sábado, 29 de dezembro de 2007

Parabéns! Vanus de Blog

Neste ambiente em que o tempo é medido em “anos de cão”, posso afirmar que somos amigos há imensos anos.

Não aquele tipo de “relação blogosférica” dos que aparecem apenas uma vez por ano ou quando precisam; mas uma relação verdadeira em que se está presente e disponível. Algo que ultrapassa a troca de comentários e a que decididamente se pode aplicar o termo “amizade”.

Por esta altura já eu deveria estar a contorcer-me de vergonha por expressar publicamente qualquer tipo de sentimento (a minha marca registada), mas como muito bem escreveste há alguns dias atrás, eu (tal como tu) mudei muito nestes últimos quatro anos…

E foste tu quem mais (senão totalmente) contribuiu para isso.

É por isso que além do 39º aniversário que completas hoje, comemoro a sorte que tive em te ter conhecido, e principalmente o seres como és.

Feliz aniversário! Meiga “Ovelha de Blog”…

Música de Fundo
La Folie” – Stranglers

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Pelo Natal Adentro com TheOldMan
- Um pouco de rompante é nas entradas que apostamos este ano; uma vez que para as saídas ainda é cedo. Isso, e porque quase sempre o prazer está em entrar e raramente em sair. -

O post de hoje é (que me perdoem os leitores machos e os indecisos) dedicado às nossas queridas leitoras que neste blog representam o público do sexo feminino.

É neste dia em que o Espírito de Natal invade os vossos coraçõezinhos (e com um pouco de sorte, talvez mais logo… outros locais bem mais divertidos), que vos trago uma receita para entrada de camarão “TheOldMan’s Way”.

Uma receita talvez um pouco anarca, mas que como todas as minhas histórias acaba “with a twist”; que neste caso é de limão.

O camarão é daquelas coisas que não reúnem consenso. Para uns é marisco, para outros é peixe sem sabor, e ainda para outros são insectos marinhos que não justificam o preço (opinião que subscrevo assim como o “Comarca de Arganil).

Mas devido ao clima de restrições que atravessamos, não se justificam nem a “Lagosta Thermidor” nem as ostras frescas. Bicharocos aliás, que na minha família são recebidos no mínimo com desconfiança.

Abro aqui um parêntesis, para informar que “nós somos” muito mais queijos e fumados; pois sendo descendentes de uma antiga família de marinheiros das caravelas, nunca confiamos numa “entrada” que se possa afastar a nado.

Voltando ao camarão! Para os que não sabem, existem duas espécies de camarão; o maior e o mais pequeno. E esta apreciação é resultante de longas observações efectuadas no Pingo Doce da minha área, nomeadamente numa “ilha frigorífica” situada na zona limítrofe à peixaria.

Agora que mesmo os leitores mais jovens já sabem de onde vem o camarão, vamos passar à receita propriamente dita; que mesmo que não faça as delícias de todos os comensais, pelo menos este ano não terá sabor a pescada mal cozida.

Compramos (de preferência) cerca de quilo e meio “do maior”, e após passarmos pela caixa deveremos dirigir-nos de imediato a casa para que este não descongele, e se assemelhe a um saco de centopeias com bigode “à Nietzsche”.

Também não convém fazer como duas senhoras (cuja conversa me levou a crer serem irmãs) que estavam perto de mim, e decidiram trazer a metade inferior do saco com camarão grande, sendo o resto preenchido com o mais pequeno. Isso além de ir quebrar a uniformidade estética da receita, acaba por sair um pouco mais caro. Pois eu vi a empregada da caixa registá-lo ao preço “do maior”.

Uma delas ainda tentou estrebuchar, mas toda a gente à sua volta as olhava fixamente ostentando rasgados sorrisos natalícios, pelo que meteram a viola (e os camarões) no saco e arrancaram. Vi-as afastarem-se com uma certa pena da minha parte, pois a mais nova até tinha um traseiro muito bem feito (em formato de decoração de Natal).

Chegados a casa, deveis escolher o tacho mais largo (mas nunca com um diâmetro maior que 70cm) e deitar-lhe no fundo uma película de óleo alimentar com cerca de 1mm de altura. Após o que se devem dedicar a descascar duas cabeças (Cabeças, minha senhora! Estamos a falar de cabeças e não de dentes…) de alho, e esmagá-las metodicamente para cima do óleo.

Para esse fim costumo utilizar um estranho artefacto que me foi vendido pela Dona Maria do Carmo, que acumula as suas múltiplas funções lá no prédio com a de vendedora da Tuperware; isto quando não está a espiar para os russos ou a meter-se na vida das vizinhas.

Mas na falta do alicate “esmagador de alhos”, sempre poderão usar a face da faca mais pesada, ou um maço de madeira à semelhança de alguns famosos “serial killers”. Esmaguem-me é a porra dos alhos como deve ser!

Após isso deve acender-se o lume em branda intensidade e acrescentar ao preparado uma pitada de sal, algum Açafrão das Índias, Colorau e Malagueta moída. As proporções destes ingredientes são perfeitamente aleatórias, uma vez que dependem da vossa tolerância ao picante, da preferência em relação à proporção de sal e à cor que se quer ter no “produto”.

Mergulham-se os camarões congelados em água fria para eliminar o excesso de gelo, e após serem escorridos são atirados descuidadamente para dentro do tacho; devendo despejar-se lá para dentro um cálice de brandy ou mesmo de um whisky foleiro, oferecido por um qualquer fornecedor armado em sovina.

O tacho deve ser agitado sem ser aberto (um pouco como o martini do James Bond) e ignorado durante a maior parte dos quinze minutos de fervura, exigidos para que aquela coisa fique minimamente decente. Esporadicamente deve ser sacudido, apenas para que os camarões não comecem a ter ideias próprias, e preguiçosamente se deixem pegar ao fundo.

Quando passarem os quinze minutos, ou quando vir toda a vizinhança munir-se de cervejas e avançar em direcção ao seu apartamento, retire essa tralha toda do lume; e após livrar os camarões do molho e daquele alho todo, esprema dois limões sobre os malogrados insectos marinhos.

O que resta de todo este processo deve ser deixado a arrefecer de um dia para o outro. Altura em que regados com mais limão, se deverão dispor os camarões numa travessa na posição que (as senhoras) acharem mais interessante; guarnecidos com rodelas de limão e salsa.

Acompanhem com algo fresco e alcoólico, seja champagne ou vinho verde, tanto faz; e principalmente tenham um Feliz Natal!

Música de Fundo
Rock Lobster” – The B-52’s

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Conto de Natal
- Uma tocante história de Natal, imbuída de todas aquelas coisas do costume. E que acaba com um final. -

Era uma vez numa noite de Natal um menino tão pobrezinho, tão pobrezinho, mas tão pobrezinho… que eu nem sei o que é que hei-de escrever a seguir, pois isto dos contos de Natal é uma estopada do caraças.

Mas voltando ao menino pobrezinho… Era Natal, mas acho que isso já eu disse. Mesmo que não o tivesse dito, também já toda a gente deve ter dado por isso, pois trata-se de um conto de Natal.

Mas então... era Natal e estava frio. Mas tanto frio, que o menino (que era pobrezinho) tinha ainda mais frio que os outros. O que nos leva àquela teoria de que há muitos pobrezinhos com a mania das grandezas…

Mas ninguém ligava a isso porque era Natal. Só era chato porque também estava frio, e é claro… ele era pobrezinho. Mas adiante…

A estrela olhava lá do alto, espalhando a sua “luz própria e cintilante” sobre o cenário molhado deste conto, pois tinha chovido antes de eu o começar a escrever. O que atrapalhava imenso o menino, que sendo pobrezinho, devia estar também muito mais molhado do que os outros (prerrogativa reservada apenas aos mais pobrezinhos, claro).

E então a estrela olhava lá do alto, mas não se passava nada (aliás nunca se passa nada. As pessoas é que têm a mania de inventar histórias para o Natal). A própria Polícia de Intervenção que patrulhava as ruas aborrecia-se à brava, porque os meliantes (adoro o termo “meliantes”. Há quase cinco anos que estava desejoso de o escrever aqui.) estavam em casa com as suas famílias (pobrezinhas ou não; não interessa…) a comemorar o Natal.

Mas estava frio. Valha-nos isso; senão lá ia toda a história por água abaixo. E também estava húmido… o que tornava o nosso personagem ainda mais simpático. Apesar de extremamente pobrezinho.

A estrela não se mexia porque estava à espera. Não que estivesse à espera do nascimento de algum menino (possivelmente tão pobrezinho como o nosso personagem), mas porque aguardava autorização de aterragem na Portela; pois tratava-se de um Airbus.

Mas estava frio na pista. E o menino que era muito pobrezinho admirava as escassas luzes de Natal, enquanto esperava pacientemente junto à praça de táxis.

Foi quando da estrela saiu outra estrela (ai tão bonito), e após passar pelo carrossel das bagagens, se atirou ao pescoço do menino (que como sabemos era muito pobrezinho e estava em fraqueza pois não comia desde o almoço) quase o arrastando juntamente com o saco desportivo e a mala de “trolley”.

- Esta porra dos aviões no Natal, são do pior que há… - Disse a estrela, perguntando logo de seguida – Vamos de táxi?

Nem penses! – Respondeu o menino – Apanhar táxi no aeroporto e ainda por cima no Natal?... Tu queres é que eu fique mesmo pobrezinho…

Música de Fundo
Jimmy” – M.I.A.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Os Últimos Três
- E por isso, os mais preciosos… -

Sendo segunda-feira, o post de hoje será introduzido de um modo um pouco mais apressado que o habitual (que me desculpem os leitores pelo mau jeito, mas “à pressa” também tem às vezes muito mais piada).

Com estes três últimos signos estão completas as profecias astrológicas de Blog para 2008. A que se seguirá a habitual carta ao Pai Natal, a redacção sobre os presentes, e os episódios mais divertidos da consoada; que correrão sobre o fundo musical do Grupo Coral dos Arrumadores de Almada; que entoarão diversas instruções de estacionamento e impropérios seleccionados.

Tudo isto e mais ainda nos próximos posts deste blog. Eu seja ceguinho se não vai ser…

(5) Balança
(24 de Setembro a 23 de Outubro)


Artista por natureza e excelente moderador, o nativo de balança até daria (segundo alguns) um muito razoável funcionário aduaneiro. Mas estamos aqui para falar da componente sentimental dos astros, e não da corrupção no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Segundo o que consta nos manuais da especialidade, o nativo de balança preocupa-se mais em satisfazer a parceira do que com o seu próprio prazer. E aqui para nós faz bastante mal, porque a nativa do mesmo signo tem tendência para apenas se preocupar consigo, tendo já deixado “apeada” muito boa gente…

E é aqui o único sítio onde existe o tão falado equilíbrio do signo; pois dizem as más-línguas que você é mais sedução que sexo. Mas não se preocupe, era pior se o/a acusassem de roubar no peso.

Enquanto o nativo (macho) é o paradigma da galanteria moderna, buscando a afirmação da sua masculinidade nas conquistas alcançadas; o seu contraponto feminino é uma autêntica ratoeira, pois busca a realização através de um compromisso de elos indestrutíveis (alguém na assistência viu o “Misery” do Stephen King?).

Mas ser balança também tem coisas boas além do movimento pendular. Os nativos deste signo preferem abandonar-se à luxúria e outros passatempos, na calma de uma relação solidamente construída, e no remanso do seu lar. O que explica a expressão alegre e levemente idiota, que às vezes detectamos em certos pares.

Só lhe podemos aconselhar que arranje um/a parceiro/a do seu signo, e se certifique que a Telepizza faz entregas na sua área. Apague a luz, e Feliz ano Novo…


(6) Escorpião
(24 de Outubro a 22 de Novembro)

Curiosa, ponderada e empreendedora, a nativa de escorpião sente-se realizada em profissões onde possa aplicar as suas aptidões, como a psicologia, a psiquiatria, a cirurgia, a arqueologia”.

Obviamente isto foi escrito por uma “escorpiona” que se estava a tentar “limpar”, ou por um tipo daqueles que passam o tempo todo a apelar à alma, à espiritualidade e a outras coisas que não dão trabalho nem despesa.

A nativa de escorpião (do nativo nem vamos falar, pois queremos manter a nossa classificação de “Blog para todas as idades) é uma personagem multifacetada com uma acentuada componente erótica. Para deixar tudo bem esclarecido, admitamos que se fosse alguém que trabalhasse em televisão eu lhe diria – “Não há como o teu canal para despertar em mim o espírito de Natal

Aconselhamos-lhe pois um regime alimentar mediterrânico, para ajudar a manter a sua “máquina” em bom funcionamento, bem como a ingestão de um suplemento à base de selénio (anti-oxidante).

Neste último caso, se não estiver com pachorra para tomar os comprimidos, poderá ir-se sentando amiúde sobre uma fotocopiadora em funcionamento (era assim que antigamente proporcionávamos o suplemento anti-oxidante, pois li em tempos um artigo que afirmava haver selénio nas cargas de toner da Xerox). Mesmo que não venha a dar grande resultado em termos fisiológicos, sempre mostrará ao mundo o melhor da mulher que há em si.

Para os escorpiões machos apenas temos uma palavra: “Durex”. Ah… e não poupem no pó de talco.


(7) Sagitário
(23 de Novembro a 20 de Dezembro)

O Sagitário tem como símbolo a flecha que procura um sentido que será divulgado, ampliando assim a percepção alheia” - estas belas palavras felizmente não são minhas, mas de alguém que não fazia ideia de quão proféticas elas lhe seriam.

Mas caro sagitariano, o facto de ter parecenças comigo (e talvez mesmo isso) não o vai safar das habituais admoestações e conselhos para o novo ano.

Essa história da flecha e da abertura ao conhecimento anda a ficar um pouco gasta, por isso está na hora de se chegar à frente e explicar à malta o que afinal está por detrás desse mito urbano do tiro ao arco.

Ou então começar a dar uma tanga diferente que não utilize termos como “gratificante sensação de preenchimento”, “expandir novos horizontes” ou pior ainda, “rasgar o véu que esconde o caminho para a felicidade”; tão ao gosto de Paulo Coelho (aliás por razões óbvias, segundo quem conhece o famoso fala-barato).

As sagitarianas também não lhe ficam atrás. De personalidade vivaz onde sobressai um permanente toque de deliciosa loucura, nunca perdem igualmente a visão do alvo a alcançar. É para isso que serve (tal como na componente masculina) a seta. Destina-se a atingir aquilo que se quer, cravando-se-lhe irreversivelmente.

E deixem lá a espiritualidade em paz. Que para isso devem existir signos bem melhores.

Música de Fundo
Merry Fucking Christmas” - Mr. Garrison (South Park)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Os Penúltimos Três
- Em mais esta série de três signos (e integrando-se na quadra das almoçaradas e jantaradas de Natal) TheOldMan traz-vos mais algumas previsões, lidas naquela voz calma e repousante, que nos faz lembrar o Sr. Matos Maia do “Quando o Telefone Toca…” -

Uma vez que estamos no fim da semana começamos com um signo de Marisco.

Ora Marisco tem imensa importância na Astrologia de Blog; que como todos sabem tem quatro elementos que completam o ramalhete – “Marisco”, “Queijos e Enchidos”, “Cozinha Internacional” e “Canapés e outras Mariquices Seleccionadas

Temos depois o signo da Virgem que se enquadra no Elemento “Canapés e outras Mariquices Seleccionadas”, pois não há bem a certeza sobre o que se vai comer. E por fim Aquário, o signo mais poderoso e dominante do já falado elemento Marisco; pois sem ele não se conseguiria manter vivas as sapateiras e os lagostins, que nas cervejarias aguardam pacientemente pelos clientes.

Mas é melhor começarmos, que se isto arrefece perde a piada toda…


(2) Caranguejo
(22 de Junho a 22 de Julho)

Isto está bom é para si, que anda por aí a pavonear-se com essas cuecas blindadas; mas a sua carapaça está prestes a ser posta à prova. Pois pela posição das estrelas (embora não consigamos ver muito bem daqui…) vem aí algo que vai pôr as tenazes da nativa de caranguejo a estalar que nem castanholas; ou isso ou vamos ter que voltar a desembaciar o telescópio.

Mas mesmo que não seja caso para andar de lado, esse coraçãozinho frágil e assustado vai ter este ano muito que bater na muralha quitinosa das suas defesas.

Se é homem (e desde já os nossos parabéns!) e busca um reflexo da imagem maternal em cada rosto feminino, pode já arrumar as malas que aqui não pactuamos com perversões dessas (pelo menos dessas, não); mas sabemos que encontrará alguém.

É claro que terá muito mais sucesso nessa demanda, se a levar a cabo em restaurantes, centros comerciais e casas de espectáculos. Se tiver ascendente virgem, ignore-o e frequente principalmente casas de espectáculos que tenham postes no meio da sala. Comigo tem resultado, pois exceptuando o Museu da Marinha em Oslo (um engano mais que justificado), tive sorte em todos os outros locais.

Acompanhe com imperial (as boas companhias são sempre de ir cultivando).


(4) Virgem
(24 de Agosto a 23 de Setembro)

O Zodíaco deve ser dos poucos sítios onde ainda dá jeito (e onde há quem acredite que existam, claro) ser virgem. Por alguma razão as virgens aparecem sempre associadas a unicórnios, fadas e outros personagens sem qualquer utilidade prática. Havendo até quem defenda serem as/os virgens uma mera () imagem literária.

Todos os nativos deste signo compartilham além da mania das arrumações, também uma acentuada tendência para as angústias da paixão. Derivado disso o serem um pouco desconfiados com os envolvimentos amorosos; e também como é natural, uma grande resistência à abertura de contas conjuntas em dependências bancárias relativamente afastadas...

Mas caro/a Virgem, mesmo que o seu maior terror seja o de ficar com o coração destroçado, lembre-se que até se chegar a esse ponto ainda acontece muita coisa boa pelo caminho; e que mal por mal, antes o coração. Já que você é demasiado tímido/a para dizer que não a algo…

Para o próximo ano, sugerimos que deixe de pôr a sua relação à prova; pois as relações são como as baterias e gastam-se com o uso. Pior ainda, quanto mais bateria gastarem consigo, mais tentados serão a ir carregá-la a outro lado…

Se pensarmos bem… Também dá menos trabalho, não é?...


(9) Aquário
(21 de Janeiro a 20 de Fevereiro

Para um signo do Ar como você, foi muita a água que meteu este ano. Não que queiramos inferir que você esteja rôto/a, pois tal como Blanche Dubois é uma apenas uma vítima das circunstâncias; mas tanta humidade mal localizada ainda lhe vai causar reumático.

Se é homem (para isso e para mais) aproveite 2008 para iniciar uma nova relação amorosa. Após o ano de azar que suportou até agora, mesmo a mais corrosiva megera lhe parecerá uma doce gueixa (no espaço ocupado por este parêntesis foi apagado um trocadilho idiota sobre “razões de gueixa”; desperdício de espaço editorial pelo qual apresentamos desde já as nossas mais sinceras desculpas).

Para as nativas deste signo recomenda-se a urbanidade e simpatia para com os seus subordinados no local de trabalho. Se é escritora, comece a andar com um homem mais novo; ou então deixe de escrever sobre coisas das quais não tem experiência. Se é Chefe de Serviço, “pape” um estagiário.

Dê algum uso a essa “humidade” toda… Afinal, que raio de aquário é você?


Música de Fundo
Tainted Love” - Marilyn Manson

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Poder dos Astros
- Tudo tem poder sobre nós. E a medida desse poder, está na importância que concedemos a esse algo em comparação com aquilo que mais amamos… -

Em cada ano que vai chegando ao fim, continua a assistir-se ao ritual de purificação para passagem ao ano seguinte. Chegado que é o último mês, e todos se precipitam para a borda do abismo tentando mais uma vez espreitar um pouco do futuro. Como se existisse tal coisa; o futuro…

Só quem já teve passado, consegue em plena consciência saber que não existe futuro. A vida é um desempoeirado e longo presente, que morre lenta e quotidianamente como se fosse a validade de um pacote de batatas fritas

Os astros na sua piedade infinita obscurecem-nos a crueza do futuro, enquanto nos mostram o que julgamos ali querer ver.

Mas só os cegos vêm o tempo como ele é. Uma negra fita de seda que desliza por nós como uma língua húmida e carnuda, levando de cada vez um pedaço. Apenas um pequeno pedaço da alma em cada passagem…


(1) Gémeos
(22 de Maio a 21 de Junho)

Regido por Mercúrio, este signo é como aquelas doses de cozido à portuguesa que dão para dois, de tão bem aviadas que são. Se por um lado você é “coquette”, elegante e gosta de se rodear de admiradores; por outro, o amor e as relações estáveis produzem-lhe a mesma sensação que um rotweiller de “tacha arreganhada”.

A fidelidade não é bem o seu forte. Por isso não se admire que no próximo ano tenha dificuldade em “sacar algum” ao banco; especialmente conhecendo eles o “truque do irmão gémeo”.

Utilize-o antes na sua vida amorosa, pois em 2008 vai precisar de toda a ajuda que conseguir arranjar; tal vai ser a enchente.

Dinheirinho é que não. Afinal, somos portugueses…


(8) Capricórnio
(22 de Dezembro a 20 de Janeiro)

Debaixo desse exterior aparentemente frio e calmo bate um coração de alto desempenho, como se você fosse uma daquelas carripanas do “tuning”.

Não erga muros entre você e os outros. Pois além de não servirem para diminuir a embalagem de uma verdadeira paixão, fazem com que um tipo chegue muito mais cansado na altura de “colher os louros”. E nós sabemos que você até gosta, embora se esteja aí a armar em esquisito/a.

O ano que vem vai ser para si fértil em surpresas, especialmente no campo amoroso. Nada que uns bálsamos ou uns adstringentes não aliviem.


(12) Touro
(21 de Abril a 21 de Maio)

Você é uma força da natureza, que o diga qualquer moço de forcados. Mas a vida não é só “marrar a direito”, e aconselha-se às vezes um pouco de subtileza a lidar com certas situações; ou então vá preparando a rabadilha para as consequências.

A sua teimosia pode ser considerada uma grande virtude, mas apenas se for aplicada ao coleccionismo em geral e ao campo filatélico em particular. Pois no amor há que ter cuidado com posições rígidas e manter uma certa flexibilidade, ou irá sofrer bastante (mesmo que utilize creme).

O seu signo é regido por Vénus; fazendo (pelo menos teoricamente) de si uma pessoa de bom gosto no que toca à escolha de parceiros. O que quer dizer que talvez a sua recente falta de sucesso nesse campo se deva à mania de ter fotos do Rodrigo Guedes de Carvalho em cuecas, penduradas na parede do quarto.

Para o próximo ano os astros reservam-lhe a serenidade e o bucolismo dos grandes espaços. Ou seja, aproxima-se mais uma travessia do deserto.

Beba muitos líquidos.

Música de Fundo
Dirty Love” – Frank Zappa


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Os Primeiros Três
- A astrologia não é uma ciência exacta. Por isso e por que raio de carga de água é que então teríamos que colocar todos os carneiros, virgens e outros bichinhos do Zodíaco por sequência especial? –

Utilizando a conhecida “Tômbola de Blog” (com que costumamos sortear aos sábados os nossos frascos de compota e rosquinhas de manteiga), saíram-nos hoje estas “três bolas” que aqui deixamos à apreciação do público; e sem direito a reclamações.

Afinal, qual de vocês foi alguma vez agraciado com “três bolas”?


(11) Carneiro
(21 de Março a 20 de Abril)

Você já vem de longe, remontando à época medieval. Seja pela linha directa de uma meiga Ovelha do Senhor, ou levemente aparentado com o aríete que meteu dentro as portas de Santarém, você tem um lugar assegurado na história.

Signo atrevido, impulsivo e apaixonado, é o dos que acreditam no amor à primeira vista, nunca guardam as facturas dos electrodomésticos (o que pode inviabilizar a garantia), e chegam até ás vezes a casar com alguém que acabaram de conhecer (as primeiras duas ainda vá, mas isso do casamento pode ser traumático e até mesmo dispendioso; por isso acautele-se).

Quando a sua professora do “básico” lhe disse que todos os problemas se deviam resolver com a cabeça, não se referia a “amonas” e outros mimos.

Sem dúvida que 2008 lhe trará imensas dores de cabeça, mas nada que fique no seu caminho durante muito tempo.

Evite os falsos amigos e os aduladores, ou acabará tosquiado/a.

Ah, e coma mais fibras (aquelas caganitas são mesmo mau sintoma).




(10) Peixes
(21 de Fevereiro a 20 de Março)

Românticos, doces e sensíveis até à loucura, os nativos deste signo carecem às vezes de uma pitada de sal. Sendo sonhadores inveterados, estão sempre dispostos a correr atrás dos seus sonhos; mesmo que devido a isso venham a acabar numa travessa enfeitados com salsa e rodelas de limão.

Apesar de especialistas em amor platónico, quando passam à prática dão ao rabo tão bem como os outros signos. Excepto os de ascendente caranguejo, que têm mais tendência “para trás” e gostam de dar beliscões inesperados aos seus parceiros.

Espera-se um novo ano sem escolhos em que os nativos deste signo singrarão nas águas cristalinas do destino; cuidado porém com as “malhas” do amor.

Lembre-se que embora “para cada peixe esteja destinado um pescador”, nada lhe garante que venha a ser comido/a (ou mesmo do seu modo preferido).

Bons mergulhos.



(3) Leão
(24 de Agosto a 23 de Setembro)

Os outros vêem-no como uma pessoa frívola, sempre preocupada com o penteado e as unhas de gel; embora todos saibamos que as usaria para defender o seu amor (assim como a dentuça, se as regras o permitissem).

Você é uma fera no que toca ao bem-estar da pessoa amada (infelizmente entre “amada” e “comida”, a diferença é apenas uma questão de tempero; e os seus apetites são famosos por
a/o fazerem rugir bem alto quando “
anda a seco) mas um pouco envergonhada/o no que toca a demonstrar os seus sentimentos.

As nativas deste signo são de ronronar fácil e doce, conhecidas por aceitar qualquer situação como verdadeiras leoas; os nativos já não tanto. Mas também… a partir de certa altura, ou se tem o cabelo, ou o resto…

Para 2008 corte nas despesas do talho; toda essa carne vermelha anda a entupir-lhe artérias muito importantes.

Bom fim de semana…

Música de Fundo
View From The Afternoon” – Arctic Monkeys

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A Igreja do Imaculado Blog
- O profético Oráculo de Blog –

Irmãos (salvo seja!)! Se há algo que todo o blogger gosta, é de botar palpite sobre alguma coisa. E para isso, nada melhor que a astrologia; disciplina mística e sujeita a interpretações dúbias.

Por isso, e também porque ainda não tínhamos este ano adoptado o estilo “Corin Tellado”; a Igreja do Imaculado Blog irá patrocinar nos próximos posts, a edição anual das “Previsões Astrológicas de TheOldMan”. Onde o tecido astral do Zodíaco será esgaçado até revelar o que nos reserva o futuro para cada signo.

Como o zodíaco tem diversas interpretações e escolas, tanto na astrologia ocidental como na chinesa e védica; optámos pelo Modelo Clássico Ocidental “Escola Margem Sul” que utiliza as 12 casas zodiacais como referência básica nas suas designações antropomórficas.

Acho que me perdi algures por esta parte do post. Pois não há necessidade de entrar em pormenores, sobre os rituais utilizados pelos nossos oráculos para extrair as previsões e profecias do profundo saco da fortuna.

Blog vela por vós! Até sexta…

Música de Fundo
Poison Arrow” – ABC







segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O Prémio
- “Diz que até não é um mau blog” - Ed. 2007 –

* Ficha Técnica *
- Blog inicial – “Nós Por Cá
- Blog que “passou a brasa” para mim – “La Marèe Haute

* Regras de Atribuição (Versão Anotada) *

1 – Este prémio deve ser atribuído aos blogs que considera serem bons (entende-se como bons blogs aqueles que visita regularmente e onde deixa os seus comentários).

2 – Apenas se recebeu o prémio deve escrever um post com:

Ora eu apesar de ter sido aparentemente nomeado, ainda não recebi prémio algum. Pelo que, menina Vague, continuo expectante pelo almejado dito cujo (como é bem patente, a quebra desta cláusula contratual já seria o suficiente para inviabilizar este post, e mais sei lá o quê…)

o link do blog que lhe atribuiu o prémio (checked)

o tag do prémio (nunca o vi, não sei onde está, e a única publicidade que afixo é de índole humanitária; como o “dia de linkar o Pacheco”, etc.)

a regras (checked)

a indicação dos sete blogs a quem atribui o prémio (nope. Mas isso já é hábito)

deve exibir orgulhosamente a tag do prémio no seu blog, com o link para o blog que lhe atribuiu o prémio (Mas onde raio andará este tal “tag”? E o meu prémio? Onde está o meu prémio?)

(opcional) Colocar link do blog que criou este prémio (ainda bem que é opcional)

Criar” será um pouco exagerado. Primeiro que tudo porque a ideia já está mais que gasta. Seguidamente, não há prémio. E à semelhança das promessas governamentais, apenas a menção deste, talvez como promessa eleitoral (como não é designada a sua natureza, talvez se trate de algo religioso e espiritual)

Ora isto dos “prémios” só nos coloca em posições difíceis. Que o diga a Vague, que por não conhecer bons blogs em quantidade suficiente para preencher a sua quota, teve um gesto de simpatia e me nomeou juntamente com os outros, para conseguir apresentar um conjunto minimamente volumoso.

Para animar um pouco a coisa, e já que não vou passar isto a ninguém (já se diz “por aí” que quando querem acabar com uma corrente qualquer passam-na para mim) em vez destes “prémios” politicamente correctos e completamente delicodoces, venho sugerir que se quebre um pouco esta monótona (embora simpática) corrente; se criem “menções” mais apropriadas à realidade.

Proposta para “Menções” a atribuir a outros blogs.

- “nem gosto muito do teu blog, mas se te deitasse a mão ias ter inspiração para um monte de posts eróticos”.

– “não me interessa para nada isso que escreves, mas se parecer que te conheço talvez alguns dos teus comentadores decidam aparecer lá pelo meu blog”.

– “já cá não venho há vários meses, mas tu sabes que não preciso de te ligar nenhuma porque somos amigos”.

– “o teu blog é uma trampa, mas vai haver muita gente a roer-se por me ver comentar aqui”.

E poderia continuar uma lista enorme de atribuições bem divertidas. Uma vez que seria muito mais fácil encontrar candidatos que se enquadrassem nestas categorias, do que nas de “Blog Literário de Qualidade”, “Blog de Acção Humanitária Desinteressada” ou mesmo “Blog de Jornalismo e Informação Isenta”.

Talvez esteja a parecer ingrato e mesmo um pouco zangado; mas não. Sei reconhecer quando alguém está a ser agradável para comigo e sem dúvida que o meu ego se sente agradecido.

Mas quanto ao “prémio”, Vague. Não penses que te vais livrar facilmente desta…
ATENÇÃO!

Tendo a Vanus de Blog aparecido com “Propostas para Menção” ainda melhores que as minhas, ficaria mal da minha parte não me aproveitar (à boa maneira blogsférica) da sua imaginação e esforço.

Assim vamos iniciar à semelhança de outros blogs de vão de escada, uma secção chamada “TheOldMan feito pelos seus leitores”. Designação que embora passível de más interpretações, servirá para colocar em destaque as ideias que queiram propor em relação a determinado tema; bastando para tal atirá-las para a minha caixa de comentários.

Começamos hoje pelas “Menções” propostas pela Vanus de Blog:

"adoro o teu blog, mas não preciso linká-lo porque o leio pelo google reader"

"a tua escrita é a melhor, mas agora tenho um amigo virtual importante que não vai com a tua cara, por isso tive que te deslinkar"

"sabes que não te comento no blog porque a tua escrita é perfeita, não há nada a dizer (e continuo a ser amigo/a do tal amigo importante que cada vez te destesta mais)"

"ao meu blog só chegam os prémios que importam, todos os outros que não me são atribuídos são uma merda"

"não tenho tempo para comentar ninguém porque tenho vida lá fora (mas comento os outros 42 amigos todos os dias, é mesmo azar!)"

"detesto o que escreves, mas és óptimo para aumentar o meu número de comentários"


Música de Fundo
Hate To Say I Told You” – The Hives

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Da Lama às Estrelas
- Se uma religião for descaradamente inventada como a nossa divertida Fé em Blog (e não o serão todas elas?), quase tudo é permitido e ninguém nos poderá acusar de hereges; pois seguimos as nossas próprias Sagradas Escrituras (o Livro de Blog). Agora se um tipo que controla a devoção de 2.810.000 fedorentos fiéis começa a variar da cabeça, a coisa pode tornar-se grave e deve ser trazida a público antes que se espalhe, e ainda acabemos por ver o sucessor de S. Pedro a comprar chinelinhas de renda na Prada ou na Chanel (Pensando bem, acho que já venho atrasado para esta…) -

Sempre me fascinou nas religiões, aquela faceta humorística que muitas vezes as põe ao nível do melhor teatro de revista português. Tive até em tempos uma ideia que consistia em reaproveitar o velho Parque Mayer para concentrar todas as comunidades religiosas do nosso país, de modo a que os fiéis pudessem escolher a que mais os seduzisse.

É claro que houve logo um desmancha-prazeres que me disse ser impossível. Pois tal como nos restaurantes da antiga Feira Popular (o extinto Luna Parque), iríamos testemunhar episódios com rabis a aliciar o cliente no meio da rua, enquanto um mulah lhe puxaria por um braço, e um pouco mais atrás um padre o ameaçaria com as chamas do inferno se não escolhesse o seu estabelecimento.

Mas chega de teoria “teológico-hoteleira”.

Esta quarta feira li no Correio da Manhã um pequeno artigo do tamanho de um selo de correio (ou do bigode de Hitler, como preferirem), em que se relatava ter o Dalai Lama (esse playboy internacional) afirmado que caso morresse fora do Tibete, não poderiam ali procurar o seu sucessor pois não lhe seria possível reencarnar lá.

Poucos instantes após eu terminar a leitura do “artigo”, a Dona Odete foi obrigada a ministrar-me a “Heimlich Maneuver”; pois um inoportuno pedaço de torrada impulsionado pela minha hilaridade alojou-se em local indevido, quase disparando a minha aura para o cosmos em busca de outra “casca” que a acolhesse.

Nos breves momentos em que durou a interrupção de oxigénio ao meu cérebro vi desfilar à minha frente, não a existência passada neste pequeno jardim atlântico, mas as agruras sofridas pelo “Buda Vivo” na sua ânsia de ir morrer a Potala; ou pelo menos ao snack onde costuma tomar o pequeno-almoço.

Não há dúvida que a sociedade ocidental deve ter algo de terrivelmente virulento que ataca todas essas almas puras mal se chegam um bocadinho para cá. E parafraseando Jorge Coelho (o simpático “Coelhone”), há muita falta de memória da parte dos líderes religiosos. Mal este, que já atingiu igualmente o Lamaísmo (Budismo Vajrayana) e o seu depilado expoente máximo.

Embora não seja algo que se publique regularmente na Caras ou no Notícias da Buraca, já existe (embora o Dalai Lama porventura desconheça) por esse mundo fora um monte de gente que não se limita a ler o tanguista do Lobsang Rampa, ou a absorver aquelas tretas semi-panteístas de como devem preparar o terceiro olho para absorver o cosmos.

Como sou um tipo basicamente preguiçoso e de mau feitio, não me vou dar ao trabalho de colocar aqui “links” para literatura da especialidade ou fazer “scan” aos meus livros. Mas só para começar, quem quiser faça uma busca no Google e há-de encontrar (o Google começa também já a parecer-se muito com o Lamaísmo) muita matéria sobre este assunto.

Os “Procedimentos para Confirmação da Reincarnação do Dalai Lama” que são seguidos há um ror de anos por aquela malta, indicam claramente como tal deve ser feito; e não existe neles nenhuma alínea onde se fale de limitações respeitantes a fronteiras geográficas, políticas ou “consumo mínimo” para este tipo de situação.

Aliás são categóricos em afirmar que é determinante o azimute para o qual fique virada a face do santo homem na hora da sua morte (uma espécie de “Roleta Tibetana”), e que a partir daí devem partir pelo mundo nessa direcção até que encontrem alguma criança (do sexo masculino, claro, que eles nisso não são diferentes das outras religiões), que acumule um número considerável de indícios a ponto de o tornar suspeito de albergar em si o espírito do excelso monge (soa um pouco pedófilo mas nunca ninguém se queixou disso).

O que quer dizer que poderiam andar durante meses ou anos em determinada direcção sem encontrar alguém que se enquadrasse nos requisitos, e acabar por o descobrir a apanhar sol na Fonte da Telha ou a amolar tesouras em Almoçageme. O certo é que por mais cagaço que o simpático “caixa de óculos” tenha em relação à possibilidade de os chineses lhe roubarem o negócio, isso não o desculpa de tentar mudar as regras do jogo a meio deste.

Sim. Que nós sabemos perfeitamente como é que a coisa funciona, ou não tivesse já BLOG passado pelo mesmo …

Música de Fundo
Budapeste (Sempre a Rock & Rolar)” – Mão Morta

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Nove da Manhã
- Pretensa poesia surrealista induzida pela baixa temperatura -

Ergo-me da preguiça bem cedo
com a rapidez dos que não querem

E pedalo a cega melodia
das lágrimas de frio, e riso
despertadas pela loucura
que é usar calções fininhos

Mas o meu coração é quente
como a flanela que o envolve

E o capuz…
O capuz de nada serve porque não o uso
para manter a mente fria e cristalina
enquanto percorro a ilharga do rio esverdeado
e me vou sentar a céu aberto
na certa espera de algo quente e fumegante

Não cruzo as pernas na esplanada
como a mulher em frente a mim
Que tem também a mente fria e arrepiada
(que quase vejo, naquela posição)
mas noutro local

Digladiamo-nos
numa competição muda
de resistência térmica

Eu
tenho o imaginário no qual escrevo
que me protege
como uma “termotebe” colorida

Ela
apenas um cão que lhe cobiça as torradas
e espera sentado, paciente
um “amanhã, Jolly…”

O cão da mulher só, tem vida triste
Animal simples e fiel
tratado como um homem
(o infeliz)

Desinteresso-me.
Nunca tive paciência para cães
quanto mais os de mulheres sozinhas
que apenas prometem pedaços de torradas aparadas

Levanto-me e divago p’la cidade
montado neste melódico moinho de café
que extrai de mim os pensamentos
e os imprime no asfalto
em sons ziguezagueantes…

Sinto a cor da paisagem nos meus olhos
lavados pelo vento e a velocidade
mas não a vejo enquanto voo
porque ver é descer à terra
e eu não quero cair

Cair seria…
ser já segunda feira
ou outra coisa ainda pior, como não haver domingo

Ou chegar a casa
e não haver água quente para o banho

Adoro esta pequena liberdade
que é ser simples
não precisar de nada
excepto aquilo que já tenho
(ou me tem a mim)

E como nada tenho, nada me possui
Talvez apenas
a sensação de ser um homem livre
que passeia pela cidade
a sua beatitude arrepiada

(Tenho que comprar umas calças térmicas na Decathlon)

Música de Fundo
Hard Sun” – Eddie Vedder

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Impacto da Imaterialidade
- Uma pequena história que há séculos se repete; sofrendo apenas ligeiras alterações na forma, dependendo da época em que é contada… -

O homem atingido por uma rajada de pistola-metralhadora abateu-se na calçada como um saco de farrapos. Os transeuntes arredaram-se como ovinos atentos à presença do pastor, enquanto o monovolume de vidros fumados parava abrindo as portas estrepitosamente.

- Era “O Miúdo da Bica” – ouviu-se murmurar por entre a assistência transida. – Parece que lhe retiraram a “licença de blogar” há anos, e tinha-se escapado para o Wordpress de Singapura.

Um dos indivíduos vestidos com fato de três peças e expressão de avô carinhoso, revirou o corpo com a biqueira da bota italiana – Revistem-lhe os bolsos! – disse para os outros que se afadigavam a tentar reconhecer caras suspeitas por entre a multidão – o disco com os dados roubados no Ministério tem que aparecer em qualquer lado.

Notou-se uma súbita ondulação no ajuntamento de basbaques, como uma seara soprada por imprevista ventania. E um vulto de baixa estatura vestido com um blusão de capuz esgueirou-se na direcção oposta ao acontecimento, abrindo caminho à força de cotoveladas.

Um dos agentes lançou-se em sua perseguição, enquanto o veículo arrancava fazendo chiar os pneus. Levando atravessado no fundo o cadáver envolto em plástico transparente; à semelhança de algo que tivesse chegado da lavandaria.

Apesar da sua baixa estatura (ou talvez por isso) o encapuzado ganhava terreno, volteando os braços como que tentando nadar através da atmosfera, evitando por milímetros transeuntes, automóveis e candeeiros; e acabando por utilizar a embalagem para se lançar na escalada do portão de rede que franqueava a entrada da escola C+S.

O perseguidor ofegando como uma locomotiva atirou-se contra o portão que embora abanando resistiu, num chocalhar agoirento de correntes metálicas. Apontando a arma ao porteiro que se encontrava dentro de uma minúscula cabine, mostrou o crachá exigindo acesso imediato; ao que este se apressou a obedecer, não se livrando à passagem deste de um encontrão maldoso pelo atraso no cumprimento da ordem.

Passou pelo pátio a toda a velocidade, quase esmagando um grupo de miúdos que vinham em sentido contrário carregando mochilas de cores garridas, e agasalhados nos seus gorros e luvas de lã. – Foi por ali!... – informou-o uma miudeca de ar assustado, retirando os fones dos ouvidos e apontando para trás de si.

Ficaram todos a vê-lo afastar-se de arma em punho até desaparecer atrás do pavilhão polivalente.

Um deles riu-se para quebrar a tensão do momento, e retirando o cartão de memória do telemóvel descartável passou-o à miúda a seu lado. – O Prof. de T.I. havia de ficar orgulhoso de nós. - disse com um trejeito amargo – Foi pena terem dado cabo dele. Deita esta porcaria fora, que já não faz falta nenhuma.



Meia hora mais tarde, a miúda seguia no autocarro olhando pela janela com uma expressão ausente. A noite invadia o céu poluído e os primeiros outdoors electrónicos, ligavam-se automaticamente à medida que as células fotoeléctricas detectavam a diminuição da luminosidade. Porém a publicidade fora substituída por uma transmissão não programada.

Os dados estavam já em todos os servers da rede mundial, aparecendo em “pop-up” cada vez que alguém abria uma página.

A miúda aninhou-se contra a janela do autocarro mal aquecido, e pensou para si que os “outros” estariam sempre um passo atrás. Pois como costumava dizer o velho professor de T.I. - “Um governo que se alimenta do povo, tem sempre o cu demasiado pesado para poder ganhar corridas com aqueles que apenas transportam consigo os seus ideais”.

Sorriu imperceptivelmente, e recolocando os fones nos ouvidos começou a trautear baixinho o último êxito dos “Plastic Surfers”…

Música de Fundo
Keep The Car Running” – Arcade Fire

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Os Mercadores de Ar
- O hábito de tentar regulamentar, delimitar e taxar o que é dos outros é algo bastante difundido na sociedade moderna; ou não fosse esta maioritariamente composta pelos tipos que diariamente temos que repelir para que não nos metam as mãos nos bolsos, ou acampem no nosso televisor para nos ensinar como devemos comportar-nos na (nossa) sociedade. -

Andava ontem a ler blogs quando dei com um link para esta notícia, que me fez rir a bandeiras despregadas. É que nada me diverte tanto (socialmente, claro) como ver alguém a querer legislar ou cobrar sobre algo que já se encontra pago, ou que é um recurso natural ao alcance do público em geral.

Passe a má comparação, é como se o governo “socrático” sob o qual vivemos decidisse lançar um imposto sobre o consumo de oxigénio; ou obrigasse o comum cidadão a pagar por cada vez que consultasse determinado livro, mesmo que tivesse sido ele a comprá-lo inicialmente.

Este género de comportamento oportunista não é apanágio de qualquer camada social ou quadrante político em particular, mas sim de um tipo de mentalidade mediocrizante que floresce em qualquer lugar onde se deixe de dar atenção a questões de princípio.

É um tipo de “ideotário” a que aqui decidimos não dar nome, para que tal não suscite a tentação de lhe atribuir um estatuto ainda mais privilegiado, ou mesmo qualificação para obtenção do rendimento mínimo garantido.

Ora é imbuída deste espírito que a (ERC) Entidade Reguladora para a Comunicação Social anunciou que é competente para decidir se "determinado 'site' é um órgão de comunicação social, comunicação pública, mesmo não efectuando uma comunicação do tipo jornalístico, e que o mesmo viola direitos, liberdades e garantias previstos na lei geral…”.

Para mim nada disto tem muito de original. É um pouco como deixar a cargo de Goebbels a decisão sobre quem é um bom alemão. Já na altura foi um sistema que funcionou bem; e se Adolfo Hitler perdeu a guerra não foi por causa disso, mas sim porque contratara o astrólogo errado.

Na verdade não estou aqui para me insurgir contra a ERC. É uma entidade que faz aquilo para que foi criada (agora só falta alargar o âmbito do termo "comunicação social", de modo a que possa abranger a nossa liberdade de expressão; ou mesmo qualquer outra) e que já provou a sua “isenção” em casos anteriores passados com blogues.

O que na realidade me faz confusão é que ainda exista no mundo gente ingénua ao ponto de permitir (tal como se propõe em Itália) a “criação de uma entidade onde todos os bloguistas teriam que se registar, tendo direitos e deveres. Concretamente, os bloguistas receberiam um certificado desse organismo, pagariam impostos (mesmo que o objectivo dos blogues não seja comercial) e estariam sujeitos a um código penal”.

Esta é mesmo para rir.

A única coisa que tenho a dizer sobre isso, é que não considero aceitável qualquer forma de legislação sobre algo que não pertence a quem sobre tal deseja regulamentar (para obter poder sobre); e que é tão inexpugnável quanto indefensável sob o ponto de vista táctico.

Pelo que se um dia esse tipo de legislação for avante, lá terei que mudar de “nick” e içar a bandeira panamiana, à semelhança de todos aqueles que não se queiram ver “registados”, “classificados”, “regulamentados” e “taxados” pelo poder vigente.

Eu vim para aqui para não os aturar e não para continuar a sustentá-los.

Música de Fundo
Fight The Power” – Public Enemy



sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A galinha da vizinha é (ainda) mais parva que a minha…
- Um estudo exaustivo (ou não fosse o espécime do género cansativo) sobre aquele ser vivo (quando se mexe) que apenas serve para ver se “tem ovo”. E às vezes nem isso… -

Há quem diga que não é preciso ser avicultor para perceber de galináceos, e é bem verdade. Qualquer apreciador de frango no churrasco e empadas de galinha pode ter um mestrado em “garnizé” ou uma licenciatura em “pedrês/có-có” (esta última tem tido aparentemente muito mais “saída” que a primeira).

Para aqueles (principalmente aquelas) que possuídos da “fúria dos justos” me venham acusar de misoginia, fica já informação que “galinha” é uma designação genérica (visto que tanto é atributo de macho como de fêmea) e invariável (uma vez galinha, sempre galinha) que não faz qualquer distinção entre sexo, credos ou raças.

Galinha” é pois o último estado de alguém, imediatamente antes de apenas poder servir como matéria-prima para a fábrica de sabões, ou em alternativa, líder do Bloco de Esquerda.

Este tipo de galináceo é como os ácaros, vive no meio de nós e apesar de não conseguirmos lobrigar sequer um reflexo da sua luxuriante plumagem (embora estes não se cansem de a gabar repetidamente em tudo o que é sítio, e até mesmo em blogs) somos porém confrontados diariamente com as caganitas da espécie em questão (também à semelhança dos tais ácaros).

É pois a/o “Galinha” alguém que insuspeitamente se esconde no meio de nós, e que apenas é detectável no exacto momento do “cacarejar”.

Ainda ontem tive um bom exemplo do que acabo de expor. Vi uma daquelas pessoas que têm um comportamento absolutamente elitista, descer ao nível da “gentinha” para bater nas telenovelas. Bem… Ela na verdade queria era bater nas outras galinhas que não foram suficientemente inteligentes para fingirem que não gostam de novelas.

Começou por afirmar que tal nauseabundo produto só lhe conspurcava os sentidos porque decidira trazer a iluminação (assim como uma espécie de Lenine vestido pela Zara) a essas pobres almas vítimas do obscurantismo e pela insidiosa campanha masculina contras as pobres mães e donas de casa.

Nem me vou para aqui alargar nas parvoíces que ela escreveu, pois seria (à sua semelhança) tentar “ganhar a vida” com algo que outro já fez.

Mas este tipo de actuação é generalizado entre os galináceos, pois existe sempre entre eles uma pequena percentagem que decide evidenciar-se a partir das situações que critica nos seus semelhantes e que jura a pés juntos não praticar nem por actos nem por pensamentos.

É um pouco como o caso daqueles/as que escarnecem publicamente de “amigas/os” e da sua vida privada, sem se lembrarem que o ouviram das/os mesmos/as amigos/as, a quem confidenciaram a sua “pequena e maravilhosa aventura” que deveria ficar no “segredo da partilha”.

Do mesmo modo que o cacarejar é símbolo de ignorância, é essa mesma ignorância que dá força ao cacarejo e principalmente um desmedido orgulho.

O orgulho nobre de uma ave de capoeira… Igual a esta que me preparo para trinchar.

Desejem-me bom apetite (e já agora bom fim de semana)

Música de Fundo
Psycho Chicken” - The Fools


segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O que me vai safando ainda são as correntes…
- Um post de louvor a essas iniciativas que lá vão arranjando maneira de nos livrar dessa árdua e chata tarefa que é escrever… -

O meu post de hoje era dedicado a esse fascinante tema que são as “teorias de conspiração”.

Um texto centrado no personagem “Hugo Chávez”; esse fantoche do imperialismo e do capitalismo internacional, que disfarçado de líder revolucionário está neste momento a arrastar pelas ruas da amargura, a reputação dos tais proletários de todo o mundo que não aproveitaram para se unir enquanto ainda era tempo.

A coisa mais triste nisto dos “Governos do Povo” (assim como na maior parte das coisas em que aparece a palavra “povo) é que conseguem ser tanto ou mais tirânicos do que os governos dos ignóbeis fascistas das “Classes Altas”. O que no caso concreto do povo Venezuelano se traduz na tragédia que é além de viver sob uma ditadura, ainda passar pela vergonha que é ser representado por aquele espécime obtido por cruzamento entre Fidel de Castro e Alberto João Jardim.

Ás vezes este tipo consegue fazer com que se tenha saudades dos bons generais e coronéis que encomendavam grandes quantidades de óculos escuros com “armação de massa” à Óptica das Avenidas (ainda ajudavam a manter a nossa balança de pagamentos), que apesar de não fazerem grande diferença dele ao nível da actuação, tinham pelo menos a vantagem de não denegrir ainda mais a fraca opinião que já tínhamos sobre tudo o que é sul-americano.

É claro que um post destes só iria trazer-me chatices com gente de todos os quadrantes. Desde os apoiantes de Bush (que ainda estão em deliberação sobre a conotação a atribuir ao termo “donkey) àqueles “enjoativos de esquerda” que apoiam qualquer bicheza que rasteje de uma pedra para fora, desde que este se auto-intitule comunista ou socialista (dois termos que pelo seu uso indevido e continuado, perderam já qualquer significado).

Para juntar a isso tudo ainda há a indignidade que no final destas “entradas de leão e saídas de sendeiro…”, é sempre manifestada por este tipo de cromos, pois após todo o estardalhaço de ontem, “Hoje Hugo Chávez afirmou que solicitou ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Nicolás Maduro, que fale como o seu homólogo espanhol, Moratinos, para evitar que o incidente prejudique as relações entre os dois países. - Diário Digital / Lusa”.

O que acaba por deitar por terra aquela velha treta sobre “as causas justas que ninguém consegue vergar” e que nos deixa a ideia que se o “elefante a engolir” tiver apenas um décimo do tamanho do ego de Hugo Chávez, mesmo assim este vai ter muito em que ocupar a boca nos próximos tempos.

Mas felizmente safei-me a tempo pois fui nomeado para mais um prémio, desta vez pelo Cap. Hummm. Não é bem verdade... Já tinha sido anteriormente nomeado para o mesmo pela Hipatia e pela Maria Árvore; mas desta vez é que me deu jeito para não ter que escrever sobre o sacana do Hugo Chávez.

Bolas!... Do que eu me safei

Música de Fundo
Sentimiento Nacional” – Guaco / Ricardo Hernández



sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Antes Fosse a Banda da GNR
- Um post de mistério policial sem perseguições ou tiroteio, mas com a ligeira sensação que fui roubado… -

Estava uma bela noite para degustar a boa cozinha Nepalesa e ouvir música de ferrinhos. E podem crer, se eu soubesse o que sei agora teria feito com que isso se perpetuasse pela noite fora; só que já tinha o bilhete, e como vocês sabem um bilhete para concerto é algo que se estraga se não for usado (um pouco à semelhança do meu órgão mais importante).

Guiado pela Ovelha de Blog entrei na sala quase cheia, encostei a carcaça ao gradeamento que rodeava o PA (um homem na minha idade tem que se amparar) e preparei-me para um dos melhores concertos dos últimos tempos.

A partir de agora passarei a dizer (a despropósito ou não) – “A preparação não é tudo…” – E porquê? Bem, porque não foi nem pouco mais ou menos o melhor; ou nem pouco mais ou menos perto disso. Ou mesmo nem pouco mais ou menos. Ou apenas, nem por isso…

Correu tudo muito bem até o tipo à nossa frente (um autêntico “bisonte” aí com uns 120Kg) fumar a segunda ganza e ficar ali a dançaricar enquanto olhava fixamente o telemóvel. Comecei a ficar assustado pois uma massa daquelas em movimento livre poderia fazer coisas incríveis aos dedos dos nossos pés ou a outros órgãos ainda mais sensíveis.

Mas como o bisonte não dava sinal de ter reparado na nossa presença e a sua oscilação não ultrapassava os 33º, concentrei-me em apreciar a primeira música dos “Blonde Redhead”, cuja vocalista evolucionava pelo palco envergando um uniforme de colégio daqueles que se compram pelo correio (para as estudantes mais apressadas) e que teria sido perfeita se além de não desafinar tivesse também uma gémea.

Fizeram uma boa primeira parte, pois conseguiram “agarrar” o público e manter uma boa cadência sem deixar “cair” o espectáculo. É claro que eu quase não percebi patavina do que ela cantou (o som estava muito ”mascavado”); mas se temos à nossa frente uma oriental vestida de “lolita”, também não nos vamos preocupar muito com o que ela está a dizer, pois não?

Entretanto já estávamos no intervalo e o tipo à nossa frente lá continuava a fixar o telemóvel, como se aguardasse um importante telefonema do “Deus dos Bisontes”. Mas uma vez que não se ia embora nem caía para cima de nós, optámos por o ignorar a partir dessa altura (embora tivéssemos que esticar o pescoço para conseguir ver algo).

Chegámos mais tarde à conclusão que se tratava de um daqueles tipos, que foram para o site do Blitz tecer rasgados elogios. Sim, porque para gabar assim tanto a actuação dos Blonde Redhead só mesmo com cinco ganzas pelos queixos; ou então tendo um fraquinho por Hentai em geral e por “Asian Teens” em particular (Sim. Que o resto não chegou para justificar tanto entusiasmo).

Agora os Interpol…

Foi uma pena. Mas é que foi mesmo uma pena! E logo eu que tinha gostado tanto do CD que saquei da net, chego ali e descubro pela enésima vez que não há nada que chegue a um bom estúdio para transformar uns tipos quaisquer numa banda de culto. Ao menos (e como muito bem destaca a nossa “Ovelha-Repórter) podiam ter tido um pouco mais de cuidado com a ordem de saída das músicas.

Mas não. Aparentemente Paul Banks desta vez apostou na sua espantosa capacidade em conseguir dizer “Boa Noite” e “Obrigado” com um sotaque impecável; o que fez delirar a plateia quase tanto como se tivessem tocado algo de jeito.

Mas lá levaram o concerto até ao fim sem nada digno de nota, excepto talvez o público se ter esforçado quase tanto ou mais do que eles para que a noite não fosse totalmente desperdiçada.

Safou-se o facto de o tipo à nossa frente ter fumado aquelas ganzas todas. Pois como “fumadores passivos” acabámos por sair dali ainda bastante bem dispostos, e com a sensação de que no geral até não tinha sido mau de todo.

Não há dúvida que a droga é uma coisa perigosíssima…

Música de Fundo
23” – Blonde Redhead

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Monólogo com os meus pedais
- Quando o nosso coração está enterrado na cidade, basta um fugaz vislumbre do campo para que todos nos julguemos poetas –

Estava ali parado a olhar para longe. A pensar na inutilidade de tentar descrever a paisagem; e a ver não o que estava em frente aos meus olhos, mas a impressão que isso causava (e que são duas coisas bem diferentes).

Olhei novamente para o moinho, com mais duas pás ferrugentas em relação ao ano passado; e para a água que gradualmente se vai tornando limosa e escura. Uma espécie de misteriosa janela para as trevas, deitada ali no meio do campo como uma insólita toalha de piquenique com vista para a cidade.

Custou-me um pouco a crer que tinha vindo dali; daquele caixote mais azulado perto do canto do cenário. Como se para ter consciência de mim tivesse que despir-me de mim próprio. Mas se me despisse de mim… será que continuaria a ser eu próprio?

Ou estaria apenas a tentar agarrar a minha sombra como fazem às vezes os gatos e as crianças?

Se eu fosse mais velho gostaria de ser aquele moinho. Veria nascer o sol todos os dias e todos os dias me interrogaria sobre as mesmas coisas, ao jeito de um moinho a quem a água que transporta parece ser sempre a mesma. Como se transportasse o próprio tempo, imutável por um instante apenas.

Limpei as mãos aos calções e recomecei a pedalar. Naquele dia sentia-me como Alberto Caeiro.

Ah, mas se eu fosse Alberto Caeiro, pedalava daqui ao Barreiro…

Música de Fundo
Bicycle Race” – Queen

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Deixem-me Falar-vos da Morte…
- Onde algo que quase sempre acontece aos outros (todas as vezes menos uma), afecta tanto esses como aqueles que dela se vão livrando. –

Toda a gente tem a sua ficção pessoal sobre a morte dos outros. Isto porque é algo que não se conhece senão por experiência própria; e por essa altura deixa de ter qualquer interesse porque… bem… estamos mortos e já não serve de nada.

A morte afecta tanto ou mais os vivos do que aqueles que seguem sentados na barca de Caronte, presos nas mandíbulas de Anubis ou de mão dada com Santa Teresinha. Eles vão pura e simplesmente, deixando aos que ficam a trabalheira de se livrarem de uma enorme embrulhada emocional e da despesa do enterro.

Provado está há muito tempo que é ela o que mais afecta os vivos.

Independentemente de tudo o que tenhamos sentido e possamos ainda sentir por aqueles que morreram, o dia de ontem (e todos os outros de anos anteriores) não terá sido o dos mortos, mas da expressão da nossa dor. Pois todo o culto ocidental dos mortos expressa a nossa perda, a falta que nos fazem os que partiram e de como o nosso mundo nunca mais será o mesmo sem a sua presença.

Porque por mais que todos se debatam não é pelos mortos que os vivos choram; mas pela sua própria solidão.

Já aqui falei uma vez do festival gótico que era o dia de finados na minha infância. Um oceano de choros abafados no mórbido odor das flores decadentes, bordejado de ciprestes lacrimosos que se perfilavam na névoa como velhas teimosas; e do cheiro a mofo da terra revolvida pela pá do coveiro.

Mas a minha infância ficou já há muito para trás, como se fosse a de alguém que também morreu; porque é o que acontece ao tempo em que viveram aqueles que já fomos.

Se tivesse que ritualizar o dia de finados fá-lo-ia como os mexicanos, que confraternizam com os seus mortos em duas animadas noites; nas quais as violas e os trompetes não deixam dormir ninguém.

Sei que a minha avó diria que os crânios de açúcar me fariam mal misturados com o mezcal, mas também tenho a certeza que iria gostar da dança do chapéu.

Feliz dia de los muertos, abuela!

Música de Fundo
El Dia De Los Muertos” – W. W. Diablo

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Grande Marcha dos Canalizadores Para Norte (2)
- Sobre a rápida expansão do “Nacional-Pelintrismo” e da sua influência na subida do meu colesterol, bem como na diminuição da minha tolerância para com “empresários”. Ou uma análise lúcida, glícida e lípida sobre o modo como se convida alguém para algo que invariavelmente se transforma num frete, e de modo a servir apenas os interesses do primeiro interveniente. -

Existem tendências generalizadas, capazes de colocar qualquer país (mesmo que lhe auspiciem um prometedor e brilhante futuro) num cenário terceiro-mundista, por mais branca e caucasiana que seja a sua população. E hoje venho falar-vos do “Nacional-Pelintrismo”; uma antiga e muito difundida doutrina sócio-politica presumivelmente originária dos Balcãs.

Os Napis ou membros do Movimento Napista (que advoga o “Nacional-Pelintrismo” como via para criar um “Rancho de Mil Ânus), são a viva expressão de uma mentalidade desviacionista contrária ao progresso e ao desenvolvimento do espírito humano.

A maioria deles ocupa nichos mais ou menos confortáveis na economia dos diversos países, gabando-se ocasionalmente de terem atingido tal posição através de meios pouco éticos, ou aproveitando-se da distracção dos seus compatriotas mais descuidados na vigilância ao porta-moedas.

Porém nem tudo é tenebroso debaixo do regime Napi.

Esta sexta feira uma empresa controlada por alguns deles, convidou-me para a CONCRETA, que se realiza na Exponor. Ora se não sabem ficam a saber que a CONCRETA é onde os Napis realizam a maior parte dos seus negócios. Mas para que tal corra a contento, têm que apresentar aos representantes das multinacionais do sector um razoável séquito de seguidores ou clientes; que normalmente aliciam com base em falsas promessas para que estes os acompanhem.

Desta vez ainda foi pior que há dois anos. Após quase seis horas de viagem num autocarro conduzido por um motorista que decerto estava em fase terminal de Parkinson (além de quase ter esmagado um peugeot 106 num estreitamento de via, conseguiu acertar em todos os buracos e pequenas depressões existentes na auto-estrada do norte), chegámos à Exponor por volta das 14h.

Ainda nenhum de nós tivera sequer tempo de articular o vocábulo “almoço”, e já nos faziam passar pelo check-in aproveitando para ficar com os nossos dados pessoais de modo a poderem mais tarde invadir a nossa privacidade com correspondência indesejada.

Eu pessoalmente como trabalho há vários anos sob o regime Napi, dei o nome e morada do médico que mora ao meu lado (o tal tipo que tem aquele odioso caniche branco que não deixa dormir ninguém); o que decerto lhe proporcionará uma agradável variante à leitura das “papeletas” que vêm dentro das embalagens de medicamentos.

É natural que não tivéssemos conseguido pronunciar a palavra “almoço”, porque após nos darem um saco com o famoso “kit do visitante profissional”, informaram-nos que devido a razões que aparentemente não estavam para nos explicar, teríamos que subsistir até às nove da noite com uma dieta de cerveja, mini-rissois e amendoins salgados.

Estávamos pois prisioneiros numa espécie de campo de concentração Napi; cuja única vantagem era estar cheio de demonstradoras de todas as raças e credos. Algumas delas também prisioneiras a avaliar pelas expressões apresentadas, que iam do sorriso amarelo ao manifesto estado cataléptico.

Por momentos estive tentado a mandar a boa educação às urtigas e ostensivamente sair do pavilhão em busca de um restaurante decente. Mas estava acompanhado de meu amo que é um Napista convicto, que logo me apontou inúmeras vantagens (todas elas idiotas) da alimentação à base de fritos e lúpulos seleccionados.

Uma vez que estava cercado, dediquei-me a atestar metodicamente o depósito até um nível que não me subisse o colesterol além dos 250, nem me fizesse por desvairo pedir emprestadas as andas a um mimo que por ali circulava de fato macaco amarelo, e que tentava manter-se em cima delas enquanto fazia publicidade a uma coisa qualquer; que eventualmente estaria relacionada com essa embirrenta cor.

Penámos pelas quatro (?) naves de pavilhão industrial por mais algumas horas, recolhendo folhetos de materiais, sacos de plástico com publicidade e voltando ocasionalmente ao Stand do anfitrião para vingativamente lhe tentar esvaziar os barris de SuperBock.

Entretanto assistimos a alguns espectáculos de saltimbancos, como foi o caso da trupe dos ciganos da tribo Bosch. Que se calhar estavam ali para serem remetidos às câmaras de gás (ou se não estavam, pelo menos mereciam…); e que enquanto esperavam iam aliciando os passantes para acertarem num alvo com bolas adesivas e ganhar um prémio qualquer.

Meu amo logo quis alardear a sua pontaria. Isto porque quem segurava nas bolas era uma loura (da qual nem digo a nacionalidade para não me chamarem racista) com um ar muito “vivido” que envergava umas calças de cós tão baixo que se via praticamente toda a “Whale Tail”. É claro que antes teve que preencher a fichinha com todos os dados pessoais; mas de nada lhe serviu porque tinha a telemetria afectada por toda aquela cerveja que lhe gorgolejava no bandulho.

Mas foi bonito. Porque para tomar balanço deu um encontrão no mimo, que por pouco não saltou das andas para cima dos outros concorrentes que faziam fila por detrás dele.

Foi o sinal de que as coisas começavam a sair dos eixos. E o anfitrião não querendo ficar mal visto pelo fabricante dos equipamentos, lá se convenceu que seria melhor levar-nos a jantar do que deixar a sua reputação ser manchada em nome do “Nacional-Pelintrismo”; pelo que passámos a acrobata que descia do tecto por um cordão de cortinado e atingimos o ar fresco da liberdade.

Só lá pelas duas da manhã eu conseguiria regressar a penates, depois de um típico jantar Napi e mais umas quantas horas de autocarro; com uma incrível neura que apenas se dissipou na manhã seguinte à conta de 15km de bicicleta.

Porque essa sexta-feira ficará sempre na minha memória como um dos mais inúteis sacrifícios em prol do sector da construção, venho aqui deixar bem patente que esta hedionda filosofia alastra já por todo o mundo que a pouco e pouco vai sendo submerso pelas trevas do “Nacional-Pelintrismo”.

Se não acreditam, vejam aqui como os McCann já puseram a miúda a facturar

Música de Fundo
Why do I Keep Counting?” – The Killers

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Grande Marcha dos Canalizadores Para Norte (1)
- Onde à semelhança de Franz Leydig (o genial autor de “Zur Anatomie der männlichen Geschlechtsorgane und Analdrüsen der Säugetiere”) o autor se debruça um pouco sobre a natureza das migrações cíclicas de construtores civis, em direcção a eventos assaz desinteressantes. –

Não contente por tentar durante toda esta semana fazer-me uma lavagem ao cérebro com teorias de gestão completamente surreais (que culminaram numa quase desastrosa reunião com um cliente hoje ao fim da tarde), meu amo teima em levar-me amanhã à CONCRETA. A grandiosa feira para fetichistas de equipamentos de construção.

Já há dois anos passei mais tempo no trajecto que propriamente no certame; mas desta vez levo o leitor de MP3 e uma venda para os olhos, de modo a passar pelas brasas e conseguir pôr o sono em dia.

É realmente estranho como empresários com responsabilidades e afazeres inadiáveis (a maioria diz que mal dorme), nestes casos se prontificam a ficar a maior parte do dia na reclusão de um autocarro, apenas por causa de um almoço e meia dúzia de expositoras envergando trajos alegóricos de Lycra e capacetes com kit “abafador de ruídos”.

Mas é apenas mais um dia de trabalho. E assim levo a minha “gSmart Mini3” na esperança de captar algum daqueles momentos inesquecíveis produzidos por esse tipo de eventos.

Uma vez que os nossos “patos bravos” são paradoxalmente animais sedentários, será igualmente interessante anotar o seu comportamento em grupo e fora do habitat natural (embora alguns deles ainda digam “há bitaites). Deixemos pois que se inicie a épica jornada.

Desejem-me sorte. Que paciência não tenho nenhuma.

Até segunda e bom fim de semana.

Música de Fundo
Calling All The Heroes” – It Bites

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Um Autêntico Cu
- TvRabo, NetRabo e finalmente o RaboFone com o qual a sua opinião valerá nais… –

Sou um tipo habituado a respeitar contratos; mesmo que estes sejam escritos com letra miudinha (Times New Roman 8) e tenha que colocar os meus óculos à Salazar (que uso apenas em casos desesperados) para os ler. Mas o que não conseguem fazer é obrigar-me a engolir um serviço de merda acompanhado de um sorriso.

Nem mesmo com o aparecimento das três adolescentes que dão a cara (e o resto do corpinho) pela campanha a minha disposição melhorou.

Aliás, antes de ver a Teresinha (que aparentemente representa o produto TvRabo) pensei que aquilo estava cheio de incompetentes, alguns deles não falando sequer um português minimamente inteligível; que isto dos call-centers é o ideal para empregar as filhas da porteira, filhos ilegítimos tidos com ganesas e aquela senhora brasileira que é tão simpática que merece que a ajudem (LoL).

Não tenho nada contra os filhos dos outros (ilegítimos ou não), ganesas ou brasileiras. Poderia até dizer para me desculpar, que tenho imensas amigas brasileiras mas isso seria mentira; esse segmento é mais dedicado a tipos como aquele para quem trabalho. Agora à chulice, já estou habituado desde o momento em que constatei que por mais básica e linear que fosse a pergunta, me faziam esperar vários minutos numa linha paga, para regressarem e dizer que não faziam a mínima ideia do que se tratava.

Mas eu explico.

No canto direito do ecrã do meu PC na empresa existe um quadradinho que funciona como um televisor e no qual sintonizo canais de música para abafar toda a gritaria e conversas parvas que poluem a atmosfera de tão buliçoso local. Ora do pacote clássico (com o qual veio a Net de “pé chato”) só se aproveitam o Mezzo, a MTV e o VH1 (sim, que a MCM parece ser uma espécie de “bad trip” em que todo o Bairro Amarelo se tornasse francófono), e logo o canal que mais falha é o dos velhotes; o VH1.

Acontece de tudo. Desde desaparecer durante três ou quatro dias, até ser substituído pela MTV em húngaro (sim, também cá temos um húngaro. Isto é uma espécie de arca de Noé para canalizadores).

Eu bem me farto de telefonar. Mas quando a “Teresinha” me atende é sempre para ou duvidar do que eu digo, sugerir que o meu aparelho se “dessintonizou” sozinho ou pura e simplesmente responder com uma entoação suspeitosa que não tem qualquer indicação de avaria na área (mas como eu controlo duas contas independentes, uma de empresa e outra particular; não se safam com essa).

E poderia continuar “ad aeternum” a contar as minhas desventuras com essa espécie de linha erótica (porque nos fazem pagar enquanto nos dão conversa de merda) que é o 707266466; e as minhas conversas com todas aquelas “Teresinhas” e “Teresinhos” que aparentemente mal sabem atar os atacadores sem nos deixar pendurados e ir fazer perguntas a um supervisor. Supervisor este que quando solicitamos a sua presença nunca está.

Entretanto o “taxímetro” continua a sua contagem.

Quanto à Joana pode ser muito jovem e fresca, mas nada disso ajuda o modem a adquirir IP (coisa que se consegue facilmente em cerca de dois minutos com um/a técnico/a minimamente competente, mesmo que tenha acne até às virilhas ou patilhas tipo moço de forcados) e por aqui estamos conversados com o 707288488.

Após eu me ter conformado com este inevitável estado de coisas (sim, que a RaboVisão é igual ou ainda pior), adquiri o hábito de telefonar e reportar o problema sem lhes dar hipótese de me fazerem aguardar, recusando todas as sugestões idiotas que estão escritas naquela lista que todos eles mantêm perto do telefone. E assim fui feliz durante um tempo, talvez ao estilo de Winston Smith; mas pelo menos a conta do telefone não variava muito.

Até que insistiram em me apresentar a Rita…

Quando eu era um jovem estouvado e promíscuo e me faziam este tipo de ofertas, tratava a situação como se o Freddy Mercury me tivesse convidado para jantar. E não seria caso para menos; pois invariavelmente tentariam impingir-me uma prima catequista ou uma amiga coleccionadora de “Limoges” (e por tal, vítima de senilidade precoce).

Mas dizia eu… Telefonaram-me para casa por diversas vezes, embatendo no meu lacónico e bem treinado filho, até que um dia lá me conseguiram encontrar para dar a boa nova: Eu tinha sido premiado com a atribuição de um modem multimédia que permitiria aceder ao RaboFone com chamadas totalmente gratuitas para toda a rede fixa nacional.

Bem, já não era a primeira vez que me saía na rifa aquele tipo de “Rita”; mas tantas juras me fizeram de que “era mesmo gratuito” enquanto eu mantivesse o mesmo tarifário de Internet e outras loas, que acabei por transigir e desembolsei vinte e cinco euros alegadamente para custear o transporte e entrega do modem multimédia (que é tal e qual uma torrada em pão de forma como o outro, mas melhor aviada).

A Rita desiludiu-me logo de início, pois informaram-me (após longos minutos de “monólogos bilaterais”) que para a activação do novo aparelho seriam precisos até dez dias (ainda tenho o nome do tipo que me contou essa anedota). Chateei-me!

Fui dar volta a todo aquele lixo publicitário que acompanha habitualmente os produtos “Rabo”, e encontrei um número 808 para onde poderia dar a minha opinião (de preferência elogiosa) sobre a performance do técnico instalador. Ah, esqueci-me de dizer que afinal o modem foi entregue por um técnico (que aparentemente fica para eles mais barato do que um estafeta); o que já diz bastante sobre o tipo de “serviço personalizado” oferecido pelas “três amigas”.

Liguei então para o tal número gratuito (Aleluia!) que afinal hospedava um educado gravador de chamadas, e em vez do planeado chorrilho de ordinarices controlei-me o suficiente para após me identificar dizer apenas com uma voz embargada pela emoção: “Não tenho palavras para descrever o que sinto neste momento” – e desliguei.

No dia seguinte pela manhã (dez dias, não era?) o modem registava, e o telefone (que adquiri a gente mais fiável) funcionava perfeitamente. Mas como sabem todos os meus posts têm um “catch” final.

Pois é… Sabem qual foi a vingança da “Ritinha do RaboFone”? É que o único número para onde este telefone gratuito deixa de o ser, é o da assistência ao próprio RaboFone (707255455).

Há mesmo coisas do caralho! Não há?...

Música de Fundo
Somethin’ For That Ass” – Black Eyed Peas

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Igreja do Imaculado Blog - Edição Especial
(Almost a repost)

A Cartilha do Iluminado Penitente
(Ou a ascese para principiantes…)

Malta! Achei por bem revelar ao mundo o Primeiro Segredo de Blog; que é uma revelação sobre a verdadeira natureza do binómio penitência/indulgência, quase tão útil para as almas pias, como o é a “Holla” ou o “Financial Times” nos W.C.’s do Tamariz.

Para começar, aqui na nossa Igreja somos ortodoxos mas não somos parvos. E somos todos ortodoxos porque como a nossa fé até é bem fixe, ninguém tem a tentação de sair e fundar uma seita, alegando que tem um santinho melhor que o nosso; ao contrário da igreja católica que tem mais dissidentes que o PCP.

Atentai pois nas penitências servidas pela Igreja Romana, cornuda e apostilhónica; que mais parecem ter sido extraídas da ementa do “Salão de Prazer de Madame Lola”:

“…jejum de quarenta dias até o pôr-do-sol, trajando-se com sacos e usando o silício, auto-flagelação, retirada para um convento, vagar pelos campos vivendo de esmolas, etc…”

Neste obscuro pergaminho, os sacerdotes dessa pecaminosa seita incitam os fiéis a que se empanturrem à noite (sujeitos a morrer de congestão a meio de uma queca); aconselham as mulheres a gastar rios de dinheiro em vestidos da Ana Salazar e a colocarem implantes de silicone, bem como a procurarem intra-muros a promiscuidade com outras mulheres ou exercerem a prostituição no Monsanto.

Como vêem, embora alguns deles sejam bons conselhos, não cabe aos sacerdotes a missão de “ensinar o padre-nosso ao vigário”; por isso a abordagem da nossa igreja a este melindroso assunto é: “Peque agora e pague depois”, pelo que ainda se podem negociar algumas das condições contratuais.

Mas caso não estejam interessados, ainda oferecemos a modalidade da ascese, apesar de bastante mais chata.

É por isso que a Igreja do Imaculado Blog é conhecida pela flexibilidade e segurança (a tal “flexisegurança” de que tanto se fala) dos seus sacerdotes, que para isso praticam yoga nas horas vagas. Coisa a que se sacrificam com um sorriso nos lábios.

É claro que se mantiverdes a “humilde e dócil adesão à vontade de Blog, acompanhada por incessante oração”, não estareis sujeitos ás penitências d’ELE. Mas ficai sabendo, que o pecado é coisa que vale a pena experimentar pelo menos uma vez; quanto mais não seja para se ter assunto de conversa durante a catequese ou os almoços de bloggers.

A ascese é uma condição necessária de toda vida autêntica dedicada a Blog, pois sem o sacrifício da entrega a vida espiritual não progride, fica estagnada, e corre o risco de se tornar uma vida medíocre e sem sabor, como a daqueles bloggers que apesar de um brilhantismo extremo (como alguns que eu conheço), recusam partilhar-se com os outros e raramente saem à noite; alimentando-se apenas de refeições rápidas sem as descongelar.

Contudo, recuperar hoje o sentido da ascese e da mortificação, não deve consistir em ficar suspirando pelas práticas penitenciais do passado, nem em retomar "gratuitamente" práticas exteriores de penitências, mas sim, em descobrir a necessidade de reorganizar a própria casa (corpo/espírito) para nos oferecermos como dom aos outros. Se bem que nada de rebaldarias, pois Blog é uma divindade de respeito…

Ainda que falemos de uma "ascese interior", convém dizer, que deve-se continuar propondo as mortificações corporais e a renúncia, mas salientamos que, essa, deve ser praticada de um modo diferente daquele que foi praticado no passado. Pois agora qualquer loja da especialidade, tem à disposição dos mais pios uma panóplia de deliciosos objectos de culto e óleos santos para ungir os pontos mais sensíveis.

Outro aspecto que devemos salientar, é que mais do que mortificações extraordinárias e exteriores, a vivência da ascese deve levar-nos antes de tudo, a aceitar os sofrimentos que Blog nos envia no nosso dia-a-dia; como as “negas” ou a falta de Net.

A respeito das mortificações, Blog ensina-nos que devem ser praticadas de modo equilibrado, respeitando as condições corporais de cada pessoa, pois nem todos têm o mesmo poder de encaixe, o mesmo endurance ou resistência em apneia…

Em suma, depois de vos proporcionar estas breves notas acerca da ascese, gostaria de terminar com a seguinte exortação de São Paulo à comunidade de Tessalónica:

"Examinai tudo: abraçai o que é bom" (1Tes. 5,21)

E se nisto não acreditardes… Bem! Mais fica…

Música de Fundo
Wip It” – DEVO

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Post de Emergência
- O equivalente literário àquelas conservas que se costuma guardar para um dia em que rebente a quarta guerra mundial… -

Estão a ver aquelas cenas de filmes antigos em que uma fulaninha qualquer falava ao telefone enquanto abanava a perna deitada sobre a cama dizendo em voz lamentosa – Não vai dar para ir; imagina que não tenho que vestir para hoje à noite…

Pois foi exactamente o que me aconteceu. Bem, não foi assim tão exacto, que isso de abanar a perna só me dá em cima de uma toalha de praia; e o problema também não era o vestir… Mais uma vez chegava a segunda-feira sem nada escrito.

O grande problema de não se ter a alma atormentada, é que além de termos que fazer mais exercício para manter uma certa forma; também não nos saem dos dedos aquelas tiradas poéticas, que tal como trepadeiras se apoderam dos leitores cravando-lhes no coração suas profundas raízes.

Por volta de sexta-feira à noite a minha ideia era escrever algo sobre Doris Lessing ter ganho o Nobel da Literatura. Pois ao contrário de alguns dos laureados de outros anos, esta até sei quem é e dela li vários livros. Mas dá-me a impressão que este ano o prémio foi atribuído com um critério um pouco diferente. Não que Lessing não o mereça; mas acho que não só ela sai um pouco fora da habitual “grelha de atribuição”, como a melhor vertente da sua obra é no domínio da Ficção Científica (estão a ver um Nobel para a FC, não estão?).

É por isso que acho que este ano os suecos tiveram que despachar Lessing à pressa, para não terem que entregar o troféu e o “carcanhol” ao Bob Dylan, ao tipo dos “Versículos Satânicos”, ou a um gajo qualquer que inventa frases geniais para postais turísticos no Minnesota.

Mas a grande tragédia deste post é que enquanto o escrevo, estou simultaneamente a deixar passar por mim sem reparar, coisas importantíssimas que decerto estão a acontecer pelo país. Como a tão propalada recuperação da economia ou o restabelecimento dos direitos fundamentais de liberdade e reunião; que aparentemente foram suspensos durante algum tempo (pelo menos enquanto durar esta “longa noite” do PS).

Pois… Vão esperando…

Mas não me preparei o suficiente para escrever sobre a laureada, pois tive imenso que fazer durante o fim-de-semana; e só espero conseguir recuperar dele até à próxima sexta-feira.

Para começar foi o aniversário do meu herdeiro (o tal que um dia herdará o meu fabuloso sentido de humor e pouco mais). Há quem diga que os adolescentes não dão trabalho e só querem que não os chateiem. É verdade. Podem até acordar-me durante a noite e perguntar-me (durante o salazarismo era um método muito utilizado para fazer sondagens), que a minha resposta será sempre afirmativa.

O mais difícil é conseguir mantê-los livres de um tipo com cerca de quarenta anos (que não identifico aqui, pois ainda tem parentes vivos que poderiam sentir-se envergonhados e/ou constrangidos) que se considera tão jovem como qualquer um deles. Coisa que pobres mentes fossilizadas como a minha e as dos outros “anciãos”, não conseguem sequer conceber.

Infelizmente esse é um conceito filosófico tão avançado, que os próprios adolescentes não o conseguem entender. Sendo patente o seu desencanto, quando estão a tentar gozar uns bons momentos de conversa e saudável violência virtual frente a uma Playstation, e têm o seu sossego invadido pelo “Fantasma dos Natais Futuros” versão Hip-Hop.

Mas isso nem foi o que mais agitou o fim-de-semana. Finalmente Miss Entropia (a minha eterna assistente pessoal) entrou em fase final de desova, entregando ao destino uma Leonor de 3,400Kg (a Entropiazinha) que faz as delícias de meu amo (o seu baboso avô), que a transporta para todo o lado e exibe aos amigos como se fosse o último modelo da Nokia.

É claro que na ânsia de manifestar a Blog a sua gratidão pelo nascimento da neta, deve ter passado um pouco daquilo que normalmente se considera razoável. Pois estava eu ontem na esplanada do costume a comer a minha torrada sem manteiga, quando ao atender o chamado do telemóvel uma voz de entoação gutural me comunicou – Já nasceu, pá! Já nasceu!

Por alguns instantes pareceu-me algo extraído do último “remake” de “The Omen”, mas ele aclarou a voz e tentou condensar em dez segundos cerca de dezoito horas de libações e excessos em honra da nascitura. Terminando com esta pérola filosófica do “Nacional-Patronismo” – Agora aquilo pela empresa vai-se desorganizar um bocado; por isso se calhar vamos ter que fazer alguns serões…

Deixei-o decantar o resto da sua esfuziante felicidade, e sosseguei-o em relação à necessidade de trabalho extra.

Sem dúvida que o melhor do mundo são as crianças… convém é evitar que os adultos se metam demasiado no assunto.

Música de Fundo
The Salmon Dance” – The Chemical Brothers

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