quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011


Foto: Net


Nada se complica quando tudo pode ser dito numa só palavra
- Reflexões ociosas de um passageiro do “Comboio da Selva” -

Durante muito tempo, a minha chegada ao local onde trabalho, era como desembarcar no apeadeiro de Taman Negara.

O jardim que fora construído entre o Bairro do Plano Integrado e a linha do Metro de Superfície, pela constante falta de manutenção, acabou por se tornar numa espécie de “floresta de transição” ou “cerrado”, que desencorajava qualquer exploração fora dos carreiros delineados pelo quotidiano pisar dos habitantes.

Não poucas vezes ao passar por ali (conhecedor da topografia original do local), me interroguei jocosamente sobre o tipo de coisas inomináveis que se poderiam esconder por detrás da muralha verde (com mais de dois metros em alguns locais); ou se as crianças do bairro aproveitariam todo aquele emaranhado de capim, canas e árvores de pequeno porte, para exercitarem as suas capacidades no “faz-de-conta” (o simulador mais perfeito e barato que alguma vez usei).

A partir de certa altura deixei de utilizar o carreiro, pois o precoce ocaso das pardacentas tardes de Inverno, facilitaria a qualquer um a tarefa de emboscar e assaltar o eventual incauto que por ali passasse. No entanto, e de um modo algo estranho, seduzia-me a imagem de um tal caos “urbano-vegetativo”.

Por exemplo, um pouco fora do “jardim” e encostada ao viaduto do Metro, erguia-se (e ainda lá está) no talude uma horta em socalcos; laboriosamente escavada por um casal de cabo-verdianos não mais velhos que eu. Monumento involuntário ao trabalho e ao engenho de todas as pessoas humildes, que tentam sobreviver por esse mundo fora.

A vegetação fora-se adensando de tal modo, que no Verão passado um princípio de incêndio quase atingiu os prédios que se encontram na periferia; fazendo com que mais um grupo de vozes iradas, se juntasse ao já caudaloso cortejo de descontentes e revoltados.

Mas o Município finalmente decidiu-se a resolver o problema. E começou a notar-se um pouco habitual movimento de veículos; ao mesmo tempo que uma área na zona superior era desmatada para a construção do estaleiro das obras para a reformulação e plantio do parque.

Há alguns dias quando a composição subia em direcção à “Estação Beirute” (não tem esse nome, mas já foi vandalizada tantas vezes que parece encontrar-se sob um constante fogo de artilharia), notei que as equipas de limpeza tinham já atingido uma cota mais baixa do terreno; perto de um pequeno grupo de árvores.

Dois tubos de considerável diâmetro, desaguavam num pequeno delta formado no início da vala de drenagem.

E na margem deste pequeno ribeiro (agora a descoberto, após o corte da vegetação excedente) erguiam-se orgulhosos alguns pés de cana-de-açúcar, acompanhados por couves diversas e uma bananeira já quase com dois metros de altura, que dava sombra a duas cadeiras de plástico branco.

No chão, uma garrafa vazia de “pinga” completava o cenário duplicado de uma paisagem longínqua.

Senti um sorriso formar-se involuntariamente, enquanto saboreava a sonoridade quase esquecida de uma única palavra – Morabeza!

Música de Fundo
Paper Planes” – M.I.A. (link)



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011



Foto: Net



Uma curta pausa para redefinir prioridades
- Às vezes ouço música, outras vezes, vozes… Mas ao desligar o telefone, o problema invariavelmente desaparece. –

Durante os primeiros tempos (talvez por uns dois anos) da criação deste blog, sofri da conhecida “Febre do Sitemeter”. Tal como a quase totalidade dos outros bloggers, tinha um instalado e venerava-o diariamente como se este fosse uma espécie de santo padroeiro dos “Escrevinhadores de Armário”.

Da extensa lista de origem dos “hits” (agora chamam-lhes “visitas”, talvez para personalizar um pouco mais a experiência) espantavam-me aqueles que vinham de longe e falavam desvairadas línguas de sonoridade alienígena.

Espantava-me sobretudo que visitantes vindos da Coreia, da Finlândia ou do Bornéu se dessem ao trabalho de aparecer por cá. É claro que sem dúvida eram trazidos por um qualquer motor de busca, através de pesquisa por vocábulos como “wild teens”, “lolita” ou “anal”.

Mas deveriam partir daqui desiludidos. Pois além de serem palavras facilmente utilizáveis fora da sua conotação sexual, este blog era (e é) também escrito na língua de Camões; que como é sabido na comunidade internacional, se trata de uma língua tão chata de aprender como o latim (mas quase tão boa para insultar como o Árabe).
Lentamente fui redefinindo as minhas prioridades em relação às outras entidades virtuais, e desinteressei-me pura e simplesmente do aspecto mundano em favor da minha própria individualidade. A prova que era disso que se tratava, consiste no facto de ter vindo para aqui escrever. Se escrevo, estou a manifestar a minha própria individualidade. E como todos sabemos, a individualidade não se cultiva seguindo os outros.

Foi o fim do Sitemeter. E ter-se-ia dado mais cedo, se eu tivesse logo de início seguido o mesmo princípio que rege as minhas relações no mundo real. A Afinidade.

Não faz o meu género aproximar-me de alguém, apenas para incrementar uma contagem qualquer que sirva de testemunho a algo que nada tem a ver comigo; para beneficiar de notoriedade “por osmose”; ou mesmo - à semelhança de muitas aves “sem ninho” – para ir exibir a minha plumagem no terreiro dos outros.

Além de ser um bom aglutinador social, a afinidade é uma qualidade que mesmo na química ou na física, é utilizada para designar a força que mantém os átomos juntos nos compostos químicos. Pois para mim, nada funciona sem isso.

É esta força que contribui para que após todos estes anos, a meia dúzia de pessoas que continua a passar por cá pouco se tenha alterado. Este blog nada tem para quem não compreenda e sinta o que acabei de escrever.

Já agora… Era só para avisar que voltamos ao formato de 2010, terminando a curta era do “seguidismo” e das “medalhinhas”.

Nota final – Sinto-me tocado (só não sei bem onde) pelo comentário de um anónimo no post anterior; mas o que eu gostaria mesmo era perceber o que quer dizer – “Opinião palpitante aqui, post deste modo dignificam a quem visitar neste espaço :) Faz muito mais deste web site, aos teus utilizadores.” – Obviamente um leitor do Baluchistão, que decidiu utilizar o Google para traduzir o seu comentário, originalmente em Urdu.


Música de Fundo
Life On MarsDavid Bowie (link)



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011




A Verdadeira História do Dia de S. Valentim
Happy Valentine's Day - (Repost de 14/02/2005)
- Mafiosos da Antiguidade -

"Valentine’s Day" conforme consta no registo dos “Carabineri”, teve a sua origem numa enorme bronca que se deu em Terni (um subúrbio de Roma) na segunda metade do século III.

A máfia local era governada na altura por Claudius Gothicus (268 – 270), cognominado de “O Imperador” devido à sua vaidade na escolha de fatiotas onde predominava o cor-de-rosa; mais tarde conhecido como “cor de salmão” nos círculos homossexuais.

Claudius estava envolvido em diversos esquemas e campanhas considerados demasiado sangrentos. E isso, bem como os seus maus fígados (segundo o seu Físico particular), dificultavam imenso o recrutamento de “pessoal executivo”; pois o termo “homens-minuto” é originário desta época, devido à esperança de vida que cada um deles passava a ter ao se juntarem ao grupo de “O Imperador”.

Começou então a escassear a mão-de-obra especializada. Pois não havia quem estivesse disposto a ser crucificado ou regado com alcatrão a ferver (métodos de execução muito em voga entre as “famiglias” da época), apenas por um punhado de sestércios (Saga mais tarde adaptada para o cinema por Sérgio Leone).

“O Imperador” que da fama de “rabeta” já não se safava, e talvez induzido em erro pela sua aversão ao “belo sexo”, meteu na cabeça que a razão destas dificuldades residia no facto de os homens não quererem abandonar as suas namoradas, esposas e amantes; e proibiu todos os noivados e casamentos no seu território (mesmo entre homossexuais, o que na altura foi encarado como uma grave quebra de etiqueta).

Jimmy Valentine era conhecido como “O Bispo”. - Diz-se que, por um dos seus “fiéis” pouco satisfeito com um sermão, um dia lhe ter partido a rótula esquerda; fazendo com que ele passasse a andar em diagonal (e daí a alcunha) – Controlava o bairro de Terni, e acumulava o negócio da prostituição com o dos motéis; além de ter ainda uma capela onde celebrava casamentos tipo “Las Vegas” vestido de Elvis (era famosa até Cartago, a sua imitação do “Love Me Tender”).

Com o sentido de oportunidade característico de todo o bom latino, aproveitou esta espécie de “Lei Seca” começando a alugar quartos clandestinamente a jovens casais (e mesmo a alguns senhores de idade, que levavam as “sobrinhas” ao Circo). Acabando por expandir o seu negócio através de uma cadeia de pensões residenciais (águas frias e quentes) disfarçadas de cervejarias.

Quando Claudius tomou conhecimento do esquema de Jimmy, foi o bom e o bonito. Extremamente chateado por não ter visto um avo da percentagem habitual, encomendou uma “Limpeza” a Titus Pilum “O Discreto”. Que era conhecido no ramo, exactamente pelo facto de nunca ninguém o ter visto e ter tido tempo para seguidamente o imortalizar em mármore…

No dia 14 de Fevereiro de 270 estava Jimmy no fórum comendo uma lasagna, quando um dos homens de Titus disfarçado de Cupido o atingiu com uma rajada de seis setas; o que o fez ficar parecido com uma almofada de costureira.

Ao mesmo tempo um grupo de homens disfarçados de enfermeiras fetichistas, invadia as cavalariças onde eram guardadas as quadrigas e mandava todos os presentes encostarem-se de cara para a parede; enquanto lhes levantavam as togas e calçavam ao mesmo tempo as características luvas de borracha.

Não suspeitando que se tratava de um falso exame rectal, a maior parte dos homens de “O Bispo” foram apanhados com as calças na mão e passados à espada (alguns foram igualmente “passados a dedo”, mas apenas porque tal lhes foi concedido como último desejo).
O Sócio de Jimmy, Arnaldo “Papa” Gelasius ainda o tentou vingar, mas a maior parte dos homens tinha-se passado para o grupo de Cláudio; não tanto devido ao medo da luva de borracha, mas principalmente pela promessa de sociedade no negócio dos cartões comemorativos.

Arnaldo conseguiu (não se sabe como) viver até 498, ano em que viu o seu amigo e ex-sócio canonizado por engano, passando o dia da morte deste a estar conotado com os apaixonados e os concursos amadores de tiro ao arco.

As festividades em honra deste santo foram, pouco a pouco, substituindo as Lupercais, festa pagã da fertilidade que se realizava em meados de Fevereiro, e que estava a tornar-se impopular devido ao trabalhão enorme que dava tirar as nódoas das carpetes.

Durante a Idade Média, Valentine foi um dos santos mais populares na Inglaterra e na França, principalmente entre as moças feias, que nesse dia eram autorizadas a montar armadilhas para conseguirem apanhar o homem dos seus sonhos; ou qualquer outro que lá caísse e sobrevivesse aos espigões de aço.
Em Portugal a devoção a São Valentim é bastante limitada. Não havendo nenhuma freguesia que tenha este santo como patrono; ao contrário de S. Martinho, do qual em qualquer tasca sabem contar sua vida e obra.

O costume de aproveitar esta data para oferecer algo a quem se ama, teve início em 1840, quando Esther A. Howland após ter sido despachada pelo namorado, tentou vender as suas cartas à esposa deste e posteriormente como literatura erótica; acabando por dar início à moda dos postais.

Este procedimento foi-se alargando a todo o mundo, para gáudio dos comerciantes que vêm na data uma boa oportunidade de negócio. Para além do habitual cartão, não deixe de oferecer à pessoa amada aquilo que ela quer. Seja isso um beijo, uma queca bem dada ou mesmo o divórcio.

E bom Dia do Massacre de S. Valentim!

Música de Fundo
Disco 2000” – Pulp

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



O Navio Cinzento
- Um curto episódio de uma longa história -

O meu nome é Freyja. E é talvez esse o meu maior segredo.

Mas não é apenas sobre mim, ou sobre o facto de ser a única mulher arqueiro de toda a Terra das Neves, que confio esta mensagem às águas; é sim sobre o gosto ferroso a sangue que a vingança nos deixa na garganta. Ou talvez seja sobre tudo isto e ainda mais. Embora verdadeiramente a ninguém interesse, excepto àqueles cuja saga confio a esta garrafa que deitarei às águas.

Este nome antigo foi-me dado pela minha mãe quando nasci. Mas foi o meu padrasto que acabou por traçar o meu destino (e também o seu próprio), quando uma noite já bêbado a meio de uma discussão com ela, desembainhou a espada e a fez descer sobre a nossa desgraça.

Tinha eu nessa altura treze anos e uma alegria simples que nunca mais senti. Uma alegria que morreu no momento em que para socorrer minha mãe, a empurrei para trás salvando-a da morte. Empunhei a faca com que escamara o peixe para o jantar, e fiz frente ao estúpido do meu padrasto, que no meio da sua loucura falhou o alvo golpeando-me no peito.

Senti como se todo o meu corpo gritasse o lamento de uma lyra perdendo todas as suas cordas num só instante. Rodopiei e apunhalei-o; desfalecendo logo em seguida.

Conseguiram a custo evitar que eu morresse da perda de sangue, e passei oito semanas em delírio; torturada nos meus pesadelos pelos demónios do gelo.

Quando finalmente despertei fraca e reduzida a uma ossuda carcaça, descobri que nunca mais fugiria a rir das atrevidas investidas dos rapazes da aldeia; pois o seio esquerdo fora-me cortado rente. E no lugar dele ficara uma enorme ferida cauterizada – pois fora o único método de a fechar – que se assemelhava ao emaranhado de raízes de uma árvore vermelha.

Nenhum homem me quereria dar filhos. Não mais seria Freyja, pois perdera o meu nome e o que o caracterizava.

O modo como cheguei ao “Urso dos Gelos Flutuantes” (um Snekkja de aspecto sólido e cor indefinida), foi decerto igual a qualquer outro tripulante; embora nenhum deles seja de confiança nas histórias que conta.

Especialmente Einarr, que passa o tempo a lançar as runas ou a estudar as velhas sagas e lendas a mando de Rögnvaldr. Um antigo “jarl” renegado e transformado em saqueador; que nos tem comandado através de centenas de sanguinárias e lucrativas vitórias. Vitórias estas que nos proporcionaram um valioso espólio de sortidas preciosidades, usado como lastro para o navio, enquanto não terminar a missão para a qual fomos escolhidos.

Quando ele me encontrou numa infecta taberna do porto de Aarhus, já eu carregava a negra reputação de ser o arqueiro mais certeiro e mortífero dos Mares do Gelo. Uma vez que passara a vestir-me como homem (nenhum mestre arqueiro ensinaria uma mulher), e me tornara exímia no uso do valioso arco longo que roubara quando uma vez estivera em Jorvik com o resto da tripulação.

Os desembarques foram-se tornando cada vez mais espaçados entre si.

Rögnvaldr, cego pela obsessão de encontrar o navio que incendiara a sua aldeia e lhe matara toda a família, fazia viagens cada vez mais longas e arriscadas; chegando ás vezes, até à terra onde os espíritos dançam no céu. Mas não dávamos a isso muita importância, porque qualquer um de nós que fosse reconhecido seria abatido à vista; e apenas se estivesse num dia de sorte.

Ránnulfr o Skald, foi dado aos cães ainda vivo; quando uma noite teve a imprudência de se gabar à criada de uma estalagem em Björköby.

De resto, raramente nos conseguiam provocar baixas na tripulação. Todos eles uns impiedosos filhos de uma porca, que o comandante recrutara durante a sua já longa campanha de vingança contra o misterioso navio.

Uma noite encontrávamo-nos nós em Askvoll a beber no “Túnsvín Sæhrímnir”, quando o pequeno Agni (um parricida adolescente que nos servia de pau para toda a obra) entrou a correr esbaforido, para avisar que o “Cinzento” fora visto ao passar o Vilnesfjord rumando a norte. Pelo que montámos os cavalos que alugáramos numa quinta, perto da reentrância onde o “Urso dos Gelos Flutuantes” se encontrava escondido e completamente abastecido (o cauteloso é um herói que sobrevive), tendo sido esta a última vez que pisámos terra.

Ainda mal saíramos do abrigo do fjord, quando três knarrs completamente carregados com homens de Haraldr nos cortaram o caminho, fazendo brilhar ao sol os escudos da amurada, no meio de vozes de comando e gritos de incitação à batalha.

Acho que nunca lutámos tão bem. Comecei por escolher a minha melhor flecha de pena castanha, e com todo o vagar, abati o timoneiro do navio do lado exterior. Que guinou bruscamente e embateu num dos outros, enquanto eu disparava uma sequência rápida de flechas mais pesadas sobre os homens que se lançavam aos remos, numa vã tentativa de rectificar a manobra.

O terceiro navio conseguiu posicionar-se favoravelmente para a abordagem, e tudo passou a resumir-se a cortar, espetar e bloquear e cortar novamente; numa sucessão repetitiva de movimentos. Pela parte que me toca, tinha posto de parte o arco antes que se danificasse na refrega, e usava uma pequena “leggbítr” como punhal; combinada com movimentos de escudo, para lançar ao mar quantos conseguissem ultrapassar a primeira linha de defesa. Onde sobressaía o machado de dois gumes empunhado por Rögnvaldr, que quando abria largas brechas no grupo de abordagem, se assemelhava a uma metálica e feroz ave de amplas asas.

Matámos até nos doerem os braços e o convés se tingir de vermelho, mas o ímpeto dos atacantes não diminuiu durante muito tempo, pois víamos embarcações miúdas trazerem cada vez mais homens em armas, indiferentes ao destino dos seus predecessores. Sem dúvida que fôramos descobertos por alguém que tinha uma grande afronta a saldar connosco; pelo menos a avaliar pelos recursos que dispusera para nos lançar tal quantidade de guerreiros.

Tivemos a prova disso, quando ao nos livrarmos do último atacante nos esgueirámos entre os cascos de dois navios à deriva cheios de cadáveres, se começou a ouvir um cântico monocórdico trazido pelo vento. Fora afinal para ganhar tempo que todos aqueles homens se tinham sacrificado. Para permitir que um velho Gothi subisse ao cimo da escarpa e iniciasse a sua maldição.

Todos temos um pouco de superstição enterrado em algum lugar profundo das nossas negras almas. E eu não sou assim tão diferente dos outros.

Sentindo uma angústia que me oprimia o seio inexistente, peguei na minha penúltima flecha longa e retesei o arco; pensando na expressão do meu padrasto quando lhe perfurara o fígado. A flecha partiu com um sussurro, como um beijo furtivo; trespassando-lhe a garganta e fazendo terminar o cântico num lamento gorgolejante.

Mas fora tarde de mais. Nuvens negras conjuraram-se sobre as águas, soltando sobre estas ofuscantes raios, como ziguezagueantes espadas de prata. Rögnvaldr, apesar de coberto de sangue animou-se de uma inusitada fúria, apontando para um ponto no horizonte que identificámos imediatamente.

Lançámo-nos uns para os remos e outros para ajustar a vela, dirigindo o “Urso dos Gelos Flutuantes” como um aríete, através do mar inquietantemente liso e escuro como um olho do gigantesco Lyngbakr.

Conseguíamos já distinguir o vulto do outro comandante, que tal como o nosso, se encontrava na proa gritando instruções ao resto da tripulação.

Voltei-me para Rögnvaldr, que me retribuiu o olhar com uma expressão que não consegui identificar, e me acenou com a cabeça. Era tempo de fazer o meu trabalho pois já o arqueiro do outro navio - cuja reputação era ser infalível – escolhera uma flecha e retesava lentamente a corda do arco.

Escolhi uma de pena azul e talvez um pouco leve demais, pois quando apontei ao arqueiro e disparei, esta falhou-o por pouco mais de um palmo e foi espetar-se no convés. Felizmente, ele também falhou o tiro. Embora eu tivesse ainda ouvido um curto silvo, perto do meu ouvido esquerdo.

Einarr olhou-me apreensivamente pois nunca me vira falhar antes; e remexeu de um modo algo nervoso, um colar de contas que segurava junto com o punho da espada de gume largo.

A escuridão das águas que nos separava, começou a adquirir um padrão em espiral, revelando um profundo e vertiginoso Maelstrom de proporções assustadoras, que inexoravelmente atraía as duas embarcações para o seu centro.

Peguei na última flecha longa que poupara propositadamente para quando tivesse que enfrentar o arqueiro do “Cinzento” – uma beleza de veio fino com duas pequenas fitas vermelhas – e lentamente puxei-a junto com a corda até sentir no pulso direito a vibração do arco. Tomei desconto ao vento. Reparando tangencialmente, que o outro não demonstrava qualquer sinal de nervosismo, e rectificava a pontaria.

Ouvi o murmúrio nervoso dos homens atrás de mim e decidi-me. Retive a respiração e fiz a flecha partir num sopro quase inaudível.

Senti como que um murro no peito e caí para traz. Pelo canto do olho vi alguns homens do navio cinzento rodeando o arqueiro inimigo que agonizava. Os homens à minha volta soltaram exclamações desanimadas, e vi debruçado sobre mim o pequeno Agni, que com uma expressão compenetrada tentava estancar a hemorragia com um pedaço de estopa e um pano.

Os navios aproximaram-se de flanco e os homens soltaram rugidos furiosos que se transformaram em exclamações de surpresa enquanto se lançavam ao ataque.

No meio da névoa que me toldava a visão, reparei nas duas fitas vermelhas que decoravam a flecha espetada no meu peito. Sorri da ironia enquanto me sentia desfalecer, pois soube que não chegara ainda a minha hora.

Continuaríamos todos, talvez eternamente, combatendo-nos a nós próprios. Enquanto aprisionadas na voragem do Maelstrom, as nossas almas sofreriam um milhão de mortes. Tripulantes fantasmas de um Navio Cinzento.


Música de Fundo
Hjálmar's death song - from Örva odd saga (Old norse song) – (link)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não tenho muito tempo para perder com idiotas, por isso contenta-te com isto.




Mas olha que até tens uma certa piada com estes teus piropos.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011



Foto: Net

Bem-vindos ao Ano do Coelho de Metal Yin (Xin Mao)

O novo ano Chinês tem início hoje, dia 03 de Fevereiro de 2011 pelas 02h 38min (hora de Lisboa) e terminará a 22 de Janeiro de 2012, sendo regido pelo Coelho de Metal (que apenas pode ser caçado recorrendo a munições com ponta de mercúrio).

Segundo a maioria dos astrólogos, orientais ou não, este ano será marcado pela paz, concórdia e harmonia (o que, a avaliar pelas notícias que a TV tem transmitido, só vem reforçar a minha opinião sobre as nobres artes divinatórias) pois a índole sociável e conciliadora do Coelho tudo isto suplantará. Proporcionando-nos a todos um ano de estabilidade, em que o prato forte serão os relacionamentos (espero que a todos os níveis), os acordos em todas as áreas ou uma boa dose de "ragoût" do dito, caso nada disto se concretize.

Veremos grassar por todo o mundo (LoL, como se o ser a natureza humana fosse agora mudar devido a algum misterioso raio da "boa vontade", transmitido a partir dos confins do espaço) a boa educação, a diplomacia, o refinamento ("mais oui!"); bem como outras qualidades manifestadas apenas por um escasso número de indivíduos; e que dentro de poucos anos apenas se encontrarão mencionadas em livros antigos perdidos em obscuros alfarrabistas.

Segundo um incorrigível optimista que eu li on-line, "2011 será um bom ano para os negócios, o trabalho de equipa, os estudos, áreas governamentais, a justiça, as actividades ligadas à comunicação, à diversão, ao ramo de alimentos, à qualidade de vida, às artes e tudo o que estiver ligado à beleza e ao bom gosto". Resumindo, hei-nos chegados enfim à segunda edição do Renascimento; mas sem aquelas boinas ridículas ou aqueles interessantíssimos anéis em que se conseguia esconder veneno suficiente para cinco Doges.

Após esta introdução à laia de "disclaimer", apenas me resta deixar-vos com as minhas previsões para os signos do zodiaco chinês; amavelmente avalizadas pela menina Lian Chen (nome que significa "Salgueiro Gracioso pela Manhã") do "Bazar Chen". Que também me esclareceu serem os anos "do Metal", segundo a culinária chinesa, ideais para se "carregar no picante".

PREVISÕES PARA OS SIGNOS

RATO – Finalmente vai conseguir chegar ao tão almejado queijo, pois além do crescimento pessoal (cuidado com o aumento peso, não vá ser confundido com um coelho não-metálico) e profissional vaticinados para o nativo de Rato, este período favorece também as amizades e parcerias. Na vida profissional será necessário estabelecer limites (o que para os de ascendente hamster, poderá passar por uma redução do tempo que passam a correr naquela roda gradeada) e utilizar a sua capacidade de argumentação (se vir que não o ouvem, roa-lhes qualquer coisa que resulta sempre). Seja cuidadoso relativamente a assuntos financeiros, pois este período será bastante favorável para quem estiver disponível; ou seja, vai ter mesmo que pagar umas bebidas. Na saúde, atenção à circulação! Lembre-se sempre que é difícil detectar um roedor na estrada quando se vai ao volante.

BOI – Terá um ano relativamente bom, mas com alguns contratempos menores. Na vida profissional terá boas hipóteses de adquirir novos conhecimentos, e alterar a sua situação através de novas atitudes; mas terá que deixar de permitir que lhe ponham a “canga” sem protestar. O ano será propício a viagens, mas tenha cuidado para onde vai; pois há países onde o perseguirão publicamente para lhe espetar bandarilhas ou cortar as orelhas. Evite ser tão teimoso e tenha atenção aos gastos supérfluos. Na vida sentimental está em grande, pois os astros vaticinam-lhe um razoável sucesso nas suas conquistas (acho que finalmente vão acabar esses rumores sobre a sua aparência). O Boi contará este ano com o apoio incondicional dos seus amigos e familiares. Na saúde, é de evitar o stress, pois com esse estômago dividido em quatro só lhe vai dar más digestões. Recarregue as suas “baterias” apreciando a natureza (à falta desta, Ana Teresa também serve). Cuidado com acidentes relacionados com metal (queda de cofres a partir de andares altos, ingestão de peixe com mercúrio ou picadas com estoques de matador).

TIGRE – Você terá um ano cheio de altos e baixos (coma só os mais gorduchos) no qual terá que refrear o seu ímpeto de predador e dedicar-se à diplomacia (leia Paulo Coelho; mesmo que não resulte, pelo menos adormecerá num instante). Na sua vida profissional terá que superar os problemas com paciência, determinação e responsabilidade (o que quer dizer que está completamente lixado. Pois que pedissem isso ao boi ainda vá; mas consigo é tudo garras e dentes). Através da concórdia e da clareza de espírito poderá alterar muitas situações em seu benefício; agora como vai arranjar estômago para isso é que não sabemos. Não gaste demasiado dinheiro, ou lá se vão todas as previsões optimistas para este ano. Período favorável ao amor com novos encontros e novas amizades; sexo, talvez mais tarde. Na saúde controle os seus impulsos e evite estados de ansiedade. O duche frio “à inglesa” costuma ajudar.

COELHO – 2011 vai ser um período especial para si, que deverá aproveitar para trilhar novas vias e aceitar responsabilidades acrescidas (uma coisa é ser especial, mas ninguém disse que iria ser divertido). Para ter sucesso este ano, terá que definir os seus objectivos e lutar tenazmente para os alcançar; talvez seja melhor utilizar para isso os seus dotes de corredor. O seu trabalho será reconhecido e terá possibilidades de subir na carreira; tendo apenas que ter cuidado com alguns colegas que gostariam de lhe tirar a pele. Procure o equilíbrio das suas energias para que estas não sejam desperdiçadas em vão; lembre-se dos inúmeros ovos de Páscoa que ainda vai ter que fecundar. Evite a especulação quer financeira quer imobiliária; se não gosta da sua toca lembre-se que a alternativa é uma gaiola no mercado. No sector amoroso (e tal como os astros este ano aconselham a quase todos os outros signos) deve ser compreensivo e aberto ao diálogo. Pois se existem dois ou três laparotos na sua ninhada com o pêlo diferente do seu, sem dúvida que haverá uma explicação plausível. Na saúde, cuidado com os acidentes domésticos e a alimentação (não vá você fazer parte da de alguém).

DRAGÃO – Será um maravilhoso ano para todos os que mandam brasa por esse mundo fora. O seu talento pessoal para animar festas e especialmente churrascos, contribuirá para motivar e unir os outros em redor de um objectivo comum; nem que este seja apenas o frigorífico das cervejas. A sua vida laboral será afectada por alguns contratempos menores, mas no essencial tudo correrá conforme planeado, e os seus negócios florescerão. O seu futuro para este ano reserva-lhe bons auspícios no que respeita a viagens, mas deverá evitar climas húmidos que interfiram com a sua chama interior. Nos negócios proporcionar-se-á algum crescimento, especialmente se continuar na sua especialidade de rodízio e grelhados. No amor, beneficiará de um período de felicidade e harmonia, desde que não abra a boca a despropósito e reduza tudo a cinzas. Quanto à saúde, tenha cuidado com o sistema respiratório e cuide da pele, pois esta pode escamar.

SERPENTE – Será um bom ano para este sibilino signo, pois com tanto coelho à solta, sem dúvida que vai dar para suprir todas as suas necessidades alimentares. Deverá ser mais assertiva e dedicar-se a alguns momentos de reflexão; aproveitando talvez aquelas modorrentas horas durante as quais faz a digestão de todos esses roedores. No trabalho terá inevitavelmente que mudar algo, pois os seus colegas já não se encontram tão confiantes em relação às suas boas intenções. Cultive a diplomacia nos seus relacionamentos, não vá alguém considerar que você até dava um belo cinto. Não deixe os outros assuntos interporem-se entre você e o objecto da sua paixão; reserve algum tempo para se enroscarem ternamente, e descobrirá finalmente a verdadeira utilidade dessa língua bífida. Na saúde tenha cuidado com os estados depressivos e controle as suas emoções; se apertarem muito consigo dê-lhes a provar um pouco do seu veneno. Vai ver que lhe fará melhor que uma temporada em Saint Moritz.

CAVALO – Deixe de correr esparvoado por aí, e aproveite este ano favorável para estabelecer prioridades e definir objectivos. O trabalho será gratificante e rico em novos projectos (nem que seja um novo modelo de sela), e disporá de todo o auxílio que necessitar, por parte dos seus muitos amigos e familiares. Tenha porém cuidado com aqueles que apenas lhe passam a mão pela garupa com intenção de o montar. Seja calmo, ponderado e evite ser impulsivo; que isso do freio nos dentes só vai estragar aquelas novas obturações cerâmicas que lhe custaram uma fortuna no dentista. Evite os preciosismos no que diz respeito ao amor, pois isso poderá fazer perigar o seu relacionamento; a técnica ideal para si é “um relincho, e aqui vai disto!”. Ao fim e ao cabo, lembre-se que é um cavalo e ninguém quer ir a meças consigo. Cultive o companheirismo mas cuidado, que isso de parelhas só funciona se puxarem os dois em simultâneo; quanto à cumplicidade, se for preso negue sempre. Cuidado com o sistema circulatório, pois hoje em dia ninguém tem qualquer consideração pelos veículos de tracção animal.

CABRA – Sua malandreca! Este ano você vai estar no topo da vida social, e vai ser mais falada que o Berlusconi; beneficiando em todos os sentidos dos novos conhecimentos que fizer nesse mundo de cristais e lantejoulas. Quanto ao trabalho, tem é que deixar de ser comodista e aproveitar novas oportunidades, que aquilo ali já foi chão que deu uvas e o seu patrão já não vai lá mais só com conversa. Será um ano muito favorável à aquisição de novos conhecimentos e incursões no ramo da formação profissional. Seja determinada e coloque os seus talentos em acção pois toda a gente à sua volta, com um pouco de jeito, se transformará naquela espécie de pudim que você tanto aprecia. Os astros advertem-na contra o excesso de sentimentalismo, mas isso nem é problema. Se você for uma verdadeira cabra isso não a vai afectar, pois os outros não passam de adereços na elaborada produção que é a sua vida. Na saúde cuide do fígado e dos olhos; não vá alguém tentar vazar-lhos.

MACACO – Você, seu destrambelhado, vai ter que ser mais perceptivo e usar o pouco bom senso herdado dos lémures para obter um mínimo de sucesso. No trabalho os resultados serão lentos, pois além de você ser um preguiçoso incorrigível, há também essa coisa da masturbação que não há meio de abandonar. Leia livros ou tome banhos de mar; e cultive a diplomacia (o que também é óptimo para apanhar gajas tímidas) e por favor, deixe de coçar os tomates em público que isso não é nada sexy. Atenção aos gastos excessivos. No amor, o período será de alegria e novos encontros (embora uma grande parte destes lhe venham a ser proporcionados pela sua participação no famoso “jogo da bolha”). Faça exercícios físicos e tenha atenção aos rins; especialmente se tiver tendência para ficar por baixo na altura do acasalamento.

GALO – Este vai ser um ano em que o Galo terá que fazer opções e lançar novas sementes (infelizmente os oráculos não nos dizem de que tipo de vegetal). As mudanças que se aproximam ser-lhe-ão necessárias e até benéficas para o seu futuro como se fossem uma espécie de erva plantada pelo ET. No trabalho, os contratempos serão superados através da determinação, do planeamento (e se avaliarmos com base na minha experiência pessoal, através de meia dúzia de bicadas judiciosamente aplicadas na sua entidade patronal). Evite a impulsividade, especialmente porque o poderá conduzir directamente ao tabuleiro inferior do forno do fogão. O período favorece os estudos e o progresso na carreira profissional. Evite os negócios especulativos e atenção às despesas, não vá faltar-lhe o milho. No amor, cultive o discernimento, e tenha em atenção que neste domínio, quanto menos cantar melhor será para si. Quanto à saúde, faça exercício físico. Que só cantorias não o levam a lado nenhum. Vá por mim!...

CÃO – Será um bom ano para o Cão, em que este deverá cultivar os bons pensamentos e o equilíbrio interior; embora seja compreensível que de vez em quando largue tudo para correr atrás de motociclos ou de algum carteiro. No trabalho terá boas possibilidades de destaque e reconhecimento; mas lembre-se que a fidelidade não é tudo. Se vir que não lhe vão pagar o salário atempadamente, sempre pode arreganhar a dentuça e fazer com que as coisas se componham. Poderá assumir novas responsabilidades ou iniciar um novo negócio. Não deixe que os pequenos contratempos o desanimem, e confie no seu faro para distinguir entre quem lhe quer bem e aqueles que apenas lhe querem pôr uma coleira. Mantenha o entusiasmo e a perseverança, mas não se entusiasme em demasia; pois quem corre com a língua de fora tem sempre quem lhe queira fazer festas ou dar banho. Na vida amorosa beneficiará de harmonia e tranquilidade, desde que não lhe calhe uma cadela qualquer. Na saúde cuide da postura e coluna vertebral. Sim, nós sabemos que está farto de levar pontapés.

PORCO – Este será um ano de grandes feitos e boas possibilidades para si. Deverá cultivar a sua capacidade de observação e reflexão; o que o favorecerá na gratificante actividade de caçador de trufas. Onde, segundo os astros, os seus esforços serão reconhecidos. Estabeleça limites e prioridades, e não aceite a vida como se lha despejassem à frente numa gamela. Vá à luta, mas evite a teimosia e cuide de suas finanças; pois um dia terá que deixar de fossar nesse emprego, e vai ser o diabo para manter essa sua saudável constituição. No amor, encontram-se favorecidas as reconciliações, mas tenha em conta que podem apenas estar interessados no seu entrecosto. Procure o entendimento e o companheirismo; embora o sexo seja muito mais divertido e não implique ter que repartir com outrem todas aquelas deliciosas cascas de batata. Na saúde, faça uma alimentação saudável (que bem precisa) e evite os excessos, especialmente no que diz respeito a restos. Pratique actividade física. Ou na falta de oportunidade para isso, vá para um Spa, e tome uns bons banhos de lama.

Música de Fundo
江南春色 Spring scenery of Jiang-nan /二胡:邵琳 (link)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Dentro de algumas horas chegará o ano do Coelho de Metal
(eu sei que é uma lebre, mas não fui eu que fiz esta imagem)




Dr. Rebouças tomando dose de seu próprio remédio.

Foto: Net


Coitadinho é a Puta que o Pariu!
- Onde um urologista aposentado que voga pela Net em busca de “vida social”, se mete com quem não devia, em vez de continuar na Tijuca “brincando com bago”. E é claro, igualmente sobre a sua freudiana aversão à palavra “bago” (tal como eu não gosto do termo “asco”, quando utilizado em relação a mim ou a algo que eu faça). –

Sempre detestei gente petulante que se tente impor a mim, ou me queira levar a fazer algo que eu não queira. É por isso que todos os meus visitantes virtuais, são tratados inicialmente do mesmo modo que aqueles que o são no “mundo real”, e com a mesma correcção que demonstrarem para comigo.

É claro que se decidirem pousar os pés em cima da mesa ou cuspir para o chão, acaba-se a boa educação e começo a tratá-los como invasores beligerantes. Podendo garantir desde já que me dedico tanto a ajudar um bom amigo, como a desancar um qualquer idiota que tenha a brilhante ideia de se vir meter comigo.

****
Breve nota para o ex-Troll (já que agora sei quem és): Uma vez que aparentemente não falamos a mesma língua, vou tentar exprimir-me no linguajar que aprendi com alguns bons autores brasileiros.

Me perdoe pois se alguns dos termos forem já considerados arcaísmos (penso que “boiola” e “corno patético” ainda se devem usar, pelo menos em relação a você, “minino).

Para evitar que este texto se estenda demasiado em explicações, vou transcrever o post que você tem republicado sistematicamente, de modo a que eu não perdesse uma tão mimosa pérola do “ressabiamento senil”.

****



DESISTI DE BRIGAR.

DESISTI DE BRIGAR
DECIDI OUVIR
COLOQUEI NO OUVIDO
O APARELHO AUDITIVO
É APENAS MAIS UM
NESTA QUADRA DA VIDA
RELEGO AO OLVIDO
OS SONS DISTORCIDOS
DAS INCONGRUÊNCIAS ESCRITAS
POR UM 'SOI DISANT' VELHO.
AS CENOURAS ÀS UVAS:
AQUI NO BRASIL BAGOS
SAO CULHÕES, APENAS....
PODE SER QUE LHE AGRADEM CULHÕES
A MIM ME AGRADAM AS UVAS
DAQUELAS DOCES SEM CAROÇOS
(OU LHE AGRADEM MAIS
OS ÓCULOS E CARECAS...)

DIMINUÍ AS LETRAS
PARA LHE AJUDAR A LEITURA
JÁ DIFÍCIL PELOS ÓCULOS DE CAMELÔ
COITADINHO.

Postado por hesseherre





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Não está mau, e pelo que já ouvi por aí até podiam fazer samba com ele. Mas sabe, moço? Um cursinho de medicina e uma especialização em escroto… - Perdão, urologia – não lhe dão autoridade para me insultar nem o defendem da retribuição. Porque para que ‘cê fique sabendo; eu retribuo tudo ao juro do mercado.

Pois vamos ver então quem você é.

Sabe, Serginho? Quem se quer manter anónimo, tem que levar em conta que tudo o que mandar para a Internet ficará por ali eternamente (ou até esta explodir); e mesmo o que você apaga tem 80% de possibilidade de se encontrar em “cache” ou no “Internet Archive”.

Bem sei que esta explicação pode lhe parecer um pouco complicada, e eu compreendo que acariciar saco não te deu mão para lidar com pessoas excepto ao nível testicular. Mas serve para ilustrar o seguinte: ontem a noite antes de ir jantar, escrevi algumas palavras-chave para busca no meu “webCrawler” e o deixei trabalhando por umas horas.

Após esse tempo ele apitou feito microondas e me apresentou o seguinte resultado:

*
Sérgio Correa Rebouças – Médico Urologista – 73 anos
Aposentado em 2007 do Hospital dos Servidores do Estado (RJ) – Rio de Janeiro
Telefone 2081426

Consultório – Pca. Saens Pena, 45 – 1103/1105
20520-090 Tijuca – Rio de Janeiro
Telefones – 228-4009 e 2264-5298
*

De mistura com isso, veio também uma lista dos comentários postados pelas suas diversas identidades (na maior parte dos casos a exigir a reciprocidade de links) nos últimos seis anos; alguns deles bastante “inconvenientes”. Isto para não falar daqueles que lhe apagaram, ou das vezes em que foi botado pra correr como um cachorro.

Por isso, esqueça que eu existo e tente não despertar a minha atenção inutilmente. Se mantenha em seu “blog parasitário”, ou me verei obrigado a mandar um par de ninfetas cantar na porta do teu consultório, ternas canções sobre como você não passa de um velho babacão e pinga-amor metido a besta.

E por último, quando quiser fazer reparos sobre o significado de algumas palavras em português, recorde-se que não foi nenhum compatriota seu que descobriu o meu país ou trouxe para cá a língua portuguesa.

Este post ficará no topo do blog pelo menos durante uma semana, para que você possa ter a oportunidade de gravar e mais tarde (não será tanto tempo assim, claro) recordar.

Se cuide, escrotinho.


Música de Fundo
Fire Water BurnBloodhound Gang (link)

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