sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Spring Flowers by Norman Rockwell


Auld Lang Syne
(by Robert Burns)


Should old acquaintance be forgot,
and never brought to mind ?
Should old acquaintance be forgot,
and old lang syne ?

For auld lang syne, my dear,
for auld lang syne,
we'll take a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

And surely you’ll buy your pint cup !
and surely I’ll buy mine !
And we'll take a cup o’ kindness yet,
for auld lang syne.

We two have run about the slopes,
and picked the daisies fine ;
But we’ve wandered many a weary foot,
since auld lang syne.

We two have paddled in the stream,
from morning sun till diner ;
But seas between us broad have roared
since auld lang syne.

And there’s a hand my trusty friend !
And give us a hand o’ thine !
And we’ll take a right good-will draught,
for auld lang syne.



E bom 2012 para todos!


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mais um para o "Clube dos Ditadores Mortos"



Foto: Net

Como me encontro a meio de uma fase “não-produtiva” – e também porque Kim Jong-Il não merece um post – aqui vai o repost de um texto já com cinco anos. Escrito igualmente em Dezembro para assinalar o auspicioso desaparecimento de Augusto Pinochet.

A Patuscada

- Um reencontro de velhos amigos, um desfiar de reminiscências, uma celebração da amizade… -

Era uma fria manhã de Dezembro. Na velha cabana construída com musgosos troncos, nas escarpas inacessíveis de uma qualquer sinistra e anónima montanha; um velho de nariz adunco vigiava a frigideira onde fritava camarões.

Algures atrás de si, a porta ecoou duas sonoras pancadas como se fosse um gongo chinês, assustando as gralhas das árvores em volta; o que provocou um reboliço parecido com um congresso de bruxas em aceso debate.

Olhando de relance o calendário onde dois gatinhos assinalavam o mês de Dezembro, encaminhou-se para a fonte do ruído arrastando pelo chão as solas das botas de modelo italiano e resmungando entre dentes. Girou a chave quatro vezes para a esquerda na fechadura de aspecto moderno, e escancarando a porta contemplou o recém-chegado por cima dos óculos.

- Só te esperava para amanhã – Proferiu, dirigindo-se a um ancião de aspecto gorducho que transportava consigo duas garrafas de vinho branco – Até pensava que era o miúdo, pois mandei-o há pouco comprar malaguetas à vila…

- Despachei-me mais cedo. Aliás, a coisa estava a tornar-se aborrecida e decidi apanhar o transporte um dia antes – respondeu o interlocutor, entortando o bigode num sorriso quase imperceptível – Imaginas que aqueles pelintras, em vez de me oferecerem a festa de despedida com procissão e tudo como estava combinado, se limitaram a fazer-me um churrasquinho? – Depois um pouco mais calmo, continuou – Bem… Trouxe-te duas garrafas de “Santa Inés” branco para acompanhar os camarões. O tipo da alfândega queria deitar-lhes a luva, mas quando lhe disse que eram para ti acagaçou-se.

- Fizeste bem, Augusto – Respondeu o anfitrião – Esses gajos têm memória curta, e ás vezes é preciso refrescar-lha. Mas entra, que isso aí fora está um gelo que não se pode… Deixa as garrafas a refrescar na soleira, que aqui ninguém rouba nada.

Sempre a arrastar as botas pelo soalho, conduziu o visitante a um cadeirão perto da lareira. – Serve-te de um porto, que o miúdo deve estar aí a chegar e eu mando-o acender a lareira.

- Miúdo? Mas qual miúdo, António? – Perguntou finalmente o outro

- O Rosa Casaco. Lembras-te? Aquele que me fez o servicinho do general aviador e da secretária brasileira. – Respondeu o do nariz adunco – É um puto porreiro! Até emprestou umas fotos minhas ao Múrias, para este fazer um livro comemorativo do centenário. O Adolfo encontrou-o por aí e enviou-mo (o Casaco, claro). Tem sido uma grande ajuda, que eu nesta idade não posso fazer trabalhos pesados.

- O Adolfo? Não me digas que o Adolfo está cá. - Disse Augusto, surpreendido – Eu tinha uma admiração pelo gajo… Era doido como uma catatua, mas fazia uma “kartoffelsalat” de se lhe tirar o chapéu…

- Então não sabes? O Adolfo agora é Presidente da Junta. – Informou António com um sorriso maroto – Chamou para cá toda a malta dele, e estabeleceram-se com um negócio de montarias ao javali, para turistas. Trouxe o Heinrich, o Herman gordo…

- Quem? O Herman José?

- Não, pá! O Hermann Göring. Aquele tipo que andava agarrado ao pó, e usava o cinto pelos sovacos como o Obelix. – António, casquinhou uma risada escarninha; mais parecendo o som de um par de maracas – Ainda me lembro quando lhe trocámos a heroína por “fluorescente trifósforo”. O gajo durante um tempo quando saía à noite, até parecia um pirilampo gigante com aquela peida enorme a brilhar no escuro.

Augusto suspirou de alívio – Se eu soubesse que vocês se divertiam tanto, tinha vindo mais cedo. Ainda por cima, já estava a ficar com falta de desculpas para faltar às audiências. E ia metendo em sarilhos aquele rapaz do Supremo que me andava a fazer o jeito.

Entretanto a porta abriu-se intempestivamente, dando entrada a Rosa Casaco que afogueado se dirigiu ao fogão com expressão preocupada – O Professor Salazar desculpe a demora, mas eles não tinham malaguetas e só consegui trazer pimenta de cayenne. Espero que os camarões não se tenham queimado…

- O quê? - Berrou Oliveira Salazar na sua voz de velha – Não tinham piri-piri? Isto é uma choldra! Bem dizia o Américo Thomaz que esta merda aqui é um inferno. Só tenho coisas que me ralem…

Música de Fundo
Bang Bang You’re Dead” – Dirty Pretty Things (link)

  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011



Anjo de Aço

É contra mim que exerço esta violência em não escrever. Como se ao amordaçar-me punisse alguma transgressão eventualmente cometida.

Mas não sinto culpa alguma que justifique esse facto.

Culpa seria curiosamente desculpa para essa espécie de culpado silêncio, e logo por ela própria obviamente desculpado. Mas não.

Nada do que sinto é publicável. Nada do que escrevo é compreensível, senão para mim. E eu, compreendo-me perfeitamente sem qualquer necessidade de escrever seja o que for.

Sejam estas linhas, uma história divertida ou uma acesa diatribe contra qualquer um desses óbvios alvos, que facilmente se podem escolher entre todas as coisas que estão mal feitas neste mundo.

É este o meu modo de ser violento. Não falar, não escrever, não estar aqui.

Voltarei, novamente, quando a raiva voltar a adormecer... mais uma vez.

Até já.

 Música de Fundo
Vision (O Euchari In Leta Via) - Hildegard Von Bingen (link)


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