sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Este Meu Fado
- Toda esta “marialvice” que se segue pode ser considerada “politicamente correcta”, porque além de ser sobre política, é também verdade (Que querem? À semelhança dos políticos, a língua portuguesa é muito traiçoeira) -

O tipo do bolo-rei ou está mesmo a cair da tripeça, ou faz parte de uma conspiração internacional para denegrir a imagem inteligente (e que tanto lhes custa a falsificar) dos chefes de estado de todo o mundo. O certo é que está a perder o toque; pois já nem uma insignificante intriga palaciana consegue controlar.

Mas gora deu-lhe para se antecipar (o que é uma quebra grave de protocolo) à Conferência Episcopal Portuguesa, e à semelhança de qualquer menino queixinhas da instrução primária, vir a correr a anunciar a próxima visita do Papa B-16 (também conhecido como “o bombardeiro do Senhor), sugerindo que tal se deveria apenas à sua “humilde” pessoa.

O facto de tal anúncio ter sido feito praticamente em cima das eleições, é uma manobra tão descarada que até os bispos o acharam pouco adequado. E vem contribuir tal como as sondagens tendenciosas e de resultados tão dispares entre si, para o aumento da confusão que já grassa no nosso pequeno quintal.

Como não tenho grande paciência para “partes gagas” (como costuma dizer o Apóstolo) fico-me hoje por aqui, mas dedico-lhe um fado.

Só que devido à minha proverbial preguiça, vou seguir o exemplo de um tipo aqui “ao lado” e “homenagear” Júlio de Sousa Olho, plagiando e assassinando em directo um seu famoso fado que costumava ser cantado por Toni de Matos.


Cavaco vai-te embora

Sempre que pago portagem
Tudo me fala de ti
Do dinheiro que perdi
Que ainda por cima era meu
Sim, a única verdade
Presente no teu governo
Era a massa que estoiravas
Do famoso apoio externo

Cavaco, vai-te embora
Deste país tão cansado
Que nestes muitos anos tens lixado
Ficou
Bem conhecido este chavão
Que à noite o SIS é um papão
Que os “Xuxas” usam sem piedade
Também
Vejo que sentes a saudade
Do tempo do “Cavaco Amigo…”
Mas acho que não era verdade

Vai… andor… dá-me essa alegria
Põe-te a andar; vai, por piedade
Pois só nos faltas ao respeito
Com essa falta de ombridade
Porque é que será que agora vens
Insultar a nossa inteligência
Porque será que agora vens tentar
Transformar a intriga numa ciência

Anda Pacheco!... (como dizia a “ti” Hermínia)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Isto das eleições é uma maçada.
- Não contentes por nos terem entalado nos últimos vinte e dois anos (desde que Cavaco foi 1º Ministro), agora ainda nos estragam um domingo e nos obrigam a ir colaborar com o inevitável -

Só de imaginar que vou ter que abdicar do meu ciclismo matinal no próximo domingo, para evitar que a Manuela se “abife” ao poder e que Sócrates obtenha a maioria, fico cheio de urticária como se tivesse comido uma lata inteira de anchovas com alcaparra.

Mas ao menos eu gosto de anchovas; ao contrário dessas duas iguarias de qualidade duvidosa.

Não que sejam os únicos a merecer o meu escárnio. Mas apenas eles se encontram em posição (há tantos anos que se encontram nessa posição, que já devem ter reumático) de ganhar as legislativas.

É claro que também acho imensa piada ás minorias. Como aquela senhora de pele oleosa que apareceu há uns dias na TV (não me lembro do nome do partido/movimento, mas acho que era azul ou por aí…) a dizer que a recuperação do país passava por um plano.

Por breves momentos parei, expectante, interrompendo a minha esporádica passagem pela sala. Mas afinal ela não tinha plano nenhum. Apenas achava que devia haver um plano.

Para nos brindarem com essa pérola do discernimento lusitano, mais valia terem passado uns anúncios; ou mesmo a saudosa mira técnica, que era bem mais interessante que o programa e objectivos de muita gente.

Seria um pouco monótono voltar a desfiar o rosário das minhas reclamações sobre os dois candidatos (Sim! Só existem dois candidatos. O resto é uma espécie de cintura de asteróides políticos que andam para ali ás voltas), pois nestes anos tenho-lhes arreado forte & feio em todas as ocasiões.

Mas não posso deixar de emitir uma ou duas observações sobre esta campanha:

1ª - MFL proferiu durante um dos seus últimos discursos, algumas das opiniões mais acertadas que já lhe ouvi. Afirmando que é tempo de ser competente, honesto e etc. É claro que se nos reportarmos aos governos a que o PSD presidiu, ficamos a saber bem o que ela quer dizer; pois pouco ou nada encontramos lá dessas tão propaladas virtudes.

E talvez fosse melhor o PSD não falar em asfixia democrática antes da morte de João Jardim. Que só sairá da “cadeira” do mesmo modo que Salazar.

2ª - As Eleições Autárquicas vão ser muito mais divertidas que estas. É que o PS ao fim deste tempo todo em que espalhou pela cidade cartazes com dizeres alusivos (democracia, competência… ad nauseam) ao referido sufrágio, finalmente ganhou coragem e lá apareceu com outros bem mais pequenos em que aparece o retrato de Paulo Pedroso a encimar a frase “É Almada que está em jogo!”.

Sempre quero ver a que é que ele vai querer jogar…

Mas é uma maçada. Ter que sacrificar um dia de merecido lazer, apenas para tentar evitar que a direita (PSD) ganhe e que a social-democracia (PS) perca; fugindo assim à responsabilidade sobre o buraco em que nos meteu.

Música de Fundo
Know Your Enemy” – Green Day

quarta-feira, 16 de setembro de 2009


O Regresso do Intrépido Explorador das Dúzias
- E a fantástica descoberta de mais um novo bicho, que irá enriquecer a já tão vasta fauna suburbana da Margem Sul -

Já perdi a conta aos posts sobre o regresso, profundos e cheios de significado, que escrevi para depois apagar. Nada disso tem mais sentido do que dizer apenas que resolvi aparecer. Não sei se por muito ou pouco tempo; mas a vida sem blog pode ser tão aborrecida quanto o ter que pensar em algo para publicar aqui regularmente.

Durante estes seis meses pouco se passou que seja digno de nota. Fiz praia, trabalhei, escondi-me um tempo na serra e ajudei a combater um incêndio durante o qual tive um episódio cósmico com um ouriço; o que me fez reavaliar um monte de outras coisas que nada tinham a ver com o assunto.

Mas estes primeiros tempos da “Segunda Vinda”, não deverão ser tão aborrecidos assim. Pois além de nos encontrarmos em plena época venatória no que diz respeito à classe política. Nenhum dos principais candidatos merece mais credibilidade que o seu colega do partido ao lado; o que na prática equivale a dizer que desta vez não existem espécies protegidas.

Irei também falar-vos mais em pormenor de uma nova idiossincrasia do mundo animal.

O “Decibélico Celular Ambulatório” é uma espécie cujo habitat pode ser estabelecido em qualquer zona mais “chunga”, embora eu os tenha observado principalmente na região do Bairro Amarelo (onde predominam as variantes “Africansis” e “Romani”) e a bordo do Grande Trem da Selva (também conhecido como MTS).

Mas uma vez que comecei a falar dele, o melhor é despachar já o assunto.

O Decibélico Celular Ambulatório (ou DCA) é uma ave canora que compensa a sua fraca plumagem com a exibição de dispositivos de alta tecnologia (normalmente um telemóvel), de onde emite os seus apelos de acasalamento e/ou de desafio territorial em tom “Techno”, “Kuduro ou “Kizomba”.

Devido à originalidade dos seus rituais e ao volume com que emite os seus chamamentos, o DCA começa já a ser alvo de caçadores furtivos e traficantes de animais raros; que normalmente operam disfarçados de revisores do MTS.

Hoje, por exemplo, seguia eu muito descansadinho no MTS em direcção à Selva Amarela (e rosa, e branca, etc.) quando fui surpreendido por um súbito “Huntzzz-huntzzz” que se ouvia cerca de dois bancos atrás de mim. Instantaneamente reconheci o canto característico do Decibélico Celular Ambulatório, na sua fase de desafio territorial.

Para os que ainda não tiveram a insólita experiência de encontrar um destes animais, aviso que a sua primeira tendência será a de se levantar, dar-lhe um par de tabefes e atirar a merda do telemóvel pela janela.

Mas não consideramos aconselhável esse tipo de abordagem; pois embora ainda não seja uma espécie protegida, é quase maioritariamente composta por espécimes muito jovens. O que normalmente desperta a piedade e subsequente repulsa sobre o agressor, por parte de todos os organismos de protecção ao ambiente e associações de pais.

De qualquer modo, as janelas do Grande Trem da Selva também não abrem. Isto talvez por causa das serpentes ou apenas devido a este ter ar condicionado.

Mas dizia eu… Ah!... Mal ouvi os primeiros trinados desta ave assaz irritante, olhei disfarçadamente o reflexo no vidro da janela; constatando que o espécime em causa era um jovem de cabelo oleoso (sem dúvida da variedade Romani), que exibia aos seus amigos um telemóvel de onde saia toda aquela cacofonia; tão ao gosto de antropólogos e assistentes sociais, Que julgam através dos sons assim emitidos, adivinhar a personalidade e estado de espírito da referida bicheza.

Mas entretanto a composição estava a chegar à estação onde normalmente saio. Um local semi-devastado por selvagens indígenas, que sistemática e regularmente vandalizam as cercanias. Tendo já partido o relógio e o quadro eléctrico dos horários; assim como os vidros do abrigo junto à bilheteira, que já foram substituído várias vezes.

Preparei-me para sair. Mas por alguma razão desconhecida as portas não se abriam.

Entretanto, logo atrás de mim, o DCA e os seus amigos um pouco alvoroçados, carregavam freneticamente no botão de abertura das portas; enquanto lançavam olhares inquietos para o outro extremo da composição.

Os meus sentidos treinados por inúmeros anos de permanência na selva (trabalho no Bairro Amarelo há 12 anos), fizeram-me notar um caçador furtivo disfarçado de revisor do MTS, que displicentemente encostado a um varão brincava com o leitor de cartões.

Passei por ele, e dirigi-me a outros dois que se encontravam a bloquear a única porta aberta no extremo da composição; a quem mostrei o passe enquanto saía para a rua.

Atrás de mim, o Decibélico Celular Ambulatório gaguejava algumas justificações que não evitaram o preenchimento do impresso de multa. Ficando desta vez provado, que além da fraca plumagem e do seu estridente sistema de comunicação, o DCA tem também o hábito de tentar andar nos transportes públicos sem bilhete.


Música de Fundo
Big Sur - The Thrills

sexta-feira, 11 de setembro de 2009



A ausência é uma morte reversível.
Voltei!...
*
Música de Fundo
"Lift Me Up" - Moby

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