segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Tecnocrata é a puta que o pariu!...
- Post de político Escárnio e Maldizer; ou o que diria o Pai Natal se lhe perguntassem sobre o PSD… -

Conheço esse PSD desde que nasceu e nunca foi boa rês. O pai dele (que já morreu; e que Deus o guarde, não vá ele ter ideia de voltar…) fez a sua última acção meritória naquele dia de 1973; em que juntamente com outros deputados liberais, abandonou a Assembleia Nacional numa ostensiva forma de protesto.

O meio e final dos anos 70 foram uma das melhores alturas para quem se quisesse fingir social-democrata. E foram esses (e não os 80, como sustentam alguns estudiosos da matéria) os anos dourados do PSD; em que todos acreditavam que aquela mania do cor-de-laranja reflectia modernidade e inovação; em vez da simples incapacidade para distinguir subtis diferenças cromáticas.

O PSD tinha pois nascido daltónico por uma cruel determinação genética; tendo à sua frente uma agreste existência pautada por penosas incapacidades e insuficiências, até que essa doença degenerativa que lhe dera o nome o devolvesse ao caldo bacteriológico de onde um dia saíra por puro capricho do caos.

Nos anos em que eclodiram alguns dos mais significativos surtos de PSD, deram-se também aparições de proeminentes figuras que revelariam com a sua existência, o conteúdo dessa verdadeira chamuça política; que temos deglutido sem qualquer interrogação sobre a qualidade dos seus ingredientes.

Deixem-me aqui abrir um parêntesis, para explicar esta teoria que tenho vindo a desenvolver desde os tempos da minha juventude.

Os políticos são como as borbulhas “de cabeça”, pois basta “espremê-los” um pouco para logo vermos esguichar toda aquela merda com que os enchem no seu local de origem (seja ele qual for). Mesmo os independentes evitam colocar-se em situações de excessiva pressão política; pois como devem calcular, ninguém gosta de mostrar aos outros a merda de que é feito.

Ainda me recordo da primeira leva de políticos do PSD, que em relação aos actuais tinha como grande vantagem, a aparência de possuir objectivos e planos para eventualmente os atingir.

O último político dessa classe foi Cavaco Silva. Que apesar de afectado por sérios atavismos (como a incapacidade para eliminar com rapidez migalhas de bolo-rei), logrou findar a sua existência nesse calmo “cemitério de elefantes” a que dão o nome de Presidência da República. Encerrando assim uma era de políticos completos (apesar do seu “recheio” duvidoso), e dando lugar à actual situação que mais se assemelha à Feira da Golegã; mas com cavalos mancos.

Aliás todos eles se encontram num estado tão lastimável / lastimoso, que seria um dever de caridade cristã (ficamos pois a aguardar a “boa obra” de algum Democrata-Cristão) abreviar misericordiosamente a sua existência política; e enviá-los para o “Céu dos Políticos” onde todos os dias são de reconhecimento, e todos têm um lugar de gestor em empresas participadas pelo estado.

Longa é a lista dos infectados, mas poucos deles são ainda recordados. Escapando talvez os mais mediáticos como o comentador Marcelo que (por “necessidades” de campanha eleitoral) decidiu um dia mergulhar no Tejo, acabando por provar para a ciência que a contaminação por coliformes fecais pode atingir o cérebro; isto se o órgão for de tamanho suficiente para despertar o interesse dos simpáticos microorganismos.

Na mesma classe de virulência temos o caso de “El Presidente”; um escorregadio animal político originário do MRPP que não confiando na solidez do cargo de Primeiro-Ministro, o trocou pela presidência da CE alegando incapacidade para o cumprimento das obrigações salariais por parte do país (que estava como ele dizia “de tanga”).

Na mesma categoria dos infectados mas sendo claramente mais popular, temos “O Eterno Sobrinho”. Também conhecido pelo carinhoso epíteto de “Menino Guerreiro”, o Eterno Sobrinho é um misto de irresponsável “ai Jesus” das tias, e simpático vigarista tão em voga nos filmes franceses dos anos setenta.

Não sabendo fazer contas, tem uma péssima memória que amiúde o coloca em situações caricatas; das quais apenas consegue escapar mercê da simpatia despertada nas velhinhas e nas debutantes, que são o seu principal público-alvo. Entre os aqui apresentados trata-se – pensamos – daquele que suscita mais simpatias, pois devido ao facto de não ter tomado qualquer iniciativa durante os seus mandatos políticos, dá a ilusão de ser alguém a quem não se conhecem insucessos ou fiascos de maior.

Para terminar esta galeria de estranho casos políticos temos a “soturna máscara da morte”; que ao contrário do que o nome possa sugerir, é apenas alguém possuidor de uma tímida alma poética e que no fundo apenas quer ser amada (o que começa a tornar-se cada vez mais difícil, à medida que vai soltando bujardas indiscriminadamente durante tudo o que é entrevista).

Este último caso cuja severidade se tem manifestado publicamente nos últimos tempos, tem sido agravado por cruéis ataques de coerência que em nada ajudam a paciente.

Esta instada a fornecer resposta para diversas interrogações, é compelida pela “condição mental” a verbalizar os seus verdadeiros pensamentos, coisa que a torna num sério risco para a restante comunidade; que encara aterrorizada a perspectiva de se espalhar esta infecção, e vir a generalizar-se um dia o hábito de dizer o que se pensa durante as entrevistas.

Sabemos que mesmo partidos cuja linha política pouco tem em comum com a do PSD, desenvolvem neste preciso momento investigações no sentido de debelar esta perigosa “afecção laranja”, que ficará para sempre conhecida como SFL (o síndroma Ferreira Leite), ombreando com flagelos tão conhecidos como a SIDA e o Crédito Mal Parado.

Por alguma razão desconhecida e para gáudio do PCP e BE, os partidos de esquerda não parecem ter sido afectados por esta compulsão para dizer o que pensam. Possivelmente um resultado de imensos anos de treino e “programas de vacinação”.

Agora desculpem, mas tenho que ir embora antes que comece a falar de Pacheco Pereira; que isso são logo mais outras três ou quatro páginas.


Música de Fundo
Cantiga para Pedir Dois Tostões” – José Mário Branco

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Insuspeito Post de Segunda-Feira
- Onde quase se demonstra que segunda-feira é o dia ideal para coisas novas, como maledicência política, reminiscências marotas e envio de parabéns. Ou seja, tal e qual como qualquer outro dia… -

Deveria ver aqui hoje a luz do dia, um post sobre os representantes do PSD através dos tempos; e de como algumas proeminentes figuras da actualidade lidaram no passado com situações de crise (tendo alguns deles inclusive, sido os causadores dessas mesmas situações de crise).

Mas como entretanto fui dar uma volta pela minha blogosfera habitual, cheguei à conclusão que o mundo já tem tristeza que chegue mesmo sem nos dedicarmos a desenterrar esqueletos da politiquice. E decidi assim dedicar-me a coisas mais alegres.

Há muito tempo não fazia um post de aniversário, e normalmente manteria o meu saudável mutismo em relação ao assunto se desta vez não se tratasse da Maria Árvore.

Ah, os aniversários… Todos nós termos escondido em qualquer recanto poeirento das nossas memórias, uma ou outra recordação de um aniversário inesquecível.

Quer seja aquele em que recebemos o “Conjunto Bonanza” com estrela de sheriff e fulminantes incluídos, ou o outro em que a prima Carminho decidiu finalmente que já seria altura de nos iniciar nos prazeres da carne… Bem, continuando. Qual de nós não tem boas recordações de um ou outro aniversário?

Os aniversários além do simbólico paralelismo que têm com o retorno ao conforto do útero materno, são acima de tudo a comemoração do júbilo que é estar vivo.

E é a alegria de estar vivo que venho hoje aqui festejar. A alegria com que a Maria Árvore diariamente gasta os trocos do seu tempo, naquela colossal Jukebox que é a vida (Sei que é um pensamento muito “rockabilly”, mas era isso ou Zen. E eu hoje não estou para aí virado.).

Por isso, depois deste pequeno salamaleque… Um beijo, e Feliz Aniversário, Maria Árvore.

(Como prova do meu apreço, envio-te igualmente a foto de um genuíno “Mocinho das Obras”)

Música de Fundo
She Wants to Move” – N.E.R.D.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Memórias encontradas num fogareiro
- Onde se descobre que o pó que anda pelos ares e em tudo pousa, são segundos amealhados e perdidos que esqueceram a sua utilidade -

Após vários anos de submersão no vasto oceano de tralhas que a minha mãe ainda insiste em guardar (… é uma recordação, filho. Daqui a uns anos, vais gostar de o ter guardado…) o velho Hipólito Nº 2 apareceu finalmente; como um submarino naufragado que ganha por fim a superfície, após várias décadas de frígido exílio nas profundezas do oblívio.

Trazendo com ele uma tripulação de memórias; quais marinheiros de olhar glauco e pele macilenta, libertos finalmente do seu encharcado limbo. Amortalhados na edição de sexta-feira dia 9 de Março de 1984 do igualmente defunto Diário de Lisboa.

Em “cross-reference” com o emergir do velho Hipólito, salta-me sempre aquela passagem de “A Morte é um Acto Solitário” de Ray Bradbury; em que o personagem principal ao manusear uma gaiola vazia, lê inadvertidamente no jornal que forra o fundo, a notícia da invasão da Abissínia por parte de Mussolini. Mas hoje em dia estas palavras de sonoridade estranha, apenas fazem lembrar uma qualquer marca de lasagna pré-congelada ou tortellini.

Voltando a Março de 1984; data em que Hipólito se torna finalmente “underground”.

Lembro-me bem desse ano porque teve coisas estúpidas e coisas excitantes; algumas delas com doses iguais de ambos atributos.

Lembro-me (embora não venha nesse número do DL que “apenas” custava vinte escudos) por exemplo, que o livro mais vendido nesse ano foi “mil novecentos e oitenta e quatro” de Orwell. Sem dúvida que não terá sido o mais lido, mas ficava bem ter na estante um livro que falasse do ano em que se estava. Se bem que, pelo que se vê, ninguém tenha dado muita importância à mensagem que ele tenta transmitir.

Apesar de tudo, na primeira página e em seguimento às acções que o governo previa tomar em relação à insegurança causada pelo caso FP25, o editor punha a seguinte interrogação – “Até que ponto, a pretexto da segurança pública, será vigiada e controlada a liberdade individual?

Tal como sabemos agora, até ponto nenhum!

Arno Mikola levava um segundo de vantagem sobre Markku Allen. Mas também, com um velho Audi Quattro não se podia esperar muito…

Numa pequena resenha sobre outras publicações (Pag. 2), O Diário capitalizava mais uma das inúmeras gaffes de Mário Soares. Desta vez em visita ao Vaticano.

Na página quatro “Eanes aprofunda relações com três países africanos”. Embora tenha lido isto em diagonal, deu para perceber que a ideia de Sócrates em pegar num avião, atafulhá-lo com empresários e ir passear à conta do erário nem sequer é original. Tal como também não é original a ausência de resultados práticos, dessas mesmas visitas.

Por sua vez, Mário Soares (Primeiro Ministro) iria ter um encontro com Perez de Cuellar para “uma abordagem da questão de Timor” (LoL).

Títulos Avulsos

- “Chirac quer ingleses fora da Europa agrícola

- “Crédito ao sector primário privilegiado em 1984 – Anuncia o Banco Pinto & Sotto-Mayor

- “Têxteis: mais de 10 mil despedimentos em 1983

(No Teatro de S. Luiz a Orquestra Sinfónica da RDP, interpretava às 17h. o Concerto Nº 20, K. 466 de Mozart. Assim… Só o apelido, como se fosse o Silva da Loja de Penhores; era o tu-cá-tu-lá com os compositores clássicos)

- “Preso do PRP já não come há 18 dias

- “As hemorróidas não são mais um problema. Com SPERTI’H, o inchaço, a dor e a comichão desaparecem” (Pag. 8)

Torres Couto no seu avatar de Lech Walesa meio diluído, dizia – “Não temos empresários à imagem da Europa” – Enquanto metade dos membros da Câmara do Comércio Luso-Alemã, cabeceava convulsivamente sobre as mesas; como alguém que tentasse sofregamente ler “Os Irmãos Karamazov” em tempo record.

Navios de guerra turcos no Norte do mar Egeu, dispararam sobre um navio da Marinha Nacional Grega; o “Panthir”.

No topo das preferências cinematográficas encontrava-se “Feliz Natal Mr. Lawrence”. “A Mulher em Chamas” de Robert Van Ackeren, estava há já três semanas no Quarteto. E representava-se “A Boa Pessoa de Setzuan” de Bertolt Brecht, no Teatro Aberto.

A TV então, era tão deprimente que me recuso a falar aqui nela. Talvez com excepção para “Yes Minister” que dava às quartas-feiras às 21 horas.

Isabel Lobinho expunha na Galeria Diário de Notícias, e Jorge Palma anunciava o lançamento de “Asas e Penas”; iniciando assim uma nova etapa no que quer que fosse que atravessava naquela altura.

Mário Castrim lá pela página 17, apelidava o futebol de “droga nacional”. Declarando num remate final – “Entre o imaginário carioca e o bestiário ianque, a RTP afasta-se de Portugal. E transforma-se em deserto habitado por fantasmas.” Era assim um bocado “à Pessoa”, mas fazia-se entender bem.

Estarrecido, descobri que metade das palavras cruzadas estavam preenchidas com a minha caligrafia. Sim, eu tivera esse tipo de hábitos.

A Casa da Sorte acabava de premiar os números 17.435, 50.939 e 19.792. Mas nunca foram o meu forte, os jogos de azar. Senão para que precisaria de sorte?

Ou era impressão minha, ou o pó do jornal começava a provocar-me alergia?...

Para o dia seguinte previa-se céu pouco nublado. Vento fraco ou moderado de Leste. Arrefecimento nocturno com ocorrência de geadas.


Música de Fundo
She's Lost Control” – Joy Division

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Olha o belo repost dois em um
- Traído pelos meus anti-corpos caio presa dos cruéis micróbios; que como todas as coisas pequenas, só mordem onde não devem… ( Desculpem o repost, mas a gripe não perdoa) -



Astronomia

Ás vezes anos-luz
medem-se em sorrisos.

E encurta-se o espaço
apenas com palavras.

Mas como tocar uma estrela
sem lhe ofuscar o brilho?

Ou sem ardermos nós em altas chamas…


*


Designações

O permanente dia de chuva que cobri com celofane colorido,
a quem chamo Verão;

O espírito batido pelo vento em exposta agorafobia,
a quem chamo Alma;

A muralha no caminho da erosão,
a quem chamo Corpo;

A parte de mim que morreu,
e por quem já não chamo…


Música de Fundo
Far From Me” – Nick Cave


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