quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
O Post de Aniversário da Sacerdotisa

Malta! Venho interromper este descanso sabático para dar os parabéns a Vanus de Blog, a nossa sacerdotisa do 2º Anel (Círculo Interior), que comemora hoje mais um aniversário.

Que Blog lhe permita mais um monte de anos ao seu serviço (e com os diminutos honorários que aufere), são os meus votos e de toda a tripulação desta espécie de culto Extra-terrestre.

Parabéns! Vanus de Blog

Música de Fundo
La Folie” – Stranglers

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Nem Tudo o Que Balança Cai
- Especialmente se nos estivermos nas tintas para o balanço –

Não há nada que eu possa escrever aqui e que venha dar algum sentido aos debates das Presidenciais, à vida em geral, ou até mesmo a este blog; é “porque sim” e pronto. Não há explicações a dar.

Seria mais ou menos por esta altura em que eu deveria começar a “engraxar” os meus “queridos e fiéis leitores” (espantosamente até existem alguns) ou a gabar as virtudes da verdadeira e pura amizade que se cria através dos nossos “esfreganços” pelo éter.

Se o/a caro/a leitor/a é daqueles que usa cuecas ou boxers com ursinhos e cita o “Principezinho” a propósito de tudo, pode fazer de conta que eu fiz tudo o que enunciei antes com uma lágrima a sulcar-me a face comovida, e desejo-lhe um bom 2006.

Para os outros (os tais que têm os pés mais perto da terra; e por tal com melhores possibilidades de dar um bom impulso) venho apenas deixar um abraço ou beijo descomprometido (para evitar problemas inter-blogs), e desejar-vos um bom ano de 2006.

Sim! Que aqui este vosso amigo só voltará para o ano que vem; a não ser que vítima do demónio do álcool ou de um “bit” mais bem atestado, decida faltar a essa promessa e venha para aqui disparatar.

Entretanto até lá, vou aproveitar a minha prenda (acima em foto) e dar uso à teleobjectiva…

Música de Fundo
Picture of You” – Boyzone

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

O Amaldiçoado Relógio de Família
- Onde se vê até onde pode chegar o Natal e também como se iniciam as tradições familiares… -

Nunca vos apresentei o meu irmão. Além de mais novo é também como se fosse a minha imagem em negativo, excepto na cor. Um pouco à semelhança das aventuras do Super-Homem em banda desenhada, o meu irmão nasceu no Planeta Bizarro onde tudo é ao contrário do nosso (temo que esta tirada apenas seja compreendida por irredutíveis fãs de BD).

Mas para evitar mais descrições, peço-vos só que acrediteis na minha palavra.

Quanto ao relógio dispensa apresentações. É de bolso e tem um cromado agressivo, no estilo de uma carraça metálica cujo habitat fosse o pára-choques de um cadillac. E sofre de uma saúde periclitante, como se vai ver a seguir.

Mas comecemos.

Aí pela quinta vez que o meu sobrinho Rodrigo veio perguntar discretamente quando se abriam os presentes, decidimos finalmente lançarmo-nos àquilo que todos os anos deixa a minha sala parecida com a Broadway, após o desfile do final da última guerra mundial. A abertura dos presentes.

Todos os anos aparece algo para animar a cerimónia; e este ano calhou a vez ao relógio.

A culpa foi toda da minha mãe que nunca o devia ter oferecido. Mas como lhe tinham “saído” dois num sorteio e era modelo de bolso, achou por bem dar um a cada filho como se de preciosas relíquias se tratasse.

É claro que quando (seguindo minuciosamente um folheto com instruções em espanhol) retirei a patilha de segurança para permitir que o meu entrasse em funcionamento, ele decidindo desperdiçar a oportunidade, ficou ali de ponteiros parados alardeando a sua cromada indiferença.

Tomei isso como uma afronta pessoal e fui sentar-me no meu “sanctum” a tentar abri-lo com um x-acto. Pus os óculos de leitura na ponta do nariz e tirei uma pilha (não iriam acreditar nas coisas que eu tenho nas gavetas, e que acabam por ser úteis de dez em dez anos)… Dizia eu que tirei da gaveta uma pilha do modelo 377, e me preparei para a trocar pela outra pressupostamente exaurida.

Vindo dos confins da sala de onde nunca deveria ter daído, o meu irmão entrou e tirando-me o relógio da mão, decidiu utilizar os seus dotes de primata adulto para abrir a caixa e revelar o mecanismo.

Infelizmente o destino detesta o meu irmão. E a primeira coisa que lhe fez, foi permitir que a ponta do x-acto resvalasse na caixa cromada, gravando nesta um profundo sulco que terminava num igualmente profundo corte aberto no polegar do referido primata.

Após nos brindar com alguns exemplos da sua extensa colecção de impropérios lá se acalmou, permitindo que eu recuperasse o indiferente relógio, que agora parecia sorrir com aquele risco sulcando-lhe a face brilhante.

Evitando a todo o custo qualquer discussão sobre os cuidados a ter com objectos cortantes, entalei a lâmina numa abertura lateral e abri a caixa. O mecanismo era diminuto. Sendo mantido no centro do relógio por uma armação de plástico branco, como um solitário coração mecânico.

Por essa altura, o meu irmão de curativo já feito testava o funcionamento do seu; cujos ponteiros giravam calmamente, tal como todos os ponteiros deveriam girar.

Após substituir a pilha com todo o cuidado, constatei (tal como esperava) que o defeito era do relógio que continuava teimosamente inactivo.

Demonstrando que não tinha aprendido nada com o episódio anterior, o meu irmão aproximou-se e decidiu ressuscitá-lo como a um escaravelho atordoado, pegando-lhe pela roda de dar corda enquanto com um dedo lhe dava piparotes animadores.

O facto de se tratar de um indivíduo pouco paciente, também não ajudou nada. Pois escassos minutos após, o relógio vítima de um piparote mais animado entrou em queda livre e foi estilhaçar o vidro contra o mosaico do chão.

Tudo teria acabado ali se eu tivesse uma pá e uma vassoura.

Com alguma curiosidade sobre o resultado obtido, o meu irmão baixou-se e apanhou o relógio. Enfiando no processo o indicador através do mostrador e do vidro estilhaçado do falecido relógio, que teve assim direito a uma vingança póstuma.

Um pouco surpreendido, vi o meu irmão a sacudir o dedo que o relógio abocanhara teimosamente como um fox-terrier. Parecendo que afinal o tal escaravelho cromado resolvera retaliar pelos maus tratos. Conseguimos acalmá-lo o suficiente para conseguir desencaixar o relógio, mas o mal já estava feito.

Mal lhe foi feito o curativo à segunda ferida, decidiu desfazer-se do relógio que lhe coubera em sorte, e teimou em oferecer-mo. Agradeci diplomaticamente, certifiquei-me do bom funcionamento da máquina e acabei por aceitar a proposta do meu filho, trocando-o pelos cheques FNAC que ele nunca usa.

Na verdade fico muito melhor com o avariado. Fechei-o dentro de uma caixa em vidro acrílico que selei com cola rápida, e coloquei-o na estante frente à minha secretária, de onde o posso vigiar facilmente.

Um dia algum dos meus descendentes o mostrará a uma visita, explicando que se trata de um relógio amaldiçoado que está na família há gerações. E o relógio contemplá-los-á com o seu mostrador estropiado, sorrindo sardónicamente através do vidro; onde se abre um orifício ensanguentado como uma boca obscena.

Música de Fundo
L’Apprenti de Sorcier
Paul Dukas (Berliner Philarmonica Orchestra)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

O Comovente Conto de Natal (esboço para episódio-piloto)
- Uma história banal, sobre pobrezinhos, palhinhas, meninos de pilinhas mirradinhas, vacas, virgens e um ou outro rei mago que passe –

Toda a acção se passa na Alameda D. Afonso Henriques em Lisboa. A voz do narrador que faz igualmente de Blog (papel representado pelo Sr. Matos Maia), informa o público que o empresário José das Neves e a sua amiga Maria das Dores, tendo-se esquecido de confirmar a reserva na Pensão Josefina (águas frias & quentes) e sem terem onde se acoitar. Foram sentar-se na esplanada da Cafetaria da Fonte Luminosa.

A noite de Natal está fria à brava, e Maria sente o vento morder-lhe a pele através das meias de rede. Abrindo a cesta de verga com o farnel, tira uma garrafa de tinto cuidadosamente acondicionada numa carapuça de palhinha, e pede a José que gentilmente lhe sirva o paio.

As ruas estão desertas, e apenas o anúncio em néon da Igreja Maná abençoa complacente a Fonte Luminosa, paradoxalmente ás escuras.

Aproximando-se pela “esquerda baixa”, três motociclistas param as suas máquinas em frente à esplanada, e um deles aproxima-se para pedir informações sobre uma estrela cadente.

José informa-o que se tratava de um 727 da SATA, e que por essa altura já devia ter aterrado na Portela, convidando-o gentilmente para um tinto com uma rodelinha de paio (por ser época festiva).

Um pouco desiludido o “motoqueiro” chama os amigos, e olhando finalmente para a garrafa que jaze na sua cama de palhas, junta surpreso as mãos em sinal de adoração – Quinta do Côtto 1995? Porra! Vocês andam mesmo a curtir bem…

Satisfeito com o elogio, José ia passando em redor pedacinhos de broa acompanhados por um delicioso paio de Terras do Bouro; que segundo as suas palavras, “se fosse melhor, teria que subir ao céu” (coisa que o seu há muito tempo não fazia).

Os convidados sentaram-se em redor da mesa de alumínio, enxotando um enorme e escanzelado cão cinzento, que deambulava por ali ao cheiro do paio. – Abra lá o vinho, pá! – Disse um dos motociclistas, que era negro e tinha escritas as palavras “Da Weasel” nas costas do blusão.

Um dos amigos admoestou-o pela sua gula, tratando-o pelo nome (Baltazar) e avisando que aquilo não era o Bairro Amarelo. Após o que propôs que se retribuísse a hospitalidade.

Baltazar, envergonhado, tirou das suas vestes uma pequena caixa; e oferecendo-a a José e Maria, perguntou-lhes se precisavam de mortalhas ou se usavam cachimbo. O segundo motociclista empunhou um frasco de bolso e oferecendo em redor, colocou-o sobre a mesa.

O terceiro, não tendo o que oferecer, roubou a carteira ao segundo e tentou colocá-la em cima da mesa como oferta; mas foi descoberto e impulsionado por um pontapé no traseiro em direcção à churrasqueira para comprar meio frango assado.

Desconfiado, ainda olhou para traz, mas toda a gente lhe assegurou que não abririam a garrafa sem ele ter chegado com o frango. Pelo que se encaminhou para a esquina lentamente, após o que a câmara o perdeu de vista.

No céu não se passa nada. As estrelas não mexem, já não vão haver mais aterragens hoje, e se Deus existisse estava-se a rir à brava; pois nessa noite está sempre toda a gente à espera de qualquer coisa e ninguém sabe bem o quê.

É nesta altura que apareceu o pastor. Usava o característico fato de três peças, com um pequeno “pin” na lapela dizendo – “Venha a Cristo! Pergunte-me como.” – Era um pastor Maná.

Irado de início, pois pensava que lhe estavam a prejudicar o “franchising”, tentou escorraçar o grupo de peregrinos da esplanada. Apelidando-os de idólatras e chulos, insistindo para que (segundo as suas palavras) “arrancassem dali mais o menino Jesus”.

É então que, chegado da Churrasqueira do Chile (que ainda é longe), Gaspar faz uma entrada triunfal empunhando meio frango com piri-piri, um pacote de batata “Saloinha” e acompanhado por uma jovem que coxeava como se tivesse perdido uma ferradura.

Ao encarar com os recém-chegados o pastor empalideceu, sumindo-se um pouco mais dentro do fato, como se este tivesse compartimentos secretos onde se ia escondendo aos pedaços.

Empunhando um sapato onde se notava a falta de um salto, a jovem constatou com ar resignado. – Este negócio anda uma miséria. A não ser que algum de vocês esteja interessado, isto hoje nem vai dar para as capas.

O pastor deslizou por detrás de José que se encontrava distraído com o decote da recém-chegada, e desapareceu na noite em direcção ao seu rebanho; enquanto Belchior perguntava distraidamente se era muito caro.

Maria, não sabendo se estavam a referir-se ao sapateiro ou a outro tipo de serviços, engalinhou e apelidando a outra de “mulher perdida”, “barregã” e “vaca”, tentou agredi-la com a garrafa, sem ter em conta que o vinho acumula pé com a idade; motivo pelo qual levou (e com muita razão) um estalo de José, que carinhosamente depositou a garrafa novamente nas palhinhas.

Agradecida pela defesa da sua honra, Cátia Sofia (Estavam à espera de quê? Que se chamasse Madalena?) beliscou discretamente a nádega esquerda de José, perguntando jocosamente – Que conversa é aquela? A mulher é virgem, ou quê?

- Tá neura. – Respondeu ele com ar enfadado – É a primeira vez que vem a Lisboa, não havia vaga na pensão e ainda por cima vamos ter que regressar no comboio-correio que pára em todas as estações e apeadeiros.

- Deixe lá! Há pior… - Disse ela para o animar - Eu ainda hoje “fiz” um bacano todo produzido, e quando dei por isso o tipo aproveitou-se de eu estar no bidé e “bateu asa” sem pagar. Por acaso era parecido com um que estava aí há pouco… E que tal se abrisse a garrafita?

José sorriu e mirando-lhe novamente o decote (que pelos vistos era uma das paisagens mais contempladas por aquelas paragens) espetou o bico do saca-rolhas através do gargalo com o precioso néctar, quando uma voz ensurdecedora como a do trovão soou por cima do IST. – Ímpios! Que ides fazer com o meu filho? – Após o, que um cone de luz cegante e abrasadora incidiu sobre a mesa da esplanada, mostrando que ali nada havia para ver.

Ficou no ar um leve aroma a bacon tostado, que logo se dissipou em direcção aos ventiladores do Metropolitano. O Profeta de Blog que saía nessa altura do Bora-Bora deu a gratificação ao porteiro e ergueu os olhos ao céu. – Porquê, Senhor? E logo na noite de Natal?...

- Perguntas bem, pá! – Responderam-lhe do alto – Mas este ano a Festa de Natal estava num nível tão baixo, que até acho que foi o La Féria que encenou aquela merda. Olha, não ligues. Passa logo por cá que eu vou abrir um Quinta do Côtto de 95…

Música de Fundo
Twisted Transístor” – Korn

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

O Postal de Natal para as Girls (V2.0)
- Agora não quero reclamações, ouviram?... –

Após a onda de reclamações e mails anónimos em relação à foto do mocinho anterior, venho já avisar as minhas queridas leitoras que não há mais. Ou ficam com este, ou acabou-se.

O rapaz vem mais do que recomendado por tudo o que é mulher (que eu conheça) desde “pitas” a “matronas”, tendo até recebido voto favorável da minha prima Cecília que ficou famosa na família por uma vez ter recusado o Jeremy Irons (coisa pouca, porque eu recusava-o também).

Já não falando da estopada que é, um pobre velho como eu ter que andar a calcorrear a Net em busca de coisas que não aprecia (gajos, claro); podendo em vez disso estar diligentemente a trabalhar, ou até mesmo a frequentar sites mais marotos.

Mas eu não me importo de fazer um pequeno sacrifício pelas minhas leitoras. A não ser que se armem em ingratas e venham mais uma vez por aí abaixo com aquelas teorias de “barriga cheia” – “Ah, é feiote…”, “Não é assim tão bonito…” ou “Isso não é nada! O meu marido era bem mais giro, e mesmo assim corri com ele…” – Porque nesse caso vai para lá a minha primeira escolha, que era Mr Magoo a posar para a Vogue.

Vou compartilhar um segredo convosco, mocinhas. Não é a afirmação de grande exigência e de standards elevados que define alguém, mas sim os resultados que obtém. Por isso, se alguma aí tiver melhor, agradeça a Blog a sua bem-aventurança. Ou então que reze fervorosamente para que Blog lho acrescente (dizem que mais uns centímetros dão sempre jeito.

Nota – Este post não é propositadamente curto para afrontar as leitoras, mas é sim à medida do tempo que disponho, que neste momento é a coisa mais curta que tenho.

Música de Fundo
She Moves (in misterious ways)” – U2

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

O Postal de Natal (VM)
- E porque a variedade é o segredo da dieta mediterrânica… -

Que raio de Boas Festas se pode desejar a homens?

Homem que é homem só tem as festas que lhe possam fazer num momento de agrado, e deve ser quase tão circunspecto nestas coisas como um agente funerário; apenas um pouco mais sorridente.

Sim, que vida de homem é triste mesmo.

Alguém ultimamente tem ouvido falar de alguns festejos ligados à masculinidade (excepto o “Festival do Viagra” em Dortmund)? Pois, nem eu.

Mas um homem não se queixa; pelo menos nunca publicamente.

Apesar da descriminação e do ostracismo a que somos condenados, nós os homens, carregamos em silêncio o nosso fardo. Fardo esse que é o de ser o eterno fornecedor; desde coxas de mamute e peles de urso (há mulheres que pensam ainda que é do homem que se extrai a “pele de urso”) até ADN em boas condições para o processamento da reprodução.

Já li em blogs aqui à volta, mulheres a queixarem-se do “período”, dos filhos, dos maridos e sei lá mais o quê.

Os homens (e acho que não arrisco demasiado ao dizer que falo por uma razoável maioria) queixam-se apenas de uma coisa; do chinfrim.

É claro que há sempre uma minoria que acompanha tudo o que faz (e o que não faz, também) com o alarido característico dos galináceos; mas são apenas excepções que valorizam a regra.

Homem que se preze nem sequer faz conversa disso. E se alguém se arriscar a lhe desejar um Feliz Natal, o mais certo é ouvir como resposta – Olha, Vai tu!...

Música de Fundo
Welcome to the Jungle” – Guns n’Roses

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

O Postal de Natal (VF)
- Um pouco escrito à pressa, mas tentando não ser demasiado pindérico… -

Podia vir aqui dar-vos música tipo discutir a actualidade política, afirmando que o Jorge Coelho está a ficar tão “morcão” como o “avô Jerónimo” (agora quer que toda a esquerda desista a favor da múmia), mas isso não seria justo.

É que hoje vai ser o grandioso jantar do pessoal das Instalações Especiais, e estou aqui a escrever nomes em cartões com anjinhos para pregar nas garrafas de JB15 (Miss Entropia está destacada para assistir à parte correspondente ao gineceu), pelo que a minha inspiração desceu ao nível da de um construtor civil.

Assim, venho hoje desejar Boas Festas apenas ás leitoras.

Faço isto não só porque deste modo os posts “rendem mais”, mas também porque penso que a maioria dos representantes do sexo masculino, não apreciaria devidamente a foto acima (embora haja uma minoria que sempre “encherá o olho” com esta oferta).

A foto, minhas queridas, é uma alegoria.

O rapaz tem tudo. É giro (segundo a minha consultora para estes assuntos), está despido QB, e recicla; o que demonstra ser também inteligente. Ah, e o latão é da cor deste blog; o que é sempre boa publicidade.

Claro que há sempre um certo cuidado a manter, minhas amigas; pois a alegoria da foto consiste no facto de ser inteligente e reciclar, e é uma advertência para aquelas poucas que ainda não o sabem (as outras, basta que apreciem a foto).

Tudo o que perde a razão de existir se torna reciclável. Desde aos automóveis ás cuecas Sloggi, passando pelos sentimentos. Por isso, caras leitoras, nada de deixar por fazer, usar, dizer, amar ou arriscar (não necessariamente por esta ordem). É a frase que vos envio, escrita neste cartão de Boas Festas.

Aos leitores do sexo masculino peço um pouco mais de paciência, pois como é socialmente aceite, os cavalheiros vêm sempre depois.

Para alguém que se sinta excluído do que eu disse até agora, é porque talvez na verdade exista uma razão. A esses só posso dizer que o Natal é uma época em que devemos olhar para os outros como se de nós se tratasse. Aproveitai este espírito e ide dar sangue!...

Música de Fundo
Been Caught Stealing” – Jane’s Addiction

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- O Amiguinho Imaginário –

Antes do mais, não é nada disso que estão para aí a pensar; seus hereges… "este" não tem nada de imaginário.

Há algum tempo (e embora na infância achasse que isso era coisa para quem não os conseguia ter a sério) achei que não faria mal algum experimentar; apesar de os exemplos que tenho visto ultimamente, não terem abonado a favor de tal exercício académico.

Criei então um amiguinho imaginário que viesse comentar o meu blog. E já que cada um faz o que mais gosta com os seus amiguinhos imaginários, decidi que ele não iria dizer bem de mim de modo abjecto (pois além de soar a falso, os amigos mesmo que imaginários devem dizer a verdade), nem declamar-me frases desconchavadas em línguas que eu não dominasse verdadeiramente (o que embora sendo cómico, acaba por se notar à légua).

Optei então por um Masai (que é o modelo mais económico, pois salta muito e é movido a leite não pasteurizado) e “coloquei-o” à guarda de uma freira com nome de automóvel “gama alta”.

Para não dar muito trabalho, achei que o desgraçado poderia tentar aprender português (o que já é o suficiente para o fazer figurar na galeria dos mártires de Blog) enquanto intercalava algumas palavras inglesas apenas para disfarçar.

É claro que o poderia pôr a falar num inglês coloquial bastante razoável (embora eu não seja propriamente um Milton), mas existem nuances da sintaxe e expressões idiomáticas que ao serem transpostas me iriam denunciar claramente.

Depois deste Caderno de Encargos (CE) com tantas Condições Técnicas Especiais (CTE’s), lá coloquei o tipo a responder-me em dois ou três posts lá para baixo.

Mas logo ao primeiro, apesar de até dar para fazer umas piadas a coisa não me agradou.

Falar com avatares de si próprio sem parecer completamente idiota, é algo reservado a génios poéticos tipo Fernando Pessoa; todos os outros (incluindo “yours truly”) correm o risco de se tornarem ridículos.

Por isso antes que de facto tal aconteça, peço desculpa aos cerca de cinquenta curiosos que foram visitar o Shadu, e deste me despeço com um afectuoso recado – Meu caro, se decidires vir para estes lados, não deixes de me visitar pois até te poderei arranjar um emprego como ajudante de canalizador. Embora este possa ser igualmente imaginário...

Música de Fundo
Franz Ferdinand” – Walk Away

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Sonhos de Blog
- Não se tratando de uma receita para esta época festiva, alguns pode-se comer e outros são uma autêntica festa… -

A Irmã Vanus que acumula as funções de sacerdotisa com as de pitonisa (porque usa “pitons” nas suas chuteiras) interpretou há dias um dos meus sonhos. E embora a sua análise possa ser discutível (o facto de eu sonhar com gémeas, quer apenas dizer que normalmente repito aquilo que gosto), não vou aqui discutir as minhas actividades oníricas.

Por outro lado, ao atentar nos termos utilizados para aferição reparei que necessitavam de algumas correcções, pois aparentemente teriam sido traduzidos do esperanto recorrendo ao Google.

Como a Igreja do Imaculado Blog sempre acarinhou e incentivou os seus fiéis a sonhar (em alguns casos recorrendo até a substâncias controladas), decidimos publicar aqui um léxico já corrigido, que vos poderá ajudar a descobrir o que anda o vosso cérebro a fazer enquanto dormem descansadamente.

E assim deixo-vos com…

O Significado dos Sonhos
(Edição revista e aumentada)

Acariciar

Acariciar uma criança significa possíveis problemas com a lei.

No caso de ser mulher, poderá querer dizer que quando o seu amante lhe lambe os seios, é porque tem apenas saudades da ama.

Acariciar uma pessoa ainda jovem - Sexualidade saudável, desde que não dancem os dois com garrafas de água na mão.

Acariciar uma pessoa de idade avançada, são saudades da infância ou tentativa de demonstrar que não se tem problemas em trabalhar num lar para idosos.

Alegria

Se for alegria moderada, significa que tem sentido de humor

Alegria excessiva, significa que não deve aceitar cigarros de estranhos, ou então fumá-los apenas com filtro.

Amante

Se for apaixonado/a e bonito/a, significa cansaço e necessidade de beber imensos líquidos.

Se for uma zanga nos sonhos, significa que o futuro lhe reserva uma alteração na sua vida amorosa.

Anão

Ver um anão significa que está a precisar de trocar de lentes. Se vir uma anã, significa que para si até os mais ínfimos detalhes são importantes; não apague a luz ou poderá perdê-la.

Buraco

Significa que é uma pessoa de ideias fixas. Sair de um buraco é sinal que se sente pronto para outra.

Camisa

Se sonhar com uma camisa suja, significa que vai ter problemas domésticos; especialmente se aquela mancha for de batom.

Chupar

Para as mulheres significa abnegação e amor pelo próximo. Se for homem é sinal que se está prestes a ser abandonado (neste caso é natural que chupe no dedo).

Corpo

Sonhar com o nosso próprio corpo significa solidão. O corpo de outra pessoa significa divertimento. Sonhar com um corpo perfeito significa mania das grandezas, e que tarde ou cedo acabará por sonhar com o seu próprio corpo (ou seja, solidão novamente).

Desejar

Ter um desejo significa que o seu equipamento está a funcionar perfeitamente. Desejar uma coisa, significa que num futuro próximo terá que fazer algo por alguém.

Receber um desejo significa que necessita ter cuidado; se for mulher corra à farmácia e compre a pílula do dia seguinte.

Despir

Estar nu num sonho, significa que tem senso prático e não perde tempo com conversa da treta.

Estar a despir-se significa que está a caminho de obter algo. Ver gente conhecida nua, significa que vai ter benefícios em breve; isto é ainda mais evidente se isso acontecer ao tocar à campainha de uma das suas vizinhas para pedir uma chávena de açúcar.

Enterro

Se for o funeral de um amigo é sinal que a sua vida ficou mais pobre; se for de um inimigo, belisque-se para verificar se está a sonhar ou não.

Se sonhar que está a enterrar algo, verifique qual o tipo de instrumento que está a utilizar.

Fantasia

Se for mulher e sonhar com fantasias, significa que o seu parceiro não tarda a estar em maus lençóis.

Se for ele a sonhar com fantasias, além de estar em maus lençóis, significa que lhe vai sair caro também.

Gémeos

Se sonhar com gémeos/as, é porque se trata de uma pessoa que se multiplica em esforços para levar seja o que for até ao fim. Dar à luz gémeos, significa que as suas férias desse ano se encontram comprometidas (neste último caso, se for homem, quer apenas dizer que tem problemas intestinais).

Gemido

Se sonhar com gemidos, é porque tem “mau dormir” e possivelmente estará a dar pontapés no seu parceiro/a.

Herói

Se sonhar que é um herói é porque é parvo/a. Os heróis não sonham; agem!

Homem/Mulher

Se é mulher e sonha com um homem; precisa de uma mudança na sua vida. Se é homem e sonha com uma mulher, está perdido se tiver tendência a falar durante o sono. Se for o marido da mulher que sonha com um homem, acorde depressa e dê-lhe um estalo.

Jovem

Se é um velho e sonha que é jovem, acorde depressa e tente aproveitar essa erecção. Este sonho significa que a sua felicidade só dura até você urinar.

Se é velha e sonha que é jovem, quer dizer que ultimamente tem gasto demasiado em esteticistas.

Massagem

Massagem significa descontracção e paz de espírito. Ser massajado em local público é indicação que receberá uma intimação do tribunal para responder num processo por conduta indecente.

Milagre

Desilusão e consequente perda de confiança. Acreditar em milagres, mesmo em sonhos, é sinal de ingenuidade a ponto de acreditar no significado dos sonhos.

Militar

Sonhar com um militar quer dizer que é alguém que aprecia as regras, embora seja pouco imaginativo no que toca a posições sexuais.

Ser militar num sonho pode indicar apenas que vestiu cuecas demasiado justas.

Morder

Sonhar que morde alguém pode significar raiva incontida. Se for homem e sonhar que é mordido por uma mulher, acorde e levante os lençóis; a sua parceira poderá estar a tentar fazer-lhe uma surpresa (veja mais acima “chupar”).

Mulher

Se é homem e sonhar com mulher conhecida são aborrecimentos. Com mulher desconhecida; novidade. Se sonhar com uma mulher grávida, mude imediatamente os seus números de telefone.

Neste último caso, se você for mulher reviste a carteira ao seu parceiro e veja-lhe a lista de contactos no telemóvel.

Nádegas

Sonhar com nádegas significa que os seus sonhos se estão a realizar. Se o sonho for recorrente, tenha sempre à mão um bom lubrificante à base de água (KY® é bastante bom).

Nudez

Significa desejos íntimos e persistentes. Se a nudez for completa significa igualmente que não terá surpresas; a não ser que se trate de um encontro combinado por IRC.

Olho

Sente-se perseguido e vigiado. Se o olho estiver muito perto, pode ser apenas alguém que está a tentar acordá-lo/a.

Ombros

Ver ombros em sonhos é sinal que finalmente se livrou de algum chato/a. Se os ombros forem seus, verifique se a cabeça se encontra bem atarraxada neles.

Par

Para um homem sonhar com um par de qualquer coisa é muito bom (excepto se forem cornos); especialmente se forem meias de nylon. Vire-se para o outro lado e veja a quem pertencem. Se não conseguir virar-se é mau sinal, pois pode tratar-se de um travesti.

Se é mulher e sonhar que vê um par de sapatos bonitos, significa que tem que ser rápida. Nos saldos, um momento de distracção fará com que outra os apanhe.

Paraíso

Os sonhos sobre o paraíso são sempre contraditórios. Para os homens este está sempre repleto de mulheres jovens e bonitas.

Para as mulheres, cheio de tipos de meia-idade com ar endinheirado.

Sexo

Manter relações sexuais durante o sonho é mais divertido para quem o/a vê dormir.

Os homens costumam morder o lábio inferior, agitando-se um pouco enquanto sonham.

Nas mulheres pouco se nota, exceptuando algumas que no fim procuram o telefone ás apalpadelas na mesa-de-cabeceira para pedir “room service”.

Sonhar

Sonhar que se está a sonhar denota uma personalidade complicada. Normalmente estas pessoas quando despertas apresentam um ar aparvalhado, e têm tendência para andar pela casa em pijama.

Uivo

Cães a uivarem significa má vizinhança e invejas. Se for homem e sonhar com uma mulher a uivar, peça-lhe o número de telefone para a convidar novamente.

Se for mulher e sonhar com um homem a uivar, peça-lhe desculpa; e para a próxima tenha mais cuidado com o joelhinho…

Velha/o

É um sonho desperdiçado. Rebobine e tente novamente.

Velório

Sonhar com velórios é uma estopada; principalmente se a assistência for composta exclusivamente por pessoas idosas, pois vai passar a noite toda a ouvir falar do futuro que “nos espera a todos”.

Tente sair desse sonho para dar uma saltada ao bar mais próximo.

Vestido

Se é mulher significa que está prestes a receber algo. Se é homem e o está a ver no chão, apresse-se antes que ela se comece a preocupar com o pó que ele está a apanhar e se levante.

Zebra

Se é brasileiro/a acorde e vá apostar no “jogo do bicho”.

Se for uma fatiota de Carnaval, recuse-se a ocupar a parte traseira (digo isto porque sei o que fiz a uma num sonho anterior).

Nota Final - Os leitores que tenham tido sonhos que queiram ver interpretados pelos peritos da Igreja do Imaculado Blog (IIB), poderão solicitá-lo nos comentários de qualquer post. Caso o sonho seja de índole mais íntima, poderão fazer esse pedido por mail. Em casos especiais aceitamos pedidos de consulta presenciais e personalizadas, mas apenas após envio de foto de corpo inteiro e a cores bem como com a apresentação do Boletim de Saúde.

Música de Fundo
Dream On” – Aerosmith

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

O Incidente Natalício
- Uma história de Natal com um final mais ou menos feliz… -

Ela acordou estremunhada com o toque insistente da campainha do portão. Resmungando, tirou a manta dos joelhos e correu com o gato que se aninhara no seu colo; àquela hora e logo na noite de Natal, não deveria ser coisa boa.

Espreitou pela janela e viu um tipo barrigudo envolto numa capa que pontapeava os arbustos raivosamente, como se tivesse acabado de receber alguma má notícia. Passou pelo armário da entrada, e tirou a caçadeira do falecido Antunes que mantinha sempre carregada “por causa das moscas”.

Ajeitou o xaile, e maldizendo todos os barrigudos que têm a mania de tocar à porta das pessoas tarde e a más horas encaminhou-se para o portão; enquanto o seu ouvido treinado de tradutora reformada, a informava que o tipo soltava pragas em finlandês fluente. Pelo menos era culto…

Quando se acercou do gradeamento, o homem tirou galantemente o gorro da cabeça e cumprimentou-a com um sotaque arrastado – Boa noite, senhora. Desculpe incomodar, mas o meu veículo avariou-se e necessito de usar um telefone. O meu telemóvel não tem rede aqui…

Ela olhou-o da cabeça aos pés (mais precisamente da cintura para baixo, e depois para cima); ele envergava um abafo de peles grossíssimas que não deixavam ver coisa alguma. Espreitou para a estrada mas não viu nenhum automóvel, pelo que proferiu – É natural. Estamos no interior e aqui poucos têm dessas modernices. Foi muito longe, o acidente? É que daqui não se vê nada.

- Foi a cerca de dois quilómetros – Disse ele. Se não fosse a capa e as botas já tinha gelado. – Depois pensando melhor, acrescentou – É natural que desconfie, mas acredite que não tenho más intenções. Preciso apenas de telefonar para a sede para me virem rebocar. Não demora nada.

- Medo, eu? – Riu-se ela mostrando-lhe a escopeta – Num piscar de olhos fazia-lhe mais um furo nesse traseiro redondo. Mas era uma pena, claro. – Abriu o portão e deixando-o passar guiou-o até casa, observando-o apreciativamente pelo canto do olho.

Quando entraram, o tipo aproximou-se da lareira e aqueceu-se esfregando as mãos. – É uma noite péssima para ficar empanado. E tinha logo que ser hoje.

- Também o que é que você anda a fazer na noite de natal por estradas secundárias? – Perguntou-lhe ela descaradamente – Esta é uma noite para estar em casa, e não para andar por aí a gelar os enfeites de Natal.

Ele riu-se também – Andava a fazer entregas de última hora; e deste modo não vou ter hipótese alguma. Imagino as reclamações que vou receber amanhã. Importa-se que use o seu telefone? Não demoro muito… – Pediu delicadamente, compondo um sorriso amável.

- Está ali naquele canto – Informou a mulher – Esteja à vontade, que eu fico aqui à lareira; isto está um frio que não se pode…

Ela ficou sentada no sofá. E enquanto fingia estar absorvida pelo programa que passava na televisão, observou-o atentamente. Conseguiu ouvi-lo a descompor um tal Snar, novamente num finlandês cheio de ameaças e alusões ordinárias. O cabelo comprido e as barbas faziam-lhe lembrar alguém; mas a sua memória também já não era grande coisa.

Terminado o telefonema ele virou-se, e encarando-a agradeceu – Fico-lhe muito agradecido; agora é só aguardar cerca de uma hora e eles vêm recolher-me. Mas vou esperar lá fora pois não posso deixar as encomendas ali à mão de qualquer um.

Ela reparou-lhe no casaco vermelho que se notava debaixo da capa semi-aberta; fez uma expressão marota e exclamou – Eu sabia! Você é mesmo o Pai Natal. – Reclinou-se um pouco para trás e puxando o roupão para cima até à orla das cuecas, propôs – E que tal se desta vez me desse uma prenda como deve ser? Tenho sido uma boa menina…

Música de Fundo
Smack My Bitch Up” – The Prodigy

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

O Funil do Tempo
- Onde o nosso herói descobre que o tempo é um funil ao contrário; e que com um bocadinho de jeito até pode ser usado como chapéu… -

Ainda me lembro dos tempos do fascismo…

Punha-me a caminho da escola com a pasta numa mão, e na outra um saco com uma tangerina e uma carcaça (no tempo em que as carcaças tinham “maminhas”) barrada com margarina Vaqueiro; pois a manteiga Primor era muito cara e ainda havia honestidade suficiente para não terem inventado a “Planta” e chamar-lhe abusivamente margarina.

A escola até nem era má, mas era muito mal frequentada. Acho que nessa altura a maioria das professoras eram recrutadas no Movimento Nacional Feminino, e possivelmente iriam fazer um estágio à Legião Portuguesa (e as mais dedicadas, à Espanha franquista).

Mas a maioria dos meus colegas até eram fixes; e posto que a professora era inegavelmente fascista, posso agora considerar retrospectivamente que seríamos uma espécie de Grupo Infantil Revolucionário Anti-Fascista e Apartidário (G.I.R.A.F.A.); mas é claro que não fazíamos a mínima ideia do que era, excepto talvez que seria ás manchas castanhas.

Era um pouco como viver num circo mas que pertencesse a Tim Burton.

Á nossa frente e sobre o quadro negro em ardósia (aquela fábrica de guinchos arrepiantes, quando o giz estava húmido) tínhamos o crucifixo. Mas ninguém lhe ligava muito, pois já nos bastava a estopada que era ter que gramar a mesma dose aos domingos.

Era uma altura em que a igreja apesar de se dizer separada do estado, acabava por reger uma boa parte da nossa vida; beneficiando de todo o aparelho repressivo pago pelos contribuintes/vítimas. Quem não aparentasse uma religiosidade mediana, acabava por ouvir subtis alusões, e poderiam até perguntar-nos se o nosso pai saía muito à noite ou se os amigos dele tinham todos bicicleta.

Mas adiante, que o artefacto nem é importante para esta história. Embora o seu representante vivo (na altura), um auto-intitulado “Anjo de Portugal” que se vestia como o actual Papa e tinha poses “à” Sarah Bernhardt, seja um dos meus personagens favoritos no que diz respeito ao imaginário católico.

Á mão direita de Cristo, ou seja, à esquerda de quem entra, encontrava-se o Presidente do Concelho Professor Doutor António de Oliveira Salazar; que estando demasiado caduco para aparecer em foto, era representado por uma litografia em que se estilizava o nariz e a poupa "à" Teddy-Boy.

Infelizmente a parte mais importante da sua anatomia (sim, porque nasceu com elas), as botas-de-elástico, não apareciam e só nos restava imaginá-las bicudas e azeitadas como as de qualquer chulo do Intendente.

O Presidente do Conselho era um economista que só sabia as quatro operações e as utilizava nos locais e ocasiões errados (à semelhança do actual candidato a Salazar, Cavaco Silva). Somando no sistema penal e na bordoada, diminuía na cultura e nível de vida, multiplicava-se em desculpas esfarrapadas à ONU por causa das colónias, e dividia as opiniões sobre se estava mesmo vivo ou se éramos governados por um zombie.

No canto direito e vestido de marujo, embora já não tivesse idade para isso, tínhamos o Presidente da República Américo Deus Rodrigues Thomaz (afectuosamente alcunhado de “cabeça de abóbora”), um dos personagens mais cómicos do regime e notório osculador de velhinhas, pretinhas, orfãzinhas e outros diminutivos que não vêm para o caso.

Famoso (um pouco ao estilo de Mário Soares que anda a tentar destroná-lo nos nossos corações e nos livros humorísticos) por tiradas magistrais como – “Já cá não vinha desde a última vez em que cá estive”; era também conhecido por deliciosos episódios em que se levantava a meio dos almoços oficiais, fazendo com que todos se calassem à espera de um discurso, e acabando por apenas pedir para repetir as ervilhas.

Pensando bem, embora a vida em geral tenha melhorado um pouco desde a minha infância, os governos e seus componentes são até bastante parecidos; criando um pouco a convicção que as coisas na verdade pouco mudam.

Na altura, o cromo que tínhamos mais parecido com o Louçã, ainda andava no liceu e chamava-se Arnaldo Matos; e tal como o seu sucessor na galeria das caricaturas políticas, também não dizia coisa que se aproveitasse.

Pelo menos esse não tratava o eleitorado como se fosse uma gaja que andava a tentar engatar. Que isso de “olhos nos olhos” soa-me a letra do Toy, ou a tanga para levar uma boazona até à zona do Cristo-Rei ás duas da manhã.

Por último resta o avô Jerónimo, o “duende que caminha”, mais conhecido como Fantasma. Um mascarado que repete incessantemente as mesmas palavras de todos os seus antecessores, levando o eleitorado a crer que é imortal, tratando-se aínda do fundador do PCP, já falecido (o fundador, e não o PCP. Embora este também esteja "nas lonas").

O tempo do fascismo, sim. Isso é que eram tempos… Foi quando se criaram os ídolos que serviram de modelo aos actuais políticos; que sem dúvida honram a memória daqueles com quem aprenderam a ser o que são.

Música de Fundo
Zombie Woof” – Frank Zappa

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- A troca de “Santinhos”… –

A Igreja do Imaculado Blog como religião é uma anedota. Mas ao menos temos piada; o que é muito mais do que se pode dizer de outros, que oficiam vestidos com saias de renda e preferem que os seus paroquianos morram, a ter que alterar meia dúzia de questões de fundo.

Isto não contando com a tendência, que uma boa parte deles tem para ser demasiado convincente quando prega o amor divino ás criancinhas do coro.

Eu até deixava os crucifixos nas paredes das escolas. Sempre serviriam para lembrar a todas as crianças, que uma religião em que a divindade deixou morrer o seu (alegado) filho por uma questão de marketing, e detentora de um historial de séculos de intolerância, não será a mais indicada para nos pregar a paz e o amor pelo próximo.

Mas depois de ter tido esta ideia, tive outra que considero ainda melhor.

A igreja católica (posto que improdutiva nos termos da própria sociedade capitalista que defende) há séculos que vive da caridade alheia, e um pouco à semelhança dos clubes desportivos, maioritariamente à custa da camada mais desfavorecida da população, tanto monetária como culturalmente.

Além de reinarem plenipotenciáriamente sobre os seus servos sem permitir a mínima abertura à evolução social, sempre tiveram a arrogância de se arvorar em donos da verdade, bem como do único deus alegadamente existente.

Historicamente, quase todas as concessões da igreja ao estado laico, foram “pagas” com privilégios e em alguns casos com cedência de bens imobiliários, como terras e licença para edificação de edifícios dedicados à sua actividade.

Posto isto, penso que estará já na altura de utilizar os mesmos métodos, e finalmente obter algo de concreto e palpável da parte da Igreja Católica. Ou seja, um negócio.

Sugiro pois, que o Estado laico proponha ao Vaticano, a cedência do espaço publicitário em cada escola ocupado por um crucifixo de tamanho médio (30cm, não mais), em troca da retirada da proibição de uso do preservativo por parte dos seus fiéis.

Sendo esta medida destinada a evitar que os membros da nossa sociedade que não sabem distinguir a filosofia da teimosia pura, morram ingloriamente e apenas devido à inveja daqueles que por imperativo profissional estão impedidos de ter relações sexuais.

Caso a transacção não se viesse a realizar por intransigência desse grupo religioso, sempre haveria a hipótese de retirar os crucifixos das escolas, ou melhor ainda, para evitar protestos por parte dos seguidores mais acérrimos, deixar-se-iam os crucifixozinhos. Mas todos eles seriam encimados por um cartaz de advertência com os seguintes dizeres:

Ser crucificado não é nada em comparação com o que sofrerás se apanhares SIDA! Por amor de Deus, nunca te esqueças do preservativo…

Música de Fundo
Foxtrot Uniform Charlie Kilo” – Bloodhound Gang

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Piqueno Poema Pessoal (PPP-ML)
- “Passear por estes campos à beira das coisas, é um supremo bem que não se alcança, senão a caminho do nosso destino.” (Ruy Cinatti) –

Fui punk fui comunista
falei alto e baixei crista
abdiquei da liberdade
ao embarcar numa lista
mesmo assim perdi o tacho
pois não era um bom sacrista

Em Lisboa fui Pessoa
fui Pessanha quase em Espanha
e só não fui Sá-Carneiro
pois não gosto do Barreiro

Fui Ary no Piaui
fui Espanca em Vila Franca
até fui Gaspar Simões
apesar das comichões

Tive lutas sindicais
com empregadas lascivas
converti-me aos capitais
passei férias nas Maldivas

Do Mário Henrique Leiria
ficou-me o gosto pelo Gin
gritei com Almada Negreiros
“morra Dantas, morra pim…”

Quis ter uma livraria
queimei dinheiro em papel
mas conhecia poetas
e então abri um bordel

Música de Fundo
Last Good Day of The Year” – Cousteau

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Fantasias de Natal
- … e então a ovelhinha foi com o Oldman de mota ao concerto … -

Lá se tinha livrado de ter que entrar pela chaminé, mas quanto ao fato não havia nada a fazer. Ajeitou a almofada que imitava um estômago proeminente, e equilibrando melhor o saco no ombro direito passou a perna pelo parapeito da janela soltando a tradicional exclamação – Ho, ho, ho… Tens sido uma boa menina?

O quarto encontrava-se em silêncio, com excepção do rádio-despertador que soltava um zumbido incomodativo de aparelho prestes a dar o berro; mas cujos dígitos rompendo a penumbra proporcionavam uma visibilidade difusa, permitindo distinguir o vulto sobre o leito.

Sem ter obtido resposta, pousou o saco no chão junto à cama e com a palma da mão acariciou o dorso macio de formas harmoniosas, que estremeceu ao contacto em simultâneo com um suspiro que ele assumiu ser de assentimento.

Com um gesto rápido arrancou as calças e o casaco pelas costuras falsas, ficando em botas e barrete vermelho; e proferiu mais uma vez – Ho, ho, ho… - descendo lentamente sobre o corpo da mulher, colando-se pele com pele e fazendo a sua boca percorrer o pescoço grácil em sentido ascendente, até lhe chupar o lóbulo de uma orelha.

A mulher fingia-se perdida num sonho, notando-se apenas a respiração um pouco mais forte cujo som saía pelo meio dos cabelos espalhados na almofada. Sentia-o percorrer-lhe o corpo, com mãos umas vezes como asas de aves e outras como garras nodosas e implacáveis. Deixando-se levar na semi-sonolência pela fantasia que ele ia criando.

O homem enfiou-lhe os dedos pela cabeleira, agarrando a nuca e virando para si a face de olhos fechados que ostentava uma expressão angelical. Aquela mulher tinha expressões excitantes, como esta em que falsamente indefesa lhe parecia segredar que prosseguisse possuindo-a ferozmente, como um Pai Natal degenerado que tivesse mudado de ideias sobre o tipo de presentes a dar.

Puxou o lençol que lhe cobria o corpo alvo totalmente nu, e introduziu-lhe a mão esquerda entre as pernas sentindo um ligeiro sobressalto de prazer transmitido pela pele morna. Desceu com a língua pelo meio das costas até aflorar uma nádega, mordendo-a levemente.

Introduziu-lhe os dedos lentamente entre os dois lábios carnudos e húmidos, sentindo-os como em veludo vivo; palpitante de excitação. Deitou-se sobre ela com a cara enfiada nos seus cabelos, introduzindo-se num movimento fluído a que ela respondeu com um arquejar profundo, mas sem abrir os olhos.

Um pouco ressentido pela inércia dela levantou-se, e puxando-a pela cintura colocou-a de quatro com a face apoiada na almofada. Pôs-se em pé sobre a cama firmando bem os pés e penetrou-a atraindo-a a si pela cintura de modo brusco.

A mulher soltou um gemido audível, embora abafado pela almofada. Ele acariciou-lhe os seios, movendo-se com firmeza de modo a fazer-se sentir bem dentro dela, arrancando-lhe gemidos crescentes cada vez mais nítidos e audíveis. – Nunca te tinha ouvido gemer assim, querida… - disse, estreitando-a fortemente contra si.

- Nem ouvias, idiota! Se não tivesses essa bota estúpida em cima da minha mão.

Música de Fundo
Benzin” – Rammstein

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

I spy with my little eye…
- Só parando por um momento nos conseguimos aperceber de que nesta peça o elenco é quase tão numeroso quanto a assistência… -

Se abandonar por momentos a minha rotina, consigo experimentar uma sensação parecida com o sair abruptamente de uma carruagem de comboio; tudo o que me parecia tão parado e estável como eu próprio, acaba por se revelar como pertencendo a uma espécie de vaga que continua a espraiar-se após a minha saída.

Mais uma vez decidi variar passeando por outros locais, tentando dar mais atenção a coisas que normalmente não ligo; coisas que normalmente me divertiriam pelo ridículo que se cola a elas, sendo descartadas de seguida pela sua mesquinhez (ou uma espécie de “pelintrice ideológica” como diria a Vera Lagoa se ainda fosse viva).

Vi coisas interessantes que justificam o esforço de levantar cedo a um fim-de-semana. Como foi o caso dos “lobitos” (entre seis e sete anos) à porta do Pingo Doce, acotovelando-se para entregar aos transeuntes os sacos vazios do Banco Alimentar Contra a Fome; e a sua alegria ao recebê-los cheios. Desfazendo-se em “muito obrigados”, com vozes agudas pela excitação de saber que estavam a conseguir algo muito importante.

Vi também coisas que me restituíram a confiança na humanidade. Não a confiança proporcionada pelo conhecimento de que esta é intrinsecamente boa, mas pela prova repetida de que por mais voltas que a terra dê sobre o seu eixo, os seus habitantes continuarão usar e abusar de partes gagas e cenas macacas (como é natural em antropóides semi-evoluídos).

Ando por aqui há dois anos e cinco meses (e não digo dois anos e meio, para que não me confundam com os(as) tipos(as) que a partir dos 25 meses de publicação assinalam “3º Ano” nos seus blogs) e ainda ninguém conseguiu abalar em mim a convicção de que a blogosfera é como o meio da política profissional.

Um mundo onde a amizade é substituída por alianças flutuantes, em que o que se diz é mais dedicado a causar um determinado efeito do que a comunicar algo, e em que as pessoas se fabricam à medida dos seus objectivos enquanto arengam como pregoeiros a veracidade e a pureza dos seus sentimentos e/ou convicções.

Foram estas características que contribuíram para que nos guindássemos ao topo da cadeia alimentar, e são elas ainda que caracterizam uma das espécies de “vencedores” que se movem no meio de nós.

Tipos(as) que não podem passar sem os seus “queridos amigos”, e que à primeira oportunidade vantajosa fazem agulha para outras paragens reaparecendo impolutos; como se nunca tivessem estado em mais algum lado ou já tivessem nascido famosos.

Já devem ter reparado que não precisei de ler o livro do Paulo Querido para compreender este tipo de fenómeno.

Verdadeiramente inesperado foi o último tipo que eu imaginaria, ter tido a única reacção que considerei digna. E nem sequer gosto dele…

Música de Fundo
Walk Like a Man” - Divine

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

A Vida na Faixa da Esquerda
- Ou quando o tempo se avista numa mancha fugaz pelo canto do olho… -

Toda a gente tem falta de alguma coisa. Mas apesar do que me possam garantir e jurar, o bem realmente mais precioso em toda a vida é o tempo; pois sem ele nada se faz por maiores que sejam os recursos disponíveis.

O que nos remete ao velho problema da vida moderna, que é a falta de tempo “de qualidade”.

Ou seja não há tempo para estar doente (a não ser que se trabalhe para o Estado); há pouco tempo para amar (a não ser que se quebre a velha máxima – “never fuck where you work”); e quase não há tempo para um momento de alienação (A não ser que se trabalhe por conta própria; mas isso poderá enterrar o negócio).

Posto isto só nos restava a alternativa de conjugar em apenas um ponto todas estas benesses; ideia que me surgiu ontem quando procurava desesperadamente um lenço…

A Constipação.

Um pouco no seguimento do raciocínio de Fernando Pessoa quando diz que estar apaixonado é como estar doente, e considerando que a constipação pode provocar também uma ligeira sensação de entorpecido alheamento, acabamos por concluir que se trata de um estado ideal para condensar estas três situações.

Todos os anos por esta altura começo a deixar de ter tempo para o blog; o que é chato, pois a freguesia acaba por debandar e é um trabalhão para os convencer a regressar.

Para evitar esta situação, acabei por optar pelo 3em1. E além do ar aparvalhado de qualquer apaixonado, sinto-me a planar como se tivesse ingerido alguma “substância recreativa”.

O resultado não poderia ser melhor. A ponto de até já ter visto um Masai nos comentários do post abaixo; facto cuja autenticidade me apressarei a verificar mal passe a constipação. Entretanto dispondo apenas do tempo regulamentar, deixo-vos com esta explicação e com a frase do dia:

– “Amar e não ser amado, é como fumar haxixe e não ficar drogado…”
(Anónimo dos anos 80)

Música de Fundo
Smooth Operator” – Shade Adu

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- To much noise about nothing… -

Esta época é terrível para a religião de Blog. Com a aproximação dos festejos nas Igrejas da concorrência, os servos de Blog têm que se desdobrar (mas sem grandes exageros) em múltiplas actividades piedosas; pois é o único modo de se obter uma boa fatia do “share”.

É difícil. Mesmo muito difícil, bater algo como uma crucificação seguida de ressurreição. É daqueles truques sobre os quais nos interrogamos – “Como é que eu não tive aquela ideia antes?

Mas a nossa Fé além de ter bases humanistas valoriza também o “copyright”, pelo que não seria de bom-tom crucificarmos um dos nossos pregadores por meras razões de marketing (coisa que nunca foi impedimento para as outras entidades do ramo).

É por isso que este ano iniciamos a comemoração do “Pifo de Blog”, tradição que se irá perpetuar na nossa Fé, sendo um misto de Natal dos Hospitais e Circo Cardinale (mas sem o Vítor Hugo, felizmente).

Tal como o nome indica comemoramos o enorme pifo que Blog apanhou há uns anos, quando vindo da 24 de Julho numa madrugada gélida, ficou em Cacilhas sem transporte. Tendo recolhido a um estabelecimento de nome “Babilónia Bar” onde aconteceu o sagrado evento.

Na foto que podem ver acima, a dançarina litúrgica Bambi Gonzáles e a sacerdotisa Vanus de Blog (irreconhecível na sua fantasia de ovelha), trocam impressões antes de entrar em cena para a 2ª parte da peça sacra “A Paixão de Blog”.

Obra esta baseada na vida amorosa da polémica divindade, e que é representada para exemplificar o martírio dos Santos da nossa Igreja. Facto sobejamente atestado por todos os que a têm visto, e a classificaram desde “divina aldrabice” até “uma xaropada digna de La Féria”.

Embora alguns poucos críticos tenham declarado que se trata de uma verdadeira “pedrada” no charco em que se tornou o panorama do teatro nacional, estamos em crer que isso apenas se deve ao generoso jantar e posterior passagem pelo “Champagne Club”, totalmente a expensas do nosso fundo para auxílio aos críticos de teatro necessitados.

Mas aconselho-vos a que vejam esta jóia da arte sacra. Não só pela ofuscante (é falta de bronzeado) e tórrida interpretação que Bambi González faz da prostituta do “Babilónia”, como também pelo comovente sotaque parisiense da “Ovelha de Blog” tão bem interpretada pela simpática sacerdotisa do Último Círculo.

Vão ao teatro! E se não puderem, façam uma fita qualquer. Eu sei que são capazes…

Música de Fundo
Female of the Species” - Space

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

DOWN FOR MATENANCE ETA TUESDAY
NOVEMBER 22 12:00 NOON - TrueFresco Art Network



Foi a mensagem que me acolheu hoje pela manhã, regressado de um cansativo fim-de-semana; e que me fez saber que o “applet” encarregado dos meus links, tinha acabado de meter férias sem pré-aviso. Inviabilizando assim a tendência missionária deste blog.

O que como é de calcular vai condicionar a minha boa disposição; e consequentemente a vida sexual dos meus colaboradores mais chegados, que durante alguns dias não terão hipótese de coçar o que gostariam.

Como tentativa para arrancar a minha mente à voragem invernosa e pessimista que o tempo cria em dias assim, decidi distrair-me com o jornal enquanto tomava o pequeno-almoço lendo-o em sentido inverso como é meu hábito, quando dei de caras com a Rainha.

Lembro humildemente que a única “Rainha” que segundo eu ainda existe, é Isabel II de Inglaterra. A única que na verdade merece esse título devido ao seu savoir-faire, porte altivo, mau gosto a vestir e poder de encaixe suficiente para continuar a viver com isso.

Explicava então o artigo que um tal Ayman Al-Zavahiri presidindo a um júri composto por fundamentalistas Islâmicos, tinha decidido atribuir à Isabel o título de “Uma das Maiores Inimigas do Islão”; baseado nos insultuosos chapéus que esta costuma exibir nas cerimónias oficiais, e no hálito horrível a peixe frito e hortelã-pimenta que liberta quando se debruça para as pessoas dizendo – “Heloooooooo!”

Esta declaração foi obtida a partir de um vídeo da Al-Qaeda, onde se vê nitidamente Al-Zavahiri empunhando o exemplar da Vogue, em cuja capa aparece Isabel II em pose sorridente.

O terrorista visivelmente escandalizado, invectiva a decadente sociedade ocidental culpando-a de todas aquelas abominações; referindo-se, segundo pensamos, aos vestidos estampados da monarca.

Neste vídeo, a Rainha é igualmente acusada de responsável pelas “Leis de Cruzada”; que estão em vigor em toda a Europa ocidental desde o “Incidente de Estocolmo”, em que todos os dignitários que se encontravam na primeira fila frente à tribuna tiveram que receber acompanhamento psicológico. Pelo que desde aí todas as monarcas em visita a capitais da Comunidade Europeia, são obrigadas a cruzar as pernas após se sentarem em público.

Segundo o jornal, os comentários sobre a rainha britânica que vinham no vídeo estavam na posse dos serviços secretos MI5, que passaram depois a mensagem à equipa encarregue de a proteger.

O vídeo chegou às mãos do MI5 depois de ter sido transmitido pela estação árabe Al Jazira durante o horário nobre, incluído na rubrica “Infiéis Nossos Conhecidos”, em que se tenta fazer com que os pequenos muçulmanos se deitem antes das nove com os dentes já lavados.

Um porta-voz da Al-Qaeda, confidenciou ao nosso repórter que a rainha dá melhor resultado que Robbie Williams, principalmente porque tem um ar muito mais másculo.

Música de Fundo
God Save The Queen” – SEX PISTOLS

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- Fazê-lo bem e sem olhar em quem… –

No seguimento da piedosa campanha lançada pelo post anterior, tornaram-se já visíveis alguns sinais de que os corações dos bloggers (e em alguns casos, também outras partes da sua anatomia) não são assim tão frios e engelhados como possamos crer.

Casos houve até, em que o próprio “desgraçadinho” decidiu dar-se a conhecer e clamar por auxílio.

Infelizmente alguns destes casos (esses sim, verdadeiramente clínicos), têm a natural tendência para projectar sobre os outros os seus problemas; o que quer dizer que já fomos acusados de tudo, desde auto-promoção à conta da “caridadezinha” até a epítetos maliciosos como “otário”, “aldrabão” e “mitómano”.

Em suma, uma vergonha de fazer corar o mais empedernido dos tanguistas.

Mas a obra já respira. E estamos prontos para começar a mostrar a nossa solidariedade a quem dela necessitar; desde que o peça com bons modos. O que foi o caso do “desgraçadinho” que a seguir recomendamos.

Este ser atormentado por dolorosas dúvidas existenciais, sente-se abandonado e carente (especialmente de gajas), pelo que passamos a recomendar o seu blog (igualmente citado pelo Rotary e pelo Guia Arco-íris. Mas neste último caso devido a uma gralha de impressão). A nossa escolha centrou-se nele em vez de outros mais carenciados, talvez devido ao seu bom-gosto na escolha da água-de-colónia.

E aqui abro um parêntesis para advertir todos os candidatos, que devem cuidar da sua higiene e aparência pessoal, pois não aceitamos “desgraçadinhos” fedorentos ou mal agradecidos.

- Recusámos (pelo menos nesta fase) a candidatura da jovem Vanus de Blog, porque achamos não preencher todas as exigências (recusada por “diferença”); nomeadamente não se chora as regulamentares duas vezes por semana, e parece feliz da sua vida não se preocupando nada com a dos outros (o que como devem calcular a coloca a quilómetros do exigido).

- Recusámos igualmente um anónimo exactamente por sê-lo, pois não conseguimos fazê-lo assumir aquilo que quer (e tal como nos Alcoólicos Anónimos isso é muito importante); tornando-se até difícil em dias frios encontrar-lhe o blog, para desalento dos mirones que movidos pela publicidade enganosa são atraídos ao local.

- Terapia o nosso amigo e Irmão em Blog (sim, porque é dele que se trata) foi quem considerámos a “escolha acertada”, e à semelhança da DECO até apresentámos (como vêm acima) os resultados das avaliações.

E é considerado a escolha acertada porque é da nossa Seita (e nada de interpretações maldosas, que isto apenas significa ele professar a Religião de Blog) e sem dúvida um tipo com bom gosto, pois vem a este blog todos os dias.

Ide pois, ó fiéis, visitar o piedoso e “desgraçadoTerapia. Uma jóia de rapaz à espera que alguém descubra as suas qualidades escondidas (e agora mais difícil ainda, pois ele já usa roupa de Inverno).

Louvai a Blog e fazei o bem (e isso bem feito… hein?)

TheOldMan (Pontifex Maximus)

Música de Fundo
Keep Your Hands to Yourself” – Georgia Satellites

terça-feira, 15 de novembro de 2005

A Igreja do Imaculado Blog
- A Sagrada Demanda – ou - Nada como uma cruzada para quebrar a monotonia… -

Irmãos, é sabido que a blogosfera atravessa ciclicamente fases de menor capacidade criativa, do mesmo modo que é na aproximação de épocas festivas que falta amiúde a paciência para alinhavar duas frases de jeito.

Um pouco por desfastio e também porque a publicidade é um bom veículo para a palavra d’ELE, A Igreja do Imaculado Blog à semelhança da Igreja Católica, da IURD e outras seitas, decidiu iniciar a época das promoções especiais que culminará nas famosas “rebajas” do final de ano.

Trata-se então de, cada um de nós imbuído do espírito da época, buscar na vizinhança do seu Blog alguém que necessite de atenção e amor (virtuais, claro), e vir comunicá-lo á nossa Igreja (Protectora das viúvas e das órfãs; visitadora dos solitários) onde poderemos organizar quermesses para “quebrar o gelo” entre os mais tímidos e excursões de solidariedade a blogs “desgraçadinhos” para administração do virtual consolo.

A ideia base é a do “chá tuperware”, mas aparentemente é a mais indicada para este tipo de problema; consistindo basicamente em toda a congregação assentar arraiais num determinado blog durante 24h, movendo-se após isso para a próxima vit… o próximo necessitado.

Daríamos assim muito mais visibilidade a quem precisa dela, podendo até parecer que na realidade o blogger em questão é alguém muito popular e com uma invejável roda de amigos.

Este sistema além de ser bastante económico (Estamos a estudar um modo de transformar as nossas boas acções em descontos na CEPSA. Mas apenas para gasóleo.), poderá ser útil para os que, um pouco como eu, se debatem por vezes com a falta de assunto para os seus posts.

Será bastante interessante comparar as impressões de cada “benfeitor” sobre o “desgraçadinho” visitado, podendo até atribuir-se pontuação ao blog objecto de caridade bem como aos métodos de consolo virtual utilizados pelos nossos missionários.

A Irmã Vanus de Blog está neste momento a redigir um protocolo sobre a metodologia a utilizar, intitulado “Como reconhecer um pobrezinho virtual e o que fazer no caso de ele tentar contacto físico” que a todos será distribuído, para que se evitem mal-entendidos como aconteceu já no Afeganistão e no Iraque.

É com a exultação na alma que me despeço de vós, e vos desejo boa sorte em mais uma benta missão da nossa Igreja.

Um grande bem hajam…

Música de Fundo
Everything About You” - Ugly Kid Joe

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Boooooriiing!!!
- Na treta, com a treta e pela treta… -

Há muito que não escrevia sobre os espinhos do silêncio; esses frios vazios que se abrem entre as palavras.

Ou em linguagem de gente.

Há muito que a minha mente preguiçosa não era aconchegada pelos dedos frios do Outono.

Ok! Terceira tentativa.

Este fim-de-semana (que Blog me perdoe…) esqueci-me que tinha um blog.

Comecei esta espécie de corrida mental de obstáculos na passada sexta-feira, com o grandioso magusto oferecido por Meu Amo. E não poderia ter arranjado melhor início, pois a sua mansão (tal como já vos confidenciei) parece um mini-golfe.

Infelizmente nada se passou digno de nota. E seria reles da minha parte estar agora aqui a falar-vos de canalizadores etilizados pendurados no moinho (sim, ele tem um moinho) ou a treinar montanhismo no forno de tijolo refractário.

O dia seguinte passei-o em inocentes afazeres domésticos; como aspirar, fazer compras e ler o jornal (do qual não lembro uma única linha) ao sol numa esplanada. A única vez em que me lembrei do blog foi exactamente aí.

Quando o Santos me trazia a bica dupla pensei que talvez devesse escrever algo, mas depois reconsiderei.

Talvez um dia em que se deixassem de escrever blogues, as pessoas finalmente libertas poderiam sair e tomar o pequeno-almoço numa esplanada, sem terem que se preocupar com o facto de isso ser aproveitável ou não para a sua linha editorial.

Decidi começar ali a minha contribuição e nada escrever este fim-de-semana. Senti-me orgulhoso de mim próprio, e tive que me conter para não criar um blog exclusivamente dedicado à minha auto-satisfação. Mas seria errado; pois essa ideia já está a ser explorada com sucesso.

Mas estava eu a contar-vos sobre o meu aborr… introspectivo fim-de-semana…

Depois de me contorcer durante quinze minutos à mesa da esplanada, enquanto me debatia com a ideia de que o meu blog aparentemente precisa de alento; cheguei finalmente a uma conclusão racional (e principalmente prática e económica).

Um Blog não deve ser reanimado como se fosse uma velha tia nos cuidados intensivos, e a quem ainda não conseguimos extorquir a localização do guarda-jóias. Tal como os amores, amizades, carreiras e outros tipos de relações, se tiver que morrer morrerá na altura certa.

Quando fraquejar ou parar simplesmente, será abandonado à sua sorte. Pois se não tiver forças para se manter, deixará de cumprir aquilo para que foi criado tornando-se num peso morto.

Isto não é um daqueles posts maricas tipo “agarrem-me que vou fechar o blog”. É apenas um esclarecimento em que aviso que nunca faço cenas; quando fechar é mesmo para isso.

Palavra de Blog!

Agora deixem-me lá ver o que é que escreveram durante o fim de semana…

Música de Fundo
Precious” – Depeche Mode

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

O Super-Herói
- Ou apenas mais um que por outras razões já vestia as cuecas por cima das calças –

É sabido que o maniqueísmo da banda desenhada apela irresistivelmente ás mentalidades mais simples e básicas; como é o caso das crianças e de uma boa parte dos militares de carreira.

Não é caso isolado encontrar-se em lares para a terceira idade, antigos intelectuais ou juristas que devido à decadência mental provocada pela idade, se julgam o Presidente da República ou mesmo o Vespão Verde; embora neste último caso a confusão possa ser devida à parecença que tem a fralda para incontinentes, com o conhecido cuecão verde (e o minúsculo ferrãozinho) do super-herói.

Aparentemente foi o que aconteceu há uns dias a um simpático ancião de nome Mário Soares, que ludibriando a vigilância da enfermeira ao momento ocupada com um cabo da Armada, se pirou à boleia até Coimbra, onde o foram encontrar a declamar poemas de Manuel Alegre à beira do Mondego e em pantufas.

Interrogado sobre a sua identidade, respondeu fazer parte do Quarteto Fantástico juntamente com Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro; e que respondia pelo nome de Anti-Salazar. Informação que mais tarde confirmou a um grupo de jornalistas, que regressados de uma farra decidiram alinhar na paródia e fingir que o entrevistavam.

Segundo ele, a sua especialidade como super-herói é bater em mortos. De preferência pouco recentes, pois a sua provecta idade não lhe permite actividades violentas, como debates com opositores políticos ou apenas cinco minutos de saudável “cunilingus”; tal como o tenta explicar à equipa da RTP na foto que acima destacamos.

Condoídos com a indigência do ancião, os repórteres trouxeram-no até Lisboa onde o entregaram (por seu próprio pedido) no Largo do Rato.

O porta-voz do Partido Socialista informou não conhecer o sujeito em questão, ou saber sequer se é ou já foi membro do PS; mas garantiu que este nada tinha a ver com o julgamento do caso Casa Pia, e que o partido se solidariza com ele neste momento difícil, à semelhança dos casos de Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues.

À hora da publicação deste post, recebemos um comunicado oficial da Presidência da República, lamentando que se façam brincadeiras destas com candidatos honestos e sem possibilidade de se defenderem pelos seus próprios meios.

O próprio Mário Soares corroborou esta afirmação declarando aos nossos microfones – Ghãããã!... Ghãããã!...

Música de Fundo
Mongoloid” – DEVO

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Os “Autónomos”
- “Se a verdade não estiver debaixo dos vossos narizes, colocá-la-emos lá à força”
(TheOldMan, when he was young…)


Nos últimos dias tenho relembrado repetidamente esta frase do meu passado. De uma altura em que sem pestanejar, eu pegaria no isqueiro para acender um trapo ensopado em gasolina. Mas isso faz parte das recordações dos “dias sem futuro”, que ficaram para trás. E tal como tudo o que morreu (excepto os faraós), não vale a pena ser desenterrado.

Um dos tiques mais habituais em quem escreve sobre este tipo de coisas, é comparar tudo o que é motim ou protesto de rua com o “Maio de 68”; embora as causas na maior parte dos casos não tenham nada em comum. Excepto talvez no romantismo que todos eles cultivam (mas que dura apenas até lhes abrirem a cabeça à cacetada pela primeira vez).

Não há nada de romântico em incendiar um carro ou dar uma correntada num funcionário público mal pago, que teve o azar de achar que tinha jeito para aquilo.

A quem tenha dúvidas sobre isto, aconselho a tentar encontrar o rasto a todos os que nessa altura (ou cá em 78/81) combatiam os chuis com pedras de calçada. Vai ser giro, porque a maior parte está agora do lado dos opressores. E entre um DeGaule e um Chirac, a diferença é quase invisível; se não contarmos com o nariz do primeiro e a untuosidade do segundo.

Tal como já foi confirmado em casos anteriores, estes episódios de violência têm uma única utilidade, que é tentar despertar a curiosidade de todos para a verdadeira origem do conflito.

A propósito… Será que alguém neste país, já se preocupou com as possíveis causas dos motins em França? Ou acham que é apenas uma espécie de comemoração do “Maio de 68”?...

Música de Fundo
Cão Raivoso” – Sérgio Godinho

sábado, 5 de novembro de 2005

A Boa Acção

Nem lhe deu tempo para debitar a tradicional cantilena sobre o dia de São Jorge e a festa do escutismo. Pegou-lhe no lenço pela zona do nó, e puxando suave mas firmemente na sua direcção, fechou a porta com um golpe de cotovelo.

- Tenho uma coisa para te mostrar. – Disse, enquanto lhe perscrutava os olhos escuros de expressão assustada. Pegou-lhe na mão, e guiou-a pela abertura do roupão até ao estômago firme e bem ginasticado, empurrando um pouco para baixo até a sentir sobre a parte superior da púbis.

Enquanto a mão tentava fugir ao toque, aproveitou para lhe empurrar o corpo juvenil contra a parede; fazendo pressão com a pélvis e aproximando a cara até muito perto com os lábios entreabertos numa ameaça de beijo.

Por momentos teve um rebate de consciência, que logo eliminou.

Dezasseis anos seriam uma boa idade para a “grande estreia”; e de qualquer modo duvidava que alguém viesse a saber. Seria o pequeno segredo partilhado… e um pouco de vergonha ajuda sempre.

Meteu-lhe a mão por dentro da camisa de caqui, sentindo o peito rijo e praticamente chato na palma da sua mão. Vendo que a boca de lábios húmidos se ia abrir num protesto esmagou-a violentamente com os seus, insinuando a língua como uma serpente exploradora.

Aproveitando a confusão do momento passou-lhe um braço pela cintura, e acabou por introduzir a outra mão entre o cinto e a barriga procurando-lhe o sexo com uma ânsia voraz. Olhou de esguelha para o sofá que se encontrava perto e equacionou a situação.

Tinha que ser num só movimento rápido, ou a presa poderia ganhar um pouco de espaço e aproveitar para atingir a porta; embora não acreditasse muito nisso, pois o que sentia nos dedos confirmava a satisfação do seu desejo. Era inevitável.

Sentindo que a resistência afrouxava um pouco, virou-se ligeiramente fazendo com que ambos caíssem sobre o sofá; os calendários espalharam-se pelo soalho mostrando faces juvenis e borbulhentas de futuros catequistas.

Mas havia alguém que talvez perdesse o interesse pela catequese… - Pensou enquanto se colocava por cima aprisionando-lhe o corpo com as pernas.

Pegou no pénis rijo que empunhava, e introduziu-o escutando com delícia o arfar súbito que provocara. Beijou-lhe a boca novamente sentindo o sabor pungentemente ácido da pastilha elástica de laranja; e iniciou um movimento desenfreado enquanto lhe escutava os gemidos abafados, que se iam tornado mais agudos com a violência dos embates.

Livrou-se apressadamente do roupão sem parar de se movimentar. Pelos olhos semi-cerrados, via-lhe o cabelo colado à cara pelo suor e a expressão ao mesmo tempo assustada e tensa de prazer. Sentia o membro endurecido friccionar pelo canal húmido, como o êmbolo de um motor bem oleado que cumpria sua missão de lhe proporcionar prazer.

Quando o orgasmo se aproximou cravou-lhe os dedos na carne rosada, soltando gemidos roucos que vinham bem do dentro de si, como se tivessem estado guardados durante séculos. Sentiu o seu corpo estremecer descontroladamente, deixando-se tombar para a frente.

Quando abriu os olhos, estava só e ouvia-se vindo da casa de banho um ruído de água a correr. Acendeu um cigarro e levantando-se dirigiu-se à cozinha, onde encheu um copo com sumo de laranja que bebeu sofregamente.

Ajeitando o cabelo e fechando o roupão, a mulher mordeu com ar maroto o verniz meio lascado de uma das unhas, e encarou o escuteiro agora mais composto; mas que tinha ainda o ar apalermado de quem fora atropelado por uma scooter. – Diz-me lá, meu querido… Afinal quanto é que custam esses calendários?

Música de Fundo
I Feel Loved” – Depeche Mode

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

O tradicional post que antecede o post erótico
- Ela precisava era de um cu novo… Ou como voltei a gostar de Madonna… -

Podem chamar-me o que quiserem (isto é uma maneira de falar, claro…); mas para mim, cantora que se abane tem que ter mesmo algo para mostrar.

O que me remete para a época em que apareceu Madonna. Na altura uma maltrapilha cheia de rendas e com as cuecas vestidas por cima das calças, um pouco ao jeito do super-homem, homem-aranha e outros apalermados do género.

Lembro-me de a ver no clip “like a virgin” tendo achado que para quem cantava daquele modo, estava demasiado vestida. E quando vi “Reservoir Dogs” (Cães Danados), a explicação que um deles dá durante o pequeno-almoço para a canção “like a virgin”, é realmente de antologia e quanto a mim o marco de uma época.

É claro que daí para cá ela conseguiu remediar um pouco esse handicap, mas nunca me encheu as medidas; embora apreciasse o seu esforço para se tornar “kinky” em “Vogue” ou no OST do filme “Austin Powers”.

Estava eu já a pensar que envelheceríamos juntos (salvo seja!), pois somos da mesma idade, secando gradualmente à medida que nos afastaríamos da juventude. Mas felizmente eu estava enganado; pois há dois ou três dias ela apareceu com um novo clip (e um novo traseiro também).

A música é uma merda. Uma espécie de “sampler” de onde sobressaem trechos dos ABBA (que Blog nos ajude!) e quejandos. A realização do clip é pretensiosa e demasiado rígida no seu estilo. Mas felizmente, há duas coisas que conseguem desculpar um pouco esta exibição de cabotinismo.

A primeira é aquela oriental (acho que é chinesa) que passa o tempo todo a fazer “rodas” e "flic-flacs” em uniforme de colégio. A segunda, e a mais importante, é o novo traseiro da Madonna; essa maravilha da tecnologia de informação com base no silício.

Não me interessa que para conseguir dar-lhe aquela forma, se tenha gasto material que de outro modo serviria para a criação de novos microprocessadores, que poderiam ajudar a irrigar todo o Sahara. O certo é que o resultado vale realmente a pena, pois o génio que desenhou aquelas formas ergonómicas, não esqueceu sequer aquela pequena aba onde normalmente seguramos com o médio, o anelar e o mindinho.

A título de remate e com base na minha extensa experiência musical (até já toquei adufe), posso afirmar que nem a Gwen Stefani (com o seu traseiro que parece dois cachorrinhos dentro de um saco) a destronará nos próximos tempos.

A canção é “um cu”, mas esse sim… está ali para durar.

Música de Fundo
"Temptation” – Heaven 17

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Habitual anúncio de Post Erótico, para que as sobrinhas não leiam e as tias não faltem.
- Ou trocado por miúdos, “agarrem-se que vem aí brasa…” –

Primeiro que tudo, isto está a precisar de animar.

Por isso, porque me apetece, e também porque os últimos que li são uma enorme xaropada, cheios de beijinhos “bilhete-postal” e subentendidos com prazo para uma semana; decidi então que o próximo post será erótico, pornográfico, ou pelo menos um pouco mais divertido que os anteriores.

Habitualmente não costumo adiantar o teor de escritos futuros, mas para que não venhais a ser apanhados/as de surpresa ou em posição precária, deixo a foto ali em cima para que possais desde já preparar-vos mentalmente para o que se aproxima.

Música de Fundo
Ch-Check It Out” – Beastie Boys

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

TheOldMan No País Dos Brinquedos
- Onde todos os meninos crescidos tarde ou cedo vão brincar… -

Eram seis e meia da manhã quando saí de casa. O tempo estava chuvoso e Meu Amo levava um enorme guarda-chuva atravessado no banco de trás da viatura.

Apesar deste início pouco auspicioso, a coisa nem teria seguido mal se após chegados ao local da concentração não nos tivessem enfiado num autocarro ranhoso ao mais puro estilo salazarista (e sem direito ao garrafão da praxe).

Senti-me como um daqueles tipos do interior, a quem traziam antigamente para as manifestações com a única missão de agitar uma bandeirinha, em conjunto com outros 79.999 durante cinco minutos.

Para piorar as coisas, dois dos convidados atrasaram-se uma hora; após a qual apareceram com um ar perfeitamente natural, e sem se justificarem ou desculparem ocuparam os respectivos lugares. Por esta altura pensei que as coisas iam animar, pois já se rosnava em surdina lá para o banco detrás, mas todos acabaram por se distrair com a paisagem.

Devido ao atraso caímos em plena hora de ponta na IC19 e CREL, pelo que conseguimos fazer o trajecto Alcoitão/Alverca no tempo recorde de duas horas. Quando saímos para tomar café na área de serviço seguinte, Meu Amo aproveitou para nos brindar com os seus dotes de comediante, tropeçando à entrada do bar e precipitando-se por ali adentro empunhando à sua frente o gigantesco guarda-chuva; que visto do interior parecia o nariz do Graff Zeppelin a tentar penetrar pelas portas.

Ficámos todos muito mais bem dispostos e seguimos viagem com mais animação, mandando-lhe uma piada ocasional ou tecendo considerações sobre “A influência dos guarda-chuva amarelos, no aumento de incidência da homossexualidade em homens de meia-idade”. Esta malta das obras sempre foi muito intelectual…

Mas a nossa alegria em breve se esfumou. Pois após contarmos cinco acidentes, era já meio-dia e todo o programa de actividades matinais se encontrava comprometido; especialmente se levássemos em conta o facto de estarmos nessa altura ainda a passar por aquele frigorífico gigante em aço inox que se encontra há anos abandonado no acesso a Coimbra.

É realmente incrível que ainda ninguém tivesse tido a ideia de remover dali aquele mono…

Vi nessa manhã a entrada da Exponor. Aliás a manhã já tinha passado e como eram 13h, fizemos agulha para o restaurante onde se tinha sido já marcado o almoço. Almoço este de boa qualidade mas incaracterístico, que teve como bons pontos um Esteva Reserva e um queijo regado com azeite a ferver tão perigoso para o meu colesterol, que mal o coloquei na boca logo recebi um SMS da Dr.ª Inês a perguntar se estava tudo bem comigo.

Chegámos finalmente à “Concreta”. E eu poderia aproveitar para vos chagar o juízo com aquela história do tipo que inventou o betão, lhe ter dado o nome de “concrete” por a sua filha se chamar Concretia; e já agora o monte de piadas que isso deve ter proporcionado à pobre rapariga após ter crescido, e tal… Mas não estou para aí virado.

Mal entrámos fomos logo atacados por um espanhol. Aparentemente tínhamos sido invadidos durante a hora de almoço, e um terço dos stands estavam ocupados por castelhanos ou seus testas de ferro. Mas também, se seria para estarem vazios antes assim.

Fui então obrigado a apreciar a performance da diabólica “Putzmeister Sika-PM500PC” que projectou reboco sobre quase toda a assistência; e digo quase, porque nessa altura já me estava a esgueirar para o Stand do nosso anfitrião, onde vira uma loura a distribuir cafés e sorrisos.

Sorri-lhe também e avancei de braço estendido para pegar na chávena, quando Meu Amo e mais dois energúmenos me manietaram levando-me a visitar o Stand da Markado onde durante vinte minutos apreciei contra gosto a textura das paredes em pinho nórdico, e os bons acabamentos das casas pré-fabricadas.

Aproveitei um momento em que todos escutavam um cuspinhoso “comercial” para sair rapidamente; meu amo ainda tentou dissuadir-me com um – “Vêm já com os tubos postos e tudo…” – mas eu encontrava-me sob influência dos meus instintos mais básicos, que me diziam ser altura de beber um café oferecido pela loura, e informar-me sobre as delícias dos sistemas de bombagem com protecção cerâmica.

Não foi ainda desta. Um tipo com quem eu já tinha trabalhado, interceptou-me quando eu passava pelo stand da M@gnisoft para dar uma mirada ao módulo de orçamentos e desviou-me do meu caminho. Aparentemente a Aquatherm GmbH estava a oferecer kits de termofusão, e segundo ele isso é uma oportunidade mais preciosa que o cometa Haley.

Á semelhança de Odysseu, eu estava condenado a ser distraído do meu objectivo pelas coisas mais insignificantes e comezinhas. Aguentei estoicamente as demonstrações do Fusiotherm, do Aquatherm Firestop e do Fusiolen, como se fossem algo mais importantes que miseráveis tubos em polipropileno. Um gajo tem a sua reputação a manter!...

Ao menos ali estava sentado. Mas a calma durou muito pouco tempo; pois vi pelo canto do olho que Meu Amo corria perigo de morte. Tendo sido apanhado pelos insidiosos sicários da Rothenberger, que não só ofereciam um presunto espanhol na compra de cada máquina de cravar (5.100,00€), como este era entregue pessoalmente por uma demonstradora (Uma morena de cabelo cor de azeviche e o porte de uma égua de tiro) envergando um conjunto de Lycra em vermelho, cor característica da marca.

Parti logo em seu auxílio, e em boa hora; pois já se encontrava a ler o catálogo enquanto simultaneamente estudava o traseiro da demonstradora, que se assemelhava a um tomate colhido na zona do Entroncamento, mercê das suas proporções avantajadas.

- Esta Supertronic 2000 fazia-nos bastante jeito, não achas? – Perguntou-me com uma expressão ausente, dirigindo-se ao copo de cerveja que tinha na mão. – Nunca se sabe quando será preciso fazer uma rosca e não haja mais nada à mão…

Respondi-lhe que haviam modos mais económicos de conseguir roscas bem feitas, e pegando-lhe pela aba do casaco, afastei-o daquele antro de perdição. Principalmente porque de vermelho apenas conseguiria a tal Supertronic 2000, e teria que a pagar bem paga.

Escapámo-nos à Infinitech, e conseguimos ultrapassar o stand da Hilti tendo recebido apenas um conjunto de porta-chaves; acabando por percorrer em pânico os últimos metros que nos separavam do stand do nosso anfitrião. Não sem antes termos sido assediados por uma representante do arquitecto Márcio Paiva, que desenhava candeeiros para cozinhas, e que gostaria imenso de ter a nossa opinião sobre os mesmos.

Foi quando eu a vi.

Confesso que nunca gostei da cor amarela; mas existem alturas em que temos que deixar para trás certos preconceitos. E ela era linda…

De formas esguias e elegantes, o seu único braço apontava para mim num convite sem palavras; com a pá aberta qual mão estendida numa oferta de proximidade. Chamava-se Caterpillar 385CL, embora convenhamos que é muito mais sexy a sonoridade do termo “retro-escavadora”.

Mal a montei transformei-me num animal. Todos os meus atavismos vieram à superfície e deixei-me arrastar pelos sentidos. Ela fazia tudo o que lhe pedia, conseguindo colocar-se nas posições mais inverosímeis devido aos seus conjuntos hidráulicos, comandados por controlador digital.

Acabei por ser delicada mas firmemente removido do cockpit para dar lugar a outro (era uma Caterpillar de aluguer), e de orelha murcha lá consegui finalmente chegar ao local aprazado onde me deram uma seca enorme sobre diâmetros de passagem de sólidos, caudais e alturas manométricas. De vez em quando suspirava ao recordar a sensação que era ter a 385CL debaixo de mim.

Quando estava quase a cair no sono, ofereceram-me um copo de cerveja tão alemã como os equipamentos de bombagem (era Sagres, que eu vi o barril da imperial arrumado a um canto), e a Sónia (é giro, mas eu acho que elas inventam sempre “nomes artísticos” para estes eventos) ofereceu-me alguns “pretzels” com um sorriso triste.

Após inquirida, confiou-me que os sapatos rasos que calçava a estavam a martirizar; pois estava habituada a saltos altos, mas tivera que usar aquelas chanatas para ligar com o conjunto saia/casaco e assim parecer uma mulher executiva que distribuía aperitivos.

Comecei a pensar para que teria que ser uma mulher de ar executivo a distribuir os aperitivos, mas calculei que a resposta não seria agradável, e pegando com uma mão em Meu Amo e com outra no saco dos catálogos inúteis dirigi-me para o autocarro.

Mesmo à saída, quais Testemunhas de Jeová, dois representantes do Pinhol Gomes & Gomes, Lda. entregaram-me um catálogo, e com a sua bênção lá seguimos viagem.

Era quase hora de jantar; e tal como eu calculava ficámos presos na VCI.

Depois de quase uma hora de claustrofóbico martírio, conseguimos sair do Grande Porto e entrar na auto-estrada onde após desligadas as luzes o autocarro se transformou num bólide. Não que andasse mais depressa; mas porque o ruído do motor era enriquecido por sonoros roncos de construtores adormecidos, o que dava ao ambiente um ar de pista de corridas.

As horas que se seguiram, foram passadas num sono inquieto percorrido por sonhos estranhos em que aparecia a 385CL, intervalado por breves e sobressaltados despertares.

Lembrei-me então porque já há muito tempo não me apanhavam num evento destes. Deve ser uma das maneiras mais idiotas de desperdiçar um dia inteiro; excepto para os arquitectos, que no dia seguinte têm uma visão totalmente diferente no que toca à estética de W.C.

E foi esta espécie de Barca de Caronte que chegou à Mealhada, tarde e a más horas, para se bater com o leitão assado.

Passado um jantar sem história, foram mais umas horas (francamente, já pensava que atravessar o Atlântico de avião fosse mais fácil) até casa; onde Meu Amo me deixou, levando consigo toda a tralha que tínhamos acumulado durante o dia.

Quando acordei no dia seguinte, olhei para o lado e ali estava ela em toda a sua elegância, sobre a mesa-de-cabeceira e mesmo ao lado do despertador. Estendi a mão para a acariciar quando ouvi a voz do meu filho no quarto ao lado. – Fogo, man!... Quem é que levou a minha retro-escavadora telecomandada?...

Música de Fundo
Links 2, 3, 4” – Rammstein

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