segunda-feira, 25 de agosto de 2008

É a “rentrée”, estúpido… Não o sentes?...
- Quase no fim da estação mais “pimba” do ano, um post maldizente e verrinoso que me deu quase tanto prazer a escrever, como o daria espancar alguns políticos com um “Mashie Iron 4”. –

Sei que o subtítulo é um pouco “forte”. Mas que querem? Estive há pouco a ouvir Tony Carreira; e isso não é coisa que contribua para a minha boa disposição. Ok! Eu explico. Mas não nos adiantemos…

Já não me lembro bem quem foi, mas ainda há relativamente pouco tempo alguém vaticinou que este iria ser o Verão meteorologicamente mais quente dos últimos vinte e cinco anos.

Até aí nada demais. Vivemos num país onde são vulgares as afirmações bombásticas (e irreflectidas também) por parte da comunicação social e dos políticos, bem como algumas tiradas dramáticas que fariam inveja à saudosa Palmira Bastos.

Ora este estado de coisas conduz inegavelmente (por aversão) a uma incredulidade sistemática por parte da população. Exceptuando, é claro, aquela faixa (inquietantemente vasta) constituída pelos que sofrem do “Síndroma Cova da Iria”, que se manifesta numa aceitação bovina dos axiomas “tudo o que sai dos media é informação” e “o governo tem essa designação porque governa”.

Só que não é da habitual alienação que vou falar hoje, mas sim deste “Verão mais quente dos últimos vinte e cinco anos”; que se tem revelado uma fonte quase inesgotável de matéria para humoristas pouco inspirados, criminologistas de “Grupo Desportivo” (tipo “moita carrasco”), analistas políticos do "Fátima" e líderes de facções manhosas (como aquele político apeado que teima em perseguir a “Ugly Betty” do seu próprio partido).

Ok! Não tem sido muito quente (eu próprio há uns dias me constipei com um chuvisco); mas os cromos, malta… Há muito tempo que não se via uma coisa assim. Se eu não fosse tão preguiçoso, teria escrito um belo romance à conta de o Putin andar a brincar aos Estalines na Geórgia, o Obama a tentar imitar o JFK em Berlim e o Sócrates a fazer a sua "Rábula do Salazar”; que consiste em deixar o país mergulhar na merda, explicando às massas que é a única solução (porreira) para a crise.

Mas isso era se me desse para escrever. Na verdade não me consegui imaginar a despachar posts de empreitada, enquanto responsáveis cidadãos que acumularam oito ou mais créditos pessoais, se banhavam nas salsas ondas de Ibiza com o patrocínio da COFIDIS ou da CrediAgora.

Mas se me “fugisse a perninha para a dança”, um dos que decerto não me teriam escapado seria aquele velhinho parecido com o Padre Vítor Melícias, que se agarra ao comité olímpico como se este fosse a cura para o Alzheimer.

E bem precisa, pois se num dia choraminga que assim não brinca e promete demitir-se, bater a porta e apresentar contas; no seguinte já não se lembra de nada e ainda pede mais uns milhõezitos, pois os próximos jogos olímpicos serão realizados sem dúvida num país ainda mais longínquo do que a China.

Quanto aos atletas, salvaguardando algumas poucas e honrosas excepções, fizeram jus ao estado que os patrocinou; apresentando as piores desculpas que eu já vi em mais de quinze anos a lidar com directores de obra.

Valha-me Blog! O que eu ultimamente desperdicei de assunto para posts…

O melhor então foi a acusação (documentada) de plágio, que o blog “O Verdadeiro Tony” lançou sobre Tony Carreira. Que aparentemente teria andado a declarar como suas, composições de outros; registando-as inclusivamente em seu nome na Sociedade Portuguesa de Autores.

Após uma arrepiante meia hora em que me forcei a ouvir ambas as versões de vários êxitos do popular artista, e depois de algumas visitas à SPA, só pude chegar à conclusão que afinal é mesmo verdade. Com a agravante que ele conseguiu tornar as canções ainda mais pirosas (conseguiu mesmo, acreditem) que os originais.

Não me parece que o tipo desta vez se possa safar com a velha e “olímpica” (LoL) desculpa do “foi sem querer”. Ficanto toda a gente por fim a saber porque é que ele chamou à sua autobiografia - “A Vida Que Eu Escolhi”. Embora neste caso eu achasse mais apropriado - “A Vida Que Eu Copiei”.


Música de Fundo
Living in America” – James Brown

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Chuva Inoportuna
- Se por um lado tudo o que é bom acaba…
Também tudo o que existe é cíclico.
-

O estranho odor do asfalto humedecido pela poalha do estio desperta memórias pálidas de mundos esquecidos; e eu passo pelos vultos que apressados em busca de abrigo seguem alheados. Sempre imersos nas suas batalhas individuais entre a luz e as trevas.

Lembrei-me do sabor da chuva na minha infância. E de como deixava que esta me descesse pela cara até aos cantos dos lábios, traçando assim o mapa para a criação das rugas com que hoje sorrio.

Mas eu sempre sorri assim…

Tal como a chuva, e apesar de nunca ser o mesmo que fui antes sinto-me como se o fosse.

Um avatar de mim próprio, criado apenas pela mutabilidade das circunstâncias.

Penso isto enquanto pedalo pelo último dia das férias. Sentindo constantemente que a matéria dos sonhos continua a encontrar meios de se introduzir na minha realidade.

Voltei!

Música de Fundo
Rain” – The Cult

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