quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Subitamente famosa devido ao seu "efeito", Babá tornou-se uma estrela internacional do cinema e da canção...


Foto: Net


O Efeito Streisand

- “The Streisand Effect”, para os apreciadores de coisas sonantes como frases lapidares, chocalhos e campainhas de porta… -

Surpreendido pelos acontecimentos a meio do meu “sprint” em direcção a 2011, não me vou pôr agora aqui a explicar o que significa o título (vão à Wikipédia que além de decerto o mencionar, também precisa muito da nossa ajuda), mas posso adiantar que tem muito a ver com o que se passou com a Jonasnuts.

A ENSITEL não é melhor nem pior que as outras empresas do género; mas nem por isso deixo de concordar com o “apertão virtual” que neste momento estão a levar nos seus virtuais e metafóricos testículos. Que coitados, já devem (a avaliar por este link) estar habituados a tão rude tratamento.

Sem dúvida que erraram e vão ter que o pagar de qualquer modo. Quer seja directa e em numerário, ou indirectamente devido a uma campanha de indignação motivada pela metodologia utilizada naquilo que pomposamente apelidam de “apoio ao cliente”.

Não se trata aqui de um caso isolado, ou de algo que não se passe quase diariamente não só ali como em outras empresas (ubíquas, como eu lhes chamo), cujos tentáculos são tantos e tão espalhados, que acaba por ser necessário cortar-lhes um ou dois para que o cérebro seja finalmente avisado de que algo não está bem.

Pelo que sei também se passa o mesmo com alguns bancos (serviços listados em contrato que não são disponibilizados e alterações contratuais arbitrárias e unilaterais), com a VOBIS (três expositores cheios com caixas vazias de um jogo que ainda não têm à venda, apenas para fazer os clientes entrar na loja), com a FNAC (um leitor de MP3 de marca manhosa que nasceu logo torto, e que só após três meses e diversas “árias de Wagner” cantadas na loja do Fórum Almada, foi amavelmente substituído por um ZEN da Creative). Sendo estas apenas as últimas três ocasiões de que me recordo neste momento.

Habituadas a tratar displicentemente as reclamações de qualquer anónimo consumidor, as cadeias de distribuição (neste momento não se trata já de “comércio”, mas apenas de uma política direccionada para a obtenção desenfreada de lucro; uma vez que nestes casos as regras básicas da relação comercial se encontram subvertidas) têm às vezes este tipo de surpresas; como foi o caso de tentarem afiar o dente na “responsável pelo sistema de blogs do Sapo”. Que, e muito bem, aproveitou os meios de que dispunha para rebater as tentativas de pressão e silenciamento que foi alvo.

É claro que uma marca/empresa que se aventura a criar página no Facebook (que nunca foi destinado a esse tipo de actividade), tem que ser mais casta e limpinha que a mulher de César (Calpurnia Pisonis). Embora eu possa concordar com alguns dos comentadores que li por essa Net afora, e alegam poder todo este imbróglio ser culpa de algum funcionário armado em “pequena autoridade”; mas isso não desculpa a empresa de tentar apagar o fogo com um balde cheio de advogados.

Este tipo de actuação dá sempre mau resultado. E apesar de o resultado ter o nome “Streisand Effect”, já antes do nascimento da nariguda e barulhenta actriz se tinha estudado a mecânica da situação (quando da tentativa de introdução da batata na Europa, recorreu-se ao método “deixa-me cá esconder isto, que não quero mesmo nada que alguém veja”; com os brilhantes resultados que tão bem conhecemos). Tendo esta (a já citada actriz) a duvidosa honra, de ser a primeira celebridade a fazer figura idiota (desse modo) na Internet.

2011 chegará inexoravelmente. E com ele iniciar-se-ão (se é que não começaram já) promoções e saldos nessas mesmas lojas que tão mal tratam os seus clientes. E a solução para este tipo de problemas não passa pelo abandono do consumo, como já ouvi proposto por alguns espíritos mais “peculiares”, mas sim por uma atitude pro-activa em relação a reclamações.

Por exemplo, o meu problema com o MP3 foi resolvido com recurso a um tom de voz “mais alto" – embora sem gritar – que granjeou as atenções de muitos e desprevenidos consumidores, que eventualmente estariam ali para gastar algum dinheiro. Podem crer que um dos maiores pesadelos de um gerente de loja, é uma reclamação que se consegue fazer ouvir por um grande número de possíveis clientes.

É que embora a maioria deles ainda desconheça o “Efeito Streisand”, decerto estão familiarizados com o “Consumer’s Rage” (para os apreciadores de coisas sonantes como frases lapidares, chocalhos e campainhas de porta…) que habita cada um de nós, pronto para tomar o controlo mal se proporcione a oportunidade.

Usem-no criteriosamente… E, Bom 2011!


Música de Fundo
Boooom Blast And RuinBiffy Clyro


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


O Bisavô Halley (quando era novo) e "acompanhante" sendo cumprimentados por Nixon; um famoso prestidigitador daquela época.

Foto: Net


Monólogos de Alzheimer – 1
- As Visitas de Natal do Bisavô Halley - Histórias sempre presentes num futuro quase sempre bem passado –

Eram 18h no mostrador analógico do relógio da cozinha, onde um sol composto por centenas de LEDs, atingia o ocaso através de um alvéolo de nuvens acrílicas lanosas como ovelhas. Seguindo a pré-programação, os colectores solares instalados no exterior do satélite, começaram a dobrar-se nas armações como asas de libélulas, e o frio começava a invadir todo o casco enquanto as vigias se cerravam automaticamente para compensar a perda de calor.

As crianças aproveitando a imponderabilidade, flutuavam por entre a fumegante tubagem dos sistemas de apoio como mosquitos num canavial. - Chiquinho! – Chamou a mãe – Vai outra vez lá dentro dar um chuto nos hidráulicos do bisavô, porque o exosqueleto está a fazer uma chiadeira infernal. Até parece a nora de um poço.

O miúdo mais novo aplicou a planta do pé na antepara, impulsionando-se em frente com a graça de um nadador olímpico, até à escotilha que dividia o módulo habitacional da secção de armazenamento. – Esqueceram-se outra vez das manutenções intercalares. Foi o que foi… - Lamentou-se o rapaz com um trejeito de desaprovação – Está ali com as luzes vermelhas todas ligadas. E podem apostar que não tem uma gota de líquido refrigerador nos depósitos.

Também para percorrer milhões de quilómetros sempre congelado – Retorquiu a mãe, retirando um peru semi-petrificado do contentor de vácuo na cozinha – bastava que lhe pusessem umas luzes de sinalização, e até o podíamos prender lá fora para não ocupar muito espaço no módulo de comando. Mas esse “bip bip” é que é irritante e mete-se pelos ouvidos adentro. Até parece uma daquelas sondas “beatnik”, que mandaram para o cosmos cheias de banda desenhada e música punk, para chatear os ET’s que fossem encontrando...

Ó mãe – disse finalmente a mais velha levantando o nariz de um jogo 3D, no qual um grupo de mulheres pouco vestidas e ar selvagem se digladiava com cutelos; no que parecia ser o primeiro dia da temporada de saldos nuns grandes armazéns – Acho que o bisavô descongelou. Ia jurar que o vi piscar o olho no meio de toda aquela condensação na viseira.

O bisavô acordou… - Cantarolou o mais novo tirando a ficha e o cabo presos na traseira do enorme dispositivo e pondo-o a recarregar como a um vulgar telemóvel – Acho que já podemos ligar-lhe os manipuladores e ainda vai ter tempo de ajudar a montar a árvore de Natal.

Feliz aniversário bisavô! – Disseram os miúdos em coro ao mesmo tempo que as luzes por detrás da viseira se acendiam sucessivamente, e um murmurar reconfortante era emitido pelos dispositivos de filtragem.

Olá malta! – Saudou uma voz aguda e ofegante, que se notava ser amplificada electronicamente – No ano passado por esta altura estavam a atravessar o mar de poeiras de Kandor; onde é que nos encontramos desta vez? E de quem é esta meia garrafa de vinho branco que puseram aqui a refrescar?

Estou farta de te dizer para não refrescares o vinho no sistema criogénico do bisavô – Disse a mãe dos miúdos para o marido que acabara de entrar - Ainda no ano passado foi uma despesa doida, quando gastaste as nossas reservas de nitrogénio líquido para gelar as minis durante o Campeonato Galáctico.

Ou era isso – Respondeu ele enquanto descalçava as botas magnéticas – ou ter que ir lá fora de cada vez que quisesse beber uma; e mesmo assim arriscava-me a que uma chuva de micro-asteroides me partisse as garrafas.

Mas era de borla! – Disse ela já um pouco agastada – Deus quando criou o universo decretou que “O frio quando nasce é para todos”. E assim é totalmente escusado gastar dinheiro a refrescar minis, quando basta pendurá-las num cordel e deixá-las do lado de fora da nave. Olha, vai mas é lavar as mãos que o jantar está quase pronto.

E vocês dois – Acrescentou para os filhos – Em vez de estarem aí a atazanar o bisavô, empurrem-lhe a consola até à mesa para poder participar na consoada. Que eu no fim deixo-o ficar ligado mais uns minutos para poder contar-vos uma história.

Isso… - Respondeu o "crio-ancião", por entre uma cacofonia de trinados causados por interferência na aparelhagem. – Contaram-me uma anedota sobre um frade capuchinho e uma rigeliana de tentáculos sugadores…

Nada de histórias porcas ao pé das crianças sua múmia espacial. – Atalhou a mãe falsamente escandalizada – Encoste-se à mesa e faça sair os colectores de abastecimento, que o jantar de hoje é peru assado e vai-me custar imenso a enfiar-lho pela tubagem acima. Caramba!... Bem podia ter instalado o modelo de alimentação por osmose. Com uma reforma dessas e a armar-se em pelintra… Ainda gostaria de saber o que é que você faz ao dinheiro.

Hesitante, o velho pilotou a enorme caixa de acrílico (parecida com uma incubadora para nascituros precoces) e titânio em direcção à mesa, e ajustou os adaptadores das mangueiras a um alimentador automático Braun; no qual as crianças já se encontravam a introduzir pernas e asas de peru. De mistura com puré de batata e ervilhas estufadas. – Desta vez não despejem molho, pois no ano passado vi-me aflito para expulsar o excedente de Sulfureto de Hidrogénio; e os tipos da manutenção dizem que deixa mau cheiro nos filtros do ar.

Já no fim da refeição os miúdos começaram a insistir para que ele contasse uma história. – Sim. Conta aquela que explica porque é que fazes anos no Natal. – Pediu a mais velha. - Nada disso! – Atalhou o miúdo. Conta-nos antes como era o Natal no teu tempo.

Lembro-me de muito pouca coisa. – Desculpou-se o ancião, pouco à-vontade. – Os Natais não eram como agora; e tínhamos o aquecimento global o que era muito chato, porque gastava-se um dinheirão em ar condicionado.

Mas ó “bizavô” conta lá – Insistia o miúdo com as bochechas cheias de açúcar e canela das rabanadas; o que o fazia parecer um “Senhor da Ferrugem” de Eridanus4. – É verdade que o Pai Natal entregava as prendas com um míssil intercontinental de ogiva múltipla.

É verdade – Confirmou o bisavô – O pai Natal vivia na Coreia do Norte com os seus ajudantes que eram uns minorcas macilentos e amarelados; assim uma espécie de duendes com hepatite e os olhos em bico. E os americanos fartavam-se de chatear o Pai Natal, por causa do excesso de CO² que os constantes testes de entrega de prendas enviavam para a atmosfera. Eram tempos conturbados…

Os miúdos com os olhos brilhantes de entusiasmo e a cara apoiada em ambas as mãos, ouviam as histórias do pretérito imperfeito. A mãe acabava por meter à força a última peça de louça na máquina de lavar; e o pai subia a escada do compartimento da propulsão auxiliar, empunhando uma preciosa garrafa de bagaço caseiro.

Entretanto o bisavô, prisioneiro da caixa de plástico e das suas recordações passadas encontrava-se lançado - Era no Natal que os miúdos costumavam ir ao Circo do Benfica…

Boa!... Gritaram os miúdos com entusiasmo – Conta-nos a história da Leopoldina.

Está bem. – Disse ele – Mas já me podem desligar da corrente, que o conversor taquiónico está devidamente calibrado e abastecido. E assim já posso ir passar a Páscoa com os vossos primos ás Nuvens de Magalhães. Mas onde é que eu ia?...

Ah, o Benfica… Bem. O Benfica era um circo onde os meninos gostavam muito de ir no Natal. Costumava-se até dizer que quando o Benfica ganhava era Natal. E tinham uma águia como mascote: a Leopoldina.

Leopoldina!... Leopoldinaaa!...

Chiu! Calem-se seus micróbios espaciais! – Agastou-se o bem acondicionado ancestral - A Leopoldina era filha da Ellen Degeneres (que tinha um programa no qual representava uma lésbica destrambelhada sem qualquer jeito para a comédia) e de um ASIMO que subitamente se curto-circuitara a meio de uma entrevista. E costumava ir muito ao estádio do Benfica, porque se alimentava dos frangos normalmente lá deixados pelas equipas visitantes; até que a contrataram como mascote e para figurar no presépio (a Babá Pitta recusou-se a fazer de Maria enquanto Eusébio fosse o S. José).

Nessa altura ainda não nos tínhamos espalhado pelo cosmos e todos os países tinham um governo. Era assim uma espécie de concurso de talentos, mas no qual nunca se eliminava ninguém; e com a agravante de também não abundar propriamente o talento por aqueles lados.

O último foi o Governo do Alegre. Presidido por um tipo que fizera fortuna com a importação de bacalhau, e mais tarde apareceu no famoso programa do Júlio Isidro; onde ganhou milhares em prémios.

O Alegre era conhecido pela sua risada arrepiante, que quando ouvida precedia sempre o desaparecimento de alguém ou algum “lamentável acidente”. Transformou-se assim o governo numa espécie de ditadura. Mas como éramos todos obrigados a andar alegres, não se notava muito e os turistas julgavam-nos um povo trabalhador e extremamente alegre (logo dois erros de uma vez) que tinha apenas um presidente para todos os portugueses.

Foi nessa altura que começou a Época dos Descobrimentos. Um adolescente de Fernão Ferro, que se encontrava certa noite agarrado ao telescópio então apontado para a casa de uma vizinha (uma jovem professora de educação física), por distracção olhou mais para o lado descobrindo o rasto de um cruzador Klingon, que fazia uma aterragem de emergência numa horta mesmo ao lado.

Os Klingon que eram seres pacíficos (parecidos com simpáticos Koalas de peluche cor-de-rosa) e vinham em paz, foram dominados pela claque do FCP que se encontrava no Hotel Orion do Seixal, a fazer um estágio de artes marciais para o Benfica-Porto que era daí a dois dias. Após isso adaptámos a sua tecnologia às nossas necessidades e todos os portugueses fugiram para o espaço, deixando os outros países perplexos com o acontecido; mas na posse de um belo rectângulo ajardinado mesmo ao lado da Espanha.

Nessa altura deu-se também a Revolução Paulina. Em que Paulo Portas juntamente com o seu irmão Miguel tomaram de assalto o transporte de vinhos (Miguel Portas nunca mais recuperou dessa) “Santa Maria”. Realizando assim um sonho antigo de serem os primeiros irmãos ginecologistas com consultório numa nave de transporte de vinho do porto (uma Rabela).

Os portugueses espalharam-se então pelo espaço sideral (assim chamado em homenagem à famosa bebida “Carbo Cidral”) levando a cruz a todos os planetas habitados deste lado da galáxia. – Mas ó “bizavô”… – Perguntou o miúdo – Porque é que tínhamos que levar a cruz a todos os planetas habitados.

Ah, isso é uma coisa dos católicos – Respondeu distraidamente o velho, enquanto os apêndices manipuladores iam abrindo as ligações dos colectores de abastecimento, e se começava a dirigir para a escotilha de saída – Como não gostam de sofrer sozinhos, teimaram que todas as espécies, raças e planetas haveriam de ter (por isso se diz “todos temos a nossa cruz”) a mesma religião que eles para não se ficarem a rir.

Já dentro da comporta estanque e pronto a ser impulsionado para o exterior, o bisavô Halley acenou prometendo – Agora tenho que ir para não perder a conjunção com Marte, ou vou ficar preso no trânsito.

No próximo Natal conto-vos o resto. - A escotilha exterior abriu-se finalmente, deixando sair a caixa que soltava finos rastos de vapor enquanto a escotilha se ia embaciando lentamente – A história de como Sócrates roubou o Natal, e foi perseguido por Durão Barroso o Vespão Verde e a Popota.

Ah, a Popota! Aquilo é que era uma mulher… Parecida com a Ferreira Leite, mas com mais carne… Adeus! – Despediu-se ele à medida que se ia perdendo no vazio pontilhado de estrelas – Se cá passar o tio Arménio peçam-lhe a morada da oficina a que ele costuma ir. Estes hidráulicos andam a fazer uma barulheira tal, que parecem a nora de um poço. Ou uma picota, ou assim…

Bom Natal, malta!...


Música de Fundo
Christmas Was Better In The 80’sFutureheads





sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


As mulatas são doidas pela piroga do Cabral!...




Foto: Net (o que é que pensavam?)


Momento Cultural
- Onde o autor se gaba descaradamente da sua cultura “de algibeira”, acabando por ficar provado que apesar de uma boa memória, não possui qualquer sentido das conveniências -

O nosso imaginário é feito de referências cruzadas e associações. Quem nunca a meio de uma conversa, sentiu o espírito derivar para algo aparentemente não relacionado com o assunto, levado por uma palavra ou uma descrição mais colorida?

Há uns dias encontrava-me a meio de uma daquelas conversas entre machos, em que se referia o divórcio de um conhecido, com todo o consequente cortejo de conjecturas e insinuações que é costume nestes casos (Sim, meninas. Vocês e os homens não são tão diferentes assim), quando subitamente me recordei de uma lenda Índia, que me fora contada há muito tempo por um brasileiro de voz grave.

Trata-se de uma canção, que conta uma pungente lenda da selva amazónica. Um autêntico poema que fala dos índios, de uma história de amor e de uma enorme e cobiçada piroga…



A Lenda da Piroga de Cristal
(Música e Letra de Paulo Silvino)

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar

Falado:

"Essa é a lenda da Piroga de Cristal. Uma história escrita num tempo muito remoto, quando o Brasil nem era Brasil: era Pindorama. As pirogas, como vocês sabem, são as canoas dos índios. E tem índio com piroga pequena, piroga grande, depende do tamanho das árvores que eles derrubam para esculpir no seu tronco a piroga. Essa lenda conta o caso do índio Boi Xavante que derrubou um enorme Jequitibá e fez uma piroga imensa que ele mantinha sempre envernizada com óleo de carnaúba. Ele era muito respeitado na tribo toda por causa disso, porque ele alimentava toda a tribo com aquela piroga. Voltava sempre da pesca com a piroga cheia de peixe, e de vez em quando vinha até um siri preso na piroga. Era uma loucura! Até que um dia…"


Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar

Boi Xavante, índio bravo
Com um enorme pirogão
Raptou a índia filha
Do cacique Gavião

Seu marido, Cão do Norte
Aliou-se ao Pajé
Procurando vingar com a morte
A desonra da mulher

Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele

Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar

Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele

Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele

Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar

Para os mais apreciadores de recolha etnográfica, aqui fica um vídeo (link) com a declamação deste poema. A imagem não é grande coisa, mas o som vale pelo resto.

Sem música (já tem que chegue)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010




Imagem: Net


Electric Dreams
- Quando na meia-idade se vive parcialmente um futuro idealizado na juventude, é natural que tarde ou cedo se acabe por falar nisso. -

Que o passado (nomeadamente os anos oitenta) está de volta, já a maioria de nós sabia. Desde as reedições de antigas séries televisivas em DVD, até à questionável estética do vestuário futurista. Mas nem tudo se resume ao repescar de coisas já existentes e semi-esquecidas.

No próximo ano (espera-se) irão estrear nos cinemas três filmes que me interessam. Um deles é “TRON Legacy”, que chega aos cinemas em 13 de Janeiro; com realização de Joseph Kosinski. Um desconhecido que até agora só realizou um série de TV e clips para a Xbox 360.

Jeff Bridges aparece no filme para assegurar a continuidade do personagem (agora é o filho dele que se mete em sarilhos no ciberespaço) e pouco mais me interessa saber por enquanto. Uma vez quer o importante neste caso é o regresso a algo que aconteceu no passado; e o público-alvo sem dúvida será (embora se espere uma grande aceitação por parte das camadas mais jovens) composto pela maioria dos que em 1982 se perderam por 96 minutos, dentro de uma matriz de circuitos impressos e objectos cheios de ângulos agudos.

O segundo é “Neuromancer”. Baseado na mais conhecida obra de William Gibson, que além de ter inventado o termo “Ciberespaço” é um dos criadores da corrente “cyberpunk” da literatura de Ficção Científica, juntamente com Phil K. Dick, Bruce Sterling, Rudy Rucker e mais uns quantos que não me ocorrem de momento.

A ser bem realizado e com orçamento adequado, não tenho dúvida alguma que será algo tão marcante como “Blade Runner”, “Matrix” ou o infeliz “Dune” que quase foi destruído pelos estúdios na fase de pós-produção quando lhe tentaram reduzir o tempo de duração para quase dois terços (felizmente, encontra-se a circular pela net uma versão “fan edit” que põe um pouco mais de nexo naquela desgraça em que transformaram um dos melhores filmes de David Lynch).

Vincenzo Natali realizador de “Cube” e “Splice”, foi escolhido para dirigir este épico que vai desde Chiba City no Japão a Villa Straylight (uma estação espacial estacionada em órbita alta). No qual Case, um Hacker cujas capacidades foram “queimadas” por uma micotoxina administrada por um cliente vingativo, vai tentar recuperar a sua vida naquele lugar virtual; onde as inteligências artificiais trocam ideias nas suas suaves vozes binárias.

Por último o melhor (para mim, claro) de tudo. Finalmente alguém vai pegar no clássico de H. P. Lovecraft, “At The Mountains of Madness”. Um livro que, devido ao facto de eu ser um leitor precoce me pregou um cagaço enorme; que só passou quando descobri que o Necronomicon nunca existira. E que afinal (tal como o Mito de Cthulhu) fora inventado para apimentar uma série completa de romances de horror. Já não contando com o facto de entretanto se ter provado que não existem ruínas algumas no Pólo Sul.

Será realizado por Guillermo del Toro (“Hellboy” e “El Laberinto Del Fauno”) e produzido por James Cameron. Sendo este último a principal razão (não esquecendo o autor do livro, claro) para eu achar que finalmente vai aparecer um filme, que me fará sentar numa sala de cinema cheia de miúdos irrequietos aos pulos, e a limparem às cadeiras as mãos cheias de manteiga das pipocas.


Música de Fundo
Jump Around – House of Pain

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010




Foto: Scanned


A Catadela

“You and me baby ain’t nothin’ but mammals
So let’s do it like they do on the Discovery Channel”
Bloodhound Gang


No princípio era a catadela. Não seria bem como a Wendy O. aparentemente se prepara para catar aquele senhor em “fato de macaco” na capa de um single dos Plasmatics que ainda conservo; mas em tempos idos já era uma função social.

Quer fosse empoleirados num ramo, ou escondidos nos arbustos por causa de outros antropóides mais invejosos; os nossos antepassados já se catavam como se não houvesse amanhã. Mas na actualidade o ritual atingiu um nível de sofisticação bastante elevado. Existindo vários tipos e níveis de catadela.

A social. Que hoje em dia se manifesta nas trocas de piropos, elogios e recomendações, entre símios de grupos culturais restritos – “Tu elogias o meu último disco, e eu digo a todos que és um escritor muito dotado”.

A catadela económica. Em que os administradores dos bancos e das grandes empresas de construção catam o governo, que por sua vez lhes retribui. Muitas vezes com as verbas que “catou” aos contribuintes; que por sua vez não têm outra alternativa excepto catarem-se uns aos outros. Visto que o acto de catar (na sua vertente económica) é circunscrito aos patamares sociais, e na vertical apenas funciona num sentido.

E a catadela sexual. Que considero ser basicamente auto-explicativa e quiçá igualitária (a não ser que tenha fundamento social ou económico).

Haverão eventualmente outros tipos de catadela que não me ocorrem de momento, mas que sem dúvida alguns de vós se recordarão. Embora hoje eu venha apenas considerar a “catadela blogosférica”, de um modo ligeiro quase como que apenas aflorar o assunto.

Quando apareci por estes lados em Junho de 2003 (o post de 30 de Maio de 1970 não conta) já se encontrava implantado o “Sistema de Retribuição para bloggers” (SRB). Era de bom-tom retribuir a quem nos linkava, com o respectivo link no nosso blog, e visitar com regularidade deixando um eventual comentário nos blogs cujos utilizadores nos beneficiavam com a mesma cortesia.

É um sistema como qualquer outro, mas ainda assim um “sistema”. Coisa feita de regras não escritas com as consequentes obrigações e sanções sociais. E eu confesso que as “obrigações” sociais até não são o meu forte.

Sou péssimo a recordar-me de datas importantes (precisaria de uma assistente só para me recordar dos aniversários) e não sou grande aficionado de casamentos; que quanto a mim estão na mesma categoria dos funerais (principalmente porque em alguns dos casos existe muito pouca diferença).

Na segunda fase deste blog e após uma ausência de alguns meses, considerei por algum tempo a hipótese de o sistema ter perdido a sua importância inicial. Mas isso foi uma avaliação apressada (e talvez originada por uma enorme falta de tempo; que como todos sabem, é o nosso bem mais precioso), pois já os estrategas do Blogger me tinham brindado com uma colecção adicional de ícones atribuídos àquilo que convencionaram chamar de “seguidores”.

Eu sei que é uma designação criada para apelar à nossa vaidade, mas considero-a assaz redutora e talvez pouco lisongeira. O que conduziu a algumas infrutíferas tentativas da minha parte, para que no meu template fosse apresentada de outro modo.

Mas sou forçado a render-me à evidência. E uma vez que estando inserido numa comunidade tenho que respeitar minimamente os seus costumes; a partir de agora (e a pedido de um simpático “seguidor”) farei parte daqueles que penduram no seu blog todos os que os linkam. Um pouco à semelhança das medalhinhas na farda de gala do divertido Almirante Américo Thomaz.

Espero que na verdade funcione. É que, sabem? Eu tenho aqui uma comichão…


Música de Fundo
The Bad Touch (link) – Bloodhound Gang

terça-feira, 7 de dezembro de 2010




Imagem: Net

Por Toutatis!
- Ainda não foi desta que o céu nos caiu na cabeça -

Uma das razões pela qual não escrevo mais do que um ou dois posts por semana, é a aversão que tenho a “chover no molhado”. Ou seja, dedicar-me ao que dezenas ou centenas de “blogueiros” (estou a tentar não ser muito mauzinho) já fizeram ou estão a fazer: copiar notícias dos jornais e da televisão e despejá-las no blog; sem adicionar valor algum ao produto inicial.

É claro que cada um é livre de fazer o que lhe apetecer dentro dos limites da legalidade. E aqui para nós, ser redundante e repetitivo ainda não dá pena de prisão (embora às vezes dê um pouco de pena).

Gosto de Almada. É um sítio que apesar de ter problemas como qualquer outro, me faz sentir em casa. E sei que isto pode parecer um pouco idiota, posto que moro lá; mas existem muitas localidades incaracterísticas onde por muitos anos que lá se resida, dificilmente se consegue sentir alguma ligação com o local ou as pessoas que o habitam.

Adiante…

Mas ontem o céu ia-nos caindo na cabeça. Presumivelmente um avião da TAAG, deixou cair algumas peças metálicas que atingiram dois cidadãos e ainda produziram prejuízos avulsos em diversos automóveis e numa pastelaria que aparentemente a ASAE se esqueceu de fiscalizar (vocês viram na televisão aquele W.C. com o tecto em chapa tipo Lusalite?).

Ora tudo isto é passível de ser usado em piadas. Tal como se fez quando há uns anos um tipo aterrou numa horta aqui perto; saído directamente do compartimento do trem de aterragem de um avião onde se escondera. E na altura ninguém exigiu a remoção do Aeroporto da Portela por causa disso.

Mas é claro que tarde ou cedo alguém se haveria de lembrar de algo assim. O mais engraçado é que nenhum dos dois blogs em que li esse tipo de exigência, pertence a alguém que more sequer aqui perto. O que prova tratar-se de gente imbuída de altruísmo e talvez mesmo de outras qualidades igualmente difíceis de encontrar no seu estado natural.

Parece ser generalizado este hábito de se dar palpites sobre o que se passa longe; muitas vezes sem querer ligar ao que se passa escandalosamente ao lado. Acho que a Bíblia tem (era para admirar se não tivesse) uma citação adequada a isso, que fala em barrotes e farpas e olhos e etc, à sua maneira judaico-confusa. Mas que tem toda a razão.

Apesar das minhas reservas, há dias que me andava a roer uma excruciante ânsia de me manifestar sobre o que se passa nos Açores. Especialmente agora que para mitigar a desgraça das vítimas do mau tempo, vai ser necessário mexer naquele “fundo” que se encontrava reservado para compensar os funcionários públicos que ganham entre 1500€ e 2000€ (que para sabermos quais são, basta ir ao Diário da República e consultar os índices salariais para a Função Pública).

O meu coração sangra por todos esses técnicos, chefes de secção e sei lá mais o quê (± do nível 20 ao nível 31), que se têm sacrificado durante anos pelos ajudantes de obras, electricistas, canalizadores, auxiliares administrativos e toda essa corja. Pois são eles com o seu trabalho e apoio que permitem manter de pé esta administração de impoluta moralidade.

E toda esta confusão deve-se às políticas de César.

Ainda bem que aqui em Almada somos Gauleses.
(E também não temos telhados de vidro)

Música de Fundo
This TownFeeder


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


Imagem: Instituto de Meteorologia, IP


A Incerteza do Amanhã
- Devaneio matinal de um ciclista de fim-de-semana, com uma personalidade levemente obsessiva -

Sou como um agricultor. Em vésperas de fim-de-semana ou de feriado, podem ver-me à janela de nariz no ar a cheirar a humidade marítima vinda de Noroeste, ou a franzir o cenho a uns nimbos de configuração pouco recomendável.

À noite, devoro avidamente as fotografias da Península Ibérica tiradas pelo satélite meteorológico, e confiro-as com as existentes no site do Instituto de Meteorologia; não vão eles terem-se enganado na previsão para o dia seguinte.

Mas as minhas semelhanças com um agricultor são assaz limitadas.

A chuva não é minha amiga, e estou-me nas tintas para o orvalho e a geada (excepto literariamente; pois considero o orvalho e a geada algo quase tão sexy quanto o sabor salgado que fica nos lábios após um banho de mar), pois nada trazem de significativo à minha actividade velocipédica.

Mal acordo vou logo à janela ver que tempo faz.

Não raras vezes, constato agastado que a natureza não tem qualquer respeito pelo trabalho investido naquelas previsões em que eu tanto confio para enfrentar a estrada montado em algo feito de arames, alumínio e algumas tiras de borracha. Uma espécie de fisga.

A Natureza é uma daquelas gajas que querem ser amadas incondicionalmente, desde que não tenham que mexer uma palha ou preocupar-se com isso. Instável e mimada. Mas esta comparação termina logo que os automóveis deixam de se ouvir através do filtro sonoro dos auscultadores.

É algo inexplicável a sensação que se tem no cimo de uma falésia batida pelo vento ou ao pedalar por um carreiro bordejado de ramos baixos e gotejantes. Não há necessidade de música ou qualquer outro ruído (também por isso pedalo sempre sozinho), pois sentimo-nos preenchidos como se não houvesse mais espaço na nossa vida para o que quer que fosse.

Toda e qualquer comparação é inadequada, pois a natureza é mesmo assim e não se trata de nenhum número de teatro de revista.

Interrompo-me para olhar novamente a previsão para amanhã. Neste momento e na Estação de Observação de Superfície da Praia da Rainha existem 93% de humidade, temperatura 5º Celsius e vento de Nordeste com uma velocidade de 2,5Km/h.

Segundo a carta acima, amanhã pela madrugada as regiões do litoral Centro e Sul começarão a ser atingidas por uma superfície frontal de baixas pressões. O que em conjunto com a baixa temperatura e a descida da humidade relativa, talvez me dê margem para dar uma volta bem alargada até por volta das 14h.

Tenho já a mochila preparada com todas aquelas coisas que só fazem falta quando delas nos esquecemos. Remendos para câmara-de-ar, jogo de ferramentas, canivete suíço, barra de cereais vitaminados… e por aí adiante.

Ao seu lado e como se fosse o equipamento de um pára-quedista à espera de ser verificado, estão já dobrados os calções, o “hoodie” e as luvas…

Mas nada disto importa verdadeiramente, pois o que interessa é que eu sou como um agricultor. Pego na pasta e saio de casa com o nariz no ar a tentar detectar o aumento da percentagem de humidade, ou subtis alterações na temperatura e direcção do vento.

Observo judiciosamente os cirros, nimbos e cúmulos, como se fossem ovelhas numa pastagem e sigo carinhosamente o seu percurso enquanto aguardo a chegada do transporte. Agito o passe em frente ao sensor que me saúda com um trinado cordial acompanhado por uma piscadela do seu olho vermelho.

Isto do animismo é tudo uma questão de predisposição.

Talvez amanhã não chova…


Música de Fundo
Are You Gonna Be My GirlJet

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010




Foto: Net



Os Que Escrevem Histórias
- Um post sobre regresso, sem ter que entrar naquela conversa da treta do “eterno retorno”, ou mesmo cantar um fado sobre a saudade -

Além de ser o “Multimédia dos tesos”, a mente humana em si própria é também o derradeiro simulador no qual se podem criar e destruir mundos. E isto sem ter que se recorrer a coisas complicadas como hardware, software e crédito pessoal.

Beneficiando do estímulo correcto conseguem-se construir universos plausíveis, com as suas próprias leis físicas e habitantes; que serão absolutamente funcionais quer as suas morfologias nos pareçam plausíveis ou não.

É também nesse armazém uterino de universos embrionários, que ás vezes abrimos uma lata de sonhos ou de memórias passadas, e as projectamos nas janelas dos nossos olhos como filmes. Usando-as para fixar ao presente, cores passadas; como quem utilizasse reagentes químicos para impressionar uma imagem num pedaço de celulóide.

Contar uma história passa-se um pouco como no nascer do Sol. Que só é matinal porque raramente nos levantamos a tempo de o ver formar durante a noite. E mesmo que o façamos, quase nunca temos a mente relaxada ou acuidade visual suficiente para apreciar o fenómeno. E mesmo que apesar de tudo e por alguma inexplicável e bizarra ocorrência, o consigamos fazer…

Então, só alguns muito poucos conseguirão relatar adequadamente o que viram. Porque aos outros faltarão as palavras, a vontade, a paciência… ou o que quer que seja que normalmente falta a quem não consegue seja o que for.

Alguns desses serão ouvidos e mais tarde citados, e depois esquecidos. Outros falarão sozinhos e nada se perderá senão a mensagem.

Outros escreverão. E o que escreverem, embora possa ser apagado ou adulterado, fá-los-á viver mais um pouco em cada dia; pois alguém que escreve, só morre no dia em que o último papel onde escreveu, finalmente desapareça.

Entre outras coisas o Miguel também escreve, e regressou ontem com uma nova imagem do velho blog (09/07/2003). Aconselha-se por todas as razões, e também para aqueles que continuem a teimar numa busca por “A Origem do Amor”.



Música de Fundo
Mr. BrightsideThe Killers



Creative Commons License
Todos os textos desta página estão protegidos por BLOG e por uma Licença Creative Commons.

theoldman.blogspot.com Webutation