sábado, 25 de junho de 2016



Brexit, Nexit, Fuckit and Excusit
(The Mummy is Back)
- Uma sinfonia em quatro andamentos. Respetivamente Marcia Moderato, Allegro Vivace, Alegricissimo, e Extremo Fudidissimo –

Todos sabemos que a Europa (ou UE) é um daqueles casamentos de conveniência em que há sempre um dos contraentes que fica com orgasmos por gozar e uma amarga sensação de ter sido muito mal fodido. Mas as coisas são mesmo assim (como diria a Irmã Lúcia), e às vezes temos que levar a cruz ao calvário; mesmo que como eu se seja um agnóstico convicto e esclarecido, ao ponto de não acreditar sequer nessa abstração que é o amor entre potências (se bem que Portugal seja uma espécie de impotência em constante negação).

Ora como todos sabemos a genética é daquelas coisas lixadas que normalmente não deixam ninguém mentir. E que é impossível negar que não só Boris Johnson e Donald Trump têm antepassados comuns, como o mesmo acontece entre Nigel Farage e Marinho Pinto.

Algures naquele remoto charco primordial, é sabido que as amebas se dividiram (cindiram-se segundo o meu velho Prof de biologia) e produziram seres autónomos, embora escravos da mesma deficiente herança genética.

E tal como cada um dos seus genéticos contrapontos, todos eles sabem apontar o dedo (função biomecânica básica) mas em contrapartida manifestam uma enorme dificuldade em o pousar em algo relevante. Afeção esta que não só lhes dará imensas dificuldades politicamente, bem como inúmeros amargos desgostos nas suas respetivas vidas amorosas.

É neste Andante (e talvez semi-tropeçante) que chegamos ao pub da aldeia e arregimentamos meia dúzia de incompetentes aspirantes a agricultores, quatro ou cinco militares reformados em contínuos de ministério que passam por majores, e um ou outro juiz não muito bêbado (pois têm que assinar); e está feito (We Madeit. O que convenhamos é uma conquista num texto cheio de Its).

Infelizmente no meio da espuma de todas aquelas “ales” & “lagers” evaporou-se a noção de proteção mútua que assiste mesmo aos piores acordos. E aqui para nós, existem submissas no mundo do S&M, com melhor instinto de conservação que alguns políticos Ingleses (e não digo Britânicos, porque por esta altura me parece um conceito que brevemente entrará em desuso).

É então que farto de choraminguice e após ter perdido a votação contra uns tipos que não têm qualquer programa preparado (It was a sham, darling. Please forgive me…) David Cameron acha que é tempo de ir para casa e meter a escrita em dia antes que seja igualmente corrido de lá. Batendo com a porta do Nº 10, e proferindo algo como - Ai é? Então descalça tu a bota… - acordando o pobre do “bobbie” que estava a dormir em serviço e que quase se reformava por incontinência intestinal.

Consequentemente Marinho Pinto (perdão, o Nigel Farage) dará por si em cuecas no meio de Trafalgar Square e sem qualquer discurso preparado (uma vez que os paga “á peça” às Produções Fictícias).

Após uma reflexão que durou algumas dolorosas horas (pensar faz doer a cabeça) os Tories, os agricultores que não cultivam, os reformados “de Pub” e toda aquela cáfila que sobrevive de subsídios europeus (mesmo aqueles simpáticos “chavs” que me fazem lembrar os meus amigos do Bairro Amarelo; mas mais abastados, claro) chegou à conclusão que ninguém se tinha lembrado de alinhavar uma solução de contingência para a remota possibilidade de ganharem o referendo ( e francamente, estou feliz por o terem ganho).

O que nos leva ao último andamento desta sinfonia, o “Extremo Fudidissimo” ou como já se diz “Excusit”. No qual já os Tories pedem a Cameron que fique ao mais puro estilo do Bairro do Padre Cruz (Ó filha eu não queria dizer nada disso, e por favor não vás nem leves os meninos, que o carro faz-me imensa falta e eu nem sei onde ir dormir.).

Aguardamos ansiosamente a continuação desta fotonovela no Daily Express, Correio da Manhã e outros tabloides de vulto, que são o substrato de onde cresce o espinhoso arbusto que um dia será a Europa de um provável futuro. Mesmo não sendo a que foi idealizada no ano em que nasci (1957) pelo menos nela constarão os nomes; não só dos que com ela se mantiveram fiéis ao sonho como os dos que a tentaram encornar; acabando por ficar sem a casa, o carro e a ver os meninos de quinze em quinze dias.



Agora desculpem, mas tenho que ir. Aínda estou á espera de uma declaração coerente por parte do Nigel Farage. Ayy LMAO.

Música de Fundo

The Pretenders - "Boots of Chinese Plastic"

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