguns adereços (e, meus caros; trata-se de adereços perfeitamente legais e adquiríveis pela net) para que se consiga organizar uma simpática “Festa de Kolkhoze”, um “Interrogatório na Acolhedora Lubianka” ou mesmo para os mais refinados, o grandioso “Potemkine Gangbang”.

Embora neste último caso, seja exigido um pré-aviso de semana e meia para reunir os necessários 636 marinheiros.

Mas uma vez que este post vai bem atrasado (e daqui a pouco é terça-feira), deixo apenas um conselho final aos leitores que tenham uma certa “afición” por festas do género.

O imaginário nazi está gasto e “demodé”. E embora as fatiotas russas sejam um pouco berrantes (embirro com aquela barra vermelha nos bonés), ainda existem os “Bersaglieri”, os Guardas Suíços ou mesmo os fiscais da EMEL.

E quanto às chibatadas… Só se perdem as que caírem no chão.

Música de Fundo
Freak on a Leach” – Korn

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Primavera, o Desabrochar das Paixões e o Caralho…
- Pensamentos de um homem profundamente romântico, mas com francos progressos no sentido de uma cura quase total e sem sequelas –

Nasci numa época em que até a falta de ar (causada por asma, apneia ou caroços de azeitona) era considerada manifestação extrema de romantismo.

Se a uma matrona qualquer faltava o ar no eléctrico para o Arco do Cego, começando a apresentar uma tez de coloração púrpura; antes de lhe ministrarem os primeiros socorros (ou a extrema unção; dependendo do profissional disponível no local) tinha-se sempre em conta se não seriam apenas os primaveris rubores da paixão.

Eram outros tempos em que o amor, em vez de ser descrito por palavras complicadas (ou mal descrito como é mais corrente ainda), bailava nos olhares húmidos trocados por ansiosos amantes que se cruzavam nas ruas; como nas novelas de má qualidade (é um pleonasmo, eu sei) que passam na TVI.

É claro que tudo isto pode ser mentira, e não passar de uma lucubração alucinada causada pelo consumo exagerado de bombons “Mon Chéri”.

Pelo menos é essa a minha opinião. E na maior parte dos casos, este tipo de afirmação acaba por ser encaixada entre as citações de “O Principezinho” e as imagens de Magritte; num daqueles blogs folclóricos e cheios de anjinhos.

Mas nada disso invalida a Primavera, pois esta é um pouco como a Taça de Portugal (embora para mim o futebol esteja ao mesmo nível de interesse que o “ikebana); pois por mais confusão e escandaleira que haja, o “importante é competir” e o resto depois se verá…

Falávamos então da Primavera, do desabrochar e outras interessantes tendências.

Certa é a chegada da Primavera quando se começam a multiplicar na TV os anúncios às dietas milagrosas, e nos blogs começam a aparecer textos intimistas sobre o que cada um acha que tem dentro de si (ou gostaria de ter, em alguns casos).

Este comportamento arrojado e quase adolescente, pode igualmente traduzir-se numa extrema gabarolice por parte de alguns bloggers. Como por exemplo tentarem fazer crer à sua clientela que apareceram no “éter” bem antes dos outros; demonstrando assim um espírito de iniciativa muito acentuado, ficando embora ao nível do de um “subempreiteiro de cofragens” (que é assim uma espécie de pato-bravo à escala 1:50).

Mas a Primavera tem destas coisas. Pois ainda fazia frio à brava e já o espírito da polinização andava a fazer das suas.

É claro que uma notícia destas não teria em princípio nada a ver com um post sobre a Primavera. Mas na altura e (muito previdentemente) guardei algumas cópias em formato *.MHT das páginas e perfis em questão; e se alguém se lembrar de pôr em prática esse tipo de projecto, então sim… vai ser mesmo o caralho…


Música de Fundo
Doctor PhD” – Wraygunn

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