segunda-feira, 24 de janeiro de 2011




Foto: Net

O Post da Vitória e etc.
- De como a maior força política em Portugal (A Abstenção) conquistou uma muito merecida vitória; e mais uma ou outra trivialidade sem interesse de maior. –

Sem dúvida que mais cinco anos com Cavaco, vão ser algo tão divertido como trabalhar na galeria mais profunda de uma mina de chumbo. Mas seria isso ou as ainda mais pífias alternativas; das quais não falaremos aqui, pois são daquele tipo de coisa sobre a qual é de notório mau gosto falar mais do que o necessário.

53% é um numero interessantíssimo. Apesar de não merecer grande projecção quando atribuído a desconto nos saldos; no que toca à recondução do Senhor Silva é de uma dolorosa clareza (para ele; que a mim não me dói nada). Na prática, 53% dos eleitores não o acharam suficientemente importante, nem acharam que isso justificasse sequer o esforço dispendido para saírem de casa (e alguns deles, até mesmo para tomarem banho).

Esperam-nos pois, cinco anos de “mal menor”. O que servirá igualmente para manter o PS na ordem; pois estes ficaram a saber (se não foram suficientemente dedutivos para o descobrir até agora) que dá tanto (ou tão pouco) trabalho eleger um governo do PS como um do PSD e que, já que temos que ser aldrabados por alguém, não temos preferência alguma sobre a quem deve ser atribuído tão gratificante e lucrativo mister.

Mas adiante que se faz tarde.

Tal como os meus (poucos) habituais leitores devem já ter reparado, agora o acto de comentar está ainda mais dificultado apesar de eu ter mandado retirar a “verificação das letrinhas” (não faço a mínima ideia de como apelidam aquilo). Passando a ter que esperar algum tempo (sorry!) enquanto eu “desinfesto” a caixa de comentários, que de há uns dias para cá vem sendo frequentada por um Troll.

Se fosse há uns quatro ou cinco anos, talvez eu ainda me desse ao trabalho de manter algum diálogo com o intruso; quanto mais não fosse, para saber o que o impulsionava. Mas hoje em dia reconheço a grande vantagem das soluções directas para resolver “pequenos incómodos” (os prussianos é que tinham razão com o seu: “trata-se já do assunto e não se fala mais nisso).

Para mais, à medida que o “diálogo” ia evoluindo, o “bicharoco” ia apagando os seus próprios comentários anteriores. Tendo apenas deixado um, porque cometeu o deslize de o escrever como anónimo; talvez na esperança de que eu não reconhecesse a sua prosa de “fino recorte literário

Ora como muitos de vocês sabem, eu sou um tipo de boa índole, caritativo (bem, já fui Sumo Pontífice) … e até reciclo; mas coisa que raramente deixo passar é que alguém venha a “minha casa” e saia sem aquilo que procurava. É claro que o tipo talvez viesse à procura de algo ligeiramente diferente, mas eu já sou um tipo de “uma certa (LoL) idade”; e esgrimir verbalmente com Trolls não faz parte das minhas actividades favoritas.

Por isso desculpem lá o mau jeito, mas enquanto eu não considerar este blog verdadeiramente desinfestado de pragas, vai continuar a haver moderação nos comentários.

Música de Fundo
Life Goes OnNoah and the Whale


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como se pode reparar, o candidato mantém a sua plumagem imaculada para a eventualidade de ter que abrir o leque na presença de eleitores...

Foto: Net

O Meu Bloqueio Eleitoral
- Onde se prova que nem o melhor ceramista consegue usar merda em vez de argila -

O meu subconsciente anda a tentar que eu não escreva até dia 23. Não sei se por instinto de sobrevivência ou por algum resquício de “hipocrisia politicamente correcta”, que apesar de tudo ainda se mantenha liminarmente pelo meu sistema; o certo é que cada vez que tenho uma ideia para um post, o sacaninha (o meu subconsciente, claro) acaba por a torpedear como sendo de mau gosto ou falha de interesse.

Toda esta complicação começou quando fiz download da foto do Tiririca.

Que bela foto para colocar num post sobre a recandidatura de Cavaco” - Pensei para com o meu único botão (é o que me prende a cintura nas calças de ganga), enquanto admirava o colorido tropical da plumagem do candidato (que deve estar ali em cima; a não ser que eu arrependido, tenha acabando por lá colocar um par de gatinhos, um emblema do Desportivo Piedense, ou mesmo o digno e respeitável Arthur Neville Chamberlain) – “Que irónico seria comparar Cavaco ao Tiririca; para mais, tendo os dois uma paixão tão acentuada por bolo-rei e seus derivados…”

Mas a partir daí, cada vez que começava um texto sobre o tema, uma imagem reduzida do Papa Bento XVI amarinhava até ao meu ombro direito, e começava a invectivar-me num português mascavado com pronúncia da Baviera. Felizmente, no ombro esquerdo, José Vilhena (ou então era um qualquer outro velho encarquilhado e ordinário) chamava-me logo à razão – “Dá-lhe com força nos tintins, catano! Que esse sacana mais o Mário Soares foram ambos os coveiros deste país.”

Entretanto já a fugidia ideia se tinha sumido. Acabando eu por ficar frente ao teclado “a dar tratos à bola”, e sem lobrigar modo de produzir um post que não ofendesse o herdeiro de Pedro nem o fundador do "Elefante Branco".

Foi o mesmo com a foto do Homem Invisível (estava a guardá-la para o Chico). Estão a ver quem é o Chico, não estão? Aquele rapaz do PC, que até podia ser um clone de Lenine que não seria eleito na mesma. Mas aí a culpa não é dele, porque o PCP na sua fobia ao culto da personalidade (e segundo as más línguas, mesmo em relação à própria existência de personalidade) acaba por fazer crer a toda a gente, que tem os candidatos armazenados num bunker subterrâneo desde a Guerra-Fria; e só os liberta poucas semanas antes das respectivas eleições.

É assim uma espécie de concurso interno de popularidade mas ao contrário; onde me dá a impressão que escolhem o tipo mais desconhecido, mais incaracterístico e com o maior ar de morcão deste lado da velha (e já “rasgada”) cortina-de-ferro (segundo o Apóstolo, parece que além de tudo o mais tem também que ser electricista. Vá lá Marx saber porquê...).

Mas a foto do homem invisível provocava-me um sentimento de ausência e irremediável perda que me impedia de escrever. Um pouco como se tivesse saudades do candidato mas com a agravante de me ter esquecido igualmente do seu aspecto. Só sei que se chama Chico e é virtualmente invisível (o que atendendo a que nos referimos ao candidato do PC, já é muita coisa para ver).

Creio que também há um daqueles lunáticos da “velha escola” (a “velha escola” é definida pela preferência em encarnar personagens públicas ou mesmo históricas; deixando para os malucos mais avant-garde, as imitações de aves pernalta ou objectos inanimados, como bules de chá e autocarros de dois andares), apenas comparável a Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim e que acho se chama Coelho.

“Mad as a hatter” seria um pretensioso elogio no caso deste alucinado espécime, resultante do cruzamento do “Tino de Rãs” com “Arlinda Mestre”; sendo o único elogio que se lhe pode fazer, constatar que pelo menos se deu ao trabalho de aprender os nomes dos outros candidatos (quanto ao resto, está totalmente “fora”).

Há também um senhor muito calmo e bem-falante, que nunca nos arrependeríamos de convidar para um chá dançante com as nossas tias favoritas (as mais endinheiradas, claro): Pois é honesto, esmoler e tem montes de outras qualidades que fazem dele um segundo Guterres. Ou seja, um tipo impecável mas um péssimo político; daqueles a quem quase é necessário guiar a mão com a tesoura para cortar a fita nas inaugurações.

Se fosse careca (como o seu anterior e destrambelhado concorrente) dava um óptimo Gandhi. Como não é, vai ter que se contentar com a posição de árbitro nos “400 metros com obstáculos, na variante de galinhas poedeiras e frangos do campo”.

Por último o nosso candidato literário, que a avaliar pelo que dizia Pessoa será um incrível fingidor. Quiçá inflado pelos inimitáveis Irmãos Montgolfier, encontra-se prenhe de palavras como se tivesse sido sucessivamente fecundado por um grupo de perversos revisores de provas. Palavras impantes de orgulho e de forte sonoridade, que vai parindo carinhosamente na forma de cantos épicos com a consistência de farófias.

Um tipo tão embriagado pela sua própria “imagem residual”, que esta manhã vi na televisão a tentar comparar-se ao General Humberto Delgado. A mim soa-me como um balão que se vai ruidosamente esvaziando, até acabar por se assemelhar a um preservativo usado.

Alguém o deveria avisar que quando um pavão abre o leque, todos lhe olham para o cu.

E o pior... É que lá vamos ter que continuar com o Tiririca.

Música de Fundo
Hard to BeatHard-Fi

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011




Foto: Net

*

O meu amor
são uvas
saboreadas
bago
a
bago

numa totalidade
nunca igual
à sua soma

uma sede
ígnea
e nunca satisfeita

perdida
num deserto de luz
e açúcar

um réptil de incompleição
e desejo
merovíngio e imortal

que submerge
tempo a tempo
como quem dorme
em sobressalto

uma cria de fera
que brinca
ruge
e testa as unhas

para mais tarde
emboscar traiçoeiramente
o teu carnudo coração.


Música de Fundo
Tear You Apart - She Wants Revenge (link)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011



Imagem: Net / TheOldMan

O Balanço e Outras Actividades de Risco
- Em memória do meu saudoso e falecido Pentium 4 -

Mal soaram as doze badaladas de dia 31 de Dezembro, tive uma premonição de que este iria ser um ano diferente. E não me tinha enganado.

No meio da efusão do momento (Möet, passas, e etc.) o teclado do meu desktop juntou-se ás comemorações e bebeu cerca de meia garrafa; o que o fez entrar em curto-circuito e transformar o computador numa prometedora gaiola para criar hamsters.

Mas isso resolveu-se sem complicação de maior (excepto a despesa, é claro); embora dê imenso trabalho a instalar toda aquela tralha que eu considero minimamente necessária.

Respirei fundo, olhei em frente para o futuro (como se fosse um daqueles idiotas dos murais do MRPP), e disse a mim próprio que a avaliar pelo começo este iria ser um ano complicado.

E vai ser, não tenham a menor dúvida. Pois nem vamos ver de onde elas vêm.

É claro que essa estranha e selectiva cegueira é-nos imposta nem tanto pelo poder político, mas sim por aquilo que por aqui passa como sendo “meios de informação”. Esse circo de aberrações em que diariamente nos tentam fazer crer, que é mais importante a morte de uma velha bicha com pretensões a Svengali, do que a grande alhada em que nos encontramos metidos por culpa do PSD, do PS, dos americanos e de nós próprios; pois devíamos ter feito uma melhor “limpeza” aquando do 25 de Abril de 1974.

Correndo o risco de passar pelo irmão mais velho de Statler e Waldorf dos Marretas, deixo aqui a minha previsão para este ano. Vai sem dúvida ser um ano difícil e cheio de problemas; quer políticos, quer económicos. Um tempo de crise para o qual as únicas ajudas que teremos, serão a anestesia fornecida pela “informação espectáculo” e a proporcionada pela TVI que pagará as nossas dívidas, a troco de “apenas um pouco” da nossa dignidade.

Sempre será melhor que a alternativa oferecida ao tal Renato.

Como já devem ter reparado, no meio de tudo isto acabei por não fazer o balanço do ano anterior. A verdade é que foi propositado; pois creio firmemente que fazer balanços é mesmo uma actividade de risco.

E nessa só cai quem quer.

Música de Fundo
Brand New DayJoshua Radin (link)

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