segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Igreja do Imaculado Blog
- Pecado é ser mau jornalista; ou… Quem sobe a um púlpito (seja ele qual for) deve lembrar-se que ao descer dele, encontrará muita gente que lhe poderá dizer coisas desagradáveis… -

Irmãos, irmãs (etc, etc, etc…)! Há já muito tempo que não dou aqui um sermão; mas a retórica é como o sexo oral. Uns gargarejos com Tantum Verde… e a vida continua.

Tenho evitado vir para aqui falar de política internacional, uma vez que a blogosfera está cheia de “analistas desempregados” que não se importam de gratuitamente dar o seu contributo, para aquilo que eu (tal como Jules Verne no Séc. XIX) considero as eleições mais animadas sobre a crosta terrestre.

É um confronto entre duas organizações bastante semelhantes, que competem pela simpatia do público americano numa espécie de “reality show”, que se assemelha substancialmente ao tão conhecido “Programa do Ratinho”.

Mas com o mal dos americanos posso eu bem. Que muitos deles são uns labregos (o país que não os tem, que atire o primeiro míssil) incapazes de apontar num mapa a maioria dos outros países, ou que quando se deslocam para o exterior se comportam bastas vezes como as claques do FCP.

O que me preocupa um pouco são algumas mirradas almas lusitanas, que em vez de tentarem sair da sua ignorância e escavar até à superfície do monte de merda em que o mundo se tem transformado ultimamente, optaram por se acomodar à sua pequenez e começaram a apreciar o aroma.

A última que vi foi novamente no CM, que à laia de celestial revelação nos dizia lá para as páginas do meio - “Irmão de Obama tem duas Mulheres”.

Por momentos assustei-me. Mas logo a seguir lembrei-me que o Marco Paulo não é preto e continuei a ler; “O meio-irmão do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, vive num bairro pobre de Kogelo, Quénia, é polígamo e muçulmano e só fala aos jornalistas por dinheiro”.

Sem dúvida que não se referiam ao Correio da Manhã, senão seria “…não fala aos jornalistas nem por dinheiro”. Uma vez que são tipos que nem copiar sabem, e quando fazem textos apoiados nos já escritos por agências noticiosas, aproveitam para os apimentar com uns quantos adjectivos seleccionados e distorcer um pouco os factos.

Para começar (e que Blog me fulmine se minto) Nyangoma-Kogelo não tem bairros pobres, pela simples razão de ser uma aldeia com (muito) poucas centenas de habitantes. E que sim, é pobre como o são habitualmente as aldeias quenianas, e as de toda a África em geral.

Malik Obama nasceu em Nairobi, mas preferiu estabelecer-se no interior onde possui uma pequena loja de artigos eléctricos, trabalhando como consultor em Washington durante alguns meses por ano (o que é mais do que alguma vez se poderá dizer do tipo que escreveu o artigo). Tendo conhecido o seu meio-irmão Barack apenas em 1985, durante um desses períodos.

Tem (é verdade) duas esposas. Porque tal como Onyango Hussein Obama, o primeiro convertido de Nyangoma-Kogelo e antepassado daquela “Obamaria” toda; é muçulmano. E aqui quero abrir um parêntesis, para manifestar a minha simpatia por todos os irmãos do Islão que têm mais que uma mulher.

Se para uma já é muitas vezes difícil ter paciência, agora imaginem isso multiplicado por dois (e não me venham com a história do sexo, pois estamos a falar de casamento). É quase um bom motivo para conduzir um tipo ao ascetismo.

Se fosse Mórmon ainda podia despachá-las para a Europa com a desculpa de uma bolsa de estudo (ou angariar fiéis), e ir curtir para Kisumu com algumas “acompanhantes” de carnes mais firmes. Mas o tipo, ao contrário de todos os seus cinco irmãos e irmã (incluindo o tal Barack) que vivem nos Estados e na Inglaterra, decidiu estabelecer-se no seu país e ajudar a desenvolvê-lo. Pelo que, mesmo o dinheiro que saca aos ávidos repórteres ocidentais que lá aparecem em busca de pormenores “sumarentos” sobre a família do candidato democrata é aplicado em projectos da comunidade.

(Tudo isto saberia o dito jornalista, se tivesse feito o sacrifício de ler com atenção a reportagem de Tom Maliti da Associated Press; elaborada no já longínquo “anno domini 2004)

É claro que a religião islâmica tem a sua quota-parte de lunáticos, com uma estabilidade emocional semelhante à do Daffy Duck. Mas não nos esqueçamos dos exemplos de histeria e intolerância tantas vezes demonstrados pela cristandade; isto já para não contar com as inúmeras seitas chefiadas por “bispos”, que eram engenheiros civis ou vendedores da Toyota.

Algo está profundamente errado quando se começa a utilizar a fé de cada um como um insulto. Mas Blog é grande! E quem sabe… Talvez eu viva o suficiente para ver o dia em que para ofender alguém, bastará chamar-lhe… jornalista.

Posto isto, acho bem que o homem queira ser pago para aturar gente assim.

Música de Fundo
Serah Gathoni” – J. P. Muiruri

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Animação, só com o PCP!
“Quando eu estava na faculdade de jornalismo, ensinaram-me que um fait-divers era, entre outras coisas, um facto não necessariamente importante mas decididamente interessante. O conceito nunca me saiu da cabeça. A verdade é que, salvo raras excepções, o que é interessante não importa e o que importa não é interessante”
(Edson Athayde, in Diário de Notícias de 28/2/99)

Ainda o “Post Hip-Hop” de 1 de Setembro está visível ali para baixo, e já o CM regurgitou mais uma das suas pérolas de investigação “youtubiana”, que assentou como uma bota da tropa na já periclitante paz de espírito de todas as velhinhas da minha vizinhança.

"A máfia brasileira está entre nós!"
(deixem-me fazer aqui um pequeno intervalo, que eu não consigo rir e teclar ao mesmo tempo)

Logo após isto, a primeira coisa que me vem à ideia é a famosa frase de Jô Soares, no não menos famoso “Planeta dos Homens” - "Não manda máfia pro Brasil que esculhamba la máfia".

Não nos bastava já sermos conhecidos além-mar como “Maria e Manuel Padeiro” heróis de tantas anedotas e letras de canções, e aparece agora para aqui uma Tânia qualquer que acha que “jornalismo de investigação” é andar na Net a ver vídeos caseiros e construir a partir deles belas teorias da conspiração.

Se acreditar (‘tadinho de mim) nos artigos que ultimamente tenho lido para acompanhar a matinal torrada, encontro-me cercado de perigosos terroristas, traficantes, proxenetas e vendedores de banana importados de todos os cantos do globo.

Até poderia ser verdade, uma vez que o meu trabalho me coloca diáriamente na junção entre os bairros “Amarelo, Branco e Asilo”. Mas o maior risco que tenho corrido nos últimos tempos, é o de inadvertidamente pisar um daqueles gigantescos cagalhões de rottweiler, que juncam aquelas ruas esquecidas pelos Serviços de Higiene e Salubridade.

Quem começa a exultar com todo este estranho clima criado por informações mais que duvidosas, são os “patriotas do PNR”. Que a avaliar pelo que tenho lido em alguns fóruns, têm ideias muito próprias de como lidar com o fenómeno da imigração, e de como solucionar de uma vez por todas o problema do Odor Corporal Internacional (OCI), que os incomoda nos transportes públicos.

Por outro lado o “recém-formado PCP” vem despertar a justa indignação do nosso (salvo seja!) PCP (liderado pelo simpático Avô Jerónimo) que logo declarou à citada folha de couve – “… a actividade de um grupo criminoso que actua no distrito de Setúbal denominado por Primeiro Comando de Portugal não pode ser confundida com a sigla PCP. A designação desse grupo de crime organizado induz em lamentáveis e inaceitáveis equívocos entre o partido político que é o Partido Comunista Português, cuja sigla PCP lhe está desde sempre associada”.

Acho que aqueles brasileiros vão ter um problema de "copyright" parecido com o do Toni Carreira...

O mais curioso no meio de tudo isto, é que apesar da enorme distância que obviamente separa as duas organizações, ambas se encontram indignadas e assumem como verdadeiras as notícias do Correio da Manhã.

Coincidência esta, que talvez nos venha provar não ser a pobreza de espírito uma característica exclusiva da extrema-direita xenófoba e “trauliteira”, mas sim algo que se encontra espalhado por todos os quadrantes políticos, e que faz sim parte do imorredouro “espírito português” tão gabado por Pessoa.

Acho que quem tinha mesmo razão eram os “Mamonas”.


Música de Fundo
"Vira-vira" - Mamonas Assassinas
(Link)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Terabytes de Cibergajas…
- Interrogações legítimas sobre algumas virtuais particularidades do “eterno feminino” (por exemplo: “O que é isso do Eterno Feminino?”) que qualquer homem gostaria de ver clarificadas, pelo menos antes do Juízo Final (e do consequente “apresentar da conta”) –

Dificilmente alguém me ouvirá dizer que não compreendo as mulheres. O que normalmente acontece é que algumas vezes tento entender algo que elas querem que eu compreenda à “viva força” (nem sempre com sucesso); e em outras alturas não percebo absolutamente nada, especialmente se estiverem apostadas em “… não ser compreendidas por um determinado espaço de tempo…” (a famosa “Condicionante de Korotkov”, que quase o guindou ao Prémio Nobel).

Apesar já de saber desde tenra idade que homens e mulheres são diferentes (uma das mais gratificantes descobertas que fiz até hoje), também me foi ensinado que paradoxalmente somos construídos do mesmo modo. Ora tudo isto em vez de esclarecer ainda traz mais confusão ao assunto. Uma vez que, ambos os pressupostos apesar de certos se contradizem facilmente na prática. Levando-me a pensar se no meio de tudo isto há alguém que queira mesmo ser compreendido.

Nós (Os homens. E falo apenas pelos tipos que fazem parte do meu “círculo”.) pelo menos não temos qualquer interesse em ser compreendidos, pois isso só nos iria acarretar um sem-número de contratempos e obrigações adicionais, que complicariam ainda mais a “dança do acasalamento”; que já dá trabalho que chegue. Embora em “ambientes restritos” ainda se possa ocasionalmente ouvir um ou outro macho a dizer – “…ela não me compreende…” – mas como explicarei em qualquer outra altura, esta afirmação nunca é o que parece.

A meio de tudo isto aparece uma nova facção feminina, que julgo ter eclodido com o objectivo de lançar a confusão sobre aquilo que já se começava esperançosamente a chamar (sotto voce) “entendimento entre os sexos”: A “cibergaja”.

Para evitar mal-entendidos e “conversa a mais” sobre o assunto, passo a informar que o termo “cibergajanão descreve genericamente a mulher que utiliza a “net”, mas apenas um outro tipo de “entidade virtual” que se vem juntar aos “Trolls”, “Flamers”, “Lamers”, e ocupar o seu tão merecido nicho no panteão do nosso imaginário.

Para começar, a “cibergaja” não existe excepto no mundo virtual.

Aliás… Após algumas detalhadas descrições do fenómeno a machos “não informatizados”, foi exactamente isso que todos eles disseram – “Essa gaja não existe!” – E eu concordo com eles, não necessariamente pelas mesmas razões.

Ao contrário da mulher (modelo base) que segundo a tradição cristã terá sido invocada através de uma costela masculina, a “cibergaja” não só terá utilizado mais “material de enxertia” em relação a esta, como aparentemente o extraiu daquele segmento masculino que faz as delícias dos coleccionadores de “ditos de espírito” e dos fabricantes de “peúgas desportivas”. O conhecido “trolha”.

Apropriando-se dos comportamentos mais discutíveis desse “sub espécimen” masculino, a “cibergaja” manifesta-se uma “Uberfrau” de sexualidade voraz e irresistível, com uma prole super inteligente obtida por clonagem; e para a qual aparentemente homem algum contribuiu geneticamente. Uma vez que são geniais e saem invariavelmente à mãe.

A sua vida social/profissional é bastas vezes brilhante e sofisticada (mesmo que na vida real possa ser uma “técnica de higiene” com as varizes da diuturnidade), desmultiplicando-se em eventos glamourosos, e incondicionais conquistas que displicentemente ostenta como troféus de caça.

O que mais me fascina no portfolio da “cibergaja” é a sua intensa libido. Algo que se situa entre a rapacidade do “Demónio da Tansmânia” e o código de conduta de um Giacomo Casanova. Predicados estes, que lhes granjeiam a adoração dos machos e o ódio das fêmeas menos dotadas; que presas do demónio da inveja se refugiam em locais insuspeitos.

Curiosamente, ninguém faz ideia de onde se acoitam os milhares (estou a tentar ser um tipo porreiro) de espécimes femininos, periodicamente recusados por “desempenho insuficiente”. Talvez não venham para a net…

Há alturas em que eu próprio reflicto se parte das “cibergajas” não serão na realidade gajos, que devido a possíveis frustrações ou recalcamentos, tentem assim aviltar a imagem da mulher. Utilizando para tal um doentio imaginário, povoado com demónios onanistas de expressões contraídas e tensas.

Algo que parece fascinar a “cibergaja” de sobremaneira, é o corpo das outras mulheres. A ponto de insinuar frequentemente existência de uma profunda intimidade “entre gajas”, coisa que vai completamente contra a filosofia inicial. Senão, vejamos…

Homem que é homem não vai para o balneário do ginásio oferecer-se para passar creme hidratante nas coxas dos seus amiguinhos, pois não? Pois!.. Aparentemente a “cibergaja” não só faz isso, como produz comentários judiciosos sobre o cheiro, a textura e o bom aspecto das outras; criando assim entre elas um clima intimo e de confiança mútua. O que aqui para nós só conduz a uma conclusão. A pensar assim, só podem mesmo ser gajos!

Não acreditam?

Então digam-me qual é o tipo de mulher (hetero, claro) que tem prazer em…

*****

Após ter escrito estas duas folhas A4, reparei que me encontrava numa encruzilhada epistemológica. E que afinal, este era um post que não iria conseguir produzir qualquer resultado conclusivo sobre a natureza do fenómeno “cibergaja”. Pelo que embora fique o estudo incompleto, aqui deixo estas esparsas notas; para que algum outro colega mais paciente mas igualmente curioso quanto a esta “particularidade”, possa chegar eventualmente a alguma conclusão.
(e aproveitar para escrever um post)

Música de Fundo
You Fucking Love It” – Dirty Pretty Things

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Suave Melodia...
- Uma inquietante viagem às abissais regiões onde a mente humana esconde as suas misérias, terrores e preferências musicais (as seen on TV)… -

Ele de algum modo pressentia que a sua condição mental se vinha deteriorando nos últimos tempos; a ponto de se sentir atacado tanto por alucinações visuais como olfactivas. Por exemplo, recentemente quase toda a gente que consigo se cruzava parecia usar “Lolita Lempicka”; o que evidentemente era demasiado exagerado para ser real e sintoma de que algo de estranho se passava ao nível da percepção.

Toda essa instabilidade era resultante de um acumular de situações equívocas, em que por uma emaranhada sucessão de acontecimentos se encontrara a certo ponto numa posição, em que lhe era completamente impossível recusar determinado pedido; mesmo que particularmente desagradável, penoso e/ou repugnante.

Ele não fazia qualquer ideia de há quanto tempo a teia vinha sendo urdida, mas fora no sábado que ela finalmente dissera aquilo.

Ao lembrar-se, sentiu nitidamente uma gota de suor soltar-se da base do pescoço, e iniciar uma descida controlada pelo tronco abaixo; como uma minúscula bola de neve que se preparasse para produzir uma monumental avalanche, sobre a tundra gelada em que o seu peito se transformava.

Tudo isso frio a mais para um único dia de verão.

Amargamente recordou todas as pequenas traições e falhas de carácter que durante os anos ela fora deixando escapar. Primeiro os “Boney M”, depois o Art Sullivan e por fim os Abba… Forçou-se a sorrir num esgar de diluído desconforto; enquanto a enxaqueca regressava, desta vez em força, acutilante e incómoda como uma broca de dentista.

A dor de cabeça emoldurava na sua memória a expressão perfeitamente natural com que ela declarara, peremptoriamente, como se explicasse a constante de Planck no “Clube Amigos Disney” – Vamos ver o “Mamma Mia”! Tem música dos Abba e entram a Meryl Streep e o Pierce Brosnan. Deu há pouco a apresentação no noticiário e pareceu-me muito divertido.

Felizmente sabia como fazer passar a dor… - Pensou, enquanto lhe agarrava o pescoço com ambas as mãos, apertando suave mas seguramente.

Contemplou-lhe atento o rosto que lentamente arroxeava e sorriu; começando muito baixinho a trautear – “…There was something in the air that night. The stars were bright, Fernando…

Música de Fundo
Fernando” – Abba
(Foi a pior de que me lembrei)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Post Hip-Hop
- Dedicado à “Dama Vanus” e extraído do imaginário neo-incoerente da cultura suburbana… -

“Kurto o m€tro de superfíX
ke tem ar kondiçionado
PrrrtPrrtPrrPrr… (onomatopaica para dar ritmo)
Tem pulas praEu katar
E os outros olhamPró lado …
Hutchprr-PrrPrr… (onomatopaica para dar ritmo)”


(poeta Basofe anónimo – Séc. XXI)

O imaginário colectivo é uma coisa prodigiosamente moldável. Basta um qualquer jornal com problemas editoriais apostar numa caçada a tigres de papel, e temos instalado o estado de emergência nas mentes dos pacíficos cidadãos; a quem notícias truncadas e descontextualizadas são impingidas como de factos provados se tratasse.

Não quer isto dizer que na periferia das cidades, nos tais guetos que as nossas consciências entorpecidas permitiram que fossem criados por sucessivos governos de incompetentes, não existam verdadeiros criminosos. Mas agora procurá-los no Hi5, é de uma debilidade mental digna do Inspector Clouseau (só que com muito menos piada).

Ora o Hi5 é bom para imensas coisas, como observar as últimas tendências da moda em Marvila, ver miudinhas a exibir aquilo que não têm, ou encetar tórridos (e virtuais) romances com “beldades” peritas em Photoshop.

Como em todas as comunidades, poderá eventualmente aparecer no Hi5 um verdadeiro criminoso cuja “Glock 23” não tenha sido comprada na “Loja Ling-Tiang” (os melhores alguidares em polímero de baixa densidade), ou como a minha, se trate de uma “Gamo Auto 45” que dispara bolinhas de chumbo impulsionadas por um gás inerte. E se o encontrarem lá é porque é estúpido.

Curioso após a leitura deste artigo que denunciava a existência de perigosos gangs armados que se acoitavam no Hi5, fiz uma pequena pesquisa sobre o assunto; o que me fez passar uma das tardes mais hilariantes dos últimos tempos. Não só pela quantidade de páginas em que putos se gabam de coisas que vêem nos clips de Hip-Hop, como por isso me ter conduzido ao Youtube.

Ah, o Youtube… Essa Hollywood dos tesos, onde se encontram verdadeiras pérolas artísticas à mistura com vídeos de férias, e recriações da Batalha de Ourique com figurantes de ténis e bonés da Nike.

É claro que já poucos se devem lembrar dos “Chuis do Hi5”.

E perante a crescente violência da criminalidade (que já existia antes do Verão), quase ninguém hoje em dia teria grande prurido em proferir um – “Ó xô guarda, dê-lhe mais umas arrochadas que o tipo usa fato de treino azul-petroleo…”. Mas é assim que se começa por justificar o cercear das liberdades em nome da segurança, e se acaba num estado policial, em que até para falar de certos assuntos em casa se tem que pôr a tocar um CD dos Iron Maiden. Não vá a vizinha do lado estar a ouvir tudo, com um copo encostado no outro lado da parede.

Não sou sociólogo, antropólogo ou qualquer dessas especialidades para as quais não é preciso ser bom a matemática, mas já tive a minha dose de grupos (que não “papo” nem um bocadinho). O que me ensinou a distinguir um comportamento individual, dos tiques grupais manifestados para obter aceitação.

No meio da nossa pacata vida quotidiana existem grupos (maioritariamente juvenis) que possuem nomes (e a quem os outros grupos chamam outros nomes), com calão próprio, indumentárias tipificadas e comportamentos miméticos; que espelham muitas vezes a realidade que os rodeia, ou as aspirações de vida que os pais, a TV e o cinema lhes inculcaram. Material este que em muito dos casos, serve para preencher um vazio que devia ter sido ocupado com educação e instrução.

Mas isto não é um sermão da “Igreja do Imaculado Blog”, e eu sou apenas um “Pula” (por antítese aos “Blacks”; também conhecidos em certos círculos como “seres basálticos”) de meia-idade que acha imensa piada àqueles que se encarniçam sobre tudo o que não compreendem.

É claro que uma grande percentagem da cultura suburbana é de mau gosto. Mas também o é uma grande parte da música dita “popular” (e mesmo da outra que a minha geração tanto gosta), da TV (especialmente aquelas novelas que dizem retratar a realidade) e da “literatura” portuguesa que se anda a vender por esses hipermercados afora. Isto já para não falar em blogs…

Não era minha intenção vir em defesa de miúdos que têm um gosto atroz em matéria de roupas, e escrevem como se estivessem na pré-primária. Mas enquanto anda tudo preocupado com os que se exibem e fazem grande alarido, outros mais circunspectos e bem armados vão preparando o próximo “trabalho”. E duvido muito que o executem a cantar Hip-Hop ou ajoujados com “amarras” de ouro falso.

Só para terminar e se quiserem passar um bom bocado, quando fizerem pesquisa de fotos, vídeos ou mesmo textos sobre o assunto, introduzam os termos: Basofes, Gunas, Xungas, Mitras ou Betos. Aí então decerto vão perceber o que eu queria dizer.

E curtir à brava, claro.

Música de Fundo
“Les Oiseaux dans la Charmille” – Patrícia Petibon
(Contos de Hoffmann – Jacques Offenbach)

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