terça-feira, 25 de agosto de 2015





A Banhos na Praia do CDS com o Apóstolo e Óculos GayRedux
- Mutatis Mutandis

Existem alturas em que abrimos os olhos e nos encontramos em algo que se assemelha a uma caricatura do passado. Não o passado que em tempos conhecemos, mas uma hibrida ficção em que os nossos desejos tomam a realidade por aquilo que não é.

Dizem os entendidos (ou sou apenas eu) que a realidade não é feita de matéria e factos, mas sim do que sentimos quando atravessamos tudo isso; num plácido deslize para o pântano dos nossos anseios e ilusões.

A ilusão de que o sol é mais quente, a areia mais fina e todas as manhãs são uma promessa.

Foi por isso que, munido daqueles amaricados óculos D&G me fiz à praia (mais uma vez, após dois anos) na companhia do fiel Apóstolo; aquele ser constante que umas vezes é a minha consciência, e outras a afiada concha na areia que me faz parar e pensar, se caminhar pela praia será ou não a melhor terapia para aquela afeção a que alguns estranhamente chamam existência.

Mas afinal, quem é que não sofre disso? ...

Azul!

Escrita assim a frio, assemelha-se a uma qualquer praga ou encantamento numa língua antiga; mas é apenas uma cor. A minha cor favorita. A cor da minha toalha, do céu… do mar.

Mas por mais que caminhe incansável e repetidamente de pontão a pontão naquela praia, sinto que parei algures no tempo. Preso num crítico nanosegundo em que estupidamente me obriguei a ficar, como um caminhante que chegando a uma encruzilhada se senta a descansar e é atacado pela preguiça que o congela, até que uma qualquer tempestade elétrica o impulsione novamente como um míssil em direção ao oblívio.

Neste momento as turbulentas nuvens do desejo entrechocam-se no Horizonte de Eventos da minha vida, antecipando (talvez) mais uma daquelas explosões de “supernova” que me saem pelos dedos. Drenando todas as palavras contidas a custo neste instável ambiente de “Mentos & CocaCola” em que se transformou o meu peito.

Mas adiante.

Finalmente passou um ano e meio em que diariamente cavalguei o "Dragão das Trezentas e Vinte Seis Alvoradas", e não estou melhor ou pior do que era antes. Apenas um pouco mais velho, mas sempre acicatado por aquele inexplicável impulso que me faz ouvir Korn, ou pedalar raivosamente por falésias e pinhais.

Mas o meu olhar ausente que se perde para além das lentes azuis e divaga pela praia, é obrigado a focar-se na areia que piso, pela voz convincente do Apóstolo Zé António; como que a dizer-me que as coisas raramente mudam, a não ser que não nos importemos de morrer para reincarnar a seguir.

Metódicamente limpo dos pés a areia morta do tempo, pronto a caminhar os dias que se semeiam no futuro; como a resiliente grama que apesar de pisada é sempre viçosa e verde.

Só é pena que não seja azul…



Música de Fundo



Enrique Iglesias - Bailando


Versão Alternativa



4Litro - Bebendo (versão madeirense) feat Gente da Pipa e Bófia Sarrão


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