quarta-feira, 29 de setembro de 2010





Foto: Net

Para comemorar o facto de ter finalmente encontrado a foto supra - Foto esta da qual andava à procura já há muito tempo - aqui fica um repost de 26 de Novembro de 2004. Porque é relativo ao assunto, porque não tiraria uma palavra do que escrevi nessa altura, e também porque isto de escrever posts todos os dias é bastante cansativo para o "Joselito" (o meu neurónio favorito).


A Igreja do Imaculado Blog
- Venha de lá essa primeira pedra… -

Recomeçou finalmente o grande circo dos julgamentos; ou “entretenimento judicial” como é chamado em certos círculos.

Além do caso “Casa Pia” que irá fazer gastar imenso papel, e talvez mesmo destronar a Quinta das Celebridades a nível de audiências, temos também o caso de Graça Moura, o “maestro contabilista”; a história de um homem de negócios com queda para a música, ou vice-versa.

A nossa igreja é um tanto ou quanto radical neste tipo de coisas. Para já porque tivemos o caso da nossa organista, a Dona Ermelinda, que também nos tratava da contabilidade.

Apesar de ser uma grande bem-aventurança poder ter a escrita em dia, fomos obrigados a dispensar os seus serviços; pois o seu virtuosismo musical só era ultrapassado pelo toque criativo que imprimia ás nossas contas.

Sem dúvida uma imaginação de artista, mas que se revelou um pouco cara apesar de se tratar de quem melhor tocava o velho órgão cheio de manias, conseguindo extrair dele inesperados comportamentos.

Não me lembro de ter alguma vez presenciado o desempenho do dito maestro, mas se ele tiver metade do jeitinho que a Dona Ermelinda tinha com o órgão, acho que deviam dar-lhe um desconto. Talvez dez por cento da pena…

Quanto ao caso “Casa Pia” já não somos tão tolerantes. Para já porque ficámos a saber há pouco tempo, que alguns dos arguidos andam a tentar-se safar à conta da Igreja Católica; que apesar de ser da concorrência merece todo o nosso respeito e consideração.

Começando por Carlos Cruz. Ao ver que a aura de homem mediático não o iria safar das acusações, juntou mais um delito ao seu currículo tentando fazer-se passar pelo piedoso Padre Cruz, tendo escrito até um livro sobre o seu encontro com Deus.

Esta tentativa de passar a homem santo foi logo desmascarada por Alexandra Solnado, que veio a público declarar que além de ter contrato de exclusividade com o Altíssimo, ESTE não falara com Carlos Cruz porque lhe andava a ditar (a ela, Xana) as memórias, e a idade já não lhe permite estar em dois sítios como antigamente.

Carlos Silvino teve igualmente a sua defesa enfraquecida, porque a frase do Padre Américo “não há rapazes maus…” referia-se na verdade ao íntimo de cada um deles, e não à necessidade de andar a verificá-lo pessoalmente, tal como este alegava.

Felizmente os julgamentos da igreja são mais breves, e ainda me lembro quando o Xico sineiro engravidou a Perpétua da “Florista Papoila Saltitante”. A pobre rapariga veio queixar-se à diocese, já muito pouco saltitante devido aos sete meses de gravidez; e nós resolvemos o assunto à nossa boa maneira maniqueísta.

Esperámos mais dois meses e foi fácil. Como o Xico é o único negro da nossa diocese não houve como negar, só faltou o miúdo nascer a dançar Kizomba; pois a parteira até se assustou a princípio e lavou-o duas vezes por via das dúvidas.

Algum tempo depois casaram nas nossas instalações, e o Xico lá levou Perpétua; na verdade foi uma pena pesada, mas Blog é duro no castigo para o pecador. Tive é claro que o advertir, pois quando chegou à altura do “até que a morte vos separe” notei-lhe um brilhozinho nos olhos; e fiz-lhe então ver que perpétua pela justiça secular é muito pior que Perpétua pela igreja.

É claro que no caso do falso Padre Cruz, do falso seguidor do Padre Américo e do falso humorista (que é também um delito grave) seríamos muito mais severos do que é previsto pela lei dos homens.

Estava aqui agora a lembrar-me deliciado dos velhos tempos da inquisição, e de como todos os arguidos levavam que contar; conseguindo as suas iníquas almas atingir em direcção ao Purgatório, velocidades nunca alcançadas por veículos de propulsão a jacto.

Mas cá na igreja somos justos. Tão justos como as cuecas de uma striper; ou pelo menos quase. E como ainda não foi dado o veredicto, qualquer um deles pode ainda ser considerado inocente.

Carlos Cruz pode na verdade ser a reincarnação do Padre Cruz, apesar do que diga Alexandra Solnado ou mesmo a Florbela Queirós.

Carlos Silvino pode apenas devido ao seu analfabetismo, ter interpretado mal os ensinamentos do Padre Américo.

E Graça Moura pode ter-se enganado no Visa quando comprou aquele relógio de ouro, pois era para debitar na sua conta pessoal.

Ao fim e ao cabo só há um que eu considero culpado desde o início; e esse é Herman José. Pois está provado que é um falso humorista, e para esse crime a nossa igreja não fornece perdão.

Por isso venha de lá essa primeira pedra… pois parece-me que vai ser necessária uma nova ala para a Penitenciária de Lisboa.

Música de Fundo
“Amerika”Rammstein


terça-feira, 28 de setembro de 2010


Foto: Net


A Igreja do Imaculado Blog
- “Retiro” é nome de tasca –

Irmãos, por mais perfeito e afinado que seja o mecanismo, é sabido que quer seja ainda dentro do prazo de garantia ou mesmo vinte e três biliões de anos depois (23.000.000.000.000), este acabará por “dar o berro”; seja com um enorme estrondo ou apenas com o som de um beijo húmido na semi-obscuridade de um cais mal iluminado (esta, adorei. Foi muito “à Philip José Farmer).

Ora nada disto se passou com esta minha página azul. Simplesmente bloqueei.

Não foi aquele tipo de bloqueio em que as ideias desaparecem para local desconhecido, deixando no seu lugar enormes fardos de “palha retórica” que ainda se podem verter em letra de forma; tratando-se sim, daquilo a que neste caso (uma vez que isto é “A Igreja do Imaculado Blog”) se pode considerar equivalente a uma “Crise de Fé”.

Valeria a pena escrever? E se sim, qual o sentido da escrita? Expressar uma incontrolável necessidade de criar? Ter o prazer de provocar o mundo com a exibição de uma incómoda estética não-linear? Melhorar a minha vida sexual?

São todas estas interrogações legítimas a que pura e simplesmente recusei dar resposta. O facto é que me encontrava um pouco aborrecido e também muito chateado.

Aborrecido, porque a escrita em vez de me dar prazer como nos verdes anos deste blog; só me estava a dar trabalho. Consumindo grande parte do tempo em que poderia por a leitura em dia, passear com a “Grace Jones” (a BTT), ou lançar o meu mais expressivo olhar de poeta torturado ás balzaquianas de qualquer esplanada almadense (que as há – ambas – em boa quantidade e qualidade).

O chateado era um pouco diferente.

Não que ainda guardasse na “bagagem”, agravos em relação a velhas tricas grupais ou outros pequenos contratempos (embora pelo caminho tenha perdido algo que se assemelhava a uma boa amizade), mas o que me chateava à brava era o “Macaco de Zaratustra” (os mais distraídos que não queiram pôr em dia o seu Nietzsche, sempre poderão ir ao Google).

A maior parte de vós nunca o soube, mas durante anos (sim, meus/as queridos/as) vi as minhas ideias serem copiadas, assim como as referências literárias e mesmo os gostos pessoais. Algures neste confuso emaranhado de dígitos binários, havia alguém sem vida própria que a pouco e pouco se tentava apoderar daquilo que eu consideraria a minha alma. Isto, se na realidade eu não fosse um dos poucos ateus actualmente a dirigir um culto religioso (LoL).

Pois o/a sacaninha assemelhava-se àqueles intelectuais que conseguem enumerar todas as obras de Edmund Husserl, mas nunca leram nenhuma; ou se referem à semiótica julgando tratar-se de algo vagamente relacionado com a computação biomolecular (não ocorreu concretamente nenhum destes casos, mas a realidade assemelhava-se-lhes de modo algo caricato).

Este tipo de usurpação começava já a originar-me pensamentos pouco literários, que interferiam com a minha vontade de escrever fosse o que fosse. Sabendo eu que quanto mais escrevesse, mais do que eu dava de mim seria devorado e transformado numa grotesca e oca imitação de quem eu sou.

Existem tipos de parasitas assaz persistentes. Por isso resolvi o problema do modo mais eficiente que conheço; retirei o hospedeiro da equação.

Foi remédio santo! Enquanto eu me deliciava com algumas das maravilhas e prazeres que antes descurara para servir a Blog, o assunto foi-se resolvendo de forma espontânea e gradual. Até ter chegado a um ponto em que finalmente posso dizer, que me encontro perante vós como um novo homem. Ou se isto não for propriamente verdade… Pelo menos com um novo bronzeado.

Ide em paz e que Blog vos acrescente (ou corte, se tiverdes a mais).

Música de Fundo
The Killing Moon
Echo and the Bunnymen

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Foto: Net


May the Farce be with You

- A propósito do meu presumível regresso. Ou, como não foi necessário (pelo menos desta vez) recorrer à auto-hipnose –

Esta coisa dos regressos nunca deu grandes resultados no que toca à minha pessoa.

Amores, locais que frequentava, ou mesmo ex-empregos nunca beneficiaram de um segundo olhar após os deixar (ou me deixarem) para trás. Não sei se pelo hábito de queimar todas as pontes atrás de mim, ou pela falta daquele deslumbramento que caracteriza todas as coisas novas.

Talvez por isso considere que caso existissem viagens pelo tempo, seria um desperdício utilizá-las para visitar o passado. E estar para ali a contemplar os rissóis da semana passada, reflectindo em como nessa altura eles eram cremosos dentro da sua crosta estaladiça.

E eu nem sequer aprecio rissóis por aí além…

Mas foi para o que me deu, e agora não vale a pena estar a perder tempo com débeis justificações. Aparentemente voltei, e nem sequer faço a mínima ideia porquê.

Talvez tenha achado que o futuro do império (como dizia Pessoa) está em risco. Quer pela continuada política Dadaísta de Sócrates (contra o qual nunca nutri qualquer mau sentimento, enquanto filósofo); ou pela alternativa a este personificada por Passos Coelho, que me recorda de modo algo inquietante o Senador Palpatine (as mesmas falinhas mansas, e uma propensão incrível para se encostar ao lado negro da “força”).

Acho que ficarei por aqui a vê-los cair. Com ou sem blog… Tanto faz. Pelo que sei, estaremos sempre SNAFU (Situation normal. All fucked up).


Música de Fundo
Should I Stay or Should I Go
Clash

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