sexta-feira, 30 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

(Posto que me será bastante difícil escrever algo minimamente aceitável antes da próxima sexta-feira, aproveito esta pequena paragem para um conto)

Hiato no Tempo
- Um dia provar-se-á ser o tempo aquilo que mais valor tem em todos os universos. Pois sem ele nada existe; nem mesmo o amor. Esse sentimento para o qual todos devíamos ter tempo… -

Cautelosamente ela olhou o céu onde as nuvens se tornavam já esparsas após o aguaceiro pré-programado; e dissimulando-se na sombra do toldo, esgueirou-se por entre as cadeiras que empinadas sobre as mesas da esplanada do “Bistro des Bons Amis”, aguardavam o início de mais um turno.

Algures esquecidas entre as poeirentas páginas dos antigos livros de história, encontravam-se tanto a data como o motivo pelo qual a humanidade começara a viver repartidamente. Mas fora sem dúvida uma solução eficiente; pois o mundo tornara-se mais confortável, mais limpo e (diziam) mais livre.

Evitando ruídos que poderiam tornar-se denunciadores, abriu uma das portas de serviço entrando na área de lazer dos funcionários onde se encontrava a entrada do armazenamento temporário; e centenas de corpos hirtos se alinhavam dentro de cilindros acrílicos, percorridos por uma suave neblina azulada de gases raros bombeados a baixa temperatura.

Reconheceu-lhe o cheiro mesmo antes de sentir a mão, que apoiando-se-lhe na cintura a fez voltar-se.

Introduzindo-lhe as mãos violentamente por entre os botões da camisa, percorreu-lhe com elas as últimas costelas como teclas num piano até terminar nas costas. A respiração dele junto ao seu cabelo fez-lhe descer pelo pescoço uma gota de frio, que na base da coluna vertebral se transmutou em fogo líquido desaguando para o interior das virilhas.

Uma ligeira convulsão de desejo impulsionou-lhe o diafragma num pedido quase verbalizado, que ele rapidamente abafou nos seus lábios grossos e escuros como os de um ídolo de terracota.

Sofregamente as bocas confundiram-se, enquanto as mãos buscavam contacto como silenciosos animais das profundezas oceânicas. Percorrendo-se assim mutuamente, como que a recapitular corpos esquecidos na urgência de um tempo demasiado breve. Empurrou-o docemente até um banco comprido que se encontrava perto da parede onde o fez sentar.

Apoiando-se-lhe nas coxas musculadas e utilizando-as como sela, entreabriu a túnica e introduziu-o em si. Cavalgando numa ânsia desvairada. Entrecortada apenas por pequenos gemidos, que eram já abafados pelo ruído dos ventiladores cujos motores se haviam entretanto ligado.

Os algarismos do relógio na parede adquiriram uma coloração fosforescente, iniciando uma contagem inversa de 160 segundos; enquanto do exterior vinham já os sons habituais do rádio e do balcão frigorífico que tinham entrado automáticamente em funcionamento.

O peito explodiu-lhe num grito que rapidamente escondeu na boca dele. Este, num frenesim mudo cingia-a pelas nádegas, onde as suas mãos se imprimiam na pele rosada como pálidas estrelas-do-mar.

O zumbido dos últimos 60 segundos fez-se ouvir através dos altifalantes de parede.

Com um último beijo ela soltou-se, e sempre silenciosamente correu para a área de armazenamento temporário; onde entrou numa das cabinas que instantaneamente se tornou opaca. Acendendo automaticamente o painel de presença para a contagem.

Deitado no banco comprido, o homem contemplava o tecto com a mente totalmente vazia e os olhos perdidos algures numa memória esquiva.

O zumbido dos últimos 60 segundos terminou com duas notas de carrilhão; transmitindo a informação que o tempo voltara a reajustar-se. Os utilizadores autorizados para o turno que se iniciava começaram a sair das suas cabinas, perdendo-se nas ruas em direcção às suas vidas e ocupações habituais.

Passando pela esplanada onde os primeiros frequentadores se sentavam já, o homem não conseguiu evitar um sorriso melancólico à vista dos outros que descontraidamente iniciavam o seu dia. Como se o mundo não fosse agora um enorme hotel onde se dormia por turnos, e os amantes se escondiam nas breves transições entre realidades.

Onde o amor era finalmente possível, mas apenas em tempo suspenso…


Música de Fundo
Stop And Stare” – One Republic

segunda-feira, 19 de maio de 2008

It’s My Party and I Laugh If I Want To…
- O tal anúncio há muito esperado sobre aquela coisa comemorativa que não tarda está aí… -

Embora ainda não seja desta vez, estou firmemente decidido a tentar provar em breve a teoria de que um blog se pode escrever sozinho.

Mas enquanto as condições ideais não se encontram reunidas, tenho que recorrer a outros expedientes que me evitem o incómodo e inglório esforço de escrever expressamente para o blog. Sabem? É que descobri há pouco tempo que ainda existem coisas das quais gosto bem mais do que escrever.

É claro que a maior parte delas ou não podem ser nomeadas aqui publicamente, ou não têm qualquer interesse para o leitor que aqui chega através de buscas como: “Sexo com homem de meia-idade” ou “Restaurantes na Margem Sul”.

A verdade, meus caros, é que após quase (está a aproximar-se a data) cinco anos de posts ficcionados e ficcionistas, o assunto começa a esgotar-se um pouco; dando lugar à tentação de começar a escrever sobre episódios verídicos e pessoas existentes. Ora nós não queremos isso, pois não?...

A mim pelo menos não me dá jeito nenhum que sou um simples tipo das obras; apesar de possuir uma prodigiosa imaginação.

Mas aproximam-se duas (ou até mesmo três) datas importantes. A primeira é o quinto aniversário deste blog, que será comemorado com a circunspecção habitual porque é coisa de pouca monta. A segunda é o primeiro período anual de férias; esse segmento temporal onde aparentemente não acontece nada, mas que fornece material “literário” para quase seis meses de escrita.

Sobre a segunda data não há muito a dizer, excepto que preciso urgentemente de uns calções de banho novos; de modo a conseguir manter uma pose digna enquanto percorro o areal juntamente com o Apóstolo.

Infelizmente o meu razoável bom-gosto não funciona quando se trata de comprar esse tipo de coisa. E acabo sempre enfiado dentro de um rectângulo de tecido azul, ou pior ainda; envolvido pelos tentáculos de um daqueles pesadelos havaianos que chegam quase até a meio da canela.

Mas voltemos ao tal aniversário. A minha primeira ideia era fazer uma pequena série de “reposts” dos textos mais significativos aqui publicados durante estes cinco anos; mas já alguém teve essa ideia primeiro, e o “copianço” não faz muito o meu género.

Por isso estou receptivo a qualquer ideia que os leitores possam ter, relativamente à comemoração do 5º aniversário do blog TOM.

Para que o vosso eventual esforço não seja totalmente em vão (e também para que alguém se dê ao trabalho), será instituído um prémio (que ainda não faço ideia qual seja, mas estou aberto a sugestões) que pode ir desde um simples pequeno-almoço com o artista (LoL) na Praça de Blog, até à oferta de uma foto autografada do blogger com os seus novos calções de banho (já que são horríveis, ao menos que se tornem mediáticos).

Mas antes de tudo isto, venham de lá essas ideias, que eu cá não tenho nenhumas.

Música de Fundo
The Weekend” – Michael Gray

sexta-feira, 16 de maio de 2008

As notícias sobre a nossa separação foram substancialmente exageradas

Por isso, vamos mas é dar mais uma para comemorar…

Bom fim-de-Semana.


Música de Fundo
Smokers Outside The Hospital Doors” – Editors

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Enconado
- Vindo do fundo desse alguidar de plástico que é o universo, o enconado, à semelhança da tartaruga das Galápagos é um tipo que se safa em qualquer lado desde que não lhe virem a carapaça; senão o caso aí muda de figura … -

Quem não teve um na sua escola, no escritório ou mesmo (oh, o horror…) no bar do costume? O “Enconado”, esse ser composto de contradições e sentimentos semi-marialvas sobre honra e pergaminhos, sem um pingo de vergonha no que toca à sua interacção com o mundo; e que incansavelmente atribui todas as suas chatices a causas exteriores, e à teimosia que esse mesmo mundo tem em se encarniçar contra a sua injustiçada pessoa.

Basicamente o Enconado é um incompreendido.

Não só a maioria das pessoas tem uma sensibilidade demasiado boçal ou grosseira para poder apreciar as subtis nuances da sua personalidade; como também ele não consegue compreender porque teimam em acusá-lo constantemente de praticar aquilo que tanto critica.

A sua principal arma; o zumbido monótono que lhe permite anestesiar as suas presas. É infelizmente também um dos seus maiores “handicaps”, pois como tem tendência para se deixar encantar com o ruído que ele próprio produz, muitas vezes desperta após a potencial “refeição” ter acordado, e colocado entre os dois uma confortável distância.

Utilizando dois pesos e duas medidas nas suas avaliações, tem por hábito classificar nos outros de arrogância e vaidade, aquilo que em si próprio classifica como franqueza e frontalidade. Vendo na sua infinita choraminguice um manancial de benesses e pérolas filosóficas que faz chover sobre os outros; embora esteja sempre pronto para iniciar uma diatribe àqueles “que apenas sabem lamentar-se e atirar indirectas”.

O enconado gaba-se amiúde daquilo que não é. Para a sua auto-estima atingir uma espécie de equilíbrio instável, tem que primeiro se afirmar mais inteligente, mais homem (ou mulher) que os/as outros/as; ou até mesmo (quando se descuida um pouco mais) mais próspero. E só após isto se considera em condições para emparceirar com os outros.

Embora às vezes isso seja feito com uma certa dificuldade, visto que para se conseguir aproximar de quem deseja igualar, utiliza muitas vezes meios (e especialmente palavras) com que não se encontra familiarizado; o que o reduz a uma figura patética e meio apalhaçada, que ás vezes acaba por se tornar um pouco simpática; mesmo aos olhos aqueles que no início o ignoravam.

É difícil não gostar do enconado… ou pelo menos não lhe achar uma certa piada.

Pode dizer-se que é uma espécie de Fernando Mendes da psique; uma incongruência cujo pitoresco é a única coisa que impede a sua eliminação sumária. E sobre a qual toda a gente se interroga se não será no fundo apenas uma enorme partida cósmica, e Deus afinal existe, tendo-o colocado na terra apenas para testar o nosso bom humor.

Protegei o enconado.

Já há tão pouca coisa divertida neste mundo…

Música de Fundo
Sacramento” – Deep Dish

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Fragrância Oriental
- Recordações exóticas dispostas como que ao jeito de quem faz a barba (seguido de uma aplicação de Tiger Balm)… -

Há cheiros que agarram em nós e nos transportam longe no tempo, para recordações vívidas como que actuais. E ontem mal abri a tampa, logo me senti transportado às velhas águas furtadas da Rua do Jardim do Tabaco, onde a minha avó costumava pacientemente espalhar-me “Tiger Balm”, sobre as mazelas que eu coleccionava durante as minhas manhãs na rua.

Já nessa altura a China era para mim um fascinante mistério. Que sugeria à minha imaginação juvenil, sampanas e juncos navegando entre ilhas de formatos tortuosos, enquanto eram sobrevoadas por dragões benevolentes, que com o seu bafo produziam nuvens que se perdiam nos picos herbóreos.

Era do oriente que vinha tudo o que de mais exótico eu conhecia na minha ilimitada imaginação. A pólvora das bombas de Carnaval cheirava a batalhas com papel crepe e sorridentes animais articulados; como gigantescas salsichas de arame e papel encerado.

Quantas vezes passámos nós a correr em frente à drogaria do Avelino, para lhe deixar à porta quatro ou cinco minúsculas bombinhas vermelhas presas a um único rastilho, que após estoirarem produziriam o habitual – “Venham cá seus cabrões que eu trato-vos da saúde”.

Era também do “meu” oriente, o chinês (macaense) que vendia gravatas de seda a preços muito em conta; aparecendo ás vezes na cervejaria “A Cana Verde” ou na tasca do Barata, com elas penduradas num pau que trazia atravessado no peito e preso com uma corda.

Todo o colorido e mistérios do oriente passavam invariavelmente pelo largo onde chapinhávamos no tanque dos cavalos; e onde eu contava aos meus amigos algumas passagens de “O Regresso do Dr. Fu-Manchu” que andava a ler às escondidas. O que me transformava a seus olhos numa espécie de Wenceslau de Moraes; salvaguardando as devidas proporções.

Eu era um apaixonado pelo oriente. Até a minha namorada tinha os olhos um pouco “em bico”; mas isso era apenas quando a mãe, a dona Goreti, lhe apertava demasiado os nós nas tranças.

Todas estas recordações ficaram guardadas naquela caixa vermelha, onde um tigre em pleno salto nos sugeria poder sobre a dor. Uma força desconhecida que se pressentia entre os eflúvios de cânfora, numa subtil presença que marcaria para o futuro tudo aquilo que viria para mim a fazer parte da categoria “oriental”.

Tudo isto me veio à ideia pelos breves momentos em que ontem passava creme no pescoço. Devo muitas das minhas agradáveis (estas e outras) recordações ao oriente… Obrigado Aw Chu Kin!

Música de Fundo
Ching Kuo” – Vangelis

terça-feira, 6 de maio de 2008

Das Estranhas Origens da Blogoescrita
- Tanta vida, tanta poesia tanta ânsia de chegar; e eu aqui a precisar desesperadamente de uma massagem no pescoço… -

Aparentemente tudo é circular. Desde o universo que teima em se dobrar sobre si próprio, até às caricas das cervejas e passando com especial relevância pelo destino das pessoas; que é assim uma espécie de guião para um mau filme, e que está constantemente a ser reescrito por um autor que nunca aparece no estúdio.

Após uma viagem de trabalho insípida e praticamente sem história, acordei no Domingo com uma esfuziante e estranha vitalidade, que me fez saltar da cama para a bicicleta ainda não eram oito e meia.

Devia ter logo desconfiado de tanta energia positiva. Mas como sou um optimista, atribuí isso a uma favorável conjunção cósmica e montei o velocípede, lançando-me no vento. Tendo porém o cuidado em manter a parte de borracha sobre o pavimento.

Não vos maçarei com a interminável narrativa dos locais do meu imaginário. Para mais, havia pouca gente na rua e a maior percentagem deles nem sequer era digna de figurar numa estatística, quanto mais neste relato de fino recorte literário.

Percorri o trajecto um pouco mais rapidamente que o habitual, pois algumas horas depois teria que visitar os Jerónimos (o monumento, e não a família do eminente anti-fascista) e assistir ao baptismo das minhas sobrinhas.

Ao sair fumegante do chuveiro e sentindo-me tão vivo como um vitelo amamentado a “Red Bull”, decidi espreguiçar-me longamente. Não fui assim tão longe afinal… Estava com os braços esticados em direcção ao céu (ou à banheira do vizinho de cima, como preferirem) quando senti mais do que ouvi, um estalido seco que se repercutiu a partir da base do meu pescoço.

Não sou um tipo dado a achaques ou chiliques; mas percebi algo logo de início: fosse o que fosse era altamente restritivo e doloroso. Foi pois com uma certa lentidão que vesti a minha fatiota “à Joe Berardo” e entrei no transporte que me aguardava.

Felizmente a cerimónia decorreu sem sobressaltos. E embora tivesse sido destacado para documentar a coisa com a câmara de filmar, correu tudo fluidamente pois o ritual decorreu num dos recantos do templo; em cerca de 45m² que abrangiam um altar, uma pia baptismal e algumas pinturas de santos mal encarados que pela expressão estariam ali há muito tempo.

Uma hora depois, após três gin & tonic e alguns requintados canapés, a dor no meu pescoço tinha regredido à categoria de mera latência. Pelo que me limitei a gozar o dia.

Almoçámos num terraço suspenso sobre a Serra de Sintra, que tal como da última vez em que lá estivera pouco deixava ver além do verde viçoso por onde se passeavam nuvens baixas, que a cada passo deixavam húmidos beijos no arvoredo.

Devo ter idealizado aí uns três posts sobre folhagem, céu opaco e árvores húmidas de musgo, onde amantes se encostariam sofregamente sentindo o sangue pulsar escaldante sob a pele que a névoa orvalhava.

Por altura da sobremesa já os tinha esquecido, claro.

Entretanto as sombras lentamente faziam a sua escalada pela encosta verdejante como uma plúmbea e imparável vaga; fazendo-nos notar que a passagem do tempo nos aproximara da hora limite; e que já devíamos estar acondicionados no transporte para sermos devolvidos à procedência.

Enquanto atravessava a estrada veio-me à lembrança o texto que não escrevera. Olhei para trás em busca da branca névoa que me inspirara anteriormente e constatei sorrindo que esta se espalhara por debaixo das copas das árvores, e nos acompanhara em direcção ao veículo.

Foi nessa altura que ouvi novamente aquele estalido.



Percorri todo o caminho de regresso com a cabeça apoiada no vidro da janela, reflectindo que apesar de tudo sempre arranjara assunto para escrever.

Mas o facto de ter o pescoço um pouco “à banda” não me afecta muito… Principalmente devido à minha condição de incorrigível optimista. Pois a primeira coisa que pensei quando cheguei ao escritório e olhei para o computador, foi – “De qualquer modo, já tinha o monitor do lado direito…

Música de Fundo
Time to Pretend” – mgmt

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Desculpem, mas post só amanhã.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Adeus, amigos!

- Seguindo a tão utilizada linha de pensamento blogosférico que transforma muitos blogs em suplementos do Correio da Manhã, venho hoje contribuir com o meu esforço criativo para o enorme manancial de publicidade enganosa que circula pela Internet (da qual o título acima é um paradigmático exemplo). -

Apesar de beneficiar de uma certa margem de manobra no que diz respeito a horário de trabalho, tarde ou cedo acabo por ter que compensar isso de um ou outro modo. E já que desta vez o cliente pediu de uma forma tão educada (e com 30% de adiantamento), não me resta mais do que fazer a mala e rumar ao sul; sem ter sequer tido tempo para alinhavar o costumeiro Post de sexta-feira.

Na Primavera a polinização e as alergias são sempre acompanhadas por um toque de poesia, pelo que vos deixo com este repost de 08/11/2006; um pequeno exercício dadaísta sobre o enfado, o regresso e o amor (ou então é apenas sexo; o que poupa imensas chatices).

***

Chegou finalmente o dia
E o sol voltou a brilhar na sua melancolia
estavas tu a regressar
da casa da tua tia

Trouxeste contigo a brisa e o perfume do passado
Tiveste um pouco de azar
pois eu estava constipado e não te quis nem cheirar.

Faz-me falta o sol de outrora que te alumiava o traseiro
Tanta falta como a fome

A fome que te comia no meu olhar desvairado
Sendo tu um Bollycao
com o prazo ultrapassado

Mas tenho fome de ti
Do sorriso radiante… do farfalhudo pi-pi…
E da voz entediante que me afastava de ti

Tenho fome do instante
Quando sentavas aqui.

Vira-te!

***

Nota: Este poemeto (se assim lhe podemos chamar) é dedicado a todos os poetas da blogosfera. Aos que não são publicados, aos publicados e premiados, e mesmo aos que gastam um dinheirão para se publicarem a si próprios (atendendo a alguns recentes desenvolvimentos em blogs publicados “aqui ao lado”, passa também a ser dedicado áqueles poetas cuja especialidade é pegar nos textos dos outros e “melhorá-los).

Música de Fundo
It's The Earth That Moves” – Bibi Tanga et Le Professeur Inlassable



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